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quarta-feira, 22 de abril de 2015

O Exército, Desde Caxias, É de Caxias!

por Ivan Fontelles
O Coronel Moézia relatou:
“Lembro-me perfeitamente, que no já distante ano de 1957, quando ingressei no Exército, na Escola Preparatória de Cadetes de São Paulo, era comum ouvir os Tenentes instrutores quando queriam nos incentivar, nos estimular, nos encorajar diante de uma situação ou um obstáculo de difícil transposição usar os seguintes argumentos:” 
Vamos aluno, vamos em frente, o EB precisa de homens agressivos, corajosos, destemidos, obstinados, com vergonha na cara, nas suas fileiras, não de merdas! Vocês estão chegando aqui para nos envergonhar? Este Exército é de Caxias ou vocês pensam que ele é de Carmem Miranda?
Pois bem, vi recentemente um vídeo no Facebook em que o Ministro da Defesa em companhia dos três Comandantes das FFAA concedia uma entrevista a imprensa. Num dado momento uma repórter fez uma pergunta abordando declarações do lula, do stédile e suas implicações com a Segurança Nacional. Como a resposta não satisfez, a repórter insistiu na pergunta e o Ministro respondeu de maneira ofensiva e mal educada, atingindo diretamente os Comandantes militares presentes e abandonou intempestivamente a entrevista, deixando para trás os três militares.
Fiquei pasmo com o que vi. O safado não teve a menor consideração, a menor cerimônia em fazer aquela desfeita. Os Comandantes ficaram com a cara de bunda, engoliram o insulto, enfiaram a viola no saco e foram embora.

O Coronel Moézia relatou: “Lembrei-me de imediato de uma passagem no Rio Grande do Sul quando servi no antigo III Exército, no Rio Grande do Sul, comandado pelo Gen Edson Boscacci Guedes, cognominado “O último caudilho”, Cavalariano da melhor estirpe, de linha duríssima.
Fomos convidados para uma cerimônia na Assembleia Legislativa gaúcha onde o Exército seria homenageado. Num dado momento um Deputado discursando e fazendo referencias à Revolução de 1964 disse algo que o General não gostou por considerar suas afirmações mentirosas e ofensivas. Levantou-se interrompendo a alocução do Deputado aos gritos, mandou que o Deputado calasse a sua boca e disse que pensou que nós iríamos ser homenageados e não ser ofendidos e ordenou a todos nós que abandonássemos o recinto e assim o fizemos. Alguns de nós conseguimos dar um jeito de chegar perto do Deputado e demos-lhe uns solavancos uns pisões, uns chega para lá, nada que ele não pudesse aguentar. 
Puxa, que alegria, que vibração a gente ver naquele General, aquele nosso Comandante, confirmar com todas as letras as palavras daquele Tenente que sessenta anos atrás havia proferido:
“Vamos seus merdas! Este Exército ainda é de Caxias e não de Carmem Miranda!”
Depois de assistir vídeos como esse citado, é que devemos afirmar a eles, conscientemente!!!!
 Comandantes: O nosso Exército é de Caxias! Jamais os apátridas o mudarão! O nosso Exército nunca estará à serviço do comunismo ateu representado por bandeira de cor vermelha que significa o Sangue e o Suor da Gente Brasileira que eles, os apátridas, querem ver jorrar para a garantia da natureza corrupta do PT que deseja perpetuar-se no poder, caso o usurpasse desavergonhadamente.
Vida longa à minha PÁTRIA querida VERDE E AMARELA, SOB A ÉGIDE ORDEM E PROGRESSO!
Coronel Ivan Fontelles
Recebido por Correio Eletrônico
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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Para Quando a Canonização?

por Janer Cristaldo
A igreja de Roma elegeu seus doutores por sua sapiência, crença em Deus e piedade. Com os tempos, jogou suas doutrinas ao lixo. É o caso do aborto. Admitido por São Tomás e Santo Agostinho, é punido com excomunhão pela Santa Madre.
Mas não só o aborto. Para Agostinho, inversamente, o suícidio é um crime. A vida é um dom sagrado de Deus e só ele dela pode dispor. Sua doutrina, em A Cidade de Deus, é enfática:
Nós dizemos, declaramos e confirmamos de qualquer forma que ninguém tem o direito de espontaneamente se entregar à morte sob pretexto de escapar aos tormentos passageiros, sob pena de mergulhar nos tormentos eternos; ninguém tem o direito de se matar pelo pecado de outrem; isso seria cometer um pecado mais grave, porque a falta de um outro não seria aliviada; ninguém tem o direito de se matar por faltas passadas, porque são sobretudo os que pecaram que mais necessidade têm da vida para nela fazerem a sua penitência e curar-se; ninguém tem o direito de se matar na esperança de uma vida melhor imaginada depois da morte, porque os que se mostram culpados da sua própria morte não terão acesso a essa vida melhor”. 
Deste crime, não eximiu sequer a casta Lucrécia, da antiga Roma. Violentada pelo filho de Tarquínio, revelou o fato a seu marido e a um parente, exigindo deles vingança. Mesmo assim, decidiu matar-se. O bispo de Hipona não perdoa. Na mesma obra, afirma que a casta Lucrécia foi assassinada:
Que castigo vossa severa justiça reserva então para o assassino? Mas esse assassino é Lucrécia, essa tão enaltecida Lucrécia; foi ela que derramou o sangue inocente da virtuosa e casta Lucrécia”.
São Tomás não deixa por menos. O cristianismo condena o suicídio como violação ao quinto mandamento, não matarás. Para o aquinata, três são as justificativas para condenar o suicídio:
O suicídio é contrário à inclinação natural da pessoa de amar a si mesma; é um atentado à comunidade à qual a pessoa pertence e, seguindo Agostinho: a vida é um bem dado ao homem por Deus e quem a tira viola o direito divino de determinar sua duração na Terra.
Na Bíblia, onde encontramos seis suicidas – Abimeleque, Saul, Samuel, o escudeiro de Saul, Aitofel, Zinri e Judas – o suicídio é visto como assassinato. Há quem considere o gesto de Sansão como suicida, mas vá lá: seu objetivo era matar os filisteus e não a si mesmo. Só a Deus cabe decidir quando e como uma pessoa deva morrer. Agostinho admite não só a decisão de Sansão, como a de Santa Pelágia, que se matou para defender sua virgindade. Estes se distinguem da morte de Judas, considerada como uma morte ruim, a morte da traição, constituindo crime e pecado.
A Igreja Católica sempre negou assistência religiosa aos suicidas, como missa e enterro. Mas pra teólogos modernosos, a Igreja não lhes atribui a condenação eterna.Somente Deus sabe o que se dá no foro interno da alma, quais as suas últimas disposições depois de desferir o golpe mortal; um suicida que se tenha sinceramente arrependido, embora não haja podido manifestar-se como tal, recebe de Deus o pleno perdão”.
Como não se sabe o que se passa na cabeça de um homem que se joga de um penhasco ou edifício no momento da queda, fica o dito pelo não dito. Seja como for, o suicídio sempre foi condenado pela Bíblia, pela Igreja e por seus doutores. Exceto, nestes dias que correm, quando o santo é de esquerda.
Manchete de hoje (8/8/14) no Estadão:
O mártir da ditadura é Frei Tito de Alencar Lima, preso por ligações com a Ação Libertadora Nacional (ALN), da qual participaram Marighella, Dilma Roussef... e Aloyso Nunes, vice de Aécio Neves. Estes dois últimos tiveram melhor sorte. Preso e torturado no Brasil em 69 e 70, Frei Tito foi deportado para o Chile em janeiro de 71 e de lá fugiu para Roma, onde não encontrou apoio da Igreja Católica. Foi então para Paris e acabou se suicidando em Évreux, onde residia no convento Sainte-Marie de la Tourrete, em 10 de agosto de 1974.
Enterrado no cemitério do convento, seu corpo foi trasladado em 83 para Fortaleza. Antes passou por São Paulo, onde foi realizada uma celebração litúrgica de corpo presente em sua memória. O oficiante foi Dom Paulo Evaristo Arns, aquele cardeal que escrevia ternas missivas ao ditador Fidel Castro. A missa foi celebrada em trajes vermelhos, usados em celebrações dos mártires. Afinal, embora seja comum o número de estudantes suicidas nas capitais européias (inclusive eu tive um amigo que se enforcou em Berlim), considerou-se óbvio que a culpa da morte de frei Tito era da ditadura militar.
Os amigos e parentes de Frei Tito de Alencar Lima lembram, neste fim de semana, em São Paulo, os 40 anos de seu martírio, com missa, palestras e testemunhos de historiadores e teólogos que conviveram com ele no período da ditadura. A missa será celebrada, às 19 horas de sexta-feira, por d. Angélico Sândalo Bernardino, bispo emérito de Blumenau (SC), na Igreja de São Domingos, na rua Caiubi, 164, anexa ao Convento das Perdizes, onde Frei Tito e outros frades foram presos, em 1969, na véspera da morte de Carlos Marighella. 
No sábado, a programação começará às 9h30, no Colégio Rainha da Paz, na rua Dona Elisa de Moraes Mendes, 39, Alto de Pinheiros. O professor de literatura Alfredo Bosi, da Universidade de São Paulo (USP), falará na abertura sobre a importância de se recordar Frei Tito hoje. Em seguida, o economista João Pedro Stédile, da direção do MST e da Via Campesina, dividirá com o padre e teólogo José Oscar Beozzo o tema Sentido Histórico da Ditadura civil-militar no Brasil e o papel da Igreja na Resistência Armada. 
Santo de esquerda pode suicidar-se à vontade, sempre terá as homenagens das esquerdas católicas, com participação especial de um invasor de terras. Diz-me quem por ti chora e dir-te-ei quem és. 
O Brasil precisa de santos. Para quando a canonização?
Fonte:  Janer Cristaldo
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quinta-feira, 8 de agosto de 2013

