terça-feira, 26 de agosto de 2008

Seu Garzón, Faça o Favor

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De me trazer depressa outros torturadores e assassinos que andam soltos pelo planeta para que eu possa acreditar nas suas boas intenções de interferir nos assuntos internos do Brasil. Caso contrário, vamos imaginar que o excelentíssimo magistrado espanhol está a serviço da esquerda internacional, vingativa e revanchista.
O doutor Baltazar Garzón que se notabilizou pela defesa da tese sobre as leis de anistia, acredita que “elas devem ser interpretadas de forma subordinada ao caráter e ao tipo de crime e quando se trata de crimes contra a humanidade, entendo que não é possível anistia”. A proposição de Garzón seria perfeita e irretocável se tivesse no seu conteúdo a honestidade de fazê-la valer para um dos principais genocidas ainda vivos, o “comandante” Fidel Castro.
Em 1998, Baltazar Garzón determinou a prisão de Augusto Pinochet, ditador chileno que fora anistiado por uma legislação semelhante à existente no Brasil. Garzón, do alto de sua autoridade, defende que o “direito penal internacional tem primazia sobre o direito local, desde que o país integre o sistema internacional de Justiça, como é o caso do Brasil”.
Certamente, Cuba e seu regime execrável, e outras ditaduras que já caíram de podre, estão fora do alcance do Tribunal Internacional de Justiça, mas, mesmo assim, não valeria uma punição moral para ditadores e serviçais desses regimes de terror? Aquela declaração formal de condenação contra esses criminosos que mataram, torturaram e cujos crimes não entram no regime de prescrição?
Quando se trata de crimes contra a humanidade, há uma obrigação, não só moral, mas legal de se investigar esses crimes”, disse o doutor Garzón, num encontro recente em São Paulo. Para países como Cuba que não fazem parte do sistema internacional de Justiça, valeria, então, apenas a “obrigação moral” de ter seus crimes investigados, já que Fidel não precisou viajar como Pinochet e ser preso por ordem de Garzón.
O doutor Garzón seria bem mais respeitado se também aproveitasse a oportunidade para pedir ao governo brasileiro que cassasse a anistia e a indenização para a família do ex-capitão Carlos Lamarca, já que ele falava num seminário sobre mortes, torturas e assassinatos. Ou Lamarca quando “julgou” e determinou a morte do jovem tenente Mendes Júnior – executado a golpes de coronha de fuzil na cabeça – estava apenas exercendo a justiça revolucionária dos homens que lutavam contra a ditadura militar?
Esqueceu-se ainda o nobre juiz espanhol que a redemocratização de seu país que viveu décadas sob a ditadura feroz e assassina de Francisco Franco só se consolidou com uma anistia ampla, geral e irrestrita de torturados e torturadores espanhóis. Anistiar a todos os espanhóis envolvidos foi a solução escolhida pela Espanha redemocratizada, assim como ocorreu em Portugal com a queda do salazarismo.
O Brasil se pacificou pela mesma pauta e encontrou o caminho onde hoje se encontra, com os contestadores do regime militar desfrutando de algo – o poder que buscavam pelas armas, ganho pelo voto democrático dos brasileiros - que seria inimaginável se tivessem vencido a luta nos chamados anos de chumbo.
Se os defensores da luta armada nos anos 70 tivessem derrubado os militares na guerra civil que empreenderam naquela época, certamente ainda estariam decidindo sobre nossas vidas, como Fidel Castro faz por quase 50 anos. E podem crer: o juiz Baltazar Garzón não teria como visitar o Brasil. Seu Garzón, faça-nos um favor. Vá prender genocidas que ainda estão soltos pelo mundo. O Brasil não é um botequim de Noel Rosa.
Fonte:  A Verdade Sufocada
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Seu Garzón, o Senhor é um Fanfarrão!

por Reinaldo Azevedo
Recebi hoje algumas dezenas de comentários, no tom que vocês podem imaginar, "esfregando na minha cara", como disse um dos mais exaltados, as palavras do juiz espanhol Baltazar Garzón, que defende, na pratica, a revisão da Lei de Anistia brasileira. Segundo o valente, os homens são cidadãos do mundo, e o estado espanhol tem o direito de decretar a prisão de qualquer torturador, em qualquer parte do planeta! Ele está no Brasil a convite do ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, um notório revanchista.
Parece tão justo o que ele diz, não? Há tantos trouxas que caem na sua conversa... Com que desassombro este iluminista espanhol vem jogar luzes no país da bugrada, não é mesmo? Quem converteu Garzón em autoridade mundial, em frente avançada do Tribunal Penal Internacional? Procurei saber se o homem já havia decretado a prisão do assassino e torturador Fidel Castro. Não. Não decretou, não.
Fiz a conta dos mortos das ditaduras por cem mil habitantes. Fidel castro é 435,86 vezes mais assassino do que os generais brasileiros, que encheram de metáforas humanistas a conta bancária de Chico Buarque. E atenção: o número é esse, caso se considerem apenas as 17 mil assassinadas em terra firme. Outras 78 mil morreram tentando fugir do vagabundo. Contadas as 95 mil vítimas fatais do Coma Andante, ele matou 730,76 pessoas por cem mil habitantes. A ditadura brasileira se contentou com 0,3 por cem mil, o que significa que Fidel matou 2.436 vezes mais do que os generais brasileiros. Não! Eu não ignoro nem faço pouco das vítimas. Repudio ditaduras. Frei Betto e Vannuchi é que rezam para Fidel sobre cadáveres. Niemeyer é que ergue edifícios de empulhação ideológica sobre os corpos. Chico Buarque é que verte o seu lirismo em meio aos mortos.
Mas isso seria ficar fazendo conta sobre cadáveres. Não é uma coisa muito saudável. O que me interessa são os processos políticos, que resultam em pacificação. Como foi que a Espanha saiu de uma ditadura fascistóide e aderiu à democracia? Com revanche? Mandando os partidários ou herdeiros do franquismo para o banco dos réus? Quando Franco morreu, Garzón tinha 20 anos. Ele é da geração que se beneficiou com a transição pacífica.
Voltemos ao exemplo quase vivo: Fidel Castro. Mais dia, menos dia, a ditadura na ilha acaba. E qual é o melhor caminho para lhe pôr termo? Metendo em cana os que serviram aos porões do regime? Será essa a escolha? Garzón, por acaso, decretou a prisão de todos os agentes dos estados socialistas que torturaram e mataram no Leste Europeu e na União Soviética? Ora, meu senhor, deixe de conversa mole! Permita que os países sigam a trilha que foi tão útil à Espanha.
E notem: quando evoco esses exemplos, não estou tentando distribuir culpas para igualar responsabilidades, de um lado e de outro, à direita ou à esquerda. Estou afirmando que os países fazem escolhas e constroem realidades políticas que lhes permitem avançar — ou retroceder.
Garzón não tem autoridade funcional, histórica ou moral para nos dar lições. As duas primeiras, não as terá nunca. A moral, ele pode tentar: decrete a prisão de todos os facínoras do planeta — e sugiro que, espalhafatoso como é, comece pelas ditaduras islâmicas. Assim que o primeiro xeique árabe meter o pé em seu país para ver como andam os investimentos, Garzón aparece lá com o seu crachá de, como é mesmo?, "policial planetário", em defesa dos "cidadãos do mundo". Ou o cosmopolitismo humanista não assiste aqueles que vivem nas masmorras de Alá?
Já é quase um clichê, mas não resisto: "Seu Garzón, o senhor é um fanfarrão!"
PS: Aceito, claro, que alguém explore falhas na minha argumentação desde que:
- o autor me prove que a Espanha puniu os torturadores do franquismo;
- o autor prove que Garzón decretou a prisão de ditadores de esquerda;
- o autor prove que Garzón decretou a prisão dos ditadores islâmicos.
Comentário na "Fonte":
Cesar Krieger - País de Capachos e Traidores IP:189.63.153.xxx | 24-08-2008 23:47:32
Para termos altivez devemos ser brasileiros antes de sermos direitistas ou esquerdistas.
Imaginem os senhores, como seria recebido um juiz brasileiro que fosse à Espanha propor a punição dos crimes da ditadura franquista. Em primeiro lugar não passaria da alfândega, e antes de ser deportado por ingerência na justiça espanhola, seria acusado pela esquerda e pela direita, de ir semear a discórdia na Espanha.
Enganam-se os que pensam que esse juiz é de esquerda, na verdade ele é um egocêntrico que acha sua autoridade judicial está acima das “colônias” do hemisfério sul.
Ele somente solicitou a prisão do Pinochet porque sabia que o Chile não tinha esquadra para fazer uma visita a Londres ou aos portos espanhóis;
Agora ele vem para cá, porque sabe que a nossa oligarquia preza mais o primeiro mundo que o nosso próprio país. E sabe também que nossa esquerda está cheia de oportunistas que adoram ir à Europa dizer que não temos democracia.
Se ele tivesse um mínimo de dignidade ele poderia:
- Ir á França e pedir a punição dos responsáveis pelo massacre de argelinos em Paris em 17/10/1961;
- Ir aos EUA e pedir a punição para os crimes contra os presos de Guantánamo e Abu Graib;
- Ir à Inglaterra e pedir a punição de policiais ingleses que torturaram irlandeses na década de 70;
- Ir a Israel e pedir a punição dos torturadores de palestinos;
De qualquer modo, ele poderia, pelo menos, ir a Washington e Tel Aviv pedir que sejam revogadas as leis que permitem a tortura. Duvido que não fosse deportado quando abrisse a boca!
Mas ele não vai fazer nada disso, porque se ele se meter com os crimes do primeiro mundo o Rei vai mandar ele se calar.
E pedir a prisão de comunistas entre os antigos políticos russos (atuais empresários), ou chineses nem pensar, ele sabe que esses países têm milhares de bombas e a Espanha nenhuma.
Em Cuba ele não vai por dois motivos, em primeiro porque seria deportado quando abrisse a boca, em segundo lugar porque vários grupos espanhóis são sócios dos hotéis de luxo de Varadero, e quem controla esses hotéis é o exército cubano, que poderia não querer mais sócios espanhóis.
Este país necessita de mais brasileiros esclarecidos e menos direitistas ou esquerdistas.
Saudações patrióticas.


