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sábado, 20 de abril de 2019

Dissidências das FARC Alimentam o Narcotráfico na Fronteira

por Alicia Liliana Méndez
‘Gentil Duarte’ (esq.) se encontra na Venezuela. Seu 3º homem no comando é ‘Jhon 40’.
‘Gentil Duarte’, um dos homens mais procurados na Colômbia e por quem o Governo oferece até 2 mil milhões de pesos (cerca de 2 milhões de Reais) como recompensa por ser considerado o maior chefe das dissidências no oriente do país se encontra desde novembro do ano passado no estado venezuelano de Amazonas. 
‘Duarte’ chegou ao país vizinho fugindo das operações da Força Pública que o buscam, e desde aquele território tem buscado reforçar sua estratégia para expandir sua rede criminosa. 
Miguel Botache Santillana, nome de batismo de ‘Duarte’, atuou por mais de 30 anos na narco-guerrilha das FARC que se desmobilizou após o acordo de paz, e fez parte da mesa de negociação em Havana. Mas, em um giro inesperado, ‘Duarte’ foi expulso da organização em julho de 2016.
‘Gentil Duarte’ logrou reunir inicialmente uns 300 homens em armas das Primeira, Sétima, 16ª e 62ª Frentes das FARC, que se faziam presentes no oriente do país, mas hoje estaria no comando de mais de 1.000 homens em armas, dos quais pelo menos um terço estaria na Venezuela. 
Ainda que as pessoas comuns denominem esses grupos como dissidências, devido à sua periculosidade o Governo as categorizou como Grupos Armados Organizados Residuais (GAOR), organizações a que se pode enfrentar com todo o poder do Estado, quer dizer, até com operações de bombardeio.
‘Gentil Duarte’ se encontra na Venezuela “coordenando o envio da cocaína que se processa na Colômbia e que ele negocia diretamente com cartéis mexicanos como o de Sinaloa, seu principal aliado, e cartéis do Brasil. Isto com a cumplicidade da guarda venezuelana, que lhe permite o controle tanto das pistas ilícitas e lícitas para o envio de toneladas do alcaloide”, disse uma fonte da Inteligência da Força Pública a El Tiempo.
A fonte adverte que, como parte do pagamento do cartel de Sinaloa, ‘Duarte’ está recebendo armas, especialmente fuzis de longo alcance, os quais ingressam na Colômbia para prover as frentes das dissidências em Guaviare, Vichada, Guainía, Putumayo e parte de Meta. 
Outro parceiro estratégico que 'Duarte' contatou, vem de seus dias de guerrilha se trata da Máfia Síria, da qual ele está comprando armas a um bom preço. 
Após diferentes investigações, o trabalho de Inteligência está analisando a hipótese que adverte “sobre o risco enorme de que muitas das armas que portam hoje as dissidências estejam saindo de um mercado negro no interior das Forças Armadas Venezuelanas”, o que mantém ativados os alarmas na Colômbia. 
‘Gentil Duarte’ goza da proteção de seu terceiro homem no comando, ‘Jhon 40’, que desde há mais de dois anos se encontra no estado de Amazonas (Venezuela), onde conseguiu consolidar uma estrutura armada com cerca de 300 homens, a grande maioria venezuelanos.



Eles os recrutaram aproveitando os problemas econômicos e sociais da Venezuela, pagam-lhes muito pouco, e negociam mais com comida, roupa e proteção”, disse a fonte, que explicou que a avaliação atual da presença das dissidências na Venezuela foi obtida com base em informações coletadas durante os últimos meses através de fontes humanas: dissidentes ativos, e outros que se apresentaram às autoridades. 
Géner García Molina, o ‘Jhon 40’, herdou todo o conhecimento das FARC. É considerado pelas autoridades um especialista em mover a produção e exportação de cocaína, por isso controla os corredores fluviais e terrestres que vão desde Vichada e Guainía até o estado de Amazonas na Venezuela. 
Isto lhe dá o controle das rotas do narcotráfico e da mineração ilegal, em especial o que se denomina ‘o arco mineiro do Orinoco’, onde peritos estimam que Venezuela possa ter a maior reserva de ouro, somada à exploração do coltan.
Campos de treinamento
‘Gentil Duarte’ e ‘Jhon 40’ reativaram as antigas escolas de treinamento em território venezuelano, especificamente nos estados fronteiriços de Amazonas, Táchira e Apure, para onde levam tanto a colombianos como venezuelanos para instrui-los em ideologia política e em estratégias armadas.
Nos pontos de treinamento, segundo adverte o relatório de Inteligência, seus homens aprendem a manejar armas, realizar movimentos táticos, técnicas de segurança área, Inteligência delitiva, emprego de artefatos explosivos e ações terroristas.
Um fator que preocupa a Força Pública é o recrutamento forçado de meninos e meninas entre os 12 e 14 anos que estão sendo levados à força, especialmente de reservas indígenas. Só em Guaviare se sabe do recrutamento de uns 50 menores de idade, cujas famílias não denunciam por temer represálias. Estas crianças são treinadas nos acampamentos em território venezuelano, e depois de uns meses são distribuídos nas frentes de criminosos na Colômbia. 
‘Gentil Duarte’ afirma que seu grupo não é uma dissidência mas sim a verdadeira guerrilha, e por isso em outubro de 2017 realizou uma reunião na zona rural de El Retorno, em Guaviare, onde definiu sua ideologia política e fixou como meta obter entre 2018 e 2019 uns 6 mil ou 8 mil homens em armas, pelo que através de emissários buscou a outros chefes de dissidências no país em busca de una hegemonia.
Segundo fontes de Inteligência, ‘Duarte’ não conseguiu consolidar essa estratégia por duas razões: a primeira é porque está dirigindo a estrutura desde a Venezuela; e a segunda, porque na Colômbia tem como encarregado de seu grupo o guerrilheiro conhecido como Iván Mordisco, dissidente reconhecido por sua personalidade belicosa e conflitiva que não tem a mesma aceitação que ‘Duarte’. Isto se soma à perda de ‘Rodrigo Cadete’ em uma operação da Força Pública 2 de fevereiro passado, quando resultou atomizada a estrutura da Frente 62 que estava a seu comando. Nessa ação foram 17 os mortos e resultaram capturados 42 de seus integrantes.
A Frente 62 se encarregava do transporte da cocaína processada na Colômbia, pelo que se estima que ‘Gentil Duarte’ poderia se ver obrigado a sair de sua zona de conforto (Venezuela) e vir à Colômbia para recompor o grupo criminoso, vital para a organização.
Alerta por recrutamento de menores em três zonas do país
O recrutamento de menores por parte das dissidências das FARC tem acionado os alarmes em três regiões do país. Em Guaviare, Nariño e Norte de Santander, as autoridades estão preocupadas porque membros de grupos que não se desmobilizaram após o acordo de paz estão levando crianças à força para cumprir a meta de recrutamento imposta pelos chefes desta rede criminosa.