O País Sem o MST

por Xico Graziano *
Noutro dia, em seminário do PT na Bahia, Lula alisava seu ego político quando lançou um enigma: "Eu fico pensando o que seria o Brasil se não fosse o MST". A resposta me brotou fácil: haveria mais prosperidade e paz no campo. Explico o porquê.
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) originou-se em 1979, motivado pela luta agrária dos colonos gaúchos nos municípios de Ronda Alta e Sarandi. O regime militar, que comandava o País na época, tentou desmantelar, pelas mãos do famigerado coronel Curió, aquela inquietação camponesa. Ao contrário, porém, sustentado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) e apoiado por líderes da oposição democrática, o episódio prosperou, agigantando-se o acampamento de sem-terra.
Cinco anos depois, 8 mil pessoas invadiram a Fazenda Annoni, demonstrando uma ousadia que, de pronto, ganhou a simpatia da opinião pública. O sucesso da empreitada guindou a nova organização à liderança da ação "antilatifundiária" no campo. Seu antípoda, criado no debate da Constituinte, era a União Democrática Ruralista (UDR). Seu rival "interno", de quem procurou sempre se diferenciar, era a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), considerada "pelega" pela esquerda de então. A sociedade em mudança adotou o MST.
Assim, no estrebuchar da ditadura, renascia no País a tese da reforma agrária. Agora, porém, a causa vinha despida de sua lógica econômica, conforme fora idealizada nos anos 1960, para se carregar de conteúdo social. Com a bênção da Teologia da Libertação, um pedaço de terra redimiria os excluídos do campo. Nascia uma utopia agrária.
Ruíra em 1989 o Muro de Berlim. Por aqui, findos os anos de chumbo, avançava a redemocratização. Simultaneamente, avançava a modernização capitalista da agricultura, modificando a dinâmica do agro; antigos latifúndios viravam empresas rurais. Mais à frente, o Plano Real retirou da terra ociosa seu ganho especulativo, empurrando-a para a produção. Começava o império da tecnologia na agropecuária brasileira.
Nesse caminhar da História, a bandeira revolucionária do MST começou a perder seu brilho. Foi então que a organização decidiu, em 1995, mudar sua estratégia, partindo para o confronto direto com os fazendeiros do País: invadiu a Fazenda Aliança, situada em Pedra Preta (MT). Pertencente a um conceituado líder ruralista, a propriedade mantinha excelente rebanho, elevado rendimento, 29 casas de alvenaria, 160 quilômetros de cercas, 21 empregados registrados, reserva florestal intacta. Um brinco produtivo.
Acabou nesse momento o MST "do bem". Inaugurando a fase ulterior da crise agrária, as invasões de propriedades tomaram conta do Brasil, avançando especialmente contra as pastagens de gado. Incontáveis "movimentos" surgiram alhures, arrebentando cercas, roubando gado, fazendo "justiça" com as próprias mãos. Verdadeiras quadrilhas disfarçaram-se de pobres coitados e saquearam regiões, como no sul do Pará. Banditismo rural.
O MST militarizou-se. Seus quadros passaram a fazer treinamento centralizado, o comando definiu regras de comportamento e seleção. Centros passaram a oferecer cursos de capacitação, baseados na cartilha básica intitulada Como Organizar a Massa. Doutrinação pura. Nascido como "movimento social", o MST transformou-se em rígida organização, adentrando a cidade. Recrutando miseráveis urbanos, montou uma "fábrica de sem-terra" no País. Nunca mais a reforma agrária encontrou seu eixo.
Como teria sido a reforma agrária sem o terrorismo das invasões de terras?
Primeiro, seria certamente um programa mais bem planejado, articulado, e não um remendo açodado para resolver conflitos. Não trombaria com a agronomia nem com a ecologia, projetando assentamentos tecnicamente viáveis. Não faria da reforma agrária um foco de devastação ambiental, conforme se verifica em toda a Amazônia. Não confundiria remanescentes florestais com terra inculta, promovendo uma infeliz união da miséria com a depredação ecológica, como, entre tantos exemplos, provam a Fazenda Zabelê, no litoral de Touros (RN), ou a Fazenda Araupel, em Rio Bonito do Iguaçu (PR).
Segundo, os beneficiários da reforma teriam aptidão reconhecida para a lide rural, jovens habilitados, filhos de agricultores familiares, jamais viriam dos excluídos da cidade. O vestibular da terra seria a capacitação, nunca a invasão. Os assentamentos rurais estariam baseados na produção tecnológica, integrada ao circuito de mercado, nunca firmada na roça de subsistência, isolada. Os novos produtores se emancipariam, seriam titulados, e não, como ocorre hoje, se tornariam subservientes ao poder.
Terceiro, e em decorrência dos anteriores, a reforma agrária seria menor em tamanho, porém muito maior em qualidade. Geraria produção e renda. Daria à sociedade retorno do investimento público. Hoje, acreditem, nem se avalia o custo-benefício dos assentamentos. Nunca se mediu sequer a produção agropecuária advinda das áreas reformadas no Brasil, que atingem 90 milhões de hectares, envolvendo 1,2 milhão de assentados. Ninguém sabe quanto nem o que produzem.
Conclusão: o distributivismo agrário resultou na mais onerosa e fracassada política social da História brasileira. Para se ter uma ideia, o custo médio de cada assentado beira os R$ 100 mil, valor que manteria uma família durante 13 anos recebendo um salário mínimo mensal. Com uma agravante: pelas mãos raivosas dos invasores de terra se criou no País um foco contínuo de encrenca, antipatias, inimizades. Cizânia agrária.
O que seria do Brasil se não fosse o MST? Respondo ao Lula, tranquilamente: mais produtivo e fraterno no campo.
Fonte:  Estadão
COMENTO:  alias, reproduzo o comentário do amigo que indicou o texto acima.
Esqueceu de mencionar a "mãozinha" dada por Pedro Simon (PMDB) para o crescimento e afirmação do MST, quando governador do RGS.
Lembro de um certo dia quando ouvi no programa matinal da Rogério Mendelski (hoje na Guaíba) na Rádio Gaúcha. Na ocasião ele entrevistava o então Cmt Geral da Brigada Militar, Cel Maciel.
O Cmt Geral mencionava que a BMRS localizara três centros de formação de guerrilheiros. Nonoai, Ronda Alta e outro que não recordo mais. 
Na entrevista, explicava com detalhes as operações realizadas e o que havia sido encontrado.
Dizia que logicamente, nos galpões não havia uma placa com os dizeres "Centro de Treinamento de Guerrilheiros". Eram "Escolas" para alfabetização dos integrantes do MST e seus filhos, com salas de aula, banheiros, cozinhas . . .
No entanto, os conteúdos ministrados eram do ofício guerreiro, como construir Coquetéis Molotov com recipientes de vidro encontrados no meio rural - vidros de defensivos e remédios para animais. Como construir armadilhas contando com meios expeditos encontrados no ambiente agrário. Envenenamento de fontes de água potável e caixas de água com ácidos de bateria, com agrotóxicos, carrapaticidas fosforados, métodos de interrogatórios  . . .  e por aí vai.
O Pedro Simon deve ter exigido que o camarada se desdissesse, pois na manhã seguinte no mesmo programa e horário, ouvi uma nova entrevista onde era nítido o comportamento oprimido do cara falante do dia e vez anteriores. (seguidamente ele dava entrevistas bem articuladas e verborrágicas).
Negou tudo dizendo que não era bem assim, que não fora bem isso, que apuraram melhor, que a coisa era outra . . . 
Era nítido o constrangimento dele e a incredulidade e a ironia com que o Rogério Mendelski conduzia a "nova" entrevista.
A tarde, possivelmente não aguentando o peso da situação, o Cel Maciel pediu as contas.
Se o Pedro Simon não havia gostado, que o demitisse. Não ele se humilhar como o fez, negando tudo o que afirmara no dia anterior. Será que pensou que seria "perdoado" pelos comprometimentos políticos-partidários que deveria ter?
Nunca mais ouvi falar dele.
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domingo, 23 de junho de 2013

