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sexta-feira, 10 de outubro de 2025

O Infiltrado no Grupo de WhatsApp dos Empresários de Direita

Lucas Mesquita, jornalista de Brasília trabalha para o governo Lula e já registrou encontros com Flávio Dino e Alexandre de Moraes
Na audiência transmitida ao vivo no Senado na terça-feira, 2 de setembro, o perito Eduardo Tagliaferro, ex-assessor de Alexandre de Moraes, fez revelações que colocam em xeque a legalidade de uma das operações mais controversas do Supremo Tribunal Federal (STF): a busca e apreensão, às vésperas das eleições de 2022, contra empresários acusados de trocar mensagens em grupos de WhatsApp supostamente favoráveis a um golpe de Estado.
A sessão ocorreu na Comissão de Segurança Pública do Senado, convocada pelo senador Magno Malta (PL-ES) e presidida por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no mesmo horário em que o STF julgava o ex-presidente Jair Bolsonaro por abuso de poder político.
Segundo Tagliaferro, o que foi apresentado como ação amparada por investigação técnica e provas consistentes, na verdade teria sido montado a posteriori — depois da operação já realizada. Ele afirma que foi coagido a produzir documentos com datas retroativas, incluindo mapas mentais, relatórios e pareceres que dariam aparência de legalidade à decisão de Moraes, quando na verdade, segundo ele, tudo havia sido feito com base apenas na reportagem do jornalista Guilherme Amado, do Metrópoles.
À nossa reportagem, Tagliaferro afirmou que as mensagens do grupo foram enviadas diretamente para ele pela “Bruxa” da Vaza Toga, que A Investigação já identificou anteriormente como a jornalista Letícia Sallorenzo.
Entretanto, nossa reportagem analisou os registros apresentados por Tagliaferro na audiência, e conseguiu identificar o infiltrado responsável pelo envio das informações a Sallorenzo. Trata-se de Lucas Mesquita, documentarista e jornalista de Brasília, militante de esquerda que já ficou conhecido por infiltrações em grupos de WhatsApp de figuras de direita.
Na reportagem da Vaza Toga 2, revelamos que o ministro Alexandre de Moraes autorizou o acionamento de “parceiros externos” para estruturar as investigações relacionadas aos eventos de 8 de janeiro de 2023. Agora, a vigilância em massa da população ganha novos contornos: arapongas passaram a coletar informações de cidadãos comuns e a repassá-las diretamente ao Judiciário, muitas vezes sem qualquer indício concreto de crime.

Quem é o infiltrado
Lucas Mesquita, 35 anos, é jornalista e documentarista radicado em Brasília. A sua carreira começou nos bastidores do poder, como assessor de imprensa da chapa Dilma-Temer nas eleições de 2010. A experiência lhe deu acesso precoce ao centro das decisões políticas.
Flamenguista convicto, Mesquita se envolveu em uma disputa com a então presidente do clube, Patrícia Amorim, em 2012. Produziu conteúdos satíricos contra a gestão e, após pressões da diretoria, quase foi expulso do quadro associativo. Com o tempo, abandonou a militância esportiva e mergulhou na produção audiovisual. Fundou uma microempresa de produção fotográfica e cinematográfica em Brasília e, junto ao irmão Gabriel Mesquita, passou a dirigir e roteirizar documentários políticos.
Em 2022, dirigiu o curta “Contra Golpe”, que documentou os atos pela “defesa da democracia” realizados na Faculdade de Direito da USP. A produção, que teve apoio do Grupo Prerrogativas, registrou a leitura da “Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em Defesa do Estado Democrático de Direito”, divulgada como reação à candidatura de Jair Bolsonaro.
No mesmo ano, lançou o documentário “Eles Poderiam Estar Vivos”, também apoiado pelo Prerrogativas. A peça atribuía ao “negacionismo do governo” a responsabilidade por metade das mortes na pandemia. A narrativa baseou-se em depoimentos alinhados ao campo político da esquerda ou críticos de Bolsonaro, como a infectologista Luana Araújo e o epidemiologista Pedro Hallal, professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e coordenador do estudo Epicovid-19, ambos participantes da CPI da Covid.
Foi Hallal quem projetou a ideia de que 400 mil mortes poderiam ter sido evitadas, caso o Brasil tivesse a mesma taxa de mortalidade da média global. A estimativa viralizou nas redes e se tornou instrumento político contra Bolsonaro. O argumento, no entanto, ignorava fatores determinantes como desigualdade, infraestrutura de saúde, subnotificação, política de testagem e dinâmica regional da pandemia. A cifra, embora impactante, se sustentava mais em pressupostos militantes do que em rigor científico.

O modus operandi
Em pelo menos duas ocasiões, Lucas Mesquita se infiltrou em grupos privados de WhatsApp que reuniam empresários, políticos e juristas ligados à direita. O conteúdo extraído por ele serviu tanto como base para decisões judiciais quanto como munição em reportagens de grandes veículos.
Um desses espaços foi o Parlatório, criado pelo jornalista Carlos Marques, diretor editorial das revistas IstoÉ e IstoÉ Dinheiro e ligado ao LIDE, grupo empresarial fundado pelo ex-governador João Doria. O Parlatório reunia cerca de 250 empresários, intelectuais, jornalistas, publicitários e políticos — entre eles o ex-ministro e então candidato ao Senado Sergio Moro. Mesquita permaneceu nesse ambiente por cerca de dois ou três anos, em silêncio, apenas observando.
A ruptura veio em outubro de 2022, quando Mesquita criticou abertamente a reaproximação de Moro com Jair Bolsonaro. Publicou um vídeo e um texto duros — chamando o ex-juiz de “tchutchuca de miliciano” — e acabou expulso, segundo ele por pressão de Moro. Na GloboNews, a jornalista Andréia Sadi apresentou o episódio como se o vazamento tivesse partido de “participantes desconfortáveis”, mas tudo indica que a operação foi cuidadosamente planejada para ter a repercussão midiática.
O mesmo modus operandi foi aplicado ao chamado “grupo dos empresários”, cujas mensagens foram obtidas de forma semelhante e repassadas ao portal Metrópoles. As mensagens do grupo que nossa reportagem teve acesso mostram que Lucas fez de tudo para dissimular sua militância de esquerda, tentando se fazer passar por alguém de centro para ganhar a confiança do grupo.
“Infelizmente vai ser segundo turno entre Lula e Bolsonaro. Mas ainda tenho esperança de alguém conseguir aglutinar as forças de centro e ir pro segundo turno, para aí sim derrotar Lula ou Bolsonaro”, escreveu Lucas no dia 24 de abril de 2022.
Em maio, Guilherme Amado publicou a primeira reportagem com vazamento do grupo dos empresários mirando declarações de Luciano Hang sobre o padre Julio Lancellotti. Na ocasião, os integrantes do grupo tentaram encontrar quem seria o “X9” (delator infiltrado), excluindo alguns integrantes inativos, mas não suspeitaram de Lucas. Por causa da reportagem, Hang foi condenado pela Justiça de São Paulo a pagar danos morais a Lancellotti por ter chamado o religioso de “bandido”. A juíza Eliana Adorno de Toledo Tavares determinou que Hang pagasse R$ 8 mil de indenização.
“Pessoal aqui no grupo temos um X9, um dedo duro. Olha só onde foi parar a nossa conversa aqui no grupo. O membro que teve coragem de passar as mensagens para a imprensa também deveria ter a coragem de se posicionar agora e dizer o porquê fez isso. O que quis deixar bem claro na minha posição foi a militância do Lancellotti em apoiar um líder que defende o comunismo pelo mundo e pela América Latina que são geradores da miséria. Não sou contra a parte social, falei dele, desse caso específico, da militância de esquerda”, escreveu Hang no grupo após o primeiro vazamento.
No dia 17 de agosto, dia da publicação da reportagem do Metrópoles, a equipe de Amado enviou mensagens aos integrantes do grupo solicitando declarações sobre as acusações. Muitos compartilharam no próprio grupo as demandas recebidas, entre eles Lucas, que perguntava o que deveria fazer.
Meses depois, em janeiro de 2024, Lucas foi nomeado para um cargo comissionado como assessor no recém-criado Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, comandado por Márcio França.
Nas redes sociais, Lucas mantém uma presença discreta, mas não invisível. Registra encontros com figuras como Lula, Flávio Dino e Alexandre de Moraes. Em comentários e interações, chegou a dialogar com Letícia Sallorenzo, mais conhecida pelo codinome “Bruxa” — a mesma que atuava como colaboradora informal do TSE no monitoramento de opositores.

