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domingo, 10 de março de 2019

A Espionagem Venezuelana em Bogotá

por Unidad Investigativa
Na foto, Carlos Pino em Bogotá na companhia de Royland Belisario, membro do SEBIN.
Foto: Arquivo particular
Organismos de Inteligência dizem que há US$ 5 milhões para atos de desestabilização na Colômbia.
Vários dos mais de 700 militares venezuelanos que se entregaram na fronteira com Colômbia vem advertindo a membros de organismos de Inteligência que ao menos dois deles não estão dizendo a verdade sobre o cargo e Unidades a que supostamente pertencem.
Ainda que não se descarte que estejam mentindo para proteger-se das represálias do regime de Nicolás Maduro, está sendo verificado se fazem parte do plano de espionagem que a Venezuela ordenou iniciar há uns meses nas ruas de Bogotá.
El Tiempo teve conhecimento de uma diretriz que organismos de Inteligência colombianos atribuem ao Comando Estratégico Operacional das Forças Armadas da Venezuela (CEOFANB), datado em 10 de agosto de 2017, na qual se ordenou um deslocamento de “redes de Inteligência exterior em território colombiano, para efetuar operações encobertas em torno a interesses militares e ameaças provenientes de Colômbia e de Estados Unidos”.
O epicentro da espionagem é Bogotá, mas informação de Inteligência assinala que há pelo menos 50 membros do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN) dispersos em pelo menos oito regiões do país.
Além disso, asseguram que sua missão se ampliou a controles e vigilâncias a opositores refugiados na Colômbia, a membros de missões diplomáticas de países que apoiam a saída do poder de Maduro e a funcionários colombianos de alto nível.
O dado mais recente que há sobre essa investida assinala que existe um orçamento de 5 milhões de dólares para executar atos de desestabilização na Colômbia, que incluem desde a infiltração nas marchas e protestos, até ações contra Juan Guaidó, o presidente interino de Venezuela.
Com base nessa informação, no final de fevereiro, o chanceler Carlos Holmes Trujillo responsabilizou Maduro por qualquer agressão que possa ocorrer contra Guaidó, que passa pela Colômbia para assistir à reunião do Grupo de Lima.
Há evidencias de que a ordem de planos de espionagem na Colômbia ganhou maior força depois que Duque assumiu a bandeira do bloco de países que exigem a saída imediata de Maduro e o reconhecimento de Guaidó como presidente de transição para que ocorram eleições presidenciais livres.
Assim se lê em documentos de Inteligência, nos quais inclusive, aparecem varias fotos tiradas do embaixador dos Estados Unidos em Bogotá, Kevin Whitaker, por um agente do SEBIN.
O espião foi revelado ao aproximar-se demais do custodiado diplomata durante um foro sobre migração venezuelana, em 16 de outubro de 2018, a que também assistiu o chanceler Trujillo.


Coletivos chavistas e ELN
As fotos de Whitaker 
 cujo governo não descarta uma intervenção militar na Venezuela  foram enviadas em tempo real (3:44 da tarde) a Royland Belisario, membro do SEBIN, que esteve no serviço diplomático venezuelano em Bogotá e foi visto rondando Cúcuta.
Estas foram as fotos que percebidos membros do SEBIN tiraram do embaixador de EUA e do chanceler Trujillo em Bogotá.  Foto: Arquivo particular
Belisario já havia aparecido em informes de Inteligência, de dezembro passado, que serviram de base para que a Migração Colombiana ordenasse a expulsão imediata do venezuelano Carlos Manuel Pino García, por espionagem. Trata-se de um assessor da missão diplomática de Caracas em Bogotá, casado com Gloria Flórez, ex-congressista do Polo Democrático e secretaria de Governo do governo municipal de Gustavo Petro, entre 2014 e 2015.
Ainda que a ex-congressista tenha interposto uma ação legal desmentindo as acusações, qualificando-as de montagem e exigindo que seu esposo seja devolvido, autoridades judiciais tem evidencias (incluindo áudios), de que Pino mantinha contatos com membros das desmobilizadas estruturas das FARC, e que trabalhava na obtenção de apoios a favor do regime de Maduro.

El Tiempo obteve uma foto na qual ele é visto caminhando por uma rua de Bogotá ao lado de Royland Belisario (no topo da postagem).
Além disso, ele foi relacionado a seguimentos (vigilância) feitos a membros do Tribunal Supremo de Justiça Venezuelano no exílio. Um deles, Zair Mundaray, denunciou fustigamentos durante sua estadia em Bogotá e depois se soube que membros dos violentos coletivos chavistas foram encarregados dessa operação. Ainda, há evidencias de que o SEBIN está em contato com membros do ELN, autores dos mais recentes atentados com explosivos em Bogotá.

A informação do General
O SEBIN e os coletivos chavistas firmam alianças com setores favoráveis à defesa do regime, para criar cenários de crise na Colômbia, como os distúrbios em marchas e as ações do ELN”, explicaram fontes de Inteligência.
Inclusive se sabe que, no primeiro sábado de cada mês, se reúnem com membros da Inteligência de outros países afins a Maduro, para intercambiar informação sobre os objetivos em Bogotá.
Nos últimos três meses, Colômbia já localizou e expulsou pelo menos uma dezena de explícitos espiões e infiltrados do regime de Maduro. Porém os alarmes seguem ativos inclusive em um tema que se acreditava sepultado: um atentado contra o presidente Iván Duque.

El Tiempo constatou que o Major-General Hugo Carvajal  homem forte da Inteligência de Hugo Chávez e de Maduro  já ofereceu entregar informação sigilosa sobre este tipo de planos do regime de Maduro contra a Colômbia.

Migração Colombiana reconsidera a expulsão de "Pau Pau"
Apesar de que, no momento de sua expulsão chorou e insistiu que não era uma espiã do regime de Nicolás Maduro, a Inteligência do Exército colombiano ratificou que a venezuelana Tania Pérez tentou se passar como um dos membros das forças armadas do país vizinho que abandonavam o atual governo.
De fato, foi confirmado que ela responde ao codinome de "Pau Pau" e que sua verdadeira intenção era recolher informação sobre como estão sendo recebidos os uniformizados que abandonam as filas do regime, com a finalidade de envia-la a Caracas para tentar frear as deserções. “É uma ameaça para a segurança nacional”, indicou a Inteligência colombiana.
Entretanto, a Migração Colombiana informou neste sábado (2/3/19) que, com base em novo documento dos organismos de Inteligência, tomou a decisão de não expulsar 'Pau Pau'. El Tiempo obteve de fontes do Governo que a mulher ofereceu entregar informação para “ajudar a restituir a democracia na Venezuela”.
Assim, mesmo que inicialmente não tenha atendido os protocolos de verificação que a Colômbia implementou para atender os desertores venezuelanos, agora ela colaborará com as autoridades colombianas, aportando informação relevante. A decisão de que a mulher permaneça na Colômbia está sustentada em um documento em que deixou formalizada sua vontade de contribuir com a normalização da institucionalidade em seu país.
Tania Pérez, de alcunha "Pau Pau de 28 anos , era membro da Polícia Estatal venezuelana e possui informação sobre movimentos na fronteira com Colômbia por parte do regime de Nicolás Maduro.
O cancelamento da medida de expulsão coincide com a decisão do Governo venezuelano de descender os mais de 700 membros de suas Forças Armadas que se entregaram na Colômbia. Assim consta em um boletim oficial publicado recentemente, onde acrescenta que eles foram expulsos pelos delitos de deserção e traição à Pátria.