Protestos ou Treino Revolucionário?

Uma Expectativa Infundada e Um Treinamento Consumado
por Valmir Fonseca
Volta e meia, brasileiros desiludidos com os rumos caóticos que o desgoverno tem traçado para o País na busca da sua total dominação, comentam desairosos sobre a falta de atitude dos militares.
Apegados ao pensamento de que a esbórnia ultrapassou os limites, julgam que um poder moderador deveria expulsar a canalhada.
As Forças Armadas, segundo eles, seria o último bastião, visto que a sociedade bolsista abonada com maracutaias eleitoreiras, dificilmente adotará qualquer medida em prol de um Brasil democrático, principalmente, se isto lhe custar a perda de algum beneficio.
Contudo, pela falta de um mínimo de esforço das instituições militares preservarem os seus próprios princípios, julgam eles, elas não têm a menor intenção de salvaguardar os destinos da Nação.
Assim, é de julgar-se que mesmo não tendo razão, a esperança daqueles brasileiros é infundada. Sua expectativa não é impossível, mas é improvável.
Indubitavelmente, os chefes militares devem perceber esta expectativa, e o PT também.
Quanto aos chefes militares, provavelmente diante de todas as pressões, a cada dia dormem com o pesadelo dos preocupados.
A Contrarrevolução de 31 de março de 1964 e os resultados funestos para aquela heroica ação no atual cenário tornaram-se uma pesada acusação para os então bem intencionados chefes militares.
Na atualidade, as injustiças levam a qualquer autoridade militar a pensar muitas vezes, se valerá a pena um novo sacrifício. O povo brasileiro merece ou mereceu o esforço?
Contudo, o outro lado, temeroso, também se prepara, caso aja uma mudança de cenário, e temos assistido a um tremendo esforço no treinamento das forças que o PT pretende mobilizar, caso pressinta que poderá ser obstado em suas pretensões.
Recentemente, a Força Nacional de Segurança (FNS) tornou-se o braço armado do desgoverno em caso de necessidade. No âmbito legal da ilegalidade, recordem da elevação da sua capacidade de atuar em todo o território nacional e a malta de autoridades (hoje, além dos governadores, todos os ministros, o que fere a autonomia dos estados, prevista no pacto federativo!) com prerrogativas de solicitar o seu emprego.
O esforço da Comissão da Verdade e a criação de Grupo de Trabalho para atuar nos quartéis demonstram que o desgoverno pretende matar o mal pela raiz. Os porcos selvagens têm que ser encurralados, é a ordem da cúpula.
Observem a mobilização nas universidades que açulam jovens para atuar de forma agressiva, à mobilização “em força”’ de diversas entidades, como o MST, as indígenas, os movimentos sindicalistas cada vez mais destrutivos, os movimentos dos gays, os em prol da liberação das drogas, etc.
Prestem atenção à exacerbação dos mais diversos movimentos, como o “pelo passe livre” que assolou São Paulo com o caos, nos dão uma amostra do que acontecerá quando o desgoverno determinar que seus instrumentos armados saiam às ruas.
Sim, os mais céticos entendem que de fato a força bruta da tirania está em fase de treinamento, e contará, inclusive, com bandos de bandidos armados, como ocorreu em Santa Catarina na quebra da ordem publica, queimando ônibus e atemorizando a população.
Futuramente, para sobrepor-se a tudo, o desgoverno, demonstrando quem realmente manda, determinará aos seus instrumentos de pressão que parem a Nação.
Por tudo, alguns julgam que se os militares não reagirem diante do descalabro, a solução para os que não admitem tal estado de coisas é pedir para serem fuzilados em praça pública ou exilados para alhures, por que aqui será impossível viver.
Valmir Fonseca Azevedo Pereira é Gen Bda Ref.
Fonte:  Alerta Total
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domingo, 10 de março de 2013

