sábado, 22 de setembro de 2012

Gritos Presidenciais Não Ocultam Fracassos

por Marco Antonio Villa
O sonho acabou. Sonho ingênuo, registre-se. Durante quase dois anos, a oposição — quase toda ela — tentou transformar Dilma Rousseff em uma estadista, como se vivêssemos em uma república. Ela seria mais "institucional" que Lula. Desejava ter autonomia e se afastar do PT. E até poderia, no limite, romper politicamente com seu criador.
Mas os fatos, sempre os fatos, atrapalharam a fantasia construída pela oposição — e não por Dilma, a bem da verdade.
Nunca na história republicana um sucessor conversou tanto com seu antecessor. E foram muito mais que conversas. A presidente não se encontrou com Lula para simplesmente ouvir sugestões. Não, foi receber ordens, que a boa educação chamou de conselhos.
Para dar um ar "republicano", a maioria das reuniões não ocorreu em Brasília. Foi em São Paulo ou em São Bernardo do Campo que a presidente recebeu as determinações do seu criador. Os últimos acontecimentos, estreitamente vinculados à campanha municipal, reforçaram essa anomalia criada pelo PT, a dupla presidência.
Dilma transformou seu governo em instrumento político-eleitoral. Cada ato está relacionado diretamente à pequena política. Nos últimos meses, a eleição municipal acabou pautado suas ações.
Demitiu ministro para ajeitar a eleição em São Paulo. Em rede nacional de rádio e televisão, aproveitou o Dia da Independência para fazer propaganda eleitoral e atacar a oposição. Um telespectador desavisado poderia achar que estava assistindo um programa eleitoral da campanha de 2010. Mas não, quem estava na TV era a presidente do Brasil.
É o velho problema: o PT não consegue separar Estado, governo e partido. Tudo, absolutamente tudo, tem de seguir a lógica partidária. As instituições não passam de mera correia de transmissão do partido.
Dilma chegou a responder em nota oficial a um simples artigo de jornal que a elogiava, tecendo amenas considerações críticas ao seu antecessor. Como uma criatura disciplinada, retrucou, defendendo e exaltando seu criador.
O governo é ruim. O crescimento é pífio, a qualidade da gestão dos ministros é sofrível. Os programas "estruturantes" estão atrasados. O modelo econômico se esgotou.
E dita pacotes e mais pacotes a cada quinzena, sinal que não tem um consistente programa. E o que faz a presidente? Cercada de auxiliares subservientes e incapazes, de Lobões, Idelis e Cardozos, grita. Como se os gritos ocultassem os fracassos.
O Brasil que ainda cresce é aquele sem relação direta com as ações governamentais. É graças a essa eficiência empresarial que não estamos em uma situação ainda pior. Mas também isso tem limite.
O crescimento brasileiro do último trimestre, comparativamente com os dos outros países dos BRICS (Rússia, Índia e China) ou do MIST (México, Indonésia, Coreia do Sul e Turquia), é decepcionante. E o governo não sabe o que fazer.
Acredita que elevar ou baixar a taxa de juros ou suspender momentaneamente alguns impostos tem algum significado duradouro. Sem originalidade, muito menos ousadia, não consegue pensar no novo. Somente manteve, com um ou outro aperfeiçoamento, o que foi organizado no final do século passado.
E a oposição? Sussurra algumas críticas, quase pedindo desculpas.
Ela tem no escândalo do mensalão um excelente instrumento eleitoral para desgastar o governo, mas pouco faz. Não quer fazer política. Optou por esperar que algo sobrenatural aconteça, que o governo se desmanche sem ser combatido. Ao renunciar à política, abdica do Brasil.
Marco Antonio Villa, é historiador e professor do
 Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Incêndios em Favelas e Massacres de Ianomâmis: Nenhum Cadáver

por Janer Cristaldo
Alguém ainda lembra do último massacre de ianomâmis? Aquele ocorrido dia 5 de julho passado e denunciado pela Horonami Organización Yanomami (HOY), organização que reúne indígenas ianomâmis? Segundo Luis Ahiwei, secretário-executivo da ONG, 80 índios teriam sido massacrados por garimpeiros brasileiros, que atiraram, de helicóptero, contra um shabono (cabana), onde restaram só cadáveres carbonizados. A notícia surgiu na imprensa internacional dia 29 de agosto e rolou mundo, desde a BBC à France Presse, desde o El País a L’Express, desde o Süddeutsche Zeitung ao New York Times. Dois meses já são passados e ninguém mais fala no bárbaro massacre.
É óbvio que se tratava de mais uma farsa, idêntica àquela de agosto de 1993, na qual teriam sido massacrados, na aldeia Haximu, na Venezuela, primeiro 19 ianomâmis, depois 40, mais tarde 73, 89 e finalmente 120. Como não se achou cadáver algum, voltou-se a 16 cadáveres, mesmo assim continuando sem cadáveres. No massacre de julho passado, a contabilidade passou de 80 para zero. Sem que jornal algum se desculpasse pela barriga. Diga-se de passagem, exceção deste que vos escreve, não vi jornalista algum no Brasil denunciando o embuste.
Em fevereiro deste ano, os jornais de São Paulo noticiaram o estupro de duas jovens pelos policiais da ROTA, durante a retomada de posse de uma área invadida pelos sem-teto em Pinheirinho, no interior de São Paulo. Ou melhor, durante a invasão policial, como preferem os jornais. Li na Folha de São Paulo: 
Mais um crime para a lista de violências no Pinheirinho 
MULHERES DENUNCIAM ESTUPROS POR POLICIAIS DA ROTA 
Família relatou a noite de terror na noite da ação Polícia, em São José dos Campos 
8 de fevereiro de 2012 
Moradores de São José dos Campos, no interior de São Paulo, na região do Pinheirinho, desocupado pela Polícia numa operação de barbárie completa, registraram documento no Ministério Público com novos relatos de abusos: mulheres foram estupradas por policiais.
Se as câmeras que possibilitam divulgar e denunciar toda a brutalidade e violência de sua ação não intimidam os policiais, imagine o que não são capazes de fazer às escondidas.
O jovem conhecido nacionalmente pelo seqüestro do ônibus 174 sabe. Diante das câmeras a ação da polícia no centro da capital fluminense também foi um fiasco e resultou na morte de uma passageira. Sandro Barbosa, o seqüestrador, foi preso e levado no camburão pela polícia. Apesar de ter sido colocado no carro sem nenhum ferimento, o jovem que sobreviveu à chacina da Candelária, não sobreviveu à ação do Batalhão de Operações Especiais (BOPE), do Rio de Janeiro.
Algo semelhante marca a história do Pinheirinho. Se as imagens revelam o horror da atuação da Tropa de Choque, a experiência dos que receberam a ROTA (Rondas Ostensivas Tobias de Águia) dentro de casa, sem câmeras para registrar os fatos, é ainda mais terrível. 
Segundo o relato, seis pessoas de uma mesma família (quatro homens e duas mulheres) “sofreram violência física e psicológica, sendo que três jovens, um homem e duas mulheres, sofreram abuso sexual”.
Na noite da invasão policial, domingo, dia 22, os moradores do bairro vizinho, Campo dos Alemães, também foram alvo da polícia. Três carros da ROTA pararam em frente à casa dessa família e invadiram a casa supostamente a procura de drogas. As duas jovens foram levadas para dentro do carro e mantidas em cárcere privado por pelo menos cinco horas, e estupradas. O adolescente na casa foi ameaçado de ser “empalado”, com um cabo de vassoura.
A denúncia foi feita formalmente, registrada no Ministério Público. A Polícia primeiro negou as acusações e agora diz que vai apurar o caso.
Esses homens armados violentaram duas jovens e aterrorizaram uma família inteira, na noite do terror que já tinha acontecido com a reintegração de posse são da ROTA. Segundo a jovem violentada eles diziam: “Deus faz, a mãe cria e a Rota faz o que?”; para ela responder: “A Rota mata, senhor”.
Esse era o crime que faltava para ser imputado aos policiais que realizaram a barbárie do Pinheirinho. Como se o Brasil estivesse em guerra, com soldados estrangeiros invadindo o País e estabelecendo o terror contra a população. Essa é a Polícia Militar brasileira. 
Dramático o relato, não? Oito meses são passados após os estupros ... e não se fala mais no assunto. A violência dos policiais da ROTA sumiu, como que por milagre, dos jornais. Processo nenhum contra os policiais, ação nenhuma por parte das vítimas, desmentido nenhum por parte dos jornais. Os bravos jornalistas nossos confiam na falta de memória dos leitores.
Ontem ainda (14/9), o Terra noticiava: 
Os recorrentes incêndios em favelas na cidade de São Paulo, que só nesse ano já foram 67, colocam em lados opostos os candidatos à prefeitura pelo PT, Fernando Haddad, e pelo PSDB, José Serra. 
67 incêndios em favelas só neste ano, em São Paulo. Curiosamente, nenhum cadáver. Os incêndios são todos gentis, não produzem vítimas. Incêndios em favelas são como massacres de ianomâmis: avaros em cadáveres.
Na edição de amanhã, que saiu hoje em São Paulo, a Folha noticia em primeira página: PREFEITURA PAGA ALUGUEL PARA 100 MIL EM SÃO PAULO 
Total de inscritos no principal programa para desalojados dobrou desde 2010
A Prefeitura de São Paulo paga até R$ 500 mensais a 27 mil famílias desalojadas de favelas. O total de beneficiados equivale a 100 mil pessoas — número superior à população dos 645 municípios do Estado.
No principal programa, o Aluguel Social, estão inscritas 21 mil famílias — eram 11 mil em 2010. Outras 6.000 recebem a ajuda financeira por meio da Parceria Social. O custo dos dois programas é de R$ 8 milhões por mês. A gestão de Gilberto Kassab atribui o aumento de desalojados a incêndios e obras de emergência. 
Jornalista algum associou os incêndios sem cadáveres aos aluguéis pagos pela Prefeitura.
Fonte:  Janer Cristaldo

