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sexta-feira, 22 de março de 2019

Base Espacial Chinesa na Patagônia Preocupa.

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A desproporcional base espacial que o governo nacionalista-populista de Cristina Kirchner concedeu à China na Patagônia causa cada vez mais preocupação na Argentina e no mundo, como pode se ver em reportagem do jornal portenho La Nación”.
Base Chinesa na Patagônia não é só civil, diz Exército dos EUA
Teme-se cada vez mais sobre sua verdadeira finalidade. Recentes fatos, como o pouso de uma nave chinesa no lado escuro da Lua multiplicaram os temores.
A base dirigida pelo Exército Vermelho comunista teria também um objetivo militar.
Durante milênios as guerras e as hegemonias imperiais tinham como objetivo supremo o domínio da superfície terrestre.
Em séculos recentes, os impérios coloniais como o inglês privilegiaram o controle dos mares, e dos estreitos que controlam a navegação.
A II Guerra Mundial transferiu essa importância ao controle do ar.
As forças aéreas os aviões primeiro, e os mísseis posteriormente passaram a ser determinantes para o domínio do mundo ou de continentes inteiros.
Hoje o controle do espaço e das comunicações via satélite para usos militares é campo de luta primordial para as potências.
Nesse contexto foi posta em funcionamento num local desértico e afastado uma estação espacial chinesa de observação e exploração que diz ter finalidades “pacíficas”. E isso é o que cada vez menos se acredita.
Pequim ganhou de mão beijada uma área de 200 hectares, perto do povoado de Bajada del Agrio, na província de Neuquén, na estepe patagônica.
A área é na prática um enclave soberano chinês. Funciona sem supervisão das autoridades argentinas, leia-se só vigora a lei chinesa, os trabalhadores e cientistas só são chineses, que não falam espanhol, quase não se fazem ver e obedecem a um general do Exército vermelho.
Infografia publicada pela imprensa argentina
A agência Reuters obteve acesso a centenas de páginas de documentos oficiais dos acordos, aliás secretos, assinados por Kirchner. A documentação foi revista por especialistas em direito internacional.
Os EUA consideram que a China está “militarizando” o espaço e que a estação da Patagônia, acordada secretamente com um governo corrupto é mais um exemplo de táticas chinesas predatórias da soberania das nações, explicou Garrett Marquis, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca.
Por sua vez, Tony Beasley, diretor do Observatório Nacional de Radioastronomia dos EUA avala que a dita base pode “escutar” os satélites de outros países para surrupiar dados confidenciais. 
Trinta empregados chineses trabalham e moram na base que não admite argentinos, disse a prefeita local, Maria Espinosa. Os habitantes da zona rara vez veem alguém na cidade.
Alberto Hugo Amarilla, dono de um pequeno hotel, conta que um funcionário chinês o saudou com entusiasmo pois tinha sabido que era oficial retirado do exército. O chinês era general...
Base funciona como território soberano chinês.
Apresentando seu informe anual, no Congresso, o chefe do Comando Sul dos EUA, o Almirante Craig S. Faller, manifestou sua “preocupação” porque a base chinesa pode “monitorar alvos estadunidenses”, escreveu o quotidiano Clarin de Buenos Aires. 
Os perigos da penetração informática militar da China na Argentina atingem toda a América do Sul. 
Eles são acrescidos à expansão de empresas engajadas com a telefonia celular, como a Huawei e a ZTE que “penetraram agressivamente na região”, com uma estratégia que “põe em risco a propriedade intelectual, dados privados e segredos de governo”. 
O Pentágono considera, além do mais, que essas empresas incluem dispositivos nos smartphones que comercializam para grampeá-los e repassar os dados à China.
De maneira análoga, segundo a agencia britânica Reuters a base chinesa age como uma “caixa preta” para registrar toda espécie de informações sensíveis. 
Segundo militares citados pela revista Foreign Policy a forma do imenso radar revela que é usado para reunir informação sobre a posição e as atividades dos satélites militares americanos. E sublinham que a China fala muito de um espaço livre de armas, mas é a primeira em não respeitar o que diz. 
No Congresso estadunidense, o almirante Faller elencou entre as “principais ameaças” à paz mundial, a Rússia, a China, o Irã, e seus “aliados autoritários” de Cuba, Nicarágua e Venezuela.
O jornal portenho Clarín publicou fac-símiles do tratado secreto que confirmam esses temores. 
O tratado cria “uma zona de exclusão”, que tem um raio de até 100 kms em volta dos 200 hectares. Nessa “zona de exclusão”, os civis argentinos não poderão acionar aparelhos que usem ondas de rádio “como equipamentos domésticos, dispositivos para carros,” etc.
O prefeito de Bajo del Agrio, a localidade mais próxima à base, Ricardo Fabián Esparza, usou uma metáfora caseira para dizer que tudo se passa como se os chineses quisessem espionar até as peças íntimas de nosso vestuário.
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domingo, 10 de março de 2019

A Espionagem Venezuelana em Bogotá

por Unidad Investigativa
Na foto, Carlos Pino em Bogotá na companhia de Royland Belisario, membro do SEBIN.
Foto: Arquivo particular
Organismos de Inteligência dizem que há US$ 5 milhões para atos de desestabilização na Colômbia.
Vários dos mais de 700 militares venezuelanos que se entregaram na fronteira com Colômbia vem advertindo a membros de organismos de Inteligência que ao menos dois deles não estão dizendo a verdade sobre o cargo e Unidades a que supostamente pertencem.
Ainda que não se descarte que estejam mentindo para proteger-se das represálias do regime de Nicolás Maduro, está sendo verificado se fazem parte do plano de espionagem que a Venezuela ordenou iniciar há uns meses nas ruas de Bogotá.
El Tiempo teve conhecimento de uma diretriz que organismos de Inteligência colombianos atribuem ao Comando Estratégico Operacional das Forças Armadas da Venezuela (CEOFANB), datado em 10 de agosto de 2017, na qual se ordenou um deslocamento de “redes de Inteligência exterior em território colombiano, para efetuar operações encobertas em torno a interesses militares e ameaças provenientes de Colômbia e de Estados Unidos”.
O epicentro da espionagem é Bogotá, mas informação de Inteligência assinala que há pelo menos 50 membros do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN) dispersos em pelo menos oito regiões do país.
Além disso, asseguram que sua missão se ampliou a controles e vigilâncias a opositores refugiados na Colômbia, a membros de missões diplomáticas de países que apoiam a saída do poder de Maduro e a funcionários colombianos de alto nível.
O dado mais recente que há sobre essa investida assinala que existe um orçamento de 5 milhões de dólares para executar atos de desestabilização na Colômbia, que incluem desde a infiltração nas marchas e protestos, até ações contra Juan Guaidó, o presidente interino de Venezuela.
Com base nessa informação, no final de fevereiro, o chanceler Carlos Holmes Trujillo responsabilizou Maduro por qualquer agressão que possa ocorrer contra Guaidó, que passa pela Colômbia para assistir à reunião do Grupo de Lima.
Há evidencias de que a ordem de planos de espionagem na Colômbia ganhou maior força depois que Duque assumiu a bandeira do bloco de países que exigem a saída imediata de Maduro e o reconhecimento de Guaidó como presidente de transição para que ocorram eleições presidenciais livres.
Assim se lê em documentos de Inteligência, nos quais inclusive, aparecem varias fotos tiradas do embaixador dos Estados Unidos em Bogotá, Kevin Whitaker, por um agente do SEBIN.
O espião foi revelado ao aproximar-se demais do custodiado diplomata durante um foro sobre migração venezuelana, em 16 de outubro de 2018, a que também assistiu o chanceler Trujillo.


