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sexta-feira, 12 de outubro de 2018

50 Anos do Assassinato do Capitão Chandler - Esquecer Também é Trair

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Em 12 de outubro de 1968, foi assassinado, friamente, na frente da família, quando saía de casa, em São Paulo, o Capitão do Exército dos Estados Unidos Charles Rodney Chandler, vítima de sua cidadania (ver relato completo no ORVIL – Tentativas de Tomada do Poder, págs. 285, 306,308, 309, 310, 311 e 312).
Charles Rodney Chandler cursava a Escola de Sociologia e Política da Fundação Álvares Penteado, foi morto na porta de sua residência, no Sumaré, na frente da esposa e de um filho de 9 anos, a tiros de metralhadora, por Marco Antonio Brás de Carvalho, Pedro Lobo de Oliveira e Diógenes José Carvalho de Oliveira, todos da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR).
Marco Antonio Braz de Carvalho, o “Marquito”, era o homem de confiança de Marighella, que dirigia o Agrupamento Comunista de São Paulo e que fazia ligação com a VPR. Em setembro, ele levou para Onofre Pinto, então coordenador-geral da VPR, a possibilidade de ser realizada a ação de “justiçamento” do Capitão do Exército dos Estados Unidos da América, Charles Rodney Chandler, aluno bolsista da Escola de Sociologia e Política, da Fundação Alvares Penteado, e que morava em São Paulo com a esposa e dois filhos pequenos. Segundo os “guerrilheiros”, Chandler era um “agente da CIA” e “encontrava-se no Brasil com a missão de assessorar a ditadura militar na repressão”.
No início de outubro, um “tribunal revolucionário”, integrado por três dirigentes da VPR, ou seja, Onofre Pinto, como presidente, João Carlos Kfouri Quartim de Morais e Ladislas Dowbor, como membros, condenou o Capitão Chandler à morte. Graças a levantamentos realizados por Dulce de Souza Maia, sobre a vítima apurou-se os horários habituais de entrada e saída de casa, costumes, roupas que costumava usar, aspectos da personalidade, dados sobre os familiares e sobre o local em que residia, na casa da Rua Petrópolis no 375, no tranquilo bairro do Sumaré, em São Paulo.
Escolhido o “grupo de execução”, integrado por Pedro Lobo de Oliveira, Diógenes José Carvalho de Oliveira e Marco Antonio Braz de Carvalho, nada é mais convincente, para demonstrar a frieza do assassinato do que transcrever trechos do depoimento de Pedro Lobo de Oliveira, um dos criminosos, publicado no livro - Caso, Antonio: “A Esquerda Armada no Brasil”, Moraes Editores, Lisboa-Portugal, 1976, pág 162:
“Como já relatei, o grupo executor ficou integrado por três companheiros: um deles levaria uma pistola-metralhadora INA, com três carregadores de trinta balas cada um; o outro, um revólver; e eu, que seria o motorista, uma granada e outro revólver. Além disso, no carro, estaria também uma carabina M-2, a ser utilizada se fôssemos perseguidos pela força repressiva do regime. Consideramos desnecessária cobertura armada para aquela ação. 
Tratava-se de uma ação simples. Três combatentes revolucionários decididos são suficientes para realizar uma ação de ‘justiçamento’ nessas condições. Considerando o nível em que se encontrava a repressão, naquela altura, entendemos que não era necessária a cobertura armada”.
A data escolhida para o crime foi o dia 8 de outubro, que assinalava o primeiro aniversário da morte de Guevara. Entretanto, nesse dia, Chandler não saiu de casa, e os três terroristas decidiram suspender a ação. Quatro dias depois, em 12 de outubro de 1968, chegaram ao local às 7 horas. Às 8 horas e 15 minutos, Chandler dirigiu-se para a garagem e retirou o seu carro, em macha à ré. Enquanto seu filho, de 9 anos, abria o portão, sua esposa aguardava na porta da casa, para dar-lhe adeus. Não sabia que seria o último.
Os terroristas avançaram com o Volkswagen, roubado antes, e bloquearam o caminho do carro de Chandler. No relato de Pedro Lobo (idem, pág 164),nesse instante, um de meus companheiros saltou do Volks, revólver na mão, e disparou contra Chandler”. Era Diógenes José Carvalho de Oliveira, que descarregava, à queima roupa, os seis tiros do seu Taurus de calibre .38.
E prossegue Pedro Lobo (ibidem, pág 164-165), que dirigia o carro:
Quando o primeiro companheiro deixou de disparar, o outro aproximou-se com a metralhadora INA e desferiu uma rajada. Foram catorze tiros. A décima quinta bala não deflagrou, e o mecanismo automático da metralhadora engasgou (deixou de funcionar). Não havia necessidade de continuar disparando. Chandler já estava morto. Quando recebeu a rajada de metralhadora, emitiu uma espécie de ronco, um estertor, e então demo-nos conta de que estava morto”.
Quem portava a metralhadora era Marco Antonio Braz de Carvalho.
A esposa e o filho de Chandler gritaram. Diógenes apontou o revólver para o menino que, apavorado, fugiu correndo para a casa da vizinha. Após Pedro Lobo ter lançado os panfletos, nos quais era dito que o assassinato fora cometido em nome da revolução brasileira, os três terroristas fugiram no Volks, em desabalada carreira.

É interessante observarmos o destino dos sete envolvidos no crime:
Marco Antonio Braz de Carvalho (“Marquito”), que deu a rajada de metralhadora, viria a falecer, em 26 de janeiro de 1969, após troca de tiros com a polícia.
Onofre Pinto, o presidente do “tribunal revolucionário” que condenou Chandler à morte. Ex-sargento do Exército, foi preso em 2 de março de 1969 e banido para o México, em 5 de setembro, trocado pelo Embaixador dos Estados Unidos, que havia sido sequestrado. Em outubro, foi a Cuba onde ficou quase dois anos, tendo feito cursos de guerrilha. Em junho de 1971, foi para o Chile, com cerca de 20 mil dólares. Em maio de 1973, foi expulso da VPR, tendo sido acusado de “conivência com a infiltração policial no nordeste”, com referência às quedas dessa organização em dezembro de 1972. Temendo ser “justiçado” pela VPR, fugiu para a Argentina onde desapareceu, misteriosamente, em meados de 1974.
João Carlos Kfouri Quartim de Morais, um dos membros do “tribunal revolucionário”, foi expulso da VPR, em janeiro de 1969, alguns meses depois, fugiu do Brasil, com dinheiro da organização. Radicou-se em Paris, onde foi um dos fundadores da revista “Debate”. Professor universitário e jornalista, ele regressou a São Paulo após a anistia, sendo um dos diretores da sucursal da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Em 1983, foi nomeado Secretário de Imprensa do Governo de Franco Montoro, em São Paulo.
Ladislas Dowbor (“Jamil”), também membro do “tribunal”, foi preso, em 21 de abril de 1970, e banido, em 15 de junho, para a Argélia, em troca do Embaixador alemão, outro sequestrado. No exterior, casou-se com Maria de Fátima da Costa Freire, filha do educador comunista Paulo Freire. Após passar por vários países, dentre os quais, Suíça, Itália, Polônia, Chile, Portugal, Cuba e Guiné-Bissau, retornou ao Brasil, após a anistia, e aqui leciona Economia na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e na Universidade de Campinas.
Dulce de Souza Maia, que realizou os levantamentos sobre Chandler, foi presa, em 27 de janeiro de 1969, e banida para a Argélia, em 15 de junho. Tem curso em Cuba e percorreu diversos países, tais como, Chile, México, Itália e Guiné-Bissau, onde passou a trabalhar para o seu governo. Retornou a São Paulo em agosto de 1979, passando a desenvolver atividades em movimentos pacifistas, tendo sido eleita, em 1980, presidente do “Comitê de Solidariedade aos Povos do Cone Sul”.
Pedro Lobo de Oliveira, o motorista da ação criminosa, foi preso em 23 de janeiro de 1969, quando pintava um caminhão com as cores do Exército, para o assalto ao quartel do 4º Regimento de Infantaria de Quitaúna. Em 15 de julho de 1970, foi banido para a Argélia, em troca do Embaixador alemão. Em fins daquele ano, foi para Cuba, onde fez curso de guerrilha. Após passar por vários países, dentre os quais Chile, Peru, Portugal e República Democrática alemã, ele voltou a São Paulo, em novembro de 1980, indo trabalhar como gerente de um sítio em Pariquera-Açú, de propriedade da família de Luiz Eduardo Greenhalgh, advogado de subversivos e um dos dirigentes nacionais do Partido dos Trabalhadores.
Finalmente, Diógenes José Carvalho de Oliveira (“Luiz”), que descarregou o seu revólver em Chandler, foi preso em 30 de janeiro de 1969, quando desenvolvia um trabalho de campo em Paranaíba, em Mato Grosso. Em 14 de março, foi banido para o México, trocado pelo Cônsul japonês (mais um dos diplomatas estrangeiros sequestrados), indo, logo após, para Cuba. Em junho de 1971, radicou-se no Chile. Com a queda de Allende, em setembro de 1973, foi para o México e, daí para a Itália, Bélgica e Portugal. Em 1976, passou a trabalhar para o governo da Guiné-Bissau, junto com Dulce de Souza Maia, sua amásia. Após a anistia, retornou ao Brasil, indo residir em Porto Alegre, onde vive com a advogada Marilinda Fernandes. Trabalhou como assessor do vereador do Partido Democrático Trabalhista (PDT), Valneri Neves Antunes, antigo companheiro de militância da VPR, até outubro de 1986, quando este faleceu, vítima de acidente de auto.
Fonte: adaptado do Blog do Lício Maciel

