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terça-feira, 4 de outubro de 2011

Petista Feiosa Tenta Censurar Modelo Bonita

por Janer Cristaldo
Não tenho maior apreço por Gisele Bundchen. Nada pessoal. É que não tenho apreço algum pelas celebridades construídas pela mídia. Sem querer bancar a raposa ante as uvas: se a encontrasse em um bordel, seria a última das mulheres que eu pensaria fretar. Não que ela seja feia, nada disso. Mas é de uma beleza insípida, hollywoodesca, sem sal. Pessoalmente, prefiro mais tempero. 
Dito isto, a moça está sendo alvo de uma sórdida campanha desfechada pela Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) da Presidência da República, que enviou, na terça-feira passada, um ofício ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) pedindo a suspensão de uma campanha da fabricante de roupas íntimas Hope, estrelada pela modelo.
Os vídeos da campanha, chamada “Hope Ensina”, mostram a Bundchen contando ao marido que bateu seu carro e estourou o limite do cartão de crédito. Primeiro, Gisele revela os problemas vestida com roupa e, na sequência, apenas de lingerie. A propaganda diz que a primeira maneira é errada e, a segunda, a correta. E incentiva as brasileiras a usar seu charme.
Segundo a SPM, a campanha da empresa ensina como a sensualidade pode deixar qualquer homem derretido. Nela, a modelo Gisele Bundchen estimula as mulheres brasileiras a fazerem uso do corpo e insinuações “para amenizar possíveis reações de seus companheiros frente a incidentes do cotidiano”.
E daí? Qual mulher não usa suas armas para passar bem? Segundo a ministra Iriny Lopes, que pediu a suspensão da propaganda, há queixas de que a campanha da Hope reforça o estereótipo da mulher como objeto sexual e ignora as conquistas da sociedade contra o sexismo (discriminação baseada no sexo). Por isso, o comercial da Hope estaria infringindo os artigos 1° e 5° da Constituição Federal que tratam da dignidade da pessoa humana e da igualdade perante a lei, respectivamente.
Ou seja, voltamos aos meados do século passado, quando as feministas – inspiradas em Simone de Beauvoir – lançaram a ideia estúpida de objeto sexual. Curioso observar que só a mulher é objeto sexual. O homem, nunca.
Ora, sexo é um valor, moeda que sempre teve alta cotação ao longo da história. Por que as mulheres não podem utilizá-la? Há um ranço católico tardio, empunhado pelas feiosas, nessa investida da SPM. Se o leitor procurar uma foto da ministra Iriny, forçosamente há de concordar comigo. A moça  estou usando de um eufemismo está no PT desde 1984 e pertence à ala mais radical do partido, simpática ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), aquela quadrilha de narcotraficantes que se pretendem guerrilheiros. Nada sei da ministra, mas é bastante provável que tenha um passado igrejeiro. Feia ela é. Só falta ser católica.
Só o que faltava, neste país em que a sensualidade feminina é usada até para vender pneus e parafusos, proibir que uma modelo use seus atributos para seduzir o marido, em uma peça publicitária. A história é antiga e se repete. Ano passado, o anúncio de lançamento da cerveja Devassa Bem Loura, estrelada por Paris Hilton, caiu na mira do Conar, que abriu quatro processos contra a campanha do Grupo Schincariol, criada pela agência paulista Mood. 
Três dos quatro processos diziam respeito ao suposto excesso de apelo sexual contido na propaganda veiculada na TV e no site da marca. A primeira denúncia foi de um consumidor, que reclamou da abordagem sexualizada das peças. A segunda reclamação era proveniente da famigerada Secretaria de Políticas para Mulheres, que alegou que a propaganda tinha conteúdo sexista. O terceiro processo foi aberto a pedido da Cervejaria Petrópolis, concorrente do Grupo Schincariol, que produz as cervejas Itaipava e Petra, entre outras. A fábrica concorrente também alegou que o conteúdo da campanha é muito sensual. 
Pecado. Anátema seja! O anúncio, exibido na TV durante o carnaval passado, mostrava a modelo norte-americana dançando e fazendo poses dentro de um apartamento. Vestida com um vestido preto, Paris Hilton pega uma lata da cerveja da geladeira e passa a lata por seu corpo, enquanto é observada por admiradores que estão na praia e fotografada por um homem, aparentemente seu vizinho. O Conar considerou que o comercial fazia apelo sexual e o removeu do ar.
Sou totalmente refratário ao mundo da publicidade. Abomino toda e qualquer propaganda. Tenho um olhar seletivo. Um jornal pode anunciar um produto qualquer em página inteira e eu não o enxergo. Aconteceu há alguns anos. Eu lia um jornal em um café e fui abordado por uma marqueteira. Queria saber se eu havia visto algum anúncio das casas Bahia. Respondi que não. Ela pegou o jornal e mostrou-me. Havia seis anúncios das tais de casas, de página inteira e de meia página. Eu não havia visto nenhum.
Posso ser refratário à publicidade, mas sei muito bem em que mundo vivo. Vivo no Ocidente capitalista, cuja mola é a publicidade. Em minhas andanças, encontrei não poucos publicitários que se pretendiam de esquerda. Não fecha. Capitalismo nada tem a ver com esquerdas. Publicidade tem de apelar ao que promete prazer aos consumidores. Sexo ainda é, desde o início dos tempos, o mais poderoso fator de prazer. Ou a humanidade não se perpetuaria. 
Só uma petista feia para censurar uma modelo bonita em uma propaganda de lingerie. Claro que a sensualidade deixa qualquer homem derretido. Se a Bundchen fosse feia como ela, certamente a ministra não estaria falando em objetos sexuais.
Fonte:  Janer Cristaldo
COMENTO:  não vou concordar plenamente com o ator do texto. Quanto à sua opinião sobre a Ministra, para não ser "politicamente incorreto", eu diria que ela não é feia, ela simplesmente não está em conformidade com os padrões de satisfação visuais masculinos. Quanto à propaganda em si, também discordo. Temos no Brasil muitas propagandas que são melhores de assistir do que a programação a que patrocinam. Me parece até que por trás desses "movimentos censuratorios" pode ter corrido algum "jabá" a fim de chamar a atenção do distinto público.  A "censura" já alavancou tanta porcaria "neçepaíz" que "conhecendo os bois com que lavro", como costuma escrever o Janer, isso não me espantaria nem um pouco.
Acrescento, ainda, parte do texto do blogueiro Aluizio Amorim sobre o mesmo assunto: "A mesma Gisele Bündchen há alguns meses protagoniza uma hilária campanha para a TV paga Sky, onde aparece esfregando chão e limpando janelas, linda e submissa a um marido que não larga o controle remoto. Em uma das peças, ele a manda pegar cerveja. Em vez de um “por favor”, ele a chama de “gostosa”. Ninguém reclamou. "
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domingo, 2 de outubro de 2011