As Multinacionais da Celulose e os Eucaliptos Brasileiros

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INDÚSTRIA DA CELULOSE USA DIA DA MULHER PARA DESTRUIR EUCALIPTOS 
por Janer Cristaldo
As esquerdas odeiam eucaliptos. Descobri isto há uns bons quarenta anos. Eu vivia em Florianópolis e passeava pela ilha com uma amiga que havia descoberto o marxismo, depois de velha, em Berlim. Ao passarmos por um "caliperal", como dizem os ilhéus, ela me bombardeou com invectivas contra os eucaliptos. Que era uma árvore alienígena, que destruía a flora nativa, que destruía a agricultura, só faltou dizer que era uma árvore imperialista. Eu, que havia nascido sob frondes amigas de eucaliptos, que sinto cheiro de infância quando esmago folhas de eucalipto nas mãos, estava perplexo. Seu ódio aos eucaliptos nascera em Berlim, nos anos 70. Não por acaso, na época em que a pasta de celulose derivada do eucalipto surgira pela primeira vez em escala industrial. Em conversas ocasionais com gente de esquerda, sempre constatei esta ojeriza aos eucaliptos. Antes de a indústria da celulose tê-los descoberto, ninguém os odiava.
Alguém lembra ainda da Aracruz? Ou Aracruz já não diz mais nada para ninguém? Em 2006, duas mil mulheres de um movimento ligado ao MST, o tal de Via Campesina, comemoraram o Dia Internacional da Mulher destruindo um laboratório e um viveiro de mudas de eucaliptos da Aracruz Celulose em Barra do Ribeiro (RS). Vinte anos de pesquisa e alguns milhões de dólares foram jogados ao lixo. Último resquício aguerrido de um marxismo que já é cadáver em países desenvolvidos, o MST desde há muito tenta empurrar o País rumo às trevas dos regimes comunistas. As viúvas do comunismo alegam que o eucalipto estaria transformando o campo em um deserto verde. O oxímoro é típico de europeu, que não conhece a geografia do Sul. A pampa gaúcha, uruguaia e argentina sempre foi um deserto verde e jamais ocorreu a celerado algum destruir a pampa. Felizes os povos que desfrutam de desertos verdes.
Não por acaso, assessoravam as invasoras representantes da Noruega, Canadá e Indonésia, mais um representante do País Basco, que atende pelo basquíssimo nome de Paul Nicholson. Em Porto Alegre, planejaram a depredação hospedados no hotel Sheraton, sob as barbas do governo gaúcho, na época ocupado interinamente por um arrivista oriundo do PT, que nada fez para punir os apparatchicks estrangeiros. Mas que têm a ver estes senhores das antípodas com pesquisas sobre eucaliptos no Rio Grande do Sul?
Antes da resposta, ouçamos o deputado marxista Roberto Freire, para quem o MST pode ser tudo, menos comunista. "O comunismo é filho do iluminismo, uma corrente de pensamento que acredita no progresso da ciência como forma de minorar os males da humanidade. Destruir lavouras experimentais e laboratórios científicos nada mais é do que obscurantismo".
O deputado mentiu descaradamente. O marxismo sempre foi inimigo da ciência e do progresso da ciência. Roberto Freire não nasceu ontem e sabe muito bem quem foi Trofime Denisovitch Lyssenko, o agrônomo que pretendeu submeter os genes ao pensamento dialético de Marx. Através de experiências truncadas com pinheiros e rutabagas, proclamou que a aparição de caracteres novos transmitidos pelo organismo à sua descendência depende do meio, isto é, que os caracteres específicos adquiridos podem ser deliberadamente transmitidos. Sua ascensão foi imediata e ele se tornou presidente da Academia de Ciências Agronômicas. A ciência se divide então entre ciência burguesa e proletária. Finalmente a genética fora liberada do império da política reacionária. Os "mencheviques idealistas" que não aprovavam os resultados foram excluídos da Academia, transferidos e mesmo deportados para a Sibéria. A menos que reconhecessem publicamente seus erros. Stalin reconheceu o embuste como verdade de Estado e os comunistas de todos os países do mundo adotaram os absurdos de Lyssenko como artigos de fé. Pena que os gens não estavam de acordo com a doutrina de Lyssenko. A agricultura soviética nos anos 40 foi pras cucuias.
Filho do iluminismo terá sido também o marxismo de Mao Tse Tung, que promoveu nos anos 60 a "grande caçada aos pardais". Segundo o Grande Timoneiro, o pardal seria o vilão das deficiências da agricultura chinesa. A brilhante mente científica de Mao ordenou a milhões de chineses que perseguissem os pardais batendo latas e tambores, para que não repousassem um segundo, o que os levou à morte por exaustão. Com o pássaro quase extinto, os insetos aproveitaram o campo livre e destruíram a lavoura. A fome se abateu sobre a China provocando a morte de milhões de chineses.
Que não venham velhos comunistas falar de filiações iluministas. O marxismo, como toda religião dogmática, sempre foi hostil à ciência. Prova disto são as constantes invasões e depredações de laboratórios e culturas transgênicas promovidas pelo MST. Métodos científicos sempre facilitarão a agricultura, exatamente o que os comunistas não querem, para não perder a bandeira.
Volto aos eucaliptos. Entre as espécies utilizadas para a produção de celulose, o eucalipto é hoje a mais rentável. Seu ciclo de crescimento é de sete anos, em contraposição às coníferas do litoral americano, que levam quase um século para amadurecer. O choupo, outra matéria-prima da celulose americana e canadense, só atinge sua altura plena após 15 anos. Se as florestas dos Estados Unidos rendem entre dois e três metros cúbicos madeira por ano, as cultivadas pela Aracruz rendem, no mesmo período, 45 metros cúbicos. Ou seja, a indústria da celulose a partir do eucalipto é extremamente competitiva.
Em outubro de 2005, cerca de 300 índios tupiniquins e guaranis, reivindicando terras indígenas, ocuparam três fábricas da Aracruz Celulose S/A, em Aracruz, ES. Para dar apoio a justa causa indígena, um ônibus com estudantes saiu da Universidade Federal do Espírito Santo, entre eles - atenção! - dez noruegueses. Sobre a depredação do centro de pesquisas gaúcho, disse o "basco" Paul Nicholson: "As mulheres da Via Campesina se mobilizaram em Porto Alegre contra o modelo de agricultura neoliberal e da monocultura".
Vamos a alguns fatos. Segundo a FAO, a produção mundial de celulose atingiu 162 milhões de toneladas em 1999. Estados Unidos e o Canadá responderam com 52% do total produzido. A Noruega hoje exporta cerca de 90% de sua produção de celulose e papel. A Indonésia, principal exportador de celulose de fibra curta da Ásia, tem 70% de seu território coberto por florestas, num total de 143,9 milhões de hectares. Não me parece necessário ter a intuição de um Sherlock para perceber porque um "basco" chamado Paul Nicholson, mais representantes do Canadá, Noruega e Indonésia, coordenam a depredação do laboratório gaúcho. Desde há muito instituições católicas européias - Misereor e Caritas, entre outras - vêm financiando o MST para destruir a estrutura agrária do País. Agora são os cartéis do papel que injetam recursos na guerrilha católico-marxista brasileira para destruir uma indústria que representa cerca de 5% de nosso PIB e dá emprego a dois milhões de pessoas.
Segundo Aurélio Mendes Aguiar, pesquisador da Aracruz, foram destruídos naquele ataque dezesseis clones de alta produtividade, duas mil mudas de pesquisa que seriam testadas nos próximos quinze dias, cerca de 50 matrizes (as plantas de melhor qualidade genética, selecionadas para cruzamentos), além de um milhão de mudas comerciais. O banco de germoplasma do laboratório, biblioteca biológica onde eram preservadas as sementes para uso em melhoramento, também foi destruído. "Se fôssemos realizar todos os cruzamentos de novo, levaria no mínimo cinco ou seis anos. Alguns nunca mais serão possíveis, porque as matrizes não existem mais", diz Aguiar.
Os depredadores da Aracruz foram coerentes com a boa doutrina marxista. Abaixo a ciência! Longa vida - e muitas verbas estatais - ao obscurantismo!
Dia da Mulher de novo. Num ato declarado de sabotagem, cerca de 500 manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) - a maioria mulheres - invadiram ontem a Fazenda Aliança, propriedade da família da senadora Kátia Abreu (PSD-TO). Encapuzados e munidos de foices, eles destruíram o canteiro de mudas de eucaliptos. Os seguranças e empregados da fazenda se recolheram aos alojamentos e não houve confronto. É o que noticia o Estadão de hoje.
O MST afirmou que a ocupação visava a marcar posição política contra o agronegócio e em defesa da reforma agrária. "A ruralista e senadora Kátia Abreu é símbolo do agronegócio e dos interesses da elite agrária do Brasil, além de ser contra a reforma agrária e cometer crimes ambientais em suas fazendas", disse Mariana Silva, dirigente do movimento em Tocantins. "Nosso objetivo foi mostrar a essa senadora que, em vez de destruir o meio ambiente, o melhor caminho é diversificar a produção de alimentos para o povo." 
A invasão da propriedade faz parte da Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Camponesas, que está em andamento desde segunda-feira, com a participação da Via Campesina e do Movimento Camponês Popular (MCP). No lugar do canteiro de eucaliptos, os ativistas deixaram sementes de arroz e feijão, além de mudas. Segundo o jornal, um dos principais alvos da jornada de luta em andamento é a indústria de papel e celulose. Em Itabela, no sul da Bahia, militantes do MST ocupam desde segunda-feira uma fazenda de eucalipto da Veracel Celulose. Outras duas fazendas da Suzano Celulose foram invadidas na cidade de Teixeira de Freitas.
A coordenação do movimento estima que quase 1,2 mil mulheres participam das ações. As moças escolheram uma singular maneira para comemorar seu dia. Até hoje, autoridade alguma houve por bem investigar os interesses da indústria de celulose neste ódio aos eucaliptos.
Fonte:  Janer Cristaldo
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segunda-feira, 25 de junho de 2012

