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sexta-feira, 28 de junho de 2019

Heróis Também Perdem Batalhas

Tenente (SEAL) Michael Murphy: Agraciado com a Medalha de Honra por ações durante a Operação Red Wings em 28 Jun 2005.
Em 28 de junho de 2005, bem atrás das linhas inimigas a leste de Asadabad, no Hindu Kush do Afeganistão, uma equipe de quatro homens do Navy SEAL realizava uma missão de reconhecimento na altitude implacável de aproximadamente 3.000 metros. 
Os Tenente Michael Murphy, o Técnico Mnt Armt de 2ª Classe Danny Dietz, o Técnico de Sonar de 2ª Classe Matthew Axelson e o Técnico de Saúde de 2º Classe Marcus Luttrell tinham uma tarefa vital. Os quatro SEALs buscavam localizar Ahmad Shah - um terrorista de 30 e poucos anos que cresceu nas montanhas mais ao sul.
Sob o nome de Muhammad Ismail, Shah liderava um grupo guerrilheiro conhecido na região como os "Tigres da Montanha" que se alinharam com o Taleban e outros grupos militantes perto da fronteira com o Paquistão. 
A missão SEAL foi comprometida quando a equipe foi flagrada por cidadãos locais, que presumivelmente relataram sua presença e localização para os talibãs.
Equipe SEAL (Sea, Air, Land) operando no Afeganistão.
Da esquerda para a direita: Tec Sonar  2ª Classe Matthew G. Axelson, 29 anos; Tec Sist Info Sênior Daniel R. Healy, 36 anos; Intendente de 2ª Classe James Suh, 28 anos; Tec Saúde de 2ª Classe Marcus Luttrell; Tec Mnt 2ª Classe Eric S. Patton, 22 anos; e Tenente Michael P. Murphy, 29 anos.
Com exceção de Luttrell, todos foram mortos em 28 Jun 2005 em apoio a Operação Redwing.
Um tiroteio violento irrompeu entre os quatro SEALs e uma força inimiga muito maior, de mais de 50 milicianos anti-coalizão. O inimigo tinha enorme superioridade numérica sobre os SEALs. Eles também tinham vantagem no terreno. Eles lançaram um ataque bem organizado de três frentes contra os SEALs. O tiroteio continuou incessantemente enquanto a esmagadora milícia forçava a equipe a se aprofundar em uma ravina.
Tentando alcançar a segurança, os quatro homens, agora feridos, começaram a descer pelos lados íngremes da montanha, fazendo saltos de 2 a 3 metros. Aproximadamente depois de 45 minutos de luta, oprimidos por forças avassaladoras, Dietz, o responsável pelas comunicações, procurou um local ao ar livre para fazer uma chamada de socorro à base. Mas antes que conseguisse, ele foi baleado na mão, o tiro lhe quebrou o polegar.
Apesar da intensidade do tiroteio e de ter recebido ferimentos de tiros, Murphy destacou-se por arriscar sua própria vida para salvar a vida de seus companheiros de equipe. Ele, com a intenção de fazer contato com a base, mas percebendo isso seria impossível desde a posição no terreno onde eles estavam lutando, sem hesitação e com total desrespeito por sua própria vida, moveu-se para campo aberto, onde teria uma posição melhor para transmitir uma chamada e conseguir ajuda para seus homens.
Afastando-se das rochas montanhosas protetoras, ele conscientemente se expôs. Este ato deliberado e heroico privou-o de cobertura e fez dele um alvo fácil para o inimigo. Enquanto continuava a ser alvejado, Murphy fez contato com a Força de Reação Rápida na Base Aérea de Bagram e solicitou ajuda. Ele forneceu a localização de sua unidade e o tamanho da força inimiga enquanto solicitava apoio imediato para sua equipe. Atingido por um tiro que o acertou nas costas, o impacto fez com que ele soltasse o transmissor. Mas ele completou a ligação e continuou atirando no inimigo que estava se aproximando. Severamente ferido, o tenente Murphy retornou à posição de cobertura com seus homens e continuou a luta.
Um helicóptero MH-47 Chinook, com oito SEALs e oito  "Night Stalkers" membros do 160º Special Operations Aviation Regiment (Airborne) foi enviado para uma missão de extração e retirar os quatro SEALs em apuros. O MH-47 foi escoltado por helicópteros de ataque do Exército fortemente blindados. Entrando na zona de combate, os helicópteros de ataque foram usados ​​inicialmente para neutralizar o inimigo e tornar a área mais segura para o helicóptero de transporte de pessoal, de blindagem leve.
O maior peso dos helicópteros de ataque diminuiu o avanço da formação, levando o MH-47 a ultrapassar sua escolta blindada. Eles sabiam do tremendo risco de entrar em uma área inimiga ativa à luz do dia, sem o apoio das aeronaves de ataque e sem a cobertura da noite. O risco seria, obviamente, minimizado se eles colocassem o helicóptero em uma zona segura. Mas sabendo que seus irmãos guerreiros foram baleados, cercados e gravemente feridos, a equipe de resgate optou por entrar diretamente na batalha que se aproximava na esperança de conseguir pousar no terreno brutalmente perigoso.
Quando o Chinook chegou na área da batalha, uma granada lançada por um lança-rojão atingiu o helicóptero, matando todos os 16 homens a bordo.
  Equipe do SEAL DVTeam 1:
- Tec  2ª Classe (SEAL) Eric S. Patton, 22 anos;
- Tec de Sist Info (SEAL) Daniel R. Healy, 36; e
- Intendente 2ª Classe (SEAL) James Suh, 28.
Equipe do SEAL DVTeam 2:
- Atirador 2ª Classe (SEAL) Danny P. Dietz, 25.
Equipe do SEAL Team 10
- Bombeiro Chefe (SEAL) Jacques J. Fontan, 36;
- Tenente Comandante (SEAL) Erik S. Kristensen, 33;
- Técnico em Eletrônica 1ª Classe (SEAL) Jeffery A. Lucas, 33;
- Tenente (SEAL) Michael M. McGreevy Jr., 30; e
- Paramédico 1ª Classe (SEAL) Jeffrey S. Taylor, 30 anos.
 "Night Stalkers" do 3º Batalhão do 160º Regimento de Aviação de Operações Especiais (SOAR):
- Sargento Shamus O. Goare, 29 anos;
- Chief Warrant Officer (Subtenente) Corey J. Goodnature;
- Sargento Kip A. Jacoby, 21;
- Sargento 1ª Classe Marcus V. Muralles, 33;
- Major Stephen C. Reich, 34;
- Sargento 1ª Classe Michael L. Russell, 31;
- Chief Warrant Officer (Subtenente) Chris J. Scherkenbach, 40.
 "Night Stalker" da Companhia do QG, 160º SOAR (Airborne):
- Sargento Mestre James W. Ponder III, 36 anos.
No chão e quase sem munição, os quatro SEALs, Murphy, Luttrell, Dietz e Axelson continuaram a luta. No final do tiroteio de duas horas que ecoava nas colinas e penhascos, Murphy, Axelson e Dietz foram mortos. Estima-se que 35 talibãs também estavam mortos.
O quarto SEAL, Luttrell, foi atingido por uma granada e caiu inconsciente. Recuperando a consciência algum tempo depois, ele conseguiu escapar gravemente ferido e lentamente se arrastou para o lado de um penhasco. Desidratado, com uma ferida de tiro em uma perna, com estilhaços metidos nas duas pernas, três vértebras rachadas; a situação para Luttrell era sombria. Helicópteros de resgate foram enviados, mas ele estava muito fraco e ferido para fazer contato. Viajando sete milhas a pé, ele evitou o inimigo por quase um dia. Felizmente, os cidadãos locais vieram em sua ajuda, levando-o para uma aldeia próxima, onde o mantiveram por três dias. Membros do Taleban foram à aldeia várias vezes exigindo que Luttrell fosse entregue a eles. Os aldeões recusaram. Um dos aldeões foi para um posto da Marinha com uma nota de Luttrell, e as forças dos EUA lançaram uma operação massiva que o resgatou do território inimigo em 2 de julho.
Por sua destemida coragem, espírito de luta intrépido e devoção inspirada a seus homens diante da morte certa, o tenente Murphy conseguiu transmitir a posição de sua unidade, um ato que finalmente levou ao resgate de Luttrell e à recuperação dos restos mortais dos três que foram mortos na batalha.
Este foi o pior número de mortos das Forças dos EUA em um único dia desde o início da Operação Liberdade Duradoura, quase seis anos antes. Foi a maior perda de vida da Naval Special Warfare desde a Segunda Guerra Mundial.
A comunidade Naval Special Warfare (NSW) se lembrará para sempre de 28 de junho de 2005 e os heroicos esforços e sacrifícios de nossos operadores especiais. Nós mantemos com reverência o último sacrifício que eles fizeram enquanto estavam engajados nessa feroz luta de fogo nas linhas de frente da guerra global contra o terrorismo.
Tenente Michael Murphy foi contratado como um aspirante da Marinha em 13 de dezembro de 2000, e começou seu treinamento Básico Subaquático de Demolição/SEAL (BUD/S) em Coronado, Califórnia, em janeiro de 2001. BUD/S é um Curso de formação de seis meses e o primeiro passo para se tornar um SEAL da Marinha.
Após a formatura do BUD/S, ele frequentou a Escola de Paraquedistas do Exército, o Treinamento de Qualificação SEAL e o Curso de Delivery Vehicle (SDV). O Tenente Murphy ganhou seu Tridente de SEAL e foi servir no SDV Team (SDVT) 1 em Pearl Harbor, Havaí, em julho de 2002. Em outubro de 2002, ele foi transferido com o Pelotão Foxtrot para a Jordânia como oficial de ligação do Exercício Early Victor.
Após sua temporada com o SDVT-1, o Tenente Murphy foi designado para o Comando Central de Operações Especiais na Flórida e enviado para o Catar em apoio à Operação Iraqi Freedom. Depois de voltar do Qatar, o tenente Murphy foi enviado para o Chifre da África, Djibuti, para auxiliar no planejamento operacional das futuras missões da SDV.
No início de 2005, Murphy foi designado para a Equipe de SDV SEAL 1 como oficial assistente encarregado do Pelotão Alfa e enviado ao Afeganistão em apoio à Operação Liberdade Duradoura.
O tenente Murphy foi enterrado no Cemitério Nacional de Calverton a menos de 30 quilômetros de sua casa de infância. 
Ele recebeu uma Citação Especial (Elogio) pessoal do Presidente George W. Bush. Os outros prêmios pessoais do tenente Murphy incluem o Purple Heart, o Combat Action Ribbon, a Medalha de Comenda do Serviço Conjunto, a Medalha de Comenda da Marinha e do Corpo de Fuzileiros Navais, o Ribbon da Campanha do Afeganistão e a Medalha do Serviço de Defesa Nacional.
Fonte: tradução livre de Medalha de Honra-USNavy
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quarta-feira, 5 de junho de 2019