Norueguesa Analfabeta é Entrevistada pela Folha

por Janer Cristaldo
Há muita desinformação nos jornais sobre o mundo árabe. O que talvez explique essas bobagens que jornalistas andam escrevendo sobre a tal de primavera árabe. Por exemplo: em 2002, o terror palestino conseguiu inovar. Surge, naquele ano, uma nova palavra na mídia, mulher-bomba. Três meninas se explodiram, uma com 28 anos, outra com 21 e a terceira com 18. A mais velha nem havia chegado à metade da vida. Claro que não faltou, na época, uma feminista tardia e de poucas luzes, suficientemente irresponsável para louvar a nova conquista de seu sexo.
A sale besogne coube a Marilene Felinto, da Folha de São Paulo. Eterna defensora das piores bandeiras que o engenho humano concebe, a colunista considerou que é pelo suicídio que as muçulmanas se igualam aos homens. “As mulheres-bombas muçulmanas são a glorificação do suicídio pelo estoicismo, pelo auto-sacrifício - elas agem no intuito de que a justa defesa do bem público prevaleça sobre o direito do agressor ao corpo e à vida”.
Ora, no mundo muçulmano, nem pelo suicídio a mulher se iguala ao homem. A jornalista, que acabou sendo ejetada do jornal, demonstrou desconhecer a história de ontem. Para o sacrifício, até mulher serve. Aconteceu na guerra da Argélia. Na hora de carregar bombas para matar franceses, a mulher teve um papel a desempenhar. Finda a guerra, voltou para a cozinha fazer cuscuz. Logo depois, se não usasse véu, corria o risco de ter o rosto desfigurado para sempre com ácido. Como as afegãs. Enquanto serviam como execração dos taleban, exibiam seus belos dentes. Derrotados os taleban, voltaram a esconder o rosto na burca. 
Fanatismo e ignorância andam sempre de mãos dadas. A insipiência da jornalista era tamanha, a ponto de falar em “quilos de dinamite que carregam por baixo das sete saias do xador (sic!)”. Ora, o chador é usado pelas iranianas. Consiste em uma capa que esconde todo o corpo e deixa o rosto descoberto. Foi proibido temporariamente pelo xá Reza Palhevi e nada tem a ver com palestinas. E muito menos com árabes.
Diga-se de passagem, o dicionário Houaiss dá uma definição errada de chador: “traje feminino usado em alguns países muçulmanos, especialmente no Irã, que cobre todo o corpo, à exceção dos olhos”. Dois erros. Primeiro, não é que seja usado especialmente no Irã. É usado só no Irã. Segundo, não deixa apenas os olhos a mostra, mas todo o rosto.
Na época, vi um documentário sobre o Afeganistão no National Geographic Channel. Mostrava mulheres de burca - véu que mais parece uma gaiola, com uma espécie de grade cobrindo o rosto - e a todo momento a locução falava em chador. A televisão é poderosa. Quem não sabe o que é burca, acaba achando que as afegãs usam chador. Que uma pessoa sem maiores luzes confunda burca com chador, entende-se. Que um canal de televisão difunda este erro é mais grave. Todo analfabeto passa a afirmar, de boca cheia, que as afegãs usam chador. Televisão é cultura.
Em meus dias de Folha de São Paulo, recebi uma matéria do correspondente do jornal em Paris. Ele falava do Instituto de Cultura Árabe, “que reúne países como Egito, Tunísia, Argélia, Irã...” Eu o atalhei:
- Calma, companheiro. Irã não é árabe.
- Como que não é árabe?
- Irã é persa.
Perplexidade do outro lado da linha. O arguto correspondente internacional da Folha não sabia o que era persa.
Em meio a isso, tenho uma amiga que me recomendou o bestseller O Livreiro de Cabul, da jornalista e escritora norueguesa Asne Seierstad, sabatinada ontem pela Folha, no auditório do jornal no shopping Higienópolis, aqui ao lado de casa. Claro que não fui lá. Em primeiro lugar não leio bestsellers. Em segundo, jamais perderia meu tempo ouvindo um autor de bestsellers.
Mas li trechos da alocução da moça na Folha. Asne falou sobre sua experiência de 18 anos cobrindo conflitos internacionais e também comentou os ataques terroristas, que deixaram 77 mortos em seu país. Falando sobre a “invasão ocidental”, afirma:
- Sou radicalmente contra a invasão estrangeira. A maior parte dos afegãos vê isso como uma ocupação e seus atos denotam essa preocupação. Temos de pensar em outras formas de lidar com os conflitos no mundo árabe.
Vá lá! Pode-se até dar um desconto. Vai ver que a jornalista falava do Afeganistão e depois ajuntou o mundo árabe a seu discurso. Ocorre que ela reincide:
- A burca se tornou um símbolo do quanto as mulheres afegãs são oprimidas e essa questão vai muito além do vestuário. No mundo todo, as mulheres nunca tiveram nada de graça. Cabe ao mundo ocidental ensinar as mulheres árabes a conquistarem poder.
Ora, Afeganistão nada tem a ver com mundo árabe. E burca muito menos. Curiosamente, o encontro teve mediação de Paulo Werneck, editor do caderno Ilustríssima. Também participaram o repórter de Mundo Samy Adghirni; a professora de história e cultura árabe da USP Arlene Clemesha e o editor de Internacional do UOL Notícias, Edilson Saçashima. Nenhum destes especialistas fez qualquer objeção a esta solene besteira proferida pela jornalista norueguesa.
- Como jornalista, meu objetivo é reportar o que eu vejo. Mas acho que somos reflexo da nossa criação. Cresci nos anos 70, sou filha de pais liberais e de mãe feminista. Nas minhas reportagens, muito embora eu seja objetiva, acredito que seja possível enxergar o meu ponto de vista nas entrelinhas.
E bota objetividade nisto. A moça, que já escreveu um livro sobre Cabul, sem saber que o Afeganistão não é árabe, pretende agora escrever um outro sobre a Líbia. Depois que a imprensa internacional descobriu – ó perspicácia! – que Kadafi era um ditador, Kadafi se tornou rentável. 
O livro será certamente mais um bestseller.
Fonte:  Janer Cristaldo