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

No Tempo em Que Homens Eram Homens


Nesta data em que se comemora a História da Revolução Farroupilha, homenageio meus conterrâneos mostrando três pequenos textos que bem demonstram o caráter desse pessoal, que não é melhor nem pior que os demais brasileiros, somente diferente!

Rosas e Canabarro em 1843
Um episódio interessante que define a rigidez de caráter dos homens que tomaram parte na revolução.
Durante os dias em que se tratava da pacificação que foi levada a bom termo, o ditador Rosas, sabendo da patriótica proclamação de Caxias, ao assumir o comando das forças imperiais (1843), exasperado, cheio de ódio, “mandou um mensageiro oferecer a David Canabarro um poderoso auxílio de homens, armamentos e dinheiro, terminando com estas frases:
“Meus homens estão prontos para se unirem aos valentes do Rio Grande. A um simples aceno eles transporão a fronteira e esmagarão os imperiais, combatendo pela vossa república. Quereis o meu auxílio? Ele decidirá o vosso triunfo”.
Canabarro respondeu:
“Senhor. O primeiro soldado de vossas tropas que atravessar a fronteira fornecerá o sangue com que será assignada a paz de Piratini com os imperiais. Acima de nosso amor á república colocamos o nosso brio de brasileiros. Quizemos a separação. Hoje queremos a integridade da pátria. Se puderdes pôr agora vossos soldados na fronteira, encontrareis hombro a hombro os soldados republicanos de Piratini e os soldados monarquistas do sr. d. Pedro II”.
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Proclamação de Caxias ao final da Guerra
“Riograndenses! 
É sem dúvida para mim de inexprimível prazer o ter de anunciar-vos que a guerra civil que, por mais de nove anos, devastou esta bela província, está terminada. 
Os irmãos contra quem combatíamos estão hoje congratulados conosco e já obedecem ao legítimo govêrno do Imperio Brasileiro. 
S. M. o Imperador ordenou, por decreto de 18 de dezembro de 1844, o esquecimento do passado, e mui positivamente recomenda no mesmo decreto que tais brasileiros não sejam judicialmente, nem por qualquer outra maneira, perseguidos ou inquietados pelos atos que tenham sido praticados durante o tempo da revolução. 
Esta magnânima resolução do Monarca Brasileiro há de ser religiosamente cumprida, eu o prometo sob minha palavra de honra. 
Uma só vontade nos una, Riograndenses! Maldição eterna a quem ousar recordar-se das nossas passadas dissensões! União e tranquilidade — seja de hoje em diante a nossa divisa! 
Viva a religião! Viva o Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil! Viva a integridade do Império!
Quartel-general, da Presidencia e do Comando em chefe do Exército, no campo de Alexandre Simões, margem direita do Santa Maria, 1° de março de 1845. — Barão de Caxias.”
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Farrapo recusou beijar mão de Dom Pedro II
Antes do acerto em Ponche Verde, os farroupilhas esforçaram-se para arrancar cláusulas honrosas ao tratado de paz.
Em 19 de novembro de 1844, o embaixador da República Rio-Grandense, Antônio Vicente da Fontoura, embarcou para o Rio de Janeiro para as negociações. As conferências começaram em 13 de dezembro.
Vicente da Fontoura era tosco para os salamaleques da Corte, vestia-se em desacordo com a moda. No seu diário, registrou “uma indiferença ridícula e um orgulho tolo” por parte dos ministros imperiais, que mal disfarçavam o risinho ao ver o caipira. Mas os cortesões logo foram obrigados a mudar de postura.
Na tentativa de seduzirem o visitante, os ministros acenaram com uma audiência especial a ser concedida por Dom Pedro II. Mas Vicente da Fontoura atalhou com sua rude diplomacia. Argumentou que respeitava a autoridade do jovem monarca, mas que não poderia beijar sua mão por não ser um súdito do Império. Representava uma nação independente.
O embaixador quase blefava. Sabia que desde a chegada de Luís Alves de Lima e Silva ao Rio Grande do Sul — assumiu a presidência (governador) e o comando militar em novembro de 1842 — a rebelião estava com os dias contados. O Barão de Caxias (depois foi Duque) dispunha de 20 mil soldados, enquanto os Farrapos estavam reduzidos a mil homens em armas. Por outro lado, esgrimia com um trunfo: o Império precisava da província insurgente para deter a cobiça dos vizinhos espanhóis. Não haveria melhores sentinelas.
Fonte:  Zero Hora