Cúcuta, o outro ponto sensível da tensão com Caracas
Para organismos de Inteligência colombianos a melhor evidencia de que há espiões venezuelanos cumprindo missão na Colômbia foi a captura de cinco pessoas, em 19 de fevereiro em Cúcuta, quando se preparava o grande concerto pela paz e a mobilização de ajuda humanitária na fronteira.
Os detidos haviam se hospedado no Hotel Hampton, o mesmo em que permaneciam vários deputados da ala de Juan Guaidó. A SIJIN 
(Seccional de Investigação Judiciária e Interpol) comprovou que o grupo estava acompanhando os movimentos dos deputados, gravando  videos e tomando fotos deles.
Segundo um relatório oficial, conhecido por El Tiempo, no momento de sua retenção disseram ser turistas, que não portavam documentos e que estavam fazendo compras no centro comercial Unicentro.
Mas com um deles, identificado como Oberto Junior Bohórquez Camejo, acharam um passaporte venezuelano, com visto americano, em sua maleta. O sujeito é um intermediário na compra de faturas e portfólios, atividade que está sendo exercida para dar liquidez ao regime.
Seus acompanhantes, que portavam cartões de fronteira falsos, foram identificados como Luis Enrique Duarte Moreno, Erwin Javier Flórez, Jesús María Bohórquez e Laura Elena Carroz.

Temos a certeza de que a mulher é do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN) e que todos estão ligados a um programa que se chama ‘Grande Missão de Lares da Pátria’, que depende da vice-presidência venezuelana”, explicou a este diário um investigador.
Embora Laura Elena Carroz não tenha registro de movimentos migratórios legais para a Colômbia, apareceu hospedada anteriormente no Hotel Casino e já tinha outra entrada no Hampton.
Não vamos permitir que cidadãos estrangeiros ingressem em nosso país para afetar a ordem e a tranquilidade social. Sabemos que há um interesse manifesto por parte da ditadura de Maduro para afetar a segurança nacional diante os eventos que estão próximos a realizar-se”, indicou no fim de semana passado Christian Krüger, diretor da Migração Colombiana.
Nessa jornada, que terminou em distúrbios e até na polêmica queima de ajudas, houve outra captura. A de Crober Elías Paraco Silvera, membro ativo da velha Polícia Técnico Judicial de Venezuela (PTJ). O sujeito tomou fotos no posto fronteiriço e, quando interpelado, disse que ia buscar provisões para sua família.
Por enquanto, os alarmes estão ativos no Norte de Santander, Arauca e La Guajira, a fronteira porosa entre Colômbia e Venezuela, por onde estão ingressando os mal chamados desertores do regime. Mas também está sob vigilância outra passagem: a fronteira com o Brasil onde no fim de semana passado (23/2/19) se registraram graves distúrbios. 


Fogo amigo
O que os organismos de Inteligência e agencias de outros países pretendem é habilitar uma plataforma de informação que permita identificar a todos os uniformizados que busquem passar para Colômbia. Além do ingresso de potenciais espiões, o que tentam evitar é que militares venezuelanos e coletivos chavistas os alvejem a tiros, como ocorreu há alguns dias na fronteira com Brasil.

Unidad Investigativa
u.investigativa@eltiempo.com
Twitter: @uinvestigativa
 Fonte:  tradução livre de El Tiempo
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sábado, 15 de setembro de 2018

Alemanha: Ascensão dos Salafistas

por Soeren Kern
Tradução: Joseph Skilnik
Milhares de pessoas ouvem com atenção o pregador salafista Pierre Vogel discursar em um comício para simpatizantes em 9 de julho de 2011 em Hamburgo, Alemanha. (Foto: Christian Augustin/Getty Images)
O número de salafistas localizados na Alemanha mais que dobrou nos últimos cinco anos, ultrapassando pela primeira vez a marca dos 10 mil, de acordo com a Agência de Inteligência Interna da BfV da Alemanha. A BfV calcula que haja na Alemanha mais de 25 mil islamistas, dos quais praticamente 2 mil representam uma ameaça iminente.
Os dados fazem parte do último relatório anual do Departamento Federal para a Proteção da Constituição (Bundesamt für Verfassungsschutz, BfV), apresentado pelo ministro do interior, Horst Seehofer e pelo presidente do BfV, Hans-Georg Maaßen em Berlim em 24 de julho.
O relatório, considerado o mais importante indicador de segurança interna da Alemanha, desenha um quadro sombrio. O BfV calcula que o número de islamistas presentes na Alemanha aumentou de 24.425 em 2016 para no mínimo 25.810 por volta do final de 2017.
Causa espécie que o relatório não forneça nenhuma estimativa quanto aos dados no tocante aos seguidores do Estado Islâmico ou da al-Qaeda que vivem na Alemanha. Consequentemente, a verdadeira dimensão do número real de islamistas presentes na Alemanha é, indubitavelmente, maior do que 25.810.
Segundo o relatório, os salafistas formam o maior grupo islamista da Alemanha. O número de salafistas presentes na Alemanha saltou para 10.800 em 2017, dos 9.700 em 2016, 8.350 em 2015, 7.000 em 2014, 5.500 em 2013 e 4.500 em 2012.
O relatório do BfV ressalta:
"Os salafistas se veem como guardiões do Islã original, puro. Eles modelam sua prática religiosa e seu estilo de vida exclusivamente nos princípios do Alcorão, do Profeta Maomé e das três primeiras gerações muçulmanas, os assim chamados antepassados justos (Al-Salaf al-Salih em árabe). Como consequência, os salafistas querem implantar uma "teocracia" de acordo com a sua interpretação das diretrizes da Lei Islâmica (Sharia), na qual não se aplica mais a ordem democrática liberal.
"Os jihadistas salafistas e os políticos salafistas nutrem basicamente a mesma ideologia. A diferença primordial são os meios para atingirem seu objetivo, a "teocracia salafista". Os políticos salafistas disseminam a ideologia islamista fazendo uso de intensa propaganda, que eles retratam como 'trabalho missionário' (Dawa), para transformar a sociedade por meio de um processo de longo prazo, segundo as normas salafistas.
Muitos políticos salafistas se posicionam contra o terrorismo. Eles enfatizam a natureza pacífica do Islã e rejeitam o chamamento aberto à violência. No entanto, vale a pena lembrar que o salafismo político tem uma relação ambivalente com a violência porque, em princípio, não exclui a violência inspirada na religião como meio de atingir seus objetivos.
Ao interpretarem o Islã, os políticos salafistas fazem uso seletivo das obras clássicas da literatura jurídica islâmica, que sustenta profunda afinidade com a violência quando se trata de lidar com não muçulmanos. Os salafistas acreditam que a reivindicação universal do Islã, devido à sua superioridade como plano divino de salvação para toda a humanidade, deve ser imposta por meio da força, se necessário, portanto, no cerne, a aprovação do uso da violência é parte intrínseca da ideologia salafista.
"As duas correntes salafistas têm visões diferentes, mas passíveis de conciliação à luz do pré-requisito, a violência pode ser usada. Isso explica porque a transição do salafismo político para o salafismo jihadista é acomodável".
O relatório do BfV assinala que os salafistas estão concentrando seus esforços proselitistas e de recrutamento em migrantes que buscam refúgio na Alemanha:
"Sob o pretexto de ajuda humanitária, os islamistas conseguiram radicalizar inúmeros migrantes. No passado, os salafistas em particular, procuraram estender a mão aos migrantes. Eles visitavam abrigos para refugiados para esse fim, oferecendo assistência. O grupo alvo não era apenas o dos migrantes adultos, era também o dos adolescentes desacompanhados que, devido à sua situação e idade, são particularmente suscetíveis às práticas missionárias salafistas".
As diversas práticas propagandísticas dos salafistas, que eles minimizam como se fosse 'proselitismo' ou 'convite para as pessoas conhecerem o Islã', é na verdade uma doutrinação sistemática e muitas vezes o início da radicalização, com bons resultados: o salafismo islamista está em voga e é o que mais cresce na Alemanha.
O ambiente salafista representa o ponto nevrálgico do recrutamento para a Jihad. Todos que têm alguma conexão alemã, com raríssimas exceções, que se juntaram à jihad estiveram anteriormente em contato com o ambiente salafista."
Segundo o BfV, o crescimento do movimento salafista na Alemanha está sendo alimentado em parte por migrantes da Tchetchênia:
"No ambiente salafista da Alemanha, os atores de origem caucasiana do Norte, em especial os da República da Tchetchênia, ganharam maior importância. Os estados mais afetados são os estados federais da Alemanha Oriental e da região Norte, assim como o estado do Reno, Norte da Westphalia.
O ambiente islamista do Cáucaso do Norte é caracterizado pela disseminação de peculiaridades e redes espalhadas por toda a Europa. Em grande medida é ambiente fechado para o mundo exterior. O fator crítico para a radicalização é um espectro de contato pessoal que conecta elementos da religião e da estrutura tradicional do clã. O islamista do Cáucaso do Norte estabeleceu contatos com grupos jihadistas do Oriente Médio devido aos 'sucessos' dos combatentes do Cáucaso do Norte na Síria e no Iraque."
O relatório do BfV mostra uma ligação direta entre o aumento do antissemitismo na Alemanha e a ascensão dos movimentos islamistas no país:
"A propaganda islamista frequentemente mistura motivações religiosas, territoriais e/ou políticas nacionais com uma visão de mundo antissemita. A 'imagem inimiga do judaísmo', portanto, forma o pilar central da propaganda de todos os grupos islamistas.
O BfV registrou um número enorme de incidentes antissemitas em 2017. O espectro dos incidentes ia desde banners anti-israelenses em eventos públicos e sermões antissemitas a postagens antissemitas nas redes sociais e ataques verbais e até físicos contra judeus.
O BfV constatou que todos os grupos islamistas ativos na Alemanha disseminam e nutrem ideias antissemitas. Isso representa uma ameaça significativa à coexistência pacífica e à tolerância na Alemanha."
De acordo com o BfV, o segundo maior movimento islamista da Alemanha é o Millî Görüş (em turco "Visão Nacional"), que conta com cerca de 10 mil integrantes. O movimento se opõe categoricamente à integração muçulmana na sociedade europeia:
"O movimento acredita que uma ordem política 'justa' é aquela fundamentada na 'revelação divina', ao passo que os sistemas concebidos pelos humanos são 'fúteis'. No momento, a civilização ocidental 'fútil' predomina, baseada na violência, injustiça e na exploração dos mais fracos. Esse sistema 'fútil' deve ser substituído por uma 'ordem justa', baseada exclusivamente nos princípios islâmicos e não nos princípios concebidos pelo homem, portanto, com 'leis arbitrárias'. Todos os muçulmanos devem colaborar para a concretização da 'ordem justa'. Para tanto, os muçulmanos devem adotar uma determinada visão (Görüş) do mundo, a saber: uma visão nacional/religiosa ('Milli'), um Millî Görüş".
Além dos salafistas e o Millî Görüş, os cálculos do BfV indicam que a Alemanha já abriga 1.040 membros da Irmandade Muçulmana, 950 membros do Hezbolah e 320 membros do Hamas.
Após a apresentação do relatório do BfV, o ministro do interior Horst Seehofer exigiu que o governo acelere as deportações dos islamistas. "Nós não temos nada sob controle em nenhuma área", concluiu ele.
Soeren Kern é membro do Gatestone Institute de Nova Iorque.
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sábado, 20 de janeiro de 2018