Em Guaviare, Nariño e Norte de Santander os alarmas estão ativos.
Foto: Juan Carlos Escobar / Arquivo El Tiempo
Em Guaviare, entre 2016 e 2018, várias advertências foram levantadas, uma delas pela Defensoria alertando sobre o recrutamento forçado pelas dissidências. 
Aqui a situação é grave. Foram levados pelo menos 30 crianças, não só das reservas indígenas como também dos internatos rurais. Mas ¿quem vai denunciar, se a lei é a imposta por eles?”, afirmou uma autoridade civil desse departamento.
Em Nariño também existe uma alta preocupação, pois, segundo autoridades locais, os indivíduos que sobraram de algumas frentes que eram da guerrilha das FARC aterrorizam a população, e é por isso que muitas vezes, as pessoas não denunciam quando os menores são arrebatados de suas famílias para fazer parte de alguma das quadrilhas. 
“Aqui, em Nariño, o tema gera debate e preocupação todos os dias. Há duas grandes frentes das FARC, a ‘Oliver Sinisterra’ que age na costa Pacífica, em Telembí e Barbacoas. E a frente ‘Estiven González’, que se faz presente nos sete municípios da cordilheira”, disse a El Tiempo um integrante do Governo de Nariño, que acrescentou queestas estruturas estão levando as crianças, mas suas famílias não denunciam por medo e porque estas redes criminais convivem na zona”.
Segundo essa fonte, o recrutamento forçado nesse departamento “é alto”.
No Norte de Santander, a situação parece muito mais calma. Todavia, uma fonte da Polícia que pediu anonimato assegurou que nessa região existe a agravante de que as crianças levadas à força são passadas a campos de treinamento no estado de Apure, na Venezuela.
A constante é a mesma, não denunciam pelo temor a represálias e porque sabem que de uma ou outra forma voltarão a ver seus filhos e os tem por perto”, completou a fonte policial.
Além das dissidências das FARC, há outros grupos armados ilegais que continuam com a prática de alistar menores para suas atividades.
No ano passado, a Defensoria do Povo havia emitido 73 alertas sobre recrutamento de varias dessas organizações, principalmente em Antioquia, Chocó e Nariño.
Segundo a entidade, “os grupos armados à margem da lei que realizam estas atividades ilegais são as Autodefesas Gaitanistas Colombianas (AGC), o Exército de Libertação Nacional (ELN) e as hoje conhecidas dissidências das FARC”.

Alicia Liliana Méndez 
Redacción Justicia 
No Twitter: @AyitoMendez
Fonte: tradução livre de El Tiempo
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sábado, 30 de março de 2019

É Assim Que o Tráfico de Armas Funciona

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por Nelson Matta Colorado
Antes de entrar na casa, no bairro Castilla de Medellín, os agentes só sabia duas coisas: que possivelmente havia armas que seriam vendidos a gangues e guerrilheiros de Antioquia, e que o proprietário das mercadorias era um senhor da guerra misterioso conhecido pela alcunha de  "Zeus".
Material descoberto na casa de “Zeus” em 2016, em Aranjuez.
Eles chegaram na madrugada de 22/06/2016 e foram recebidos por um ex-policial de pijama, que dormia na casa com sua esposa e sua filha. Ele ficou apavorado quando viu seus ex-colegas entrarem e, ao removerem um quadro da parede, encontrarem um cofre embutido que continha dois carregadores, 17 cartuchos de munição e peças de pistolas.
Em um esconderijo no chão, sob um ladrilho solto, eles acharam mais 298 cartuchos de calibres diferentes e sobre um beliche, uma caixa com 56 munições para fuzil 5.56. Na propriedade havia mais escaninhos nas paredes, mas estavam vazios.
Dois dias depois, um informante levou os investigadores a uma outra residência de Castilla, desocupada e com um estoque maior: três fuzis 7,62 com 18 carregadores, duas pistolas Glock e Beretta com nove carregadores, um revólver calibre 32, e 20 granadas de mão; além disso, 8.952 cartuchos para fuzil, 450 munições para pistola 9 milímetros e 50 para revólver calibre 38. Mais uma vez, as fontes insistiram que era tudo de "Zeus".
À DIJIN e à Procuradoria informações chegavam aos poucos sobre o personagem, mas nada que permitisse identificá-lo. Foi dito que adquiria armas em Villavicencio e as trazia para Medellín para alugá-las a mercenários ou vendê-las a quadrilhas, dissidências das FARC e a um contato do ELN apelidado de "Mauricio", que as receberia em Anori. A este, eram enviadas desmontadas, em maletas e caixas disfarçadas nos ônibus de transporte público.
Vulgo "Ramiro", chefe da dissidência da frente 18 das FARC, com um fuzil importado
Ninguém no submundo se atrevia a citar seu nome e  por cinco meses houve silêncio, até que outro informante enviou aos detetives uma pista definitiva. Em 22/11/16 eles chegaram a um lava-rápido no bairro Aranjuez, chamado Expresso Car. O local estava ligado a dois apartamentos e um armazém, e na busca foram apreendidas cinco pistolas com sete carregadores, dois revólveres, dois silenciadores, carcaças e canos de várias armas, três carregadores de fuzil, um par de algemas e 462 munições de diferentes calibres inclusive para pistola FiveSeven (5,7x28 mm).
Na operação, um assustado jovem com 22 anos de idade foi preso e disse que o dono do lugar era seu pai, um homem que não estava na cidade. Assim, os agentes obtiveram a esquiva identidade de "Zeus": Joseph Alexander Pelaez Mejia, nascido em 15 de agosto de 1975 em La Virginia, Risaralda, com nacionalidade colombiana e venezuelana e cuja atividade oficial era a de restaurador de carros.
José Alexánder Peláez Mejía, vulgo Zeus.
Um mandado e uma Circular Azul da Interpol foram emitidos, esperando que ele fosse localizado nos países que costumava frequentar, como o Panamá, mas ele conseguiu cobrir seus rastros por três anos.
Em 17/2/2019, um alerta da Interpol foi disparado em Tegucigalpa, Honduras, onde um homem de 43 anos, com características semelhantes às do alvo, havia entrado irregularmente. Era "Zeus".
"Esse homem seria o principal fornecedor de armas destinadas às frentes do ELN e dissidentes das FARC que cometem crimes em Antioquia", disse o general Gonzalo Londoño , diretor do DIJIN.
Em 4 de março ele foi deportado e no aeroporto de Eldorado foi preso; no dia seguinte, na audiência de garantia, a Procuradoria o indiciou por tráfico de armas e munições. Peláez não aceitou a responsabilidade e o Primeiro Tribunal Penal Ambulante de Antioquia o mandou para a cadeia.