A operação contra os empresários
Voltando à audiência do Senado. Por videoconferência, Tagliaferro narrou que, em agosto de 2022, recebeu ordens do assessor Airton Vieira, braço-direito de Alexandre de Moraes, para montar documentos que dariam lastro à operação contra os empresários. Disse que havia pressa no gabinete: o plano era executar as buscas numa segunda-feira; elas ocorreram na terça, 23 de agosto.
Na semana anterior, em 17 de agosto, o Metrópoles tinha publicado reportagem com diálogos atribuídos a integrantes do grupo “Empresários & Política”, entre eles Luciano Hang (Havan), Meyer Nigri (Tecnisa) e Afrânio Barreira (Coco Bambu). Entre as diversas mensagens e comentários de cunho político — a peça citou, por exemplo, a frase “Prefiro golpe do que a volta do PT. Um milhão de vezes”, atribuída a um participante. Não havia qualquer fala criminosa de Hang no material publicado, mesmo assim, ele foi alvo de busca e apreensão e teve os perfis bloqueados apenas por participar do grupo.
A operação contra os empresários foi cumprida em cinco estados no dia 23 de agosto de 2022. Foram alvos nomes de peso do empresariado nacional. A Polícia Federal apreendeu celulares, promoveu quebras de sigilo e bloqueou contas nas redes — inclusive as de Hang, que ficaram mais de dois anos fora do ar, com reativação só em setembro de 2024. Em agosto de 2023, cerca de um ano depois, o STF arquivou o inquérito em relação a seis dos oito empresários por “ausência de justa causa”, mantendo Hang e Nigri por mais 60 dias. Até hoje não há denúncia formal apresentada nesse caso.
A operação contra os empresários foi deflagrada apenas dez dias antes do primeiro debate presidencial na Band. A medida atingiu em cheio a base de apoio de Jair Bolsonaro: além de apreensões e quebras de sigilo, empresários tiveram suas redes bloqueadas, como Luciano Hang, um dos principais amplificadores digitais do bolsonarismo. A ausência dessas vozes reduziu a capacidade de mobilização nas redes e serviu como aviso ao setor privado de que manifestações públicas em favor do presidente poderiam gerar retaliações judiciais, produzindo um efeito de intimidação que limitou o engajamento empresarial durante a campanha.
Ao mesmo tempo, a operação foi explorada politicamente. A narrativa do “golpismo empresarial” se consolidou no noticiário e deu munição ao discurso de Lula nos debates, reforçando a ideia de que Bolsonaro e seus aliados representavam uma ameaça à democracia. Com vozes empresariais censuradas e a narrativa adversária amplificada, Bolsonaro entrou no horário eleitoral e nos debates em desvantagem estratégica, tanto em termos de recursos financeiros quanto de alcance digital.
Até então, suspeitava-se que a medida havia sido deflagrada a partir da série do Metrópoles — a própria decisão tornada pública pelo STF menciona as reportagens. No dia 23, porém, a então âncora da CNN Daniela Lima teria “apurado” que a ação teve como fundamento um pedido da PF que apurava a organização e o financiamento de atos antidemocráticos, conhecido como inquérito das milícias digitais.
Entretanto, segundo Tagliaferro, esta informação era falsa: a única base da decisão foi a reportagem do Metrópoles. “O que aconteceu foi que Moraes determinou que seus assessores extraíssem as falas da matéria e as formatassem em um relatório. Só que aquilo era um grupo privado de WhatsApp. Seria criminoso da minha parte atestar a autenticidade daquelas conversas”, afirmou.
A denúncia de Tagliaferro deve abrir espaço para novas apurações, dentro e fora do Congresso. Senadores da oposição já pediram acesso aos arquivos citados e prometem convocar Airton Vieira e autoridades da PF para explicações.

A ação retroativa
A parte mais grave da denúncia veio em seguida. Tagliaferro declarou que, depois da operação já executada, ele foi procurado por Airton Vieira, que não sabia usar computador, para “ajudar a construir uma história”. O objetivo: forjar a existência de uma investigação prévia que justificasse a ação do STF.
Ele contou que recebeu arquivos com “PETs” já marcadas e instruções para produzir mapas mentais ligando os empresários a supostos financiadores de atos antidemocráticos e redigir um relatório com data de dias antes da operação. Tudo isso, afirma ele, para que Moraes pudesse retirar o sigilo do processo e mostrar à imprensa que havia embasamento além da matéria jornalística.
“Assinei como se fosse um relatório do Supremo Tribunal Federal. Mas eu não era servidor nomeado. Fiz porque fui instruído. E está tudo documentado: os arquivos, as datas de criação, os metadados, os hashes. Tudo com perícia técnica”, garantiu.
Durante a audiência, Tagliaferro exibiu capturas de tela, datas de criação de documentos e o próprio mapa mental que, segundo ele, foi usado por Moraes para justificar as medidas. Nele, os empresários apareciam ligados a nomes como “Custer”, “Bezerra” e “Álvaro dos Santos”, todos conectados por setas a um suposto centro de financiamento de atos golpistas.
Segundo o ex-assessor, esse documento foi criado em 28 de agosto de 2022, seis dias após a operação — mas foi incluído no processo como se tivesse sido feito em 22 de agosto. Outro relatório foi juntado aos autos em 29 de agosto, embora também tenha sido confeccionado depois da operação, não antes, como o STF teria afirmado.
“Essa fraude é gravíssima. Se isso foi feito nesse processo, o que não pode ter sido feito em outros, todos físicos, todos guardados a sete chaves no gabinete do ministro?”, questionou.
Fonte:    A Investigação

quarta-feira, 30 de outubro de 2024

¿O Que é, e Como nos Afeta a Subversão Ideológica?

As operações psicológicas tem sido conhecidas, também, sob outros termos, como guerra política e propaganda.​ O conceito de guerra psicológica se usa para «definir qualquer ação que se pratica, sobretudo por métodos psicológicos, com o objetivo de provocar uma reação psicológica planejada em outras pessoas».​ Se usam varias técnicas para realiza-la e está dirigida a influir no sistema de valores, no sistema de crenças, nas emoções, no raciocínio ou no comportamento do público.
As operações psicológicas têm muitas formas e diversas técnicas de serem aplicadas e, neste caso, trataremos da subversão ideológica.

A história por trás da subversão ideológica
A subversão ideológica é uma forma de combater o inimigo sem utilizar nenhuma arma além de umas quantas técnicas psicológicas/sociológicas/políticas.
Durante a Guerra Fria, o KGB (Inteligência Russa) não só era uma organização que se dedicava à espionagem mas, também, ia mais além disso. 
Yuri Bezmenov foi um agente especializado em propaganda e operações psicológicas do KBG que desertou para os Estados Unidos e terminou vivendo no Canadá. Trabalhou para a Agencia de Imprensa Novosti, versão soviética no mundo real do Ministério da Verdade de 1984, a novela de George Orwell. Como suposto empregado da Novosti, o KGB o destinou à embaixada soviética em Nova Delhi, onde chegou a ser chefe adjunto de um dos departamentos do Grupo Secreto de Investigação e Contra-Propaganda.
Segundo ele, a antiga União Soviética aplicava este conceito de subversão ideológica na sociedade ocidental, mormente na dos Estados Unidos.
¿Como isso se aplica? ¿Ainda se utilizam estas técnicas e não temos consciência? Explicamos sua execução em quatro fases:

Primeira etapa: desmoralização
A primeira das fases é a «desmoralização». Além de ser a primeira etapa, também é a mais custosa, já que poderia levar mais de uma década para ser efetiva. Ainda assim, aparecem varias gerações de gente jovem (normalmente estudantes universitários) que desafiam e contrariam os valores ocidentais desde dentro do próprio país, sem se darem conta de terem sido «manipulados» durante anos por uma potencia estrangeira.
Bezmenov explicou que a desmoralização é importante porque priva à população-alvo de sua capacidade de processar informação válida. Mesmo quando quando os alvos dessa desmoralização são saturados por «provas verdadeiras» das posições contrarias, simplesmente «se negam a acreditar» nessas provas.

Segunda etapa: desestabilização
A segunda etapa na subversão ideológica é a «desestabilização», bastante mais rápida de aplicar que a anterior. Segundo o KGB, só se requerem entre dois e cinco anos para sua total efetividade.
Esta fase é basicamente uma estratégia de enfraquecimento institucional e estrutural das organizações mais importantes de um país. Setores como o da Defesa, Interior (Forças e Corpos de Segurança do Estado) e a Inteligência do país são os mais delicados e, quando debilitados, podem corroer a capacidade do Estado para responder a ameaças tanto exteriores como internas.
Esta fase deve criar uma «crise» fomentando a insegurança e o estresse na população. Além disso, os Estados tendem a ser mais vulneráveis a esta fase em épocas de crises econômica e social, quando há uma grande polarização política e os países inimigos podem facilmente aproveitar a conjuntura.