O Exército de Todos Nós

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por Sérgio Pinto Monteiro*
Era 15 de fevereiro de 1630 e o nordeste brasileiro começava a viver o pesadelo da invasão dos holandeses da Companhia das Índias Ocidentais. Naquele dia, a cidade de Recife acordou sob o bombardeio da esquadra do Almirante Hendrick Loncq, formada por 50 navios e 7.000 homens. Começava a segunda tentativa dos batavos de se apossar do território brasileiro. Seis anos antes, em 8 de maio de 1624, atacaram e ocuparam Salvador. A reação luso-brasileira, apoiada pela população, não se fez esperar. Militarmente inferiorizadas, nossas forças reagiram com uma intensa guerra de emboscadas. A metrópole portuguesa, com o apoio da Espanha, mandou ao Brasil uma poderosa esquadra de 52 navios e 12.000 homens, entre soldados e marinheiros portugueses e espanhóis, que expulsaram os holandeses da Bahia em 30 de abril de 1625, menos de um ano após o início da ocupação.
Cinco anos decorridos da derrota em solo baiano, a posição estratégica de Recife, a excelência de seu porto natural, a proximidade da Europa e da África e as fracas defesas locais, proporcionaram ao invasor as condições favoráveis a uma nova e vitoriosa campanha, colocando, por 24 anos, parte do nordeste brasileiro sob o domínio holandês.
Os pernambucanos resistiram ao invasor e contra ele lutaram bravamente. Matias de Albuquerque proclamou para toda a Capitania a disposição de lutar até a morte. O inimigo, após conquistar Recife e Olinda, tratou de fortificar suas posições. Como na Bahia, nossa resistência era baseada, principalmente, em emboscadas. Hoje, diríamos que seriam ações de comandos e forças especiais. Construímos, em local estratégico, como baluarte para impedir a penetração do adversário no interior, a fortificação do Arraial do Bom Jesus, que resistiu por cinco anos às investidas dos batavos.
No dia 23 de maio de 1645, dezoito líderes da Insurreição Pernambucana assinaram um Termo Compromisso onde, pela vez primeira em documento, se usava a palavra pátria, no seu sentido atual. Há também, no Compromisso, providências que hoje seriam consideradas como mobilização de Reservas:
“Nós abaixo assinados nos conjuramos e prometemos em serviço da liberdade, não faltar a todo o tempo que for necessário, com toda ajuda de fazendas e de pessoas, contra qualquer inimigo, em restauração da nossa pátria; para o que nos obrigamos a manter todo o segredo que nisto convém...”.
Estava criado, segundo o mestre Capistrano de Abreu, o sentimento da existência nacional brasileira, que iria se fortalecer ao longo dos próximos dois séculos, até a Independência em 1822. 
Paralelamente, surgia, consolidado, o Exército de Patriotas, formado pela fusão das três etnias  branca, negra e índia  com suas miscigenações. Nascia o Exército Brasileiro, democracia multirracial, sem discriminações nem preconceitos, sem cotas, numa pluralidade étnica e social unida pela alma de combatente do nosso soldado.
Em 18 de abril de 1648, o exército holandês com 7.400 homens marchou no sentido Barreta-Guararapes, tendo como objetivo final apoderar-se do cabo de Santo Agostinho. O exército patriota, com 2.200 homens, deslocou-se para interceptar o invasor. O Sargento-mor Antônio Dias Cardoso, como “soldado mais prático e experiente” sugeriu que o melhor campo de batalha seria o Boqueirão dos Guararapes. Na manhã de 19 de abril, primeiro domingo após a páscoa (pascoela), dia de Nossa Senhora dos Prazeres, Dias Cardoso, no comando de 200 homens, investiu contra a vanguarda inimiga para, em seguida, retrair em direção ao interior do Boqueirão onde o restante do nosso exército estava escondido, pronto para a batalha. Ao comando de “ás de espadas” os patriotas se lançaram sobre o inimigo. O terço (regimento) de Pernambuco, comandado por João Fernandes Vieira, auxiliado por Dias Cardoso, rompeu o inimigo nos alagados; os índios de Felipe Camarão assaltaram a ala direita dos holandeses; o terço dos negros de Henrique Dias atacou a ala esquerda, ficando as tropas de Vidal de Negreiros em reserva. Os batavos contra-atacaram com suas reservas de 1.200 homens, enquadrando o terço de Henrique Dias. Os patriotas, habilmente, lançaram a reserva de Vidal de Negreiros no momento adequado. Foram 4 horas de confronto, entre alagados e morros. Ao final, o exército holandês, derrotado, retirou-se com pesadas perdas  1.038 combatentes entre mortos e feridos. Já os patriotas, tiveram 84 mortos e 400 feridos.
A batalha final que culminou com a derrota e expulsão do invasor holandês ocorreu em 14 de janeiro de 1654, quando o exército patriota atacou o último reduto inimigo em Recife. Após dez dias de combates, a cidade foi reconquistada. No dia 26 de janeiro, na Campina da Taborda, os holandeses assinaram a rendição e retiraram todas as suas forças do Brasil. As vitórias nas Batalhas dos Guararapes uniram, no nascedouro, os conceitos de pátria e exército. E o dia da primeira vitória  19 de abril de 1648  por decreto presidencial de 24 de março de 1994, foi escolhido para Dia do Exército.
Em 19 de abril, decorridos 371 anos da primeira vitória que culminou com a expulsão do invasor holandês, o Exército Brasileiro  instituição detentora dos maiores índices de confiabilidade do nosso povo  comemorou a sua data de origem, num momento em que a nação vivencia tempos de mudanças, onde o cidadão de bem, estarrecido, constata que, nos últimos anos, o nosso país foi vilipendiado por maus compatriotas que, durante o dia ludibriaram o povo em nome de uma falsa democracia para, na calada da noite, tramarem contra ela e assaltarem os cofres da nação. As últimas eleições revelaram, claramente, que a sociedade nacional despertou de um longo pesadelo. O resultado das urnas evidenciou que a população clama por novos rumos, onde prevaleçam os princípios, tradições e valores que forjaram a nacionalidade e a HONESTIDADE, COMPETÊNCIA e JUSTIÇA sejam dominantes nos poderes da república. O Brasil não é um reduto de traidores, corruptos, incapazes e sectários. Somos um povo simples, bondoso, às vezes até meio ingênuo, mas profundamente patriota e sempre pronto a defender a grandeza e a soberania da nação. Novas e importantes lideranças estão surgindo. E a ESPERANÇA de um país renovado brilha, novamente, no horizonte da Pátria.
As Forças Armadas, por sua gloriosa história e elevada envergadura moral, são hoje o sustentáculo de melhores tempos. O Dia do Exército foi comemorado condignamente nas organizações militares. Mas a data que lembra as vitórias de Guararapes e a epopeia daquele punhado de bravos, não foram destaques numa parcela da mídia que, comprometida ideologicamente ou movida por interesses escusos, mantém uma postura hostil aos militares. Felizmente, as redes sociais são hoje um fortíssimo instrumento de revelação da vontade popular. E lá vimos as mensagens de cumprimentos da população ao Exército de todos nós.
PARABÉNS, MEU INVENCÍVEL EXÉRCITO!
*o autor é historiador, oficial R/2 do Exército Brasileiro, Patrono do Conselho Nacional de Oficiais da Reserva, Presidente do Conselho Deliberativo da Associação Nacional dos Veteranos da FEB, membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil, da Academia Brasileira de Defesa e do Instituto Histórico de Petrópolis.
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sexta-feira, 10 de maio de 2019