Fontes de aquisição
A história de "Zeus" é outro capítulo no mundo sombrio do tráfico de armas em Medellín e Antioquia. De acordo com o Sistema de Informação para a Segurança e Coexistência da Prefeitura, foram confiscadas na cidade, entre 2016 e 2018, 1.957 armas, ou seja, 1,7 por dia. E em 2019 (até 3 de março) eles confiscaram 148, ou 2,4 por dia, em uma capital onde 83 pessoas foram mortas a tiros.
Apesar dos volumes de apreensões, e uma média de 1,2 homicídios com esses dispositivos, as investigações contra esse flagelo são escassas. Isto foi reconhecido pelo general Eliécer Camacho, comandante da Polícia Metropolitana: "quando cheguei (ao cargo) não encontrei uma investigação direta do tráfico de armas. É um problema delicado, neste ano temos 180 armas apreendidas (em todo o Vale do Aburrá) e já não vemos nenhum trabuco ou artesanais, são todas originais".
El Colombiano acompanhou o andamento da situação na última década, e verificando com fontes judiciais e de Inteligência, conclui-se que atualmente a principal fonte de armas são os armeiros dos EUA, especialmente da Flórida. Os traficantes contratam pessoas com cidadania americana e nenhum registro criminal, que compram as armas em lojas autorizadas e as entregam à organização criminosa.
Os rifles e fuzis semi-automáticos, cujo uso na Colômbia é exclusividade da Força Pública, são vendidos nos EUA como artigos esportivos. O controle posterior à venda naquele país não é frequente, não há acompanhamento das armas adquiridas ou um limite máximo de compra, e muito menos quando a transação é por internet.
"Estamos mais focados no que entra no nosso país, como drogas, do que nas coisas que saem", disse um oficial de segurança* com sede em Miami, quando indagado por este jornal. Ele acrescentou que, "apesar do sentimento popular" as tentativas de restringir as armas são frustradas por causa da interpretação feita pelo Supremo Tribunal Federal sobre a Segunda Emenda; e pelo influente lobby da Rifle Association, que inclui contribuições milionárias para campanhas políticas.
Os artefatos são exportados de Miami e do México e, em menor escala, pela Venezuela e pelo Equador. A rota marítima às vezes faz uma parada no Panamá, ou vai diretamente para os portos de Barranquilla, Buenaventura e Turbo; ou por via aérea, em voo de carga para Bogotá.
As armas vêm desmontadas e escondidas em caixas de eletrodomésticos, equipamentos de ginástica e autopeças. Aqui eles são distribuídos como encomendas, em táxis, ônibus, caminhões para o transporte de resíduos biológicos e hospitalares ou com logotipos multinacionais.
"Sabemos que aqueles que recebem as armas alugam apartamentos em Medellín e os ocupam por dois meses, até que o pacote chegue. Às vezes eles usam parentes, que dão seu endereço para o envio; estes não abrem a caixa, então eles não sabem o que ela contém", disse um promotor*.
Em muitos casos, há uma troca de armas por cocaína, entre cartéis internacionais e facções locais, como o Clã do Golfo, "a Oficina", ELN e o Clã Isaza do Médio Magdalena. "Os traficantes atuam como agentes de comissão entre estrangeiros e colombianos, coletam quantidades de drogas que partem de 300 quilos e as exportam, e depois trazem o arsenal", completa o jurista.
Outra modalidade de abastecimento, especialmente de explosivos e munições, envolve batalhões e armazéns militares e policiais, no que é conhecido como o mercado cinza: quando a transação começa com a aquisição legal e por várias razões acaba nas mãos de um ator ilegal.
Há três exemplos recentes: a captura do patrulheiro Ferley Cardona, do SIJIN de Antioquia (22/2/17). Em uma busca numa casa do bairro El Volador, eles apreenderam dois revólveres, 11 granadas, 288 cartuchos de explosivos Indugel, quatro rolos de estopim e 3.700 detonadores. De acordo com o Ministério Público, esse Indugel fazia parte de um carregamento de 2,7 toneladas confiscadas em Segovia e supostamente destruídas pela Polícia. Aparentemente, os uniformizados conspiraram com outros para vender ao Clã do Golfo.
O segundo caso é o do Major Héctor Murillo, chefe do Modelo Quadrante da Polícia em Antioquia, preso em 25/11/17 e processado por corrupção. De acordo com o arquivo, ele trabalhava para o Clã do Golfo e uma de suas funções era obter armas e munição.
E o terceiro começou com uma queixa da 17ª Brigada do Exército, que em 12 de janeiro relatou que um fuzil e uma metralhadora desapareceram do Batalhão de Engenheiros localizado em Apartadó.
Claudia Carrasquilla, chefe da Diretoria de Promotores Contra o Crime Organizado, lembrou que "muitos líderes de organizações ilegais têm armas com permissão para porte, obtidas em diferentes Brigadas". Um deles é Sebastián Murillo ("Lindolfo"), um dos líderes da "Oficina", capturado em 2018.
Um investigador de polícia* afirma que "90% dos homicídios em Medellín são com munição fabricada por Indumil (Indústria Militar Colombiana), há um grande desvio de balas em depósitos dos órgãos de segurança".

Perfil de "empresários"
Perseguir os traficantes é complexo, segundo os investigadores, porque eles têm um perfil diferente do bandido convencional. Seu estilo é empresarial, eles não estão na folha de pagamento de grupos tradicionais e nunca sujam as mãos com a mercadoria. Eles não são doutrinados, então eles negociam com o maior lance e vendem para facções inimigas entre si.
Nessa descrição não só cabe "Zeus", também Elkin Gallego Yepes ("El Negro"), outro dos poucos traficantes descobertos em Aburrá. Ele liderou uma estrutura que conseguia armas para diferentes clãs e tinha depósitos em Medellín, Bello e Guarne, onde ele transportava as mercadorias em táxis.
Entre os fatos que conduziram à sua prisão, houve a captura de 10 revólveres em um táxi em Calazans (24/06/2015) e 400 cartuchos de 9 mm em outro "amarelo" (cor dos táxis na Colômbia) que circulava pelo bairro Alfonso Lopez (05/08/2015).
Fusil Barret capturado do ELN em Anorí
Interceptando as comunicações de "El Negro", as autoridades aprenderam a linguagem criptografada que usavam para o comercio ilícito. Um revólver, segundo a marca, era chamado de "alacrán" (Escorpião), "Martínez" (Martial), "Don Walter" (Walter) ou "Rogelio" (Ruger); a munição, "fruticas", "caixa de arroz chinês", "comidita" ou "Cartão Sim longo" (projéteis de longo alcance); para carregadores, "cocos" ou "controles"; e para as pistolas, "brinquedo" ou "negrita".
"El Negro" e três comparsas, incluindo o superintendente César Augusto Aristizabal, vulgo "Peska", ligado à Direção da Polícia de Trânsito, foram presos em 2015 e condenados a penas entre 7 e 10 anos de prisão.
Apesar dos esforços, continuam a entrar novas armas na região, tais como as que foram encontradas em 11 de fevereiro em um cortiço em Bello, incluindo uma metralhadora M60, cinco fuzis, sete pistolas e carregadores alongados, que foram entregues por um desertor ELN.
Ricardo Abel Ayala, vulgo "Cabuyo".
Logo depois, no dia 25 de fevereiro, em uma fazenda na aldeia de Las Conchas, em Anori, prenderam "Gabino", um guerrilheiro ELN, que havia escondido, enterrado, um poderoso fuzil Barret .50 capaz de perfurar veículos blindados e atingir um alvo a 2,5 km de distância.
Esta mesma arma já havia sido vista na posse de Ricardo Ayala ("Cabuyo"), líder da dissidência da 36ª Frente, um esquadrão de foras da lei que atua no norte da Antioquia. Ele é um dos principais clientes dos senhores da guerra que, como "Zeus" e "El Negro", lucram com a violência em uma região acostumada a enterrar pessoas todos os dias.
* Identidades reservadas
Fonte: tradução livre de  El Colombiano.com
COMENTO:  observando-se o método e a rota utilizada pelos traficantes de armas para a Colômbia e somando isto à recente apreensão de mais de uma centena de fuzis de um meliante e proprietário de uma lancha de grande porte me reforça a intuição de que os grandes fornecedores de armas para a criminalidade do Rio de Janeiro estão estabelecidos nos EUA e não no Paraguai como divulgam para despistar. É facílimo trazer um caixote com armas em um navio e comunicar ao traficante quando chegar no litoral brasileiro, para que este se desloque até o encontro em alto mar, em alguma embarcação "de luxo" e receba a carga. Depois, é só voltar a alguma marina de algum clube de luxo, e rebocar seu barco com a valiosa carga de volta para casa. Ou alguém fiscaliza as saídas e chegadas de iates nos grandes clubes??
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sexta-feira, 22 de março de 2019

Base Espacial Chinesa na Patagônia Preocupa.

