sábado, 25 de agosto de 2018

Tecnologia Usada Para Oprimir o Povo!

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Software de reconhecimento facial da empresa Megvii, aplicado em Pequim.
Em Zhengzhou, um policial com óculos de reconhecimento facial pegou um contrabandista de heroína numa estação ferroviária. 
Em Qingdao, câmaras guiadas por inteligência artificial identificaram duas dezenas de criminosos num festival de cerveja. Em Wuhu, identificaram um suspeito de homicídio enquanto ele comprava comida de um camelô, segundo reportagem de La Nación.
Essa tecnologia manipulada com sabedoria poderia ser muito útil. Mas não é o que os chineses temem. 
Eles estão vendo erguer-se um futuro autoritário, no qual o reconhecimento facial e a inteligência artificial servirão para identificar e controlar a liberdade de 1,4 bilhão de pessoas num sistema de vigilância nacional sem precedentes.
Na China está morrendo a ideia de que a tecnologia veio trazer mais liberdade e conexão. O monstro está aí: o controle universal implacável.
Nas estações de trem, as câmaras escaneiam sem cessar; nas ruas telões exibem os rostos dos pedestres que alguma vez não respeitaram as leis do regime e os inadimplentes; nos complexos habitacionais registram quem e quando entrou ou saiu.
O número estimado de câmaras de vigilância em funcionamento é de 200 milhões, 400% a mais que nos EUA.
Outros sistemas rastreiam o uso da internet, os ingressos em hotéis, as viagens de trem ou de avião, inclusive os trajetos de carro.
Telão exibe cidadãos de conduta indesejável em Xiangyang, com nomes e RG.
É o Maravilhoso Mundo Novo, só que do Partido Comunista, ao qual chegam as informações e que define o controle da população. 
O software invasivo de vigilância de massas já funciona nas grandes cidades em relação a minorias étnicas e religiosas, mapeando também amigos e familiares, segundo “The New York Times”.
Na agitadíssima ponte da Changhong, em Xiangyang, a polícia instalou o sistema ligado a um telão. De início, as pessoas comemoravam quando seus rostos apareciam, até que perceberam que se tratava de um castigo. 
Vizinhos ou colegas comentavam pelas costas e os identificados passavam demasiada vergonha.
Mao Tsé-Tung foi o precursor da ideia, mas não conseguiu pô-la em prática. Agora a tecnologia o está conseguindo.
No caso de Mao, o sistema produziu ditadura, fome, Revolução Cultural e dezenas de milhões de mortes.
Seus sucessores anelam o mesmo controle, mas temem as revoltas causadas pelo totalitarismo. Por isso, vigorava um acordo com um código de conduta implícito: se o povo suportasse a impotência política, a polícia o deixaria em paz e lhe permitiria ganhar dinheiro.
Mas esse acordo implícito está agora caindo aos pedaços. 
Xi Jinping, o comandante supremo chinês, só visa consolidar seu poder onímodo. As mudanças na lei lhe deram mais poder que a Mao. 
Reviveu o culto da personalidade e do Partido Comunista, que trata de impor. Para isso, confia na tecnologia.
Por que passou a desrespeitar o acordo implícito que garantia a aparência de ordem na China?
As reformas e a abertura fracassaram, mas ninguém se atreve a dizê-lo”, comenta o historiador chinês Zhang Lifan sobre as quatro décadas do período pós-Mao.
Como? A China não se enriqueceu e se tornou a segunda economia do mundo? 
Eis o fracasso: o enriquecimento relativo da população promoveu naturalmente as desigualdades econômicas. E essas desigualdades são o auge do fracasso para o comunismo.
Centenas de milhões de câmaras monitoram as ruas chinesas. 
Na foto, no mausoleu de Mao em Pequim.
Xi, então, está criando o maior Estado de vigilância do planeta. É o maior consumidor de tecnologia de vigilância da população.

Calcula-se que em 2020 o país terá quase 300 milhões de câmaras funcionando. A polícia prevê gastar 30 bilhões de dólares adicionais para esquadrinhar até os locais e gestos mais íntimos dos cidadãos. 
Em Xangai, a empresa Yitu analisa os rostos dos que circulam por corredores e escritórios, salas de repouso, entradas e saídas, marcando com linhas azuis cada funcionário identificado, listando seus mais mínimos movimentos, idas e vindas, todos os dias, durante as 24 horas.
As empresas de aplicativos competem para atender clientes vorazes que querem sempre mais. E não só na China. Em 2017, a Yitu ganhou o primeiro prêmio em reconhecimento facial, oferecido pela Direção de Inteligência Nacional do governo americano.
Na especialidade, a China compete com o Silicon Valley
No complexo habitacional de Xiangyang o sistema comunica à polícia as fotos dos moradores que entram e saem, as quais são conferidas pelo Partido Comunista.
Wen Yangli, executivo da Number 1 Community, a empresa fabricante, trabalha para criar mapas virtuais a fim de que a policia possa identificar quem mora em cada prédio. 
A base nacional de dados de indivíduos indesejáveis não inclui somente suspeitos de terrorismo ou criminosos, mas também pessoas que não pensam como o Partido. Os piores “criminosos” do ponto de vista ideológico do Partido Comunista somariam entre 20 e 30 milhões de chineses.
Muitos sistemas aguardam para serem compatibilizados. Em alguns deles as imagens não aparecem instantaneamente, podendo os telões exibir os mesmos “réus” durante semanas. Mas é questão de tempo.
Empregados de Megvii monitoram cidadão em Pequim
O regime quer convencer o povo de que o sistema já está funcionando a todo vapor. Mas como ainda tem falhas, as pessoas poderão pensar que a espionagem universal não é tão eficaz nem tão ruim assim. Quando estiverem resignados, o sistema fechará a malha fina.
Os eventos constituem um alvo especial. O jornal oficial do Partido Comunista, “Diário do Povo”, comemorou uma série de prisões feitas com reconhecimento facial em concertos de estrelas pop.
O artigo parafraseava uma letra do cantante pop Jacky Cheung: “És uma rede de amor infinito que pode me prender com facilidade”.
No cruzamento de Xiangyang as imprudências dos pedestres diminuíram, e no complexo habitacional, controlado pelo Number 1 Community, as bicicletas não somem mais.
O objetivo final é que a gente não saiba que está sendo vigiada, mas fique na incerteza, o que a torna mais obediente”, explicou Chorzempa, investigador do Instituto Peterson.
Essa incerteza de não saber se está sendo observado gera a submissão, destrói os nervos e as mentes.
É a redução de um país inteiro à completa escravidão, tal como a imaginou fazer Mao Tsé-Tung em suas imensas granjas coletivas e campos de concentração, só que sem atingir então todo o sucesso desejado.
Fonte:  Pesadelo Chinês
COMENTO: a cada dia que passa, o mundo descrito na obra 1984 - do autor inglês Eric Arthur Blair, mais conhecido pelo pseudônimo de George Orwell e publicada em 8 Jun 1949 se torna menos ficção e mais realidade. As evidências de que um "Grande Irmão" vai aos poucos de adonando da humanidade não são poucas.  Já tratamos desse assunto aqui no blog em várias postagens que podem ser revistas clicando aqui, aqui ou aqui.
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sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Descoberto Abrigo Fortificado Subterrâneo do ELN