A “Surpresita” Que Assusta os Venezuelanos

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Nas pontes internacionais de Cúcuta, a uma semana concentram-se centenas de pessoas
 buscando chegar à Colômbia. - Foto de Julio Cesar Herrera.
por Rosalinda Hernández C.
transcorreram oito dias desde que o presidente Nicolás Maduro anunciou, em uma cadeia nacional de rádio e televisão, que tomaria medidas drásticas, como o fechamento aéreo e marítimo, ante a saída ilegal de produtos nacionais para as ilhas do Caribe - Aruba, Curazao e Bonaire - e que tem uma "surpresinha" pronta para a fronteira colombiana, isto é, Cúcuta e Maicao.
Em consequência, os efeitos não se fizeram esperar e em questão de dias a passagem de venezuelanos pelas pontes internacionais - Simón Bolívar e Francisco de Paula Santander - aumentou a ponto de gerar um colapso. Devido a isso, as autoridades colombianas de Migração e a Polícia Nacional tiveram que intervir e reorganizar as intermináveis filas que se formam e que tem até 300 metros de comprimento.
As ruas adjacentes à Aduana principal de San Antonio estão abarrotadas de transeuntes que correm buscando a saída para a Colômbia.  É o caso de Cesar Salazar a quem as declarações de Nicolás Maduro fizeram tomar a decisão de migrar junto a sua esposa.  “A situação que vive o país é aviltante. Nós decidimos ir para Bogotá, lá estão há cinco meses meus três filhos trabalhando. Maduro está alcançando seu propósito que não é outro que é fazer quem o conteste partir, que saiamos do país. Aqui ficam só os manipuláveis, os que se deixam dominar. Daí vem esses anúncios e ameaças que geram inquietude no povo que quer sair”, assegurou o venezuelano sentado junto a uma pilha de maletas.

Regressou para buscar a família 
As declarações de Maduro cruzaram a fronteira e chegaram até Bogotá, onde reside Ramón Meléndez, um venezuelano de 47 anos que, desde agosto foi trabalhar na capital colombiana para enviar dinheiro à sua família que ficou em Barquisimeto.
Ramón, na passagem por San Antonio, advertiu:  “venho para leva-los”, disse com notável preocupação a El Colombiano.  “Regresso para levar minha esposa e os meus dois filhos. As ameaças extremas e o temor que criaram as recentes declarações do presidente nos fazem pensar muito e é melhor sair antes que se invente qualquer coisa. Venezuela não vai mudar. O país está muito destruído”.
Também há a história de Nereida James que, enquanto se despedia de sua família na ponte internacional, avisou que adiantou a viagem por temor a um eventual fechamento da fronteira. “Entre meus vizinhos e alguns amigos, consegui vender meu carro, uma moto e todos os aparelhos eletrodomésticos da casa e móveis. Não tenho um plano definido, só queremos sair do país”, disse. 

Os mais prejudicados 
Ninguém tem claro na fronteira do que se trata a "surpresa". Sem dúvida, se especula que poderia ser uma manobra política ou um regime especial aduaneiro. O que está claro é que o caos que gerou segue latente.
Aqui ninguém sabe o que vem para a fronteira depois do anúncio do presidente. Não sabemos se a surpresa se trata da implementação de um regime econômico especial, controlado ou por cotas como funciona na Ilha Margarita ou qualquer outra situação. O presidente não pode ser irracional e desumano pretendendo fechar uma importante via de acesso de comidas e remédios ao povo venezuelano”, disse Edgardo Sandoval, empresário aduaneiro de San Antonio.
Ante a multidão que passa diariamente da Venezuela para a Colômbia, o prefeito do município colombiano Vila do Rosário, Pepe Ruiz, assinalou que serão redobradas as medidas de segurança nas imediações da ponte internacional Simón Bolívar.
Infelizmente tem aumentado o ingresso de venezuelanos nos último dias pela fronteira, muito mais do que estamos acostumados a ver na temporada dezembrina. Isto é devido ao grande problema que se apresenta na Venezuela”, disse.
Explicou que implementarão um plano de choque paraevitar que os que chega nos invadam os ginásios, ruas e praças. Os que estão sem documentos terão que ser deportados de novo ao seu país, informou o prefeito colombiano.
Ele também não descartou que após os anúncios de Nicolás Maduro se apresente um novo fechamento na passagem entre ambas as nações.