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A desproporcional base espacial que o governo nacionalista-populista de Cristina Kirchner concedeu à China na Patagônia causa cada vez mais preocupação na Argentina e no mundo, como pode se ver em reportagem do jornal portenho La Nación”.
Base Chinesa na Patagônia não é só civil, diz Exército dos EUA
Teme-se cada vez mais sobre sua verdadeira finalidade. Recentes fatos, como o pouso de uma nave chinesa no lado escuro da Lua multiplicaram os temores.
A base dirigida pelo Exército Vermelho comunista teria também um objetivo militar.
Durante milênios as guerras e as hegemonias imperiais tinham como objetivo supremo o domínio da superfície terrestre.
Em séculos recentes, os impérios coloniais como o inglês privilegiaram o controle dos mares, e dos estreitos que controlam a navegação.
A II Guerra Mundial transferiu essa importância ao controle do ar.
As forças aéreas os aviões primeiro, e os mísseis posteriormente passaram a ser determinantes para o domínio do mundo ou de continentes inteiros.
Hoje o controle do espaço e das comunicações via satélite para usos militares é campo de luta primordial para as potências.
Nesse contexto foi posta em funcionamento num local desértico e afastado uma estação espacial chinesa de observação e exploração que diz ter finalidades “pacíficas”. E isso é o que cada vez menos se acredita.
Pequim ganhou de mão beijada uma área de 200 hectares, perto do povoado de Bajada del Agrio, na província de Neuquén, na estepe patagônica.
A área é na prática um enclave soberano chinês. Funciona sem supervisão das autoridades argentinas, leia-se só vigora a lei chinesa, os trabalhadores e cientistas só são chineses, que não falam espanhol, quase não se fazem ver e obedecem a um general do Exército vermelho.
Infografia publicada pela imprensa argentina
A agência Reuters obteve acesso a centenas de páginas de documentos oficiais dos acordos, aliás secretos, assinados por Kirchner. A documentação foi revista por especialistas em direito internacional.
Os EUA consideram que a China está “militarizando” o espaço e que a estação da Patagônia, acordada secretamente com um governo corrupto é mais um exemplo de táticas chinesas predatórias da soberania das nações, explicou Garrett Marquis, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca.
Por sua vez, Tony Beasley, diretor do Observatório Nacional de Radioastronomia dos EUA avala que a dita base pode “escutar” os satélites de outros países para surrupiar dados confidenciais. 
Trinta empregados chineses trabalham e moram na base que não admite argentinos, disse a prefeita local, Maria Espinosa. Os habitantes da zona rara vez veem alguém na cidade.
Alberto Hugo Amarilla, dono de um pequeno hotel, conta que um funcionário chinês o saudou com entusiasmo pois tinha sabido que era oficial retirado do exército. O chinês era general...
Base funciona como território soberano chinês.
Apresentando seu informe anual, no Congresso, o chefe do Comando Sul dos EUA, o Almirante Craig S. Faller, manifestou sua “preocupação” porque a base chinesa pode “monitorar alvos estadunidenses”, escreveu o quotidiano Clarin de Buenos Aires. 
Os perigos da penetração informática militar da China na Argentina atingem toda a América do Sul. 
Eles são acrescidos à expansão de empresas engajadas com a telefonia celular, como a Huawei e a ZTE que “penetraram agressivamente na região”, com uma estratégia que “põe em risco a propriedade intelectual, dados privados e segredos de governo”. 
O Pentágono considera, além do mais, que essas empresas incluem dispositivos nos smartphones que comercializam para grampeá-los e repassar os dados à China.
De maneira análoga, segundo a agencia britânica Reuters a base chinesa age como uma “caixa preta” para registrar toda espécie de informações sensíveis. 
Segundo militares citados pela revista Foreign Policy a forma do imenso radar revela que é usado para reunir informação sobre a posição e as atividades dos satélites militares americanos. E sublinham que a China fala muito de um espaço livre de armas, mas é a primeira em não respeitar o que diz. 
No Congresso estadunidense, o almirante Faller elencou entre as “principais ameaças” à paz mundial, a Rússia, a China, o Irã, e seus “aliados autoritários” de Cuba, Nicarágua e Venezuela.
O jornal portenho Clarín publicou fac-símiles do tratado secreto que confirmam esses temores. 
O tratado cria “uma zona de exclusão”, que tem um raio de até 100 kms em volta dos 200 hectares. Nessa “zona de exclusão”, os civis argentinos não poderão acionar aparelhos que usem ondas de rádio “como equipamentos domésticos, dispositivos para carros,” etc.
O prefeito de Bajo del Agrio, a localidade mais próxima à base, Ricardo Fabián Esparza, usou uma metáfora caseira para dizer que tudo se passa como se os chineses quisessem espionar até as peças íntimas de nosso vestuário.
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domingo, 10 de março de 2019

A Espionagem Venezuelana em Bogotá

por Unidad Investigativa
Na foto, Carlos Pino em Bogotá na companhia de Royland Belisario, membro do SEBIN.
Foto: Arquivo particular
Organismos de Inteligência dizem que há US$ 5 milhões para atos de desestabilização na Colômbia.
Vários dos mais de 700 militares venezuelanos que se entregaram na fronteira com Colômbia vem advertindo a membros de organismos de Inteligência que ao menos dois deles não estão dizendo a verdade sobre o cargo e Unidades a que supostamente pertencem.
Ainda que não se descarte que estejam mentindo para proteger-se das represálias do regime de Nicolás Maduro, está sendo verificado se fazem parte do plano de espionagem que a Venezuela ordenou iniciar há uns meses nas ruas de Bogotá.
El Tiempo teve conhecimento de uma diretriz que organismos de Inteligência colombianos atribuem ao Comando Estratégico Operacional das Forças Armadas da Venezuela (CEOFANB), datado em 10 de agosto de 2017, na qual se ordenou um deslocamento de “redes de Inteligência exterior em território colombiano, para efetuar operações encobertas em torno a interesses militares e ameaças provenientes de Colômbia e de Estados Unidos”.
O epicentro da espionagem é Bogotá, mas informação de Inteligência assinala que há pelo menos 50 membros do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN) dispersos em pelo menos oito regiões do país.
Além disso, asseguram que sua missão se ampliou a controles e vigilâncias a opositores refugiados na Colômbia, a membros de missões diplomáticas de países que apoiam a saída do poder de Maduro e a funcionários colombianos de alto nível.
O dado mais recente que há sobre essa investida assinala que existe um orçamento de 5 milhões de dólares para executar atos de desestabilização na Colômbia, que incluem desde a infiltração nas marchas e protestos, até ações contra Juan Guaidó, o presidente interino de Venezuela.
Com base nessa informação, no final de fevereiro, o chanceler Carlos Holmes Trujillo responsabilizou Maduro por qualquer agressão que possa ocorrer contra Guaidó, que passa pela Colômbia para assistir à reunião do Grupo de Lima.
Há evidencias de que a ordem de planos de espionagem na Colômbia ganhou maior força depois que Duque assumiu a bandeira do bloco de países que exigem a saída imediata de Maduro e o reconhecimento de Guaidó como presidente de transição para que ocorram eleições presidenciais livres.
Assim se lê em documentos de Inteligência, nos quais inclusive, aparecem varias fotos tiradas do embaixador dos Estados Unidos em Bogotá, Kevin Whitaker, por um agente do SEBIN.
O espião foi revelado ao aproximar-se demais do custodiado diplomata durante um foro sobre migração venezuelana, em 16 de outubro de 2018, a que também assistiu o chanceler Trujillo.


Coletivos chavistas e ELN
As fotos de Whitaker 
 cujo governo não descarta uma intervenção militar na Venezuela  foram enviadas em tempo real (3:44 da tarde) a Royland Belisario, membro do SEBIN, que esteve no serviço diplomático venezuelano em Bogotá e foi visto rondando Cúcuta.
Estas foram as fotos que percebidos membros do SEBIN tiraram do embaixador de EUA e do chanceler Trujillo em Bogotá.  Foto: Arquivo particular
Belisario já havia aparecido em informes de Inteligência, de dezembro passado, que serviram de base para que a Migração Colombiana ordenasse a expulsão imediata do venezuelano Carlos Manuel Pino García, por espionagem. Trata-se de um assessor da missão diplomática de Caracas em Bogotá, casado com Gloria Flórez, ex-congressista do Polo Democrático e secretaria de Governo do governo municipal de Gustavo Petro, entre 2014 e 2015.
Ainda que a ex-congressista tenha interposto uma ação legal desmentindo as acusações, qualificando-as de montagem e exigindo que seu esposo seja devolvido, autoridades judiciais tem evidencias (incluindo áudios), de que Pino mantinha contatos com membros das desmobilizadas estruturas das FARC, e que trabalhava na obtenção de apoios a favor do regime de Maduro.