sábado, 23 de agosto de 2008

O Embuste do Sistema Eleitoral Brasileiro

por Leamartine Pinheiro de Souza
O Art 14º da CF-88 determina: A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto ...
Com as "urnas eletrônicas" exigindo que um dos mesários digite o número do Título para que o Eleitor possa votar, juntando este número com os votos subseqüentes, sob o agravo das novas urnas com identificação do eleitor pela impressão digital, o preceito constitucional do voto secreto vai para o espaço, pois, se até o voto secreto dos Senadores, no Painel Eletrônico do Senado, um grupelho teve a ousadia de violar, o que farão com os votos dos eleitores ?!!
A Lei 9.100 de 29-09-1995, que estabelece normas para as eleições municipais de 03.10.96 e dá outras providências, frisa: 
Art. 18 O Tribunal Superior Eleitoral poderá autorizar os Tribunais Regionais a utilizar, em uma ou mais Zonas Eleitorais, o sistema eletrônico de votação e apuração; 
§ 7º A máquina de votar imprimirá cada voto, assegurado o sigilo e a possibilidade de conferência posterior para efeito de recontagem; 
Art. 19 - O sistema eletrônico adotado assegurará o sigilo do voto e a sua inviolabilidade, garantida aos partidos políticos e aos candidatos ampla fiscalização.
O Código Eleitoral, instituído pela Lei 4737/65 frisa: 
Art. 221 – É anulável a votação, 
Inc. II – Quando for negado ou sofrer restrição de direito de fiscalizar, e o fato constar da ata ou de protesto interposto, por escrito, no momento.
Portanto, são estas ignomínias contra a Constituição Brasileira e contra o próprio Código Eleitoral Brasileiro, impostas por um Tribunal Superior Eleitoral que legisla através de Resoluções; que administra todo o Processo Eleitoral; e, julga as impugnações feitas pelos Partidos Políticos e seus Candidatos, é que tornam o Sistema Eleitoral Brasileiro um verdadeiro embuste, pelo qual, o TSE legisla ao bel prazer, instituindo verticalidades onde não existem, instituindo fidelidades partidárias que contrariam o voto dos eleitores nos candidatos e ainda escondem suas vergonhas obstruindo os julgamentos, como no caso de Alagoas.
São estes procedimentos que embasam a existência de indivíduos garantindo a eleição daqueles que resolvam pagar para serem eleitos, como em recente denúncia do Fantástico.
Só existe uma solução para tamanho despautério, é acabar com esta plenipotência do TSE, retornando o poder de legislar para o Congresso; o poder de administrar para o Ministério Público e deixando, para o TSE, a única competência para julgar as impugnações levantadas pelos Partidos Políticos e seus Candidatos.
Caso contrário, toda eleição no Brasil é de fato nula por impedir o direito de recontagem e o consequente direito de fiscalização dos partidos políticos e seus candidatos. Sendo, o resto, pura conversa fiada.
Leamartine Pinheiro de Souza
é o 2º Tesoureiro do PND – PARTIDO NACIONALISTA DEMOCRÁTICO (em formação), www.pnd.org.br e,
empresário na Leamartine Industrial – Ind e Com de Eletro Eletrônicos Ltda,
 CNPJ 08.935.984/0001-04.
COMENTO: O autor preocupa-se com a impossibilidade de recontagem do "voto eletrônico". No meu caso, a preocupação está resumida no segundo parágrafo do texto: implantada a identificação eletrônica dos eleitores no momento da votação, quem garante que não se possa fazer um cruzamento de dados da seqüência dos eleitores que utilizaram certa urna eletrônica com a seqüência de votos realizados?

O Novo Operador do Orçamento

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O secretário nacional do PT, Romênio Pereira, é acusado de participar de quadrilha que desviou mais de R$ 700 milhões dos cofres públicos
por Alan Rodrigues e Rudolfo Lago
"O REI DO GROTÃO" Encarregado de fazer a ponte entre prefeitos do PT e o governo, Romênio teve os sigilos telefônico, fiscal e bancário quebrados
Em abril passado, Romênio Pereira, secretário nacional do PT, articulou uma reunião de mais de 300 prefeitos do partido com os ministros Dilma Rousseff, da Casa Civil, e Paulo Bernardo, do Planejamento. No Hotel Nacional, em Brasília, eles foram informados sobre a melhor maneira de obter recursos do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, para seus municípios. Até a semana passada, deveria caber a ele repetir a cena quando a eleição deste ano chegasse ao fim. Mas antes mesmo que o PT possa contar o número de novos prefeitos, Romênio Pereira vai ter de responder por uma encrenca das grossas.
No próximo mês, o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, apresentará ao Supremo Tribunal Federal (STF) o resultado de uma investigação que atinge diretamente o secretário nacional do PT e vários deputados. Trata-se do resultado da petição 3.683, que tem como apenso a petição avulsa 53.976, que investiga a ação criminosa de deputados federais, lobistas, funcionários públicos e prefeitos que se locupletavam comercializando emendas parlamentares ao Orçamento da União. Segundo o Ministério Público, essa quadrilha teria desviado mais de R$ 700 milhões. É uma espécie de nova máfia do Orçamento, à semelhança do caso que há 15 anos resultou em acusações contra 15 parlamentares. Desses, seis foram cassados e quatro renunciaram. Detalhe: na antiga denúncia, apontou- se um desvio de R$ 101 milhões.
Com mais de dez mil páginas, 20 volumes, 80 gigas de memória em arquivos, o inquérito revela a radiografia de um sofisticado esquema criminoso que envolve 23 construtoras e 119 prefeituras espalhadas pelos Estados do Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Tocantins. Nas investigações, ficou comprovado que a quadrilha desviou verbas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e montou uma rede de informações privilegiadas, com participação de funcionários do Ministério das Cidades, Integração Nacional, Saúde e até do Tesouro Nacional.
A denúncia, que tramita em segredo de Justiça, é demolidora: "A execução do esquema delituoso passou a ser feita por grupos organizados nos moldes de verdadeiras organizações criminosas (...), unidos para a consecução do objetivo comum de promover o desvio de recursos públicos federais destinados aos municípios para o financiamento de obras públicas". A quadrilha, ainda segundo o inquérito, agia sob as ordens do lobista João Carlos de Carvalho, um empresário mineiro que ficou milionário com o esquema que funcionava há pelo menos sete anos na Esplanada dos Ministérios. No Congresso, seu principal elo era o deputado João Magalhães (PMDB-MG). No documento, obtido com exclusividade por IstoÉ, aparecem os nomes de sete parlamentares. Além deles, o procurador também aponta o dedo para Romênio Pereira, como o suposto elo entre lobistas, prefeituras e o governo.
A escalada de Romênio Pereira no PT sempre deixou intrigada uma boa parte dos dirigentes históricos do partido. Afinal, ele nunca foi nenhum ideólogo, não teve participação nos movimentos sociais e muito menos militou na área sindical. Apesar dessa carência de credenciais, Romênio é um dos 12 integrantes da cúpula nacional. Era vice-presidente do partido até o ano passado. Se não tivesse havido intervenção no partido após a renúncia de José Genoino, durante a crise do Mensalão, há três anos, ele teria se tornado presidente do PT. Agora, como um dos nove secretários nacionais, tem a missão de facilitar o trânsito dos prefeitos do partido com os diversos ministérios, em busca de projetos e programas que melhorem a vida nos municípios. "O secretário de Relações Institucionais cuida da relação do partido com os prefeitos", diz Romênio. "Eu sou chamado no PT de Rei dos Grotões", emenda.
GRAMPEADO
O prefeito Wanderley Souza
 foi pego pela PF com a boca na
 propina
Ao monitorar João Carlos de Carvalho, a PF descobriu que ele conversava seguidamente com Romênio. Entre os dias 13 de junho e 19 de novembro de 2007, período do monitoramento, foram sete encontros. "Primeiro, os encontros são sempre regulares, com espaço médio de 20 dias entre eles; segundo, sempre acontecem em locais seguros, na casa de João Carlos ou no gabinete de Romênio; terceiro, nunca é tratado no telefone o motivo desses encontros, o que indica a adoção de cautelas contra eventual escuta telefônica; quarto, há sempre referência nas conversas a "aquele amigo" ou "aquele meu amigo", a "acerto", técnicas de diálogo utilizadas por quem quer ocultar eventual ilicitude dos seus atos", diz o documento do Ministério Público Federal. Procurado por IstoÉ, Romênio diz nada saber sobre as referências a "um amigo", "aquele meu amigo" ou "acerto", captadas nas escutas telefônicas.
"A suspeita é de que ele atue politicamente para viabilizar, perante os ministérios e outros órgãos do governo federal, a rápida destinação dos recursos aos municípios e a celebração dos convênios", escreve o procurador-geral, na página 13 do documento. "Não fiz pedido a nenhum ministério para atender a qualquer demanda específica do João Carlos", rebate o dirigente do PT. Noutro trecho, Antônio Fernando de Souza é ainda mais contundente. "Não há razão lícita aparente que justifique os 'negócios' entre os dois interlocutores. João Carlos atua na área de construção civil, comandando um suposto esquema de fraudes em licitações com desvio de recursos públicos federais, enquanto Romênio é um articulador político do Partido dos Trabalhadores", escreveu o procurador, que continua: "Uma investigação mais apurada desse suspeito relacionamento entre o lobista João Carlos de Carvalho e o secretário nacional de Assuntos Institucionais do Partido dos Trabalhadores Romênio Pereira permitirá esclarecer as razões dos freqüentes encontros e se de fato Romênio Pereira seria a pessoa que proporciona a João Carlos os contatos necessários para viabilizar as fraudes investigadas." João Carlos não foi encontrado pela reportagem para comentar a denúncia.
Dentro da burocracia partidária, Romênio chama a atenção por uma característica peculiar: ele não usa computador e só escreve a lápis. Assim como o ex-tesoureiro Delúbio Soares e o ex secretário-geral Sílvio Pereira, defenestrados do partido depois do escândalo do Mensalão, Romênio construiu sua carreira partidária à sombra do poder. Mineiro de Patos de Minas, ele é irmão do deputado federal Geraldo Magela (PT-DF). Pragmático, o secretário nacional se declara um dos petistas mais abertos a ampliar alianças. Na cúpula, foi o único que apoiou abertamente a união do PT com o PSDB mineiro em apoio ao candidato do PSB, Márcio Lacerda, à Prefeitura de Belo Horizonte.
ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA Relatório do procurador-geral da República acusa parlamentares, prefeitos e funcionários públicos de fraudar obras públicas