As Fotos Explicam Por Si

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Em 31 de outubro de 2007, uma menina com 15 anos, 1m50 de altura e 38 quilos foi presa por tentativa de furto numa casa de Abaetetuba, cidade paraense a quase 100 quilômetros de Belém. Durante o interrogatório, declarou a idade à delegada de plantão Flávia Verônica Monteiro Teixeira. Por achar o detalhe irrelevante, a doutora determinou que fosse trancafiada na única cela do lugar, ocupada por homens. Já naquela noite, e pelas 25 seguintes, o bando de machos se serviu da única fêmea disponível.
Depois de 10 dias de cativeiro, a garota foi levada à sala da juíza Clarice de Andrade. Também informada de que a prisioneira tinha 15 anos, a segunda doutora da história resolveu devolvê-la à cela. A descoberta do monumento ao absurdo não reduziu a força do corporativismo criminoso: por decisão do Tribunal de Justiça do Pará, ficou estabelecido que o comportamento da juíza Clarice não merecia qualquer reparo. Meses mais tarde, a magistrada foi punida com a aposentadoria compulsória pelo Conselho Nacional de Justiça.
A Secretaria de Políticas para as Mulheres, uma inutilidade inventada pelo governo Lula, não deu um pio sobre o caso.
O pesadelo ocorrido em 2007 foi reprisado há três semanas na colônia penal agrícola Heleno Fragoso, que abriga 320 condenados em Santa Isabel do Pará, a 70 quilômetros de Belém. Desta vez, de novo com a conivência de funcionários da instituição, uma brasileira de 14 anos ficou quatro dias em poder de cinco presos. “Eu e outras duas meninas que ficaram lá também”, informou a garota em 19 de setembro. “Lá dentro eles obrigaram a gente a usar droga e a beber. Eles esqueceram a porta aberta, porque lá eles deixam a porta trancada. Foi quando consegui fugir”.
A Secretaria de Políticas para as Mulheres, uma inutilidade mantida por Dilma Rousseff, não deu um pio sobre o caso.
Não se sabe qual é a posição que meninas violentadas em cadeias ocupam no ranking de prioridades de Iriny Lopes, ministra-chefe da secretaria.
O que o país acaba de descobrir é que a lista é encabeçada pelas peças publicitárias da Hope Lingeries protagonizadas por Gisele Bündchen. Lançada no dia 20, a campanha mostra qual é a melhor maneira de transmitir más notícias ao marido. No vídeo abaixo, por exemplo, Gisele primeiro conta que bateu o carro usando trajes pouco sedutores. Esse é o método errado. Em seguida, ela repete a notícia semi vestida com uma lingerie da Hope. É muito mais sensual. E é esse o jeito certo. “Você é brasileira, use seu charme”, ouve-se dizer uma voz masculina. Confira:
No terceiro dia da campanha, movida por “diversas manifestações de indignação contra a peça”, Iriny contra-atacou com dois ofícios. Num, comunicou ao empresário Sylvio Korytowski, diretor da Hope, seu “repúdio” ao desempenho da top model. Noutro, pediu ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, o Conar, que o comercial fosse suspenso. Como a subserviência e a pressa andam de mãos dadas, já nesta quinta-feira o Conar abriu processo contra Gisele de calcinha e sutiã. Atendeu a queixas formuladas por 15 espectadores. Isso mesmo: quinze.
Quinze mais Iriny: A propaganda promove o reforço do estereótipo equivocado da mulher como objeto sexual de seu marido e ignora os grande avanços que temos alcançado para desconstruir práticas e pensamentos sexistas”, declama a ministra. “Também reforça a discriminação contra a mulher, o que infringe a Constituição Federal”. Os avanços passam ao largo de cadeias em delegacias e presídios no campo. E o governo só consegue enxergar discriminação num comercial de alguns segundos na TV.
A exemplo dos colegas de primeiro escalão, Iriny não assina sequer um cartão de Natal sem a autorização de Dilma Rousseff. (Embora não consiga lidar com mais de um assunto por vez, o neurônio solitário faz questão de ser consultado até sobre o cardápio das recepções no Itamaraty). É claro que a ofensiva de Iriny foi combinada com quem, depois de se tornar a primeira mulher a abrir uma assembleia da ONU, virou doutora em questões femininas.
O Brasil anda infestado por tumores que crescem sob o olhar complacente do governo. Exploradores da prostituição infantil, pedófilos impunes, pais que violentam filhos e outras obscenidades vão transformando o país num viveiro de crianças traídas. Com tantas meninas estupradas por aí, Iriny cismou com Gisele Bundchen. Eis um caso que foto explica.
COMENTO:  Num país, onde a televisão e as salas de cinema, revistas, jornais, mídia em geral, estão cheios de publicidade de cervejas, onde aparecem 'gostosas' aos montes, (Juliana Paes que o diga) ninguém se manifestou contra. Porque será agora, essa hipocrisia num comercial até bem humorado, onde Gisele aparece? Será por ser ela. Ou é a dor de cotovelo e o despeito que movem as línguas ferinas, que estão sempre prontas a protestar, quando aparece uma brechinha, uma pequenina chance para isso que seja? (na realidade o comentário me foi repassado pelo "web-colega"  S. MASSA)
ATUALIZANDO: 
Hoje o Julio Ribeiro escreve:
Gisele pode encerar chão e lavar louça
Algumas coisas no Brasil são muito difíceis de entender. Outras beiram ao ridículo, como essa iniciativa da Secretaria de Políticas para Mulheres, do governo federal, de pedir ao CONAR a suspensão de comerciais da Hope, estrelados pela modelo Gisele Bündchen.
É ridículo, porque a propaganda brasileira está cheia de comerciais semelhantes, que brincam com as diferenças entre homens e mulheres, que usam a “guerra de sexos” como mote ou que simplesmente usam homens e mulheres em papéis “desvantajosos” e nunca se viu uma mobilização oficial semelhante.
A própria Gisele faz o papel de uma dedicada dona de casa num comercial da Sky e não se ouviu nada a respeito. Quer dizer, lavar louça, encerar a casa pode, o que não pode é a mulher usar a sua sensualidade para agradar ao marido?!!
Outra, marido pode fazer papel de babaca, de corno e idiota, como em vários comerciais dos quais já comentamos nesse espaço? Aí não é sexismo?
Ora, por favor, que a Ministra Iriny Lopes vá gastar seu tempo e a estrutura de sua Secretaria em coisas mais úteis. Não precisa tutelar o telespectador. Ele já descobriu o controle remoto!
Fonte:  Blog do Prévidi
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domingo, 18 de setembro de 2011