Dia da Cavalaria

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Para um povo que não valoriza sua Historia.
por Carlos Alberto Bastos Moreira
Cada americano conhece o Álamo. Por aqui, é-se apenas capaz de saber a escalação da seleção brasileira em 195... ou da Escola Samba vencedora em ....
Era ele um jovem de dezesseis anos e já estava no bojo da Historia. Totalmente diferente de quem rebola a bunda em bailes funks, nessa idade.
Um Alferes de Cavalaria, no Passo do Rosário (lá na BR tem a indicação do lugar). Em feroz luta contra os castelhanos que queriam reivindicar aquela parcela do território, o Alferes tem seu pelotão dizimado numa emboscada. 
E abre o galope na pampa, para salvar a própria vida, depois de ter lutado o que podia ser lutado. 
Tem apenas 16 anos.
Dois gaúchos argentinos lhe partem ao encalço, para a degola. 
E o jovem galopa, galopa, perseguido cada vez mais de perto pelos dois machos criados... É só o verde da pampa e resfolegar de cavalos. Coração no máximo...
Um dos perseguidores lhe joga uma boleadeira, da qual o jovem consegue desviar o cavalo. Mas vai ser alcançado em breve...
Então decide tudo ou nada: 
De súbito estaqueia o cavalo e faz meia volta. Com um tiro de pistola na cara do oponente, recebe o primeiro, o qual tomba na relva. E o segundo já lhe vem por cima. Com o cano da pistola (um só tiro) se defende do violento golpe de sabre que lhe é desferido e, em seguida, fende o cranio do inimigo com a coronha da pistola descarregada.... 
Dois cavalos correm soltos pela Pampa... 
O menino de 16 anos ainda está assustado por tudo que passou... Ele está sozinho ainda. Aguardará a noite para, ao passo silencioso do cavalo, tentar retornar para o seu Esquadrão. Ainda sera General e estará presente em campo na maior batalha das America - Tuiuti. 
E ainda vai levar um tiro no maxilar, em meio a tormenta chuvosa que se desencadeou na batalha de Avaí. Amarrou o queixo caído com um lenço e ficou em campo, para não desestimular seus homens. Sofreu muito com posteriores cirurgia... 
Eu acho que esse país não lhe merecia. Que os jovens brinquem de skate ou brinquem de comunistas avançados. Que brinquem de serem bichas escandalosas... De corruptos, de Bolivarianos. Certamente Osório está bem longe.
C.A.B.Moreira 
(aquele a quem o conhecimento traz as alegria que compensa o sofrimento produzido pela percepção de estar cercado pela turba ignara, sejam analfabetos ou "doutores ")
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quinta-feira, 25 de abril de 2019

A Ordem de Cristo e o Descobrimento do Brasil

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Um dos fatos da história oculta do descobrimento do Brasil envolve a famosa Ordem de Cristo. Na Idade Média foi criada a Ordem dos Cavaleiros Templários, que tantas páginas da história preencheram. Dissolvida violentamente em 1312 pelo Papa, a Ordem continuou existindo em Portugal  um dos reinos mais tolerantes naquele momento  e albergou aqueles que fugiam da atroz perseguição em outros domínios europeus.
O rei português D. Dinis foi o mentor da fundação da Ordem de Cristo, que na realidade era uma fachada para ocultar os verdadeiros templários os que outrora haviam protegido os caminhos de peregrinação europeus até Jerusalém conquistada pelas Cruzadas.
A Ordem de Cristo originalmente era uma ordem religiosa e militar, criada a 14 de Março de 1319 pela Bula Papal Ad ea ex-quibus de João XXII, que, deste modo, acedia ao pedidos do rei português Dom Dinis. Recebeu o nome de Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo e foi herdeira das propriedades e privilégios da Ordem do Templo.
Em Maio desse mesmo ano, numa cerimônia solene que contou com a participação do Arcebispo de Évora, do Alferes-Mor do Reino D. Afonso de Albuquerque e de outros membros da cúria régia, o rei Dom Dinis ratificou, em Santarém, a criação da nova Ordem.
Outro personagem célebre, o Infante D. Henrique, conhecido como “O Navegante” e fundador da Escola de Sagres (de técnicas e descobrimentos náuticos) foi o líder da Ordem de Cristo. Os ideais da expansão cristã reacenderam-se no século XV quando seu Grão-Mestre, Infante D. Henrique, investiu os rendimentos da Ordem na exploração marítima. O emblema da ordem, a Cruz da Ordem de Cristo, adornava as velas das caravelas que exploravam os mares desconhecidos.
Em dezembro de 1498, uma frota de oito navios, sob o comando de Duarte Pacheco Pereira, atingiu o litoral brasileiro e chegou a explorá-lo, à altura dos atuais Estados do Pará e do Maranhão. Essa primeira chegada dos portugueses ao continente sul-americano foi mantida em rigoroso segredo. Estadistas hábeis, os dois últimos reis de Portugal entre os séculos 15 e 16  D. João II e D. Manuel I  procuravam impedir que os espanhóis tivessem conhecimento de seus projetos.
***
Domingo, 8 de março de 1500, Lisboa. Terminada a missa campal, o rei d. Manuel I sobe ao altar, montado no cais da Torre de Belém, toma a bandeira da Ordem de Cristo e a entrega a Pedro Álvares Cabral.
O capitão vai içá-la na principal nave da frota que partirá daí a pouco para a Índia. Era uma esquadra respeitável, a maior já montada em Portugal com treze navios e 1.500 homens. Além, do tamanho, tinha outro detalhe incomum.
O comandante não possuía a menor experiência como navegador. Cabral só estava no comando da esquadra porque era cavaleiro da Ordem de Cristo e, como tal, tinha duas missões: criar uma feitoria na Índia e, no caminho, tomar posse de uma terra já conhecida, o Brasil. A bordo do navio de Cabral, estavam presentes alguns dos mais experientes navegadores portugueses, como Bartolomeu Dias, o mesmo que dobrou o cabo da Boa Esperança, atingindo pela primeira vez o oceano Índico e o navegante Duarte Pacheco que estava a bordo do navio para mostrar o caminho em direção ao Brasil.
A presença de Cabral à frente do empreendimento era indispensável, porque só a Ordem de Cristo, uma companhia religiosa-militar autônoma do Estado e herdeira da misteriosa Ordem dos Templários, tinha autorização papal para ocupar  tal como nas Cruzadas  os territórios tomados dos infiéis (no caso brasileiro, os índios).
No dia 26 de abril de 1500, quatro dias depois de avistar a costa brasileira, o cavaleiro Pedro Álvares Cabral cumpriu a primeira parte da sua tarefa. Levantou onde hoje é Porto Seguro a bandeira da Ordem e mandou rezar a primeira missa no novo território. O futuro país estava sendo formalmente incorporado às propriedades da organização.
O escrivão Pero Vaz de Caminha, que reparava em tudo, escreveu para o rei sobre a solenidade:
"Ali estava com o capitão à bandeira da Ordem de Cristo, com a qual saíra de Belém, e que sempre esteve alta."
Para o monarca português, a primazia da Ordem era conveniente. É que atrás das descobertas dos novos Cruzados vinham as riquezas que faziam a grandeza e a glória, do reino de Portugal.
Alguns historiadores acreditam que o infante e seus navegantes, conheceram o Brasil antes que Cabral. O próprio Cabral havia se tornado membro da ordem no ano de 1495, portanto pouco antes de realizar a sua viagem para o Brasil.
Muitos pesquisadores acreditam que caso Cabral não tivesse aderido a Ordem de Cristo, ele jamais teria sido encarregado dessa viagem.
E enfrentando dificuldades não pequenas, os reis de Portugal, num trabalho contínuo através dos séculos, conseguiram promover a povoação e a civilização de um país de dimensões continentais, assentando solidamente as bases para o surgimento de um grande Império, unido na fé, na cultura e nos costumes.
O certo é que o Brasil fez parte do patrimônio da Ordem durante muito tempo. As caravelas que aqui chegaram traziam abertas as velas com a cruz templária, símbolo máximo da instituição.
Bibliografia:
— BRAGANÇA, José Vicente de. As Ordens Honoríficas Portuguesas, in «Museu da Presidência da República». Museu da P.R./C.T.T., Lisboa, 2004
— CHANCELARIA DAS ORDENS HONORÍFICAS PORTUGUESAS. Ordens Honoríficas Portuguesas. Imprensa Nacional, Lisboa, 1968
— ESTRELA, Paulo Jorge. Ordens e Condecorações Portuguesas 1793-1824. Tribuna da História, Lisboa, 2008
— MELO, Olímpio de. Ordens Militares Portuguesas e outras Condecorações. Imprensa Nacional, Lisboa, 1922
— BURMAN, Edward. Templários, Os Cavaleiros de Deus. Trad. Paula Rosas. Rio de Janeiro: Record, Nova Era, 2005.
— DEMURGER, Alain. Os Templários, uma cavalaria cristã na idade Média. Trad. Karina Jannini. Rio de Janeiro: DIFEL, 2007.
— STODDART, William. Lembrar-se num mundo de Esquecimento. São José dos Campos: Kalon 2013.
— SCHUON, Frithjof. O Homem no Universo. São Paulo: Perspectiva, 2001.
— SOARES DE AZEVEDO, Mateus. A Inteligência da Fé: Cristianismo, Islã, Judaísmo. Rio de Janeiro: Record, 2006.
COMENTO: as origens portuguesas e, particularmente, de membros da Ordem de Cristo, reforçam a característica de forte ligação com a fé cristã que marcou o "nascimento" de nosso país. Me vejo, ainda na obrigação de compartilhar trecho de texto publicado pelo jornalista Alexandre Garcia em sua página no Facebook:
O pesquisador Lenine Barros Pinto escreve que Vasco da Gama reabasteceu sua frota em direção às índias, de água fresca e frutas, no saliente nordestino. Era uma rota secreta portuguesa, que evitava calmarias e piratas da costa africana. Afirma que que Cabral, antes de seguir para as índias, fora mandado chantar (plantar) marcos portugueses, com a Cruz da Ordem de Cristo, para assinalar a posse, prevenindo-se dos espanhóis, que já haviam chegado no novo continente. Fez isso por “2 mil milhas de costa”. O último marco está em Cananéia/São Paulo. Contada essa distância para o norte, vai dar em Touros/RN, e não em Porto Seguro, como pensava o historiador Varnhagen. O Cabugi vê-se do mar; o Monte Pascoal, não. Ao fim dessas memórias sobre nosso passado, deixo aqui a polêmica, para que busquemos a verdade sobre nosso nascimento.
Assunto para os bons historiadores e pesquisadores de nossa História!
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quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