Coletivos chavistas e ELN
As fotos de Whitaker 
 cujo governo não descarta uma intervenção militar na Venezuela  foram enviadas em tempo real (3:44 da tarde) a Royland Belisario, membro do SEBIN, que esteve no serviço diplomático venezuelano em Bogotá e foi visto rondando Cúcuta.
Estas foram as fotos que percebidos membros do SEBIN tiraram do embaixador de EUA e do chanceler Trujillo em Bogotá.  Foto: Arquivo particular
Belisario já havia aparecido em informes de Inteligência, de dezembro passado, que serviram de base para que a Migração Colombiana ordenasse a expulsão imediata do venezuelano Carlos Manuel Pino García, por espionagem. Trata-se de um assessor da missão diplomática de Caracas em Bogotá, casado com Gloria Flórez, ex-congressista do Polo Democrático e secretaria de Governo do governo municipal de Gustavo Petro, entre 2014 e 2015.
Ainda que a ex-congressista tenha interposto uma ação legal desmentindo as acusações, qualificando-as de montagem e exigindo que seu esposo seja devolvido, autoridades judiciais tem evidencias (incluindo áudios), de que Pino mantinha contatos com membros das desmobilizadas estruturas das FARC, e que trabalhava na obtenção de apoios a favor do regime de Maduro.

El Tiempo obteve uma foto na qual ele é visto caminhando por uma rua de Bogotá ao lado de Royland Belisario (no topo da postagem).
Além disso, ele foi relacionado a seguimentos (vigilância) feitos a membros do Tribunal Supremo de Justiça Venezuelano no exílio. Um deles, Zair Mundaray, denunciou fustigamentos durante sua estadia em Bogotá e depois se soube que membros dos violentos coletivos chavistas foram encarregados dessa operação. Ainda, há evidencias de que o SEBIN está em contato com membros do ELN, autores dos mais recentes atentados com explosivos em Bogotá.

A informação do General
O SEBIN e os coletivos chavistas firmam alianças com setores favoráveis à defesa do regime, para criar cenários de crise na Colômbia, como os distúrbios em marchas e as ações do ELN”, explicaram fontes de Inteligência.
Inclusive se sabe que, no primeiro sábado de cada mês, se reúnem com membros da Inteligência de outros países afins a Maduro, para intercambiar informação sobre os objetivos em Bogotá.
Nos últimos três meses, Colômbia já localizou e expulsou pelo menos uma dezena de explícitos espiões e infiltrados do regime de Maduro. Porém os alarmes seguem ativos inclusive em um tema que se acreditava sepultado: um atentado contra o presidente Iván Duque.

El Tiempo constatou que o Major-General Hugo Carvajal  homem forte da Inteligência de Hugo Chávez e de Maduro  já ofereceu entregar informação sigilosa sobre este tipo de planos do regime de Maduro contra a Colômbia.

Migração Colombiana reconsidera a expulsão de "Pau Pau"
Apesar de que, no momento de sua expulsão chorou e insistiu que não era uma espiã do regime de Nicolás Maduro, a Inteligência do Exército colombiano ratificou que a venezuelana Tania Pérez tentou se passar como um dos membros das forças armadas do país vizinho que abandonavam o atual governo.
De fato, foi confirmado que ela responde ao codinome de "Pau Pau" e que sua verdadeira intenção era recolher informação sobre como estão sendo recebidos os uniformizados que abandonam as filas do regime, com a finalidade de envia-la a Caracas para tentar frear as deserções. “É uma ameaça para a segurança nacional”, indicou a Inteligência colombiana.
Entretanto, a Migração Colombiana informou neste sábado (2/3/19) que, com base em novo documento dos organismos de Inteligência, tomou a decisão de não expulsar 'Pau Pau'. El Tiempo obteve de fontes do Governo que a mulher ofereceu entregar informação para “ajudar a restituir a democracia na Venezuela”.
Assim, mesmo que inicialmente não tenha atendido os protocolos de verificação que a Colômbia implementou para atender os desertores venezuelanos, agora ela colaborará com as autoridades colombianas, aportando informação relevante. A decisão de que a mulher permaneça na Colômbia está sustentada em um documento em que deixou formalizada sua vontade de contribuir com a normalização da institucionalidade em seu país.
Tania Pérez, de alcunha "Pau Pau de 28 anos , era membro da Polícia Estatal venezuelana e possui informação sobre movimentos na fronteira com Colômbia por parte do regime de Nicolás Maduro.
O cancelamento da medida de expulsão coincide com a decisão do Governo venezuelano de descender os mais de 700 membros de suas Forças Armadas que se entregaram na Colômbia. Assim consta em um boletim oficial publicado recentemente, onde acrescenta que eles foram expulsos pelos delitos de deserção e traição à Pátria.


Cúcuta, o outro ponto sensível da tensão com Caracas
Para organismos de Inteligência colombianos a melhor evidencia de que há espiões venezuelanos cumprindo missão na Colômbia foi a captura de cinco pessoas, em 19 de fevereiro em Cúcuta, quando se preparava o grande concerto pela paz e a mobilização de ajuda humanitária na fronteira.
Os detidos haviam se hospedado no Hotel Hampton, o mesmo em que permaneciam vários deputados da ala de Juan Guaidó. A SIJIN 
(Seccional de Investigação Judiciária e Interpol) comprovou que o grupo estava acompanhando os movimentos dos deputados, gravando  videos e tomando fotos deles.
Segundo um relatório oficial, conhecido por El Tiempo, no momento de sua retenção disseram ser turistas, que não portavam documentos e que estavam fazendo compras no centro comercial Unicentro.
Mas com um deles, identificado como Oberto Junior Bohórquez Camejo, acharam um passaporte venezuelano, com visto americano, em sua maleta. O sujeito é um intermediário na compra de faturas e portfólios, atividade que está sendo exercida para dar liquidez ao regime.
Seus acompanhantes, que portavam cartões de fronteira falsos, foram identificados como Luis Enrique Duarte Moreno, Erwin Javier Flórez, Jesús María Bohórquez e Laura Elena Carroz.