A Raiva da Femme Fatale

por Ricardo Menéndez Salmón
Dentro do riquíssimo, variado e longevo imaginário do Ocidente, a mulher tem merecido desde cedo, já nos textos seminais da cultura, uma consideração pejorativa. Não parece necessário insistir nos textos sagrados, com Eva à cabeça dos princípios negativos que regem o mundo, que a mulher com sua atitude destrói a ordem edênica e lança seu companheiro - e com ele a todos nós outros - ao mundo de esforço e dor que ainda hoje padecemos.
Galeria de fotos: Laura Acuña
O Pecado Original é uma queda que traz o signo da feminilidade entre seus escombros. A fruta proibida apresenta uma mordidela de mulher em sua carne apetitosa porém putrefata. A ideologia masculina que faz da imagem da mulher um elemento de desordem surge cedo, e o faz sempre em seus aspectos exemplares. É sabido que educar no medo é uma escola que gera amplos créditos.
Claro que os textos profanos não resultam menos explícitos. Basta pensar em algumas das protagonistas que  estruturam a identidade do povo grego - nosso ancestral mais assinalado em muitos aspectos -, para degustar o fel da discórdia. É uma mulher, Helena, que com sua beleza desencadeia as guerras cantadas por Homero.
Os rapsodicos passaram discretamente sobre a ardente vontade de Paris, o ladrão de formosura, ou sobre as culpas do marido ciumento, o corno Menelau, para carregar as tintas do agravo sobre a princesa raptada, cuja peripécia entre dois mundos, o aqueu e o troiano, precipita matanças inumeráveis, desgraças sem  nome e todo tipo de cataclismas. A beleza se orienta desde seus alvores como fatalidade.
E o que dizer de Circe, a maga e bruxa, em cujas redes um dos caudilhos de Ilíada - o astuto e moderno Ulisses -, cai no regresso à sua moderada Ítaca. Circe é a envenenadora caprichosa que, por amor a um homem, converte em cervos os heróis gregos e os lança a um destino de bestas. A feitiçaria também desde cedo é restrita à imagem das mulheres. O contato da fêmea com os arcanos obscuros resulta quase uma petição de principio. A presciência é uma faculdade eminentemente feminina. Não há bolas mágicas em mãos varonis.
O que acrescentar que não já tenha sido dito sobre as Sereias, essas arrebatadoras forças que com seu canto enlouquecem os homens, transformam sua razão em delírio e varrem qualquer esperança de prudência? Corpos ambíguos, que pertencem ao mar e à terra, na posse de poderes inescrutáveis, e por outro lado objetos de perdição mediante o simples expediente de empregar sua voz. Não convém prestar ouvido aos cantos de mulheres: os trinados fúnebres, as palinodias de amor, as mais inocentes melodias podem levar em seu interior uma mensagem de desastre.
Pensemos por último, para não abandonar o mundo clássico, no teatro de Sófocles, Eurípides e Esquilo, esse recipiente do qual os gregos se serviram para educar, disciplinar e comover, e onde Medéia fecha com nota insuperável esta combinação de presenças violentas, confabuladas para domesticar, transformar e, em definitivo, destruir os homens. Nenhuma heroína da Antiguidade supera a sacerdotisa de Medéia em malignidade. Ela é a mulher capaz de cometer, por despeito, o crime de filicídio: matar a seus próprios filhos.
Mulheres que desobedecem aos deuses, mulheres cuja beleza transtorna aos homens, mulheres capazes de mudar a humanidade em animalidade, mulheres que só com o abrir a boca perturbam os sentidos, mulheres canibais do sangue de seu sangue. Em um termo: mulheres fatais.
Mudam os tempos e as artes, porém não mudam os aprendizados. Estas anciãzinhas perversas foram fecundas em descendência. Tenho ante meus olhos, enquanto redijo estas linhas, duas pinturas do final do século dezenove e começos do século vinte. As escolho por que são muito distintas em forma, em talento e no ponto de vista que adotam, porém por que ambas seguem contando a velha historia da mulher perversa.
Na primeira, datada em 1898 e titulada La tentación de San Antonio, um pintor menor, Lovis Corinth, retrata o probo asceta rodeado por um montão de formosas criaturas. Veladas ou desnudas, ruivas ou morenas, delgadas ou generosas em carnes, todas tentam acercar-se ao homem que se arranca os cabelos com uma mensagem em seus lábios: toca-me e arderás nos prazeres do inferno. A mediocridade da pintura não diminui potencia à mensagem que traslada: estas mênades ameaçam devorar bem mais que os genitais do bom Antonio.
A segunda pintura é muito bela. Datada em 1905 e realizada por Albert von Keller, Baronesa B. mostra uma mulher acomodada em companhia do que parece ser sua filha. A solidão que rodeia a mulher, e o fato de que está acompanhada por uma menina, não nos devem enganar. Esta baronesa parece infinitamente mais perigosa que a caterva de mulheres que rodeiam o santo.
Uma noite nesse leito, junto às peles que o rodeiam, as sedas insinuantes e a boca lasciva da modelo, faz empalidecer as desventuras do jovem Harker com as servas do conde Vlad na Transilvânia.
Em silencio, com o simples gesto melancólico de seus lábios entreabertos, a baronesa nos promete toda a desdita que encerra um corpo belo. Que pose com sua filha só acrescenta a estatura do dano. Ao fim e ao cabo, dentro de uns anos essa menina nos prometerá uma torrente parecida de desgraças.
Mais de vinte e cinco séculos mediam entre as fontes escritas do delírio feminino e estas representações pictóricas de uma mesma enfermidade. Galileu, as viagens transoceânicas, a Revolução Francesa, o magistério de Kant ou os ensinamentos de Darwin não lograram que nos desprendamos do manto de superstição: mutatis mutandis, as mulheres seguem sendo perigosas.
Deixo atrás a literatura e a pintura. Volto a mirada para a arte jovem do século passado, o cinema. Minha  humilde filmoteca me sacode. Barbara Stanwyck em Perdição, Gloria Grahame em Os subornados, Rita Hayworth em Gilda, Ava Gardner em Pandora ou Linda Fiorentino em A Última Sedução sussurram o que há tempo sabemos: a mulher é uma fruta lasciva e corrupta, por cuja posse os homens matam, roubam, mentem, enlouquecem e traem  bandeiras, credos e princípios.
Porém já sabemos que a arte é extensa e a vida é curta. Com a mulher fatal ocorre o mesmo que com a baleia branca de Melville. Todos falam dela, porém muito poucos a tem visto. Minha educação sentimental e intelectual está repleta de mulheres sombrias, destruidoras, devoradoras; minha experiência pessoal me conduz a supor que essas mulheres só existem na imaginação culposa e culpável dos homens.
Projeções de um inconsciente torturado, ou simplesmente manifestações de um desejo não cumprido, nunca saciado, as mulheres que bebem absinto, se drogam com ópio e copulam a dentadas sob a lua cheia dos Cárpatos resultam suspeitosamente poucas como para ter sido frequentadas por tantos homens. Só houve uma Salomé; só uma Judith; só uma Mata Hari. O resto, o lugar comum, nos fala de mulheres correntes, mais ou menos formosas, mais ou menos inteligentes, mais ou menos cativas de seus medos.
Assim aproveitemos a politica-ficção e nos revolvamos no prejuízo. No ano 2400, quando o mundo seja chinês e as mulheres tenham tomado o poder, abundarão novelas, pinturas e películas povoadas por um novo tipo de ser. As heroínas que então regressem da guerra cairão em mãos de bruxos com capacidade de convertê-las em servas eletrônicas; as artistas representarão sobre leitos virtuais a homens lascivos posando junto a suas mascotes biônicas; as películas do século vinte e cinco, que veremos dentro de nossos cérebros, e não sobre telas de plasma, mostrarão machos armados com raios lazer e dotados de pênis de fibra ótica e vanádio, que tentarão convencer às vítimas da vez de que uma noite entre seus braços lhes promete um mundo de delito, concupiscência e fatalidade.
Pena não estar lá para aproveitar. Certamente, me encantaria representar o papel de homme fatal.
Fonte:  tradução livre da Revista Don Juan
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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Saudades da Guerra Fria