A IstoÉ, Romênio não negou a relação com o lobista João Carlos de Carvalho. "Eu só não sabia que ele era lobista." Romênio diz que conhece Carvalho há cinco anos. Foi apresentado a ele no aeroporto de Belo Horizonte, antes de um vôo para Brasília, pelo ex-prefeito de Governador Valadares João Fassarella, morto em 2006. "Ele nos viu conversando e se aproximou. A partir daí, começou a procurar ter encontros comigo", diz. Segundo Romênio, depois do terceiro encontro, ele perguntou o que, afinal, Carvalho queria com ele. "Sou um pequeno empresário na área de projetos. Quero que você me apresente a prefeitos", disse o lobista, de acordo com o relato de Romênio. Nesse caso, Carvalho tinha ido ao endereço certo. "Mas eu não me lembro de ter indicado qualquer prefeitura para favorecer o João Carlos", defende-se Romênio.
Como, então, explicar tantos encontros, até com o convite, aceito, para que Romênio almoçasse em Belo Horizonte na casa de Carvalho, num apartamento avaliado em quase R$ 2 milhões? "Ele parecia um homem simples, simpático. Estabeleceu-se uma boa relação, uma relação de um quadro político com um pequeno empresário", diz Romênio. De qualquer modo, numa das conversas grampeadas, Carvalho reclama que o diretor de produção habitacional do Ministério das Cidades, Daniel Vidal Nolasco, "não está ajudando nada". Romênio dá uma explicação: "Ele, de fato, uma vez me perguntou se eu conhecia alguém no Ministério, eu conhecia o Daniel". Em outra conversa captada, a PF diz que Romênio disse a Carvalho que Nolasco queria falar com ele. "Não me lembro disso", defende-se Romênio. "De tudo, porém, estou seguro de que não há nada que me comprometa com esse rapaz", diz o dirigente, referindo- se a Carvalho.
A etapa inicial da investigação sobre esse novo escândalo do Orçamento resultou na Operação João-de-Barro, que promoveu a prisão de prefeitos, empreiteiros e lobistas de Minas Gerais e apontou o envolvimento direto dos deputados mineiros João Magalhães (PMDB) e Ademir Camilo (PDT). Ambos estão sendo investigados pela Corregedoria da Câmara dos Deputados, em processos que podem resultar na cassação dos seus mandatos. As prisões e outras providências pedidas no dia 11 de junho pelo procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, ampliaram as informações obtidas pela Polícia Federal. O que vai surgir agora concentra-se principalmente nas investigações que resultaram dos "Autos Apartados em Petição 3.683", em que Antônio Fernando de Souza encaminha ao Supremo detalhes das investigações que estão em curso. O relatório identifica o nome de outros três parlamentares mineiros, além de Magalhães e Camilo, que apareceram nas escutas telefônicas: José Santana de Vasconcelos Moreira (PR), Jaime Martins Filho (PR) e José Miguel Martini (PHS). E menciona outros dois, também de Minas, cujas emendas orçamentárias teriam sido usadas pelo esquema: Leonardo Monteiro (PT) e Carlos William (PTC).
MENTOR - Magalhães é acusado
 de ser o líder da quadrilha
Segundo a denúncia do procurador geral da República, o esquema funcionava da seguinte forma: primeiro, o deputado indicava os municípios e os valores para a liberação de verbas, utilizando emendas do Orçamento de sua autoria ou de terceiros. Feito isso, a quadrilha passava para a segunda etapa do crime, que é a assinatura dos convênios. Nesse momento, a elaboração dos projetos ficava a cargo do lobista, que também se encarregava de acompanhar sua aprovação. Quando o empenho (a garantia da futura liberação do dinheiro) era assinado, o prefeito pagava um percentual (entre 10% e 12%) para Carvalho. Caso se recusasse a pagar, Carvalho tinha o poder de conseguir o direcionamento da verba para um outro município.
Um caso emblemático é narrado nos documentos obtidos por IstoÉ. Em um deles, o prefeito petista da cidade mineira de São Félix de Minas, Wanderley Vieira de Souza, conversa com a assessora de Magalhães, Mary Lanes, sobre como deveria fazer para pagar a propina. A assessora oferece a sua própria conta bancária para que o prefeito faça o depósito:
- Deixa eu te falar, você não me ajeita uma conta para fazer a transferência daquele dinheiro, não? - pergunta o prefeito.
- Transfere para a minha conta, então - sugere Mary Lanes.
Numa conversa posterior, Mary Lanes indica a Wanderley uma conta num banco.
- Beleza! Vem cá, eu coloco é 39 ou 40 mil? - pergunta o prefeito.
- Quarenta. Fechado - responde Mary.
- Então, é 11%, né, danada? - completa Wanderley.
No depoimento que prestou à comissão de sindicância criada pelo corregedor-geral da Câmara, Inocêncio Oliveira (PMDB-PE), para investigar seu caso, o deputado Magalhães indicou que novos nomes apareceriam na investigação da complexa trama que o esquema de desvio de verbas criou. "Ele, que teve acesso a todo o processo, nos disse que há vários envolvidos e que a conclusão da investigação iria demorar", disse à IstoÉ um dos assessores da comissão de sindicância. Encontrar os demais envolvidos e as suas conexões é a tarefa em que se debruçam agora a PF e o Ministério Público Federal. No caso específico de Romênio, para tanto, o ministro do STF, Cezar Peluso, responsável pelo inquérito no Supremo, autorizou as quebras dos seus sigilos telefônico, bancário e fiscal, já que "foram, ademais, captados, nas interceptações, diálogos que comprovariam o envolvimento, no esquema, de Romênio, sob a suspeita de que atuaria politicamente para viabilizar, perante os Ministérios e outros órgãos federais, a rápida assinatura de convênios e a destinação dos recursos aos municípios...". Procurado por IstoÉ, o deputado Magalhães disse que estava impedido por seus advogados de falar. "Eu só posso dizer que não tenho nada com isso e vou mostrar que sou inocente", disse.
DEPUTADO ACUSADO DE ROUBAR DEPUTADO 
Os novos anões do Orçamento não perdoam nem os colegas
USADO
"Eu sou vítima", diz Monteiro 
Vem de um procurador ouvido por IstoÉ a mais curiosa revelação do esquema dos novos "Anões do Orçamento". "Apuramos que um deputado roubou dinheiro de outro deputado", revela ele, que participou das investigações. Essa ação inusitada foi possível porque o esquema mantinha um monitoramento constante da execução orçamentária. Assim, sabia qual deputado solicitara verba para tal cidade. A rede montada pelo esquema agia, então, para acelerar a liberação, e acertava o convênio com o prefeito, muitas vezes sem que o deputado autor da emenda soubesse o que estava acontecendo. Na página 29, do volume 14, a transcrição de um grampo telefônico deixa clara essa estratégia. Trata-se de uma conversa, no dia 14 de julho de 2007, entre o deputado João Magalhães e sua assessora Mary Lanes: "A gente belisca nas outras... Aqui, o negócio do Leonardo é só nós dois, ninguém sabe não, tá? O negócio do Leonardo, os 10% dele é meu e seu, ninguém sabe disso não", diz Magalhães.
Segundo um dos procuradores que trabalham na investigação, Leonardo no caso é o deputado federal Leonardo Monteiro, do PT. "Eu não sei se o Leonardo que o João Magalhães cita sou eu mesmo, mas isso tudo aí é muito estranho", defende-se Leonardo. "Se isso aconteceu de fato, então eu sou vítima." O deputado José Miguel Martini (PHS), também citado no relatório, é mais incisivo. "Eu fui usado por esse esquema", reclama. No caso, João Carlos de Carvalho telefonou para o gabinete de Martini na Câmara e conversou com um assessor do deputado, Cláudio de Faria Maciel. Depois de um entendimento prévio, Carvalho indicou ao assessor que apresentasse uma emenda ao Ministério das Cidades, para calçamento de ruas, no município mineiro de Dom Joaquim.
"Esse sujeito procurou o gabinete dizendo que tinha espaço político e poderia ajudar a liberar emendas. Eu não o conhecia. Então, para iniciar uma relação, eu orientei meu assessor a indicar uma emenda de valor baixo, apenas para ver o que acontecia", explica Martini. "Eu pessoalmente não falei com ele, não conheço o sujeito, não sabia que era lobista. A gente recebe ligação de um monte de gente sem saber quem é. Eu não tenho bola de cristal", defende-se. Martini afirma que, depois que Carvalho foi preso na Operação João-de-Barro, ele solicitou aos Ministérios que cancelassem todas as suas emendas orçamentárias.
A Polícia Federal suspeitava que a emenda de outro deputado também tivesse sido usada da mesma forma pelo esquema. No caso, o deputado Carlos William. Mas ele mesmo deu à IstoÉ outra explicação. "O pessoal do meu gabinete não tem muita experiência com orçamento. Então, como eles têm amizade com o pessoal do gabinete do João Magalhães, pedem para eles acompanharem a execução das nossas emendas", disse William. Com a conclusão da PF e do Ministério Público de que Magalhães era um dos comandantes do esquema, foi como pedir à raposa que tomasse conta do galinheiro.
Fonte: Isto É
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sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Revanchismo Coisa Nenhuma