Temos a certeza de que a mulher é do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN) e que todos estão ligados a um programa que se chama ‘Grande Missão de Lares da Pátria’, que depende da vice-presidência venezuelana”, explicou a este diário um investigador.
Embora Laura Elena Carroz não tenha registro de movimentos migratórios legais para a Colômbia, apareceu hospedada anteriormente no Hotel Casino e já tinha outra entrada no Hampton.
Não vamos permitir que cidadãos estrangeiros ingressem em nosso país para afetar a ordem e a tranquilidade social. Sabemos que há um interesse manifesto por parte da ditadura de Maduro para afetar a segurança nacional diante os eventos que estão próximos a realizar-se”, indicou no fim de semana passado Christian Krüger, diretor da Migração Colombiana.
Nessa jornada, que terminou em distúrbios e até na polêmica queima de ajudas, houve outra captura. A de Crober Elías Paraco Silvera, membro ativo da velha Polícia Técnico Judicial de Venezuela (PTJ). O sujeito tomou fotos no posto fronteiriço e, quando interpelado, disse que ia buscar provisões para sua família.
Por enquanto, os alarmes estão ativos no Norte de Santander, Arauca e La Guajira, a fronteira porosa entre Colômbia e Venezuela, por onde estão ingressando os mal chamados desertores do regime. Mas também está sob vigilância outra passagem: a fronteira com o Brasil onde no fim de semana passado (23/2/19) se registraram graves distúrbios. 


Fogo amigo
O que os organismos de Inteligência e agencias de outros países pretendem é habilitar uma plataforma de informação que permita identificar a todos os uniformizados que busquem passar para Colômbia. Além do ingresso de potenciais espiões, o que tentam evitar é que militares venezuelanos e coletivos chavistas os alvejem a tiros, como ocorreu há alguns dias na fronteira com Brasil.

Unidad Investigativa
u.investigativa@eltiempo.com
Twitter: @uinvestigativa
 Fonte:  tradução livre de El Tiempo
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sexta-feira, 22 de junho de 2018