por Janer Cristaldo
A cada dia que passa, o mundo se torna cada vez mais medíocre. Não bastasse essa tal de Parada Gay, onde a bicharada exibe sua sexualidade nas ruas, surge agora o dia do orgulho hétero. Ainda há pouco, eu me espantava com o número de marchas em São Paulo. Pelo jeito, teremos mais uma, marcada para mês que vem, a do orgulho heterossexual. Projeto de lei aprovado pela Câmara Municipal prevê a data oficial em todos os terceiros domingos de setembro.
Sexualidade, a meu ver, é questão de foro íntimo de toda pessoa. Sem ser moralista, me parece um tanto obsceno sair proclamando nas ruas: olha, gente, eu sou homo, eu sou hétero. Para quando teremos a marcha dos bi?
A Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) – bicha agora tem sindicato – chiou. Em carta aberta a Gilberto Kassab, pediu que o prefeito vete o projeto de lei do vereador Carlos Apolinário, membro da igreja Assembléia de Deus, aprovado na Câmara na terça-feira passada. Para a entidade, há motivos históricos para haver o Dia do Orgulho Gay, mas não há razão para criar o Dia do Orgulho Hétero pela simples preservação da moral e dos bons costumes.
Longe de mim tomar partido nessa discussão idiota. Mas, pelo que vemos, os homossexuais podem fazer proselitismo por sua opção sexual. Héteros não podem. Um abaixo-assinado na internet organizado por uma militante da Baixada Santista, pedindo o veto ao projeto, tinha cerca de 1.500 assinaturas na noite de ontem.
Os militantes gays estão tentando criar uma nova tipificação jurídica, a homofobia. Seria algo como repulsa, rejeição, preconceito em relação aos homossexuais. Para começar, como tantos outros que surgem na imprensa, o neologismo está errado. Homo significa mesmo e fobia significa medo. Literalmente, a palavrinha significaria mesmo medo. Mesmo tomando homo como significado de homossexuais, a palavra continua errada. Significaria medo de homossexuais. Ora, ninguém tem medo de homossexuais. O medo que pode existir é de alguém descobrir-se homossexual. É o caso desses religiosos que vivem vituperando contra a homossexualidade o tempo todo. Pelo jeito, querem esconjurar o demônio.
Quem está patrocinando esta tal de legislação anti-homofóbica é o PT. E só podia ser. Com a queda do muro de Berlim e o desmoronamento da União Soviética, as viúvas do Kremlin, saudosas da finada luta de classes, criaram agora outros conflitos. Se você for pesquisar os arquivos de jornais – e eu fiz esta pesquisa na Folha de São Paulo – verá que na década de 90 a palavra racismo se multiplica por mil na imprensa. Se a luta de classes obsolesceu, vamos agora jogar raça contra raça. Se isto não bastar, jogamos sexo contra sexo. Sem lutas, a Ideia – como se dizia no início do século passado – não avança.
Kassab, um político medíocre em eterna caça de votos, sabe que o eleitorado gay já tem peso em uma eleição. Disse não ver motivos para vetar o projeto aprovado na Câmara. Segundo ele, trata-se de uma data como outra qualquer, como dia do médico e do professor. Ora, médico e professor são profissões. Gays ou héteros, pelo que me consta, ainda não são. 
Está declarada a guerra entre gays e héteros. O projeto do vereador pode se revelar um tiro no pé. De repente, só consegue alguns gatos pingados em defesa da heterossexualidade. Agora temos as lutas raciais, negros contra brancos, índios contra civilizados. Não bastasse a luta racial, surgiu agora a sexual, homos contra héteros.
Saudades da Guerra Fria, quando havia uma só luta, a de classes.
Fonte:  Janer Cristaldo
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segunda-feira, 11 de julho de 2011