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Claudio Fontelles, o Beato de Pau Oco

por Félix Maier
E quem é Claudio Fontelles, o porta-voz da patifaria, que veio a público dizer que a Comissão da Verdade decidiu, por unanimidade, que vai apurar apenas as violações de direitos humanos perpetradas por agentes do Estado brasileiro, deixando de fora as barbaridades feitas pelos terroristas, rasgando a Lei assinada por Dilma Rousseff? Segundo nos informa o coronel Lício Maciel, herói da Guerrilha do Araguaia e autor do livro Guerrilha do Araguaia - Relato de um Combatente, Fontelles não passa de um beato de pau oco:
“Os religiosos da ala festiva da Igreja sempre estiveram metidos com os comunistas. No Araguaia, a transmissão via rádio para a Rádio Tirana da Albânia saia do convento dos padres de Conceição do Araguaia. A plotagem foi feita por triangulação-rádio e o EB solicitou do Ministério das Comunicações providências. Mandaram um Tenente QAO com Ofício e os padres mandaram-no de volta, continuando as transmissões. Meses depois, um elemento que tinha participado ativamente da rádio-localização, entrou no convento, retirou os cristais e as duas válvulas de potência, silenciando-a definitivamente, sob os protestos de Claudio Fonteles, que estava presente. E cuma é o nome dele? É o Cid, que está aí mesmo pra provar. Hoje, já são muito bem conhecidos os padres da ala festiva, sendo um dos mais importantes o bispo Evaristo Arns, cujas ligações com o rabino Sobel são conhecidas: o rabino larápio das gravatas forjou a versão da morte sob tortura do jornalista Herzog juntamente com o tal piedoso bispo. Estará o rabinato envolvido, ou foi fato isolado? O admirável povo judeu é frontalmente anti-comunista e não iria cometer uma coisa destas. Já os católicos da ala-festiva, tipo Beto, Tito, Casaldáliga, etc. não sei não...” (coronel Lício Maciel, in http://fotolog.terra.com.br/navprog:1084, acesso em 31/7/2012).
Que estaria Fontelles fazendo no convento?
( ) retiro espiritual
( ) flagelando o corpo com chicote com pontas de ferro
( ) ajudando na redação das mensagens enviadas para a Albânia
( ) limpando armas dos guerrilheiros do Araguaia
( ) todas as afirmações acima são verdadeiras
Claudio Fontelles não passa de um embusteiro. Ele e a famigerada Comissão de paus-mandados provaram que levaram a patifaria ao limite extremo, ao jogar no lixo uma Lei que diz textualmente o seguinte: "Art. 1º - É criada, no âmbito da Casa Civil da Presidência da República, a Comissão Nacional da Verdade, com a finalidade de examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos praticadas no período fixado no art. 8º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, a fim de efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional."
Como qualquer idiota pode comprovar, o texto acima não se refere apenas aos agentes de Estado que tenham cometido violações de direitos humanos, mas a todos os brasileiros envolvidos nas violações, incluindo os terroristas que promoveram assassinatos, sequestros, "justiçamentos" de próprios camaradas, torturas, assaltos a bancos, quartéis, casas d'armas, carros-fortes, trens-pagadores, supermercados e pedreiras (em busca de explosivos).
Resta a presidente Dilma Rousseff impor sua autoridade e obrigar a Comissão da Mentira a cumprir integralmente o teor da Lei, não apenas a metade que lhe interessa. Caso não faça isso, está provado que o embuste orwelliano do "esquadrão de reescritores" do Pravda tupiniquim, de reescrever a História recente do Brasil à cara da esquerda, já tinha o apoio implícito de Dilma para a consumação da patifaria, apesar da Lei, que foi redigida daquela forma apenas para inglês ver.
Não é demais lembrar que a Presidenta é a comandanta-em-chefa das Forças Armadas, as quais ela deveria respeitar, não destilar seu ódio e sua patifaria sem limites durante dois longos anos, que é o prazo da vigência da Comissão da Calúnia.
P.S.: Conheça a história do terrorismo de esquerda no Brasil acessando Wikipédia do Terrorismo no Brasil
Recebido por correio eletrônico do autor
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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A Quarta Cópia

Dá-se a prudência como característica marcante dos mineiros.
Teria a ver, segundo os estudiosos, com a paisagem das cidadezinhas de horizonte limitado, os depósitos de ouro e de pedras preciosas explorados no passado até se esgotarem, e a cultura do segredo e da desconfiança daí decorrente.
Não foi a imprudência que afundou a vida de Marcos Valério. Foi Roberto Jefferson mesmo ao detonar o mensalão.
Uma vez convencido de que o futuro escapara definitivamente ao seu controle, Valério cuidou de evitar que ele se tornasse trágico.
Pensou no risco de ser morto. Não foi morto outro arrecadador de recursos para o PT, o ex-prefeito Celso Daniel, de Santo André?
Pensou na situação de desamparo em que ficariam a mulher e dois filhos caso fosse obrigado a passar uma larga temporada na cadeia. E aí teve uma ideia.
Ainda no segundo semestre de 2005, quando Lula até então insistia com a lorota de que mensalão era Caixa 2, Valério contratou um experiente profissional de televisão para gravar um vídeo.
Poderia, ele mesmo, ter produzido um vídeo caseiro. De princípio, o que importava era o conteúdo. Mas não quis nada amador.
Os publicitários de primeira linha detestam improvisar. Valério pagou caro pelo vídeo do qual fez quatro cópias, e apenas quatro.
Guardou três em cofres de bancos. A quarta mandou para uma das estrelas do esquema do mensalão, réu do processo agora julgado pelo Supremo Tribunal Federal.
Renilda, a mulher dele, sabe o que fazer com as três cópias. Se Valério for encontrado morto em circunstâncias suspeitas ou se ele desaparecer sem dar notícias durante 24 horas, Renilda sacará dos bancos as três cópias do vídeo e as remeterá aos jornais O Estado de São Paulo, Folha de S. Paulo e O Globo. (Sorry, VEJA!)
O que Valério conta no vídeo seria capaz de derrubar o governo Lula se ele ainda existisse, atesta um amigo íntimo do dono da quarta cópia.
Na ausência de governo a ser deposto, o vídeo destruiria reputações aclamadas e jogaria uma tonelada de lama na imagem da Era Lula. Lama que petrifica rapidinho.
A fina astúcia de Valério está no fato de ele ter encaminhado uma cópia do vídeo para quem mais se interessaria por seu conteúdo. Assim ficou provado que não blefava.
Daí para frente, sempre que precisou de ajuda ou consolo, foi socorrido por um emissário do PT. Na edição mais recente da VEJA, Valério identifica o emissário: Paulo Okamotto.
Uma espécie de tesoureiro informal da família Lula da Silva, Okamotto é ligado ao ex-presidente há mais de 30 anos.
No fim de 2005, um senador do PT foi recebido por Lula em seu gabinete no Palácio do Planalto. Estivera com Valério antes. E Valério, endividado, queria dinheiro. Ameaçava espalhar o que sabia.
Lula observou em silêncio a paisagem recortada por uma das paredes envidraçadas do seu gabinete. Depois perguntou: "Você falou sobre isso com Okamotto?"
O senador respondeu que não. E Lula mais não disse e nem lhe foi perguntado. Acionado, Okamotto cumpriu com o seu dever. Pulou-se outra fogueira. Foram muitas as fogueiras.
Uma delas foi particularmente dramática.
Preso duas vezes, Valério sofreu certo tipo de violência física que o fez confidenciar a amigos que nunca, nunca mais voltará à prisão. Prefere a morte.
Valério acreditou que o prestígio de Lula seria suficiente para postergar ao máximo o julgamento do processo do mensalão, garantindo com isso a prescrição de alguns crimes denunciados pela Procuradoria Geral da República.
Uma eventual condenação dele seria mais do que plausível. Mas cadeia? E por muito tempo?  Impensável!
Pois bem: o impensável está se materializando.   E Valério está no limiar do desespero.
Fonte:  Blog do Noblat