"Trigon" - Espiões Passeando na Noite

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Aleksandr Ogorodnik 
(codinome: Trigon)
Em 22 de junho de 1977 [41 anos atrás],  Aleksandr Ogorodnik, (Trigon), matou-se com uma pílula de veneno fornecida pela CIA, após a KGB detê-lo com base em informes fornecidos por um infiltrado na Agência. Cerca de três semanas depois, a Agente da CIA Martha (Marti) Peterson  sem saber sobre a morte de Aleksandr  foi presa em uma emboscada da KGB enquanto realizava um "dead drop" (Comunicação Sigilosa) em Moscou.
As ruas de Moscou foram um dos mais importantes e perigosos campos de batalha durante a Guerra Fria. Agentes de Inteligência dos EUA como Marti trabalhavam nas sombras com  informantes como Aleksandr, coletando segredos soviéticos. Os soviéticos, por sua vez, vigiavam de perto todos os estrangeiros e os seus próprios cidadãos em busca de sinais de espionagem.
"Trigon" e sua  mini-câmera T-100. 
Credit: SPYCRAFT,
 by Robert Wallace & H Keith Melton.
Embora a história de Trigon tenha terminado tragicamente, os dados que Aleksandr forneceu deram aos analistas dos EUA uma ampla visão sobre planos e intenções da União Soviética (URSS) para sua política externa. E foram esses conhecimentos que ajudaram os EUA vencerem a Guerra Fria.
Recrutamento de um Espião
Aleksandr Ogorodnil era um funcionário de nível médio no Ministério de Relações Exteriores (MFA) da URSS servindo na América Latina, tendo acesso às informações a respeito das intenções soviéticas para a região. Ele gostava de sua vida ao estilo ocidental, considerando-a melhor que o sistema vigente na URSS, que ele considerava opressivo.
A CIA recrutou Aleksandr na América do Sul — Bogotá, Colômbia  em 1973. Ao aceitar espionar para a Agência, ele recebeu o codinome "Trigon".
Ele escamoteava documentos da Embaixada e os levava a um esconderijo, onde eram fotografados por agentes da Agência. O material que ele forneceu deu uma visão incomum sobre as políticas soviéticas na América Latina, incluindo planos para influenciar outros governos.
Retorno à Pátria-Mãe 
Antecipando seu retorno a Moscou, Agentes da CIA ensinaram Métodos e Técnicas Operacionais a Trigon. Ele recebeu treinamento em escrita secreta, uso de códigos de criptografia e procedimentos de "dead drop" (recipiente fixo). Uma das primeiras agentes femininas da CIA a servir por trás da Cortina de Ferro, Marti Peterson, foi enviada a Moscou para ser a controladora de Trigon. Na época, a KGB menosprezava a capacidade feminina de realizar Operações de Inteligência, assim, Marti trabalhou despercebida por mais de 18 meses. 
Instruções de "dead drop" para Trigon
Credito: SPYCRAFT.
O valor de Trigon cresceu expressivamente após o seu retorno a Moscou em Outubro de 1974. Ele concordou em continuar a espionar para a Agência, mas condicionou isto a que o governo dos EUA abrigasse sua namorada que estava grávida. Antes de partir para a União Soviética, Trigon solicitou algum dispositivo para suicídio para o caso de ser pego. Após discussões de alto nível em Langley, seus controladores da CIA relutantemente lhe entregaram uma caneta-tinteiro contendo uma cápsula de cianeto.
Alguns meses depois, conforme suas instruções para recontato, Trigon deu um "sinal de vida" em fevereiro de 1975. Como encontros face a face eram muito perigosos, encontros impessoais operacionais — usando marcas de sinalização, mensagens de rádio, dispositivos de ocultamento, "dead drops— começaram em outubro, sendo repetidos mensalmente.
Por aproximadamente dois anos em que trabalharam juntos, Marti e Trigon nunca se encontraram pessoalmente. Eles foram somente dois espiões "passeando na noite".
Ratos Mortos nos "Dead Drops"
Moscou era um ambiente operacional desafiador. Até mesmo encontrar um simples endereço na cidade era difícil devido aos mapas lá produzidos serem deliberadamente imprecisos. A Agência teve que ser criativa para comunicar-se com seus Agentes, o que regularmente incluía o uso de "dead drops".
Simulacro de pedra para uso em
 "Dead drop". Credit SPYCRAFT.
"Dead drops" era o meio pelo qual o pessoal de Inteligência  recebia ou passava itens de forma sigilosa aos Informantes sem a necessidade de ter um encontro direto.  Costumeiramente, coisas como um tijolo ou uma pedra falsa podem ser usadas como um "dead drop". Contendo mensagens ou suprimentos, esses artefatos podem ser depositados em locais pré definidos, como um canteiro de obras, para posterior recolhimento pelo destinatário.
Um dos mais surpreendentes dispositivos de ocultação usados pela CIA eram ratos mortos. A cavidade de seus corpos era suficientemente grande para conter um maço de dinheiro ou um rolo de filme fotográfico. Um pouco de molho de pimenta-do-reino mantinha os gatos afastados, após o "rato morto" ser jogado pela janela de um carro em um ponto combinado previamente de uma estrada.
Bolsa de Marti Peterson, usada
 nos "dead drop" em Moscow.
Marti usou uma bolsa para esconder suprimentos e equipamentos que ela transferiu a Trigon em coberturas de pontos de "dead drops".  Por causa do preconceito da KGB em relação à atuação feminina, a bolsa, assim como a própria Marti, não atraíram suspeitas.
A Toupeira ou O Infiltrado
Trigon logo conseguiu um cargo no Departamento de Assuntos Globais do MFA que lhe dava acesso a mensagens enviadas e recebidas das embaixadas soviéticas em todo o mundo. Ele forneceu dados sensíveis de Inteligência sobre planos e objetivos da política externa da URSS. Suas resenhas chegaram ao Presidente e altos elaboradores da política norte-americana.
Enquanto isso, Karl Koecher, cidadão norte-americano naturalizado, trabalhava na CIA como tradutor e funcionário contratado. Sem o conhecimento da CIA, ele também trabalhava simultaneamente para o Serviço de Inteligência da República Tcheca. Ele teve acesso a informações sobre as primeiras negociações da Trigon com a Agência e informou a seu serviço de inteligência, que então notificou a KGB.
Ponte Krasnoluzhskiy Most,
em Moscow local de dead drop
Credit SPYCRAFT.
Não se sabe quando isso ocorreu, nem em que época o KGB iniciou a investigar Trigon. No início de 1977, todavia, os Encarregados de Caso começaram a notar indicações — principalmente um declínio acentuado na qualidade das fotografias — de que ele havia sido comprometido e estava sob controle da KGB.
A Ponte Krasnoluzhskiy
Trigon nunca compareceu ao encontro agendado para 28 Jun 1977, assim, foi marcado outro por mensagem de rádio, para duas semanas depois.
Em 15 de julho, Marti foi até Krasnoluhskiy Most — uma ponte ferroviária próxima ao Estádio Central Lenin — para efetuar um "dead drop". A ponte atravessa o Rio Moscou e tem uma passarela para pedestres ao longo de um dos lados dos trilhos. Um local havia sido preparado para que Trigon pudesse pegar uma "encomenda" de Marti, e deixar um pacote que seria recolhido por ela mais tarde, naquela mesma noite.
Marti presa. 
Credit SPYCRAFT.
Quando a noite caiu sobre Moscou, Marti deixou um artefato disfarçado em uma estreita janela dentro da torre de pedras na Krasnoluzhskiy Most. Era uma armadilha.
Uma equipe de vigilância da KGB estava esperando e deteve Marti. Eles a levaram para a prisão de Lyubianka, onde ela foi interrogada por horas e fotografada com alguns equipamentos de espionagem que Agentes, e Trigon, costumam usar. Ela foi declarada "persona non grata" (uma pessoa indesejável) e enviada de volta aos EUA imediatamente.
Mais tarde, a Agência descobriu que Alexander Ogorodnik havia se suicidado um mês antes da detenção de Marti. Ele teria dito à KGB que faria uma confissão por escrito e, para isto, pediu sua própria caneta. Marti escreveu em seu livro de memórias, "The Widow Spy", que ele "abriu sua caneta como se fosse iniciar a escrever e mordeu o reservatório, expirando instantaneamente em frente aos seus interrogadores do KGB. Estes estavam tão concentrados em sua confissão que nunca suspeitaram que o reservatório de tinta da caneta continha veneno ... Trigon morreu à sua própria maneira, como um herói,"
Fonte: tradução livre de CIA
COMENTO: por tratar-se de um texto contendo expressões técnicas, pode ter ocorrido algum equívoco devido ao meu precário domínio da língua inglesa.  Um termo que pode gerar dúvidas é o "dead drop", cuja melhor tradução seria "receptáculo fixo", mas que eu preferi deixar como o original.  Qualquer colaboração no sentido de melhorar a compreensão do texto será bem-vinda.
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quinta-feira, 1 de março de 2018

Espiões "Romeu"