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Colômbia - A Comissão da Meia Verdade e a Segurança Nacional

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Vários dos documentos requeridos pela Comissão da Verdade ao Ministério da Defesa se direcionam ao cerne da segurança nacional, que todo país protege escrupulosamente.
Imagem:   Edo (https://twitter.com/edoilustrado)
A Comissão da Verdade solicitou ao Ministério da Defesa que lhe entregue uma extensa lista de material documental para, segundo alega em carta de 13 de junho passado - dada a conhecer nesta semana -, "cumprir a missão de esclarecimento do conflito armado, oferecer uma explicação ampla da complexidade do conflito e promover um entendimento compartilhado na sociedade sobre as dinâmicas e fatos, especialmente dos aspectos menos conhecidos do conflito".
De fato, as citações da carta são algumas das missões encomendadas à Comissão da Verdade. A lista completa de ditas funções está fixado no acordo com as FARC, na Reforma Constitucional de 2017 (Ato Legislativo nº 1 daquele ano) e em um dos Decretos-Lei expedidos sob o trâmite especial em busca da paz (Decreto-Lei 588/2017).
Essas normas dispõem que a Comissão da Verdade poderá solicitar informação e documentação a todas a entidades públicas, e que estas e seus funcionários deverão apresenta-las, sob pena de incorrer em causa de má conduta punível disciplinarmente. Sim, a lei diz que tal documentação será para efeitos de cumprimento da missão da Comissão da Verdade, que não é jurisdicional, ou seja, seu objetivo - diferente da Jurisdição Especial de Paz - não é o de determinar responsabilidades penais, mas sim políticas e éticas.
No Decreto-Lei expedido pela Administração Santos, se impõe aos funcionários públicos a proibição de contrapor sigilo por razões de segurança nacional quando se trate de informação relativa a fatos constitutivos de violação de direitos humanos, ao direito internacional humanitário (DIH) e crimes de lesa humanidade.
Somente agora, quando essa atribuição da Comissão da Verdade se exerce ante uma entidade tão relevante para o desenvolvimento e resolução do conflito, como é o Ministério da Defesa, boa parte da opinião pública pareceu se dar conta do alcance dos poderes dessa Comissão da Verdade, sobre a qual parece que a sociedade colombiana não estava interessada quando foi negociada pelo Governo e as FARC.
A Comissão da Verdade, então, pede um volume de 40 grupos de informações, algumas compreensíveis e relacionadas com sua missão, mas outras muito preocupantes.
Por exemplo, se pede ao Ministério da Defesa que forneça cópias dos currículos - e, portanto, a identidade - do pessoal de Inteligência e Contra-Inteligência. Ou "os métodos de combate utilizados e estratégias de controle territorial" das FFAA. Ou os documentos de planejamento de ações e operações relacionadas com narcotráfico, ou com o controle de fronteiras.
É grave porque existem pelo menos um grupo guerrilheiro (ELN) ativo, vários do narcotráfico e bandos do Crime Organizado, que estarão interessados em ter acesso a tais documentos, que lhes darão "de bandeja", a estratégia estatal para combate-los. O golpe à segurança nacional pode ser letal. ¿Quem garante que esses documentos de altíssima sensibilidade e de caráter secreto em qualquer país do mundo, não vão chegar a mãos da criminalidade? O simples fato do vazamento dessa carta da Comissão ao Ministério mostra a pouca garantia de sigilo. Isto pode causar graves danos. Que seriam incalculáveis se, da mesma forma que a carta, arquivos de caráter reservado sejam vazados.
Assim como na Comissão da Verdade há comissionados com as mais altas qualidades éticas, também há os que tem irrefutáveis afinidades - evidenciadas em múltiplas publicações - com os grupos guerrilheiros. Olhar a lista da documentação que está sendo exigida ao Ministério da Defesa e às Forças Armadas gera uma verdadeira vertigem.
Fonte: tradução livre de El Colombiano
COMENTO: Há algum tempo, comentei que a "Comisión de la Media Verdad" colombiana faria o mesmo que sua correspondente brasileira. Com o agravante de terem a experiência do ocorrido no Brasil. Assim, buscam informações melhores para posteriormente atacarem com sucesso os que defenderam a sociedade colombiana contra a narco-quadrilha. Olhem para o Brasil, militares colombianos! O que nossos heróis sofreram serão os sofrimentos de vocês. Agora, no Brasil, boa parte da sociedade pede que os militares voltem a atuar na política e eles se negam, intimidados ao recordar a perseguição que os mais velhos sofreram.
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domingo, 31 de dezembro de 2017