domingo, 16 de setembro de 2012

Dependência Restaurada

Sábios que pediam autonomia aos EUA decidiram nos acoplar à China.
O país está estagnado. O crescimento lembra os anos 1980. As exportações, a Colônia
por Marcelo Coutinho
Alguns fatos empolgavam o país até outro dia. A volta do crescimento econômico, a descoberta do pré-sal, o desvencilhamento dos credores estrangeiros e a criação dos BRICs animaram o espírito nacional.
Velhos sábios nacionalistas da política externa brasileira resumiam tudo na ideia de autonomia. Em condições superiores, estaríamos livres de forças externas. As mudanças nos tornaram donos do nosso próprio nariz. Ouvimos frases assim de presidentes, ministros e até de muitos sentados em bancos acadêmicos.
O neoliberalismo dos anos 1990, diziam eles, tinha sido o culpado pelo sucateamento das forças produtivas do país. A ALCA simbolizava toda forma de diminuição das nossas capacidades, submissos aos EUA. E por isso mesmo foi afogada em Mar del Plata (mais pelos "hermanos" do que por nós, na verdade). De qualquer forma, ninguém mais ditaria de fora o nosso destino.
Agora, a inserção brasileira no mundo passaria a ser altaneira. As próprias revistas internacionais nos colocavam no centro de tudo como um novo motor do crescimento global. O Cristo se tornou um foguete. O gigante despertou.
Nós já conhecíamos essa conversa do passado, mas a vaidade movida a elogios malandros nos subiu à cabeça mesmo assim. Vieram com os alaridos e roucos brados de independência. Tínhamos líderes, finalmente. Surge uma figura de proa.
As pessoas correriam para aprender o português, língua desconhecida e pouco usada desde as grandes navegações. Um ex-presidente se tornara o novo Pedro Álvares Cabral, e o ex-chanceler o seu Pero Vaz de Caminha. O Brasil era redescoberto.
A cada discurso na ONU, o mundo reconheceria em nosso país um dos eixos dinâmicos da nova multipolaridade. Desde que as caravelas trouxeram às pressas dom João VI ao Brasil, há 200 anos, precipitando o processo de independência, poucas vezes se viu tamanha reviravolta e sentimento de nacionalidade.
Inventamos até um novo Visconde de Mauá carioca, com nome de americano e sobrenome de igreja puritana. Dedicado ao trabalho, temos, assim, similar nacional da ética protestante e espírito capitalista, ainda que seja para explorar reservas minerais.
De fato, as coisas iam bem até a crise global e a opção dos velhos sábios pelo acoplamento junto às potências asiáticas emergentes.
De lá para cá, já foram quatro anos de crescimento econômico abaixo do medíocre. Fora o vale tudo fiscal de 2010 para vencer as eleições, o Brasil cresce vegetativamente a uma média de 1,2% ao ano. Só comparável à década perdida de 1980.
Se houve milagre ou espetáculo, não foi de expansão econômica, mas da multiplicação de votos. Tivemos um período verdadeiramente desperdiçado. Pior: retrocedemos em um aspecto que definirá o futuro.
De agora em diante, o país terá que aprender um jeito de se desenvolver com pouca indústria. Com soja e minério de ferro, nossa economia volta a ser primária.
As possibilidades da panaceia pré-sal diminuem a cada dia que pedras de xisto e areias betuminosas são alavancadas na América do Norte com bem mais eficiência.
Algumas mentes brilhantes da diplomacia brasileira arquitetaram um liame com o Oriente em ascensão. Pensavam que se com o Barão deu certo em relação aos EUA há cem anos, daria de novo. Dedicada a suprir demandas internacionais básicas, a nossa economia se tornou então subsidiária da China.
Não só cresceríamos juntos, como formaríamos um novo bloco. Batizado por especuladores, os BRICs seriam capazes de superar o Ocidente.
O Brasil buscou maior influência sobre a economia mundial em organismos como o FMI e o BIRD, mas no lugar disso conseguiu é ficar numa situação inferiorizada, especializando-se numa área cujos preços não pode controlar. O valor das commodities é determinado pelos mercados internacionais.
Não foram os heterodoxos até 1992 nem os ortodoxos da era FHC. Foram os ditos nacionalistas que restabeleceram entre 2008 e 2012 um velho padrão colonial de relacionamento em que apenas suprimos matérias-primas a países que crescem muito mais do que nós.
Após 190 anos do grito do Ipiranga, a dependência econômica foi restaurada.
Marcelo Coutinho, é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro
 e do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro

sábado, 15 de setembro de 2012

Terroristas

Aviso
"...Qualquer semelhança com nomes, pessoas, datas, locais, situações, ou circunstâncias, poderá não ter sido mera coincidência..."
por André Soares
Você conhece o terrorismo? Certamente, você acha que sim. Mas, na verdade, não conhece. Por acaso, você conhece a pessoa de algum terrorista, homem-bomba, ou chefe de organização terrorista? Já esteve com eles, tratando e negociando pessoalmente sobre ações terroristas? E sobreviveu? Pois, tendo sobrevivido ao terrorismo, Vando aprendeu muito sobre a própria vida. Um desses valiosos ensinamentos é que terroristas são inteligentíssimos. Outro, é que o mundo só vencerá o terrorismo quando tiver inteligência superior para entendê-los, compreendendo perfeitamente porque terroristas são terroristas. Contudo, para isso, você precisará sobreviver à experiência que Vando viveu. Mas, cuidado! Não faça isso! Primeiro, porque você dificilmente sobreviverá. Segundo, porque se você sobreviver é porque conseguiu compreender o terrorismo perfeitamente. E se você conseguir compreender os terroristas plenamente é porque você também é inteligentíssimo. E se você for inteligentíssimo.... Bem... Então, sua vida mudará completamente.
Como mudou a vida de Vando, que sabe que o país está totalmente despreparado e vulnerável às ações terroristas internacionais, as quais não são deflagradas em território nacional por mera conveniência política das organizações terroristas. Nesse sentido, o “diletantismo irresponsável” dos serviços de inteligência do país só não o matou, numa de suas ineptas e irresponsáveis operações de contraterrorismo, porque os terroristas descobriram que Vando também é inteligentíssimo.
Mesmo desconhecendo as clandestinidades cometidas à sua revelia pelo serviço de inteligência, somente após ter chegado à liderança de uma célula terrorista é que Vando se deu conta que toda a operação era um monumental desastre, decorrente da incompetência e irresponsabilidade criminosa das autoridades governamentais. Desta forma, abandonado à própria sorte, atuando sozinho e operando em território estrangeiro, em local incerto e não sabido, Vando estava ciente que não teria chances de sobreviver, caso fosse descoberto.
E foi. Contudo, Vando só veio descobrir que sua identidade havia sido desvelada pelos terroristas tempos depois. Significa que durante todo o período do seu convívio com a célula terrorista em território estrangeiro, sua liderança acabou descobrindo tudo sobre ele: sua identidade, seu serviço secreto, as mentiras que foram criadas e quais eram os reais propósitos da diletante inteligência nacional.
Por que Vando sobreviveu?
Bem... Não se esqueça que terroristas são inteligentíssimos. E se você conseguir compreendê-los plenamente é porque você também é inteligentíssimo. E se você for inteligentíssimo.... Bem... Então, você saberá porque terroristas são terroristas. E sua vida mudará completamente.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Patifaria Contra Yeda no RS - A Verdade Aparece