Contraponto
Um leve incremento no número de entradas e saídas de cidadãos nacionais e estrangeiros, cerca a 7% superior a outros meses do ano, se apresentou nas últimas semanas. Assim observou Christian Krüger Sarmiento, diretor geral de Migração a Colômbia, que indicou que este aumento obedeceria à dinâmica migratória que se apresenta na região durante a temporada de fim de ano, dado que na zona de fronteira a grande maioria das famílias estão compostas por cidadãos de ambos países ou, porque os cidadãos venezuelanos ingressam, durante estas datas, ao território nacional com o propósito de abastecer-se de alimentos e produtos de primeira necessidade, para passar estas festas.
Fonte:  tradução livre de El Colombiano

sábado, 30 de abril de 2016

Uma Dor Que Ninguém Vê - Um Tabu a Ser Enfrentado


Uma dor que ninguém vê
Em 17 anos, foram 19.295 pessoas mortas. É como se a população inteira de um município da serra gaúcha desaparecesse. São Francisco de Paula tem 20.224 habitantes. O DATASUS (Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde) confirma: são 10,2 casos de suicídio a cada 100 mil habitantes. Este índice coloca o RS no topo do ranking nacional para mortes deste tipo. Em seguida vem Roraima, com 8,3 e Mato Grosso do Sul, com 8,1.
O estado que tem o menor índice é o Rio de Janeiro, uma média de 2,4 mortes para cada 100 mil habitantes. Os números não são de hoje e vem aumentando. De acordo com Ricardo Nogueira, psiquiatra do Hospital Mãe de Deus que pesquisa ansiedade, depressão e prevenção ao suicídio, os maiores índices de casos suicidas acontecem na região nordeste do estado.
De acordo com o Mapa da Violência, o RS ainda tem 11 das 20 cidades brasileiras que mais tiveram casos. Três Passos (2º), Três de Maio (5º), Nova Prata (6º), Santa Cruz do Sul (11º), Tupanciretã (11º), Santiago (12º), Canguçu (13º), Lajeado (14º), Venâncio Aires (15º), Encruzilhada do Sul (18º) e Osório (19º).
Os municípios com maior incidência de suicídio no estado são de colonização alemã. Por isso, a ascendência é um fator considerado pela Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul (APRS). No entanto, o coordenador do departamento de psiquiatria no estado, Marco Antonio Caldieraro, diz que isso não é determinante: “A gente tenta não valorizar muito essa questão porque se você está atendendo um paciente de uma etnia que tem menos incidência em suicídio não quer dizer que é um motivo para não se preocupar.”
Para a Doutora em Ciências Médicas, Rosa Maria Martins Almeida, da UFRGS, que estudou o suicídio em homens e mulheres, o tema deve ser tratado como um problema de saúde pública e o governo deveria criar programas e campanhas de prevenção, assim como as diversas campanhas que existem para prevenção da AIDS, tuberculose, gripe, HPV, entre outros. “É necessária uma discussão mais aberta sobre este problema na sociedade e o estabelecimento de estratégias para a precaução, considerando as particularidades regionais”, concorda a professora da Unisinos Fernanda Barcellos Serralta. A tese de doutorado da psicóloga foi sobre os riscos de suicídio em pacientes deprimidos.
A APRS entende que o suicídio, na maioria das vezes, está relacionado a algum tipo de transtorno psiquiátrico muitas vezes não diagnosticado e não tratado de forma adequada. Os mais comuns são: depressão, bipolaridade, dependência química, transtornos de personalidade e a esquizofrenia.
Marco Antonio Caldieraro salienta que é possível tratar os pacientes com consultas frequentes, sem a necessidade de internação. Contudo, para aqueles que possuem tendências suicidas o melhor é que o tratamento seja realizado onde não exista a possibilidade dele tentar algo contra si mesmo. O suicídio ocupa a 3ª colocação entre as mortes violentas no RS, ficando atrás dos homicídios (1ª) e dos acidentes de trânsito (2ª), segundo o DATASUS.
Aumenta o suicídio entre jovens
Diversos jovens sofrem em silêncio e as famílias só ficam sabendo dos problemas depois que o fato está consumado. De acordo com dados do Mapa da Violência, do Ministério da Saúde, o índice de jovens que tiraram a própria vida aumentou 40% em 10 anos. Para a doutora em psicologia, que defendeu uma tese sobre as motivações para esta violência, Fernanda Serralta, o suicídio na adolescência associa-se a fatores como a depressão, baixa autoestima, disfunção familiar, abuso sexual, maus tratos, negligência e o uso de substâncias psicoativas.
O médico Ricardo Nogueira confirma o aumento de suicídios entre os jovens. Segundo seus estudos, os abusadores de álcool e drogas estão na liderança com 33% seguido dos jovens depressivos com 28%. Esquizofrênicos, jovens com transtorno de personalidade e ansiedade completam a lista. Porém, outro sinal que preocupa é o crescimento do número de mortes entre as mulheres jovens, “principalmente meninas dos 15 aos 19 anos, usuárias de álcool e drogas ou que estão em gestação”, destaca Nogueira.
Como vai você?
Todos os especialistas consultados pela reportagem apontaram o CVV (Centro de Valorização da Vida) como a principal referência na prevenção de suicídio no Brasil. A organização não governamental é, inclusive, citada pelo Google quando busca-se informações sobre o assunto.
O slogan “como vai você” é uma alusão à forma com que eles trabalham. No ano passado, no Brasil, o CVV atendeu um milhão de pessoas que buscavam ajuda, o equivalente a uma ligação a cada 33 segundos. Fundado em 1962, em São Paulo, o CVV atende pelo número 141. O coordenador nacional, o gaúcho Anildo Fernandes, explica que o atendimento prioriza o ato de ouvir as pessoas: “Nós procuramos oferecer uma escuta compreensiva. Sabemos que, à medida que a pessoa começa a falar dos seus problemas, ela começa a se sentir aliviada e, assim, encontra forças dentro dela própria para reagir”, explica. Conforme Anildo, a perda é a maior motivação das ligações para o 141. Ela pode estar relacionada ao falecimento de um ente querido, a demissão de um emprego ou até mesmo a morte de animais de estimação.
No Rio Grande do Sul, nos primeiros quatro meses de 2015 foram atendidas 19.350 ligações. Uma média de 4.837 ligações por mês, de acordo com o coordenador. A organização dispõe de atendimento presencial, via internet, pelo telefone e até mesmo por carta. E há também os grupos de apoio aos “sobreviventes”, denominação dada às pessoas que já tentaram tirar a própria vida ou àqueles que são parentes de vítimas.
Mesmo com a ajuda, o Centro de Valorização da Vida não promete terapia a quem procura o serviço. “Não é um trabalho terapêutico. Nós somos pessoas da comunidade, cada um com a sua profissão”, explica Anildo, contador, especializado em controladoria. Ele divide seu tempo entre atividades profissionais e tarefas que possui no CVV. Apesar de reconhecida por lei como entidade de utilidade pública federal, o Centro de Valorização à Vida não recebe verbas do governo. Toda a renda que o centro arrecada para a sua manutenção é proveniente dos próprios voluntários, a partir da realização de “vaquinhas” e brechós que a entidade organiza. O coordenador entende que o Centro cumpre uma lacuna deixada pelo Estado, tanto no Brasil quanto no Rio Grande do Sul: “O estado, por mais que tente fazer, não encontra mecanismos para atender a demanda. A gente procura então suprir essa necessidade”, afirma.
Não diga que a canção está perdida