AI-5 - 50 Anos de Uma Atitude Drástica Necessária

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Após a deposição de João Goulart pela Contrarrevolução de 31 Mar 64, os maus brasileiros  que já se sentiam vitoriosos na empreitada iniciada em 1935  viram mais uma vez seus planos irem por água abaixo. Imaginemos a decepção de gente como  Luiz Carlos Prestes, o dirigente do PCB que alguns dias antes havia afirmado que “Já estamos no poder, embora ainda não tenhamos o governo nas mãos”.
Assim, movidos pela crença doentia no socialismo, os dirigentes comunistas não desanimaram e passaram a insuflar os militantes mais jovens, para que enfrentassem uma luta fratricida e suicida, tentando recuperar o terreno perdido mais uma vez.
Essa reação, desesperada e criminosa, se deu por meio de atos de terrorismo praticados por militantes treinados e financiados por Cuba desde o final dos anos 50 e organizados desde o início da década de 60  vide, dentre outros mecanismos montados em plena vigência da democracia, os "Grupos dos Onze", organizados por Leonel Brizola em 1963  fato comprovado conforme narrado ao final de uma postagem antiga deste blog.
Tais atos terroristas desenvolveram-se em uma sequência de crescente violência, dos quais salientamos alguns:
19 Jul 1964 — uma bomba jogada pela madrugada contra as Mercearias Nacionais, em Pilares, Guanabara, fere o comerciante Antônio Monteiro.
12 Nov 1964  — explosão de uma bomba no cinema Bruni, na praia do Flamengo, Rio de Janeiro, em protesto contra a aprovação da Lei Suplicy, que extinguiu a UNE e a UBES, provoca seis feridos graves e a morte do vigia Paulo Macena. Na véspera, outra explosão havia ocorrido na Faculdade de Direito, sem causar feridos. 
— 28 Nov 1964  tentativa, frustrada, de descarrilamento de um trem, em Sete Lagoas, Minas Gerais.
— 1º Dez 1964 — explosão no sistema de refrigeração do Cine São Bento, em Niterói.
22 Abr 1965  — atentado à bomba contra o jornal "O Estado de São Paulo".
22 Set 1965 — duas bombas explodem na Sala dos Pregões da Bolsa de Valores, ferindo dez pessoas.
31 Abr 1966 duas bombas explodem no Recife. A primeira na sede do DCT (Correios e Telégrafos) feriu duas pessoas, e a segunda na residência do então comandante do IV Exército, general Damasceno Portugal.
25 Jul 1966 — atentado à bomba no Aeroporto dos Guararapes, em Recife, contra o general Costa e Silva, no qual morreram o Almirante Nelson Gomes Fernandes e o jornalista Edson Régis de Carvalho e causando mutilações em diversas pessoas, dentre elas o Tenente-Coronel Sylvio Ferreira da Silva, e Sebastião Tomaz de Aquino, Guarda Civil que teve a perna direita amputada.
1º Ago 1966 — explosão de uma bomba no cinema Itajubá, em Santos.
26 Ago 1966 — explosão de uma bomba no teatro Guaíra, em Curitiba.
2 Ago 1967 — explosão de uma bomba na sede do Corpo da Paz, entidade americana, na praia do Russel, Rio de Janeiro, ferindo Ruy Ribeiro, que teve uma das mãos amputada; e as norte-americanas Helen Keln e Patrícia Yander gravemente atingidas, com vários estilhaços nos corpos.
24 Nov 1967 — ocorre o que é considerada a primeira ação terrorista seletiva da ALN: em Presidente Epitácio é assassinado o fazendeiro - Zé Dico - por Edmur Péricles de Camargo, vulgo "Gauchão". O crime, que também teve a participação de Demerval Pinheiro dos Santos e outros 17 "posseiros", e ocorreu na Fazenda Bandeirantes por ordem de Rolando Frate, líder do PCB, em função da resistência que o fazendeiro exercia contra o "movimento camponês" da região. O relato do planejamento e execução do crime foi publicado na Folha de São Paulo, em 1970.
15 Dez 1967  É assassinado o bancário Osiris Motta Marcondes, gerente do Banco Mercantil de São Paulo, durante assalto de terroristas à agência.
15 Mar 1968 — atentado à bomba contra o Consulado americano em São Paulo, com dois feridos. Um deles, o estudante Orlando Lovecchio Filho, de 22 anos, perdeu uma perna e até hoje não conseguiu receber a indenização que pleiteia, diferente do que tem ocorrido com quase todos os terroristas beneficiados pela anistia.
10 Abr 1968 — Explosão à dinamite no QG da Polícia Militar, na Praça Fernando Prestes, em São Paulo.
15 Abr 1968 — Lançamento de bombas contra o antigo QG do II Exército/SP, na rua Conselheiro Crispiniano, próximo ao gabinete do então Comandante, General Sizeno Sarmento. Os petardos, embrulhados em folhas de jornais, feriram uma telefonista de uma loja vizinha e um rapaz que tentou apagar o pavio da bomba com um balde de água.
20 Abr 1968 — Novo atentado à bomba contra o jornal "Estado de S. Paulo". Destruiu a fachada do prédio. O porteiro Mário José Rodrigues ficou gravemente ferido. Prédios vizinhos foram danificados pela explosão. A bomba arremessou longe um veículo que passava pelo local (ferindo também duas pessoas). A sucursal do jornal O Globo, localizada no 19° andar de um prédio em frente, também sofreu danos.
15 Mai 1968 — Atentado à bomba contra a Bolsa de Valores em São Paulo.
18 Mai 1968 — Atentado à bomba contra o Consulado da França em São Paulo.
26 Jun 1968 — Atentado à bomba pela Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) contra o QG do II Exército, no qual morreu o soldado sentinela Mário Kozel Filho e ficaram gravemente feridos vários soldados da guarda.