Bicharada se Cristianiza

por Janer Cristaldo
Sou de uma época em que sexualidade fora do casamento era incompatível com religião. A primeira pergunta que o padre fazia no confessionário era: você pecou contra a carne? E depois vinha a outra: quantas vezes? Esta era a filosofia da Igreja Católica. Só havia uma forma de não pecar contra a carne, era sexo dentro do casamento. E olhe lá! Certas práticas menos ortodoxas constituíam grave pecado. Homossexualismo, nem pensar.
Escrevi outro dia que castidade é coisa da Igreja Católica, palavra que não existe na Bíblia. Um leitor me diz que Judite, 15, 11, fala da castidade, com todas as letras, e de como é bem vista por Deus que recompensa quem a pratica. Depende da tradução. Na edição do Centro Bíblico de São Paulo, realmente temos a palavrinha. Mas eu prefiro pautar-me pela Bíblia de Jerusalém, das Edições Paulinas. Nem sombra de castidade. Se consulto a tradução francesa Alliance Biblique Universelle, muito menos. A palavra também não consta da tradução clássica de João Ferreira de Almeida. Aliás, desta versão não consta sequer o livro de Judite.
Mas constam, isto sim, os exemplos de castidade de Ló, o único homem justo de Sodoma, que oferece aos sodomitas suas duas filhas virgens, para preservar dois hóspedes da sanha de seus conterrâneos. Mais tarde, terá relações com as duas. Como também consta a castidade do rei Davi, que tinha setecentas esposas e trezentas concubinas. Em minha vida, sempre tentei pautar-me pelo exemplo do sábio rei. Mas faltou-me cacife.
No entanto, consta de todas as bíblias a condenação do homossexualismo com a morte. Assim sendo, me causa espécie a nota publicada hoje na coluna de Mônica Bérgamo, na Folha de São Paulo, de que um padre irá testemunhar em favor de um casal homossexual que move processo por homofobia contra a doceria Ofner.
O gerente de vendas Lúcio Serrano e seu namorado afirmam que foram repreendidos por um segurança após trocar carinhos em uma loja da rede nos Jardins, em 2010, e levaram o caso à Justiça. Eles chamaram o pároco Carlos Alberto, da Igreja Nossa Senhora de Lourdes, que frequentam no Planalto Paulista, pra falar sobre sua "boa conduta".
Os homossexuais estão virando místicos. Isto ficou evidente na última Parada Gay, quando evocaram o Cristo e outros santos da Igreja como patronos da bicharada. Um padre agora sairá em defesa de um casal homossexual, contrariando o livro no qual se fundamenta sua fé. 
Ainda na Folha de hoje (4/7), o ministro Ayres Britto, do STF - aquele para quem “o órgão sexual é um plus, um bônus, um regalo da natureza. Não é um ônus, um peso, um estorvo, menos ainda uma reprimenda dos deuses” – afirma que a isonomia entre uniões estáveis hétero-afetivas e homo-afetivas é para todos os fins e efeitos.
O ministro, aliás, se pretende o criador do neologismo hétero-afetivo. Já homo-afetivo seria de autoria da desembargadora aposentada e jurista Maria Berenice Dias, consoante a seguinte passagem: “Há palavras que carregam o estigma do preconceito. Assim, o afeto a pessoa do mesmo sexo chamava-se 'homossexualismo'. Reconhecida a inconveniência do sufixo 'ismo', que está ligado a doença, passou-se a falar em 'homossexualidade', que sinaliza um determinado jeito de ser. Tal mudança, no entanto, não foi suficiente para pôr fim ao repúdio social ao amor entre iguais”.
Bem que eu desconfiava que cristianismo, catolicismo, marxismo, socialismo, espiritismo e outros ismos eram doenças, e das mais graves. Pelo jeito, a intenção é retirar o sexo do homossexualismo. Tesão já era. O que agora existe é afeto. Se você se pretende heterossexual, desista. Agora você é hétero-afetivo. Isso de sentir desejo por um homem ou uma mulher é coisa do passado. Agora se sente afeto. Considerando-se que o vernáculo é de todos e de ninguém, proponho mais dois outros neologismos. Isso de bissexual é coisa de brutos dominados por instintos animalescos. Melhor biafetivos. Transexuais também é pejorativo. Melhor transafetivos.
Afeto é bom, sem dúvida alguma. Sexo com afeto, melhor ainda. Mas sexo a frio, sem maiores afetos, não é de se jogar fora. Sempre foi prática corrente ao longo da história. Os vultures do Supremo estão legislando sobre a natureza dos sentimentos humanos. Mais um pouco, se você sentir apenas desejo por outra pessoa, será considerado um criminoso. Tem de sentir afeto. Abaixo o sexo casual. Trepada é para a eternidade.
Estamos assistindo a uma reviravolta curiosa neste início de século. A bicharada está se cristianizando. Não se fazem mais homossexuais como antigamente. O sonho das bonecas, hoje, é casar de véu e grinalda com a benção de um sacerdote.
Fonte:  Janer Cristaldo
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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Taleban da Uniban Tem Medo de Coxas