Terceira etapa: crises
Neste momento, a sociedade está envolta em um caos social, alta tensão e com a confiança muito escassa para suas próprias instituições, provocada tanto por variáveis endógenas como exógenas.
Bezmenov destacou que esta crise poderia manifestar-se de diversas formas, incluída a agitação política, o colapso econômico ou o mal-estar social, até o objetivo final, que seria a mudança radical no poder devido ao desespero e desconfiança da sociedade; e parte desta mudança, estaria controlada desde o exterior.
Operações psicológicas, fake news ou estímulo econômico, são ações que forças externas podem realizar para piorar ainda mais a situação e favorecer uma troca, quer seja para controlar um novo regime ou, simplesmente, para desestabilizar e debilitar o país.
Por exemplo, estimulando uma alternativa ideológica contrária à atual ou soluções alternativas, criando uma oportunidade para modificar as dinâmicas de poder e a imposição de novas ideias estrangeiras a uma população muito débil e vulnerável nesse momento.

Etapa final: normalização
É nesse momento em que a ideologia subvertida se converte no normal. Esta fase não é uma espécie de nova normalidade ou estabilidade, mas sim uma nova ordem social baseada em uma ideologia que antes era estranha à população, mas agora é o regime dominante.
Tudo que é social está, agora, remodelado com novos pensamentos, tanto individuais como coletivos, apagando a identidade cultural e os valores que previamente reinavam nesse país. Neste momento, o processo de subversão está totalmente completado.
As explicações do ex-agente do KGB Yuri Bezmenov sobre as etapas da subversão ideológica ainda são atuais e alertam sobre a importância de proteger os princípios, as bases e a identidade cultural que constituem o caráter de um país. Compreender, estudar e conhecer estas etapas, oferece uma estrutura para identificar e neutralizar possíveis riscos às democracias e à coesão social das mesmas.
Fonte: tradução livre de LISA News
COMENTO: Me parece que as etapas citadas no texto podem ser resumidas de modo prático se trocarmos alguns termos. Na primeira, a desmoralização se dá pela difusão em massa de boatos, mentiras e meias verdades sobre o governo ou pessoas que o compõem. A desestabilização se dá pelo uso da falta de credibilidade, obtida na fase anterior, junto a execução ativa de movimentos populares (greves, manifestações que possam gerar tumultos, badernas com violência que levem à repressão violenta, etc.) que alimentem o descredito nas autoridades. A crise da terceira fase vem de forma quase espontânea, no rastro da situação criada nas etapas anteriores. Se for nutrida por esforços externos, se instala mais facilmente. Por fim, a nova ordem social baseada numa ideologia que antes era algo estranho à população, se instala e passa a ser o novo regime, com regras, métodos de comando e administração totalmente desconhecidos, mas eficientes no controle da população. Se isso te parece estranho, olhe em volta e acorde para a "nova vida"!

domingo, 30 de junho de 2024

O Brasil Tem Saída — O Aeroporto

Vendo as últimas notícias sobre as ousadias daquele sujeito que, reprovado duas vezes em concursos para ser juiz de 1ª instância — e que já apareceu em vídeo confessando o furto, com um colega, dos autos de um processo em que atuavam e não tinham redigido a defesa, a fim de que ele não fosse a julgamento —, foi alçado a um cargo na mais alta corte por ser o "amigo do amigo do meu pai", me dei conta do quanto os canalhas são pragmáticos em sua luta pelo poder.
Confira como temos sido engambelados, lembrando alguns casos que, supostamente, recuperariam a imagem do Brasil ante o mundo.

- Para não irmos muito longe no passado, lembremos no que deu o caso de dona "Jorgina do INSS", usada como "boi-de-piranha" de uma quadrilha que desviou um valor avaliado em 2 bilhões de reais do órgão. Com sua parte do que foi desviado, ela adquiriu mais de 60 imóveis de alto valor em Minas Gerais e Rio de Janeiro. Em 1991 a fraude foi descoberta e ela fugiu para o exterior logo após sua condenação, em 1992. Em 1997, foi presa na Costa Rica, onde vivia, e repatriada ao Brasil, onde cumpriu os 14 anos de prisão a que havia sido condenada. Após sua liberdade, queixou-se de que seus imóveis estariam sendo vendidos a preços subfaturados, em leilões viciados, que favoreceriam outros fraudadores do INSS. Em meados de 2022, ela morreu em consequência de acidente automobilístico ocorrido no final do ano anterior, ainda na posse de diversos imóveis, supostamente frutos da maracutaia.

- Também tivemos o Caso PC Farias, com o principal agente, convenientemente assassinado, sem que se descobrisse o assassino, sua motivação nem o destino dos recursos que deram origem ao escândalo. E o principal interessado? Hoje flana tranquilamente pelo Senado Federal.

- Ainda no "século passado", tivemos o juiz Nicolau pego com a mão na botija trambicando o superfaturamento da construção de um novo Tribunal, em São Paulo, tão faraônico quanto supérfluo como os demais palácios do judiciário. Condenado a 26 anos de prisão em 2006, depois de uma fuga espetacular, em 2000, ficando foragido por três meses, cumpriu parte de sua pena em sua mansão. Em 2013, foi levado a uma prisão de verdade e seis anos depois foi indultado. Morreu aos 91 anos, em 2020 desfrutando sua riqueza.

- Já em 2004, tivemos a "Operação Satiagraha", que prometia por fim à carreiras de alguns figurões da República, particularmente banqueiros e políticos. Quatro anos depois, a Operação foi desmantelada, sob a ridícula alegação de que o delegado responsável havia sido assessorado por agentes da ABIN nos trabalhos; as provas obtidas foram todas anuladas e o delegado — aproveitando a projeção nacional que teve, elegeu-se deputado federal em 2010. Em 2014 ele foi condenado a dois anos e meio de prisão, por "vazar informações sigilosas" da Operação. Não reeleito ao cargo eletivo, em 2015 ele foi defenestrado da Polícia Federal e foi morar na Suíça, onde vive até hoje como asilado político.

- A Operação Castelo de Areia foi outra operação da Polícia Federal, em 2009, que investigou supostos crimes financeiros e lavagem de dinheiro praticados por executivos ligados à construtora Camargo Corrêa. A PF e o Ministério Público investigavam, ainda, o pagamento de propina a autoridades para conseguir benefícios em licitações; e doações irregulares para campanhas políticas.
Entre os políticos investigados apareciam José Roberto Arruda, Michel Temer, Gilberto Kassab, Valdemar Costa Neto, Antônio Palocci, Sérgio Cabral, e Paulo Skaf. Além dos políticos, também foram citados os nomes dos conselheiros Eduardo Bittencourt e Robson Marinho, do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo e até o ex-presidente da república Jânio Quadros.
Em 5 de abril de 2011 a operação foi anulada pela 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sob a alegação de que denúncias anônimas não poderiam embasar investigações. A decisão foi inédita, contrariando a jurisprudência da corte, cujo entendimento anterior permitia que denúncias anônimas fossem alvo de investigação. A defesa das empreiteiras ficou a cargo do ex-ministro da justiça Marcio Thomaz Bastos. Dois dias depois, o Ministério Público recorreu da decisão, mas somente após quatro anos, em 2015, o ministro Luís Roberto Barroso rejeitou o recurso. Dois anos depois, em negociação de delação premiada, o ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci afirmou que subornou ministros do STJ para anular a operação.

- Em 2016, tivemos o episódio da delação premiada do ex-senador Sérgio Machado. Após renunciar à presidência da Transpetro, em 2014, começou a ser investigado na Operação Lava-Jato. Apareceram contas no exterior envolvendo seus filhos no esquema de corrupção montado na Petrobrás. Antecipando a possível prisão, buscou a Procuradoria Geral da República (PGR), prometendo devolver R$ 75 milhões obtidos irregularmente, e garantindo entregar todo o esquema de corrupção com os recursos transferidos para senadores que garantiram sua permanência, por onze anos, na presidência da Transpetro. A negociação foi homologada pelo ministro Teori Zavascki do STF, e a delação, com gravações feitas sigilosamente com autorização judicial atingiram a cúpula do PMDB. O desfecho do caso é similar a muitos outros que envolvem figuras "proeminentes". Os membros do STF rejeitaram ou anularam as acusações, e os acusados continuam suas vidas de trapaças e opulência às custas do erário. E o denunciante foi condenado a três anos de prisão em sua mansão em um bairro nobre de Fortaleza. Castigo merecido, para servir de exemplo a outros que resolvam delatar a "cumpanherada". Destaque-se que estes dados foram tirados de páginas e blogs da internet. As buscas nas páginas de pesquisa, não levam a coisa alguma. Sequer se encontra noticiada a sentença de condenação do delator.
Como fecho de ouro para esta história, em meados de 2023 foi anunciada com ufanismo que "Sérgio Machado marca sua volta à política, com discurso em Assaré".

- Nem vou perder tempo tratando sobre Paulo Salim Maluf, tido por muitos anos como o ícone da trambicagem brasileira. Por quase meio século, de 1969 a 2018, exerceu diversos mandatos políticos, sempre acusado de desonestidades várias. Somente em 2017 a justiça conseguiu condená-lo, por lavagem de dinheiro, a sete anos de prisão; no ano seguinte, somaram-se mais dois anos por crime eleitoral. As penas começaram a ser cumpridas em regime domiciliar e; em maio de 2023 o STF decidiu anular as condenações com base no indulto de fim de ano.