1º Jul 1968 — É morto a tiros no Rio de Janeiro o major do Exército alemão Edward Ernest Tito von Westernhagem, cursando uma escola militar brasileira (ECEME), confundido com o capitão boliviano Gary Prado, suposto matador de Che Guevara. Crime do Comando de Libertação Nacional (COLINA).
19 Ago 1968 — Explosão simultânea de bombas em frente ao DOPS e a dois edifícios da Justiça Estadual de S. Paulo.
7 Set 1968 — Assassinato a tiros do soldado Eduardo Custódio de Souza, da PMSP, por terroristas, quando de sentinela no DEOPS/SP.
— 20 Set 1968 — É abatido a tiros o soldado da PMSP, Antônio Carlos Jeffery, quando de sentinela.
12 Out 1968 — Para assinalar um ano da morte de Guevara na Bolívia, é fuzilado pela VPR, na frente de sua mulher e filhos o capitão do Exército americano Charles Rodney Chandler, de 30 anos, estudante de uma universidade de São Paulo e veterano do Vietname, sob a falsa justificativa de ser agente da CIA.
7 Dez 1968 —  bomba de alto poder explosivo é colocada pela madrugada na agência do Correio da Manhã, no Edifício Marquês do Herval, Rio de Janeiro, destruindo as instalações e causando prejuízos calculados inicialmente em NCr$ 300 mil. O deslocamento de ar provocado pela bomba arrebentou vidraças de lojas e escritórios nos dez primeiros andares do prédio. Na agência, abriu uma cratera de mais de um metro de diâmetro, pondo os ferros da laje à mostra. Arrebentou ainda as esquadrias de alumínio, o mármore das paredes, o sistema de refrigeração e sua casa de máquinas. Todo o mobiliário foi danificado. A livraria, que funcionava no mesmo local, teve as suas vitrinas totalmente destruídas. O operário Edmundo dos Santos saiu gravemente ferido. Minutos antes, uma outra bomba explodiu na Faculdade de Ciências Medicas da UEG (Universidade do Estado da Guanabara), destruindo a biblioteca e parte do Diretório Acadêmico, na Avenida 28 de Setembro.
13 Dez 1968 — É editado o Ato Institucional nº 5 com a finalidade de fornecer ao governo os instrumentos necessários para combater o terrorismo e a guerrilha. 
A lista de crimes cometidos, acima relatada, é uma pequena mostra dos atos terroristas ocorridos de 1964 até as vésperas da emissão do AI-5. Outros atentados são elencados no Roitblog, abrangendo o período até 1969. Tomar conhecimento desses violentos delitos auxilia a entender quais foram as motivações que conduziram ao "endurecimento" da repressão ao terrorismo. Também, refuta a "justificativa" mentirosa e covarde, como soe ser qualquer explicação de comunistas, de que o terrorismo foi uma reação ao AI-5.
Na data que assinala meio século da publicação do tão mal falado AI-5, algumas reflexões precisam ser feitas de forma honesta.
Terá sido "pura maldade" dos governantes de então? Quais foram, realmente, os efeitos práticos dele e dos Atos Institucionais anteriores?
Para isto, recomendo a leitura deles. É fácil o acesso, basta clicar em Planalto.gov.br-64.
A começar pelo primeiro deles, cujo projeto foi feito, a pedido do Presidente Ranieri Mazzili, por uma comissão de oito parlamentares  Pedro Aleixo, Martins Rodrigues, Daniel Krieger, Bilac Pinto, Adauto Lúcio Cardoso, Paulo Sarazate, João Agripino e Ulysses Guimarães. Segundo o Senador Daniel Krieger, depois líder do governo do Presidente Costa e Silva: "A minha interferência restringiu-se a discordar do prazo de 15 anos, proposto à comissão por um de seus integrantes - Ulysses Guimarães". O projeto da Comissão foi substituído por outro elaborado pelos professores Francisco Campos e Carlos Medeiros, comenta Krieger: "Devo registrar, entretanto, que o redigido pelos citados parlamentares não era mais liberal do que o dos eminentes mestres." (Daniel Krieger, Desde as Missões - Saudades, Lutas, Esperanças - José Olympio - Rio de Janeiro, 1978 - 2º edição pág. 172). O fato, muito pouco conhecido, é relembrado pela Folha de São Paulo de 1º Mai 1989 (Política, Fl A7, "Há 60 anos Ulysses sonha em ser Presidente da República"); pelo Jornal do Brasil de 14 Out 1992, pág 8 (Do apoio ao Golpe de 1964 ao comando da resistência) e Jornal Inconfidência, ed 256, pág 23.
Verificando o teor dos Atos Institucionais, observamos que o objetivo das eleições indiretas eram simplesmente para completar o mandato interrompido. Inicialmente, foram previstas eleições presidenciais para outubro de 1965. As "garantias constitucionais" suspensas por seis meses eram as de "vitaliciedade e estabilidade", obviamente visando facilitar a exclusão de funcionários acusados de algum delito, ou seja, executar a necessária limpeza dos traidores do povo e corruptos instalados nos diversos cargos públicos.
Os Atos Institucionais que se seguiram, ocorreram em virtude do recrudescimento da oposição irracional e do terrorismo, e da necessidade de combater este último com a devida energia e fundamento legal.
Lendo o texto do AI-5 nos dias de hoje (e pouca gente faz isso) temos a nítida sensação de que algo parecido se faz necessário no Brasil atual!
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segunda-feira, 1 de outubro de 2018