por Olavo de Carvalho
Na mesma semana em que pela primeira vez a classe militar esboça uma reação coletiva à perseguição de seus membros acusados de tortura, o juiz Baltasar Garzón desembarca no Brasil anunciando que vai puni-los se o governo local não o fizer, e dois porta-vozes da ONU aparecem nos jornais pontificando que "está mais do que na hora de o Brasil enfrentar esse assunto da anistia". Está mais do que na hora, digo eu, é de os nossos militares entenderem que as tentativas de rever a Lei da Anistia não são mero "revanchismo" e sim uma vasta operação internacional, montada com todos os requintes do planejamento racional, da execução cuidadosa e do timing preciso, para quebrar a espinha das Forças Armadas latino-americanas e obrigá-las a escolher entre colocar-se a serviço da estratégia esquerdista continental ou perecer de morte desonrosa. A astúcia com que o governo brasileiro pulou fora de um confronto direto com os oficiais reunidos no Clube Militar, deixando a parte suja do serviço para seus aliados estrangeiros que com sincronismo admirável se ofereciam para a tarefa, é mais do que suficiente para ilustrar o que digo.
O tratamento dado a essas notícias pela mídia nacional também não é mera coincidência e sim um componente vital da trama. Um despacho da Agência Estado, reproduzido por toda parte, apresenta os dois homens da ONU como "peritos". O termo visa a dar ares de isenção científica ao que dizem contra a Lei da Anistia, mas para que esse engodo funcione é preciso sonegar ao leitor, como de fato os jornais sonegaram, qualquer informação substantiva sobre o curriculum vitae dos entrevistados. O primeiro, Miguel Alfonso Martinez, foi nomeado para a Comissão de Direitos Humanos da ONU por Fidel Castro em pessoa, o que significa que está lá para encobrir os crimes da ditadura cubana sob uma cortina de acusações a governos bem mais inofensivos. O segundo, Jean Ziegler, suíço, entrou na mesma comissão em abril deste ano, sob os protestos de mais de 20 países, que não gostaram de ver nesse cargo um notório amigo e protetor de ditadores truculentos como Robert Mugabe, do Zimbábue; Muamar Khadafi, da Líbia; Mengistu Haile Mariam, da Etiópia, e o próprio Fidel Castro. Ziegler criou mesmo o "Prêmio Muamar Khadafi de Direitos Humanos", que soa mais ou menos como "Prêmio Mensalão de Ética e Transparência". Se o leitor soubesse dessas coisas, entenderia que os dois patetas falam apenas na condição de paus-mandados do comunismo internacional, e que ao apresentá-los como "peritos", sem mais, a mídia nacional desempenha papel exatamente igual ao deles.
Mesmo o sr. Baltasar Garzón, por trás de sua fachada de campeão dos direitos humanos, permanece um desconhecido para a multidão dos brasileiros. Em 2001, ele recebeu um vasto dossiê contra Fidel Castro, mas respondeu que nada faria a respeito porque seu tribunal não tem jurisdição sobre governantes em exercício. O critério jurídico aí subentendido já é por si uma monstruosidade abjeta, pois significa que, para escapar ao senso justiceiro do sr. Garzón, tudo o que um ditador tem de fazer é permanecer no governo até a morte, em vez de devolver o poder ao povo como fez o general Pinochet. O caso torna-se ainda mais escandaloso porque Fidel Castro agradeceu publicamente ao juiz a gentileza da sua reação e porque anos depois, quando Castro apeou do poder, Garzón não deu o menor sinal de perceber que ele tinha ipso facto caído sob a sua jurisdição.
Da minha parte, não tenho a menor dúvida de que essas pomposas iniciativas contra violadores de direitos humanos, sempre unilaterais e escancaradamente alheias ao senso das proporções, que é a essência mesma da justiça, têm no fundo um único objetivo: acostumar a população mundial à idéia de que assassinatos em massa são um direito inalienável e até um dever moral dos ditadores de esquerda, ao passo que qualquer violência incomparavelmente menor praticada contra comunistas é um crime hediondo cujo autor deve ser exposto à execração universal.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Guerra na Geórgia: Bem-vindo à Era Kosovo