El Tiempo obteve uma foto na qual ele é visto caminhando por uma rua de Bogotá ao lado de Royland Belisario (no topo da postagem).
Além disso, ele foi relacionado a seguimentos (vigilância) feitos a membros do Tribunal Supremo de Justiça Venezuelano no exílio. Um deles, Zair Mundaray, denunciou fustigamentos durante sua estadia em Bogotá e depois se soube que membros dos violentos coletivos chavistas foram encarregados dessa operação. Ainda, há evidencias de que o SEBIN está em contato com membros do ELN, autores dos mais recentes atentados com explosivos em Bogotá.

A informação do General
O SEBIN e os coletivos chavistas firmam alianças com setores favoráveis à defesa do regime, para criar cenários de crise na Colômbia, como os distúrbios em marchas e as ações do ELN”, explicaram fontes de Inteligência.
Inclusive se sabe que, no primeiro sábado de cada mês, se reúnem com membros da Inteligência de outros países afins a Maduro, para intercambiar informação sobre os objetivos em Bogotá.
Nos últimos três meses, Colômbia já localizou e expulsou pelo menos uma dezena de explícitos espiões e infiltrados do regime de Maduro. Porém os alarmes seguem ativos inclusive em um tema que se acreditava sepultado: um atentado contra o presidente Iván Duque.

El Tiempo constatou que o Major-General Hugo Carvajal  homem forte da Inteligência de Hugo Chávez e de Maduro  já ofereceu entregar informação sigilosa sobre este tipo de planos do regime de Maduro contra a Colômbia.

Migração Colombiana reconsidera a expulsão de "Pau Pau"
Apesar de que, no momento de sua expulsão chorou e insistiu que não era uma espiã do regime de Nicolás Maduro, a Inteligência do Exército colombiano ratificou que a venezuelana Tania Pérez tentou se passar como um dos membros das forças armadas do país vizinho que abandonavam o atual governo.
De fato, foi confirmado que ela responde ao codinome de "Pau Pau" e que sua verdadeira intenção era recolher informação sobre como estão sendo recebidos os uniformizados que abandonam as filas do regime, com a finalidade de envia-la a Caracas para tentar frear as deserções. “É uma ameaça para a segurança nacional”, indicou a Inteligência colombiana.
Entretanto, a Migração Colombiana informou neste sábado (2/3/19) que, com base em novo documento dos organismos de Inteligência, tomou a decisão de não expulsar 'Pau Pau'. El Tiempo obteve de fontes do Governo que a mulher ofereceu entregar informação para “ajudar a restituir a democracia na Venezuela”.
Assim, mesmo que inicialmente não tenha atendido os protocolos de verificação que a Colômbia implementou para atender os desertores venezuelanos, agora ela colaborará com as autoridades colombianas, aportando informação relevante. A decisão de que a mulher permaneça na Colômbia está sustentada em um documento em que deixou formalizada sua vontade de contribuir com a normalização da institucionalidade em seu país.
Tania Pérez, de alcunha "Pau Pau de 28 anos , era membro da Polícia Estatal venezuelana e possui informação sobre movimentos na fronteira com Colômbia por parte do regime de Nicolás Maduro.
O cancelamento da medida de expulsão coincide com a decisão do Governo venezuelano de descender os mais de 700 membros de suas Forças Armadas que se entregaram na Colômbia. Assim consta em um boletim oficial publicado recentemente, onde acrescenta que eles foram expulsos pelos delitos de deserção e traição à Pátria.


Cúcuta, o outro ponto sensível da tensão com Caracas
Para organismos de Inteligência colombianos a melhor evidencia de que há espiões venezuelanos cumprindo missão na Colômbia foi a captura de cinco pessoas, em 19 de fevereiro em Cúcuta, quando se preparava o grande concerto pela paz e a mobilização de ajuda humanitária na fronteira.
Os detidos haviam se hospedado no Hotel Hampton, o mesmo em que permaneciam vários deputados da ala de Juan Guaidó. A SIJIN 
(Seccional de Investigação Judiciária e Interpol) comprovou que o grupo estava acompanhando os movimentos dos deputados, gravando  videos e tomando fotos deles.
Segundo um relatório oficial, conhecido por El Tiempo, no momento de sua retenção disseram ser turistas, que não portavam documentos e que estavam fazendo compras no centro comercial Unicentro.
Mas com um deles, identificado como Oberto Junior Bohórquez Camejo, acharam um passaporte venezuelano, com visto americano, em sua maleta. O sujeito é um intermediário na compra de faturas e portfólios, atividade que está sendo exercida para dar liquidez ao regime.
Seus acompanhantes, que portavam cartões de fronteira falsos, foram identificados como Luis Enrique Duarte Moreno, Erwin Javier Flórez, Jesús María Bohórquez e Laura Elena Carroz.

Temos a certeza de que a mulher é do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN) e que todos estão ligados a um programa que se chama ‘Grande Missão de Lares da Pátria’, que depende da vice-presidência venezuelana”, explicou a este diário um investigador.
Embora Laura Elena Carroz não tenha registro de movimentos migratórios legais para a Colômbia, apareceu hospedada anteriormente no Hotel Casino e já tinha outra entrada no Hampton.
Não vamos permitir que cidadãos estrangeiros ingressem em nosso país para afetar a ordem e a tranquilidade social. Sabemos que há um interesse manifesto por parte da ditadura de Maduro para afetar a segurança nacional diante os eventos que estão próximos a realizar-se”, indicou no fim de semana passado Christian Krüger, diretor da Migração Colombiana.
Nessa jornada, que terminou em distúrbios e até na polêmica queima de ajudas, houve outra captura. A de Crober Elías Paraco Silvera, membro ativo da velha Polícia Técnico Judicial de Venezuela (PTJ). O sujeito tomou fotos no posto fronteiriço e, quando interpelado, disse que ia buscar provisões para sua família.
Por enquanto, os alarmes estão ativos no Norte de Santander, Arauca e La Guajira, a fronteira porosa entre Colômbia e Venezuela, por onde estão ingressando os mal chamados desertores do regime. Mas também está sob vigilância outra passagem: a fronteira com o Brasil onde no fim de semana passado (23/2/19) se registraram graves distúrbios. 


Fogo amigo
O que os organismos de Inteligência e agencias de outros países pretendem é habilitar uma plataforma de informação que permita identificar a todos os uniformizados que busquem passar para Colômbia. Além do ingresso de potenciais espiões, o que tentam evitar é que militares venezuelanos e coletivos chavistas os alvejem a tiros, como ocorreu há alguns dias na fronteira com Brasil.

Unidad Investigativa
u.investigativa@eltiempo.com
Twitter: @uinvestigativa
 Fonte:  tradução livre de El Tiempo
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quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Lucho, o Policial Que Aniquilou 19 Chefes das FARC


O agente da Polícia morreu de câncer.
Partiu com 14 condecorações e a gratidão de sua pátria.
 Luis Sierra em dois momentos de sua vida: internado na selva (dir.) e recebendo o Premio de melhor policial
 Foto:   Arquivo particular
Por Unidad Investigativa
A Polícia se prepara para render honras póstumas a Luis Eduardo Sierra Guerrero, o Subintendente (grau hierárquico superior aos Patrulheiros e subordinado aos Comissários) especialista em Inteligência que passou a metade de seus treze anos de carreira infiltrado nas FARC.
Aos 26 anos se internou na zona de Darién e do Urabá para localizar acampamentos, camuflar dispositivos de localização por satélites que permitir o Exército e a Força Aérea colombiana bombardear com precisão pelo menos quinze objetivos de alto valor da guerrilha.
Suas atuações foram retribuídas por dezenove citações elogiosas e quatorze Condecorações de seus superiores, que ele só podia receber durante os dias de descanso que tinha entre uma missão e outra.