EsSA - Concurso/2018 - CFS 2019/2020

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Passado o período de Exame Intelectual do Concurso aos Cursos de Formação de Sargentos do Exército Brasileiro que funcionarão em 2019 e 2020, podemos aqui manifestar alguns pontos de opinião, atualizando postagem feita em 2014.
De acordo com o edital publicado no Diário Oficial, são 1.070 vagas dividas nas áreas de aviação e geral, em que 910 são destinadas ao sexo masculino e 100, para o feminino; e, outras 60 são para área da Saúde, destinadas para técnicos de enfermagem. 
Com aproximadamente 94.000 candidatos inscritos no Concurso de Admissão 2018 aos Cursos de Formação de Sargentos 2019-20, a concorrência por área é a seguinte:
- 75 candidatos/vaga para a ÁREA Geral/Aviação (Masculino);
- 171 candidatos/vaga para a ÁREA Geral/Aviação (Feminino);
- 78 candidatos/vaga para a ÁREA Música; e,
- 93 candidatos/vaga para a ÁREA Saúde.

Uma demanda considerável, se comparada a outros concursos para cargos em função pública. 
Neste ano de 2018 houve um acréscimo de quase 100% de candidatos em relação a 2014, quando houve 48.173 candidatos confirmados.
Temos então que, apesar do esforço de algumas 'otoridades' - infelizmente com o apoio da grande mídia - em desmoralizar e desmotivar os profissionais das armas, a carreira militar continua a encantar nossos jovens que amam o Brasil e não temem sair de sob as asas dos seus pais.
Espero que entre os candidatos aprovados não haja quem espere "levar vantagem", pois se houver vai se decepcionar. A carreira castrense é para quem se sujeita a uma vida de sacrifícios com remuneração somente suficiente para a sobrevivência familiar.
Aos que tiverem sucesso nas provas, alguns pequenos esclarecimentos que não é costume serem feitos, mas que eu os faço previamente para que, mais tarde, não usem o argumento covarde de que não sabiam direito o que estavam fazendo:


- Diferentemente do que ocorre em Concursos para Cargos Públicos Civis, preparem-se para começar a "mostrar serviço" depois de frequentarem o Curso de Formação, quando começarem efetivamente sua carreira profissional; e isso vai continuar por 30 anos de serviço, no mínimo. É costume dizer que Sargentos devem provar a cada dia que são bons profissionais.
- Preparem-se, também, para permanecerem por sete ou oito anos na graduação de 3º Sargento, com vencimentos brutos mensais, após 01 Jan 2019, por volta de R$ 5.050,00. A isto podem ser agregados mais 10 ou 20% do soldo (R$ 382,50 ou R$ 765,00) se forem servir em regiões consideradas inóspitas.
- Preparem-se, ainda - também diferentemente das funções públicas civis -, para serem destinados para servir em qualquer parte do território nacional, independentemente dos interesses familiares (casa própria, emprego da esposa, curso universitário, doenças de pais, avós, sogros, etc).