Vou parar as citações por aqui, pois a sequência seria interminável.

O Brasil viveu recentemente dois belíssimos sonhos que se transformaram em pesadelos, rapidamente. Um foi a eleição de um presidente que se apresentou como a salvação da lavoura. Ex-militar, cristão, com discurso fortemente liberal pró-capitalista e prometendo acabar com a corrupção, a roubalheira, o desperdício dos recursos públicos e trabalhar fortemente pelo país.
O ingênuo presidente eleito, apesar de quase trinta anos de convívio no Congresso Nacional, minimizou quão forte é o sistema maligno que vige no país. Começou um belo programa de governo, convocando excelentes auxiliares, com destaque para Paulo Guedes (Economia), Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento), Roberto Campos Neto (Banco Central), Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) — claro que as negociações com as quadrilhas, ops, partidos políticos, necessárias à execução dos planos governamentais permitiram que vigaristas chegassem a cargos de relevo, manchando a imagem que o governante construía —, e concluindo milhares de obras que, iniciadas em desgovernos anteriores somente para possibilitar desvios de recursos na forma de licitações em série que, sempre superfaturadas, nunca chegavam ao fim dos trabalhos. O saneamento de empresas estatais que, em tempos de crise provocada pelo "covid" conseguiram lucros em suas atividades, antes deficitárias; a maior liberalidade na aquisição de armas para a defesa de cidadãos sem problemas com a lei, que resultou na diminuição de índices de violência — feito nunca reconhecido pelos canalhas amigados com a criminalidade, que sabotaram o feito ao máximo e o sufocaram como uma das primeiras atitudes, logo que retomaram o poder —; o controle da economia e a diminuição no desemprego; são exemplos de uma boa administração, que agredia os princípios imorais da grande maioria de "representantes do povo", empoleirados em cargos diversos nos poderes legislativo, executivos (federal, estaduais e municipais) e judiciário.
A união desses patifes, em conluios que o presidente não quis afrontar, acreditando ser possível combater "dentro das quatro linhas" da Constituição Federal, fez com que a população acordasse sob o pesadelo de voltar a ser dominada por um velho conhecido do judiciário, ex-hóspede do cárcere curitibano da PF, que a elite de malfeitores retirou da prisão, descondenando-o sob argumentos falaciosos e colocando-o como candidato das trevas à presidência do país. Sob o olhar atônito da pequena parcela que consegue pensar e ser honesta ao mesmo tempo.

O outro sonho foi o andamento da denominada "Operação Lava-Jato". Seus feitos, espetaculares e inéditos aguçaram a vaidade de seus realizadores. O sucesso nas investigações, alcançando nomes de fortes mafiosos, com fortes ligações com "autoridades" que os mantinham isentos dos rigores das leis, foi transformado em espetáculo televisivo. A população, extasiada com o combate que sempre sonhou contra a cúpula dos malfeitores nacionais, se deliciava à noite, assistindo equipes da Polícia Federal arrestando diariamente gente que, nem nos sonhos mais ilusórios, se poderia imaginar sendo algemados. Milhões e milhões de Reais eram apreendidos em contas bancárias no exterior e no próprio país, frutos da rapinagem investigada. O então juiz Sergio Moro e a equipe de investigadores do Ministério Público paranaense foram alçados à categoria de heróis nacionais.
Um "monumento", simulando o volume de dinheiro retornado aos cofres públicos, como fruto dos trabalhos, chegou a ser construído em praça pública, maravilhando a cidadania brasileira.
A fama cobrou seu preço. A excremerdíssima cúpula da rapinagem nacional, avessa aos holofotes — até para proteger suas imagens, por segurança — não poderia admitir que aquele bando de moleques paranaenses lhes subtraíssem a fama e a imagem de "seres supremos deçepaíz"! Algo tinha que ser feito, com urgência! E a máquina, que desde os anos 80 do século passado vinha sendo montada para dominar o maior país da América do Sul, começou seu movimento maléfico. Cúpula e base do sistema penal começaram as tramoias, combinações de estratégias. Os membros do Supremo valhacouto, contrariando o costumeiro procedimento mundial de "só falar nos autos", abandonaram a histórica discrição e passaram a frequentar os telejornais, em uma ação de autopropaganda. Alegações absurdas de advogados passaram a ser aceitas como jurisprudência vindas dos céus, e interpretações miraculosas da legislação começaram a ser aplicadas.
Obviamente, algumas cabeças rolaram, começando pelos operadores menores. O tesoureiro da organização criminosa — denominação dada pelo então PGR — foi preso, condenado a oito anos e, depois, mais cinco, confiante no poder da quadrilha, nunca confessou nada. Dois anos depois, foi absolvido de uma das condenações e; mais dois se passaram até a receber o perdão total de um membro da alta corte. O primeiro a "abrir o jogo" foi o mais penalizado. Condenado, foi recolhido ao cárcere comum. Tempos depois, queixou-se de ter sofrido torturas dos carcereiros e de outros presidiários, sugerindo até ter sido estuprado. Em função disto, resolveu fazer uma "delação completa", prometendo apresentar provas contra "o grande chefe" da maracutaia.. Depois, "arrependeu-se", a delação não foi aceita, ele recebeu de presente uma tornozeleira no pé, e foi para casa, e nunca mais se ouviu falar nele. Outro, peixe grande na maior estatal brasileira, resolveu fazer um acordo onde devolveu mais de US$ 100.000.000,00 (cem milhões de dólares!). Lembro que, à época, comentei que se ele devolvia 100, certamente deveria ter mais outros cem guardados em segurança!
O dono de uma das maiores — talvez a maior — empreiteira de obras faraônicas, no Brasil e no exterior, também resolveu comparecer ao confessionário penal. De suas revelações, tivemos muito dinheiro devolvido, muita verba definida como multa, até uma lista de receptores de propinas e "ajudas" para campanhas eleitorais, tudo em um arquivo elaborado no Setor de Operações Estruturadas (o Departamento de Propinas da empresa) chegou a ser divulgada com o estardalhaço comum em casos assim, e a principal responsabilidade jogada aos ombros do filho do dono da empresa — a idade do pai não permitiria seu recolhimento à prisão, necessária para o "gran finalle" do ato — que foi condenado a mais de 19 anos de prisão, para saciar a plebe que exultava ao ver um milionário na cadeia.
Dois anos depois — sabedores que a memória da patuleia não comporta mais de três meses de noticiário sobre futebol, desquites de famosos, discursos agressivos de políticos, condenações de jogadores que se deixaram "pegar" por meninas frequentadoras de bordéis, e tantas outras novidades importantes despejadas sobre a população pelas telas das caixas de produzir idiotas — o herdeiro da, agora denominada, Novonor, foi para casa em dezembro de 2017, curar as feridas psicológicas adquiridas no cárcere, cumprindo o resto de sua pena (reduzida em 2022 pelo ministro Fachin) em regime domiciliar até 2023. Teve tempo suficiente para refazer planos e corrigir os erros que possibilitaram o desmonte do esquema anterior.
Os negócios da "nova" empresa com o governo já foram retomados.

Lembro que, nos anos oitenta, circulou um informe, na base do "sistema de informações", dando conta de que quadrilhas melhor estruturadas estariam selecionando jovens com bom desempenho intelectual, para financiar seus estudos, de modo que, eles obtivessem bons cargos públicos na máquina administrativa do país e, no futuro servissem aos seus filantropos, se é que se pode assim os denominar. O dado não recebeu atenção, nem interesse para ser confirmado, sendo descartado como boato sem fundamento. Hoje, quem ainda lembra dele e vê as atitudes adotadas por inúmeras autoridades, em diversos níveis dos poderes, pode muito bem perceber que não era algo "sem fundamento".

Estes fatos não estão aí só para relembrar quanto a desonestidade e a falta de vergonha reinam no Brasil. Eles servem para fundamentar minha afirmação inicial. Os mequetrefes são metódicos e planejam muito bem os lances de sua viajem ao topo do poder.

Isto não é gratuito. Quando estudante — e já faz bastante tempo — percebi o quanto "analisávamos" a vida, os métodos, a carreira, de gente da estirpe de Marx, Lênin, Stalin, Gramsci, Althusser e demais organizadores da ideologia socialista/comunista; e o quanto nos era negado o pensamento dos que se opunham a esses pulhas. Isto ainda ocorre, e com frequência e veemência muito maiores. Para se ter acesso a obras de Adam Smith, Ludwig von Mises, Milton Friedman e, até mesmo do genial Roberto Campos, só em pesquisas próprias ou em cursos específicos fora das universidades.