Para se infiltrar nos bandos de ladrões de joalherias e de guerrilheiros, Sierra assumiu os papéis de indigente, serralheiro, fornecedor de víveres e até de pretendente da prima de um líder guerrilheiro.
“Quando alguém se infiltra tem que trocar o chip. Adeus família e adeus até a teu nome. Se não souberes manejar a situação, isto pode te custar a vida”, disse Sierra a El Tiempo há um mês, quando recebeu o Prêmio Coração Verde, como melhor policial da Colômbia.
Nessa ocasião, chegou à entrevista ajudado por uma bengala e admitiu que o prêmio revigorava seu desejo de viver, depois que foi diagnosticado com um câncer agressivo e terminal
Suas batalhas
Apesar da evidente deterioração física, Sierra conseguiu revelar ao país alguns episódios desconhecidos que ele e seus companheiros da Direção de Inteligência da Polícia (DIPOL) vivem para subjugarem a guerrilha e a outras organizações armadas à margem da lei.

Eles passam meses infiltrados na selva, sem contatar a família e até choram em silêncio. Mas depois que as operações são lançadas, o esforço vale a pena. Desarticulamos várias estruturas de guerrilha e apoiamos operações de  outras forças”, disse o Subintendente a El Tiempo.
Sierra nasceu em Manizales em 2 de maio de 1985 e cresceu no bairro Cervantes, que na época era um dos mais turbulentos da capital de Caldas.

Seus amigos contam que desde sua infância identificava e se acercava dos delinquentes da zona, como meio para proteger sua vida e a de sua família. 
Ingressou na Polícia em maio de 2004, com apenas 19 anos, no cargo de Auxiliar. Dois anos depois já era Patrulheiro de Vigilância no Departamento de Polícia do Valle.

Mas foi em 2007 que iniciou sua carreira na Inteligência Policial.
Nessa época, foi nomeado Investigador em Buenaventura, onde chegou até a dormir na rua, fazendo-se passar por indigente, com a finalidade de desarticular uma quadrilha de ladrões que assolavam o porto.
Urinei sobre uma roupa velha, deixei no sol, a coloquei e me caracterizei como mendigo para executar minha primeira missão como membro de Inteligência da Polícia Nacional: capturar uma quadrilha de assaltantes que roubava joalherias e casas de penhores em Buenaventura. Depois de dormir varias noites na rua e fingir que consumia alucinógenos, tivemos sucesso, e meu Major pediu que me indicassem ao Grupo Especial de Inteligência de objetivos de alto valor das FARC”, contou Sierra a este diário.

E afirmou que, embora muitos não acreditem, foi difícil seduzir uma parente de um guerrilheiro a fim de localizar outros acampamentos na fronteira com o Panamá.
Lá, noivei com a prima de um dos chefes da segurança da guerrilha, em uma questão puramente estratégica. Foi difícil corteja-la e estar com ela. Eu tinha 27 anos, e ela era uma morena nove anos mais velha, e eu concebo o amor de uma maneira diferente. Foi incômodo, mas consegui até compartilhar um sancocho (ensopado típico) com o primo. Me convidaram até para as festas de fim de ano. Aguentei porque visávamos o chefe das FARC que manejava o narcotráfico da zona e a compra de armamento para quase todas as frentes guerrilheiras. E logramos captura-lo”, narrou.
Conforme seu currículo, Sierra participou de sete Operações chaves e classificadas como Secretas, que permitiram a eliminação de quinze chefes de bandos e capturar dezenove criminosos classificados como de "alto valor", inclusive um chefe das FARC que posteriormente compôs a delegação de paz dos guerrilheiros em Havana.
O Ocaso
Quando Sierra recebeu o reconhecimento como melhor policial da Colômbia, em 28 de setembro passado, já estava tomando uma dúzia de diferentes medicamentos diariamente, a maioria à base de morfina, para amenizar a dor.
E, ainda que tenha chegado altivo para receber o prêmio, uma semana depois confessou a El Tiempo que já havia perdido a mobilidade em 60% de seu corpo e que tinha que se deslocar usando uma cadeira de rodas.
O tumor de 19 por 14 centímetros, descoberto em 2016 em sua glândula suprarrenal direita, se converteu em seu pior inimigo. Apesar de ter sido retirado cirurgicamente, já havia feito metástases em seus pulmões, fígado, coluna e em outras cinco partes de seu corpo. E, mesmo que Sierra o tenha enfrentado bravamente, terminou levando-o.
O Diretor da Polícia, General Jorge Nieto, se encarregou de informar ao país que o valente Subintendente Sierra havia falecido.
Semanas antes de o internarem em uma clínica de Medellin, tudo estava pronto para que o promovessem a Intendente, um reconhecimento que a Instituição fará postumamente à sua família.
Creio firmemente em Deus e vou lutar por minha vida. Recebi o premio em nome dos 180.000 policiais bons que saem diariamente a arriscar suas vidas pela pátria”, disse em sua última entrevista.
Unidad Investigativa
u.investigativa@eltiempo.co
Twitter: @uinvestigativa
Fonte:  tradução livre de El Tiempo