- Depois do Curso, no exercício das funções de Sargento as condições profissionais continuarão difíceis (passar frio, cansaço, acampamentos em condições precárias, escalas de serviço apertadas - sem direito a recebimento de "horas extras" -, formaturas, exercícios físicos, "tempo zero" para estudos fora do EB, etc), acrescidas da responsabilidade de repassar seus conhecimentos, com os devidos cuidados de segurança, para seus subordinados (os Soldados incorporados anualmente para o Serviço Militar Inicial).
- Quanto aos aspectos financeiros, a cada promoção terão um acréscimo de 15 a 20% em seus vencimentos, chegando à graduação de Subtenente com o vencimento bruto, também a partir de 01 Jan 2019) valendo aproximadamente R$ 8.360,00.
Caso alcancem o oficialato, poderão chegar ao posto de Capitão, que terão vencimentos brutos, após 01 Jan 2019, por volta de R$ 14.700,00. Ao vislumbrar esses valores, a grosso modo, deve ser calculado o abatimento de cerca de 11%, a título de descontos obrigatórios para atendimentos de saúde e para o fundo que financiará, no futuro, a Pensão de sua viúva. Depois desse desconto, ainda tem que prestar contas com o famigerado e faminto Leão do Imposto de Renda.
- Os que não prestaram o Serviço Militar Inicial devem atentar para um detalhe importantíssimo: se acharem que as condições oferecidas durante o Curso de Formação não lhe agradaram, não insista. Se você teve capacidade para ser aprovado no Concurso do CFS, certamente tem capacidade para fazer outros concursos para atividades profissionais onde se sinta melhor. 
Se não gostou do Curso, não irá gostar do dia-a-dia da caserna, assim, busque sua felicidade seguindo outra carreira e não se torne um mau profissional (desmotivado, mal-humorado, dos que só enxergam motivos para reclamar e criticar, desagregador, sem disposição para consertar ou melhorar seu ambiente de trabalho).
- Aos que entenderem que podem passar seus dias dedicando-se às atividades castrenses, sejam bem vindos! Terão trinta e poucos anos de atividade profissional extremamente gratificante, em um ambiente que tem por característica principal a camaradagem!
Aproveito para citar cinco princípios a serem seguidos para um bom desempenho profissional:
- Conheça sua profissão (saiba qual seu papel na sociedade como profissional);
- Interesse-se por sua profissão (busque conhecimentos sobre como melhorar seu desempenho profissional);
- Conheça seus subordinados (identifique as características pessoais de cada um, a fim de melhor destinar missões, recompensas e sanções);
- Mantenha seus subordinados bem informados (só assim, eles poderão desenvolver sua iniciativa no sentido de melhor cumprir suas missões); e
- Interesse-se, verdadeiramente, pelo bem estar de seus subordinados.
Essas regras, que parecem simples, na realidade são difíceis de serem seguidas, pois são as que diferenciam os Líderes dos Chefes. E uma das principais características exigidas ao Sargento é ser Líder.
E sejam Sargentos, profissionais conscientes de pertencerem a uma das Instituições mais respeitadas por nossa população decente!

Imagens: "Futuro Sargento do EB"  no Facebook
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sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Liderança ou Caudilhismo??

Caudilhos
Há uma cena em Wild Wild Country, o documentário que a Netflix produziu sobre Osho (Bhagwan Shri Rashnish), que nos mostra a essência dos caudilhos.  Como a maioria dos gurus religiosos, o tal Bhagwan era uma espécie de narciso ao cubo e perante as pessoas que o adoravam entrava em êxtase e se convertia em um mar de tranquilidade. De repente, depois de desafiar a uma comunidade de moradores do Oregon e se meter em graves problemas com a lei, sua secretária e "braço direito", Sheela, o abandona. Então o véu cai e surge reluzindo a alma do homem. Com uma mirada de ódio puro, Bhagwan diz sobre Sheela:
Nunca fiz amor com ela. Quem sabe, esse seja o motivo dos ciúmes. Ela sempre quis, mas nunca me rebaixei a fazer amor com uma secretaria. Uma história de amor nunca termina; pode converter-se em uma história de ódio. Ela não demonstrou ser uma mulher real; demonstrou ser una perfeita cadela.
É preciso reiterar uma obviedade que às vezes passa por alto não aos crentes, mas aos cidadãos que devem lidar com caudilhos na vida pública: o caudilho de verdade demonstrará até a saciedade que seu vicio é o poder, um poder menos limitado possível. Para um caudilho de porte, os famosos pesos e contrapesos de Montesquieu são um enfeite. Pode-se ver em gravações sucessivas até que ponto Hugo Chávez se deleitava com cada uma de suas tropelias, de seus insultos e de suas expropriações. E também se percebe que ao gritar Você está demitido! ou ao contar uma de suas incontáveis mentiras, Trump adquire um ar orgiástico.
Uma inferência fundamental do escrito acima é que dar poder a um caudilho implica um grave risco e que, quando mesmo assim ocorre, é preciso ficar alerta porque mais cedo ou mais tarde este vai querer abusar daquele. Seu verdadeiro plano consiste em obter poder, aumenta-lo e preserva-lo. O que consta em seus programas políticos tem um significado secundário: são pretextos, possíveis subprodutos, pouco mais que letra morta para ingênuos. Essencial, por outro lado, é o recrutamento de gente que os ajude a obter e reter o poder. Todo caudilho se rodeia de pessoas obedientes e submissas, ainda que implacáveis com os inimigos do chefe o do "paizinho".
O que nos leva a uma segunda conclusão, ainda mais espinhosa. Um caudilho sem sua guarda pretoriana não é ninguém. Há, no entanto, uma falha no espírito das multidões que, dadas certas circunstâncias, as fazem acercar-se aos caudilhos e entregar-se incondicionalmente. Sim, é claro que esperam benefícios materiais que não estarão disponíveis aos omissos, mas há algo mais: querem fugir de suas inseguridades fundindo-se com o líder, querem exercer suas agressividades por meio de um intermediário, querem odiar. O pecado não é ter desavenças pessoais com eles, mas sim ofender o caudilho idolatrado. Para isto não existe perdão nem trégua.
Desencadeado o fenômeno, é muito difícil neutraliza-lo. Da mesma forma que os vícios, o caudilhismo tem que ir até o fundo, causar uma imensa catástrofe para que as pessoas lhe virem as costas. ¿Pode alguém acreditar que ainda haja quem, na Venezuela ou na Nicarágua, diga que Maduro e Ortega são vítimas de uma conspiração imperialista internacional e não uns vís verdugos de seus respectivos povos? Pois todavia existem.
O único freio efetivo contra os caudilhos são as instituições fortes, de modo que um país que não as construi ou que não as defende, está brincando com fogo.
Fonte: tradução livre de El Espectador
COMENTO: independendo de supostas ideologias - eis que na atualidade a ideologia dos políticos em geral é simplesmente tomar posse da chave do cofre - a idolatria pode conduzir massas populares a um frenesi irracional. Há que se diferenciar bem liderança de caudilhismo. A primeira é a capacidade de motivar as pessoas espontaneamente para um objetivo simplesmente pelo uso do carisma. O falecido político Leonel de Moura Brizola - de quem eu não era fã - é um bom exemplo de líder. Como diziam em sua época de fama, se lhe proporcionassem um caixote e uma esquina, ele obtinha rapidamente um séquito. Já o caudilhismo obtém seguidores mediante a expectativa de algum retorno imediato, nem sempre legal e moral. Bom exemplo disso ocorre atualmente no Brasil, com boa parte da população idolatrando um reles ladrão condenado - com fartas provas de sua ilicitude - e preso; além das claras demonstrações de falta de decoro público e comportamento totalmente fora dos padrões minimamente éticos que se espera de um líder, sempre em troca de promessas de "benefícios" ou ameaças de suspensão dos mesmos.
Quanto ao seriado citado a respeito do "líder religioso", leia um bom texto em Huffpostbrasil.
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