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A bagunça sangrenta na Geórgia obedece a duas lógicas internas: uma nova e uma velha:A nova: Estamos na Era pós-Kosovo. Atualmente, toda etnia ou região vagamente autônoma possui pelo menos algum respaldo moral e diplomático para buscar uma separação, devido ao precedente na antiga Iugoslávia. Sob esta ótica, as turras entre a Geórgia e a Ossétia do Sul não são surpresa alguma. Eram inevitáveis. A velha: Ninguém brinca quando oleodutos estão em jogo. Um dos motivos do conflito na Chechênia ter a duração e sanguinolência que todos podemos ver é a existência de um oleoduto importante na região. Da mesma forma a Geórgia serve de zona de passagem para sistemas de gás natural e petróleo sem cruzar território russo e fora de sua zona de influência.Ambos os lados afirmam que o outro foi o agressor, e de certa forma, ambos estão certos. O presidente Mikhail Saakashvili, que até ano passado chamava a atenção principalmente pelo feroz estilo Pinochet que empregava para conter manifestações da oposição, declarou mais de uma vez que reaver a Ossétia do Sul era sua intenção. Uma semana após um referendo garantiu status autônomo para a região, Saakashvili pisoteou a Ossétia com tropas. Desde a resposta russa, passa mais tempo na frente das câmeras do que falando com diplomatas ou com seu próprio gabinete.Por outro lado, a Federação Russa está de olho na situação e buscando uma desculpa para se envolver há cerca de cinco anos. O pavoroso ataque terrorista checheno na Ossétia do Norte, que culminou no massacre de Beslan, apenas reforçou a paranóia russa em relação ao status de suas fronteiras. Apesar da Rússia tradicionalmente trair seus aliados com uma casualidade perturbadora, parece que os ossetas deram sorte. Foi um dominó estranho: Saakashvili reagiu com rapidez e violência incomuns a um revés na Ossétia, sugerindo que já estava preparando um ataque. A Rússia, por sua vez, reagiu à reação com rapidez e violência incomuns, sugerindo ... a mesma coisa.
Alianças comprometedoras
Geórgios e ossetas já trocavam tapas quando Lênin ainda estava na primeira fralda. É triste recorrer a clichês, mas o Cáucaso e o Bálcãs são assim: uma série de vales entre montanhas, cada um contendo uma tribo, e cada tribo prefere atear fogo aos próprios filhos a ir jantar no vale vizinho. Assim tem sido desde o nascimento da escrita. A exploração política e nacional desta tendência é apenas alguns segundos mais jovem.A única coisa que mudou (e permitiu o agravamento atual) foi que ambos os lados ficaram autoconfiantes demais devido a alianças recentes. A Geórgia caiu no colo dos EUA, chegando a mandar mais de dois mil soldados ao Iraque (Após os EUA e a Inglaterra, são o maior contingente na ocupação). Isso custou caro: quando tanques russos estão tesourando suas linhas de suprimento, ter uma brigada de suas melhores tropas assando no verão bagdáli é uma enorme desvantagem para um país pequeno.Já os ossetas reforçaram seus laços com a parte russa da região, como foi dito, desde o ataque em Beslan. Dezenas de milhares de cidadãos da Ossétia do Sul possuem passaporte russo e são culturalmente integrados. Duas propostas de cessar-fogo já foram deletadas. A oferecida pelos russos exigia a remoção das forças da Geórgia de toda a Ossétia do Sul, primeiro passo para uma independência da província. A oferta da Geórgia foi apenas que todos parariam de atirar, mas suas tropas ficariam onde estão. A propaganda tem sido intensa dos dois lados.Não é nada estranho que Saakashvili tenha rejeitado as ofertas de cessar-fogo até o presente momento. Para o presidente, cronicamente impopular antes desta crise (“Não economizaremos balas para lidar com manifestantes”, declarou em 2007), sair da matança de mão vazias será um suicídio político. Por agora, todo o país está a seu lado, e após anos de treinamento e reequipamento fornecido pelos EUA e Israel, as forças armadas geórgias estão dando trabalho aos russos. O problema é que apenas causar baixas não é o bastante; a doutrina militar russa sempre priorizou objetivos e logística acima de segurança total de suas forças (ao contrário dos EUA e Israel). Para segurar os russos, a Géorgia precisaria de uma vitória estratégica. Por algum motivo, eles falharam em interromper a estrada que conecta as Ossétias Sul e Norte, uma passagem sinuosa pendurada nas montanhas. Alguns quilos de dinamite e todos os suprimentos russos teriam que ser transportados pelo ar, de forma cara, lenta e arriscada. Por ter esquecido esse detalhe, a Geórgia pode já ter lutado em vão. Um segundo movimento e reforço por parte do Exército russo não poderá ser contido.No palco internacional, as mensagens sendo enviadas são muitas. A Rússia anuncia que não vai aceitar bagunça com suas fronteiras e seus aliados. A Ossétia desafia a comunidade internacional a manter o Padrão Kosovo e pede independência. A Geórgia posa de vítima e cobra maior envolvimento de seus parceiros ocidentais, talvez até mesmo sua efetivação na OTAN. Os Estados Unidos tentam equilibrar o suporte aos seus aliados (parco até o momento) com seus planos futuros de projeção, especialmente visando um camarada da Rússia, o Irã.Em tempos de Guerra Fria, uma crise como a atual poderia ser uma das temidas faíscas que acenderiam a explosão final. No contexto atual, são um reposicionamento de potências globais e regionais, testando limites e buscando ganhos políticos e territoriais. O conflito de hoje semeia a crise amanhã.
fabiojardim@mundori.com
ftjardim@gmail.com
Fonte: Mundo RI
COMENTO: Por aqui, temos as Terras Indígenas dos Ianomami e Raposa Serra do Sol, ricas em minerais raros e caros, com suas "populações indígenas" sendo incentivadas a encaminhar-se para serem os Kosovos cucarachas.

Um País Que Cai de Bunda e Chora

por James Pizarro
Sou tomado de profunda melancolia ao contemplar o desempenho do Brasil nas Olimpíadas ... e constatar nossa colocação no quadro de medalhas ... comparar nosso país com os países que estão à nossa frente.
Fico triste ao ver que na nossa seleção olímpica de futebol existem jogadores que ganham milhões e milhões de dólares, enquanto representantes do nosso judô choram e são humilhados por não terem dinheiro para pagar o exame de faixa preta.
Fico irado ao ver o Galvão Bueno, nas transmissões da Globo, enaltecer delirantemente 'o gênio mágico' do 'fenômeno' Phelps, nadador norte-americano, e não falar no mesmo tom do nosso nadador Cielo, este sim, um fenômeno. Fenômeno porque treinou seis horas por dia nos três últimos anos, numa cidade do interior dos EUA, sustentado pelos próprios pais e pela generosidade de alguns amigos, pois não recebe um auxílio oficial.
Fico depressivo ao contemplar na TV nossas minguadas medalhas de bronze.
E fico pensando que, de cada mega-sena e outras loterias oficiais, o governo paga apenas 30% do arrecado ao ganhador e propaga que os outros 70% são destinados a isso ou aquilo, sem que a gente possa fiscalizar com nitidez essa aplicação.
Estou por completar 66 anos. E desde pequenino tem sido assim. Lembro do Ademar Ferreira da Silva, nosso bicampeão olímpico do salto tríplice que foi competir tuberculoso !
E jamais me sairá da mente o olhar de estupor de Diego Hipólito caindo de bunda no chão no final da sua apresentação, quando por infelicidade e questão de dois segundos deixou de subir ao pódio. E de suas lágrimas pedindo desculpas, quando ele não tem culpa de nada. Das lágrimas de outros atletas brasileiras dizendo que não deu. Pedindo desculpas aos familiares e ao povo.
Meus Deus !
Será que vou morrer vendo um povo que só chora e pede desculpas ?
Será que vou morrer num país que se estatela de bunda no chão, enquanto os políticos roubam descaradamente e as CPIs não dão em nada ?
Será que vou morrer num país que se contenta com o assistencialismo e o paternalismo oficiais, um povo que vende seu voto por bolsa-família e por receber um botijão de gás de esmola por mês ?
Até quando, meu Deus !?
Recebido no correio eletrônico

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Não, Jornalista! A Tortura Não é Herança Maldita Para os Atuais Comandantes!

