Por Leandro Ruschel
Uma das características humanas mais prevalentes é a adaptabilidade.
Essa característica traz consequências positivas e negativas.
A consequência positiva é a capacidade de sobreviver em qualquer ambiente, especialmente do ponto de vista psicológico.
A consequência negativa é a acomodação — ou seja, a aceitação de uma situação cada vez mais desfavorável.
No caso brasileiro, o problema é ainda mais grave, porque a destruição do país aconteceu aos poucos. Somos o sapo sendo cozido em fogo baixo.
Primeiro, foram degradando os padrões morais e subvertendo a Justiça, que passou a tratar bandidos como “vítimas da sociedade” e as verdadeiras vítimas como “opressores”, produzindo uma sociedade disfuncional e estimulando a explosão da criminalidade, do topo à base da pirâmide social.
Para conter a revolta da parcela decente da sociedade, o establishment retirou nossas liberdades básicas, criminalizando qualquer oposição.
E não foi de um dia para o outro.
Foi um processo lento, ao longo dos últimos sete anos. Primeiro, veio a censura para combater as “fake news” e o “discurso de ódio”.
Depois vieram as prisões para “proteger as instituições” e “defender a democracia”. Em paralelo, a elite envolvida no saque ao país, exposto na Lava Jato, foi na prática anistiada e consolidou o poder, enquanto seus opositores foram criminalizados sob a acusação de “tentativa de golpe”, numa inversão completa da realidade.
A devastação moral provocada pela passada de borracha em um dos maiores escândalos de corrupção do mundo é incalculável — e vai muito além da simples normalização do desvio de recursos públicos como algo inerente ao sistema brasileiro. A mensagem é clara: no Brasil, o crime VALE A PENA! Não por acaso, a criminalidade é percebida hoje como o maior problema do país, segundo diversas pesquisas de opinião.
Tudo isso sob o aplauso de boa parte dos nossos “intelectuais” e de empresários amigos do rei.
Agora, o medo e a desconfiança reinam, e 2025 vai se encerrando com a explosão de um conflito interno do establishment político, econômico e midiático — como sempre acontece na fase de acomodação de um regime autoritário. O nível de degradação do sistema está exposto, e até mesmo setores da imprensa que antes justificavam um mar de arbitrariedades começam a reconhecer: a suposta “proteção” da democracia foi a máscara barata para enriquecimento e concentração de poder sem limites.
Antes, havia corrupção e crime nas ruas, mas pelo menos tínhamos liberdade para criticar políticos, nos organizar e apresentar projetos alternativos de poder. Hoje, nem isso.
O medo reina. Fazer oposição é um ato arriscado, capaz de gerar consequências terríveis para a vida pessoal e profissional dos opositores.
Nesse cenário, a adaptação começa a jogar a favor do sistema. A maioria das pessoas passa a praticar autocensura para evitar problemas, criando a famosa Espiral do Silêncio — base de qualquer regime autoritário e o caminho para o totalitarismo.
Amorais vão mais longe e passam a colaborar com o regime em troca de vantagens. Seja o empresário que se beneficia de empréstimos subsidiados, contratos e regulações favoráveis; seja o artista favorecido por patrocínios; sejam os jornais mantidos por verbas publicitárias; seja o cidadão comum que troca seu voto por uma bolsa-esmola — todos contribuem para sustentar as engrenagens de um sistema corrompido e cada vez mais autoritário.
Só há um problema: a aparente segurança de se afastar do debate público — ou de colaborar com o regime — é uma miragem. A história mostra que NINGUÉM ESTÁ SEGURO em um regime autoritário, nem mesmo aqueles que hoje mandam. Não há dinheiro, cargo ou influência que impeça que você vire alvo do próprio sistema — ou de um criminoso comum, capaz de tirar sua vida num piscar de olhos.
Que em 2026 os brasileiros possam recuperar seus direitos fundamentais — a liberdade de expressão, a livre associação, a liberdade religiosa e o direito de ser julgado diante da lei de forma igualitária, e não pelos desígnios de tiranos que se colocam ACIMA DA LEI. Que as pessoas de bem neste país possam se organizar e iniciar um processo de refundação e reconstrução.
Feliz 2026 para os que não se calam, não se dobram e não se adaptam ao inaceitável!
Fonte: Leandro Ruschel
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