sábado, 10 de novembro de 2018

O Policial Que Fingiu Ser Diplomata Corrupto Para Caçar Mafioso

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Na mala diplomática, ele transportou cocaína para o espanhol Jorge Merlo e obteve provas para sua captura.
Por Unidad Investigativa
Foto que Camilo enviou a Jorge Merlo (dir.) como prova de que havia levado uma carga de coca até Madrid. - Foto: Arquivo particular
“Comprei sapatos Hugo Boss, umas roupas elegantes e maletas finas. Mesmo arriscada, a única maneira de capturar o chefão espanhol Jorge Juan Merlo era me infiltrando em sua organização. Agências de quatro países estavam a dez anos tentando captura-lo, sem conseguirem. Mesmo sabendo que era o cérebro dos envios de droga para Europa e Estados Unidos, não havíamos conseguido capturar sequer um quilo para poder prendê-lo, e era essa a minha missão.”
Em junho de 2018, um dos oficiais mais jovens e experientes da Diretoria de Investigações Judiciais e Interpol (DIJIN) da Polícia Colombiana se converteu em "Camilo", um elegante diplomata com passaporte azul, caminhonete blindada e a possibilidade de viajar a qualquer parte do mundo sem que sua bagagem fosse revistada.
Com essa fachada se infiltrou na organização do narcotraficante espanhol e começou a identificar rotinas, substitutos, celulares criptografados e seus contatos mafiosos em três continentes.
Oficiais do departamento de Imigração e Aduanas dos Estados Unidos (ICE) haviam alertado o diretor da DIJIN, General Jorge Luis Vargas de que Merlo, vulgo "Mono" e "Pálido", procurava um transportador para levar cocaína de Cali para a Austrália, Espanha e Turquia, e aí começou o planejamento dos detalhes para infiltrar a sua rede, no qual participaram funcionários colombianos do mais alto nível.
Pelo menos em duas oportunidades, a Polícia da Colômbia havia tentado por a mão no bandido matreiro. Uma delas, quando tentou retirar cocaína em um avião-ambulância desde o aeroporto El Dorado, de Bogotá; e a outra, na denominada Operação Jaguar.
Nesta ocasião, Merlo foi identificado tentando transferir drogas em aviões tipo Cessna desde a Venezuela para a América Central e Estados Unidos. Foi armada uma cilada, mas o ardiloso espanhol nascido em Granada não foi ao local na fronteira onde seria feita a entrega da cocaína e, assim, a operação fracassou.
Mas desta vez, depois do infiltrado ser instruído, Vargas deu a ordem de por em marcha a Operação Embaixador. "Camilo" foi apresentado - por meio de um informante - a John Jairo Coy, vulgo "Coqueto", feitor de Merlo, que coordenava o transporte de cloridrato de cocaína desde o sudoeste do país para aeroportos e portos.
A Armadilha
“Mudei meu sotaque, comprei um broche com a bandeira do país que estaria representando e o coloquei na lapela para participar das reuniões do bando. Em uma delas, ofereci minha mala diplomática para levar um primeiro carregamento para Madri. Depois que me entregaram os 35 Kg de coca em Bogotá, combinamos com uma empresa aérea para que minha bagagem passasse sem ser revistada, e coordenamos a chegada do carregamento com "Ortega", um agente encoberto da Guarda Civil espanhola. Conforme o combinado com Coy, comprei um jornal local, joguei-o sobre o carregamento e enviei uma foto como prova de que havia cumprido o trato”, disse "Camilo".
Ainda que no mesmo dia, em princípios de junho, houvesse a prisão de quatro membros da quadrilha, ninguém suspeitou que "Camilo" fosse um agente infiltrado, e até lhe pediram desculpas pelo "impasse". Além disso, quase imediatamente lhe encomendaram uma tarefa maior: levar 97 Kg para a Austrália.
“Esta missão foi mais difícil. Como não há voo direto de Bogotá a Austrália, a Polícia Federal deste país teve que forjar três maletas iguais às que Merlo havia determinado para levar a cocaína, inclusive uma que tinha uma das rodinhas danificada, para fingir que o carregamento havia chegado. Merlo estava tão entusiasmado com o envio que, no dia em que me entregaram a coca no hotel Torre de Cali mandou me dizer que havia preparado, em outro lugar, uma 'penthouse' (festa) com cocaína e seis pré-pagamentos, que não aceitei, dizendo que primeiro tínhamos que completar o trabalho antes de celebrar”, acrescentou o funcionário.
Isca em Nova Orleans
O plano traçado pela DIJIN resultou ser tão exitoso que Merlo se arriscou a aparecer para a terceira viagem. Inicialmente, disseram a "Camilo" que devia levar 54 Kg à Espanha, mas logo depois ele foi chamado a um McDonald's, em Bogotá, para entregar-lhe 15 Kg adicionais que deviam ser levados com urgência a Nova Orleans.
“A coca para os Estados Unidos era a prova que os agentes do ICE estavam necessitando para autuar as 16 investigações que tinham contra Merlo, por isso concordei. Eu sempre ia acompanhado por um poderoso, mas discreto, esquema de segurança e ver os rostos de meus companheiros me cuidando me tranquilizava nos momentos mais tensos da negociação. Uma das vezes mais difíceis foi quando saí da lanchonete e vi Merlo no estacionamento. Só tive tempo para avisar que o seguissem. Mas, sem dúvidas, o mais angustiante foi quando "desapareceram" um dos meus contatos em uma reunião no Sanandresito da 38 (mercado de importados), depois que um dos carregamentos foi apreendido", recordou "Camilo".
Para comprovar que a coca que ia para Madri havia chegado, Merlo viajou de primeira classe à Espanha e começou a telefonar para o jovem "diplomata" para que celebrassem tomando uns tragos. Ante a negativa do agente encoberto e depois que o carregamento também caiu nas mãos da Polícia, viajou para Istambul (Turquia) para reunir-se com "Tatoo", seu novo e poderoso aliado.
Sem desconfiar que "Camilo" era um oficial, ponta de lança de uma operação transnacional - e imaginando que ele havia se apropriado da droga -, Merlo e seus cúmplices começaram a enviar-lhe ameaças: “Não sabes com quem te metestes; vamos te encontrar; logo terás notícias nossas”.
Mas quando o chefão voltou à Colômbia, já estava tudo pronto para a sua captura - que foi efetivada em 22 de outubro - junto com outras 30 pessoas na Austrália, Espanha e Estados Unidos. A evidência era tão demolidora que o espanhol não teve outra alternativa que aceitar as acusações.
Por isso, o próprio diretor da Polícia, General Jorge Nieto, se encarregou de anunciar os resultados da Operação Embaixador e de condecorar seus participantes, inclusive o falso diplomata, outro herói anônimo na luta contra a máfia.
"Tatoo", o novo objetivo
Segundo informações de agências antimáfia, em uma de suas viagens à Turquia, o criminoso Jorge Merlo se reuniu com "Tatoo", um perigoso narcotraficante nascido em Istambul e com ordem de prisão por terrorismo, emitida pela Alemanha. El Tiempo teve acesso ao prontuário de "Tatoo" e verificou que ele está envolvido no transporte de mais de uma tonelada de drogas para Holanda, Ucrânia, Reino Unido e Alemanha. Além disso, é ligado a "Ismael", alcunha de um curdo que costuma lavar dinheiro de drogas para financiar atividades terroristas.
O suposto sócio de Merlo possui o registro de uma prisão em Istambul, junto a um cidadão espanhol com antecedentes de porte de heroína e morfina. Agências antimáfia, especialmente o ICE, avaliam solicitar a extradição de Jorge Merlo para que responda pelos 16 processos abertos contra ele nos Estados Unidos e, aproveitando a ocasião, revele detalhes a respeito de "Tatoo" e de seus outros contatos para o transporte de coca, inclusive um grupo de narcotraficantes da Costa Rica, com os quais foi visto reunido na Colômbia, em várias ocasiões.
Unidad Investigativa
u.investigativa@eltiempo.co
Twitter: @uinvestigativa
Fonte: tradução livre de El Tiempo
COMENTO: para maiores informações, convém ver o vídeo publicado pela rede de televisão Canal1


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sexta-feira, 12 de outubro de 2018