A especialista Rosa Maria Almeida salienta que os familiares que notarem mudanças de comportamento como o desejo de não sair de casa, isolamento, impulsividade, agressividade, vontade de chamar a atenção, falta de controle, níveis de depressão, perda de motivação e falta de convivência com amigos, devem ficar constantemente em alerta porque são indícios que podem levar ao ato de tirar a própria vida.
A Secretaria Estadual de Saúde do RS (SES-RS) reconhece que o suicídio é um grave problema de saúde pública. De acordo com a assistente social da SES –RS, Andreia Volkmer, o estado tem feito campanhas em duas frentes: de valorização da vida, sem citar o termo suicídio, e publicando um guia de bolso com informações para os profissionais da saúde. Conforme a assistente social, está nos planos do governo capacitar os profissionais da saúde no interior do estado. Entretanto, em função da contenção de despesas, as viagens estão suspensas.
O psiquiatra Ricardo Nogueira relembra que em 2007 o estado criou o Programa de Prevenção de Suicídio dentro de uma ação chamada PPV (Programa Prevenção Da Violência) envolvendo várias secretarias. Nas 10 cidades onde este tipo de morte era mais constante foram oferecidos programas de tratamento à depressão e orientação à população. Os números de suicídio se reduziram em 12% durante o programa. No entanto, de 2011 a 2014 não houve continuidade deste projeto: “Vimos que até 2010, das 20 cidades com maior índice suicida no Brasil, metade eram gaúchas, segundo dados do DATASUS. De 2011 para 2014, já são 13 cidades. É um aumento de 30%. Então vamos trabalhar nas cidades onde estão as maiores incidências”, afirma o psiquiatra.
Nogueira revelou que uma parceria conjunta envolvendo a Secretaria Estadual de Saúde, o Centro Estadual de Vigilância de Saúde, o Centro de Informações Toxicológicas, e o Hospital Mãe de Deus foi criada para lançar um novo projeto de prevenção ao suicídio em setembro. “No momento estamos na fase do geoprocessamento, um levantamento do número de suicídios ocorridos e de tentativas mal sucedidas. Houve no Rio Grande do Sul, 1500 tentativas de suicídios por intoxicação de medicamentos, de material de limpeza e de venenos, de acordo com o Centro de Informação Toxicológicas. Então estamos fazendo esse geoprocessamento de quais são os tipos de suicídios para combatermos.” A intenção, segundo o médico, é começar por Porto Alegre, por ter o maior número absoluto de mortes e ser a cidade mais populosa.
Mas os maiores percentuais de casos suicidas ocorrem na região nordeste do estado. O atual deputado Federal Osmar Terra integra o grupo que está organizando o novo programa. Ele era o secretário da saúde em 2007, quando foi criado o Programa de Prevenção ao Suicídio. Terra, que também é médico, afirma que para enfrentar o problema é preciso combater o uso de drogas e diagnosticar os transtornos mentais, acompanhando de perto os grupos de maior risco.
Para o deputado, uma solução seria o governo contratar psiquiatras nas regiões onde os índices são maiores, e identificar os grupos de risco, ou seja, aqueles que já tentaram o suicídio ou apresentam depressão grave. “Nós precisamos de uma política de diagnóstico. A pessoa que tem borderline (transtorno de personalidade), por exemplo, precisa ser acompanhada, ela é um suicida em potencial. Nós temos bons psiquiatras, bons profissionais, mas a população não tem acesso a estes especialistas”, explica Osmar Terra.
Um tabu para a imprensa
Apesar dos dados alarmantes de suicídio no Brasil e no Rio Grande do Sul, o assunto é pouco tratado pela imprensa com a justificativa de que a visibilidade do tema pode influenciar quem está predisposto.
O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros ainda não aborda a questão do suicídio diretamente. Conforme o documento, os profissionais da imprensa tem a responsabilidade de preservar o direito à privacidade, a imagem e à honra das fontes. Também é proibido divulgação de informações de caráter pessoal, mórbido e sensacionalista.
O jornalista Carlos Etchichury foi o autor de uma série de reportagens sobre suicídio no jornal Zero Hora, em 2008. Etchichury entende que ao não divulgar o problema, o jornalismo está se omitindo da sua função: “ao não publicar matérias sobre suicídio, o jornal deixa de abordar uma das três principais causas de morte violenta no Estado — um assunto de alto interesse social. E não abordando este assunto, o jornal não cobra do Estado (uma das atribuições da imprensa é fiscalizar o Estado) políticas públicas capazes de combater o suicídio”.
De acordo com o jornalista, que defende mais publicações sobre o assunto, há manuais da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Associação Brasileira de Psiquiatria que auxiliam os profissionais da comunicação na divulgação do suicídio. “Não sei se a publicação de reportagens teria, como consequência imediata, a redução das ocorrências. Mas os veículos poderiam, por exemplo, prestar um serviço público relevante para a população, orientando familiares e amigos de suicidas ou pessoas que tentaram se matar e cobrando políticas públicas do Estado.
Um pedido de ajuda: quando o apresentador vira ouvinte
Apresentador do programa “Pijama Show”, na Rádio Atlântida (Agora na Rádio Farroupilha), em Porto Alegre, Éverton Cunha é conhecido por Mr. Pi. Acostumado a atender ouvintes no ar durante a madrugada, o radialista foi pego de surpresa há quase 15 anos, quando recebeu a ligação vinda de um jovem de Chapecó/SC. O ouvinte não queria pedir música, muito menos comentar algum assunto do programa: ele havia ligado para anunciar que estava prestes a tirar a própria vida.
“Eu atendi e logo de cara ele disse que estava pensando em se matar. Eu fiquei surpreso muito mais pela ligação do que pela ideia. Eu já fui jovem, a maioria do meu público é jovem. Eu sei que muita gente pensa nisso e eu sei que, na madrugada, as pessoas ficam muito mais sensíveis, pensativas. Não tinha como julgar se aquilo era sério ou se era alguma brincadeira, então deixei ele falar”, conta o apresentador.
A ligação durou alguns minutos. Mr. Pi escutou o jovem falar dos problemas e tentou fazê-lo mudar de ideia. “Quando ele falou aquilo eu pensei exatamente o inverso: se ele está me propondo o fim, eu vou tentar propor um recomeço.” No final da conversa, Mr. Pi colocou no ar a canção de Raul Seixas, Tente Outra Vez.
Depois da conversa, o ouvinte manteve contato quase que diariamente com o apresentador, a seu pedido. O jovem catarinense contava como estava a sua vida e Mr. Pi, algumas vezes, lia as mensagens no ar. Meses depois, o rapaz afirmou que tinha desistido da ideia de suicídio. Mais tarde, encontrou o comunicador pessoalmente, em um evento em Chapecó, e lhe agradeceu.
O radialista não quer ser visto como “herói” na história. Ele ressalta que apenas tratou de escutar uma pessoa que estava com problemas: “Não acredito que eu tenha feito algo de extraordinário. Mas a gente nunca sabe, posso ter feito a diferença ou não. Ele precisava falar, eu apenas escutei. Essa história foi marcante, diversos ouvintes lembram até hoje. É um assunto delicado, eu acho que nós temos que ter muito cuidado quando tratamos de suicídio. Temos que fortalecer nas pessoas a ideia da vida”, diz Mr. Pi.
Redação: Caroline Garske, Douglas Demoliner, Guilherme Moscovitch, Laís Albuquerque, Luana Schranck, Maurício Trilha e Stéphany Franco.
Fotografias: Laís Albuquerque
Edição e supervisão: Luciana Kraemer.
*Texto produzido pelos alunos de Jornalismo da Unisinos/RS para a disciplina de Jornalismo Investigativo