Entrada do bunker -  Foto: Exército Colombiano
Na perseguição aos delinquentes do "Exército de Libertação Nacional" (ELN) que agem na região do "baixo Cauca antioquenho" - cerca de 160 Km ao norte de Medellin -, o Exército Colombiano vem descobrindo esconderijos, depósitos e acampamentos; e pela primeira vez foi encontrado um "bunquer" subterrâneo.
O local é de difícil detecção e havia sido construído por ordem do criminoso alcunhado por "Mocho Tierra", por quem é oferecida uma recompensa de até 200 milhões de pesos colombianos (cerca de 200 mil reais). 
Nos primeiros dias de agosto, tropas da 7ª Divisão do Exército Colombiano que desenvolvem operações de controle territorial de área e com o objetivo de atingir e afetar as redes logísticas e criminais do ELN no Baixo Cauca Antioquenho conseguiram localizar e neutralizar um bunquer construído no meio da espessa selva dessa zona.
O achado se produziu graças a dados de Inteligência Militar obtidos pelo Comando de Operações de Estabilização e Consolidação Aquiles, cujos membros chegaram até a vereda Alto San Juan, na zona rural do município de Cáceres, onde depois de detalhada busca encontraram o lugar.
O local, construído por ordem direta do chefete da "Frente Darío Ramírez Castro" do ELN, vulgo "Mocho Tierra", tinha características especiais que permitem presumir que era empregado para esconder lideranças da quadrilha, drogas ou material bélico, bem como servir como refúgio ante bombardeios realizados pela Força Pública contra as organizações terroristas.
Após a inspeção do lugar, as tropas puderam determinar, com ajuda de pessoal da Engenharia Militar, que o bunquer tinha uma profundidade aproximada de três metros, e suas paredes tinham 70 centímetros de espessura”, explicou o Coronel José Manuel Gómez Valenzuela, Comandante do Comando de Estabilização e Consolidação Aquiles.
Além disso, o esconderijo possuía 13 metros de comprimento por cinco de largura e em seu interior havia três quartos, um banheiro e uma cozinha. Também contava com energia elétrica e exaustores de ar que eram alimentados por uma rede construída de forma primitiva, subterrânea, desde uma residência abandonada nas proximidades. Havia, ainda, duas geladeiras, pacotes de alimentos e materiais de construção, pelo que, se presume que o lugar já havia sido usado pelos criminosos para fugir das diferentes operações militares que a 7ª Divisão do Exército Colombiano vem efetuando na região.
Esta é a primeira vez que é encontrada uma obra desse tipo, razão pela qual já foram enviadas mais tropas por terra e ar, com o objetivo de localizar outros esconderijos desse tipo que possam haver, assim como buscar os bandoleiros da "frente" Darío Ramírez Castro do ELN.
Entrada do bunker -  Foto: Exército Colombiano
Entrada do bunker -  Foto: Exército Colombiano
Fonte: tradução livre de textos do
COMENTO: como os criminosos das FARC, conseguiram uma negociação vantajosíssima com o ex-presidente Juan Manoel Santos - que traiu a confiança dos colombianos e acatou praticamente todas as exigências dos bandidos sem estabelecer claramente mecanismos de punição aos crimes por eles cometidos, concedendo-lhes até acesso ao parlamento colombiano - os bandoleiros do ELN repetem a estratégia daqueles criminosos e alegam querer negociar com o governo colombiano, ao mesmo tempo em que intensificam sua atuação criminosa objetivando ganhar terreno e influência sobre a população campesina, sem abrir mão do gerenciamento do narcotráfico nas áreas sob seu domínio. Esperemos que o novo presidente colombiano corrija os erros cometidos no acordo com as FARC e negocie de forma correta com os quadrilheiros do ELN estabelecendo as devidas punições a quem as merece. 
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sexta-feira, 27 de julho de 2018