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Margaretha Zelle, ou Mata Hari
Muito antes do surgimento das tradições do Dia dos Namorados, os mestres da espionagem mundial já usavam as artes amorosas para obter segredos de seus adversários. Denominadas "armadilhas de mel", eles envolveram seus adversários neste jogo de amor, atração e mentiras. Uma das sedutoras mais conhecidas foi Mata Hari, uma dançarina exótica holandesa condenada por espionar os alemães durante a Primeira Guerra Mundial. Ela foi acusada de obter suas informações seduzindo proeminentes políticos e oficiais franceses.
A simples menção da palavra "tentadora" evoca imagens de Cleópatra ou Jezabel; raramente produz a imagem de Casanova. Mas homens também foram usados ​​como armadilhas para roubar segredos.
Após o fim da Segunda Guerra Mundial as autoridades da Alemanha Oriental construíram o Muro de Berlim em 1961, separando a Alemanha Oriental da Alemanha Ocidental. Nenhum dos lados confiava no outro e ambos estavam ansiosos para saber o que o outro estava planejando. Por causa da guerra, muitas mulheres em idade matrimonial ocuparam empregos nas empresas, governo, parlamento, militares e Serviços de Inteligência na Alemanha Ocidental, e elas freqüentemente tinham acesso a segredos governamentais altamente classificados. Com a escassez de homens aspirantes — outra consequência da guerra —, as mulheres solteiras da Alemanha Ocidental, ansiosas pela companhia masculina, tornaram-se alvos frequentes para os espiões machos do leste alemão que só estavam interessados ​​nelas por um motivo: os segredos. Estes homens do lado Oriental ganharam o apelido de "Espiões Romeu".
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O Homem Sem Rosto
Markus Wolf era o autor intelectual dos "Espiões Romeu" do leste alemão. As autoridades ocidentais se referiram a ele como "o homem sem rosto", uma vez que não conseguiram identificá-lo por décadas. Wolf nasceu na Alemanha, mas cresceu em Moscou, onde aprendeu a tradição de espionagem. Ele retornou à Alemanha aos 30 anos e tornou-se o chefe da Divisão de Inteligência Exterior da STASI, o Ministério da Segurança do Estado da Alemanha Oriental. Sua missão era infiltrar instituições de política, militar e de segurança da Alemanha Ocidental. Sua arma de escolha: homens.
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"Romeu, Romeu, por que tens que ser Romeu?"(*)
A ideia dos espiões Romeu se desenvolveu pela praticidade. Os espiões Romeu eram uma maneira econômica de roubar segredos. Wolf acreditava que uma mulher com acesso direto e motivação poderia fornecer mais dados do que dez diplomatas masculinos. Claro, não era qualquer homem que poderia ser um espião Romeu. Houve um rigoroso processo de triagem que eliminou 99% dos candidatos. Dos escolhidos, a maioria tinha entre 25 e 35 anos, bem educados, e tinham bons modos antiquados, o que muitas mulheres achavam irresistível. Os homens selecionados para este programa foram treinados em espionagem e receberam identidades falsas, tipicamente de um cidadão falecido ou de um imigrante. Então foram enviados para a Alemanha Ocidental com uma tarefa de espionagem específica para completar. Uma vez lá, eles identificavam uma potencial "Julieta" que tivesse acesso à informação que eles precisavam. Feito isto, criavam uma oportunidade de encontro, começavam um "caso" e arranjavam uma maneira de fazer com que a "vítima" lhes passassem os segredos desejados.
Antes de serem implantados na Alemanha Ocidental, no entanto, os espiões "Romeu" foram avisados ​​de que eles estavam proibidos de se casar com seus alvos, mesmo que desenvolvessem sentimentos genuínos por eles, o que aconteceu com muitos deles. A verdadeira identidade e intenções do Romeu provavelmente seriam descobertas: as autoridades da Alemanha Ocidental faziam profundas investigações sobre quem procurava casar com um funcionário do estado que tivesse acesso a material classificado. Portanto, os Romeus tinham que convencer seus alvos que não eram o tipo casador.
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Julietas
As mulheres escolhidas pelos Romeus eram todas cidadãs da Alemanha Ocidental. Muitas delas tinham origens de classe média-alta e personalidades fortes. A maioria eram empregadas pelo governo quando foram abordadas por um Romeu. Os homens fizeram sua lição de casa e buscavam saber os gostos, desgostos e vulnerabilidades de uma Julieta em particular antes da criação de uma oportunidade de encontro. Apesar de uma campanha publicitária alertando as mulheres do Oeste sobre essas táticas da STASI, muitas "Julietas" caíram nas armadilhas dos homens jovens bem educados, aparentemente bem intencionados, que alegavam trabalhar para organizações humanitárias.
Inicialmente, a maioria das mulheres era ingênua sobre as verdadeiras intenções de seus Romeus; no entanto, na maioria das vezes, à medida que o relacionamento se desenvolvia, as Julietas começavam a suspeitar que seu Romeu estava trabalhando para o outro lado. A maioria das mulheres não ficaram chocadas quando foram convidadas a espionar para seus homens (embora a proposta quase sempre ocorressem em um país neutro, fora da Alemanha Ocidental, para o caso da Julieta não ser receptiva e os Romeus precisassem de uma fuga rápida).
Embora houvesse muitas mulheres que acabaram com o relacionamento quando convidadas a espionar, neste ponto do relacionamento, algumas mulheres estavam apaixonadas e concordaram em espionar para manter seus romances; alguns relacionamentos duraram décadas. Para aquelas mulheres que se apaixonaram por seus Romeus, as carreiras de espionagem terminaram quando os seus amados se iam. Ocasionalmente, um Romeu "substituto" seria implantado, mas geralmente elas não os aceitavam. Essas mulheres espionaram para seu único e verdadeiro Romeu, e quando esse relacionamento terminava, a espionagem também findava.
Outras mulheres também concordaram em espiar por amor, mas não pelo amor de um Romeu. Essas mulheres se apaixonaram pela excitação da espionagem: seus Romeus eram apenas parte do processo. Neste caso, essas mulheres geralmente aceitavam um Romeu substituto se o primeiro desaparecesse por razões de segurança.
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Dia de cabelo ruim
De vez em quando, um Romeu desaparecia, capturado pelo Ocidente. Durante anos, o Oriente não conseguiu descobrir como o Ocidente estava identificando seus homens. Isso se devia ao seu corte de cabelo. Os Romeus usavam cortes curtos e esticados, enquanto os jovens do Ocidente deixavam crescer seus cabelos. Quando os oficiais da contra-inteligência ocidentais descobriam um homem com um corte curto, seguiam o suspeito e prendiam o Romeu em seu primeiro deslize.
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Os Ataques de Romeu
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O Romeu Original:  O primeiro Romeu — chamado "Félix" pelos alemães do leste — era um estudante de engenharia relutante em abandonar seus estudos para ir em busca do amor, mentiras e segredos. Ele finalmente foi persuadido e começou a trabalhar como um Romeu na década de 1950. Ele se mudou para a Alemanha Ocidental, onde ele elaborou um plano para conhecer as mulheres que trabalhavam na Chancelaria. Ele ficava parado na parada de ônibus, esperando ter um encontro casual com uma das secretárias. Sua trama foi bem-sucedida, e ele estabeleceu um relacionamento com uma secretária, que os alemães do leste nominaram "Norma". Ela se apaixonou por seu Romeu e começou a lhe passar os segredos da Chancelaria. O destino fez com que Felix também se apaixonasse pela secretária. Eles se mudaram juntos e começaram um caso que durou vários anos. Infelizmente, seu amor não duraria. Um infiltrado deixou os alemães do leste saberem que Felix havia caído sob suspeita. Ele foi puxado para o Oriente imediatamente. No dia seguinte, Norma chegou em casa depois do trabalho  encontrou um apartamento vazio. Ela nunca soube a verdadeira identidade de seu amásio nem porque ele desapareceu sem deixar rastro.