sábado, 5 de março de 2016

Guerra ao Mosquito

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“Se queres a paz, prepara-te para a guerra!”.
Informações oriundas do Ministério da Defesa e publicadas em órgãos de imprensa asseguram que 200.000 militares brasileiros estão sendo empregados no mutirão de combate ao mosquito "aedes aegypti", uma verdadeira guerra segundo o próprio titular da Pasta. Para os que possuem um conhecimento do número de militares das Forças Armadas, esse efetivo anunciado é surpreendente.
Nesse emprego, válido em seu mérito, a quantidade de militares empenhados causa uma real preocupação. É sinal que nossas fronteiras e organizações militares estão desguarnecidas, nossos navios estão atracados ou à deriva e os nossos aviões sem tripulação para a condução de nossas autoridades para ouvirem suas bases.
As Forças Armadas, no período da Nova República, têm sido empregadas constantemente em "ações complementares", com o objetivo de dar apoio à população, não só em calamidades de toda ordem, mas também em ações de caráter social, a substituírem órgãos que não possuem a capacidade ou competência para conduzir com eficácia tais operações. O Exército, inclusive, adota o lema "Braço Forte - Mão Amiga", esta representando o apoio à população brasileira.
Nos governos petistas este emprego é de um crescimento constante, parecendo não medirem consequências. "Chamem o Exército" é um mote a ecoar nos corredores de Brasília e até mesmo no Palácio do Planalto. Talvez ele represente fielmente o que já foi dito por um de seus líderes: "É uma mão-de-obra barata, nada questiona e nem entra em greve". Sem dúvida uma visão de sindicalistas.
Essa “guerra ao mosquito" representa também uma tentativa do governo central de atingir um grau mínimo de credibilidade. Efetivos expressivos das Forças Armadas — instituição de maior credibilidade no país —, o noticiário intenso da mídia televisiva e a presença de autoridades do primeiro escalão governamental nas grandes capitais são fatos que assinalam uma jogada de marketing na busca da sonhada credibilidade.
Para renomados infectologistas e pesquisadores do vírus não será o empenho dos militares que irá atenuar a gravidade da epidemia. Asseguram não só que a “guerra ao mosquito" poderá desmoralizar as Forças Armadas, bem como que os elevados recursos empenhados seriam melhor aplicados em pesquisas ou no aparelhamento de hospitais e postos médicos.
É preciso deixar claro que essa ação deve ser temporária, sob pena de as Forças se tornarem uma "ZICABRÁS", uma estatal com garantia de ineficiência, como as demais. É uma ação meritória, porém não poderá ser de longa duração, pois ela e outras “ações complementares” já influenciam as missões constitucionais das Forças Armadas.
Essa influência, claramente negativa, apresenta dois efeitos. O primeiro se faz sentir em especial na Força Terrestre, por sinal, a que sempre emprega maiores efetivos, em sua grande maioria, oriundos do Serviço Militar Obrigatório, com duração de nove a doze meses. O segundo dificulta nesse período anual, juntamente com as “ações complementares”, a realização de adestramentos coletivos, estes sim a principal componente da formação militar e que realmente proporciona à tropa o grau de operacionalidade desejado. Atualmente se observa uma ênfase em instruções individuais especializadas.
Esta operacionalidade não visa somente o campo externo — Defesa da Pátria — mas também o campo interno que, gradativamente, vai se tornando um campo prioritário, como prescreve o artigo 142 da Constituição, como garantidora dos poderes constitucionais da lei e da ordem. É sempre um questionamento se as Forças Armadas estão preparadas para tais missões.
Nestes tempos de crises políticas, econômicas e sociais, bem como de desgovernos e escuridões, este questionamento ganha vulto no campo interno.
Movimentos sociais, sindicatos, organizações estudantis e não governamentais, militância e até partidos políticos, com destaque para setores radicais do Partido Comunista do Brasil, que tem como uma das proeminências o atual Ministro da Defesa, pregam abertamente a tomada do poder pela força, caso necessária. Nas badernas que conduzem invadem propriedades, quebram, destroem, bloqueiam vias e estradas, agridem e matam. Não se nota qualquer medida de maior expressão para coibir estes vandalismos. Seus líderes tem livre trânsito nas altas esferas governamentais.
E esses vandalismos poderão se agravar caso o ex-presidente Lula sofra qualquer pena judicial, em razão de denúncias que o apontam como tendo recebido benefícios de empreiteiras, conforme processos que já correm no Judiciário. Segundo seus seguidores, os processos são um golpe político-eleitoral e se pretenderem prender o ex-presidente, "haverá reação e vão tocar fogo no país". O seu próprio filho repetiu essas ameaças, alertando que "não se tem ideia da reação que será desencadeada". E, o pior, eles realmente podem iniciar conflitos e manifestações que poderão incendiar o país. Já fizeram no passado e recentemente nas manifestações que antecederam a Copa do Mundo. Estão preparados e estruturados para tal fim, como consta de seus blogs: "Precisarão pôr tanques na rua (de novo) para concretizar esse golpe eleitoral, mas serão fragorosamente derrotados".
Uma afirmativa inconsequente que, se concretizada, poderá agravar o estado de pré-caos em que vive a nação e que levará o povo brasileiro a um conflito interno indesejável e de proporções muito maiores dos que já foram vividos no passado. Uma grave instabilidade institucional que obrigará o emprego das Forças Armadas de acordo com a Constituição. Para isto elas deverão estar prontas, devidamente adestradas em alerta para esses momentos críticos. É tempo de relembrar com ênfase Publius Vegetius: “Si vis pacem, parabellum!”.
​ ​Gen Ex Rômulo Bini Pereira 
​ ​Ex-Chefe/Estado-Maior da Defesa
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quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Quadrilha de Sírio “Nacionalizava” Imigrantes no Brasil