por Janer Cristaldo
Gosto de citar uma frase que Roberto Arlt, considerado o Dostoievski argentino, coloca na boca de um de seus personagens: “A revolução, a faremos com os jovens. São estúpidos e entusiastas”.
Em minha vida, encontrei não poucos jovens maduros e sensatos e tive imenso prazer em confraternizar com eles. Mas, no geral, tenho de concordar com Arlt. E vou mais longe: estúpidos, entusiastas e senis. Prova disto é o recente episódio ocorrido em São Bernardo do Campo, no campus da Universidade Bandeirantes de São Paulo (Uniban).
Uma estudante do primeiro ano de Turismo quase foi linchada por uma multidão de estudantes no prédio onde estuda, por estar usando um minivestido. O fato ocorreu na semana passada e ganhou repercussão nesta semana pelo site YouTube, onde foram publicados vídeos que registraram o episódio. Leio na Folha de São Paulo:
Pu-taaa! Pu-taaa! Pu-taaa! Cerca de 700 alunos da Uniban, Universidade Bandeirante de São Paulo, campus de São Bernardo, pararam as aulas do noturno para perseguir, xingar, tocar, fotografar, ameaçar de estupro, cuspir. Tudo isso contra uma aluna do primeiro ano do curso de turismo, 20 anos, 1,70 metro, cabelos loiríssimos esticados e olhos verdes, que compareceu à escola em um microvestido rosa-choque, pernas nuas com pelinhos oxigenados à vista, salto 15, maquiagem de balada, na quinta-feira da semana passada (22). Michele Vedras (nome fictício inventado por ela em um blog) só conseguiu sair da escola sob escolta de cinco soldados da PM, duas mulheres inclusive, que tiveram de usar spray de pimenta para conter os mais exaltados e abrir caminho entre a massa. Vídeos do ataque circulam pela rede, um deles intitulado "A Puta da Uniban". (...) Presos na sala de aula, a turma e o professor ouviam os estudantes lá fora gritando. "Solta ela, professor! Deixa pra nós. Vamos estuprar!"
Mas em que país estamos? Certamente não é neste Brasil, onde a minissaia vige desde os anos 60 e fio dental nas praias não escandaliza mais ninguém. Mulher pelada está nas capas de todas as revistas, expostas publicamente nas bancas de jornais. O que gera efeitos curiosos. Os membros da Opus Dei, a organização aquela à qual pertence um dos líderes do PSDB, Geraldo Alckmin, quando andam pelas ruas trocam de calçada ao ver um quiosque. Para não ver as mulheres peladas. Malucos religiosos, entende-se. Mas ... universitários? Em um campus?
Em minhas universidades, lá nos anos 60 – isto é, há meio século - vivi cercado de minissaias e ninguém se espantava com isto. Quando professor, nos anos 80, minhas aluninhas não se furtavam de exibir o fundo de suas coxas aos professores. Eu lecionava na UFSC, onde muitos professores eram filhotes de padres, que das mulheres mantiveram distância em suas juventudes. Os ex-seminaristas subiam pelas paredes. Eu, que com mulheres sempre mantive um bom convívio, nem ligava. Para perplexidade de minhas discípulas. Certo dia, em plena aula, uma delas perguntou: “o professor não se comove quando mostramos as coxas?
Comoção nenhuma. “Estou aqui para dar aulas, não para olhar calcinhas – respondi. Vocês podem mostrar o que quiserem, isso não perturba minha aula. Agora, se for lá em casa...” Semana seguinte, algumas atrevidas estavam lá em casa. Mas isto já é outra história.
Estou perplexo. Que a União e Estados caloteiem seus credores, que senadores e deputados e governadores roubem, que ministros sejam corruptos, que acadêmicos transformem seus estudos no Exterior em turismo pago pelo contribuinte, com isto já estamos acostumados. Faz parte do cotidiano da nação. Mas é insólito que universitários quase estuprem uma colega só porque ela mostra as coxas. Segundo uma universitária entrevistada pela Folha, os colegas da moça tentavam enfiar o aparelho celular no meio de suas pernas, para tirar fotos.
Com o assalto ao erário, com a extorsão do contribuinte, com a corrupção de “nossos” representantes, já me acostumei. (Ponho nossos entre aspas porque meus representantes não são. Já faz quase três décadas que não voto). Mas por essa eu não esperava. Que isso aconteça na Arábia Saudita, no Dubai, no Afeganistão, no Paquistão, até que entendo. Foi em Riad, creio, que a mulher de um diplomata brasileiro foi esbofeteada pela Polícia Moral por ter entrado em um shopping com o rosto descoberto. O Itamaraty, tão valente quando se trata de defender Chávez ou Zelaya, nem chiou.
Entendo até no Vaticano. Mas no Vaticano, apenas impediriam a entrada da moça. Nem cardeais nem bispos nem a Guarda Suíça tentariam enfiar celulares entre as pernas de uma turista de minissaia. O Vaticano, com todo seu obscurantismo, consegue ser mais moderno que os universitários da Uniban. A atitude destes alunos é típica dos taleban. Daqueles baitas machos que não temem explodir-se em nome de Alá, mas que se mijam de medo ao ver o rosto de uma mulher.
Os universitários da Uniban, pelo jeito, têm medo de coxas. Logo das coxas, esse território tão lindo e harmonioso de uma mulher.
Além de estúpidos, são senis.
Fonte: Janer Cristaldo
COMENTO: transcrevo parte de um texto do brilhante Augusto Nunes:
"Os estudantes da Uniban de São Bernardo engolem em silêncio mensalidades abusivas, professores medíocres e o sistema de ensino que fabrica fortes candidatos ao desemprego. Só não engolem uma jovem com a saia curtíssima. Os estudantes da Uniban aceitam com mansidão bovina a corrupção institucionalizada, os impostos extorsivos, os pelegos delinquentes da UNE, a roubalheira federal, a procissão de escândalos, a decomposição moral do Brasil. Só não conseguem controlar a indignação e domar a cólera se aparece uma jovem com as pernas à mostra. ... A Era da Ignorância vai tornando o país cada vez mais primitivo. Cada vez mais parecido com essa gente que o governa."
É pouco???????

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Falcão Processa Kadhafi!

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Segundo informações, o cantor brega, acusa o ditador líbio de plágio. (kkkkkkk!!)
Fonte: Resistência e Liberdade
COMENTO: por outro lado, não se pode negar o bom gosto do antigo promotor do terrorismo internacional, demonstrado por manter o costume de ter um corpo de segurança composto em grande maioria por mulheres. Apesar das meninas líbias não serem bem "uma brastemp", o visual é bem melhor que o dos brutamontes normalmente vistos nessa função.
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segunda-feira, 11 de maio de 2009

Rindo Para Não Chorar

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Uma solteirona descobre que uma amiga ficou grávida só com uma oração que rezou na igreja de uma cidade próxima.
Dias depois, a solteirona foi até à igreja:

— Bom dia, padre.

 Bom dia, minha filha. Em que posso ajudá-la?

— Sabe, padre, soube que uma amiga minha veio aqui e ficou grávida só com uma Ave-Maria. 

— Não, minha filha, foi com um padre nosso, mas já o transferimos para o Paraguai!


quinta-feira, 30 de abril de 2009

Bispo Emérito Brasileiro Cumprimenta Bispo Emérito Paraguaio Por Seus Dotes de Emérito Reprodutor