Arapongagem eleitoreira no RS: Juízes do Conselho Disciplinar da BM inocentam o Sargento Cesar Rodrigues
Os juízes do Conselho de Disciplina da Brigada Militar do RS, acabam de inocentar por unanimidade o sargento Cesar Rodrigues, acusado pelo promotor Amilcar Macedo, de Canoas, há dois anos, pela prática de espionagem política contra os adversários da governadora Yeda Crusius. As ações movidas pelo promotor no Foro de Canoas já tinham sido consideradas imprestáveis pelo juiz Fernando Henning.
O sargento Cesar Rodrigues denunciará o promotor Amilcar Macedo na Corregedoria do MPE, sem contar as ações por dano moral que ajuizará no Foro de Canoas e de Porto Alegre.
O caso serviu para engrossar as ações diabólicas do Eixo do Mal, que antes já tinham conseguido desencadear as CPIs dos Pedágios (2007), Detran (2008) e PT (2009), sem contar dois pedidos de impeachment e três operações de grande monta da Polícia Federal (Rodin, Solidária, Mercari), desestabilizando completamente o governo do PSDB do RS. 
As denúncias sobre arapongagem no Palácio Piratini surgiram como num passe de mágica no dia 3 de setembro de 2010, em plena campanha eleitoral, no momento em que Yeda retomava movimento de alta nas pesquisas, ameaçando levar a disputa para o segundo turno entre Tarso Genro e José Fogaça. Os estrategistas do PMDB torciam para que Yeda avançasse dos 18,1% (o tracking do Methodus para o dia 2 de setembro de 2010 foi de 16,3% para a governadora) daquele dia para 24%, que somados aos 26% de Fogaça, seria suficiente para garantir nova rodada eleitoral.
A ação midiática do promotor de Canoas, que chegou a tentar invadir o Palácio Piratini para devassar a Casa Militar, ocorreu apenas dois dias depois da Operação Mercari, desfechada no dia 2 de setembro de 2010, 6h30m da manhã, por 76 delegados da Polícia Federal no Banrisul. 
Amplificadas as denúncias do promotor Amilcar Macedo, que mandou prender o sargento Cesar Rodrigues e vasculhar sua casa, resultaram devastadoras as repercussões políticas no Estado. Foi uma surpresa saber que não apenas o sargento Rodrigues possuía a senha para acessar os dados do Sistema de Consultas Integradas, mas também outros 1.149 servidores pertencentes a 49 organizações diferentes. O promotor não quis investigar nenhuma das 49 organizações, sequer o jornal Zero Hora, que na sua edição do dia 9 de setembro admitiu em editorial que usava senhas e acessava o sargento Cesar Rodrigues para obter informações. Mais tarde, em 2011, a RBS editou novo Código de Ética e proibiu a repetição do mesmo tipo de procedimento, mas só fez isto depois que o caso ganhou contornos infernais no início de julho de 2011, com as denúncias sobre arapongagem feita pelo jornal News of the World. 
As ações movidas pelo promotor Amilcar Macedo foram consideradas imprestáveis pelo juiz Fernando Alberto Corrêa Henning, que ao contrário do juiz anterior, Volnei Coelho, cortou o passo do representante do Ministério Público Estadual.
Fonte:  Políbio Braga
COMENTO: clicando na imagem acima (gráfico do tracking diário de setembro de 2010, a poucos dias da eleição), o leitor pode verificar como foi "oportuna" a falsa denúncia sobre arapongagem no Piratini, que custou a injusta prisão do sargento Cesar Rodrigues. Faço votos para que o sargento tenha sucesso em sua empreitada contra o tal procurador. Esse tipo de justiceiro às avessas, que se utiliza do cargo para jogar sujo politicamente deve tomar o mesmo destino de um outro que há algum tempo aterrorizava Brasília com falsas denúncias que ele plantava na imprensa e depois usava como base para iniciar processos que só serviam para desmoralizar adversários da canalha petista. Depois, os "processos" caiam no esquecimento, mas o estrago na imagem dos atingidos já estava feito. Coisa de canalha!
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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Russomanno, Ratinho, a Era Lula e os Candidatos Acima da Lei

por Arthurius Maximus
Uma das maiores contribuições do ex-presidente Lula para nossa vida política foi levá-la de volta às práticas do século XIX e início do XX. Coisas como o caudilhismo, o coronelismo, o voto de cabresto e o desprezo pelas leis eleitorais, pelo Judiciário e pela ética durante as campanhas políticas — que vinham caindo no escárnio popular até então — de repente, voltaram com força total e se disseminaram pelo país, diante da incapacidade punitiva dos organismos criados para ordenar nosso sistema eleitoral e da apática cumplicidade da maioria do eleitorado apanhado no engodo da validade da “Lei de Gérson”.
Com os valores irrisórios das multas impostas pelos tribunais eleitorais para partidos e candidatos (principalmente para os partidos que ocupam o poder no momento da eleição e têm acesso livre aos cofres públicos), a resistência em se punir pesadamente os atos ilícitos e cassar rápida e sumariamente os candidatos que violem com frequência os dispositivos eleitorais — levando muitas vezes anos e anos para tomar uma decisão — os tribunais eleitorais brasileiros acabaram criando a figura do candidato acima da lei.
Vendo que as violações constantes das leis eleitorais, praticadas pelo ex-presidente Lula, em nada prejudicaram a ele, seus candidatos e seu partido; candidatos dotados de “bolsos largos” e dispostos a cobrir os custos das multas impostas pelos tribunais, passaram a gozar de uma imunidade relativa para violarem a lei eleitoral quando quiserem e, assim, vale mais garantir um benefício imediato junto ao eleitorado do que uma possível punição branda ou distante por isso.
A cada eleição a coisa vem se agravando e tornando as disputas cada vez mais desiguais. Na última eleição presidencial, tivemos as famosas caravanas de inauguração em que Lula e o PT disponibilizavam ônibus, refeições e bebidas para a população de uma determinada localidade participar das inaugurações de obras que patrocinavam a candidata Dilma. Lula fez campanha antecipada (em vários meses), usou a máquina estatal a seu bel prazer e impôs sua vontade sobre os tribunais eleitorais com extrema facilidade sem nunca ser incomodado.
Agora, nas eleições municipais, em inúmeras candidaturas vemos práticas semelhantes. Em São Paulo, bancado pela Igreja Universal, Celso Russomanno faz campanha e — paralelamente — distribui panfletos de uma ONG (mantida por ele e por seu irmão) dizendo que resolverá todos os problemas e reclamações dos consumidores paulistas numa clara tentativa de compra de votos. Tudo feito abertamente, nas barbas da justiça eleitoral, sem que o candidato e seu partido sejam sequer incomodados.
Em Curitiba, mesmo proibido pela justiça eleitoral de participar da campanha de seu filho Ratinho Junior (PSC) — candidato à prefeitura — Ratinho (pai) violou abertamente a decisão judicial e subiu no palanque para gritar a favor de seu filho e cuspir na cara do Judiciário.
No Rio de Janeiro o prefeito Eduardo Paes (candidato a reeleição) usa e abusa da máquina, utilizando-se de qualquer oportunidade oficial para fazer campanha e ligar a sua imagem a eventos de grande apelo popular — notadamente os ligados ao futebol — burlando descaradamente a lei e legitimando uma conduta criminosa.
E, pelo Brasil a fora as mesmas práticas (ou até piores) se repetem e se intensificam de forma avassaladora sem que a Justiça eleitoral e, principalmente, o eleitor cumpram o seu papel de punir aqueles que desrespeitam as leis.
Quando digo caber principalmente ao eleitor a responsabilidade de compreender que um candidato disposto a violar uma determinação judicial ou simplesmente ignorar o cumprimento das leis, buscando unicamente o seu favorecimento eleitoral e se colocando acima de qualquer norma social; refiro-me ao fato de que é vital compreender a mensagem clara, deixada por ele, de que não está comprometido com o bem-estar de ninguém a não ser o dele mesmo; estando disposto a tudo para satisfazer seus interesses particulares (lícitos ou não). Afinal de contas, bastará que algo vá de encontro a sua vontade para fazer com que ele viole leis e use o seu mandato em causa própria.
Portanto, o eleitor consciente deve entender que se o candidato viola leis, e isso antes de assumir o poder; fará muito pior depois de empossado e ter acesso ao poder e aos cofres públicos. Pois, se ele é incapaz de obedecer as regras do jogo, o desfecho lógico é de que sua participação sempre será regida pela trapaça, pelo jeitinho e pela maldita Lei de Gérson.
Pense nisso.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Dois Anos de Operação Mãos Limpas, um Convite à Impunidade