Quem Vai Ser o Lugo Amanhã?

por Jorge Serrão
O impeachment do bispo Fernando Lugo pode representar a ruptura de um ciclo democrático na América Latina? Um tal interlocutor da Presidenta Dilma Rousseff, que o jornal O Globo preferiu não identificar, faz a afirmação que sim. No entanto, o mais sensato é fazer a pergunta em termos corretos, para termos uma resposta mais precisa e próxima da realidade.
Primeira falsa questão. O tal “ciclo democrático” na América Latina existe de verdade ou é uma mera figurinha de retórica política empregada pelos radicaloides membros do Foro de São Paulo? Por aqui e acolá temos “democraduras”. O regime de insegurança jurídica e de desrespeito à razão pública, com componentes de corrupção e bagunça institucional, acontece no Brasil, na Argentina, no Equador, na Bolívia, na Venezuela e no Paraguai – onde ocorreu uma reação política conservadora.
Quem analisa a realidade não pode ignorar que o continente, há muito, é governado pelos ditames do Foro de São Paulo. Esta organização meio oculta, fundada por Fidel Castro e Lula da Silva em 1990, aparelha a Unasul. Só os imbecis completos não sabem e os FDP profissionais fingem ignorar que o Foro cumpre o papel de promover o capimunismo globalitário.
Seus membros fazem o discursinho de esquerda, com verniz socialista. Mas, na prática, aparelham o Estado para locupletar seus líderes, enquanto atuam como marionetes da Nova Ordem Mundial. Lula, Dilma, Cristina, Morales, Correa, Lugo, Mujica, Chavez e companhia servem aos interesses reais da Oligarquia Financeira Transnacional, que controla os negócios mais lucrativos do mundo, destruindo as soberanias dos próprios países que governam.
Os setores conservadores do Paraguai resolveram reagir depressa quando viram que Lugo praticava com o governo de lá o mesmo que fazia com mocinhas que o endeusavam nos tempos de “Bispo do Povo”. Dentro das regras institucionais e soberanas do Paraguai, Lugo sofreu um impeachment. A esquerdalhada, na retórica imbecilizante e mentirosa de sempre, chama este movimento de “golpe”. Curiosamente, não chamam de golpe tudo de errado que fazem contra a democracia, a liberdade de expressão, os valores humanos e a soberania econômica de seus países – entregues às feras do globalitarismo.
Agora, temos de aguentar o papo furado de um covarde interlocutor da temperamental marionete Dilma, alegando que “o governo brasileiro acredita que somente o clamor popular poderá salvar o agora ex-presidente Lugo. Havendo a constatação de que houve ruptura dos princípios democráticos no Paraguai, um dos caminhos é a evocação da cláusula democrática do Protocolo de Ushuaia, cujo efeito é o isolamento do país na região”.
Eis a comprovada democracia às avessas (na verdade, uma democradura) defendida pela bonequinha de Lula e seus comparsas do Foro de São Paulo – todos a serviço dos anti-valores da Nova Ordem Mundial. Os picaretas da democracia agora falam em isolar o Paraguai – como se isso tivesse algum efeito prático. Ou alguém divida que a manobra que tirou Lugo depressinha do poder não teve um oculto apoio norte-americano – que tem bases lá nos charcos? Blindados pela Águia, os militares paraguaios respaldaram a ação política contra Lugo.
É preciso ficar clara a verdade que nossa mídia amestrada e abestada vai sonegar dos seus leitores, ouvintes e telespectadores. Lugo foi derrubado por suas ligações estreitas com organizações guerrilheiras criminosas, que se travestem do manto bonzinho de “movimentos sociais no campo”, para ganhar muito dinheiro com tráficos de drogas, armas e outras mercadorias menos votadas. Foi tal ligação com o crime que derrubou Lugo, justamente no momento em que o esquema mafioso do Paraguai se preparava para faturar alto com a oculta gestão da polêmica “estatização” da venda de maconha no Uruguai.
O interessante, agora, é o cagaço gerado nos demais membros do Foro de São Paulo. Reparem que as reações mais fortes à queda de Lugo vieram dos radicaloides Cristina, Morales e Correa. Em seus países, pelos abusos que cometem contra a ordem democrática e institucional, sabem que podem ter um destino parecido com o do Lugo – que daria um livro: “Os crimes do Bispo do Povo”.
A petralhada também sabe que, apesar das aparências, muita gente não suporta mais a ação do governo do crime organizado corroendo as instituições brasileiras. A sorte momentânea deles é que aqui os urubus ainda parecem voar mais alto que as águias e os carcarás. Mas os reis do lixão da história uma hora podem se dar mal. Seria o ideal. Só não dá para saber se um milagre pode acontecer tão rápido quanto no Paraguai. Por via das dúvidas, ninguém se espante se sair, num golpe de caneta do Diário Oficial, algum reajuste-cala-boca de salário para os nossos militares...
O Paraguai deu o sinal de que é possível reagir contra o Governo do Crime Organizado. Agora, resta esperar se o esquema mafioso-ideologico do Foro de São Paulo conseguirá jogar nas ruas o “quarto elemento” (guerrilha rural e urbana, junto com agitadores sociais) para desestabilizar o novo presidente Federico Franco – que representa o retorno dos conservadores e liberais ao poder. O que acontecer no laboratório paraguaio pode representar experimentos a se repetirem em outros campos de teste.
O certo é: não há câncer que dure para sempre. Não é verdade, Lula?
Jorge Serrão é Jornalista
Fonte: Alerta Total
COMENTO: a mim, parece que o "quarto elemento" já está em ação no Brasil. Afinal, em ano de eleições municipais, com o candidato oficial para São Paulo não decolando nem com o apoio malufista, nem a Velhinha de Taubaté acredita que os atentados contra a Polícia Militar paulista são só coincidência.
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terça-feira, 19 de junho de 2012