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O Romeu Exitoso: Outra desavisada Julieta, com 32 anos, encontrou-se com um Romeu em julho de 1977, nas margens do rio Reno, foi amor à primeira vista para a divorciada. Seu Romeu era sete anos mais velho que ela e desempenhou o papel de cientista empregado em uma empresa de pesquisas dedicadas à paz mundial. O casal amasiou-se três meses após o primeiro encontro. Esta Julieta trabalhava como tradutora e intérprete na Embaixada americana. Ela se encontrava seu Romeu uma vez por mês e passou para ele milhares de documentos secretos, mais do que qualquer outro agente em sua posição. Ela estava loucamente apaixonada por ele e nunca o questionou sobre o que ele fazia com os documentos. O relacionamento durou 12 anos. Em 1991, ela e seu Romeu foram traídos por um desertor da STASI. Romeu morreu mais tarde quando seu carro foi abalroado por um trem. Em 1996, Julieta enfrentou o julgamento por espionagem, durante o qual ela se concentrou apenas em descobrir o máximo que podia sobre seu grande amor, indagando se ele, de fato, realmente a amava. Recebeu uma sentença suspensa de dois anos e foi multada. O juiz presidente concluiu que sua "adoração cega" por seu Romeu a levou a espionar.
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O Super-Romeu: Os alemães do leste se referiram a Romeus seletos como "Super-Romeus" por suas conquistas. Um desses era um diretor de teatro inteligente e atraente. Em 1961, foi enviado a Paris, na França, para se aproximar de uma intérprete do Centro de Comando da OTAN. Três outros Romeus tentaram e falharam. A intérprete era uma católica devota que se apaixonou pelo Romeu número quatro, acreditando que ele era um oficial da Inteligência militar dinamarquesa. Ela começou a passar os segredos da OTAN quando ele chegou a Paris para visitá-la. Eventualmente, sua educação católica a alcançou, e ela sentiu remorso por seu caso e sua espionagem. Ela sentiu um desejo irresistível de confessar seus pecados e se casar com Romeu se seu relacionamento fosse continuar. Romeu esquivou o requisito de casamento, culpando o trabalho. No entanto, ele providenciou um agente de Inteligência da Alemanha Oriental, disfarçado de sacerdote católico dinamarquês, para ouvir a confissão. Julieta confessou seus pecados ao "sacerdote", que a absolveu de todos os erros e a encorajou a continuar espionando com as bênçãos do Bom Deus.
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O Romeo Bi-Sedutor: Alguns Romeus tiveram sorte no amor duas vezes. Embora não forçosamente considerado bonito, este Romeu foi honesto. Ele conheceu sua primeira Julieta em 1960 no "Depósito de Secretárias", como Paris era chamada pelo Oriente em função da abundância de funcionárias do governo da Alemanha Ocidental enviadas para aprender francês. Romeo abriu caminho no coração de uma secretária de 19 anos e revelou sua verdadeira identidade. Sua relação floresceu e continuou por vários anos. Por sua sugestão, ela obteve transferência para o Escritório da Chancelaria em Bonn, onde todos os telegramas das Embaixadas no exterior eram decifrados. Ela colocava cópias dos documentos na bolsa e saía do escritório para encontrar seu Romeu.
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Cinco anos depois, ela foi transferida para Varsóvia, onde a longa distância causou estragos em seu caso. Ela começou a beber muito e terminou confiando em um agente da Contra Inteligência de Bonn, disfarçado de jornalista da Alemanha Ocidental. O agente a convenceu a confessar seus crimes. Ela o fez mas, antes, avisou Romeu, dando-lhe tempo para fugir para Berlim Oriental. A secretária foi julgada por espionagem e recebeu uma sentença de três anos, mais curta do que o habitual, porque ela colaborou, revelando detalhes de seu trabalho com o Oriente.
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Romeu escapou e foi enviado para o Mar Negro na Bulgária para se recuperar. Enquanto lá, ele conheceu uma potencial Julieta — apelidada com o codinome Inge pelo Oriente. Ele inventou uma história de cobertura, se apresentou e começou um caso. Infelizmente para ele, um artigo de jornal sobre seu caso anterior de espionagem e a relação com Julieta, revelou sua verdadeira identidade. Ele recebeu ordens para se livrar de Inge e revelou tudo a ela. Ela apreciou sua honestidade, e o relacionamento continuou. Como Romeu era persona non grata no Oeste, Inge teve que viajar para Berlim Oriental nos fins de semana. O Oriente pagou para ela para aprender francês e estenografia, e ela conseguiu um cargo na Chancelaria, onde durante vários anos passou informações sobre o funcionamento interno do Chanceler. Inge tinha uma reputação de secretária muito trabalhadora entre seus colegas. Ingênuos eles não desconfiavam que ela permanecia até tarde, à noite, para fotocopiar e microfilmar documentos.
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Inge estava apaixonada por seu Romeu e queria se casar com ele, então os alemães do leste organizaram um casamento. O casal trocou anéis e assinou o registro matrimonial. Somente com sua  prisão em 1977 ela descobriu que o casamento havia sido um logro. Ela foi julgada por espionagem e sentenciada a quatro anos e três meses de prisão.
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O Romeu de Alto Alcance: Este Romeu conseguiu seduzir a mulher mais bem colocada da Agência de Inteligência Exterior da Alemanha Ocidental. Eles se encontraram na Alemanha Oriental, onde ela estava trabalhando em sua tese de doutorado. Ele estava disfarçado de mecânico. Eles passaram o verão juntos, após o que Romeu revelou sua verdadeira identidade. Julieta ficou fascinada. Ela voltou para a Alemanha Ocidental, mas visitava o Leste a cada três meses para receber treinamento de espionagem e encontrar seu Romeu. O casal ficou noivo. Em 1973, ela começou a trabalhar como analista político da Agência de Inteligência Exterior do Ocidente. Quando ninguém estava olhando, ela microfilmava documentos e os ocultava em frascos falsos de desodorante. Inicialmente, ela escondia esses frascos nas caixas de descarga dos sanitários de trens que viajavam de Munique para a Alemanha Oriental. Isso foi considerado muito arriscado e ineficaz, então, passou a encontrar uma mulher em uma piscina de Munique e lhe passava as informações nos vestiários. Julieta estava apaixonada, mas não pelo Romeu. Ela se enamorou pela excitação da espionagem.
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No início de 1990, o Oriente percebeu que a unificação entre o Oriente e o Ocidente era inevitável, então eles destruíram toda a documentação de seus arquivos. Infelizmente para Julieta, um oficial superior traiu sua identidade para garantir a imunidade para si mesmo. Ela foi presa em 1990 quando atravessava a fronteira Alemanha-Áustria para uma reunião final com seus manipuladores.
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"Pare em nome do Amor"
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Quarenta mulheres foram processadas na Alemanha Ocidental ao longo de quatro décadas durante a Guerra Fria por cometer espionagem. Elas podem ter sido vítimas da flecha de Cupido, mas elas não eram inteiramente inocentes. No entanto, muitos corações foram quebrados, incluindo os de vários Romeus que realmente amaram suas Julietas. Vários casais superaram o problema, ficaram genuinamente apaixonados, casaram e começaram novas vidas.
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Markus Wolf fugiu para Moscou quando a Alemanha se reunificou. Três anos depois, ele se rendeu em uma fronteira rural na Baviera. Ele foi condenado a seis anos de prisão por traição, mas a condenação foi revogada sob o argumento de que a Alemanha Oriental tinha sido um estado soberano pelo qual tinha tido o direito de espionar. O mesmo aconteceu com os Romeus, que nunca foram condenados, embora vários tenham sido presos pelo Ocidente antes da unificação
"Os fins nem sempre justificam os meios que escolhemos empregar", escreveu Wolf em sua autobiografia, "mas, enquanto houver espionagem, haverá Romeus seduzindo Julietas desavisadas com acesso a segredos. Afinal, eu estava administrando um Serviço de Inteligência, e não um clube de corações solitários ".
Wolf morreu aos 83 anos no 17º aniversário da queda do Muro de Berlim.
Fonte: Central Intelligence Agency
(*) — frase do "monólogo de Julieta" (Ato 2, Cena 2, Linha 33) em "Romeu e Julieta", de Shakespeare.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Como a Espionagem Comunista se Infiltrou no Governo de Dois Ex-presidentes Brasileiros