por Chico Bruno
Hoje (10/9) a Operação Mãos Limpas, da Polícia Federal, deflagrada no Amapá em 10 de setembro de 2010 completa dois anos. A referida operação desmantelou uma quadrilha instalada no Executivo, na Assembleia Legislativa e no Tribunal de Contas do Estado que surrupiou dos cofres públicos mais de R$ 2 bi.
A ação resultou na prisão do então governador Pedro Paulo Dias (PP), do ex-governador Waldez Góes (PDT), que havia renunciado em abril ao mandato para concorrer ao Senado, do presidente do Tribunal de Contas do Estado, Júlio Miranda e de outras 15 pessoas entre secretários de estado e empresários, entre eles a ex-primeira-dama Marília Góes. A operação, ainda, prendeu em dezembro de 2010 o prefeito de Macapá, Roberto Góes (PDT), que ficou preso por 60 dias no Presídio Federal da Papuda no Distrito Federal e hoje concorre a reeleição, secretários estaduais, empresários e servidores públicos.
A Operação Mãos Limpas teve vários desdobramentos entre setembro de 2010 e julho de 2011.
Em maio de 2011, a PF fez busca e apreensão no TCE e na casa de quase todos os conselheiros. Também houve busca e apreensão na Superintendência Federal da Agricultura e na Superintendência Federal da Aquicultura e Pesca e nove servidores foram presos.
Em julho de 2011, a Polícia Federal deu uma batida nas agências de viagem que “vendiam” passagens aéreas para a Assembleia Legislativa, na legislatura passada.
Entre setembro de 2010 até julho de 2011 a PF vasculhou várias empresas, residências, órgãos públicos federais, estaduais, municipais e cumpriu centenas de mandados de busca, apreensão, condução coercitiva, prisão temporária e prisão preventiva. Neste trabalho a PF apreendeu documentos, malas de dinheiro, carros e até avião.
Em setembro do ano passado a Polícia Federal concluiu o inquérito da Operação Mãos Limpas e o encaminhou ao STJ, que o enviou ao Ministério Público Federal, responsável por oferecer denúncia contra os envolvidos.
Em março deste ano o senador João Capiberibe (PSB-AP) cobrou, em discurso no plenário do Senado, os resultados da Operação Mãos Limpas, da Polícia Federal, mas até agora, quando se completam dois anos da operação a impunidade vigora, pois ninguém foi denunciado para ser julgado.
Apesar da repercussão na imprensa nacional à época, não existem indiciados ou denunciados como resultado da operação.
– Preocupa-nos que uma operação de tamanha magnitude complete, amanhã dois anos sem que tenhamos notícia dos resultados – diz o senador Capiberibe.
Para que não passe em branco o aniversário da Operação Mãos Limpas, uma das maiores deflagradas pela Polícia Federal nos últimos anos vale rememorar manchetes dos principais jornais do país no dia seguinte (11) a operação com os textos das primeiras páginas.
O Globo: Amapá, um estado na cadeia
De uma só vez, a PF prendeu o governador, o ex, o secretário de Segurança e o presidente do Tribunal de Contas do Amapá. E levou à delegacia o presidente da Assembleia e o prefeito de Macapá. Todos acusados de desvio de verba. Lula tinha gravado mensagem de apoio ao ex-governador. Foram apreendidos R$ 1 milhão em espécie e carros de luxo.
Folha de S. Paulo: Governador do Amapá e antecessor são presos
PF deteve outras 16 pessoas acusadas de integrar esquema de desvio de verbas. A Polícia Federal prendeu Pedro Paulo Dias (PP) e Waldez Góes (PDT), atual e ex-governador do Amapá, sob suspeita de participação em esquema que desviou cerca de R$ 200 milhões de recursos federais. Outras 16 pessoas também foram presas. A investigação, que começou em 2009 na Secretaria da Educação, indica que as verbas eram desviadas de diversas áreas do governo. A Folha revelou em fevereiro a ação de improbidade que o Ministério Público havia protocolado contra o então secretário, José Adauto Bittencourt, e outros 12. Paulo Dias, que concorre à reeleição, está em terceiro lugar nas pesquisas. Candidato ao Senado, o ex-governador Waldez Góes contava com o apoio do presidente Lula, que apareceu no horário eleitoral de quinta pedindo votos para o pedetista. Como o presidente da Assembleia disputa a eleição, assumiu o governo do Estado o presidente do Tribunal de Justiça.
O Estado de S. Paulo: PF prende políticos aliados de Lula e Sarney no Amapá
Investigação aponta ação de quadrilha liderada pelo governador do Estado e outras autoridades . Polícia Federal prendeu no Amapá o governador Pedro Paulo Dias (PP), o ex-governador Waldez Góes (PDT) e outras 16 pessoas, sob acusação de corrupção, lavagem de dinheiro, ocultação de bens, tráfico de influência, fraude em licitações e formação de quadrilha. Dias é candidato à reeleição, e Góes tenta o Senado. Ambos contam com apoio explícito do presidente Lula e da candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT), e o ex -governador é aliado do senador José Sarney (PMDB-AP). A operação da PF detectou que, sob o comando do governador, a máquina do Estado era dominada por uma quadrilha de altos funcionários que fraudavam nove em cada 10 licitações, superfaturando os contratos e cobrando e distribuindo propinas abertamente. O Planalto não quis comentar a proximidade de Lula com os políticos presos.
Correio Braziliense: Corrupção - Governador do Amapá e outras 17 pessoas são presos pela PF
Estado de Minas: Amapá - Governador e mais 17 são presos por corrupção
Jornal do Commercio: Governador do Amapá e mais 17 pessoas presos
PF capturou, ontem, além de Pedro Paulo Dias, que disputa a reeleição, o presidente do Tribunal de Contas e um ex-governador candidato ao Senado, entre outros acusados de corrupção, peculato e vários crimes. O presidente do TJ assumiu o governo.
Zero Hora: Operação antifraude prende governador do Amapá e mais 17
Suposto desvio de repasses da União, estimado em R$ 300 milhões, leva à prisão Pedro Paulo Dias (PP) e deixa o governo nas mãos do presidente do TJ.
O volume de recursos que teriam sido desviados, informado inicialmente como R$ 300 milhões, passa de R$ 2 bilhões. O atual governo do Amapá, apesar de estar no poder desde janeiro de 2011, até hoje tem dificuldades para solucionar problemas financeiros que seriam decorrentes de fraudes, como, por exemplo, a retenção ilegal de contribuições de servidores públicos do estado à previdência e a falta de prestação de contas de repasses de recursos federais.
Resumo da ópera.
Hoje se completam dois anos da Operação Mãos Limpas e não se tem notícia da conclusão do inquérito.
O melhor presente deste fatídico aniversário seria ouvir das instituições responsáveis  – o Ministério Público que conduz as investigações e o STJ que é a instância que determinou as prisões – o anúncio dos resultados do que foi apurado e o indiciamento dos culpados.
A morosidade das autoridades judiciárias é a principal aliada da impunidade que incentiva novos atos de corrupção contra os cofres públicos.
COMENTO:  certamente, os responsáveis pela patifaria estão candidatando-se a cargos eletivos afirmando para a população idiotizada por futebol e novelas que o processo era uma farsa, coisa da "zelite" e, graças à distribuição de camisetas, bandeirolas, santinhos e outras quinquilharias produzidos com o dinheiro desviado, irão se reeleger. Talvez seja esse o motivo que leva o responsável pelo processo aguardar a eleição desses crápulas que, assim, obterão o benefício do "foro privilegiado" - sem vergonhice inventada para legalizar a impunidade desse tipo de criminoso. Dessa forma esse (i)responsável poderá "empurrar com a barriga" o processo para a "instância superior" e assim livrar-se do trabalho. É o Brasil dominado pelo crime e pela omissão.
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terça-feira, 11 de setembro de 2012