Colômbia - A Comissão da Meia Verdade e a Segurança Nacional

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Vários dos documentos requeridos pela Comissão da Verdade ao Ministério da Defesa se direcionam ao cerne da segurança nacional, que todo país protege escrupulosamente.
Imagem:   Edo (https://twitter.com/edoilustrado)
A Comissão da Verdade solicitou ao Ministério da Defesa que lhe entregue uma extensa lista de material documental para, segundo alega em carta de 13 de junho passado - dada a conhecer nesta semana -, "cumprir a missão de esclarecimento do conflito armado, oferecer uma explicação ampla da complexidade do conflito e promover um entendimento compartilhado na sociedade sobre as dinâmicas e fatos, especialmente dos aspectos menos conhecidos do conflito".
De fato, as citações da carta são algumas das missões encomendadas à Comissão da Verdade. A lista completa de ditas funções está fixado no acordo com as FARC, na Reforma Constitucional de 2017 (Ato Legislativo nº 1 daquele ano) e em um dos Decretos-Lei expedidos sob o trâmite especial em busca da paz (Decreto-Lei 588/2017).
Essas normas dispõem que a Comissão da Verdade poderá solicitar informação e documentação a todas a entidades públicas, e que estas e seus funcionários deverão apresenta-las, sob pena de incorrer em causa de má conduta punível disciplinarmente. Sim, a lei diz que tal documentação será para efeitos de cumprimento da missão da Comissão da Verdade, que não é jurisdicional, ou seja, seu objetivo - diferente da Jurisdição Especial de Paz - não é o de determinar responsabilidades penais, mas sim políticas e éticas.
No Decreto-Lei expedido pela Administração Santos, se impõe aos funcionários públicos a proibição de contrapor sigilo por razões de segurança nacional quando se trate de informação relativa a fatos constitutivos de violação de direitos humanos, ao direito internacional humanitário (DIH) e crimes de lesa humanidade.
Somente agora, quando essa atribuição da Comissão da Verdade se exerce ante uma entidade tão relevante para o desenvolvimento e resolução do conflito, como é o Ministério da Defesa, boa parte da opinião pública pareceu se dar conta do alcance dos poderes dessa Comissão da Verdade, sobre a qual parece que a sociedade colombiana não estava interessada quando foi negociada pelo Governo e as FARC.
A Comissão da Verdade, então, pede um volume de 40 grupos de informações, algumas compreensíveis e relacionadas com sua missão, mas outras muito preocupantes.
Por exemplo, se pede ao Ministério da Defesa que forneça cópias dos currículos - e, portanto, a identidade - do pessoal de Inteligência e Contra-Inteligência. Ou "os métodos de combate utilizados e estratégias de controle territorial" das FFAA. Ou os documentos de planejamento de ações e operações relacionadas com narcotráfico, ou com o controle de fronteiras.
É grave porque existem pelo menos um grupo guerrilheiro (ELN) ativo, vários do narcotráfico e bandos do Crime Organizado, que estarão interessados em ter acesso a tais documentos, que lhes darão "de bandeja", a estratégia estatal para combate-los. O golpe à segurança nacional pode ser letal. ¿Quem garante que esses documentos de altíssima sensibilidade e de caráter secreto em qualquer país do mundo, não vão chegar a mãos da criminalidade? O simples fato do vazamento dessa carta da Comissão ao Ministério mostra a pouca garantia de sigilo. Isto pode causar graves danos. Que seriam incalculáveis se, da mesma forma que a carta, arquivos de caráter reservado sejam vazados.
Assim como na Comissão da Verdade há comissionados com as mais altas qualidades éticas, também há os que tem irrefutáveis afinidades - evidenciadas em múltiplas publicações - com os grupos guerrilheiros. Olhar a lista da documentação que está sendo exigida ao Ministério da Defesa e às Forças Armadas gera uma verdadeira vertigem.
Fonte: tradução livre de El Colombiano
COMENTO: Há algum tempo, comentei que a "Comisión de la Media Verdad" colombiana faria o mesmo que sua correspondente brasileira. Com o agravante de terem a experiência do ocorrido no Brasil. Assim, buscam informações melhores para posteriormente atacarem com sucesso os que defenderam a sociedade colombiana contra a narco-quadrilha. Olhem para o Brasil, militares colombianos! O que nossos heróis sofreram serão os sofrimentos de vocês. Agora, no Brasil, boa parte da sociedade pede que os militares voltem a atuar na política e eles se negam, intimidados ao recordar a perseguição que os mais velhos sofreram.
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sexta-feira, 20 de julho de 2018