O ministro da Economia de Cuba, Ernesto “Che” Guevara, e o presidente Jânio Quadros durante encontro no Brasil, em 1960  -  Arquivo - FolhapressArquivo
Dois pesquisadores resgatam a trajetória do serviço secreto da Tchecoslováquia, que foi muito atuante no Brasil nas décadas de 1950 e 1960 e enviou informações para Moscou
por Tiago Cordeiro
Existem espiões em todas as épocas e todos os lugares, especialmente durante conflitos ou situações de tensão entre blocos de países. É natural imaginar que, durante a Guerra Fria, havia agentes e informantes em todos os cantos do planeta.
O Brasil, o maior país da América Latina, era um território estratégico, principalmente depois que um pequeno grupo de guerrilheiros transformou Cuba em uma ilha socialista a poucos quilômetros dos Estados Unidos. Mas quem exatamente circulou no Brasil? Que informantes utilizaram? Que estratégias adotaram
É conhecido o interesse da CIA em interferir nos rumos políticos brasileiros nos anos 1950 e 1960. Afinal, o país abriu boa parte de seus arquivos e o que se sabe já indica que Washington acompanhou bem de perto o contexto do país. Chegou a se preparar para dar apoio militar aos adversários do presidente João Goulart, uma medida que acabou não sendo necessáriaNo caso do bloco soviético, os arquivos em geral permanecem fechados, ou de difícil acesso. Com uma exceção muito importante: a Tchecoslováquia.
O país era influente no Brasil. Empresários importantes, filhos ou netos de tchecos, eram respeitados, principalmente no Sul e Sudeste. Não eram necessariamente adeptos do comunismo, é claro, mas sua presença oferecia bela fachada que os agentes tchecos aproveitaram ao longo dos anos 1950 e 1960. 
Melhor ainda: depois da redemocratização realizada a partir dos anos 1990, a Tchecoslováquia abriu quase todos os seus arquivos que documentam a atuação de seu serviço secreto. Só faltava quem fosse até lá com muita disposição e conhecimento mínimo do idioma.
Com a publicação de 1964: O Elo Perdido, Mauro Kraenski e Vladimir Petrilák começam a suprir essa lacuna. A obra traça um panorama detalhadíssimo a respeito da atuação da Státní Bezpečnost (StB), a polícia secreta tcheca, no Brasil, entre 1952 e 1971. Conclui que assessores muito próximos de pelo menos dois presidentes brasileiros atuaram fornecendo informações para o lado de lá da cortina de ferro. 
Arquivos abertos 
Ao fim da Segunda Guerra Mundial e a formação do bloco de países aliados da Rússia, diferentes serviços secretos surgiram para investigar as populações locais e também espionar e agir no exterior. Sabemos que, no Brasil, agentes da Polônia, da Alemanha Oriental, de Cuba e da Tchecoslováquia moraram no país. Todos repassaram informações para suas sedes. Dali, os relatórios seguiam para Moscou. Quando necessário, os russos interferiam, pedindo mais informações ou assumindo o controle de determinadas operações. 
É realmente impressionante que o serviço de inteligência da pequenina Tchecoslováquia tenha sido capaz de atuar em tantos países do mundo. Foi um verdadeiro serviço de inteligência global em suas atuações. Possuiu suas rezidenturas (sedes) em vários países latino-americanos, como Brasil, Uruguai, Argentina, Chile, Colômbia, Venezuela, Bolívia, México, Equador”, diz Mauro Kraenski, tradutor versado em polonês, com boas noções do idioma tcheco.
Mauro passou dois anos digerindo as informações disponíveis nos arquivos de Praga, a capital. Quando encontrou dificuldades, foi socorrido pelo coautor, o colunista tcheco Vladimir Petrilák. 
Não foi nem um pouco difícil ter acesso aos documentos”, diz Vladimir. “O arquivo é público e está aberto para qualquer um que deseje pesquisar. Não houve censura de documentos, somente em alguns poucos casos recebemos a informação de que determinada pasta deveria passar por um tipo de avaliação. Trata-se de uma formalidade, mas ao fim, depois de um curto período de tempo, estas pastas também foram liberadas”.
O site oficial do livro apresenta alguns desses documentos. 
Visão negativa dos brasileiros
A StB começou a agir entre nós no Rio de Janeiro, com um único agente, o barbeiro por profissão Jiří Kadlec, codinome Treml. Tinha 27 anos e só havia feito um curso de espionagem de dois meses. Seu maior objetivo estava bem claro: “A missão mais importante era a luta contra os Estados Unidos da América e muitas das tarefas tinham como objetivo desacreditar os americanos e prejudicar a sua imagem”. 
Ele vivia sozinho num apartamento que funcionava como a “rezidentura”, o nome das instalações de agentes no exterior. Na mesma época, a rezidentura da StB em Nova York abrigava sete agentes; a de Buenos Aires, quatro. Treml agiu sozinho por dois anos e, em seus relatórios, reclamou muito. Primeiro, porque não tinha estudado português o suficiente antes de se mudar. Segundo, porque seu apartamento mal tinha móveis. Ele não tinha autorização para mobiliá-lo nem verba para levar informantes para passear ou jantar. Poucos anos depois, a situação havia mudado bastante. 
Em 1962, depois de dez anos de atividades, já viviam no Rio vários agentes, que mantinham uma boa rede de relacionamento. Também havia um espião vivendo em Brasília e contatos esporádicos em São Paulo. 
Um manual básico sobre o Brasil para novos espiões, datado dessa época, descrevia o país da seguinte forma:
O funcionário do serviço de inteligência no Brasil terá contato principalmente com a população das grandes cidades, ou seja, com a chamada classe média, da qual procedem a maioria dos funcionários públicos federais. Um brasileiro, ao contatar com um estrangeiro, possui uma tendência em fazer uma grande quantidade de promessas, já supondo que não cumprirá nenhuma delas. São pessoas preguiçosas e bem levianas, com as quais não se pode contar.
O texto continua: “No Brasil, por regra, encontramos pessoas ignorantes, que, mesmo com numerosos títulos científicos, não chegam aos pés da nossa gente com formação primária.” 