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A Polícia Civil do Rio de Janeiro desmantelou uma quadrilha liderada por Ali Kamel Issmael, sírio de 71 anos, que “nacionalizou” 72 compatriotas que fugiram da guerra naquele país para o Brasil entre 2012 e 2014. Desde 2011, o Brasil já acolheu 2.097 sírios graças a duas resoluções do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), vinculado ao ministério da Justiça.
Issmael contou com a cumplicidade de funcionários de registro para alterar documentos e transformar 72 sírios em brasileiros, com direito a carteira de identidade, passaporte e título de eleitor. Ele conseguiu que os registros de nascimento de 1960 e 1970 fossem arrancados dos respectivos livros e substituídos por novas folhas onde os sírios apareciam com brasileiros natos.
A maioria dos sírios que chega ao país não fala português, não encontra trabalho e usa o país como ponte para chegar à Europa. Entre eles, têm ingressado também nacionais de outros países como Afeganistão, Paquistão, Sérvia e Senegal. A Polícia Civil do Rio de Janeiro trabalhou oito meses nas investigações e suspeita que grande parte dos “nacionalizados” já tenha partido do Brasil. Do total de 72 sírios, apenas 39 ainda estaria no país e outros 17 teriam tentado ingressar nos Estados Unidos, mas foram apanhados com documentação falsificada.
Os policiais do Rio trabalham com cooperação com a Interpol para identificar o paradeiro dos sírios “nacionalizados”. Para os agentes, o caso evidencia a vulnerabilidade do sistema brasileiro uma vez que não há qualquer filtro para o acolhimento de refugiados sírios.
A Polícia Civil carioca não tem dúvidas que a Segurança Nacional está em jogo e que as investigações também aumentam as preocupações com a segurança dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro que começam em 5 de agosto de 2016.
Os passaportes emitidos em nome dos “sírios-brasileiros” deverão ser anulados, segundo a Polícia Civil. Issmael e os cúmplices brasileiros responderão por falsificação de documento público e a esposa do líder da quadrilha, Basema Alasmar foi detida. Ela figurava na lista de “nacionalizados”.
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Análise da Notícia
por Marcelo Rech
Em 27 de maio deste ano, em audiência pública da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, alertei para o risco de o Brasil acolher refugiados e imigrantes sem que houvesse qualquer filtro por parte dos agentes de segurança e inteligência. Mostrei dados revelando que o Estado Islâmico estava aproveitando as ondas migratórias para a Europa, para infiltrar extremistas naquele território com o objetivo de recrutar simpatizantes e combatentes e promover atentados terroristas.
Mesmo sem uma política nacional para os refugiados, o Brasil decidiu escancarar com todas as normas permitindo que ingressassem no país todos aqueles que quisessem. A maioria dos sírios acolhidos, vítimas da guerra, vive como sem teto em São Paulo ou trabalha como camelô no Rio de Janeiro. O Brasil vendeu uma coisa e entregou outra. Aqueles que estavam vulneráveis num país em guerra, agora estão vulneráveis num país onde a retórica é mais importante que as ações objetivas.
Naquela oportunidade, em maio, também destaquei que o passaporte brasileiro é um dos mais cobiçados no submundo do crime. Custa em média US$ 3 mil. E por uma razão simples: qualquer nome é aceito como brasileiro em qualquer parte do mundo. O caso do Rio de Janeiro confirma isso. Cabe-nos perguntar agora: Quantos destes sírios “nacionalizados” ingressaram no Brasil com segundas intenções? Quantos deles obtiveram o passaporte justamente para entrar em outros países sem levantarem suspeitas? Qual a responsabilidade do Brasil caso algum atentado seja cometido por um “sírio-brasileiro”?
Tratar os imigrantes e refugiados como pobres coitados também não resolve. Estimular a xenofobia não é solução, é retrocesso. Mas, as pessoas querem e devem ser tratadas com dignidade e isso não isenta o Estado de levantar as informações necessárias para acolher em seu território, as vítimas dos conflitos e das guerras, fechando as portas para extremistas, radicais, criminosos e bandidos.
A própria proteção dos refugiados, civis inocentes, cobra uma ação contundente do governo em relação àqueles que se beneficiam das facilidades criadas por questões humanitárias para ingressar no país com outros objetivos. Assim como a maioria dos haitianos, vítimas das máfias do tráfico de pessoas, os sírios acabam sendo vítimas duas vezes. O desmantelamento de quadrilhas como esta no Rio de Janeiro, pode gerar tensões e problemas desnecessários àqueles que buscam apenas recomeçar suas vidas. Daí a importância do rigor. Além de neutralizar as ações criminosas, fortalece o recomeço para quem só quer um pouco de paz.
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Política 
Por outro lado, não podemos nos esquecer dos interesses políticos por trás de cada ação. Por exemplo, muitos estão recebendo uma carteira de trabalho e estão sendo incluídos nos programas sociais do governo, o que é aceitável. O que não é compreensível é que tenham direito a título de eleitor. No caso da quadrilha desbaratada no Rio de Janeiro, trata-se de um crime, mas há casos em que refugiados e imigrantes têm recebido o documento sem problemas.
Em 2007, o Partido dos Trabalhadores (PT) firmou um acordo de cooperação com o Partido Baath Árabe Socialista da Síria. O documento foi firmado pelo atual ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, a quem a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) está subordinada.
Há época, o PT divulgou um comunicado explicando que os objetivos (do acordo) são “estreitar os laços de amizade” e “melhor servir aos interesses comuns dos dois países e povos”. Como em política nada é por acaso, não custa investigar se há ou não algum elo entre a “nacionalização” de sírios e a necessidade do governo de engrossar suas fileiras militantes, principalmente para um governo com 70% de rejeição popular.
Fonte:  InfoRel
COMENTO: não são novidades as dúvidas a respeito das motivações que movem as facilitações para a migração ao Brasil. O assunto já foi tratado diversas vezes, das quais destacamos aqui e aqui. As denúncias de que imigrantes haitianos e africanos estariam sendo usados como "massa de manobra", engrossando fileiras em manifestações pró interesses governamentais, também não são poucas. Daí a aceitar "teorias de conspiração" a respeito de uso político dos imigrantes não é um passo muito longo. Pelo sim, pelo não, é conveniente seguir o ensinamento bíblico que nos aconselha a atentar menos para o que é visto facilmente e mais para o que não se vê.
 a.

sábado, 12 de setembro de 2015

Um Super Segredo - Parte I

por Alex Montenegro
Uma busca no Google retorna com alguns artigos em blogs, citando dois livros de sumo interesse para quem queira entender como o mundo virou de cabeça pra baixo em tão pouco tempo: Instituto Tavistock, de Daniel Estulin e Instituto Tavistock de Relações Humanas, do Dr. John Coleman. A teia de aranha mental que nos imobiliza é um dos assuntos mais bem guardados pelos governantes.
A mentira e a hipocrisia que caracterizam os governos revolucionários postados na América Latina, são explicados pela aplicação das técnicas de engenharia social e lavagem cerebral. Técnicas científicas intensamente utilizadas no Brasil. Um dos procedimentos secretos dos governantes, desde FHC, Luiz Inácio, até a atual mulher sapiens, que ordenam classificar, esconder, proibir o acesso aos assuntos mais sujos por 30, 40 e 50 anos.
Depois da I Guerra Mundial, o exército britânico financiou o Instituto de Psicologia Clínica, sob a direção do Major John Rawlings Rees, como organização privada, sem fins lucrativos, para investigar os traumas dos soldados e controlar o estresse nas zonas de combate. Ali trabalhou a antropóloga Margaret Mead e personalidades como Aldous Huxley e Edward Bernays, sobrinho de Freud.
O laboratório secreto de Rees ganhou estrutura institucional para a pesquisa científica em todos os campos do conhecimento. Rees e todo o grupo, foram para os Estados Unidos, onde a família Rockefeller os financiou para aplicar as técnicas da lavagem cerebral à sociedade norte americana, compartilhando a metodologia com empresas e universidades. Com especial atuação nos organismos governamentais e empresas de grande porte, como a Rand Corporation.
A partir de 1920, Bernays lançou seu livro "Relações Públicas" empregando técnicas psicanalíticas para incrementar o consumo na sociedade industrial do pós guerra e outros escritos como o artigo "Cristalizando a Opinião Pública", 1923, para difundir as nascentes ciências sociais.
Para Bernays as pessoas são irracionais e se comportam como boiadas; suas opiniões e ações podem ser facilmente manipuladas. As lições foram publicadas em 1928: "Propaganda", um livro que até hoje não teve tradução ou edição no Brasil, sendo objeto de parcas referências acadêmicas. A metodologia de controle ou "engenharia social" foi desenvolvida nos centros de pensamento envolvendo diversos campos do conhecimento.
Em 1940, o Major Rees, Diretor do Instituto Tavistock proclamava num discurso para seu pessoal: "Para que melhores ideias sobre saúde mental progridam e se disseminem, nós, como vendedores, precisamos perder nossa identidade ... Portanto, sejamos todos nós, de forma muito secreta, 'quintas colunas'.  (...) A vida pública, a política e a indústria devem todas ficar dentro de nossa esfera de influência.  ... Se queremos infiltrar as atividades profissionais e sociais das outras pessoas, acho que precisamos imitar os totalitários..."
Em 1955 Bernays publicou "A Engenharia do Consentimento", livro que se tornou o manual do Instituto Tavistock, detalhando como fazer uma campanha de propaganda, para derrubar qualquer governo não alinhado com a ideia do governo global.
Em 1947, com financiamento da Fundação Rockfeller, o Tavistock tornou-se agência global, infiltrando-se em universidades e centros de estudo nos Estados Unidos e no mundo. O controle mental das populações incluía hipnose, psicoterapia, drogas farmacológicas lícitas e drogas ilícitas. Para isto contribuíram gigantes da indústria farmacêutica, como os laboratórios Sandoz e Eli Lily.
Também eram analisados os efeitos do rádio, música, revistas, jornais e expressões de arte popular sobre a população. Em 1935, a Alemanha, inaugurou a emissão de TV em alta definição, em 22 locais públicos. O veículo aprimorado nos EUA e Japão seria o difusor essencial da metodologia Tavistock de lavagem cerebral e controle mental. Em 1959, o sênior Tavistock Fred Emery escreveu: "Os efeitos psicológicos de assistir televisão são de interesse considerável para qualquer engenheiro social."
Na década de 60 Huxley estava na Califórnia, onde desenvolvia uma experiência com drogas numa clínica para doentes mentais, monitorado pela CIA, que encomendou aos laboratórios Sandoz, uma grande partida de LSD. Logo a droga estava em todas as universidades norte americanas e foi fartamente distribuída durante o festival de música de Woodstock, onde predominavam as idéias de Herbert Marcuse, autor de "Eros e Civilização" (faça amor não faça a guerra).
As técnicas Tavistock objetivam a redução da unidade familiar, valores, religião, honra, patriotismo e disseminação da libertinagem sexual, tudo quanto quebre a disciplina psicológica e torne o indivíduo conformado e a multidão controlada diante dos ditadores da Nova Ordem Mundial.
Como agora vemos acontecer no Brasil, o ataque aos pequenos proprietários rurais, faz parte da agenda Tavistock para amparar a nova ordem mundial. Kenneth Warnimont, idealizou as técnicas de controle da agricultura no México e na América Latina, amparando os interesses da "revolução verde", idealizada por Henry Kissinger no interesse da família Rockefeller. 
Os pequenos produtores, como aconteceu na Rússia soviética, tornaram-se uma ameaça, porque seu trabalho produtivo pode gerar capital independente, ameaçando o controle do estado totalitário sobre a economia. Logo devem ser eliminados da cena, dando lugar à agricultura extensiva, sementes transgênicas e agrotóxicos patenteados pelas empresas Rockefeller.
Fonte:  ViVerde Novo
COMENTO:   logo que possível, publicarei a segunda parte desse texto.
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terça-feira, 8 de setembro de 2015