Observando com cuidado o procedimento dos safados empoleirados no poder e em sua periferia, detectamos as "lições de vida" de muitos dos iniciadores dessa praga mundial, denominada comunismo, e que hoje foi assimilada pelos canalhas de todo tipo, que ambicionam somente o poder e as riquezas produzidas pelos "contribários" (contribuintes otários) mundo a fora, particularmente no Brasil. A vagabundagem e a persistência desavergonhada de Marx, a paciência chinesa de Mao Zedong, o aproveitamento de todas as oportunidades de Lênin, a violência repressiva e preventiva de Stalin, a conquista de "corações e mentes" apregoada por Gramsci; tudo tem sido posto em prática nos últimos anos neste país.

Ouso afirmar que até mesmo os ensinamentos da frase "um passo atrás, dois à frente", de Lênin ao apresentar sua “Nova Política Econômica”, em 1921, tem servido de mote aos velhacos. A resiliência que demonstram quando flagrados e, aparentemente, punidos se deve à certeza de que o sistema já está dominado e seus dias de dissabores serão passageiros — o "passo atrás" — e a recompensa, ou os dois passos para a frente, virá em breve, quem sabe com uma boa indenização e o retorno a cargos bem, muito bem, remunerados na cúpula da administração pública.

Já aos delatores, traidores da "causa", ou mesmo reles desertores, restam as condenações — mesmo pequenas — às masmorras ou em casos mais graves, o encaminhamento inexorável à "paz dos cemitérios" do modelo stalinista, como ocorreu com Leon Trotsky! Exemplos não faltam e não necessitam ser explicitados.
Para encerrar, atualmente assistimos embasbacados o sujeito citado no primeiro parágrafo, cometer inúmeras barbaridades jurídicas, competindo com o outro que se autonomeou "xerife da nação", o que demonstra claramente que perderam qualquer resquício de modéstia; enquanto seus pares, por conivência ou temor (sabe-se lá do que, ou de quem. Talvez alguma reprimenda à moda stalinista?) permanecem surdos e mudos, ante o desmonte do sistema judicial por decisões conflitantes com a legislação que deveria vigir, e das quais deveriam ser os guardiões.

domingo, 31 de julho de 2022

Zelensky e a Inteligência Ucraniana

Ainda nesta semana, Zelenski demitiu seu chefe dos Serviços de Inteligência, o nº dois do Conselho de Segurança Nacional e Comandante das Forças Especiais do Exército ucraniano.
Nesta semana, o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, demitiu o número dois do Conselho de Segurança Nacional e Defesa da Ucrânia, Mijailovich Dmchenko, e o Comandante das Forças Especiais do Exército ucraniano, Gregori Galagan.
No passado 17 de julho Zelenski anunciou ter destituído tanto o chefe do Serviço de Inteligência da Ucrânia (SBU), Ivan Bakanov, quanto a Fiscal-Geral do país, Irina Venediktova em um decreto presidencial.
No dia seguinte Zelenski anunciou que Ivan Bakanov — que, até então, formava parte do círculo mais íntimo do presidente ucraniano — seria substituído de forma “temporária” como chefe dos serviços de Inteligência.
Segundo o decreto publicado na web da Presidência da Ucrânia, Bakanov foi destituído de conformidade com o Artigo 47 do Estatuto Disciplinar das Forças Armadas da Ucrânia, que alude à “falta de desempenho (ou desempenho inadequado de) deveres de serviço com o consequente custo de vidas humanas”.
Contudo, Zelenski publicou no Telegram que ambos estão acusados de protagonizar atos de traição contra Ucrânia após a divulgação de casos de funcionários ucranianos que presumivelmente colaboravam com a Rússia.
Em comentários publicados em “Kiev Independent”, Zelenski também teria revelado que “as conexões que se registraram entre os empregados das forças de segurança da Ucrânia e os serviços especiais da Rússia apresentam perguntas muito sérias aos líderes relevantes”.
Mais além das declarações sobre as suspeitas de “alta traição” de Zelenski no Twitter, a Presidência ucraniana reforça que os citados não estão exonerados, somente “afastados de seus cargos” enquanto é investigada sua implicação em supostos delitos de colaboração com o inimigo que teriam sido cometidos.
Segundo diversos informes mais de trinta anos depois da dissolução da União Soviética, os serviços de Inteligência russos e ucranianos tem mais em comum do que parece, sobretudo quanto à burocracia de estilo soviético e à corrupção interna.

¿O Ocidente pode confiar na Inteligência ucraniana?
Essas revelações poem à mostra o processo anunciado por Zelenski de “limpar” a possível presença da Rússia em seus círculos mais íntimos e, após os supostos casos envolvendo pessoal de Inteligência nos territórios ocupados pelos russos, que estariam colaborando com Moscou.
Segundo o técnico em Inteligência, Joseph Fitsanakis, a situação é “especialmente problemática” precisamente nas zonas sob controle russo. “A medida que os ucranianos comuns, assim como os funcionários do governo, estão tratando desesperadamente de sobreviver nas áreas ocupadas, enfrentam o dilema de deixar seus postos de trabalho ou continuar trabalhando com a esperança de receber um cheque de pagamento mensal muito necessário. Se elegem esta última opção, Zelensky e seu governo podem acusa-los facilmente de colaboracionistas”, explica em Intelnews.org.
Além disso, segundo Fitsanakis, este enfoque, somado às purgas na Ucrânia, pode criar as “condições previas de uma guerra civil” que “descarrilharia” os esforços ocidentais de apoiar a Ucrânia na guerra.
Expertos e analistas se perguntam se é legítimo desconfiar que os serviços de segurança e Inteligência da Ucrânia sofram intromissão russa, e até se podem confiar em seus homólogos ucranianos. “A resposta é invariavelmente, não. De fato, sequer os próprios ucranianos estão em condições de confiar nos seus próprios serviços de Inteligência”, declara Fitsanakis.
Neste sentido, é curioso como Zelenski, neste contexto de desconfiança de haver possíveis traidores em áreas sensíveis como a Inteligência ou a Segurança em seu próprio país, basearia suas decisões nas informações obtidas pelos serviços de Inteligência de outros países como Estados Unidos ou Reino Unido.
Recordemos que foram precisamente estes dois serviços de Inteligência os que majoritariamente alertaram sobre a invasão russa à Ucrânia, inclusive meses antes de que ocorresse, em uma estratégia de comunicação de Inteligência nunca antes vista.

Procedimentos penais relacionados com “alta traição”
Na mesma comunicação oficial em que anunciava a restrição de seu chefe de Inteligência, Zelenski também mencionava a detenção do antigo chefe do SBU para a Crimeia, Igor Kulinich, por imputação de traição. O presidente o havia destituído em março, a poucos dias de começar o conflito.
“Os empregados da Oficina Estatal de Investigação junto com o Serviço de Segurança da Ucrânia detiveram o ex-chefe da Direção Principal do Serviço de Segurança da Ucrânia na República Autônoma da Crimeia. Essa pessoa foi despedida por mim no começo da invasão em grande escala e, como podemos ver, essa decisão estava completamente justificada. Foram recopiladas provas suficientes para indicar essa pessoa como suspeita de traição”, declarou.
“Todos os que, junto com ele formavam parte de um grupo criminoso que trabalhava em interesse da Federação da Rússia também terão que render contas. Se trata da transferência de informação secreta ao inimigo e outros fatos de cooperação com os serviços especiais russos”, disse.
Segundo o presidente ucraniano, até hoje se registraram 651 procedimentos penais relacionados com as atividades de traição e colaboração dos empregados das Procuradorias, os órgãos de investigação previa ao juízo e outros organismos encarregados de fazer cumprir a lei. “Em 198 procedimentos penais, se notificou a suspeita das pessoas pertinentes. Em particular, mais de sessenta empregados da Procuradoria e do Serviço de Segurança da Ucrânia permaneceram no território ocupado, e estão trabalhando contra nosso estado”, assegurou Zelenski.
Por último, o presidente ucraniano informou sobre a próxima nomeação de um novo responsável pela Procuradoria Anticorrupção do país, assim como o de uma agência adicional contra a corrupção, de caráter independente, tal como havia solicitado a presidente da Comissão Europeia, Úrsula von der Leyen, como condição para alavancar a adesão da Ucrânia à União Europeia.