O Paraíso das Mutretas

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Aproveitando o rescaldo da Copa do Mundo:
por José Luiz Prévidi
Do livro "A Revolução da Minha Janela", de dezembro de 2008:
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O futebol no Brasil sempre foi integrado por todo tipo de gente. Escroques, cafajestes, bandidos de um modo geral sempre estiveram comandando os clubes. Raras exceções, é verdade, mas a imensa maioria se aboleta em cargos de mando para enriquecer, em função do valor dos jogadores. Antes, em valores modestos, mas nos últimos anos todas as transações giram em torno de um milhão de dólares, para começo de conversa.
O símbolo dessa gente é o ex-presidente do Vasco da Gama, Eurico Miranda. Como ainda não está preso é um grande mistério do nosso país. Também foi deputado federal, eleito pela “nação vascaína”.
Por todo este Brasil, se os clubes são geridos por gente assim, imagine-se que os dirigentes nos Estados sejam da mesma cepa. E a suprema entidade do futebol não fugiria da regra. Normal. Tão normal que o brasileiro se acostumou com esta situação.
Repito: em qualquer das esferas sempre há exceções. Excelentes pessoas que, apaixonadas pelos clubes e mesmo pelo futebol, são exemplos de integridade.
Sem entrar em detalhes, é comum até mesmo clubes pequenos venderem por milhares de dólares jogadores para o exterior. Os 10 grandes clubes brasileiros fazem negócios de milhões de dólares ou euros. E os noticiários diários falam da quebradeira generalizada. Só mesmo os ingênuos podem acreditar em má administração.
Acompanho com algum interesse o noticiário sobre futebol. E digo que jamais ouvi um dirigente falar assim: vendemos o jogador por tantos milhões de dólares. Pagamos tanto de impostos e o restante vai ser aplicado no pagamento disso, daquilo e naquilo. Jamais! Eles nunca explicam onde é aplicado o dinheiro de uma transação milionária.
E tudo é normal do futebol.
Todos sabem que tem sacanagem, mas a impressão que fica é que estas mutretagens fazem parte do esporte. E assim deve pensar quem faz parte do dia-a-dia dos clubes, como os integrantes da chamada “crônica esportiva”. Sabem que existe a sacanagem, mas não podem provar. O estranho é que quando um “dissidente” da chamada crônica decide fazer uma matéria a respeito de uma, apenas uma das mutretas, é chamado de louco ou de estar “a serviço da oposição ao presidente do clube”.
Nos últimos anos alguém se lembra de alguma denúncia que tenha parado na Justiça comum? E no que deu a CPI do Futebol? Ricardo Teixeira, presidente da CBF, foi acusado de crimes como lavagem de dinheiro, sonegação de impostos, apropriação indébita e evasão de divisas.
Foi preso ou continua por aí, posando como celebridade?
O futebol brasileiro é coalhado de sacripantas, biltres e sujeitos sem qualificação moral. Se reunissem todos esses dirigentes, apenas os que atuaram neste século, em um plenário, qualquer composição do Congresso Nacional, desde o início do século XX, seria considerado um conclave de meninotes colegiais aburguesados.
O mais triste é que os dirigentes de futebol levam uma ampla vantagem em relação a deputados e senadores: mexem com a paixão dos brasileiros. Por isso, por mais que o torcedor desconfie de negociatas e até eventualmente tenha conhecimento de alguma mutreta, releva em nome do objeto de uma paixão arrebatadora.
Tudo colabora com o sucesso dessa gente que controla o futebol brasileiro, em todas as esferas. Rigorosamente tudo.
Jogadores e técnicos são conhecedores das grandes negociatas, mas se calam porque ou estão envolvidos ou têm a perspectiva de sobrar um bom dinheiro em alguma negociação futura.
Colabora muito com este quadro amplamente favorável às tretas a participação direta e indireta dos meios de comunicação. Pela ordem, TV, rádio e jornal. Mesmo que esporadicamente ceda espaços para alguma denúncia de descalabros, a chamada mídia brasileira ganha muito dinheiro com o futebol e, por isso, leva livre esta súcia de mandantes.
Uma mão lava a outra – a malta do futebol enche os cofres dos donos da mídia e estes dão generosos espaços para o jogo dos biltres. Todos ganham cada um em seu espaço.
É desnecessário dizer a razão de nossos denodados donos dos veículos de comunicação liberarem seus jornalistas/investigadores para vasculhar a vida de deputados, senadores, prefeitos e vereadores. Afinal, as verbas publicitárias desses poderes são ínfimas diante do universo do futebol. Mesmo que às vezes os donos das mídias precisem dos políticos para conseguirem concretizar projetos, escusos ou não.
E, por favor, nada contra o poder judiciário – é uma ordem generalizada em TVs, rádios e jornais.
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Deve-se fazer justiça a alguns raros jornalistas que tentaram denunciar as tradicionais falcatruas patrocinadas por dirigentes de futebol. E até mesmo profissionais que trabalharam diretamente com canalhas e pústulas conhecidas e também decidiram fazer denúncias. Todos, rigorosamente todos tiveram como recompensa uma enxurrada de processos. Passam, infelizmente, por rabugentos.
O mais triste de todo este quadro de falcatruas é o papel de radialistas e jornalistas que trabalham na chamada “crônica esportiva”. Todos sabem que existem inúmeros embustes, assim como os integrantes das editorias políticas de jornais, rádios e TVs sabem de mutretas nos legislativos e executivos e os que trabalham nas editorias de economia dos veículos de comunicação sabem de inúmeras fraudes consideradas comuns – sonegação de impostos, caixa 2, etc.