50 Anos do Assassinato do Capitão Chandler - Esquecer Também é Trair

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Em 12 de outubro de 1968, foi assassinado, friamente, na frente da família, quando saía de casa, em São Paulo, o Capitão do Exército dos Estados Unidos Charles Rodney Chandler, vítima de sua cidadania (ver relato completo no ORVIL – Tentativas de Tomada do Poder, págs. 285, 306,308, 309, 310, 311 e 312).
Charles Rodney Chandler cursava a Escola de Sociologia e Política da Fundação Álvares Penteado, foi morto na porta de sua residência, no Sumaré, na frente da esposa e de um filho de 9 anos, a tiros de metralhadora, por Marco Antonio Brás de Carvalho, Pedro Lobo de Oliveira e Diógenes José Carvalho de Oliveira, todos da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR).
Marco Antonio Braz de Carvalho, o “Marquito”, era o homem de confiança de Marighella, que dirigia o Agrupamento Comunista de São Paulo e que fazia ligação com a VPR. Em setembro, ele levou para Onofre Pinto, então coordenador-geral da VPR, a possibilidade de ser realizada a ação de “justiçamento” do Capitão do Exército dos Estados Unidos da América, Charles Rodney Chandler, aluno bolsista da Escola de Sociologia e Política, da Fundação Alvares Penteado, e que morava em São Paulo com a esposa e dois filhos pequenos. Segundo os “guerrilheiros”, Chandler era um “agente da CIA” e “encontrava-se no Brasil com a missão de assessorar a ditadura militar na repressão”.
No início de outubro, um “tribunal revolucionário”, integrado por três dirigentes da VPR, ou seja, Onofre Pinto, como presidente, João Carlos Kfouri Quartim de Morais e Ladislas Dowbor, como membros, condenou o Capitão Chandler à morte. Graças a levantamentos realizados por Dulce de Souza Maia, sobre a vítima apurou-se os horários habituais de entrada e saída de casa, costumes, roupas que costumava usar, aspectos da personalidade, dados sobre os familiares e sobre o local em que residia, na casa da Rua Petrópolis no 375, no tranquilo bairro do Sumaré, em São Paulo.
Escolhido o “grupo de execução”, integrado por Pedro Lobo de Oliveira, Diógenes José Carvalho de Oliveira e Marco Antonio Braz de Carvalho, nada é mais convincente, para demonstrar a frieza do assassinato do que transcrever trechos do depoimento de Pedro Lobo de Oliveira, um dos criminosos, publicado no livro - Caso, Antonio: “A Esquerda Armada no Brasil”, Moraes Editores, Lisboa-Portugal, 1976, pág 162:
“Como já relatei, o grupo executor ficou integrado por três companheiros: um deles levaria uma pistola-metralhadora INA, com três carregadores de trinta balas cada um; o outro, um revólver; e eu, que seria o motorista, uma granada e outro revólver. Além disso, no carro, estaria também uma carabina M-2, a ser utilizada se fôssemos perseguidos pela força repressiva do regime. Consideramos desnecessária cobertura armada para aquela ação. 
Tratava-se de uma ação simples. Três combatentes revolucionários decididos são suficientes para realizar uma ação de ‘justiçamento’ nessas condições. Considerando o nível em que se encontrava a repressão, naquela altura, entendemos que não era necessária a cobertura armada”.
A data escolhida para o crime foi o dia 8 de outubro, que assinalava o primeiro aniversário da morte de Guevara. Entretanto, nesse dia, Chandler não saiu de casa, e os três terroristas decidiram suspender a ação. Quatro dias depois, em 12 de outubro de 1968, chegaram ao local às 7 horas. Às 8 horas e 15 minutos, Chandler dirigiu-se para a garagem e retirou o seu carro, em macha à ré. Enquanto seu filho, de 9 anos, abria o portão, sua esposa aguardava na porta da casa, para dar-lhe adeus. Não sabia que seria o último.
Os terroristas avançaram com o Volkswagen, roubado antes, e bloquearam o caminho do carro de Chandler. No relato de Pedro Lobo (idem, pág 164),nesse instante, um de meus companheiros saltou do Volks, revólver na mão, e disparou contra Chandler”. Era Diógenes José Carvalho de Oliveira, que descarregava, à queima roupa, os seis tiros do seu Taurus de calibre .38.
E prossegue Pedro Lobo (ibidem, pág 164-165), que dirigia o carro:
Quando o primeiro companheiro deixou de disparar, o outro aproximou-se com a metralhadora INA e desferiu uma rajada. Foram catorze tiros. A décima quinta bala não deflagrou, e o mecanismo automático da metralhadora engasgou (deixou de funcionar). Não havia necessidade de continuar disparando. Chandler já estava morto. Quando recebeu a rajada de metralhadora, emitiu uma espécie de ronco, um estertor, e então demo-nos conta de que estava morto”.
Quem portava a metralhadora era Marco Antonio Braz de Carvalho.
A esposa e o filho de Chandler gritaram. Diógenes apontou o revólver para o menino que, apavorado, fugiu correndo para a casa da vizinha. Após Pedro Lobo ter lançado os panfletos, nos quais era dito que o assassinato fora cometido em nome da revolução brasileira, os três terroristas fugiram no Volks, em desabalada carreira.

É interessante observarmos o destino dos sete envolvidos no crime:
Marco Antonio Braz de Carvalho (“Marquito”), que deu a rajada de metralhadora, viria a falecer, em 26 de janeiro de 1969, após troca de tiros com a polícia.
Onofre Pinto, o presidente do “tribunal revolucionário” que condenou Chandler à morte. Ex-sargento do Exército, foi preso em 2 de março de 1969 e banido para o México, em 5 de setembro, trocado pelo Embaixador dos Estados Unidos, que havia sido sequestrado. Em outubro, foi a Cuba onde ficou quase dois anos, tendo feito cursos de guerrilha. Em junho de 1971, foi para o Chile, com cerca de 20 mil dólares. Em maio de 1973, foi expulso da VPR, tendo sido acusado de “conivência com a infiltração policial no nordeste”, com referência às quedas dessa organização em dezembro de 1972. Temendo ser “justiçado” pela VPR, fugiu para a Argentina onde desapareceu, misteriosamente, em meados de 1974.
João Carlos Kfouri Quartim de Morais, um dos membros do “tribunal revolucionário”, foi expulso da VPR, em janeiro de 1969, alguns meses depois, fugiu do Brasil, com dinheiro da organização. Radicou-se em Paris, onde foi um dos fundadores da revista “Debate”. Professor universitário e jornalista, ele regressou a São Paulo após a anistia, sendo um dos diretores da sucursal da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Em 1983, foi nomeado Secretário de Imprensa do Governo de Franco Montoro, em São Paulo.
Ladislas Dowbor (“Jamil”), também membro do “tribunal”, foi preso, em 21 de abril de 1970, e banido, em 15 de junho, para a Argélia, em troca do Embaixador alemão, outro sequestrado. No exterior, casou-se com Maria de Fátima da Costa Freire, filha do educador comunista Paulo Freire. Após passar por vários países, dentre os quais, Suíça, Itália, Polônia, Chile, Portugal, Cuba e Guiné-Bissau, retornou ao Brasil, após a anistia, e aqui leciona Economia na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e na Universidade de Campinas.
Dulce de Souza Maia, que realizou os levantamentos sobre Chandler, foi presa, em 27 de janeiro de 1969, e banida para a Argélia, em 15 de junho. Tem curso em Cuba e percorreu diversos países, tais como, Chile, México, Itália e Guiné-Bissau, onde passou a trabalhar para o seu governo. Retornou a São Paulo em agosto de 1979, passando a desenvolver atividades em movimentos pacifistas, tendo sido eleita, em 1980, presidente do “Comitê de Solidariedade aos Povos do Cone Sul”.
Pedro Lobo de Oliveira, o motorista da ação criminosa, foi preso em 23 de janeiro de 1969, quando pintava um caminhão com as cores do Exército, para o assalto ao quartel do 4º Regimento de Infantaria de Quitaúna. Em 15 de julho de 1970, foi banido para a Argélia, em troca do Embaixador alemão. Em fins daquele ano, foi para Cuba, onde fez curso de guerrilha. Após passar por vários países, dentre os quais Chile, Peru, Portugal e República Democrática alemã, ele voltou a São Paulo, em novembro de 1980, indo trabalhar como gerente de um sítio em Pariquera-Açú, de propriedade da família de Luiz Eduardo Greenhalgh, advogado de subversivos e um dos dirigentes nacionais do Partido dos Trabalhadores.
Finalmente, Diógenes José Carvalho de Oliveira (“Luiz”), que descarregou o seu revólver em Chandler, foi preso em 30 de janeiro de 1969, quando desenvolvia um trabalho de campo em Paranaíba, em Mato Grosso. Em 14 de março, foi banido para o México, trocado pelo Cônsul japonês (mais um dos diplomatas estrangeiros sequestrados), indo, logo após, para Cuba. Em junho de 1971, radicou-se no Chile. Com a queda de Allende, em setembro de 1973, foi para o México e, daí para a Itália, Bélgica e Portugal. Em 1976, passou a trabalhar para o governo da Guiné-Bissau, junto com Dulce de Souza Maia, sua amásia. Após a anistia, retornou ao Brasil, indo residir em Porto Alegre, onde vive com a advogada Marilinda Fernandes. Trabalhou como assessor do vereador do Partido Democrático Trabalhista (PDT), Valneri Neves Antunes, antigo companheiro de militância da VPR, até outubro de 1986, quando este faleceu, vítima de acidente de auto.
Fonte: adaptado do Blog do Lício Maciel