O Indulto a Fujimori

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O Peru é uma sociedade dividida, e não há elementos de coesão à vista. Kuczynski já perdeu seu crédito. O indulto a Fujimori, de novo, deixa ver a dupla medida frente aos DD.HH.
Dezessete anos depois de sua renuncia à Presidência do Peru, Alberto Fujimori segue sendo o grande fator de divisão da sociedade em seu país.
Exerceu o cargo durante dois mandatos. Após o primeiro deles, donde passou de um desconhecido engenheiro agrônomo, solitário candidato e imprevisto triunfador contra Mario Vargas Llosa, foi reeleito em 1995 por ampla maioria. Havia logrado uma recuperação econômica e deixou à beira da extinção o grupo terrorista Sendero Luminoso, uma agrupação de extremistas de exacerbado instinto criminoso que mantinha em xeque à institucionalidade peruana.
Vladimiro Montesinos
ao centro
Sem dúvida, sua segunda administração, devorada pela corrupção, os abusos de poder, as violações aos direitos humanos e, sobretudo, a nefasta influência do chefe dos Serviços de Inteligencia, Vladimiro Montesinos, que corrompeu a praticamente toda classe política peruana, empurraram Fujimori a renunciar via fax desde o Japão, para onde viajou buscando eludir as responsabilidades judiciais que já se acercavam.
Em paralelo ao repudio de boa parte da opinião pública, das organizações defensoras dos direitos humanos e à vergonha que significou para o Peru a descoberta paulatina dos desaforos do regime Fujimori-Montesinos, se manifestava também uma corrente política que não escondia sua adesão às políticas executadas pelo ex-mandatário. Corrente que não só se manteve, e que nas eleições presidenciais do ano passado, liderada por Keiko Fujimori, esteve a ponto de regressar à Presidência. Não obtiveram o poder Executivo, mas sim o controle do Legislativo. Sua maioria no Congresso mantém o atual presidente, Pedro Pablo Kuczynski, em situação de ingovernabilidade e, finalmente, empurraram a que o Chefe de Estado cedera e descumprisse uma de suas promessas de campanha: que não indultaria a Alberto Fujimori.
O indulto ocorreu à noite, na véspera do Natal, esgrimindo razões humanitárias pelo mau estado de saúde do ex-presidente. Fujimori havia solicitado a graça presidencial na segunda semana de dezembro, enquanto no Congresso se preparava a abertura de um processo de declaração de afastamento presidencial contra Kuczynski pelos vínculos de uma empresa sua com Odebrecht na década passada, e que o presidente ocultou. Não foi cassado do cargo porque dez parlamentares fujimoristas, encabeçados por Kenji Fujimori, se abstiveram de votar. Horas depois, Kuczynski liberou Fujimori-pai da prisão. 
O presidente em exercício do Peru está fazendo todo o esforço por fazer ver sua decisão como tomada para proteger o interesse superior nacional. Ninguém acredita. É só política. É sua sobrevivência no cargo, assim, foi levado a sacrificar sua precária bancada no Congresso. Vários aliados anunciaram sua saída da coalizão governamental. 
Fujimori levava dez anos na prisão, condenado a 25, por delitos de lesa humanidade. Ontem (26/12) pediu perdão “aos compatriotas que ludibriei”. Pagou mais cadeia efetiva que a que pagarão, por exemplo, os que na Colômbia se verão beneficiados pelas normas da Jurisdição Especial de Paz. Aquele cometeu seus delitos desde o Governo, amparado na estrutura institucional do poder, o que lhe faz merecedor de um julgamento jurídico e moral mais severo. 
Seu caso, como outros tantos, revela também como a suposta proteção aos direitos humanos se subordina a interesses políticos, e também como alguns dos que dizem defender esses direitos humanos só se alarmam quando a impunidade ampara aos que não são de sua própria corrente ideológica. 
Fonte: tradução livre de El Colombiano
COMENTO: por aqui, também os interesses ideológicos, mais que os humanitários, fundamentam as decisões sobre indultos e anistias. A própria Lei de Anistia, de 1979, foi questionada mais de uma vez por incluir em seus beneficiários os agentes do Estado que combateram os terroristas criminosos de meados do Século passado. Enquanto autoridades se prestam a homenagear de diversas formas Gregório Bezerra, Marighella, Lamarca e outros criminosos sanguinários, heróis como o Coronel Ustra sofreram perseguição por meio de processos que os desgastaram e fizeram com que gastassem seus parcos recursos com advogados para se defenderem em processos sem fundamento, movidos com o único objetivo de os desgastarem. Mais recentemente, enquanto o ladrão condenado Paulo Maluf, capitalista e apoiador da "dita-mole", é recolhido ao xadrez - muito correta e tardiamente -, independente de sua idade avançada e seus problemas de saúde e o empresário Luis Estevão, outro capitalista explorador, cumpre sua pena sem tungir nem mugir; vemos outros condenados entrarem e saírem das celas (Garotinho et caterva; Genuíno, Zé Dirceu, Pizzolatto, mais recentemente, e outros), sem contar os que como o Cachaceiro Maldito que ainda não enfrentaram o xilindró, favorecidos por decisões unicamente justificadas pela simpatia ideológica. Na cadeia, mesmo, só o Vaccari porque não encontraram um meio de livrar sua cara e o abobado Marcos Valério, que acreditou que "alguém" livraria sua cara.
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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Começa a Comissão da Meia Verdade na Colômbia

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É legítimo indagar e examinar a qualidade dos membros da Comissão da Verdade, sem desqualificar de antemão o trabalho do organismo, recém iniciado. Uma verdade parcial e tendenciosa não é o que Colômbia quer.
Imagem da Internet
Já estão designados os onze membros da "Comissão para o Esclarecimento da Verdade, a Convivência e a Não Repetição", organismo criado pelo Governo colombiano e as FARC. Atendendo o convencionado em Havana, esta Comissão, que como diz seu nome, além da busca da verdade que também deverá servir para a convivência, terá como propósito "conhecer a verdade do que ocorreu e contribuir ao esclarecimento das violações e oferecer uma explicação ampla a toda a sociedade sobre a complexidade do conflito". E, em outra função que não se deve ignorar, deverá "promover o reconhecimento das responsabilidades dos que participaram direta e indiretamente no conflito".
A Comissão está prevista para ser um mecanismo independente, temporário, imparcial e de caráter extrajudicial. A imparcialidade foi o valor mais reivindicado, junto com a idoneidade moral e a trajetória ética dos comissários. Por enquanto, a indicação do jesuíta Francisco de Roux - de alta dimensão espiritual, moral e acadêmica - como presidente da Comissão, permite que se tenha a esperança de que os objetivos de verdade e reconciliação possam ser cumpridos.
A propósito, deveria ficar claro que é perfeitamente legítimo não só examinar, senão questionar algumas nomeações nessa Comissão da Verdade. O fato de que tudo isto se faça dentro do que se denominou "valor supremo da paz" não nos exime da liberdade de opinar. Não se deve tachar de inimigos da paz os que, com bons argumentos e documentos em mãos, evidenciam que alguns comissionados estiveram próximos (aí estão seus escritos hagiográficos sobre os chefes guerrilheiros, seus panegíricos ao que denominam "luta subversiva" ou suas opiniões identificando-se com "os princípios das FARC) às teses daqueles que também terão que comparecer perante essa entidade para reconhecer suas responsabilidades pelas atrocidades cometidas contra o povo colombiano.
A verdade de décadas de conflito é um grande desafio. Cabe aqui a figura do espelho quebrado em milhares, milhões, de pedaços, que terá que ser recomposto em uma explicação coerente que ofereça compreensão em vez de lavar culpas. Um trabalho de filigrana, sem preconceitos mas com claridade, para que essa verdade que se reclama não seja incompatível.
O que se diga ante a Comissão da Verdade não terá efeitos judiciais nem poderá ser usado em processos penais contra quem ofereça seu testemunho. Ela deverá, como diz o acordo, cotejar e verificar a qualidade da informação e identificar as que sejam falsas. É uma forma extraprocessual para determinar a verdade, já que a outra, a judicial, corresponderá determina-la à Jurisdição Especial de Paz, em cuja imparcialidade também teremos que confiar de boa fé.
Uma vez constituída, a Comissão terá três anos para executar os treze pontos que compõem o mandato conferido, que inclui o de "determinar as responsabilidades coletivas do Estado, incluindo o Governo e os demais poderes públicos, das FARC, dos Paramilitares" e dos demais grupos ilegais violentos, onde entendemos esteja incluído o ELN.
Não se deve prejulgar nem desqualificar desde já o desempenho da Comissão. Haverá tempo para avaliar sua missão. Entre outras coisas, porque seu funcionamento e informe final não excluem que, por sua parte, a academia, os historiadores e os analistas independentes sigam cumprindo suas tarefas de investigação e contribuam também para a formação de um juízo equilibrado e justo sobre o que foram estas décadas de atrocidades e iniquidades contra uma cidadania que nem apoiou nem participou, só foi vítima, dos crimes dos grupos ilegais.
Fonte: tradução livre de El Colombiano 
COMENTO:  ainda estou torcendo pelo sucesso desse tal "pacto de paz" enfiado goela abaixo da população colombiana - igual ao plebiscito do desarmamento brasileiro, imposto de forma oposta ao que foi decidido na votação - pelo seu presidente Juan Santos. Aos desatentos, houve um escrutínio sobre o tal tratado de paz, que foi rejeitado pelos votantes, mas foi "aprovado", posteriormente, pelo Congresso colombiano. Como era de se esperar, os narcoguerrilheiros usaram a "boa vontade" demonstrada pelo dirigente colombiano para fazer lá o que os canalhas da "luta armada" brasileira fizeram por aqui: inserir-se na sociedade, difundir a imagem de bons cidadãos e assumir o poder com a complacência da população, além de se locupletarem às custas das burras e se vingarem de seus vencedores, transformando-os em delinquentes via Comissão da Calúnia. Tudo de acordo com os planos do Foro de São Paulo, que definha mas não morre. Infelizmente, não concordo com o otimismo do redator do editorial, particularmente quanto a isenção das colaborações dos membros da "academia, os historiadores e os analistas independentes". Esse pessoal historicamente se coloca ao lado dos criminosos que alegam lutar ideologicamente. A má intenção dos narcobandoleiros  colombianos já foi manifestada aqui, aqui, e aqui.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Bolsonaro Tem Direito de Homenagear Quem Quiser, Diz Viúva de Ustra