Em todas essas áreas do jornalismo é difícil comprovar qualquer tipo de irregularidade. Todos sabem que existe, mas não há um documento, por exemplo. O simples torcedor, o mais sisudo magistrado tem conhecimento de descaradas roubalheiras. Numa operação em que um craque é vendido por cinco milhões de euros, por exemplo, os principais dirigentes embolsam qual porcentagem a título de comissão? Dez por cento?
Para os que desconhecem este tipo de prática, é bom que saibam que não há, por parte dos governos, nenhum controle sobre dólares e euros que ingressam, em princípio – vejam bem, em princípio –, para um clube de futebol.
Guarde isso: não existe controle do que sai da conta de um investidor baseado no exterior e o que entra na contabilidade do clube. E nenhum torcedor fica sabendo, nem mesmo aqueles repórteres que acompanham o dia-a-dia dos clubes. Não é à toa que dirigentes de grandes clubes de futebol deixam suas profissões – grande parte se dedicava a escritórios de advocacia – para “se entregarem de corpo e alma ao seu clube do coração”.
Já notou que todo dirigente de grande clube é ou está próximo de se tornar milionário?
Há dois casos emblemáticos no RS, dirigentes de dois grandes clubes. Um, ex-funcionário público, está milionário à frente de um escritório de advocacia onde apenas empresta o seu “famoso nome”. O outro, com dinheiro jorrando “pelo ladrão”, se deu ao luxo de fechar o seu escritório de advocacia – afinal a impunidade é total para quem administra o circo da plebe.
O mais triste, em relação a jornalistas e radialistas que acompanham o futebol, é o cinismo e o deboche com que agem.
Um desses comentaristas, que se acha uma sumidade, disse assim: “Não entendo como este clube tem tanto dinheiro para fazer investimentos”.
Ora, o cínico “profissional” sabe que há bastante tempo o tal clube está fazendo muitos negócios excelentes, tendo “mexido” com algo em torno de 100 milhões de dólares. E a camarilha embolsou, mais ou menos, 10 milhões de dólares.
Sabe o que deve ter ganho o comentarista baba-ovo? No máximo, uma costela gorda para o churrasco com a família.
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A mais impressionante CPI da história do Congresso Nacional investigou sonegação de impostos, contribuições previdenciárias e irregularidades na venda de jogadores para o exterior e em contratos com patrocinadores.
Ninguém foi preso, mas consta que as denúncias “ajudaram a derrubar o técnico Luxemburgo da seleção e a minar o poder do cartola Eurico Miranda”.
Em dezembro de 2001, o Senado aprovou o relatório final da CPI do Futebol, apontando fraudes dos principais cartolas, incriminou 17 pessoas e foi aprovado pelos 12 membros da Comissão.
Entre os indiciados: empresários como Reinaldo Pitta, que fez fortuna comprando jogadores e depois os vendendo a clubes estrangeiros. Dirigentes de times, como o então deputado federal Eurico Miranda, do Vasco, e Edmundo Santos Silva, do Flamengo. Presidentes de federações estaduais, como Eduardo José Farah, de São Paulo, Elmer Guilherme, de Minas Gerais, e Eduardo Viana, do Rio de Janeiro.
O campeão de acusações foi o presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Lavagem de dinheiro, sonegação, apropriação indébita e evasão de divisas – algumas das acusações que pesaram contra a celebridade.
Escreveu, na época, a Veja: Como a documentação à disposição dos senadores era farta, nenhum dos integrantes da CPI ficou contra o indiciamento da cartolagem. Apenas o senador Gilvam Borges, do PMDB do Amapá, amigão de Ricardo Teixeira, criticou o relatório. Ainda assim, acabou votando a favor. "A verdade é demolidora. Não há resistência capaz de suportar provas documentais incontestáveis", afirmou o senador Álvaro Dias, do PDT do Paraná, que presidiu a CPI.
"Nem os aliados de Ricardo Teixeira tiveram coragem de defendê-lo", comemorou o senador Geraldo Althoff, do PFL de Santa Catarina, que relatou o caso. Nesta semana, a papelada será encaminhada ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, que deverá processar criminalmente os acusados. Era o que Ricardo Teixeira mais temia. Se for considerado culpado de todos os crimes dos quais é acusado, o cartola será condenado a, no mínimo, nove anos e seis meses de cadeia. Pior: já condenado a seis anos de prisão por sonegação, sentença da qual está recorrendo, Teixeira perde o benefício da liberdade concedido aos réus primários. Se sair sentença incriminando-o, vai mesmo para o xilindró.
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Há muitos anos, esporadicamente, os veículos de comunicação tratam do lado mutreteiro do futebol. A revista Placar é a mais insistente em desvendar as sacanagens. O problema é que além de lidar com a paixão dos torcedores o futebol envolve milhões e milhões de dólares e euros. É um dinheiro farto e o risco é mínimo.
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O que diferencia o Clube dos 13 do MST? O primeiro tem CNPJ.
Pode ser até compreensível que algumas esferas da Justiça, tão ciosas em descobrir maracutaias em alguns setores da sociedade, não entrem no “mundo do futebol”. Investigar os Malufs da vida é uma barbada, porque são notórios picaretas.
É complicado pegar no pé, investigar uma máfia.
E, claro, não sou eu quem vai entrar nesse jogo.
Não gostaria de deixar de acordar, com a boca cheia de formigas.
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quarta-feira, 11 de julho de 2018