Fonte: tradução livre de LISA News

domingo, 16 de janeiro de 2022

A Saga de um Povo

por José Maurício De Barcellos
Em recente debate do qual participaram Olavo de Carvalho e vários nomes de peso da direita conservadora no Brasil, mediado pelo culto comentarista político Paulo de Figueiredo, ouvi o professor e consagrado filósofo dizer que a vitória de Bolsonaro e a sua luta nos últimos anos não tirou a esquerda do poder, nem ao menos diminuiu sua interferência na sociedade.
Aí, com um só exemplo, comprovou seus argumentos perguntando a todos os demais debatedores — do naipe do ex-chanceler Eduardo Araújo e dos ex-Ministros da Educação e do Meio Ambiente Abraham Weintraub e Ricardo Salles, além do Deputado Luiz Phelippe de Orleans e Bragança e de outros importantes formadores de opinião que estavam participando — se durante os governos petistas a vermelhada ousou tanto ou teve tanto poder, a ponto de manter adversários políticos incomunicáveis no cárcere, presos por uma excrescência denominada de crime de opinião, que a lei não prevê.
Indignado, o Mestre sustentou que o Capitão, ao assumir a presidência não conseguiu tirar a esquerda delinquente encastelada no legislativo e no judiciário. Eu concordo. Porém ouso acrescentar que este homem, mercê de uma força, de uma abnegação e de uma tenacidade que nenhum outro brasileiro até hoje demonstrou, tirou e vem retirando o poder das mãos da esquerda ladra e assassina e faz isso diariamente, ainda que lhe sangrem o corpo e a alma.
Para concordar totalmente com o maior intelectual vivo da atualidade eu teria também que admitir que a consabida ameaça do bandidaço Zé Dirceu (no sentido de que a canalha vermelha, mesmo perdendo as eleições continuará dominando o poder) já teria se efetivado e, sendo desta forma, independentemente do que nossa gente venha a fazer, jamais aqueles malfeitores sairiam do poder. Isto seria igual a capitular e, para um verdadeiro patriota, igual à morte.
Ademais, é bom considerar que o Brasil não é uma Cuba ou uma Venezuela. É grande demais para acabar dominado por um verme do tipo Zé Dirceu. Isto é, um guerrilheiro fracassado que Cuba, se não fosse uma ilha de incompetentes e assassinos, devia amargar cada tostão gasto com seu treinamento, pois, a rigor, aqui por essas bandas só colecionou fracassos em tudo que se meteu. Como guerrilheiro que nunca guerreou, como espião vermelho disfarçado de comerciante que operação alguma concluiu, como pai de uma família de dementes e pervertidos, como político sem voto, como agente público que foi defenestrado do cargo com desonra e como ladrão da coisa pública que acabou encarcerado, sua vida é um rosário de derrotas. É um pulha desta ordem que o Brasil deve temer?
Lamento pelos que não pensam desta maneira, mas jamais reconheci qualquer valor pessoal e patriótico em um meliante como aquele, bem como nas quadrilhas de FHC a Temer e muito menos na abjeta classe política que dominou o País nos últimos 35 anos e considero um acinte imaginar o contrário.
Não foi Bolsonaro e seu diminuto número de correligionários que levou aquela corja ao poder. Foi, isto sim, o povão enganado e iludido que votou naquela “cacicalhada” sem vergonha, além de os muitos patifes que hoje insultam o homem que quase perdeu a vida para manter a derradeira esperança dos patriotas.
Agora vejo uns “vagabundinhos” das entranhas carmim, pousando de “sábios uspinianos” a meter o bedelho “criticante” em tudo que se faz no Planalto e, o que é pior, apedrejando um líder como o Brasil jamais conheceu. E o fazem justo por estar metido nesta camisa de onze varas para levar o País ao lugar que bem merece no concerto das Nações livres e soberanas, chegando ao ponto sustentar que Bolsonaro não teve coragem para dizimar a própria corja de esquerdistas que, no passado, foram eleitos por aquela trupe de moleques metidos a besta, nojentos e sorrateiros “terceiroviista”.
Há três décadas que combato os vermelhos neste País e por isso penso que tenha autoridade para acatar o pensamento do gênio Olavo de Carvalho quando, de uma forma muito mais didática, um dia disse também, com outras palavras, que o Capitão ao tomar posse devia de imediato, ter quebrado as pernas dos comunistas, dos corruptos e dos ladrões e por ser um arraigado democrata não o fez — e digo eu — então tem sido massacrado, juntamente com sua família e ainda está arriscando sofrer um golpe contra sua reeleição.
Realmente, com a força do enorme apoio popular que o levou ao poder, Bolsonaro poderia ter partido para cima da banda podre do STF, do Parlamento, dos chupins da máquina governamental e então, até sem violência e com arrimo nas disposições constitucionais vigentes, ter prendido em nome da “Nova Ordem Brasileira” corruptos, ladrões e farsantes encastelados nos três poderes da República, independente do viés ideológico.
Essa faxina profilática nos teria livrado dos tipos de Toffoli a Gilmar Mendes; de Jaques Wagner ou de Humberto Costa a Renan ou Barbalho; de Aécio Neves a Gleise Hoffmann que, julgados na forma da lei, certamente estariam cumprindo suas penas. Avalie, meu caro leitor, o quanto o País poderia ter avançado e quanto de nossas agruras teriam sido poupadas.
Por fás ou por nefas tudo isso não aconteceu. Bolsonaro e sua gente optaram pela solução menos traumática, pelo caminho mais tortuoso, simplesmente porque estão convencidos que a grande massa popular, depois do muito que tem entregado e por tudo que tem lutado, fará justiça e não permitirá a volta da escória vermelha que desgraçou a Nação Brasileira, para vir “venezualizar” o Brasil.
Segundo uma sã lógica, somente não vejo como se quer culpar um só homem, por maior que seja o peso de sua liderança, por não destruir em três anos, três décadas de desmandos e de corrupção, para as quais nós o povo e não ele Bolsonaro fomos o maior responsável.
Tenho consciência de que é enorme o perigo que estamos correndo com esta próxima tentativa de o mal em voltar ao poder em 2022, apoiada pela esquerda delinquente, pelas FARC’s, pelas ORCRIM’s e pelo Narcotráfico na América latrina, que há poucos dias atrás derrotou a sociedade chilena.
Tenho a exata dimensão do quanto esta questão é complexa e pode ter sua solução influenciada pelos interesses globalistas do poder econômico mundial aliado ao comunismo internacional que, de certa maneira, até o maior País democrático do mundo, os EUA, já atingiu em cheio.
Todavia, é preciso que se diga que cumpre a nós os patriotas — e não às nossas lideranças em primeiro lugar — lutar contra o perigo que nos ronda, convictos, inclusive, de que o grau de intensidade e da crueza da luta encarniçada é estabelecido pelo inimigo ou pelo invasor, como ensinam os antigos manuais da guerra. Defender sua liberdade, esta é a saga dos homens de honra em relação à sua Pátria.
A luta para salvar o Brasil das mãos do comunismo está deflagrada. Muito ao contrário do que os comunas pregaram no passado, aos vermelhos, aos malditos “terceiroviistas”, aos mandarins encastelados no poder, aos chupins da máquina governamental, à banca usurpadora, aos intelectuais da impostura e aos poderosos que ficaram, como a velha imprensa órfã do erário, não interessam o embate direto ou a luta nas ruas, seja ela pacífica ou armada.
Aquela gente abominável não tem sangue nas veias para isso, mas nosso povo, já deu sinais que não vai recuar ou entregar a rapadura sem lutar. Remember o último Sete de Setembro. Creiam nisto e estejamos preparados quando a hora chegar.
A meu juízo fica certo que, depois do muito que esse País padeceu, somente a pouquíssimos brasileiros ainda se pode iludir com as propostas das ideologias ateias e assassinas que vitimaram nossa gente aos milhões por todo Brasil. A vermelhada criminosa não tem um só argumento que lhes autorize voltar ao poder.
A terrível saga deste povo — a eterna batalha por sua liberdade — vai exigir que estejamos preparados para enfrentar as insidiosas propostas dos vermelhos da 3ª via. Esta camarilha do mal agora chega ao mais completo despudor, quando tenta equiparar Bolsonaro ao “Ogro Descondenado”, para argumentar que ambos representam o atraso (atraso com o mago Paulo Guedes: com o intrépido Tarcísio de Freitas e a competente Tereza Cristina?) e que justo eles os vermelhos — que desde 1985 só nos destruíram — têm a chave para o progresso, inserindo o Brasil na proposta dos globalistas da escravidão mundial, como insidiosamente vem argumentando o velho comunista Roberto Freire, também ansioso para voltar ao Planalto.
Conquanto se saiba que os fracos, os sem honra e sem espinha dorsal de pouco precisam — quase nada — para perdoar os crimes praticados contra a Nação Verde e Amarela pela esquerda meliante, minha esperança é que, com o povo do bem vão ter que gramar um bom bocado e ainda terão que travar uma luta renhida, que auguro não demore mais.
Jose Mauricio de Barcellos,
ex Consultor Jurídico da CPRM-MME
 é advogado

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Juntando Pontas Soltas (Nem Tão Soltas)