por Márcio Matos Viana Pereira
Alguns jornalistas desfrutam de relativa fama de bons analistas políticos, em razão de serem tidos por progressistas, rótulo dado àqueles que acreditaram, por ingenuidade ou miopia, na utopia da doutrina comunista.
Os militares, vitoriosos da Guerra Revolucionária travada em forma de guerrilhas urbana e rural, se descuidaram em relação à comunicação, essencial para a conquista psicológica da população. Como conseqüência, na mídia, nas universidades, nos sindicatos e entre os formadores de opinião, a verdade dos fatos para a História foi sendo continuamente deturpada, ao longo dos anos, aproveitando o mutismo dos vencedores.
Aqueles que na clandestinidade traíram a pátria; seqüestraram Autoridades; assaltaram bancos; praticaram atentados contra quartéis; roubaram armas e munições; mataram militares e civis inocentes; detonaram explosivos em vias públicas ferindo transeuntes; assassinaram companheiros como justiçamento, e praticaram torturas física e moral, intrínseca nos crimes de seqüestros, foram transformados em heróis.
Os sobreviventes da luta armada, terroristas que em ações ensandecidas destinadas a implantar o comunismo no Brasil, em razão da Lei da Anistia, se deram muito bem, pois, hoje, como figurões do Governo petista, desfrutam de indenizações milionárias concedidas por uma espúria Comissão que, sem a menor noção de decoro e de imparcialidade, impunemente tem praticado extorsão contra o Tesouro Nacional
Enquanto os militares que representavam e defendiam o Estado e a lei foram transformados em vilões e comparados a nazistas, estuprando a História urdiram a versão bisonha de lutarem pela restauração da Democracia, versão felizmente já desmentida, inclusive pelas declarações e entrevistas de alguns ex-participantes de organizações terroristas.
É lamentável, e denotativo de mediocridade e de total falta de imaginação, a freqüência inoportuna e monótona como jornalistas retornam ao assunto tortura, que já não sensibiliza, motiva ou revolta os leitores, face o abuso da repetição nada mais acrescentar ao desgastado tema.
Agora, após a tentativa fracassada, do medíocre Ministro Tarso Genro, de tentar julgar e apenar o crime de tortura, do qual são acusados os militares, olvidando toda uma série de crimes sórdidos e hediondos praticados pelos terroristas, vem o jornalista Elio Gaspari de publicar um artigo intitulado: “A tortura é a verdadeira herança maldita”.
Arvorando-se de intérprete do pensamento dos brasileiros e de conselheiro dos atuais Chefes militares, numa tentativa ridícula de lançar a discórdia e a insídia no meio castrense, escreveu Gaspari: “Os comandantes militares precisam aprender a conviver com os crimes de seus antecessores”. Em outro trecho afirma: “Os comandantes militares carregam na mochila crimes alheios. (A tortura, assim como o seqüestro, pode ter sido coberta pela anistia, mas crime foi.) Não são as vítimas, nem seus parentes que devem calar. São os comandantes que devem se acostumar ao convívio com a história.
Não, jornalista! Felizmente, nem os Comandantes atuais, nem os demais militares pensam assim, estando atentos, pois, hoje, como os seus antecessores faziam, acompanham, analisam e interpretam a conjuntura em todas as expressões do Poder Nacional, tendo um exato conhecimento do momento nacional, bem como dos reais fatos ocorridos no passado, razão de não se deixarem levar ou impressionar por factóides gerados para produzir determinado efeito político, nem por artigos, traduzindo opiniões de analistas que gravitam na mediocridade, sem credibilidade alguma, por faltar-lhes seriedade e imparcialidade nas análises consubstanciadas nos artigos que assinam, sobrando-lhes em facciosidade o que lhes falta em credibilidade, virtude indispensável ao mais bisonho dos jornalistas. Não, jornalista Gaspari! Os Comandantes sabem que a Revolução de 64 evitou que não apenas o Brasil, mas, todo o Continente da América do Sul sucumbisse à agressão comunista. Sabem que os ex-Comandantes salvaram os brasileiros do infortúnio, desenvolveram o país e tentaram, pelo exemplo, reciclar moralmente a Pátria. Sabem que os cinco militares no exercício da Presidência da República foram honrados e dignos, sendo o patrimônio legado aos familiares inequívocas provas de honestidade, razão de nenhum haver tido o nome atrelado à corrupção. Sabem, também, da não existência de nenhuma instrução, ordem ou documento autorizando, permitindo ou recomendando a tortura como forma ou instrumento de luta revolucionária.
Não, jornalista! Os Comandantes, como os demais brasileiros não estão interessados em fatos ocorridos faz décadas, pois sabem que os militares representavam e defendiam o Estado agredido por fanáticos traidores da Pátria. Sabem que os seus antecessores, companheiros de farda e de ideal, lutaram em defesa da Democracia, da liberdade e da filosofia de vida reinante no mundo ocidental. Sabem que, mesmo exagerando, o somatório do total de mortos dos dois lados, em razão da guerra revolucionária travada, não chegou a 500, número bem menor, se proporcionado à soma das vítimas do crime organizado num trimestre, apenas no eixo Rio-São Paulo. Sabem que a classe militar, faz anos, é vítima de revanchismo e de discriminação, tendo os Ministérios militares sido arbitrariamente prejudicados na operacionalidade, por terem sido submetidos a uma inanição orçamentária sem precedentes.
Não, jornalista! Os Comandantes não estão querendo um furo jornalístico seu, informando, por exemplo, o que a Ministra e ex-terrorista Dilma fez com o dinheiro proveniente do assalto e furto do cofre do falecido Ademar de Barros, pois isso pertence a um passado anterior à Anistia, além do que, sabem faltar-lhe tutano para tanto.
Cooperando com o jornalista, opino que deva se atualizar no tempo, pois fato ligado ao período revolucionário não mais é herança maldita, pois, tudo já é do conhecimento do leitor.
Os leitores estão interessados não é em heranças, mas, em fatos malditos que maculam a imagem do Governo petista, ex- guardião da honra, da decência e da moralidade. O que a Nação almeja saber, é qual foi o exato envolvimento do presidente Lula no escândalo do mensalão. Na era petista denúncias em forma de escândalos são sucessivas. Que tal procurar esclarecer a verdade sobre as acusações de corrupção que teriam enriquecido o filho do presidente Lula?
Não, jornalista! O ontem é passado! O hoje, por ser presente, é o que importa! Herança maldita já é História e apenas serve para reciclar a memória. Fato maldito, ao contrário, é ato doloso de um Governo corrupto, cujo prosseguimento, para ser impedido, requer ação de todos os seguimentos vivos da Nação. Já que os atuais Comandantes não se sentem atingidos, nem prejudicados por nenhuma herança maldita legada pelos antecessores, sugiro que escreva algo de realmente útil, clamando pela apuração dos despudorados fatos malditos, consubstanciados nas vergonhosas maracutaias que estigmatizam e enlameiam o Governo do apedeuta Lula da Silva.

Fonte: Navegação Programada - 19 Ago 08

Resposta de Um "Sujeito" à Revista Época

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por Carlos Alberto Brilhante Ustra
O brilhante jornalista Oliveiros S. Ferreira, em recente artigo apresenta os objetivos de membros do governo quando tratam da Lei de Anistia e suas conseqüências. Diz ele:
Comecemos pelos objetivos. O de Tarso, Oficial da Reserva da Arma de Artilharia, decompõe-se em primário, secundário e final. O primário é expor à execração pública os militares acusados da prática de tortura; o secundário condená-los; o final, reduzir as Forças Armadas a um silêncio ainda mais calado do que o que ostentam hoje, especialmente o Exército. Os objetivos dos que estão contra Tarso, defender o Coronel Ustra, ponto final. Embora com isso defendam indiretamente a razão do Exército — mas isso apenas indiretamente” .
Com seguidas reportagens, a Revista Época, enquadrando-se no primeiro objetivo exposto acima, faz coro com a esquerda no sentido de me expor, especificamente à execração pública. No dia 18 de agosto de 2008, publicou mais uma reportagem intitulada “Porque o trauma persiste”.
Entre outros assuntos diz que:
O aposentado José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão mais velho de Lula, passou duas semanas como prisioneiro do DOI-CODI, sob o comando do coronel Ustra, em São Paulo. Frei Chico disse a Época: Não quero criar brigas nem conflitos, mas não acho justo o que aconteceu com os torturadores. Eles maltratavam a gente. Éramos humilhados e tratados como animais. Passei por toda a série: fui para o pau–de-arara, tomei choques elétricos, apanhei com um pedaço de pau. Outro dia, encontrei num posto de saúde um médico que me torturou. Não lhe aconteceu nada. Não sei se isso é legal ou não. Eu acho que é errado”.
Mentira. A verdade não é o objetivo da Revista Época. Na realidade, Frei Chico, o aposentado José Ferreira da Silva, irmão do Presidente Lula, foi preso em 1975 e o Cel Ustra passou o comando do DOI em janeiro de 1974. Portanto, é falsa a informação de que ele teria passado por uma série de torturas sob o comando do Cel Ustra.
Isso pode ser comprovado em Folha Online, de 28/10/2002, onde consta:
Frei Chico conta que, quando foi preso, em 1975, Lula estava no Japão participando de um evento do sindicato."
Isto É-Dinheiro também confirma a inverdade da afirmação da revista:
Filiado ao clandestino PCB desde 1971, Frei Chico queria apresentar ao irmão as idéias de Marx e Lênin. Emprestou um livro comprado em sebo, “O que é a Constituição”, e parou por aí. Lula nunca quis saber de filiações. Sobretudo depois de 1975, quando Frei Chico foi preso por agentes da repressão do governo militar".
Seria conveniente, a bem da verdade, que Frei Chico comprovasse o ano de sua prisão, em que Auditoria Militar foi julgado e qual o resultado desse julgamento.
Continuando a execração, a revista Época publica:
“Envolvido em dois processos na Justiça, Ustra tornou-se um símbolo dessa situação. Para defender-se, ele convocou os atuais chefes do Comando Militar, entre eles o comandante do Exército, Enzo Martins Peri. Com base na experiência do passado, era de imaginar que um recurso desse tipo tivesse acolhida firme e segura na caserna. Hoje, não é mais assim, segundo Época apurou em conversas informais com dois integrantes do Alto-Comando do Exército. Não temos o que falar nesse processo, diz um dos generais. ‘Éramos muito jovens naquele período. É uma perda de tempo absurda. O que o sujeito (Ustra) quer: causar um problema para o país? Os brasileiros não estão preocupados com isso, mas com o futuro.’ Outro general questiona: ‘Como podemos ser testemunhas de coisas que não testemunhamos’”?
Pelo teor das reportagens que Época tem apresentado, pelas acusações que tem me dirigido sem as devidas provas, pelo que conheço da formação dos oficiais do Alto-Comando, custo a crer que tais afirmações possam ser verdadeiras. Além disso, a revista não cita o nome dos dois generais, o que me faz duvidar, mais ainda, da honestidade nesta notícia.
Aos dois jornalistas que assinam a matéria informo que:
Esse "sujeito" a quem os senhores se referem, trata-se do Cel Reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, que, anos idos de 1970, atendendo às ordens recebidas dos seus superiores hierárquicos, deu tudo de si para cumprir com o seu dever de soldado.
Esse "sujeito" era um simples major estagiário da ECEME, servindo no QG do II Exército, quando foi chamado pelo seu comandante, general José Canavarro Pereira, que lhe transmitiu a seguinte ordem; “Major, o senhor foi designado para comandar o DOI/CODI/II Exército. Vá. Assuma e comande com dignidade”.
Esse “sujeito”, dentro de sua capacidade, fez o possível e o impossível para cumprir a ordem recebida. Foi humano e justo. Seus chefes sempre o elogiaram.
Esse "sujeito", senhores, foi condecorado com a Medalha do Pacificador com Palma. Talvez os senhores não saibam o que ela representa.
Esse "sujeito" quase foi seqüestrado por organizações terroristas durante três oportunidades. Nos quase quatro anos do seu comando no DOI, a mulher desse "sujeito" e sua filha, com um ano de idade, eram ameaçadas de seqüestro freqüentemente. A mulher desse "sujeito" não tinha o direito de passear com a filha em uma praça. 
Esse "sujeito" e sua família viviam sob ameaças de todo o gênero, trocando o número do telefone constantemente.
Esse "sujeito" a quem os senhores aludem, entrou em combate, de arma na mão, e viu seus subordinados se esvaírem em sangue, feridos pelas balas dos terroristas.
Creio, senhores, que quem nunca entrou em combate e nunca teve suas esposas e filhos ameaçados, não saiba imaginar o que é isso.
Deve parecer estranho aos dois jornalistas que no processo que tramita na Vara Federal, da iniciativa de procuradores da República, eu indique como minhas testemunhas de defesa, por ocasião da oitiva, os generais do Exército Brasileiro ocupantes das funções de: Comandante do Exército, Comandante Militar do Sudeste, Chefe do Estado Maior do Sudeste e Chefe do Centro de Inteligência do Exército. Eles hoje são os substitutos legais dos chefes que, na época do meu comando do DOI, deram-me as ordens cumpridas por mim, rigorosamente.
Por isso mesmo, duvido que os dois generais do Alto-Comando tenham afirmado que não têm o que testemunhar, pois não viveram aquela época e que a minha indicação para deporem seria uma perda de tempo absurda.
Todos sabemos que, hoje, o Exército é outro.
Não creio que os generais de hoje, depois de passarem por tantas escolas, tantos comandos, não possam ser testemunhas do que se passou naquele período porque não sabem de nada e não vivenciaram o que se passou.
É inacreditável que não saibam como e por que o major José Toja Martinez foi assassinado; que o tenente Alberto Mendes Júnior tenha sido morto a coronhadas, quando cumpria uma missão dada pelo Exército; que uma bomba destruiu parte do QG do II Exército e estraçalhou o soldado Mário Kozel Filho; que um bomba explodiu no Aeroporto de Guararapes, matou duas pessoas e feriu outras treze, inclusive seu colega, Gen Sylvio, que perdeu todos os dedos de uma das mãos.
É incrível que os senhores generais não saibam que quatro diplomatas foram seqüestrados; que 120 brasileiros foram mortos por atos terroristas; que oito aviões de carreira foram seqüestrados; que centenas de bancos foram assaltados; que bombas explodiam diariamente; que o inimigo não era composto por estudantes desarmados, mas, sim, por elementos treinados em técnicas de guerrilha no exterior.
É inacreditável que os senhores generais não saibam que, atendendo ao clamor da sociedade, as Forças Armadas, particularmente o Exército, cumprindo uma Diretriz do Presidente da República, assumiram a responsabilidade pelo combate ao terrorismo.
Se for verdadeira a afirmação da Revista Época, o ensino do Exército deve estar cometendo uma falta muito grave ao ignorar um assunto tão importante, em que a participação da Força Terrestre se destacou na luta pela manutenção da democracia.
Caso existam dúvidas sobre o que aconteceu naquele período, leiam o livro do general Del Nero, o livro do Cel Madruga e, se puderem, leiam o meu último livro. Consultem o arquivo do Exército. Disponibilizei, para que possam tomar conhecimento do que se passou naquele tempo, junto ao CComSEx e ao CIEx, as razões da minha defesa no processo.
O "sujeito”, senhores jornalistas, não quer causar problema nenhum ao país. O que ele quer é que a Instituição Exército Brasileiro, que lhe designou para o comando de um órgão de repressão ao terrorismo, seja testemunha do reconhecimento do trabalho por ele prestado. Que declare o que se passou naquela época. Declare que o Exército assumiu o comando do combate ao terrorismo para evitar o caos.
O “sujeito” não quer que os generais o defendam. Quer, apenas, que eles defendam a Instituição Exército Brasileiro.
No final do artigo, a revista diz que:
Pode-se apostar que o Exército nada fará para incriminar Ustra. Mas estabeleceu um limite para protegê-lo”.
O Exército atual nunca me defendeu e nem me protegeu. Nunca me procurou para saber se poderia me ajudar em alguma coisa.
O “sujeito” não quer e jamais quis trazer problemas para o Exército. Entretanto ficar calado e omisso quando é injustamente acusado não é do seu feitio e, enquanto tiver forças, lutará e enfrentará essa esquerda revanchista.
Felizmente, tenho tido o apoio dos companheiros da reserva e de inúmeros oficiais da ativa, muito mais do que enxerga esse jornalismo mentiroso e caolho.
Carlos Alberto Brilhante Ustra
é Cel Reformado do EB.
Fonte: Alerta Total