Contato com Jânio e Jango 
Além de fazer este tipo de estudo sobre as características sociais, políticas e comportamentais do país, os tchecos tinham um objetivo claro: convencer formadores de opinião nacionalistas, incomodados com a influência dos Estados Unidos sobre o Brasil. Um dos critérios para descartar um possível informante, inclusive, era sua participação em partidos de esquerda, que fariam dele um alvo fácil demais, capaz de expor a própria StB
O serviço de inteligência tchecoslovaco determinava alvos de interesse”, diz Mauro. “No Brasil, podemos citar: Ministério das Relações Exteriores, Congresso Nacional, instituições científicas, polícia, serviço de inteligência, partidos políticos, jornalistas, Petrobrás, Exército, Confederação Nacional da Indústria”. A exceção mais notável foi Francisco Julião: a StB se mostrou muito interessada no líder das Ligas Camponesas e chegou a avaliar seriamente sua capacidade para liderar uma revolução comunista. 
Foi ao buscar este perfil de pessoas, capaz de influenciar a imprensa e a economia, que os agentes tchecos alcançaram figuras de alto escalão no cenário político brasileiro pré-1964, incluindo jornalistas com acesso ao presidente e aos bastidores de eventos, assessores de ministros e diretores de departamentos estratégicos em Brasília. 
Dois casos, em especial, chamam a atenção. O tradutor Alexandr Alexeyev, agente da KGB, ficou próximo de Jânio Quadros quando o então presidente visitava Moscou como político de oposição, em 1958. Nesse caso, os arquivos da StB fornecem um vislumbre da ação do alcance da KGB no Brasil. Alexeyev estava em Cuba quando Jânio foi eleito. A StB ajudou a conseguir o visto para que ele entrasse no Brasil. Graças a um contato dos agentes tchecos em Brasília, o agente russo conseguiu, em 5 de maio de 1961, realizar uma reunião com o presidente. Ouviu de Jânio a promessa de que as relações diplomáticas do Brasil com a URSS seriam reatadas – o que de fato aconteceria, em novembro. 
E há a história da aproximação com João Goulart. Jango visitou a Tchecoslováquia em dezembro de 1960, como vice-presidente. Da visita, os agentes relataram uma impressão positiva. E ficaram mais bem relacionados ainda com Raul Francisco Ryff, um assessor muito próximo de Jango. Durante todo o governo de João Goulart, a StB foi mantida muitíssimo bem informada sobre as intenções do presidente. 
Pró-Cuba
A StB também liderou uma frente de formadores de opinião pró-Cuba. Chegou a formar um grupo, a Frente Nacional de Apoio a Cuba (FNAC), que em 1963 organizou em Niterói o Congresso Continental de Solidariedade a Cuba. Também emplacou artigos em jornais e revistas a favor de Cuba e dos soviéticos e contra os Estados Unidos. 
Ainda assim, a influência junto a essas figuras e a capacidade de organizar eventos em solo nacional não permitiu que a StB percebesse nem a renúncia de Jânio, em 1961, nem a aproximação do golpe militar de 1º de abril de 1964.
Os próprios agentes fazem a autocrítica a respeito dessa falha grave: “A deposição de Goulart foi realizada diretamente pela extrema reação de círculos civis e militares, ou seja, por aquelas mesmas pessoas que realizam golpes em pequenos países centro-americanos”, apontam em seu relatório. “O fato é que nestes círculos nós não possuímos nem nossa rede de agentes, nem contatos secretos”. Sinal de que a meta de se aproximar dos militares nunca foi atingida. 
Reação ao golpe 
Depois do golpe, a StB tentou ajudar a reação. Fez contatos com Leonel Brizola, genro de João Goulart e possível líder de uma reação armada. Mas Brizola adiou a ação, alegando que ainda não havia espaço para uma reação consistente. 
A partir de então, começou a terceira fase do serviço de espionagem tcheco em solo brasileiro. Ela acabou se mostrando um esforço cada vez mais perigoso, na medida em que o regime militar brasileiro aumentava o cerco sobre estrangeiros originários do Leste Europeu. Isso não quer dizer que a permanência não tenha dado nenhum resultado.“A StB sabia que Cuba apoiava a guerrilheiros e inclusive, no âmbito de uma operação que se chamava Manuel ajudou no transporte, via Praga, de latino-americanos, inclusive brasileiros, que faziam treinamento de guerrilha em Cuba”, diz Mauro. 
Em 1971, o escritório da agência foi definitivamente fechado. Em algum momento o serviço de espionagem tcheco teria sido capaz de induzir um golpe de esquerda no Brasil? Não, mas conseguiu ser influente o suficiente para influenciar parcelas da imprensa e municiar Moscou de boas informações sobre os bastidores do governo brasileiro. Não é pouca coisa. As pesquisas de Mauro e Vladimir continuam, mas, por enquanto, já foram localizados mais de três dezenas colaboradores brasileiros. 
Não temos a intenção de denegrir a imagem de ninguém; não somos nós que estamos afirmando que alguém foi um colaborador, são os documentos do arquivo da polícia secreta da Tchecoslovaquia comunista que o dizem”, afirma Vladimir. “Por enquanto, pudemos encontrar informações sobre cerca de 30 colaboradores brasileiros, descritos como agentes ou contatos secretos. Estamos falando de, por exemplo, diplomatas, economistas, jornalistas”.
Fonte:  Gazeta do Povo
COMENTO:  recomendo a leitura, para quem não leu, do livro Camaradas, de Willian Waack - um dos motivos dele ser detestado por parcela dos comuno-socialistas brasileiros, apesar de ter recebido auxílio de um dos filhos de Luis Carlos Prestes na sua elaboração. Aparentemente, o livro tratado nesta postagem, segue no mesmo ritmo, documentando a atuação anti-patriótica e pró-comunista de muita gente que se diz "democrata".  São conhecidos diversos maus brasileiros que em nome de uma ideologia totalitária se submeteram (conscientemente, diga-se de passagem) a fazer parte de redes de espionagem a serviço da extinta União Soviética. Acredito que seja uma boa leitura.