Desmotivação na Defesa é Risco de Segurança Nacional

por Eduardo Italo Pesce e
Iberê Mariano da Silva
Segundo recente estimativa baseada em dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), com a desvalorização do real frente ao dólar, o Brasil pode perder a posição de sexta economia mundial em 2012. Um crescimento inferior a 3% no Produto Interno Bruto (PIB) este ano prejudicaria o planejamento dos investimentos públicos.
Isto retardaria o início de diversos programas de obtenção e modernização de meios da Marinha, do Exército e da Força Aérea. Para garantir recursos para tais programas, será necessário aumentar os orçamentos anuais das Forças Armadas, interrompendo a tendência de path-dependency (dependência da trajetória) que vem caracterizando os gastos e investimentos do setor.
Por não contarem com percentual constitucional mínimo, tais gastos constituem alvo preferencial para cortes orçamentários. Como a maior parte do orçamento do Ministério da Defesa destina-se a despesas obrigatórias (inclusive as de pessoal), o pequeno aumento das dotações nos últimos anos não tem assegurado o fluxo dos recursos para renovação dos meios das três forças singulares.
Na Lei Orçamentária Anual para este ano (Lei 12.595, de 19 de janeiro de 2012), a dotação inicial da pasta da Defesa foi de R$ 64,795 bilhões, dos quais R$ 45,298 bilhões destinados a pessoal e encargos sociais, R$ 8,004 bilhões a outras despesas correntes, R$ 9,128 bilhões a investimentos e R$ 2,365 bilhões a encargos financeiros e reserva de contingência.
Os cortes no Orçamento da União, anunciados em 15 de fevereiro, totalizaram cerca de R$ 50 bilhões. Aproximadamente R$ 20 bilhões correspondiam a despesas obrigatórias e R$ 35 bilhões a despesas discricionárias. Para garantir o cumprimento de tais metas, o Governo Federal teria "garfado" temporariamente R$ 2,96 bilhões do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS).
Em valores atualizados até 8 de maio, a dotação inicial do Ministério da Defesa para 2012 era de R$ 64,974 bilhões, dos quais R$ 16,461 bilhões (acrescidos de R$ 1,804 bilhão de restos a pagar) haviam sido pagos. Os órgãos centrais do MD contavam com R$ 1,964 bilhão, sendo que R$ 0,076 bilhão (mais R$ 0,155 bilhão de restos a pagar) tinha sido efetivamente pago.
Na mesma data, a dotação inicial do Comando da Marinha era de R$ 16,913 bilhões, dos quais R$ 4,212 bilhões (mais R$ 293 milhões de restos a pagar) haviam sido pagos. O Comando da Aeronáutica contava com R$ 15,030 bilhões, dos quais R$ 4,189 bilhões (mais R$ 292 milhões de restos a pagar) efetivamente pagos, e o Comando do Exército com R$ 26,722 bilhões, dos quais R$ 7,595 bilhões (mais R$ 486 milhões de restos a pagar) pagos.
A crônica penúria orçamentária não é o único fator de desmotivação dos militares com a carreira, fenômeno que tem contribuído para a evasão de quadros (oficiais e praças graduadas) nas três forças singulares. A baixa prioridade atribuída à Defesa Nacional e o excessivo (e por vezes desnecessário) emprego de contingentes das Forças Armadas em operações de garantia da lei e da ordem (GLO) também são significativos.
Devido aos baixos vencimentos (em comparação com outros setores do serviço público), muitos jovens deixam de ingressar nas Forças Armadas, optando por carreiras de maior remuneração. O êxodo de militares para concursos públicos e para a iniciativa privada tem provocado evasão de profissionais altamente qualificados e com bom desempenho intelectual, com grande prejuízo para as três forças singulares.
A perda de quadros de carreira qualificados poderá causar sérios problemas para instrução e adestramento da tropa, assim como para operação e manutenção de sistemas de armas sofisticados. Meios de alta complexidade, como a futura aeronave de caça polivalente (Projeto F-X2) da Força Aérea Brasileira e os futuros submarinos de propulsão nuclear (SN-BR) da Marinha do Brasil, demandarão rigorosa qualificação de quem vier a operá-los e mantê-los.
Causada pela persistente escassez de recursos, a extensão excessiva do período de obtenção dos equipamentos pode resultar em sua obsolescência prematura, pois o que é "atual" nos dias de hoje não o será daqui a 20 ou 30 anos. A produção da futura "família" de blindados sobre rodas Guarani, para o Exército Brasileiro, deve estender-se até 2030 e poderia sofrer os efeitos de tal processo.
As mudanças na guerra estão afetando as Forças Armadas. No século XXI, o "inimigo" nem sempre é um Estado organizado, mas pode ser uma organização terrorista ou outra facção criminosa, inclusive lançando mão de ataques cibernéticos. Em tal ambiente, a identificação de alvos militares torna-se difícil, e o emprego contra a população civil de meios operativos "não convencionais", como veículos aéreos não tripulados (Vant), pode ter graves consequências.
A segmentação da população em facções antagônicas e a possibilidade de fragmentação territorial são riscos preocupantes. Operações GLO de âmbito interno, assim como operações de paz no exterior, costumam ser dificultadas pela complexidade dos aspectos jurídicos envolvidos. As "regras de engajamento" devem ser claras, a fim de evitar tragédias. Isto diminui o risco de controvérsias legais e de processos na Justiça militar ou civil, assim como em tribunais internacionais.
Ainda que a participação em tais operações possibilite a recapitalização (adquirindo material e adestrando pessoal) de nossas Forças Armadas, jamais devemos esquecer que a destinação constitucional destas é a Defesa da soberania e dos interesses nacionais, contra ameaças de origem preponderantemente externa. Caso contrário, o Brasil correrá o risco de tornar-se mais um "Estado sipaio da globalização", a serviço de uma suposta "nova ordem mundial".
Eduardo Italo Pesce é 
Especialista em Relações Internacionais, professor no Centro de Produção da UERJ.
Iberê Mariano da Silva é 
General de Brigada da reserva, engenheiro militar.
Fonte:  Monitor Mercantil
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segunda-feira, 2 de abril de 2012