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Vamos reunir alguns dados.
Apareceu um questionamento, feito por um Magistrado, no processo de herança da dona Marisa — aquela que parecia mineira, não falava mas aparentemente agia muito — sobre uma quantia um pouco fora dos padrões para uma pessoa sem ocupação profissional que, portanto, não possuía renda.
Posteriormente, em 8 Mai 2020, o Juiz determinou a correção do valor que havia sido publicado com incorreção (imagem acima). 
Esse poderia ser somente mais um dos muito boatos difundidos e depois jogados no ostracismo, mas aqui ele foi corrigido. 
Mas lembro alguns outros que ainda permanecem sem uma devida explicação, como a "pensão mensal" de 30 mil reais que a mesma falecida teria deixado, conforme declaração do viúvo em audiência processual; a assinatura nos 24 recibos de aluguel durante uma hospitalização do assinante; o apartamento vizinho adicionado ao "triprek" de Lula; os repasses ao Instituto Lula; as “palestras” sem plateia e sem assunto; os milhões de Luís Cláudio, em troca das Medidas Provisórias; as transferências para a Gamecorp de Lulinha e a ascensão meteórica da empresa com os milhões injetados pela OI, hoje em recuperação, e a coincidência com a OI de Portugal, nas falcatruas que levaram o Primeiro-Ministro português, José Sócrates, à prisão. Some-se a isso a "estória" da dona Rose — aquela da qual nunca mais se soube por onde andam os processos judiciais em que foi indiciada — carregando uma mala de 25 milhões de Euros para Portugal, em mais um rumoroso caso com as digitais do então Presidente. E as investigações necessárias não são realizadas por causa da burocracia judiciária e as “determinações” do STF.
Vejamos este vídeo com o depoimento de Antonio Palocci — aquele sujeito "muito mentiroso" nas palavras de Luiz LI, o probo, e raciocinemos se os fatos que ele revela podem ter algum relacionamento.
Observem que ele menciona que Lula, pouco antes de deixar o governo, recebeu 300 milhões de reais.
Palocci diz que, se Lula tivesse seguido sua orientação e comprado o sítio de Atibaia e o apartamento de Guarujá, no Ed Solaris, dificultaria as investigações, porque os ganhos de Lula (mesmo com origens fictícias) eram compatíveis com a aquisição daqueles bens.
Falou mais alto a ganância. É como dizia o "velho deitado": Malandro demais se atrapalha!!
Resta a incômoda impressão de que a caça impiedosa aos ladrões do erário perdeu seu ímpeto com a saída do então Juiz Sérgio Moro da liderança da Operação Lava-Jato, da qual nada mais se lê ou escuta na mídia.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

A Explosão da Sede do Serviço Secreto Colombiano — 30 Anos Atrás

O atentado de 6 de dezembro de 1989 tinha como alvo o General Miguel Maza Marques, mas matou sessenta pessoas e feriu outras quinhentas, sem alcançar seu objetivo.
O contexto do fato se conheceu quase trinta anos depois.
Imagem: El Colombiano
O Atentado
Quinhentos quilos de dinamite de amônia, detonados nove andares abaixo, provocaram apenas um estremecimento que empurrou a cadeira do general Miguel Maza Márquez, diretor do Departamento Administrativo de Segurança (DAS), e fez com que o piso ficasse coberto com pedaços de reboco e vidro de segurança. 
Fora do escritório blindado, no entanto, a imagem era diferente: eram 7h37 da manhã de 6 de dezembro de 1989 e no cruzamento da Carrera (Avenida) 28 com a Calle (Rua) 18A em Bogotá, no bairro Paloquemao, havia ocorrido o mais forte ataque explosivo da história da Colômbia. Sessenta pessoas morreram e 600 ficaram feridas. Documentos dos arquivos dos tribunais, cuja sede era vizinha do DAS, caíam como uma chuva de papel sobre a rua, onde 34 carros que passavam foram reduzidos a esqueletos em chamas e uma cratera de 4 metros de profundidade por 13 de diâmetro arrematavam a cena de um campo de batalha.
Imagem da Internet
Poucos segundos antes da detonação, o local central do buraco gigante era ocupado por um ônibus modelo 1986 da Companhia de Aqueduto de Bogotá, de placas SB6765, roubado uma semana antes por membros do cartel de Medellín, que planejavam o ataque sob as ordens de Pablo Escobar e de Gonzalo Rodríguez Gacha, também conhecido como “el Mexicano”. 
Imagem da Internet
Mas o alvo, Maza, deixou ileso o escritório às 7h45 e começou a descer pelo que restava do prédio, entre escombros e corpos. No caminho — ele contou à agência Colprensa —, encontrou o corpo de uma de suas secretárias. Às 8 da manhã, o ministro do governo, Carlos Lemos, enviou uma mensagem pela linha direta que ele mantinha com o presidente Virgilio Barco, em visita oficial ao Japão: "Maza está vivo". Era o segundo ataque de que o general se salvava naquele ano. Em maio, 100 quilos de dinamite explodiram na passagem de seu carro blindado na esquina da Carrera 7ª com a Calle 57, também em Bogotá. Sete transeuntes morreram.
Imagem da Internet
Neste segundo ataque, "Los Extraditables" — o grupo criminoso criado por Escobar para fazer guerra contra um julgamento nos EUA — usaram em frente à sede do DAS cinco vezes mais explosivos, mas em vez de matar Maza, apenas multiplicaram o número de vítimas. Muitos ainda estavam sob os escombros às 9 da manhã, quando Pilar Lozano, uma repórter do El País da Espanha, chegou ao local e viu a rua transformada em um purgatório de almas com dor que murmuravam: “Não quero olhar, não quero ver minha família despedaçada". Um homem que passava viu os jornalistas reunidos e gritou para eles: "Digam que odiamos os narcotraficantes". Essa rejeição popular foi retomada por Maza horas depois, quando ele deu suas declarações à imprensa: "Esta é uma guerra contra o povo colombiano", disse ele.
Imagem da Internet
"Temos que seguir adiante até acordar desse pesadelo." O despertar do palestrante demorou quase 30 anos e acabou tomando seu lugar na história. Naquele dia 6 de dezembro, ninguém duvidava que Maza fosse o maior inimigo do cartel de Medellín, mas isso mudou em 24 de novembro de 2016, quando ele foi condenado pelo Supremo Tribunal de Justiça por ter colaborado — em uma aliança tripla entre o DAS, o narcotráfico. e as Forças de Autodefesa de Magdalena Médio — com o assassinato do candidato liberal Luis Carlos Galán, em 18 de agosto de 1989. Só então ficou claro até que ponto os atingidos pela bomba naquele dia, desprotegidos fora do gabinete blindado do general, desconheciam a guerra pela qual morreram.

Ligações de Maza com o crime
A Suprema Corte destacou, em sua sentença, a relação entre o então diretor do DAS, Miguel Maza, com Henry Pérez Durán, comandante das Forças de Autodefesa do Magdalena Médio. Segundo os depoimentos recolhidos na decisão, Maza acusou Pérez de "trabalhos sujos" relacionados ao combate dos guerrilheiros em sua área de influência. Por sua vez, o diretor do DAS colaborou não perseguindo Pérez. Na prática, isso serviu de ponte entre dois inimigos: Maza e Pablo Escobar, por sua relação com o cartel de Medellín.
Imagem da Internet
O Sobrevivente — William Ortiz González
Aos 10 anos, ele soube que tudo ao seu redor poderia acabar subitamente. Que, qualquer dia, enquanto esperava o café da manhã, por exemplo, as paredes poderiam desabar, os vidros saltarem de suas janelas e o barulho das sirenes e os gritos se tornarem o único som audível.
Foi em 6 de dezembro de 1989. William esperava em uma lanchonete por sua mãe, María Elena, que havia ido a duas quadras dali para deixar sua bolsa em seu escritório no prédio do Departamento Administrativo de Segurança (DAS).
Em algum local, entre o prato colocado sobre a mesa e a bolsa deixada na cadeira, 500 quilos de dinamite explodiram. Tudo mudou do lugar onde deveria estar: os objetos saíram das prateleiras, as mesas viraram, os corpos voaram e aterrissaram, vivos ou mortos, em outro lugar. William levantou-se e caminhou os dois quarteirões que o separavam do prédio do DAS, apenas reparando a cratera de 4 metros no chão, olhando para a porta pela qual, para ele, todas as pessoas do mundo saíam, exceto a sua mãe. Ele demorou a reconhecer a mulher transfigurada pelos escombros que apareceu entre a multidão. Ambos se aproximaram, primeiro em silêncio e andando, depois correndo e gritando, até se estreitarem como nunca antes. O que fazer depois daquele abraço? O que acontece no instante imediatamente após o fim do mundo conhecido? Naquele dia, William e Maria Elena deixaram o palco da guerra, pegaram um táxi e chegaram à casa deles. Mais tarde, ela foi ao hospital e soube que, embora uma viga a tivesse protegido de receber a onda de choque principal, uma parte da pressão entrara em seus ouvidos, danificando completamente um e 50% do outro. O dano a William foi diferente. O que o ataque lhe tirou foi a confiança elementar de que o que o rodeia permanecerá de pé, a tranquilidade de viver sem esperar um estouro. Seu fardo, diz ele, é suficiente para acrescentar o rancor. "Há muito tempo perdoei Pablo Escobar, e a Popeye", diz ele. “Se eu os visse, a única coisa que exigiria seria que olhassem para mim, que me vissem nos olhos".
Fonte: tradução livre de El Colombiano

Por esses fatos, em 1994 um juiz condenou Guillermo Alfonso Gómez Hincapié a 8 anos de prisão e a 9 anos de cárcere a Eduardo Tribín Cárdenas, as pequenas penas foram produto de benefícios pela política de colaboração com a justiça.
Segundo as investigações, Gómez tinha uma relação afetiva com uma secretaria do DAS e teria aproveitado essa situação para fazer espionagem para a mafia. Enquanto que Tribín foi contratado por Gómez para alugar o imóvel no sul de Bogotá, onde armazenaram os explosivos usados no atentado.
Isto foi o que sobrou do chassi do ônibus utilizado no atentado. 
Foto:   arquivo El Tiempo
Posteriormente, Carlos Mario Alzate Urquijo, vulgo "Arete", jagunço de Pablo Escobar condenado pelo ataque ao avião da Avianca, ocorrido uma semana antes ao do DAS, assumiu sua responsabilidade no atentado à sede do órgão.
Alzate Urquijo, foi condenado a 20 anos pelo atentado à Avianca, mas também obteve benefícios por sua colaboração com a justiça e foi libertado em 27 de novembro de 2001. Ao sair da prisão de Itagüí, Antioquia, um sicário o atingiu com dois tiros. Hoje, ‘Arete’ estaria vivendo na Espanha.
Fontes da Fiscalia (Procuradoria) indicaram que atualmente não há nenhuma investigação por este atentado.