por Luís Barrucho
 @luisbarrucho
Deputado justificou voto a favor de impeachment de Dilma pela 'memória do coronel Brilhante Ustra', acusado de tortura durante ditadura militar - Image copyright Ag Camara ABrImage
Maria Joseíta Silva Brilhante Ustra tem 79 anos e muitas memórias. Professora aposentada, ela conta dedicar o tempo livre à pesquisa sobre a história do Brasil, em especial sobre a ditadura militar, período durante o qual seu marido foi um dos personagens principais ─ e também uma das figuras mais controversas.
Maria Joseíta foi casada com o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Chefe do DOI-CODI de São Paulo, ele foi acusado pelo desaparecimento e morte de pelo menos 60 pessoas. Outras 500 teriam sido torturadas nas dependências do órgão durante seu comando. Único militar considerado torturador pelo MPF (Ministério Público Federal), Ustra morreu de câncer aos 83 anos, em outubro do ano passado.
No último domingo, Ustra voltou ao debate nacional após ter sido homenageado pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) durante votação pela aprovação da abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.
"Fiquei profundamente emocionada", disse Maria Joseíta em entrevista à BBC Brasil. "Ele foi de uma felicidade muito grande", acrescentou.
A menção ao torturador feita por Bolsonaro provocou forte reação de indignação manifestada principalmente nas redes sociais. Mais de 17 mil pessoas reclamaram da conduta do deputado diretamente à procuradoria-geral da União, que prometeu analisar os pedidos.
O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) emitiu nota de repúdio às declarações do deputado Bolsonaro.
"Não é aceitável que figuras públicas se utilizem da imunidade parlamentar para fazer esse tipo de manifestação num claro desrespeito aos Direitos Humanos e ao Estado Democrático de Direito", diz a nota da OAB.
Por outro lado, a principal página no Facebook relacionada ao coronel Ustra ganhou quase 3 mil curtidas em três dias.
Muitos comentários alegam que a homenagem feita por Bolsonaro seria equivalente às referências elogiosas, feitas por um outro deputado, Glauber Braga (PSOL-RJ), ao votar contra o impeachment, a Carlos Marighella, morto por organizar resistência ao regime militar
De sua casa em Brasília, ela conversou por telefone com a BBC Brasil.
BBC Brasil: Durante votação pela abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff no último domingo, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) dedicou o voto ao seu marido. O que a senhora achou da homenagem?
Maria Joseíta Silva Brilhante Ustra: Fiquei profundamente emocionada. Acho que ele foi de uma felicidade muito grande. Acredito que Bolsonaro tem o direito de prestar homenagem a quem ele quiser porque outros deputados homenagearam terroristas, como Marighella e Lamarca, que pregaram durante toda a vida a luta armada, a violência e a separação do país. Se eles têm esse direito, por que o deputado Bolsonaro não tem?
BBC Brasil: Mas o seu marido foi considerado pela Justiça como torturador. Isso é motivo de homenagem?
Maria Joseíta:  Meu marido nunca foi condenado pela Justiça em última instância. O processo está parado. Não há prova nenhuma, só testemunhal. Interessante notar que prova testemunhal serve para considerar meu marido torturador, mas prova testemunhal não serve para condenar os corruptos da Lava Jato (Operação Lava Jato, que investiga o esquema de corrupção na Petrobras).
BBC Brasil: Mas o vereador Gilberto Natalini (PV-SP) disse, em entrevista à BBC Brasil, que foi torturado pelo seu marido...
Gilberto Natalini diz ter sido torturado por Ustra - Image copyright Gilberto NataliniImage
Maria Joseíta: Natalini passou uma única noite lá no DOI-CODI. Ele foi detido para averiguação. Quando declarou ter sido torturado, meu marido enviou-lhe uma carta aberta pedindo informações sobre essa suposta tortura. Nunca obteve resposta.
O problema é que muita gente usou isso, e continua usando, para se eleger, para conseguir cargos públicos e ganhar indenizações do governo. Não estou dizendo que a ditadura militar foi um mar de rosas. Não foi.
Sofro pelas famílias que perderam seus entes queridos do outro lado. Vejo com tristeza uma mãe que não sabe onde o filho está. Jovens que tinham a vida pela frente e que podiam lutar pelo Brasil de outra maneira, mas que foram iludidos por alguns grupos mais antigos de raposas velhas que tentavam implantar o comunismo no país.
BBC Brasil:  A senhora diz que a ditadura não foi um "mar de rosas". O coronel Ustra cometeu erros?
Maria Joseíta:  Não sei se ele cometeu erros. A mídia retrata meu marido como se ele fosse onipresente, onipotente e onisciente. Parece que ele foi um super-homem.
Quem começou isso tudo não foram as Forças Armadas. Houve apenas uma reação ao caos que já estava sendo implantando no Brasil. O grupo de militantes que estava se organizando já ia para China, para Cuba, para a União Soviética para fazer treinamento de guerrilha.
Era preciso tomar uma providência. Agora, por que o meu marido é um símbolo de tudo de ruim que aconteceu no regime militar?
BBC Brasil:  Porque relatos documentados indicam que o seu marido torturou pelo menos 60 pessoas...
Maria Joseíta:  Não posso jurar que o meu marido não cometeu nenhum deslize. Deslize na vida todo mundo comete. Eu presenciei muita coisa. Certa vez acompanhei seis presas lá dentro (DOI-CODI). Uma delas estava grávida e não sabia. Fiquei tocada pela situação.
Tanto insisti que meu marido me permitiu um contato com ela para ver se eu podia ajudar em alguma coisa. Ela fez questão de ficar lá com as companheiras porque tinha assistência, era atendida no Hospital das Clínicas, fazia pré-natal e tinha toda a atenção possível.
Chegamos inclusive a fazer enxoval para o bebê. Minha empregada fazia tortas para elas lancharem. Coisas gostosas. No entanto, quando ela teve o bebê e saiu de lá ─ até porque já não podia ficar mais, pois se tratava de uma concessão por pedido dela própria, passou a dizer que foi torturada todos os dias.
Já o filho de um outro preso me acusava de ir ao DOI-CODI para curar as feridas delas. Além disso, segundo ele, eu atuava como interrogadora.
Vejam como supervalorizavam a família Ustra. Há muita fantasia nessa história. Acredito que nem todo mundo tenha sido tratado como "pão de ló" como eu fazia.
BBC Brasil:  A senhora sempre defendeu publicamente seu marido. Por quê?
Maria Joseíta:  Eu não fui defensora do meu marido. Ele não precisava de defesa. Fui uma defensora da verdadeira história e não da história que está sendo contada. Decidi me manifestar publicamente porque eu sou uma cidadã brasileira. Passei minha juventude e minha maturidade durante o período do regime militar. Vi, vivi e tenho conhecimento de muitas coisas que aconteceram naquela época. Aquela época era semelhante ao que estava acontecendo agora.
BBC Brasil:  Por que aquela época era semelhante ao que está acontecendo agora?
Maria Joseíta:  Porque era um caos. Um grupo de jovens ─ alguns idealistas outros iludidos ─ queria tomar o poder. A maioria desse grupo está no governo agora e pertencia àquelas organizações. E deu no que deu. Uma das maiores empresas do mundo (Petrobras) foi sucateada, o dinheiro desapareceu de tudo o que foi maneira. O desejo deles é permanecer no poder.
BBC Brasil:  A senhora é a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff?
Maria Joseíta:  Acho que vamos passar um momento difícil. Não vejo outra solução melhor. Ela poderia renunciar. Haveria uma solução melhor?
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sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Censura à Imprensa - Assunto Recorrente dos Canalhas