terça-feira, 19 de agosto de 2008

No Contra Ataque!! Bamo que Bamo!!!

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Procuradores vão se assustar
Os procuradores do Ministério Público Federal, que andam apoiando seminários em favor de reinterpretações da Lei de Anistia ou cobrando punição para os militares que acusam de torturadores, terão uma surpresa histórica nada agradável.
O Delegado Carlos Alberto Augusto, que atuou como investigador no DOPS (Departamento da Ordem Política e Social) nos tempos da dita-dura, vai cumprir a promessa de contar o que sabe sobre colaboradores e informantes do sistema de repressão, que hoje posam de “vítimas da dita-dura” e até recebem indenização de “perseguidos políticos” quando, no passado, agiram como meros alcagüetes.
O delegado Carlos Alberto vai contar estorinhas pouco conhecidas sobre cardeais, padres, metalúrgicos, jornalistas, políticos e muita gente boa da área fazendária – todos colaboradores sistemáticos do esquema de “repressão”.

Leia o Orvil
O livro, escrito ao contrário, conta uma versão bem diferente do que aconteceu nos tempos dos governos dos presidentes militares.
Quem quiser se surpreender com revelações sobre os tempos da dita-dura deve acessar o projeto Orvil, através do link Verdade Sufocada=78 ou adquirir o livro Tentativas de Tomada do Poder, compilado pelo Ten Cel Lício Maciel e o Ten José C. Nascimento.
Fonte: Alerta Total - 19 Ago 08
COMENTO: Já passou da hora de quem ainda possuir qualquer documento sobre o período do Governo Militar "abrir os arquivos" e escancarar a "verdade sufocada", aquela que as "vítimas da dita-dura" não querem que apareça para não desmascará-los.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

República de Analfabetos e Democracia sem Escolaridade?

por Paulo Nathanael Pereira de Souza
O Tribunal Superior Eleitoral divulgou o resultado de pesquisa interna segundo a qual, num eleitorado de 127,4 milhões, que é o brasileiro, 51,5% dos eleitores não conseguiram concluir o ensino fundamental ou sabem apenas ler e escrever precariamente. Dentro desse percentual, 8,2 milhões são analfabetos puros. Como sempre, o Nordeste apresenta a mais alta taxa de analfabetismo e baixa escolaridade, segundo o TSE: 70% desses 8,2 milhões. Trata-se, como se vê, de uma estatística vergonhosa, mas que serve para explicar o retardo político-administrativo em que tem vivido o país, com seus governos estatizantes e a incapacidade da população para reagir a certos absurdos que acontecem no âmbito dos três poderes, o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.
Somos subdesenvolvidos porque o nosso povo é subdesenvolvido. O crescimento econômico não é a causa da prosperidade das nações, e sim o IDH alto da população, índice esse que traz, na sua composição aritmética, um peso maior para a escolaridade popular. A lógica dessa afirmação explica-se pelo fato de todos os países emergentes que estão dando certo terem qualificado a sua educação e ampliado radicalmente o número de anos de estudo da população. Haja vista o que se passa na Coréia do Sul, na Índia, em Cingapura, no Chile, em Taiwan, países que há 40 anos estavam todos abaixo do Brasil em índices de prosperidade, e que, hoje, nos fazem comer a poeira das suas disparadas desenvolvimentistas.
Somos uma República, mas não temos conseguido ser uma autêntica democracia, eis que a insuficiente instrução popular impede a participação cidadã da sociedade nas tomadas de decisão de interesse nacional. Os burocratas e tecnocratas têm substituído a chamada vontade popular. E os que se dizem representantes do povo, quase sempre movidos menos pelo civismo e pela ética e mais pela vocação de fazer fortuna rápida e fácil, criam as condições para que o populismo voraz se fortaleça e perpetue no poder. A democracia moderna depende de uma cidadania participante e consciente, para robustecer-se e poder prestar serviços qualificados à sociedade.
Numa sociedade verdadeiramente democrática não poderia haver as vergonhosas taxas de analfabetismo no eleitorado, como essas denunciadas pelo Tribunal Eleitoral, até porque são os analfabetos, detentores da maioria dos votos, que acabam elegendo presidentes, governadores, prefeitos e parlamentares neste macunaímico Brasil das contradições. A República pode fazer-se com analfabetos, a democracia, jamais.
Se o governo sabe disso tudo, porque não age para, no curto e médio prazo, pôr um paradeiro nessa trágica realidade? Sobretudo, por tratar-se de um governo que, durante dezenas de anos, quando era oposição, vendeu a idéia de que não se resolvia o problema educacional da nação porque a manutenção da ignorância geral convinha à elite no poder. E quando vira governo, o que impede a mobilização dos meios para o combate às desescolaridade popular, notadamente no Nordeste? Por que não se monta uma cruzada em favor da extirpação do analfabetismo do cenário nacional, com centenas de milhares de professores atuando num megaprotesto voltado para isso? É de crer-se que um esforço ciclópico como esse custaria tanto ou menos do que a verba gasta com essas bolsas disso e daquilo, que tem a ver mais com caridade do que com projeto social propriamente dito.
Paulo Nathanael Pereira de Souza é Doutor em Educação e presidente do Conselho de Administração do CIEE
Fonte:  "Correio Braziliense" - 18 Ago 2008

Brasíu, iu, iu, íu...