Os autores intelectuais: mortos
A investigação aponta como um dos autores intelectuais dos fatos a Pablo Escobar, que financiou o atentado com o qual buscava matar Maza Márquez. Na época, as investigações do próprio DAS sobre o ataque mostraram que Pablo Escobar destinou 1.000 milhões de pesos (cerca de um milhão de reais) para aquele atentado. Escobar foi abatido pela Polícia em 2 de dezembro de 1993 em Medellín.
Também é assinalado outro chefe do cartel de Medellín, Gonzalo Rodríguez Gacha, o 'Mexicano', que contratou o traficante de explosivos no Equador para fornecer ao cartel de Medellín a dinamite utilizada nos atentados em questão. O 'Mexicano' foi abatido em Coveñas, Sucre, em 15 de dezembro de 1989.
John Jairo Arias Tascón, o ‘Pinina’, jagunço de confiança de Escobar e um dos chefes do bando ‘los Priscos’, também está citado neste caso. Ele manejava as contas de Escobar desde onde saiu o dinheiro para financiar o ataque ao edifício do DAS. A Polícia abateu o vulgo 'Pinina' em 14 de junho de 1990.
Por último, as autoridades indicaram Gonzalo ‘Chalo’ Marín, que era integrante do cartel de Medellín e se encarregava de transmitir as ordens de Escobar para realizar atentados com carros bomba. Morreu assassinado em princípios de 1990.
A explosão deixou uma cratera de mais de 10 metros de diámetro. 
Foto:  Arquivo/El Tiempo
O avião pequeno
"Sabíamos que o DAS e seu diretor eram duas das obsessões de Escobar", lembra um funcionário importante da agência que concordou em revelar informações sigilosas, desde que seu nome não seja divulgado.
“Por meios técnicos e fontes humanas soubemos que Escobar queria atentar contra o general Maza usando uma aeronave pequena. O escritório do Diretor ficava no 9º andar e, ainda que fosse blindada, era o jeito mais certeiro para causar a sua morte”, explica.
E segue: “O plano se frustrou porque apesar de terem localizado pacientes terminais, dispostos a morrer em um atentado em troca de uma boa quantia, nenhum era piloto”.
Escobar, então, optou por reforçar o chassis de um ônibus — identificado com os logos da empresa de Acueducto y Alcantarillado (Água e Esgotos) de Bogotá, previamente roubado — o qual foi carregado com os 500 Kg de dinamite. E encarregou a Jhon Jairo Arias Tascón, vulgo Pinina, seu assassino de confiança, para que executasse o plano terrorista.
O ônibus-bomba explodiu de maneira controlada, enquanto rodava, o que confirma que o condutor morreu junto a civis e membros do DAS. Mas nunca ninguém soube quem conduziu o veículo, e em alguns casos foi difícil identificar os mortos.
A identificação dos cadáveres se tornou penosa e devastadora. Um par de famílias receberam somente pequenos cofres simbólicos do que seriam os restos de seus defuntos.
Vários dos feridos terminaram com lascas de madeira — e vidro — incrustados em seus corpos ou com lesões internas, produto dos golpes secos que receberam contra as paredes como consequência da onda expansiva da explosão.
Dez quadras ao redor resultaram praticamente destruídas. As instalações e edificações da chamada zona industrial de Paloquemao — na Calle 19, um par de quadras acima da Carrera 30 — começaram a desabar, e até escritórios do complexo judicial vizinho foram atingidos. Se calcula que pelo menos 300 empresas tiveram que encerrar suas atividades pelos efeitos do ato terrorista, assim como 30 corporações financeiras.

Mas o alvo de Escobar sobreviveu.
“Destruíram o edifício, mas não os homens que trabalham no DAS”,  disse  à imprensa Manuel Antonio González, um dos chefes de segurança, após percorrer os 11 andares do prédio destruído.
Imagem: Arquivo de El Tiempo
Diana Margarita Fonseca, uma secretaria designada à Interpol, se salvou por segundos de morrer, junto com o filho que esperava.
No entanto, a bela mulher, coroada como rainha da simpatia do DAS alguns anos antes, esteve vários meses atrás das grades.
“Descobrimos que seu parceiro era Guillermo Alfonso Gómez Hincapié, o mesmo que havia ajudado a alugar o galpão onde havíamos encontrado a dinamite: estava a serviço de Escobar”, recorda o funcionário.
E acrescenta que é falso que Carlos Castaño — então lugar-tenente de Escobar e depois chefe paramilitar — tivesse dado informação sobre a localização do galpão: “Tivemos que fazer vigilâncias no bairro por dias. Nessa época, Policia Judiciária, técnicos em explosivos e a Inteligencia do DAS, fazíamos turnos de 24 horas”.
Outro dos ‘duros’ da Inteligencia disse a El Tiempo a única certeza é a de que Castaño obteve informação privilegiada de gente de dentro do DAS e que a pode ter entregue a Escobar para o planejamento deste atentado e o do avião da Avianca, uma semana antes.
Se suspeita que foi assim que souberam que César Gaviria planejava viajar a Cali usando voo comercial.
Alberto Romero Otero, diretor de Inteligencia do DAS, admitiu ante a Fiscalia (Procuradoria) que o informante de codinome Alekos, que informava dados sobre o cartel, era realmente Castaño. Mas seus homens asseguram que Romero era incorruptível e que cortou a comunicação com Alekos quando soube que o informante era Castaño.
Calcula-se que para executar o atentado foram movimentados cerca de 40.000 milhões de pesos da época, por meio de treze contas bancarias.
Gonzalo Rodríguez Gacha, vulgo el Mexicano, foi quem se encarregou de adquirir a dinamite por intermédio de Julio César Riofrío Orozco, um cidadão equatoriano. Este trouxe a explosiva carga desde seu país e a introduziu na Colômbia pela fronteira com Equador; seguiu até Medellín e finalmente chegou a Bogotá.
Gómez Hincapié, companheiro da linda secretaria do DAS, recebeu 10 milhões de pesos pelo trabalho sujo e criminoso e, depois de jurar que a ex-Rainha Simpatia não havia tido nada que ver com o episódio, conseguiu que a pusessem em liberdade.
A ele, um juiz regional de Antioquia condenou a oito anos de cárcere e a seu cúmplice, Eduardo Tribín Cárdenas, a 9 anos e 8 meses. As ridículas penas obedeceram a os benefícios previstos no Decreto 2047 de 1990 e a que ambos colaboraram com suposta informação sobre os atentados de Escobar.
Por isso, ninguém duvida que o sujeito que apareceu morto em 3 de julho de 1998, identificado como Guillermo Hincapié, um empregado do mafioso Leonidas Vargas, é o mesmo do ataque ao DAS.

‘Los Magníficos’
Na instituição se falava que um grupo de seus melhores agentes, conhecidos como ‘Los Magníficos’, se dedicou a vingar o atentado, em uma espécie de ponto de honra.
“Só posso dizer que ajudamos a capturar a vários sicários de Escobar, incluído o vulgo 'el Zarco'. Recordo que naquele dia a camioneta do DAS deu pane, e o bandido zombou de nós dizendo que seu patrão sim metia grana na guerra contra o Estado. E sobre o mito das atuações dos ‘Magníficos’ só posso dizer que sempre será 'segredo profissional'”, disse o funcionário sobrevivente.
Fonte: tradução livre de El Tiempo
COMENTO: de tudo o que foi relatado, fica a lição de que nunca é demais o cuidado no trato com Informantes não pertencentes aos quadros de um órgão de Inteligência, para não fornecer dados ao invés de obtê-los. Pequenas indiscrições sempre se transformam em dados significativos nas mãos de bons analistas adversários. A vaidade de mostrar-se "bem informado" quase sempre é paga com grandes decepções.