por Javier Alexander Macías
A chamada “democratização” dos meios de comunicação, é um tema de preocupação e discussão na Sociedade Interamericana de Prensa (SIP) que afirma que, se implementada, correr-se-ia o risco de chegar a um ponto sem retorno: a censura e o controle da informação a divulgar que poderiam ser impostos pela guerrilha das FARC.
Claudio Paolillo, presidente da Comissão de Liberdade de Prensa da SIP, assim fez saber na 71ª Assembléia Geral da entidade: “sabemos que o que buscam é controlar o fluxo informativo e impor a censura”, disse.
Em seu argumento, a SIP insiste em destacar que a liberdade de imprensa é inalienável e em nenhum momento se pode violar os direitos de acesso à informação.
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Deve haver prudência
O tema a que se refere a SIP é um assunto com o qual se deve ter especial cuidado por varias razões, expressam alguns analistas do conflito armado.
Em primeiro lugar — destacam — a “democratização” dos meios de comunicação é um tema que faz parte da agenda de negociação no ponto "Participação Política" e, dessa forma, ainda é discutível.
O professor de Ciência Política da Universidade Nacional, Alejo Vargas, joga luz sobre o tema ao referenciar que é uma proposta — apresentada em 2013 — na construção do acordo e seria uma referência para evitar que a oferta da comunicação seja manipulada apresentando um só lado das informações.
Não concordo que democratizar os meios seja negativo. Os meios não devem estar em poucas mãos, isso não tem nada de positivo nem de democrático pois, nas sociedades modernas o que se busca é a multiplicidade de meios”, indica Vargas.
Na discussão, Juan Carlos Ortega, analista do conflito armado, faz um chamado à prudencia e expõe duas razões: a primeira, por que a SIP volta a um ponto da agenda que inclusive já está acordado; e o segundo, deve haver precaução para entender o que propõem as FARC como democratização dos meios e o que está interpretando a SIP.
Tenho entendido, e segundo o acordo, uma das coisas que solicitam as FARC é que se incentivem os meios alternativos e haja subsídio estatal a outras formas de comunicação para forças políticas opositoras ou organizações sociais e populares”, diz.
Ante as duvidas geradas desde que as FARC anunciaram a intenção de “democratização” dos meios, na Assembleia da SIP, o diretor do periódico El Tiempo, Roberto Pombo, instou a estar vigilantes sobre o alcance da proposta. “Quero anotar o fato de que na negociação de paz entre as FARC e o governo, já se ouviu os guerrilheiros falarem sobre ‘democratização dos meios de comunicação’. Este tema não fez parte dos acordos, assim, considero importante que a SIP esteja vigilante sobre o que possa ocorrer”.
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Futuro dos meios
Que as FARC cheguem a manipular os meios de comunicação, e nessa medida, a informação, é uma ideia que a jornalista María Jimena Duzán qualifica como “absurda”.
A periodista insiste em que não entende como, ou melhor, de onde a SIP tira esta conclusão, pois o que se conhece até agora é uma proposta — tornada pública pela guerrilha em 2013 — e que ela não sataniza, porque há que estudar o mencionado pelos negociadores do grupo guerrilheiro.
Estamos em mora de ver o que ocorrerá com os meios de comunicação regionais, locais; não os que são privados, porque estes assim continuarão sendo, mas as emissoras comunitárias e outros meios, que hoje são presas de políticos. Não entendo à SIP porque esta é uma proposta das FARC e podemos discutir com eles a sua percepção dos meios que obviamente é diferente”, diz Duzán.
A periodista agrega que não se deve cair no jogo de pensar que se vai entregar os meios de comunicação às FARC, ou que se entregará o país, ou comparar com o que sucede na Venezuela.
O debate sobre a proposta das FARC de democratizar a informação segue aberto. Para a SIP, é uma forma de buscar a manipulação da informação, para analistas, uma dívida que o país tem com os meios de comunicação relegados ao esquecimento.
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O Que Diz a Proposta das FARC
Ivan Marques, atual chefe das FARC - FOTO REUTERS
Visando estimular e fortalecer a participação política, se implementarão medidas para a democratização da informação e a comunicação, que favoreçam a setores sociais e populares, assim como a forças políticas até agora excluídas neste campo. Se expedirão regulações para garantir uma produção de informação e comunicação transparente, equilibrada e veraz; igualmente normas especiais para impedir a monopolização dos meios massivos de comunicação, democratizar sua propriedade e fortalecer a propriedade pública. Se garantirá o subsídio estatal dos meios.
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Concluindo
A SIP expressou sua preocupação pela proposta das FARC de “democratizar” os meios de comunicação. Na Colômbia, especialistas dizem que os meios devem ter outras oportunidades.
Fonte: tradução livre de El Colombiano
COMENTO: obviamente, a busca de um acordo de paz na Colômbia é assunto a ser decidido pelos colombianos, mas as "exigências" dos narco-bandoleiros para a concretização desse acordo  — apoiadas pelos "analistas" e "especialistas" destacados pela imprensa — expõem a organização centralizada das decisões do Foro de São Paulo, e o fiel cumprimento de suas ordens pelos seus integrantes. Mesmo assim, há alguns ingênuos ou mal intencionados que duvidam da capacidade organizativa dessa criação de Fidel, Lula e Hugo Chavez (que o capiroto o tenha). Acaso essa "reivindicação" dos narco terroristas colombianos não é a mesma que os patifes travestidos de brasileiros tentam enfiar goela abaixo da sociedade daqui? Juntemos isto com outras "propostas": anistia com um processo judiciário "transicional"que como vimos, logo se transforma em anistia unilateral; seguida por indenizações e recompensas para que os guerrilheiros sejam "reinseridos" na sociedade.  A procura por "desaparecidos" é outra artimanha para render propaganda (negativa para as Forças de Segurança colombianas, certamente) e recursos financeiros (indenizações) para os narco-bandoleiros.  Agora, já querem o "controle social" da mídia, a fim de que possam reescrever sua história e manterem o proselitismo de sua ideologia.  Somente os muito alienados e os comparsas desses patifes se recusam a ver que esse sistema idiota está falido e falindo todos os lugares onde se instalou. Dessa forma, eles tem a necessidade de agir com urgência, conquistando espaços e, principalmente, recursos, pois ninguém é mais ávido por verbas alheias do que um comunista. Temos nossos próprios exemplos e mais recentemente, já vimos o discurso de Castro II o imperador cubano, querendo "indenização" dos EUA pelos anos de bloqueio econômico. Como se a bosta da ilha comunista improdutiva não negociasse sua miséria recebendo donativos - não se pode dizer que comercializa alguma coisa - de diversas nações, inclusive a nossa, sob a capa de "ajuda humanitária". Vergonha na cara parece ser, para eles, só mais uma manifestação burguesa-capitalista.
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segunda-feira, 28 de setembro de 2015