Por Que Ainda Há Comunistas?

por Janer Cristaldo
Entre os muitos livros que deveriam ser traduzidos no Brasil — mas não o foram, dada a censura onipresente dos ditos intelectuais de esquerda — está Le Dieu des Ténebres, antologia que reúne depoimentos de escritores que um dia militaram nas fileiras de Moscou, para logo abandoná-las, ao intuir a essência totalitária do marxismo. O livro, assinado por Arthur Koestler, Ignazio Sillone, Richard Wright, André Gide, Louis Fischer e Stephen Spender, foi publicado em 1950, em Paris. Entre os vários depoimentos, transcrevo estes trechos do escritor italiano Ignazio Silone:
"A verdade é que minha saída do Partido Comunista constituiu para mim uma data muito triste, um grave luto, o luto de minha juventude. E eu venho de um país onde se porta luto por mais tempo que alhures. Não nos libertamos facilmente de uma experiência assim intensa como a vivida na organização comunista. Dela sempre subsiste qualquer coisa que marca o caráter pelo resto da vida. Vejam, aliás, como são facilmente reconhecíveis os ex-comunistas. Eles constituem uma categoria à parte, como os padres apóstatas e os ex-oficiais de carreira. Hoje, o número de ex-comunistas é legião".
Os comunistas — e também os petistas — sempre me lembram o Dr. Strangelove, do filme homônimo de Kubrick. Quem o viu deve lembrar dos reflexos condicionados do braço esquerdo do cientista semiparalítico, que mal seu dono se descuidava, se erguia na saudação nazista. Strangelove tinha de contê-lo com a mão direita. Quem um dia foi comunista, fica para sempre marcado na paleta. Aliás, como os ex-seminaristas, como aventa Silone, ao falar de padres apóstatas. A fé entorta o cachimbo. 
No dia 10 de agosto passado, saudei o centenário de nascimento de Jorge Amado, a mais operosa prostituta das letras tupiniquins. Um leitor atento me envia link de uma entrevista que me passou despercebida. Antes da entrevista, algumas considerações.
Em meu ensaio Engenheiros de Almas, comento o zdanovismo de Amado. Por zdanovismo, entenda-se a tosca doutrina estética do teórico Andrei Zdanov, mais conhecida como realismo socialista, que consistia em colocar a literatura — como também as demais artes — à serviço da revolução. Da revolução comunista, é claro.
Em 1956, com as denúncias de Nikita Kruschev no XX Congresso do PCUS, assumir as determinações de Zdanov já não era mais possível. Em carta publicada pela Imprensa Popular, do dia 10 de outubro do mesmo ano, Jorge Amado faz um tímido mea culpa:
“Aproximamo-nos, meu caro, dos nove meses de distância do XX Congresso do PCUS, o tempo de uma gestação. Demasiado larga essa gravidez de silêncio e todos perguntam o que ela pode encobrir, se por acaso a montanha não vai parir um rato.
“Creio que devemos discutir, profunda e livremente, tudo o que comove e agita o movimento democrático e comunista internacional, mas que devemos, sobretudo, discutir os tremendos reflexos do culto à personalidade entre nós, nossos erros enormes, os absurdos de todos os tamanhos, a desumanização que, como a mais daninha e venenosa das árvores, floresceu no estrume do culto aqui levado às formas mais baixas e grosseiras, e está asfixiando nosso pensamento e ação. (...) Sinto a lama e o sangue em torno de mim, mas por cima deles enxergo a luz do novo humanismo que desejamos acesa e quase foi submergida pela onda dos crimes e dos erros.”
Até parecia que a velha prostituta havia se regenerado. Nada disso. Vamos à entrevista enviada pelo leitor, feita em 1990 pelo jornalista Geneton Moraes Neto. Pergunta o repórter:
As mudanças no Leste europeu e na União Soviética de Gorbatchev — que parecem ter desorientado as esquerdas no mundo inteiro — abalaram o senhor também?
— Eu me desorientei — e muito — antes, quando descobri que Stalin não era o pai dos povos, ao contrário do que sempre pensei. Aquele foi um processo doloroso, difícil, cruel e demorado. A maioria das causas dos acontecimentos atuais talvez já fossem claras para mim. Mas os acontecimentos são de uma rapidez imensa. Jantei com Costa Gavras, meu amigo. Discutimos esta situação: não é só um mundo que acabou. É tudo o que foi a vida e o objetivo de luta de milhões de pessoas. É gente que lutou com generosidade e coragem e foi presa e torturada por lutar por uma coisa que — de repente — se acaba. A pergunta que você pode me fazer agora é a seguinte: é o socialismo que não presta ou é a falsificação do socialismo? O que é que acontece nestes países? Já não são regimes socialistas nem a Polônia nem a Hungria nem a Tchecoslováquia nem a Alemanha oriental. Já estão deixando de ser socialistas a Bulgária, a Romênia e até a Albânia! Mas não acredito que o socialismo, como ideia, deixe de ser o que representa como avanço e como um passo adiante. Nunca houve socialismo, como não houve democracia. Como a implantação dos regimes socialistas foi baseada naquilo que é fundamentalmente errado — a ditadura de classe —, houve, então, uma falsificação total e completa!
A penitência feita em 56 pela madalena arrependida era só pra inglês ver. Até 1990, um ano depois da queda do Muro, Amado ainda portava luto. Pergunta o jornalista:
— A denúncia do stalinismo provocou um choque ainda maior no senhor?
Responde Amado:
— O choque veio já antes da denúncia, porque eu vinha sabendo das coisas. Mas é evidente que a denúncia de Kruschev trouxe coisas de que eu não fazia a mínima idéia.
Vinha sabendo das coisas? Por que então não nos contou? Por outro lado, as denúncias de Kruschev em 1954 pouco ou nada traziam de novo. As acusações do secretário-geral do Comitê Central já haviam sido feitas por Victor Kravchenko, em 1949, em Paris. Como Dr. Strangelove, Amado manteve seus reflexos stalinistas até o final da vida.
Geneton quer saber se Mikail Gorbachev é o ídolo de Jorge Amado hoje. Nada disso. Responde Amado:
— Meu último ídolo chama-se Stálin. Já não tenho ídolos — há tempos. Como ídolo, Stálin é o bastante. É suficiente… Gorbachev é um grande estadista do nosso tempo. Todos nós devemos a ele um fato importante: o perigo de uma guerra atômica — que iria acabar com a vida sobre a Terra — diminuiu muito. O que é que Gorbachev faz? O que ele faz é expor a verdade. Havia uma mentira imensa que dizia: “O socialismo é este”. De repente, a gente viu que não era. 
O velho recurso das madalenas. Não era aquilo que queríamos. Vamos continuar lutando. O verdadeiro socialismo ainda não foi realizado. Houve um desvio nas idéias de Marx. Vamos tentar de novo.
Outro dia, comentava um outro leitor: é preciso ter coragem para ser comunista hoje.
O problema não é coragem, leitor. E sim falta de coragem. Para um velho comunista, renunciar à ideologia é como olhar-se no espelho e dizer à imagem: “és um idiota. Tua vida toda foi inútil e tua obra não vale nada”. É difícil admitir que a “gente que lutou com generosidade e coragem e foi presa e torturada por lutar por uma coisa” — como diz o baiano — na verdade estava lutando pelo totalitarismo. 
E essa coragem não está ao alcance de qualquer um. Por isso ainda existem comunistas.
Fonte:  Janer Cristaldo