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Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque andavam desgarradas e errantes, como ovelhas que não têm pastor. (Mateus 9:36)
Baita bispo, Don Fernando Lugo, el semental de la Pátria! Onde boleia a perna vai deixando filho feito, como se diz lá no Sul. Caudilho como Sua Eminência não foi jamais sonhado nem mesmo pela imaginação fértil de Roa Bastos, Garcia Márquez, Alejo Carpentier ou Andrés Rivera. Nem mesmo pelo esperpêntico Don Ramón del Valle-Inclán. Príncipe da Igreja, bispo emérito de San Pedro, presidente do Paraguai e pai de três filhos, segundo as primeiras notícias. De seis ou nove, segundo outras fontes. De dezessete, segundo a oposição. Um bispo-presidente com dezessete filhos ficção alguma concebeu. Só mesmo a realidade da América Latina. Ou talvez só mesmo o Paraguai. Difícil imaginar que em algum outro país do continente um prelado conseguisse eleger-se presidente.
O bispo emérito de San Pedro, ao manter relações com uma menina de 16 anos, transgrediu o Código Penal, ao cometer estupro segundo a legislação de seu país. (Hoje ainda, talvez para salvar o que pode ser salvo, a moça declara que a relação ocorreu aos 26 anos. Melhor não arriscar a mandar para o cárcere quem lhe provê seu sustento). Como religioso, transgrediu o Código Canônico, ao desobedecer a seu voto de castidade, professado não ante os homens, mas ante seu Deus, se é que Don Fernando nele acredita, o que muito me espantaria. Como cidadão, só reconhece – ou reconhecerá – sua prole, ainda indeterminada, sob a ameaça de exames de DNA. Curiosamente, tem recebido a solidariedade até mesmo de seus colegas de cetro. Assim como um dia o cardeal Evaristo Arns escreveu uma terna missiva ao ditador Fidel Castro, Dom Tomás Balduíno, bispo emérito de Goiás, saiu em defesa do emérito prevaricador. 
"Caro Amigo Presidente Fernando Lugo,
(...) E minha manifestação, depois ter ponderado com alguns irmãos e irmãs, é em primeiro lugar para dar-lhe os parabéns, fazendo eco à declaração do meu amigo e bispo Mons. Mário Melano Medina, seu compatriota, pelo seu ato de "valentia e sinceridade" ao reconhecer a criança. Uno-me também ao bispo metodista emérito Federico Pagura ao expressar-lhe, também em carta aberta, sua solidariedade: "ante tu decisión de hacer públicas tus relaciones com tu compañera, y tu compromisso de assumir plenamente tu responsabilidad de padre". Continue assim, caro Irmão, coerente com a inspiração evangélica, ao testemunhar, com clarividência e humanidade, o inestimável valor do relacionamento entre o homem e a mulher.
"

Pelo jeito, o bispo de San Pedro terá de multiplicar por três, ou seis – ou talvez dezessete – seu ato de valentia e sinceridade. E os senhores bispos terão de manifestar solidariedade, tantas outras vezes quantas forem as conquistas de Don Fernando, ante sua decisão de tornar públicas suas relações com suas companheiras, assim no plural. Não sei se os digníssimos prelados notaram, mas ao manifestar solidariedade ao colega em apuros estão fazendo a apologia da poligamia. O que não deixa de ser um progresso, numa instituição que até hoje não aceita o casamento de sacerdotes. 
Se Don Fernando pretendeu “testemunhar, com clarividência e humanidade, o inestimável valor do relacionamento entre o homem e a mulher”, que o fizesse como défroqué, e não antes de largar a batina, como de fato ocorreu. Que me conste, nada tem de coerente com a inspiração evangélica o gesto de um pastor que sai emprenhando a torto e a direito suas ovelhas desgarradas e errantes. Ó tempora, ó mores! Morro e não vejo tudo. Religiosos fornicando urbi et orbi existem às pampas. Mas jamais imaginei, em minhas seis décadas de existência, ver um bispo cumprimentando outro por sua paternidade.
Não bastasse um prelado fazer salamaleques ao reprodutor paraguaio, um ex-vice governador de São Paulo, homem que por ofício deveria zelar pelo cumprimento da lei, que mais não fosse do Código Penal, saiu ontem em defesa da lascívia episcopal. Falo de Cláudio Lembo, aquele mesmo senhor que cunhou a expressão “elite branca”, a responsável pelos males de São Paulo. Terá sido o inspirador do Sumo Apedeuta, quando este culpou os “brancos de olhos azuis” pela mazelas do mundo. Hoje, o ex-vice parece dedicar seu ócio a proferir as mesmas sandices que o bispo emérito de Goiás.
O debate é intenso. Os meios de comunicação preenchem expandem espaços para noticiar o inusitado: um bispo pai. A análise do episódio permite inúmeros ângulos de observação.
Certamente, o mais sensível sob o ponto de vista das pessoas é aquele da intimidade. Pode a vida privada das pessoas - mesmo que ocupem altos cargos - ser esmiuçada sem qualquer constrangimento?
É pergunta que se impõe. Na contemporaneidade, como doença endêmica, surgiu o deplorável vício de violação da privacidade das pessoas, tornando-as passíveis de uma exibição danosa. 

Ora, por ocasião do artigo de Lembo, a mãe do filho do bispo ainda não havia alegado ter 23 anos quando do início da relação. Lembo raciocina a partir da primeira informação, a de que tinha 16. Pretende então o ilustre detrator das elites que construíram este país que estupro pertença à vida privada das pessoas, que não pode ser esmiuçada? Pretenderá que não se possa comentar a vida sexual de um sacerdote? Assim sendo, todo estuprador e todo padre pedófilo estaria ipso facto protegido por um escudo de privacidade. Belo argumento para um advogado brandir em defesa de seu constituinte: “A promotoria está invadindo a privacidade de meu cliente".
Tanto um dirigente de um país quanto um padre – ainda mais se tratando de um bispo – não podem abrigar-se no direito à privacidade para sair espalhando filhos impunemente pelo mundo. Se até a mulher de César tem de parecer honesta, com mais razões César tem de ser e parecer honesto. Que mais não seja, para que tais filhos sejam protegidos pela legislação, eles terão de vir a público para reclamar seus direitos.
Há uma procura diabólica de novos filhos para o presidente – escreve Lembo –. Uma caça a mais um membro para a prole em franco crescimento. Nada moralista. Simplesmente, a presença de um manifesto sadismo. Sadismo coletivo”. Ora, não há caça nem sadismo. Os filhos estão surgindo por iniciativa das mães. Mas obviamente a imprensa – e muito menos a opinião pública – não manteria a fleugma ante escândalo de tal porte. Pela primeira vez no Ocidente se tem um bispo como presidente. Além de bispo, pai de muitos filhos. Não pretende Lembo que os jornalistas renunciem a trinchar tal prato.
Lembo lança a pergunta:a imposição do celibato, em pleno século XXI, condiz com os atuais costumes e com as novas exigências da nova cultura do corpo?Claro que não condiz. Mas isto é idiossincrasia do Vaticano, teimosia dos papas. Enquanto a Igreja de Roma não aceitar o casamento de seus padres, proibido está. Convivi com muitos padres em minha juventude, e dos mais excitadinhos. Não conseguiram suportar o jugo do celibato e tomaram a decisão correta. Largaram a batina e o sacerdócio.
Se alguém acha que tenho algo contra a poligamia, em muito se engana. Sempre fui polígamo e sempre me senti bem assim sendo. Acontece que não sou religioso, nunca fiz voto de castidade e não participo dos valores cristãos ou católicos que vêem na monogomia o modelo familiar eleito pelo Eterno para comportamento de suas criaturas.
Cada um escolhe sua cruz. Quem escolheu batina que a honre.