A Anistia, Safadeza Repetida Para Obter a Paz

O mundo inteiro recebeu com bons olhos o anúncio do Presidente colombiano, Juan Manuel Santos, desde Havana, de haver chegado a um acordo quanto ao ponto mais complexo do processo de paz com as FARC, o da justiça de transição e de prever sua assinatura definitiva no prazo de seis meses.
Diversos líderes no globo expressaram sua esperança e alegria ante o  passo histórico obtido na quarta-feira (23/9/15). O Secretario-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, afirmou em um documento que o fato "representa um avanço significativo para a obtenção de um acordo final de paz e põe a Colômbia ainda mais perto de encerrar o conflito armado mais longo no hemisfério".
Por sua parte, o Secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, expressou em comunicado que "o povo colombiano se aproxima cada vez mais da paz, em condições extraordinariamente difíceis".
Como se sabe, o acordo alcançado quanto a justiça, contempla anistiar a maior quantidade de insurgentes possível, enquanto que os criminosos de lesa humanidade serão julgados por um tribunal especial que siga parâmetros alinhados com o direito internacional.
Com isto, o governo colombiano porá em marcha o 1.045º processo de anistia no mundo desde 1980. ¿Por que as nações confiam de forma reiterada nesta ferramenta?
"Facilita os processos de paz. Permite desjudicializá-los e faze-los mais fluídos em prol de objetivos de reconciliação e perdão. Se oferecem como um mecanismo de negociação para destravar os diálogos e confirmar os compromissos das partes" explicou a El Colombiano, Enrique Serrano, docente de relações internacionais na Universidade do Rosário.
Duas anistias são frequentemente usadas como exemplos na hora de avaliar seu valor como via para obter a paz, depois de cruentos e duradouros conflitos. A da África do Sul (1995) e a de Ruanda (2002). "Estes dois casos são os mais representativos até agora, porque são os únicos que incluíram, de alguma forma, a agenda das vítimas na mesa— ao contrário de processos como Guatemala ou El Salvador. Apesar de seus sucessos, deixaram inconformidades e se discute seu grau de efetividade", explicou Víctor de Currea-Lugo, colunista e especialista em temas humanitários.
"O anunciado na quarta-feira em Havana poderá significar a consolidação de um dos melhores processos de justiça transicional na história. É um marco em relação com outros casos, porque está muito mais claro o papel que jogam as vítimas" acrescentou.
Não obstante, ainda que os especialistas se mostrem esperançados, advertem que, tal como nos outros países e no passado, haverá muitos mais desafios ao processo.
"O crucial é que não se repita um fato comum depois de anistias em outros países: a reincidência em crimes. Esse é o tema a cuidar para que haja êxito", afirmou Serrano.
Para Currea, "a paz não é o fim da guerra, mas a equidade, as oportunidades, a educação. Não se deve confundir o final do conflito com paz, por que, todavia, há um caminho a ser percorrido".
Em diálogo com El Colombiano, Albie Sachs, ex magistrado da Corte Constitucional da África do Sul, coincidiu: "Ao fim, a maior reparação após um conflito é transformar a sociedade, para que os crimes de qualquer conflito não se repitam" 
CONCLUSÃO
A Colômbia deve aprender com outros processos de justiça transicional para preparar-se ante dificuldades que possam surgir de agora em diante. O crucial é evitar a reincidência.
Fonte: tradução livre de El Colombiano
COMENTO:  esperemos que o governo colombiano não caia da esparrela de uma anistia que se transforme em um mecanismo unilateral de benefícios para um segmento e de perseguição e revanchismo para o outro, como fizeram com a anistia brasileira. Este temor se pode esperar na medida em que os "especialistas" citados no texto tratam os narco-terroristas como "vítimas" no conflito. Como escrevi em outra publicação, os velhacos utilizam muito bem as "lições aprendidas". A pantomima das "Comissões da Verdade" foi exitosa na Argentina e no Brasil, onde os patifes conseguiram distorcer a história de suas canalhices, invertendo valores e transformando criminosos em heróis e heróis em bandidos, inclusive penalizando estes, além de promover um revanchismo indecente, maculando não só as memórias dos vencedores da luta armada mas convencendo os mais jovens de que foi graças a eles, os canalhas, que a democracia foi estabelecida. Esperemos que os colombianos não se deixem levar pelos engôdos desses infames, para não verem seus bravos militares desmoralizados e desvalorizados como ocorre nos domínios do Merdosul.
ATUALIZAÇÃO:  Sabe-se lá por qual motivo, já apareceu um "arrependido" confessando "crimes de guerra" e "denunciando" antigos Comandantes. A notícia disto foi publicada no Correio do Povo. Seguindo o enredo já determinado pelo Foro de São Paulo, logo surgirão leis determinando indenizações infindáveis e processos judiciais idem. 
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domingo, 21 de dezembro de 2014

Mais Mentiras da Omissão Nacional da Verdade

por Carlos I. S. Azambuja
A Omissão Nacional da Verdade, composta por 7 membros da escolha da presidentA da República, e terminando seus trabalhos com seis membros devido à renúncia de um deles, relacionou os nomes de 434 pessoas mortas ou desaparecidas, no período de 1964 a 1985 (embora na Lei que a criou seus trabalhos devessem abarcar o período e 1946 a 1988), que teriam sido mortas ou desaparecidas por uma relação de 377 militares e civis, “responsáveis pelos crimes da ditadura”, como escreveu a "Omissão".
Ocorre que ao divulgar a relação das 434 pessoas mortas ou desaparecidas pelos militares e civis, a Omissão mais uma vez MENTIU!
Consultando a referida lista constatei que pelo menos doze pessoas constantes da relação não foram mortas ou desapareceram por culpa de militares ou civis brasileiros, o que significa que a Omissão Nacional da Verdade MENTIU à PresidentA e ao povo brasileiro
Essas pessoas são as seguintes:
JUAREZ GUIMARÃES DE BRITO, do comando da Vanguarda Popular Revolucionária, que cometeu o suicídio em 18 de abril de 1970, no Rio de Janeiro, ao ver-se cercado pela chamada repressão.
EIRALDO PALHA FREIRE, faleceu no Hospital de Aeronáutica do Galeão em 4 de julho de 1970, após ser baleado, em 1 de julho, quando tomava parte na tentativa de sequestro do Caravelle PP-PDX, da Cruzeiro do Sul, no Aeroporto do Galeão.
JAMES ALLEN LUZ, militante da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares, morto em acidente de automóvel por ele dirigido, no RS, em 16/11/1977.
ROSALINO CRUZ SOUZA (“Mundico”), militante do PCdoB na Guerrilha do Araguaia, cujo nome foi grafado incorretamente no relatório da Omissão Nacional da Verdade, como ROSALINDO SOUZA. Sua morte não foi da responsabilidade de nenhum dos 377 militares ou civis “responsáveis por crimes da ditadura”, como assinala mentirosamente o relatório da Omissão da Verdade. Ele foi “justiçado” por sua companheira de armas DINALVA CONCEIÇÃO TEIXEIRA (“Dina), como amplamente divulgado em livros e artigos.
JANE VANINI, militante do Movimento de Libertação Popular, morta no Chile em 6 Dez 74, como militante do MIR-Movimiento de Izquierda Revolucionária.
TULIO ROBERTO CARDOSO QUINTILIANO, militante no Brasil do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário, dado como desaparecido no Chile em outubro de 1973.
ZULEIKA ANGEL JONES, morta em acidente automóvel por ela dirigido, no Rio de Janeiro, em 14 de abril de 1976.
WÂNNIO JOSÉ DE MATTOS SANTOS, morto no Chile em 16 Out 1973, após ser preso e levado para o Estádio Nacional.
TITO DE ALENCAR LIMA, integrante de uma relação de banidos do Brasil, trocado pela vida de um embaixador sequestrado, cometeu o suicídio na França em 10/8/1974.
NILTON ROSA DA SILVA, morto no Chile em 15/6/1973, como militante do MIR-Movimiento de Izquierda Revolucionária.
NELSON DE SOUZA KHOL, desaparecido no Chile em 15/9/1973.
LUIZ CARLOS DE ALMEIDA, desaparecido no Chile em 14/9/1973.
Como se observa, e como já assinalei em alguns e-mails, o relatório da Omissão Nacional da Verdade é MENTIROSO! Está eivado de inverdades e presunções, apontando como criminosos patriotas militares e civis que evitaram que o Brasil fosse transformado em um Cubão, inclusive o Marechal do Ar Eduardo Gomes, patrono da Força Aérea Brasileira, além dos presidentes da República no período 1964/1985, chefes militares e vários outros pelo simples fato de terem sido designados para servir em Órgãos de Inteligência. Infelizmente constato que até agora os chamados comandantes militares não se pronunciaram para defender seus antecessores e seus subordinados da Marinha, Exército e Aeronáutica, o que é inaceitável e será cobrado pelas futuras gerações!
Carlos I. S. Azambuja é Historiador
Fonte:  Alerta Total
COMENTO: reitero que as famílias dos Agentes Públicos citados nessa patifaria como acusados de cometerem crimes devem mover ações de danos morais contra os cretinos componentes dessa estrovenga que se propôs a servir como instrumento de tentativa de desmoralização das Forças Armadas, compilando e requentando as canalhices anteriormente publicadas no imoral "Brasil Nunca Mais", uma grande obra no sentido escatológico da palavra fundamentada em cópias de depoimentos de bandidos, feitos em audiências judiciais. 
É conhecido o fato que advogados orientam seus clientes para sempre negarem as acusações e alegarem ter sido torturados, a fim de tumultuar o processo, desconsiderar eventuais confissões e anular provas obtidas com base em suas delações. 
A incompetência e o vezo ideológico dos integrantes desse grupo nomeado para denegrir as Forças Armadas e, quem sabe, proporcionar mais uma boa cota do vil metal às supostas vítimas ainda não agraciadas, fez com que depois do "acurado trabalho", pelo menos uma pessoa gozando excelente estado saúde fosse citada como morta ou desaparecida. 
Outros casos existem, como o que já foi citado aqui em Agosto de 2013. Ao fim, deve-se destacar no trabalho da "começão", a falta de vontade de efetivamente buscar a verdade sobre os assassinatos denominados por eles como "justiçamentos", e os casos dos "mortos vivos", não só do Araguaia, mas de todos os episódios da luta subversiva para a implantação do comunismo no Brasil, apesar disso já ter sido anunciado pela imprensa, em diversas ocasiões, inclusive aqui e aqui, neste blog.
Outra mostra da completa falta de vergonha na cara desses tipos, e dos membros dessa quadrilha de vigaristas que montaram essa farsa da bolsa-anistia, pode ser lida clicando aqui.
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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Família de General Contesta a Acusação da Comissão da Meia Verdade