A Dita Dura Brasileira

por Sergio Sparta
A esquerda é persistente em acusar o período de 1964 a 1985 de ditadura militar ou anos de chumbo. Será que foi? Que razões levaram os militares a assumirem a direção da Nação? São questionamentos que devem ser considerados, pois os fatos e principalmente os fatos políticos são reflexos do momento em que vivemos.
Era o período do marxismo-leninismo, a doutrina esquerdista “da moda” (que não deu certo em nenhum lugar do mundo), que não media conseqüências (promoveu o genocídio de mais de 100 milhões de pessoas, fora as prisões e trabalhos forçados) para conquistar e subordinar povos, à força, na intenção de internacionalizar a sua doutrina.
O Brasil, por suas características geográficas excepcionais, população considerável e fragilidade econômica e política, foi alvo da cobiça comunista/socialista. Aqui aportaram – na década de 1920 - e insuflaram pessoas a aderirem as suas idéias. Subvertendo a ordem ao desrespeitar os poderes constituídos e as autoridades e praticar o terrorismo (atentados, sequestros, roubos, assassinatos, ...) como ação inibidora, criavam as condições para a implantação da sua ideologia, que se resume: na direção centralizada através de um Partido Único – o Partido Comunista - na restrição das liberdades individuais e no controle da economia, da imprensa e das mentes.
A situação em 64 tornou-se crítica. As Forças Armadas foram chamadas e, como sempre, não se omitiram. Assumiram o poder, sem confrontos ou mortes e respaldadas pelo poder civil, para impedir a assunção da nefasta esquerda e preservar, dentro das circunstâncias, a tranqüilidade nacional.
O período dos presidentes militares foi um período de regime político forte, que procurou restabelecer com o mínimo de sacrifício as melhores condições para a conscientização da cidadania e a plena liberdade democrática, objetivos permanentemente antagonizados pela esquerda. Ao mesmo tempo criou a infraestrutura necessária ao progresso, o qual alcançou com ordem - passamos da 46ª para a 8ª economia do mundo. Gerou condições de acesso a benefícios sociais, sem populismo. Rompeu acordos, fomentou e criou empresas de interesse nacional. Expandiu a soberania do mar territorial a duzentas milhas. Implantou projetos como Itaipu, Tucurui, Carajás, Transamazônica, Mobral, Embraer, Funrural, FGTS, INPS, PIS/PASEP, pólos petroquímicos, Banco Central, BNH, Estatuto da Terra, Nuclebrás, Telebrás, Embratel, Metrôs, Ponte Rio-Niterói e promoveu a abertura política e a reconciliação.
E os “presidentes ditadores”? Ao término de seus mandatos retiraram-se da vida política levando consigo apenas os bens que construíram ao longo da sua carreira profissional e a satisfação do dever cumprido.
Verdadeiros cidadãos e estadistas.

Sergio Sparta é
Coronel do Exército Brasileiro
Recebido por correio eletrônico
COMENTO:  findo o "período militar", já há mais de 25 anos - a 'ditamole' durou 21 anos! - podemos fazer um balanço dos avanços produzidos pelos 'governos democráticos' que se seguiram (Sir Ney, Collor/Itamar, FHC, Lularápio, Dilmandona): apagões na energia elétrica; estradas com pedágios, duplicando a cobrança do que já foi pago em tributos; o povo morrendo sem atendimento nas portas dos hospitais; a educação cada vez mais precária, com universitários que não conseguem soletrar palavras um pouco mais complexas, como reflexo do que deixaram de aprender nos períodos fundamental e médio; cidadãos desarmados à mercê de bandidos cada vez mais violentos fundamentados na impunidade; cofres públicos assaltados diuturnamente pela 'cumpanherada' colocada em postos chaves com o único objetivo de 'carregar o máximo possível enquanto há tempo'; uma população que continua na miséria (acreditando que faz parte da 'crasse média' por que, somados os recursos recebidos das diversas 'borsas-voto' tem "renda" maior que um Salário Mínimo) e sem perspectivas de emprego decente; uma juventude semi-alfabetizada e sem condições de contribuir para o crescimento da produção industrial por falta de capacitação; e uma economia baseada na produção agrícola, permanentemente combatida pela 'cumpanherada' que pensa que a terra produz alimento sem trabalho, e indústrias em rumo de quebra generalizada, sufocada por impostos e direitos trabalhistas que impedem a criação do lucro (mais-valia, rendimento produtivo), base do incentivo ao crescimento.
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domingo, 28 de agosto de 2011

A Gauchada Anda me Trincando os Ovos!!

Mal começou (sic) o governo de Tarso Genro e ele já teve que encarar uma série de pepinos.Vamos ficar apenas neste mês.
Rejane Chapinha, a chefona dos "trabalhadores em educação", está torrando a paciência de TF com o tal do piso nacional do magistério. E promete uma guerra contra o governo se não receberem o piso. É aquela velha tese: ou dá ou desce. Não querem conversinha, querem grana. Se não é greve.
O pessoal da PROCERGS está parado - claro, quer aumento e outras vantagens. Inúmeros serviços públicos dependem da Companhia de Processamento de Dados.
E a Brigada Militar está a milhão. São mais de 10 os protestos por melhores salários, apenas neste mês. Hoje, foram quatro. O primeiro foi em Gravataí, próximo à entrada para o Campus da Ulbra, com pneus queimados na pista. Mais pneus queimados em frente à Prefeitura de Alvorada. A terceira barricada aconteceu na BR 392, em Rio Grande, na zona Sul do Estado. Houve bloqueio total da pista por uma hora. O mesmo tipo de protesto foi feito em Palmeira das Missões.
Não é mole.
Hoje dei uma passeada pelo site da Assembleia gaúcha. Não encontrei nenhuma manifestação dos deputados do PT sobre os movimentos que acontecem no Estado. Engraçado, as bancadas de deputados estaduais do PT sempre apoiaram as greves. Sempre, desde 1987, quando começaram a trabalhar os primeiros quatro deputados. O comandante Raul Jorge, então, ficava ainda mais vermelho e mais rouco ao defender os trabalhadores grevistas.
É, mesmo, muito engraçado. A cumpanheirada está, assim, fingindo que não existe nenhuma greve.
Onde estão aqueles furiosos do passado, os intransigentes defensores dos trabalhadores?
Só falta, na semana que vem, os comandante Raul Jorge e seus liderados apoiarem a greve dos funcionários da Saúde de Porto Alegre. Não duvide!!
Por que Tarso Fernando deve se cuidar?
Imagine se o comandante Raul, "enquanto" presidente estadual do PT, decide convocar a cumpanheirada para alinhar-se, por exemplo, ao pessoal da Brigada Militar? Mais: se o comandante Raul, com toda a sua liderança junto aos "movimentos sociais", convoca todos os maluquetes do Estado, como o MST, para agirem junto com os brigadianos?
Bah, Tarso Fernando, aí vai ser um inferno!! Tem que acalmar o comandante Raul!!
Sugestão: Promete uma vaga no Tribunal de Contas do Estado para o comandante Raul Jorge. Aí ele vai ficar calminho, calminho.
O nosso governador está tiririca. Quer cabeças!!
Hoje ele está na Expointer e, por isso, está mais calmo. Mas ontem TF estava furibundo!!
Não suportou os protestos dos brigadianos, que estão queimando pneus em estradas e avenidas pelo Rio Grande.
Disse que isso é um "delito" e que vai ter "pulso firme".
Os brigadianos querem salários dignos e acreditam que tem que haver pressão.
Das polícias militares brasileiras, a Brigada Militar é a que recebe piores salários. Repito: é o pior salário de TODAS as PMs brasileiras. Olha só o que TF disse, também:
- Esses delitos serão investigados pela Polícia Federal, e as pessoas vão responder. Não sei se tem conexão com o movimento dos brigadianos, tomara que não, porque se tiver é grave. É algo que não pode ser colocado como pressão para negociação.
Em resumo: São atos criminosos que serão investigados.
Tudo bem, fecho com o nosso governador. Os protestos não podem atrapalhar a vida das pessoas.
Mas os brigadianos devem ficar furiosos quando sabem que um auxiliar de serviços gerais do Tribunal de Contas do Estado ganha em torno de 4 mil reais.
 