A Ditadura Sob o Disfarce de "Crédito Social"

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Comprar ou não comprar? Comer ou não comer?  O sistema socialista do 'crédito social' dirá se você pode e o que é que pode. Crédito: Kevin Hong
A cadeia financeira Alibaba, o maior conglomerado de comércio eletrônico do planeta, aliás chinês, já passou a incluir em seu sistema o 'Zhima Credit'.
Esse apresenta, ao fazer login via smartphone, um inexplicado número de três algarismos, entre 350 e 950. 
O jornalista do La Nación de Buenos Aires constatou que seu número era 654, uma qualificação considerada 'excelente'. 
Muitos poucos sabem o que significa. Trata-se da entrada no sistema de pontuação social aplicado por Alibaba, para julgar seus clientes.
Oficialmente é uma nota à conduta dos usuários e um indicador da confiança que merecem.
O algoritmo que fixa a qualificação é extremamente opaco, e considera o que compram, de quem, multas e conduta face aos créditos bancários.
A bicicleta é tudo para muitos milhões de chineses. 
O 'crédito social' dirá quem pode usá-las, quando e como. Rua de Suzhou.
Os usuários melhor cotados podem usar sala VIP em aeroportos, alugar sem fazer depósitos de garantia ou receber empréstimos em condições mais favorecidas.
Uma das principais locadoras de bicicletas da China, Mobike, vai usar a pontuação para penalizar os usuários de baixa nota: terão que pagar o dobro. 
E os qualificados como 'deficiente' terão que pagar até cem vezes mais.
O preço fica inacessível e não terão bicicleta. 
Deixar a bicicleta em local improprio ou danifica-la, violar regras do trânsito, implicará queda na qualificação.
Mas isso não é um sistema empresarial: se trata das primeiras penetrações do “crédito social” que o governo comunista aprovou em 2014 e que está introduzindo paulatinamente.
Em seu bojo contém o mais orwelliano sistema de repressão política. 
Tirou uma selfie?
Um número dirá se você ou seus amigos 
são 'bons' ou 'ruins' para a ditadura.
Crédito: Kevin Hong
Essa começa dissimulada sob rótulos como 'credibilidade jurídica'; 'honestidade comercial', 'integridade social' ou ter manifestado nas redes sociais ideias que desagradam ao regime.
Até a pontuação dos amigos afetará os cidadãos que lhe são próximos.
O sistema, ainda não inteiramente implantado, parece ficção cientifica. 
Em março, a Comissão Nacional para Reforma e Desenvolvimento anunciou que os faltosos na administração serão punidos com a proibição de viajar em avião e em trem de alta velocidade. 
Aqueles que tenham pendências na Justiça ou dívidas importantes também serão atingidos. O veto durará um ano e será emendável.
Em 2017, 6,15 milhões de pessoas foram excluídas desses transportes públicos. 
A jovem Pang [nome fictício por segurança] conta:
fiquei sabendo que não poderia voar quando tentei comprar uma passagem pela internet. Apareceu uma página dizendo que estava na lista negra e que teria que procurar um transporte alternativo”, disse a El País”, de Madri.
Sua única alternativa era um trem que demora mais de 14 horas.
O mais grave é o modo como se cria a lista negra. O pai de Pang não pode pagar um crédito no banco, então a filha foi castigada, malgrado ela tenha obtido um refinanciamento do próprio banco.
A lista negra irá se sofisticando na medida em que se digitalizem ou integrem os diferentes bancos de dados pessoais já existentes.
Viajando? Um número dirá se você pode pegar o metrô, 
o trem ou o avião em função da fidelidade ao regime. Crédito: Kevin Hong
Segundo o governo, o propósito é “restringir os movimentos e operações daqueles que não são confiáveis”.
As pessoas julgadas “incômodas” pelo regime terão cerceadas suas liberdades mais básicas, segundo denunciou Human Rights Watch.
Não há mecanismo de defesa para os “desqualificados” como Pang.
O Grande Irmão chinês está cada vez mais onipresente e onipotente, conclui El País”.
O modelo é exportável como a tecnologia chinesa.
E uma nova raça de párias se espalhará pela Terra selecionada e condenada por computadores manipulados pelo Partido Comunista sob o rótulo de “crédito social”.
Alguém poderá dizer que qualquer semelhança com o 666 do Apocalipse não é mera coincidência:
“16. (...) conseguiu que todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, tivessem um sinal na mão direita e na fronte,
17. e que ninguém pudesse comprar ou vender, se não fosse marcado com o nome da Fera, ou o número do seu nome” 
(Apocalipse, 13, 16-17).
Fonte: adaptação de Pesadelo Chinês

COMENTO:  qualquer semelhança com coisas como a nossa Identidade Única do Cidadão ou o Cadastro Positivo e outras ideias em implantação, são pura coincidência, claro. 
ATUALIZANDO:  O Jornal Metro, edição de Brasília, em sua edição de 18 Jul 18, trouxe um excelente texto demonstrando o que vem por aí em termos de controle da população. Tudo apresentado como "avanços" da tecnologia em prol das pessoas. Acredite!  Vale a pena acessar e verificar na página 05 da publicação em pdf.


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sexta-feira, 22 de junho de 2018