O General de Exército, Sérgio Wesphalen Etchegoyen, Chefe do Departamento Geral do Pessoal, assinou nota, em conjunto com a sua família, repudiando o relatório divulgado pela Comissão Nacional da Verdade e classificando seu trabalho como "leviano".
A Comissão responsabilizou o pai do atual chefe do DGP, o General Leo Guedes Etchegoyen, e outros 376 civis e militares, por violações de direitos humanos durante o governo militar, sem apontar os fatos que teriam levado às acusações.
Esta é a primeira vez que um General da ativa condena a conduta da Comissão Nacional da Verdade. 
Oficiais da ativa não costumam se pronunciar em relação a questões políticas, por conta de restrições impostas pelo Regulamento Disciplinar do Exército, deixando este papel, normalmente para os militares inativos. 
A íntegra da carta da família Etchegoyen, contra a Comissão Nacional da Verdade:
A comissão nacional da verdade (CNV) divulgou ontem seu relatório final, onde relaciona 377 nomes sob a qualificação de "autores de graves violações de direitos humanos"Nela consta o nome de Leo Guedes Etchegoyen.  
Sobre o fato, nós, viúva e filhos, manifestamos a nossa opinião. Jamais fomos contatados por qualquer integrante ou representante daquela comissão, nem o Exército recebeu qualquer solicitação de informações ou documentos acerca de Leo G. Etchegoyen. 
Ao apresentar seu nome, acompanhado de apenas três das muitas funções que desempenhou a serviço do Brasil, sem qualquer vinculação a fatos ou vítimas, os integrantes da CNV deixaram clara a natureza leviana de suas investigações e explicitaram o propósito de seu trabalho, qual seja o de puramente denegrir 
Ao investirem contra um cidadão já falecido, sem qualquer possibilidade de defesa, instituíram a covardia como norma e a perversidade como técnica acusatória. 
No seu patético esforço para reescrever a história, a CNV apontou um culpado para um crime que não identifica, sem qualquer respeito aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa 
Leo Guedes Etchegoyen representa a segunda geração de uma família de Generais que serve o Brasil, com retidão e patriotismo, há 96 anos. 
Seguiremos defendendo sua honrada memória e responsabilizando os levianos que a atacarem.  
Porto Alegre, RS , 11 de dezembro de 2014 
Lucia Westphalen Etchegoyen, viúva
Sergio Westphalen Etchegoyen, filho
Maria Lucia Westphalen Etchegoyen, filha
Alcides Luiz Westphalen Etchegoyen, filho
Marcos Westphalen Etchegoyen, filho
Roberto Westphalen Etchegoyen, filho
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COMENTO: seria muito conveniente que as famílias das pessoas citadas nessa patifaria movessem uma ação de danos morais contra os cretinos que se propuseram servir como instrumento de tentativa de desmoralização das Forças Armadas, compilando e requentando as canalhices anteriormente publicadas no imoral "Brasil Nunca Mais", uma grande obra - em seu sentido escatológico - fundamentada em cópias de depoimentos de bandidos, feitos em audiências judiciais. 
É sabido que, já naquela época, tal tipo de depoente era (e continua sendo) orientado por seus advogados a negar as acusações e alegar ter sido torturado, a fim de tumultuar o processo, desconsiderar eventuais confissões e anular provas obtidas com base em suas delações. A incompetência e o vezo ideológico dos integrantes desse grupo nomeado para denegrir as Forças Armadas e, quem sabe, proporcionar mais uma boa cota do vil metal às supostas vítimas ainda não agraciadas, fez com que depois do "acurado trabalho", pelo menos uma pessoa gozando excelente estado saúde fosse citada como morta ou desaparecida
Outros casos existem, como o que já foi citado aqui em Agosto de 2013. Ao fim, deve-se destacar no trabalho da "começão", a falta de vontade de buscar a verdade verdadeira (não a verdade forjada que pretendem implantar) sobre os "mortos vivos", não só do Araguaia, mas de todos os episódios da luta subversiva para a implantação do comunismo nas terras brazilis, apesar do fato já ter sido anunciado pela imprensa, em diversas ocasiões, inclusive aqui e aqui, neste blog.
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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Vítimas do Terrorismo - Setembros

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Neste setembro de 2014, reverenciamos os que, em setembros passados, tombaram pela fúria política de terroristas. Os seus algozes, sob a mentira de combater uma ditadura militar, na verdade queriam implantar uma ditadura comunista em nosso país.
Cabe-nos lutar para que recebam isonomia no tratamento que os "arautos" dos direitos humanos dispensam aos seus assassinos, que hoje recebem pensões e indenizações do Estado contra o qual pegaram em armas.
A lembrança deles não nos motiva ao ódio e nem mesmo à contestação aos homens e agremiações alçados ao poder em decorrência de um processo político legítimo. Move-nos, verdadeiramente, o desejo de que a sociedade brasileira lhes faça justiça e resgate aos seus familiares a certeza de que não foram cidadãos de segunda classe, por terem perdido a vida no confronto do qual os seus verdugos, embora derrotados, exibem na prática, os galardões de uma vitória bastarda, urdida por um revanchismo odioso.
A esses heróis o reconhecimento da Democracia e a garantia da nossa permanente vigilância, para que o sacrifício de suas vidas não tenha sido em vão.