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

PT e PSDB: o Bipartidarismo da Mentira!

por Waldo Luís Viana
"Só existem dois grupos em verdadeira luta no Brasil: os que estão roubando e os que querem roubar."
(Tenório Cavalcanti)
Num país como o nosso, sobre o qual a Justiça Eleitoral afirma ter um regime “hiperpartidário” —  com quase 30 partidos, em sua maioria repartições de mero registro de candidatos e negociadores de repartição do horário público eleitoral — encontramos, na prática da esperteza, duas agremiações, quase iguais, semelhantes em tudo nos costumes de seus dirigentes, brigando entre si numa interminável disputa de poder, como se fossem os únicos comensais do butim, com o povo olhando, apinhado atrás dos cordões de isolamento.
O PT, muito hábil, conclama à velha luta entre ricos e pobres, confrontando os engravatados que falam inglês com os barbudinhos da máfia de pelegos sindicais. Agora vem com a mesma estoria das privatizações da Vale e das teles como massa de manobra para toldar os escândalos que abalam o seu governo “republicano”.
Se isso era tão importante investigar, porque os mandatos de Lula não o fizeram no espaço de oito anos? Por que não houve qualquer devassa pra valer ou mesmo uma CPI qualquer? É muito simples responder: porque, na hora das eleições, era muito mais útil confrontar as privatizações (que o povão não sabe muito bem o que é!) com o perigo de extinção do bolsa-família (benesse que, antes, os petistas denunciavam como meras compensações eleitorais).
Essa manobra de eleger um adversário e bater na mesma tecla, transformando um boato irreal em simulacro de verdade, é tática velha e carcomida da propaganda comunista. Assim fez Stalin, em seus expurgos nos anos 1930, na União Soviética, e Teng Xiao Ping, que em 1976 denunciou ao povo o “bando dos quatro” sobre as sevícias perpetradas durante a revolução cultural chinesa. 
Isso é tão velho se fazer em política — nomear um só adversário para o povão entender quem é o inimigo — que custa a acreditar como os malandros do PSDB não conseguiram (ou não quiseram!) denunciar e neutralizar a prática brandida pelos petistas.
Por sua vez, o PSDB, e seus adeptos de alta plumagem, não tem programa de governo a oferecer. Apenas um duelo de vaidades, entre dois presidenciáveis, com cada metade do partido (desculpem o pleonasmo!) tentando se equilibrar em cima do muro entre os próximos e eventuais candidatos. Finge-se de oposição, denunciando suavemente o PT, sempre querendo deixar o adversário “sangrar” em busca de uma pretensa “fadiga do material” que jamais acontece.
O partido no poder, temendo perdê-lo, faz habitualmente alianças, mesmo as mais espúrias com a direita oligárquica e os rentistas internos e externos, e se mantém altaneiro em sua posição, distribuindo as conhecidas migalhas ao povão que sinceramente agradece nos períodos eleitorais. De fora ficam somente a educação, a saúde, as estradas, as ferrovias, os portos, o saneamento básico, os aeroportos, a defesa civil, a contenção de encostas e 80 impostos a pagar em troca de quase nada...
Os demais partidos assistem à pantomima como artistas coadjuvantes, pensando em abocanhar um naco da máquina estatal, irresponsavelmente distribuída para compor a tal “base aliada”, que só entra em guerra nas votações do Congresso, quando o seu apetite fisiológico e insaciável é contrariado.
O programa do PT, porém, é muito bem executado: “permanecer a qualquer custo no poder pra ver como é que fica...” E não importam os meios, aliás, ao diabo os princípios!, desde que o Estado continue todo aparelhado pela “nossa gente” e a oposição “a pão e água” — da mesma forma como em outros tempos recomendava Bakunin, outro comunista histórico...
Hoje, entretanto, há ideólogos de esquerda mais perfumados, como Gramsci, que falam da estratégia de conquistar o poder “por dentro”, dinamitando a pretensa burguesia e suas instituições, bem como formulando uma nova hegemonia com os atores sociais que promoveriam a tal revolução, distante mas inevitável, como um demiurgo fatal!
Só esqueceram que atualmente a burguesia é quase toda de esquerda — daquele tipo que chora pelo povo em comício e não quer dar aumento salarial para a empregada doméstica — aparelhista e pelega, prejudicada agora pelos expurgos anticorrupção que estão atingindo o governo Dilma com um soco no estômago. A corrupção de esquerda, aliás, é bonita, idealista e feita por motivos tão nobres que quase nos fazem chorar. Coitadinhos dos consultores, meu Deus!
Tivemos a divulgação de um livro pela internet, “A Privataria Tucana”, sobre os pecados do ex-presidente tucano e seu mais influente ministro. Ambos atacados duramente pelos adversários, mencionando-se que tenta divulgar fatos fartamente “documentados” e tendenciosos, com o único objetivo de servir como artilharia nas próximas eleições e nos fazer esquecer, como coisa menor, a bandidagem oficial. É impressionante como sempre se encontra um jornalista de plantão para fazer esses papéis!
Assim caminha nosso regime hiperpartidário, que só tem dois partidos de fato, irmãos univitelinos na estratégia de discutir entre eles o comando do país. Nessa briga, o PMDB torna-se o mais esperto, fingindo-se de primo participante e aliado de quem vencer, porque são oligarcas regionais que não precisam possuir a presidência da República para governar. 
Esse, para quem conhece, é o mesmo esquema da República Velha, que terminou com Washington Luís, e se baseava em partidos regionais. Os demais partidos do imenso leque atual também são apenas partidos de região, com caciques localizados, mas que se organizam nacionalmente por força de nossa legislação cruel e adredemente formulada.
Nesse sentido, jamais teremos reforma política, porque são os mesmos lobos que controlam o galinheiro. E, pelo visto, pela ânsia dos ministros corruptos em não largar o osso, pela luta intestina por cargos, comissões, superfaturamentos e pelo conhecimento de como “funciona o Estado” para melhor roubá-lo e facilitar “os negócios” — a coisa continuará do mesmo modo e nós, atônitos, admirando o negro panorama!
Enquanto isso, o mundo gira e parece que entrou em crise ou recessão. É costume de nossas autoridades dizer ao povo que o Brasil jamais será alcançado por crises e que Deus é brasileiro. Quando vêm as tragédias, os políticos aparecem com paliativos, porque rapidamente elas são substituídas por outras, sempre cíclicas, sempre repetidas e sempre sem solução. 
O bipartidarismo da mentira não resolveu nossos problemas, somente nos aproximou da beira do abismo. O problema é saber qual desses dois partidos, num verdadeiro jogo de comadres, irá dar o próximo passo...
Waldo Luís Viana é escritor, economista, poeta e confessa que,
 aos 56 anos, se sente cansado de votar. Talvez haja outros desiludidos...
Fonte:  Alerta Total