"Trigon" - Espiões Passeando na Noite

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Aleksandr Ogorodnik 
(codinome: Trigon)
Em 22 de junho de 1977 [41 anos atrás],  Aleksandr Ogorodnik, (Trigon), matou-se com uma pílula de veneno fornecida pela CIA, após a KGB detê-lo com base em informes fornecidos por um infiltrado na Agência. Cerca de três semanas depois, a Agente da CIA Martha (Marti) Peterson  sem saber sobre a morte de Aleksandr  foi presa em uma emboscada da KGB enquanto realizava um "dead drop" (Comunicação Sigilosa) em Moscou.
As ruas de Moscou foram um dos mais importantes e perigosos campos de batalha durante a Guerra Fria. Agentes de Inteligência dos EUA como Marti trabalhavam nas sombras com  informantes como Aleksandr, coletando segredos soviéticos. Os soviéticos, por sua vez, vigiavam de perto todos os estrangeiros e os seus próprios cidadãos em busca de sinais de espionagem.
"Trigon" e sua  mini-câmera T-100. 
Credit: SPYCRAFT,
 by Robert Wallace & H Keith Melton.
Embora a história de Trigon tenha terminado tragicamente, os dados que Aleksandr forneceu deram aos analistas dos EUA uma ampla visão sobre planos e intenções da União Soviética (URSS) para sua política externa. E foram esses conhecimentos que ajudaram os EUA vencerem a Guerra Fria.
Recrutamento de um Espião
Aleksandr Ogorodnil era um funcionário de nível médio no Ministério de Relações Exteriores (MFA) da URSS servindo na América Latina, tendo acesso às informações a respeito das intenções soviéticas para a região. Ele gostava de sua vida ao estilo ocidental, considerando-a melhor que o sistema vigente na URSS, que ele considerava opressivo.
A CIA recrutou Aleksandr na América do Sul — Bogotá, Colômbia  em 1973. Ao aceitar espionar para a Agência, ele recebeu o codinome "Trigon".
Ele escamoteava documentos da Embaixada e os levava a um esconderijo, onde eram fotografados por agentes da Agência. O material que ele forneceu deu uma visão incomum sobre as políticas soviéticas na América Latina, incluindo planos para influenciar outros governos.
Retorno à Pátria-Mãe 
Antecipando seu retorno a Moscou, Agentes da CIA ensinaram Métodos e Técnicas Operacionais a Trigon. Ele recebeu treinamento em escrita secreta, uso de códigos de criptografia e procedimentos de "dead drop" (recipiente fixo). Uma das primeiras agentes femininas da CIA a servir por trás da Cortina de Ferro, Marti Peterson, foi enviada a Moscou para ser a controladora de Trigon. Na época, a KGB menosprezava a capacidade feminina de realizar Operações de Inteligência, assim, Marti trabalhou despercebida por mais de 18 meses. 
Instruções de "dead drop" para Trigon
Credito: SPYCRAFT.
O valor de Trigon cresceu expressivamente após o seu retorno a Moscou em Outubro de 1974. Ele concordou em continuar a espionar para a Agência, mas condicionou isto a que o governo dos EUA abrigasse sua namorada que estava grávida. Antes de partir para a União Soviética, Trigon solicitou algum dispositivo para suicídio para o caso de ser pego. Após discussões de alto nível em Langley, seus controladores da CIA relutantemente lhe entregaram uma caneta-tinteiro contendo uma cápsula de cianeto.
Alguns meses depois, conforme suas instruções para recontato, Trigon deu um "sinal de vida" em fevereiro de 1975. Como encontros face a face eram muito perigosos, encontros impessoais operacionais — usando marcas de sinalização, mensagens de rádio, dispositivos de ocultamento, "dead drops— começaram em outubro, sendo repetidos mensalmente.
Por aproximadamente dois anos em que trabalharam juntos, Marti e Trigon nunca se encontraram pessoalmente. Eles foram somente dois espiões "passeando na noite".
Ratos Mortos nos "Dead Drops"
Moscou era um ambiente operacional desafiador. Até mesmo encontrar um simples endereço na cidade era difícil devido aos mapas lá produzidos serem deliberadamente imprecisos. A Agência teve que ser criativa para comunicar-se com seus Agentes, o que regularmente incluía o uso de "dead drops".
Simulacro de pedra para uso em
 "Dead drop". Credit SPYCRAFT.
"Dead drops" era o meio pelo qual o pessoal de Inteligência  recebia ou passava itens de forma sigilosa aos Informantes sem a necessidade de ter um encontro direto.  Costumeiramente, coisas como um tijolo ou uma pedra falsa podem ser usadas como um "dead drop". Contendo mensagens ou suprimentos, esses artefatos podem ser depositados em locais pré definidos, como um canteiro de obras, para posterior recolhimento pelo destinatário.
Um dos mais surpreendentes dispositivos de ocultação usados pela CIA eram ratos mortos. A cavidade de seus corpos era suficientemente grande para conter um maço de dinheiro ou um rolo de filme fotográfico. Um pouco de molho de pimenta-do-reino mantinha os gatos afastados, após o "rato morto" ser jogado pela janela de um carro em um ponto combinado previamente de uma estrada.
Bolsa de Marti Peterson, usada
 nos "dead drop" em Moscow.
Marti usou uma bolsa para esconder suprimentos e equipamentos que ela transferiu a Trigon em coberturas de pontos de "dead drops".  Por causa do preconceito da KGB em relação à atuação feminina, a bolsa, assim como a própria Marti, não atraíram suspeitas.
A Toupeira ou O Infiltrado
Trigon logo conseguiu um cargo no Departamento de Assuntos Globais do MFA que lhe dava acesso a mensagens enviadas e recebidas das embaixadas soviéticas em todo o mundo. Ele forneceu dados sensíveis de Inteligência sobre planos e objetivos da política externa da URSS. Suas resenhas chegaram ao Presidente e altos elaboradores da política norte-americana.
Enquanto isso, Karl Koecher, cidadão norte-americano naturalizado, trabalhava na CIA como tradutor e funcionário contratado. Sem o conhecimento da CIA, ele também trabalhava simultaneamente para o Serviço de Inteligência da República Tcheca. Ele teve acesso a informações sobre as primeiras negociações da Trigon com a Agência e informou a seu serviço de inteligência, que então notificou a KGB.
Ponte Krasnoluzhskiy Most,
em Moscow local de dead drop
Credit SPYCRAFT.
Não se sabe quando isso ocorreu, nem em que época o KGB iniciou a investigar Trigon. No início de 1977, todavia, os Encarregados de Caso começaram a notar indicações — principalmente um declínio acentuado na qualidade das fotografias — de que ele havia sido comprometido e estava sob controle da KGB.
A Ponte Krasnoluzhskiy
Trigon nunca compareceu ao encontro agendado para 28 Jun 1977, assim, foi marcado outro por mensagem de rádio, para duas semanas depois.
Em 15 de julho, Marti foi até Krasnoluhskiy Most — uma ponte ferroviária próxima ao Estádio Central Lenin — para efetuar um "dead drop". A ponte atravessa o Rio Moscou e tem uma passarela para pedestres ao longo de um dos lados dos trilhos. Um local havia sido preparado para que Trigon pudesse pegar uma "encomenda" de Marti, e deixar um pacote que seria recolhido por ela mais tarde, naquela mesma noite.
Marti presa. 
Credit SPYCRAFT.
Quando a noite caiu sobre Moscou, Marti deixou um artefato disfarçado em uma estreita janela dentro da torre de pedras na Krasnoluzhskiy Most. Era uma armadilha.
Uma equipe de vigilância da KGB estava esperando e deteve Marti. Eles a levaram para a prisão de Lyubianka, onde ela foi interrogada por horas e fotografada com alguns equipamentos de espionagem que Agentes, e Trigon, costumam usar. Ela foi declarada "persona non grata" (uma pessoa indesejável) e enviada de volta aos EUA imediatamente.
Mais tarde, a Agência descobriu que Alexander Ogorodnik havia se suicidado um mês antes da detenção de Marti. Ele teria dito à KGB que faria uma confissão por escrito e, para isto, pediu sua própria caneta. Marti escreveu em seu livro de memórias, "The Widow Spy", que ele "abriu sua caneta como se fosse iniciar a escrever e mordeu o reservatório, expirando instantaneamente em frente aos seus interrogadores do KGB. Estes estavam tão concentrados em sua confissão que nunca suspeitaram que o reservatório de tinta da caneta continha veneno ... Trigon morreu à sua própria maneira, como um herói,"
Fonte: tradução livre de CIA
COMENTO: por tratar-se de um texto contendo expressões técnicas, pode ter ocorrido algum equívoco devido ao meu precário domínio da língua inglesa.  Um termo que pode gerar dúvidas é o "dead drop", cuja melhor tradução seria "receptáculo fixo", mas que eu preferi deixar como o original.  Qualquer colaboração no sentido de melhorar a compreensão do texto será bem-vinda.
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domingo, 10 de junho de 2018