SEJAMOS EGOÍSTAS; ESQUEÇAMOS O BRASIL! 
PARA O BEM DO BRASIL E DOS EGOÍSTAS
Ainda não parei para ler a respeito, confesso: não sei se o Brasil vai ter – ou está tendo – mais medalhas ou menos do que nos jogos passados. Meu esporte predileto é levantamento de xícara de café. Ouvi o escarcéu que Galvão Bueno fez por causa de uma medalha de ouro na natação. E como chorava o nadador! Ok. Estava emocionado. Agora vi Diego Hipólito cair de bunda no chão. Chorou também. Lágrimas na vitória ou na derrota. Ele pediu desculpas aos brasileiros. Eu não aceito. Não aceito porque ele não me deve nada. A parte que me cabe, eu devolvo. Precisamos parar com essa frescura de achar que os atletas são representantes do povo. Não são! São representantes de si mesmos. E o “país” só vai ter alguma importância nessa área quando as ambições dos competidores forem estritamente egoístas. Se Diego Hipólito nos devesse desculpas, Michael Phelps nadaria em nome da América. Só que ele nada por si mesmo. A América que se dane. Mesmo ganhando os parabéns de Bush. Quem liga? Ele?
Ah, não me venham os especialistas falar sobre como se fazem campeões: sim, investimentos, patrocínio, seleção rigorosa dos pequeninos etc. Eu não entendo nada de esportes. Sei que ou brilham nessa área os Estados Unidos, com o culto ao individualismo — o sujeito se dedica a competir e considera inaceitável perder —, ou brilham as ditaduras: o perdedor é eliminado da história. Não se vive da adulação do esforço coletivo e piedoso, ainda que inútil. O Brasil parece dar pirueta “com a comunidade”; fazer ginástica “com a comunidade”, esforçando-se para levar ao pódio a, se me permitem o gracejo, "média medíocre". Não dá certo.
Há ainda algo a indagar: por que os brasileiros choram tanto quando ganham uma medalha? Você vê americano chorando? Acompanho os jogos de longe tanto quanto possível — e é quase impossível. Phelps está o tempo inteiro com aquela arcada dentária toda torta à mostra, um olhar meio perturbado pela obsessão. Choro? Nunca vi. Não só isso: é pôr o microfone na boca dos nossos atletas, a primeira coisa que fazem é agradecer à mamãe. Um jogador do vôlei teve um filho. Suas primeiras palavras: “Quero agradecer à minha mãe, e espero dar ao meu filho o mesmo que recebi...” Tá bom! Mas a parturiente do dia era outra, né? Sim, numa perspectiva psicanalítica, há quem diga que nós, os rapazes, sempre nos casamos com nossas mães (os casamentos bem-sucedidos), mas convém cortar esse aleitamento materno-espiritual dos esportes. Ou nem toda grana do mundo vai fabricar campeões.
Seja na política, seja nos esportes, seja nas artes, há um culto ao paternalismo e à desproteção sincera, emocionada e esforçada. Lembro do filme Central do Brasil, que fez um sucesso danado. Aquele garotinho em busca do pai era o país em busca da paternidade, como se fosse desprotegido e procurasse o demiurgo de suas fantasias. Ele acabou aparecendo. Agora, a “mãe” já começa a subir no palanque. É o pai do povo, a mãe do PAC, e a gente de bunda no chão.
Diego caiu! Não deve pedir desculpas a ninguém. Tivesse ganhado a medalha de ouro, os méritos, benefícios e honras da conquista seriam só seus. Como Phelps e sua penca de medalhas. Não há melhor receita de sucesso do que ser egoísta e esquecer o Brasil. Melhor para os egoístas e melhor para o Brasil.

EDUCAÇÃO SENTIMENTAL
Escrevi ontem um texto, que reproduzo abaixo, sobre essa bobagem de transformar os atletas em representantes do “povo” e sobre a mania nacional de chorar copiosamente ao ganhar ou não ganhar uma medalha, com os atletas sempre muito gratos à “minha-mãe-que-me-deu-tudo” (admitindo-se, aí, a variante “minha família”). Uma frase exemplar pode se juntar a esse coquetel de sentimentalismo que conforta os derrotados: “A maior vitória é estar aqui”. Não é, não! Objetivamente, a maior vitória, todo mundo sabe, é ganhar a medalha de ouro. O “estar aqui” apenas atende a um chamado da mediocridade adulada. “Quem quer passar além do Bojador tem que passar além da dor” (pesquisem depois sobre essa maravilha!).
Muita gente concordou com o que escrevi; outros detestaram — e as restrições educadas foram publicadas. Vetei os malcriados e os burros, que não entenderam a natureza das minhas observações e me acusam de ter sido desrespeitoso com o pedido de desculpas de Diego Hipólito ou com o choro convulsivo de Cesar Cielo, ambos em pólos expostos no que diz respeito ao objetivo pretendido.
"Desrespeitoso" por quê? Estou fazendo a minha parte para tirar o peso dos ombros desses rapazes, afirmando sem ressalvas: “Vocês não nos devem nada. Não representavam os brasileiros; não foram eleitos para coisa nenhuma. Em condições adequadas, a superação de limites é tarefa apenas individual, que nada deve ao coletivo.” Desrespeitoso e, como direi?, meio moralmente tarado é querer abrigar o “herói” ferido com palavras de piedoso incentivo — espécie de “Madona dos Impotentes” (a expressão é de um livrinho tão antigo...) — ou usurpar coletivamente glórias privadas. Será que estou escrevendo algo tão exótico?
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Queridos, longe de mim querer decretar o fim das expressões individuais de dor e alegria. Ao contrário: busco preservá-las da captura interessada de uma espécie de “cultura” — que, bem..., como tudo, é também política — do sentimentalismo, que, notem bem, vem a ser o justo oposto da dor ou da alegria mais genuínas. Estou convencido de que essa industrialização das emoções faz mal ao Brasil e aos brasileiros, ainda seduzidos pelo clichê derrotista de que “o importante é competir”, quando o fundamental é vencer.
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Eu apenas recomendei que se tire um pouco de alma — individual ou coletiva — das braçadas e dos saltos ginásticos. Ela atrapalha. Vamos ganhar muito se aprendermos a deixar o sentimento para as quatro paredes ou a folha em branco, que abrigam ilusões clandestinas e corações descompassados.
Fonte: leia texto completo em: Reinaldo Azevedo - 17 e 18 Ago 08
COMENTO: Há tempos percebo como cretinice da imprensa, particularmente da televisiva e de forma mais intensa no caso da "Grande Irmã", o exercício de "criar" ou "derrubar" heróis, conforme os interesses (leia-se patrocínios, contratos "por fora" ou jornalistas que também são empresários, "merchandising", etc.). Temos exemplos recentes: "O Baixiiinho RRRomaáario"; "RRRonaaaaldo Fenômeno"; Zagalo; Maguila; RRRRubiiiinho Barichelo, substituídos na "paixão" por Felipe Massa, e outros esportistas que quando rendem boa audiência são "nomeados" como "o Brasil de chuteiras", "o Brasil no pódio" e outras hipocrisias mas, ao terem algum percalço em suas carreiras são "esquecidos", jogados no ostracismo, ou até mesmo criticados de forma contundente. Quantos brasileiros sabem que nos EUA existe uma categoria de automobilismo (Fórmula Indy) em que concorrem sete brasileiros, alguns já campeões na categoria e outros com excelente desempenho?? E o povão sendo induzido a "apaixonar-se" cada vez mais pelo "esporte bretão". É só comparar com atenção o espaço dedicado ao futebol e aos demais esportes nos "cadernos de esporte" de todos os jornais do país.
Concordo plenamente com o autor do texto acima. Na hora do patrocínio (verba, dindim, bufunfa), o privilégio é do futebol. Quem fiscaliza os recursos da CBF??? Quem fala sobre as "anistias fiscais" dadas a clubes de futebol inadimplentes com o fisco?? Quem questiona a "timemania"?? Em compensação, como foi citado acima, os atletas dos outros esportes tem que "se virar" para treinar, sobreviver, e até para viajar para competir. O Ministério dos Esportes é só para empregar a cumpanherada (e isto, diga-se a bem da verdade, não é coisa do desgoverno lulista, já vem de há muito tempo), planejar e gastar com empreendimentos gloriosos (vide o superfaturamento em todos os sentidos ocorrido nos "investimentos" dos Jogos Panamericanos, particularmente em segurança).