Países Muçulmanos Recusam Refugiados Sírios - Alegam Risco de Terrorismo

Cinco dos mais ricos países muçulmanos não aceitaram nenhum refugiado sírio, argumentando que isso iria expô-los ao risco de terrorismo. Embora os países ricos em petróleo tenham contribuído com dinheiro, a Grã-Bretanha doou mais que Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Qatar juntos.
Entre 10 e 12 milhões de sírios foram desalojados pela violenta e sangrenta guerra civil em seu país. A maioria deles ainda permanece dentro das fronteiras da Síria, mas cerca de quatro milhões conseguiram fugir ultrapassando as fronteiras para os países vizinhos, principalmente a Turquia, a Jordânia, e o Líbano, além de outros.
Líbano, que tem 1,1 milhões de refugiados sírios, fechou suas fronteiras para eles, em junho do ano passado. Jordânia, hospedeiro de outros 630.000, seguiu o exemplo em agosto do ano passado, impedindo mais sírios de abandonar seu país.
No início de agosto de 2015, os Estados europeus tinham recebido cerca de 350 mil pedidos de asilo de sírios, quase um terço dos quais dirigidos para a Alemanha. Outros 65.000 preferiram a Suécia e 50.000 a Sérvia. Hungria e Áustria receberam perto de 19.000 solicitações cada, e esse número tende a aumentar, enquanto o Reino Unido está estudando 7.030 solicitações, de acordo com a Agência de Refugiados das Nações Unidas (UNHCR).
No entanto, em meio a gritos para que a Europa se empenhe mais, verifica-se que nenhum dos cinco países mais ricos da península Arábica, que são Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait e Bahrein, receberam sequer um único refugiado da Síria. Em vez disso, eles argumentam que aceitar um grande número de sírios é uma ameaça para a sua segurança, pois terroristas poderiam infiltrar-se escondidos no afluxo de pessoas. Sherif Elsayid-Ali, chefe da Anistia Internacional dos Refugiados e dos Direitos dos migrantes, criticou essa omissão como "vergonhosa".
Ele disse: "Os registros dos países do Golfo são absolutamente terríveis em termos de realmente mostrar compaixão e partilhar a responsabilidade desta crise ... É uma desgraça." Nenhum dos Estados do Golfo assinou a Convenção de Refugiados de 1951, que define juridicamente um refugiado como "Uma pessoa que devido a um receio fundado de ser perseguida por motivos de raça, religião, nacionalidade, pertença a um determinado grupo social ou opinião política, se encontre fora do país de sua nacionalidade". No entanto, eles receberam refugiados no passado.
Vinte e cinco anos atrás, foi dado refúgio a centenas de milhares de kuwaitianos que fugiam da invasão de Saddam Hussein. Segundo o especialista árabe Sultan al-Sooud Qassemi: "em Abu Dhabi, o governo alugou prédios inteiros de apartamentos e deu-lhes gratuitamente para as famílias."
"Raios, abram a porta para os refugiados da , vagabundos insensíveis"
Países Árabes Ricos para a União Europeia
Por outro lado, esses cinco países citados, que estão na lista das 50 nações mais ricas em termos de PIB, optaram por doar ajuda aos afetados pela crise. De acordo com o Daily Mail, os Emirados Árabes Unidos tem financiado um campo de refugiados na Jordânia dando abrigo para dezenas de milhares de sírios, enquanto a Arábia Saudita e Qatar doaram fundos, comida, abrigo e roupas para sírios no Líbano, Turquia e Jordânia.
O total de doações dos Estados do Golfo são calculados em um total de £589.000.000, menos de um quarto do que a América doou, £2,8 bilhões, e uma fração dos £65 bilhões que eles gastaram em defesa só em 2012. O Reino Unido entregou £ 920 milhões até agora, mas o primeiro-ministro ontem prometeu aumentar esse número para £ 1 bilhão. Ele também prometeu receber alguns milhares de refugiados.
Al-Qassemi argumentou que a atual situação dos países do Golfo perante o mundo lhes confere a obrigação moral de intervir de forma atuante. “Os Estados do Golfo emergiram como centro nervoso da diplomacia, cultura, produção de mídia, comercio e turismo árabes, acumulando um um grau sem precedentes de poder diplomático, incomparável na região e entorno", disse ele.
Eles também formam "o bloco mais influente dentro da Liga Árabe nos últimos 70 anos."
"Mas, com grande poder vem grandes responsabilidades. O Golfo deve perceber que agora é a hora de mudar a sua política em matéria de acolhimento dos refugiados da crise na Síria. É o passo moral, ético e responsável a tomar."
Fonte:  tradução livre de Breitbart
COMENTO:  a página "O Filtro" do Facebook, publicou uma imagem, chocante referindo-se a Justiça na Síria, e eu a reproduzo ao lado porque ela retrata, também a situação de todo o povo sírio, que sofre violência proveniente de diversas fontes (o financiamento do Estado Islâmico ainda é algo a ser minuciosamente esclarecido).
Quanto aos países muçulmanos deixarem de receber seus irmãos sírios, ou a falta de interesse destes refugiados em permanecer sob regimes islâmicos, é uma questão cultural a ser estudada com cuidado. 
O argumento do temor do terrorismo imposto pelos criminosos do Estado Islâmico não pode ser desprezado, mas ... porque ele só pode ser alegado pelos países ricos do Golfo? E até que ponto, para um cidadão da região, é preferível continuar sob o regime das leis de Maomé ou optar pelas tentações ocidentais? Como destacou Robert Spencer da página Jihad Watch"ai de ti, se alegares as mesmas preocupações em relação à Europa. Se fizeres isso, tu és um racista 'Islamofobo' e Intolerante!"
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