Ali Soufan: O Agente Muçulmano do FBI Que Perseguiu a Al Qaeda

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Sua história chegou às telas com a série The Looming Tower (A Torre Elevada)
Soufan e sua Thompson, que o FBI presenteia a seus agentes que se aposentam
Pouco se conhece a seu respeito a não ser que trabalhou no FBI. Sim, Ali Soufan era um dos agentes que perseguiram a Al Qaeda. Mas é muito mais que isso. Se trata de um imigrante muçulmano que fugiu da guerra para alcançar seu sonho americano.
Ele nasceu no Líbano, há 46 anos, durante uma brutal guerra civil que golpeou o país entre 1975 e 1990. Emigrou para os Estados Unidos quando era adolescente, foi presidente de grêmio estudantil na universidade e sonhava fazer um doutorado em Cambridge, Inglaterra.
Enquanto perseguia esse sonho, ele enfrentou um desafio: candidatou-se a um trabalho no FBI e foi o único de seus amigos que resultou selecionado.
Soufan era o único conhecedor da língua árabe no Grupo Especial Antiterrorismo do FBI em Nova York. 

Danos no USS Cole
A ele foi encomendada a missão de investigar a Al Qaeda após os bombardeios das embaixadas norte-americanas no leste africano - em Nairobi, no Quénia, e em Dar es Salaam, na Tanzânia - em 1998 e o ataque ao destróier USS Cole no Iêmen em 2000.Viajou pelo mundo interrogando suspeitos, mas a Inteligência dos EUA não conseguiu impedir os ataques de 11 de setembro de 2001 que mataram quase 3.000 pessoas nos Estados Unidos. Uma das vítimas foi o ex chefe de Soufan, John O'Neill.
Ele viu os ataques pela televisão quando estava no Iêmen, e os descreve como "o momento mais devastador" de sua vida. Depois lhe entregaram um envelope pardo com as informações de Inteligência que estava pedindo desde novembro de 2000. Soufan acredita que, se houvesse recebido esses dados antes, poderia ter impedido os ataques.
"Não sei se irritado é a melhor palavra. Destroçado. Não conheço o sentimento. Não conheço o melhor termo para descreve-lo, inclusive hoje", disse à AFP em uma recente entrevista em seu escritório de Nova York, com uma bandeira dos EUA por detrás dele.
A amarga rivalidade entre a CIA e o FBI que inadvertidamente abriu caminho ao "11 de Setembro" é dissecada em "The Looming Tower" (A Torre Elevada), uma nova minissérie televisiva transmitida pelas plataformas Hulu e Amazon Prime. É uma adaptação do livro homônimo de Lawrence Wright que ganhou o Pulitzer e é um êxito de vendas.Mais que uma serie de TV
Na televisão, Soufan é interpretado pelo ator francês Tahar Rahim - os dois se tornaram amigos - e seu chefe do FBI John O'Neill por Jeff Daniels.
Soufan se sente muito gratificado pelo fato de o programa educar uma nova geração sobre o "11 de Setembro", desafiar os estereótipos muçulmanos e enviar uma mensagem aos jovens, em particular aqueles que têm origem imigrante e podem se sentir discriminados.
"Isto não é só uma serie de TV. Este é um serviço público", diz.
"Há tantos jovens crescendo em comunidades nos Estados Unidos, em Paris, em Bruxelas, em Londres e sentindo que não se encaixam... Estamos tratando de chegar neles e dizer que não deixem que o cinismo os liquide, não acreditem na Al Qaeda ou no ISIS (EI) e suas narrativas", acresce.
Na vida real, Soufan é um brincalhão de extrema inteligência que pede desculpas por não estar vestido de terno e gravata para as câmaras.
Mostra contente uma metralhadora Thompson, o primeiro tipo de arma que o FBI usou contra a máfia nos anos 1930, e que hoje são entregues como regalo aos que se aposentam da instituição.
"Agora temos coisas sofisticadas", brinca Soufan. "Sofisticadas e muito efetivas".
Soufan se opunha à tortura e deixou o FBI em 2005. Dois anos depois, fundou uma empresa de segurança que trabalha com governos de todo o mundo.
"Nunca me senti discriminado"
"Era hora", diz sobre sua decisão. "Não tens que estar dentro para fazer do mundo um lugar melhor, e isso é o que tratamos de fazer aqui".
O Soufan Group, que emprega funcionários inativados da CIA e do FBI, oferece consultoria e treinamento a governos, corporações, agencias policiais e de Inteligência através do mundo.
Reconhecido especialista em segurança e autor, Soufan considera que a principal ameaça é a cibernética. Mas também tem dificuldades em imaginar a um jovem muçulmano do Oriente Médio que se adapte tão facilmente aos Estados Unidos polarizados de hoje.
"Creio que Estados Unidos foi muito bom comigo em tantos sentidos diferentes. Mesmo quando era uma criança e um jovem, nunca me senti discriminado".
Defensor da imigração, entende a necessidade de tratar o tema dos indocumentados, mas garante que isolar as comunidades não é a solução.
Em seu escritório há uma foto sua com Barack Obama, mas nunca falou com Donald Trump.
¿O que diria a ele se vocês se encontrassem? "Creio que o trabalho de um líder é liderar, não confundir", responde.
Fonte: AFP
Fonte: tradução livre de El Observador