28/09/66 – Raimundo de Carvalho Andrade - (Cabo PM / GO)
Em meados de 1966, eram numerosas as agitações estudantis em várias cidades do Brasil, com numerosos incêndios suspeitos em São Paulo e conflitos no Rio de Janeiro e na Bahia. Apesar da proibição, foi realizado, em Belo Horizonte, o 28º Congresso da UNE, entidade que estabeleceu a data de 22 de setembro para ser o “Dia Nacional de Luta Contra a Ditadura”. Tarzan de Castro (vulgo Luis, Osvaldo, Rogério, Sérgio), além de líder estudantil em Goiânia, era um militante que, em junho de 1966, havia liderado uma dissidência do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), que iria formar uma das mais violentas organizações terroristas daquela época, a Ala Vermelha. Preso na Fortaleza de Santa Cruz, em Niterói, divulgaram falsas notícias de que ele havia morrido na prisão e de que seu corpo chegaria no aeroporto de Goiânia à meia noite de 28/09/66, uma quarta feira. Em protesto, estudantes, dirigidos por agitadores comunistas, resolveram invadir e ocupar o Colégio Estadual Campinas. A diretora solicitou policiamento. A Polícia Militar, então, reuniu os PMs que não faziam parte do policiamento de rua, tais como cozinheiros burocratas, carpinteiros, etc, para atender o pedido. Por volta das 20:00 horas, quando a “tropa”, armada com fuzis modelo 1908 com munição de festim, chegou ao colégio que estava invadido, foi recebida por tiros vindos do seu interior, ocasião em que foi atingido, mortalmente, o cabo Raimundo de Carvalho Andrade que era o alfaiate da corporação.
A “vítima” viva, Tarzan de Castro, até recentemente destacado empresário do ramo de armazém de estocagens de grãos, com um dos maiores armazéns de Goiás, reivindica atualmente, como “vítima” da Revolução de 31 de março, indenizações:
- Do governo de Pernambuco, pelo o seu envolvimento no inquérito do chamado Movimento Julião;
- Do governo do Distrito Federal, por haver respondido a inquéritos promovidos pelo Comando Militar do Planalto;
- Do governo de Minas Gerais, por ser a sede da Região Judiciária Militar, para onde seguiram seus processos;
- Do governo de Goiás, através da lei estadual nº 14067/010, ao lado de inúmeras outras pessoas catalogadas como “vítimas” da Revolução de 1964.
A vítima morta, cabo Raimundo de Carvalho Andrade, que era o alfaiate da Polícia Militar de Goiás, homem simples - não especialista em assuntos de segurança e designado pelos seus superiores para completar uma equipe, visando coibir os tumultos gerados pelo episódio inverídico ligado a Tarzan de Castro - está esquecida. Não se tem notícia de que seus humildes familiares tenham recebido qualquer indenização ou apoio especial dos governos estadual ou federal (colaboração do Grupo Anhangüera).
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07/09/68 – Eduardo Custódio de Souza - (Soldado PM / SP)
Morto, com sete tiros, por terroristas de uma organização não identificada quando de sentinela no DEOPS, em São Paulo.
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20/09/68 – Antônio Carlos Jeffery - (Soldado PM / SP)
Morto a tiros quando de sentinela no quartel da então Força Pública de São Paulo (atual PM) no Barro Branco, por militantes da organização terrorista Vanguarda Popular Revolucionária.
Assassinos: Pedro Lobo de Oliveira; Onofre Pinto; e Diógenes José Carvalho de Oliveira, o famigerado "Diógenes do PT".
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03/09/69 – José Getúlio Borba (Comerciário-SP) e João Guilherme de Brito (Soldado PM/SP)
Os terroristas da Ação Libertadora Nacional (ALN) Antenor Meyer, José Wilson Lessa Sabag, Francisco José de Oliveira e Maria Augusta Tomaz, resolveram comprar um gravador na loja Lutz Ferrando, na esquina da Avenida Ipiranga com a Rua São Luis. O pagamento seria feito com um cheque roubado num assalto. Descobertos, receberam voz de prisão e reagiram. Na troca de tiros o guarda civil João Szelacsak Neto ficou ferido com um tiro na coxa e o funcionário da loja, José Getúlio Borba, foi mortalmente ferido. Perseguidos pela polícia o terrorista José Wilson Lessa Sabag matou a tiros o soldado da Força Pública (atual PM) João Guilherme de Brito.
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20/09/69 – Samuel Pires - (Cobrador de ônibus – SP)
Morto por terroristas quando estes assaltaram uma empresa de ônibus.
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22/09/69 – Kurt Kriegel (Comerciante - Porto Alegre/RS)
O comerciante gaúcho Kurt Kriegel foi morto durante assalto ao bar-restaurante Rembrandt de sua propriedade, em Porto Alegre. Três militantes da Var-Palmares chegaram a ser apontados como os responsáveis pelo crime: um cantor de sucesso na cidade, uma terrorista que até recentemente era assessora de uma personalidade política, e o ex-marido dessa mesma 'personalidade'. Todavia, em maio de 1987, o inquérito foi arquivado tendo em vista o misterioso 'sumiço' das provas contra os indiciados.
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30/09/69 – Cláudio Ernesto Canton - (Agente da Polícia Federal - SP)
Após ter efetuado a prisão do terrorista Márcio Beck Machado, foi atingido na coluna vertebral por outros bandidos que faziam a 'segurança' daquele, vindo a falecer em conseqüência desse ferimento.
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14/09/70 – Bertolino Ferreira da Silva - (Guarda de segurança - SP)
Morto durante assalto praticado pelas organizações terroristas ALN e MRT ao carro pagador da empresa Brinks, no Bairro do Paraíso em São Paulo.
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21/09/70 – Célio Tonelly - (Soldado PM / SP)
Morto em serviço quando a sua guarnição da Radiopatrulha abordou um automóvel ocupado por terroristas em Santo André.
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22/09/70 – Autair Macedo - (Guarda de segurança - RJ)
Morto por terroristas, durante assalto a empresa de ônibus Amigos Unidos.
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02/09/71 – Gentil Procópio de Melo - (Motorista de taxi - PE)
A organização terrorista denominada Partido Comunista Revolucionário determinou que um carro fosse roubado para realizar um assalto. Cumprindo a ordem recebida, o terrorista José Mariano de Barros tomou um táxi em Madalena, Recife. Ao chegar ao Hospital das Clínicas, quando fingia pagar a corrida apareceram seus comparsas Manoel Lisboa de Moura e José Emilson Ribeiro da Silva, que se aproximaram do veículo, tendo José Emilson disparado dois tiros que mataram o motorista Gentil Procópio de Melo.
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02/09/71 – Cardênio Jaime DolceSilvâno Amâncio dos Santos e Demerval Ferreira dos Santos - (Guardas de segurança - RJ)
Animados com o resultado do assalto ao Hospital da Ordem Terceira, a CR/GB (Coordenação Regional/Guanabara da ALN – Ação Libertadora Nacional) planejou o assalto à Casa de Saúde Dr Eiras, em Botafogo. Levantaram o dia do pagamento dos funcionários e partiram para a ação. Faziam parte do GTA (Grupo Tático Armado): Flávio Augusto Neves Leão SalesHélcio Pereira FortesAntonio Carlos Nogueira CabralSônia HipólitoAurora Nascimento FurtadoIsis Dias de OliveiraPaulo César Botelho Massaalém de José Milton BarbosaAntônio Sergio de Matos e Hélber José Gomes Goulart, vindos de São Paulo como reforço. O assalto ocorreu por volta das 16:00 horas.
O GTA entrou em ação com a chegada do carro pagador na casa de saúde.
A guarda de segurança do hospital reagiu ao assalto. Depois de intenso tiroteio, Cardênio Jaime DolceSilvano Amâncio dos Santos e Demerval Ferreira dos Santos estavam mortos. Ficaram feridos o médico Dr. Marilton Luiz dos Santos Morais, o enfermeiro Almir Rodrigues de Moraes e o acadêmico Levi Carneiro.
Os assaltantes, além de CR$ 96.698,00, levaram as armas dos seguranças mortos e aterrorizaram os doentes que no momento iniciavam o lanche.
A imagem que ilustra esta postagem é de uma das manchetes de jornais que noticiaram o brutal assalto que deixou 21 crianças orfãs, vítimas de terroristas da ALN que metralharam covardemente três chefes de família, deixando suas viúvas e filhos desamparados. 
As vítimas foram Cardênio Jaime Dolce, ex-comandante da Polícia Especial, ex-diretor de disciplina do Presídio Frei Caneca, delegado aposentado chefe do departamento de pessoal e chefe de segurança da Casa de Saúde Dr Eiras, que deixou 4 filhos; o guarda Dermeval Ferreira dos Santos - 10 filhos -, e Sílvio Amâncio dos Santos - 7 filhos.
O jornal Ação nº 2 - porta voz das organizações terroristas - de setembro/outubro/71, fazendo apologia da chacina na Casa de Saúde Dr Eiras, assim justificou os assassinatos:
A imprensa da ditadura procurou explorar politicamente a morte dos guardas, apresentando-os como vítimas inocentes. No entanto, é preciso ficar bem claro que, consciente ou inconscientemente, naquele momento agiram como defensores dos exploradores e de seu governo, atacando guerrilheiros. Por isso não foram poupados e nem serão aqueles que tomarem a mesma atitude.
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23/09/72 – Mário Abraim da Silva - (2º Sargento do Exército - PA)
Pertencia ao 2º Batalhão de Infantaria de Selva, com sede em Belém. Sua Companhia foi deslocada para combater a guerrilha na região do Araguaia. Morto em combate, durante um ataque guerrilheiro no lugarejo de Pavão, base do 2º Batalhão de Selva.
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??/09/72 – Osmar...- (Posseiro - PA)
“Justiçado” pelos guerrilheiros, na região do Araguaia, por ter permitido que uma tropa de pára-quedistas acampasse em suas terras.
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27/09/72 – Sílvio Nunes Alves - (Bancário - RJ)
Assassinado em assalto ao Banco Novo Mundo, na Penha, pelas organizações terroristas PCBR, ALN, VPR, Var Palmares e MR8. Autor do assassinato: José Selton Ribeiro.
Os mortos acima relacionados não dão nomes a logradouros públicos, nem seus parentes receberam indenizações, mas os responsáveis diretos ou indiretos por suas mortes dão nome à escolas, ruas, estradas e suas famílias receberam vultosas indenizações, pagas com o nosso dinheiro.
Fonte: Texto adaptado do TERNUMA
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