O engraçado é que ontem mesmo vi um "protesto" de agricultores, no interior do Estado. E, acreditem, eles fecharam uma estrada. E, INCRÍVEL!!, não vi nem ouvi ninguém do Governo furioso com os tais agricultores!!
Não tem uma semana que os tais "agricultores" não façam uma baderna em estradas ou na frente de bancos. Fora aquelas ridículas invasões do INCRA.
Da mesma forma, não vi nenhuma indignação quando "campesinas" depredaram um laboratório de pesquisas de uma empresa no interior do RS.
E quem é que não se lembra daquele deputado petista que foi fotografado comendo um picolé "expropriado" de uma distribuidora de alimentos na Grande Porto Alegre?
Ah, governador Tarso Fernando, o senhor sabe o respeito e admiração que tenho pelo senhor.
Mas não pode ter dois pesos e duas medidas!!
Sabe de uma coisa? Dá logo uma grana legal para os brigadianos. ................................
Fonte: Blog do Prévidi   
Tarso Genro, nesta sexta, em Rio Grande:
- Os bloqueios de pneus em chamas é crime. A Polícia Federal investigará e punirá. Isto é uma mancha na história da Brigada.
Leonel Lucas, Presidente da Associação dos Cabos e Sargentos da Brigada:
- Depois das negociações desta sexta na Casa Civil, os protestos pararão até quarta. Depois disto, se não houver avanço, 50 bloqueios serão desfechados.
É uma perigosa queda de braço no RS.
O brigadiano (soldado PM) gaúcho, é o pior pago do Brasil. Seu salário mensal é de R$ 1.170,00.
O piso nacional proposto é de R$ 3.200,00.
Depois de atear fogo em barreiras de sete trechos de rodovias federais, os brigadianos decidiram somar-se aos seus colegas policiais civis na atual campanha por aumentos salariais e programaram manifestações não-violentas na abertura da Expointer, neste sábado de manhã, 9h, em Esteio.
O governo parece estar perdendo o controle da situação, já que não consegue conter as ações embrionárias de revolta armada nas estradas federais do Estado. No Piratini, o temor é de que isto seja apenas o começo de uma revolta de maiores proporções.
Ao estabelecerem um pacto com o governo para suspender as ações violentas até quarta-feira, os líderes dos praças admitiram que o movimento é orquestrado e tem condução política corporativa. O governador Tarso Genro classifica como criminosas todas as ações violentas nas estradas, mas não consegue exercer sua autoridade de maneira tão eficaz quanto a que demonstrou por ocasião das Operações Cartola, Rodin ou Solidária.
Os Partidos não se metem nas discussões, nem mesmo a oposição. O governo tem discurso, mas não consegue entrar em ação.
Soldados, cabos, sargentos e tenentes da Brigada estão em plena campanha salarial. Os soldados são os mais mal pagos do País, já que recebem apenas R$ 1.200,00 por mês. Eles querem R$ 3.200,00 imediatamente, mas o governo só quer chegar ao valor no último ano do seu governo, 2014, propondo 4% para já. A proposta foi feita nesta sexta aos brigadianos. No mesmo dia, os policiais civis também se reuniram no Piratini e repeliram reajuste de 3% para outubro, mais 3% em março.
Os dois aumentos representariam elevação de R$ 60,00.
- Enquanto acena com 60 reais para um policial civil, as negociações do governo com procuradores do Estado já superam 8%. São os maiores salários do Poder Executivo e tal índice significa, na prática, mais de 1,5 mil reais de reajuste para quem já se encontra no topo da pirâmide.
A Unimed do RS não soube explicar por que razão o Deputado gaúcho Marco Maia, presidente da Câmara, vem usando sem pagar o avião e o helicóptero da Uniair. Maia usou os aparelhos para ir a Erechim e Gramado na semana passada.
Planos de Saúde, como se sabe, dependem de regulamentações que o governo e os parlamentares mudam a toda hora.
A frota da Uniair foi montada para atender pacientes da Unimed.
Soou como provocação o boné do MST que o Ministro da Agricultura, o gaúcho Mendes Filho, resolveu usar no seu segundo dia de trabalho em Brasília.
No dia 2, quando visitar a feira de Esteio, o Ministro será convidado a vestir o chapéu da FARSUL.
COMENTO: o "peremptório" governador da gauchada está sentindo na pele o que é "ser vidraça". Por outro lado, a cada dia que passa fica mais claro que a velha estória de que os políticos oriundos do RS eram diferentes do resto da canalha nacional não passava de conversa pra boi dormir.
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sábado, 2 de julho de 2011

Bandidagem Agrária

por Xico Graziano (*)
Conheci o Zé Rainha em 1995. Parecia um líder verdadeiro, expoente da infantaria do MST. Tempos idealistas. Depois começou sua degradação moral. Agora, preso por corrupção, revela o lado obscuro da reforma agrária brasileira.
Alto, magro, parecido com Antônio Conselheiro, messiânico que comandou a resistência de Canudos, Rainha procurou-me no Incra para ajudá-lo a implantar um polo agroindustrial nas terras do Pontal do Paranapanema paulista. Ousado, o projeto fazia sentido. Financiamento de R$ 3,8 milhões atenderia 1.600 famílias assentadas na Gleba XV, em Teodoro Sampaio (SP).
Assim nasceu a Cooperativa de Comercialização e Prestação de Serviços (Cocamp). Além das instalações físicas, novos recursos permitiram ainda a compra de 42 tratores e vários caminhões, frota com a qual o líder barbudo desfilou pelas ruas da cidade cantando sua glória. Depois vieram o laticínio, as balanças e dois enormes silos de cereais. Tudo somado, R$ 8,5 milhões irrigaram essa boa ideia da reforma agrária cooperativada.
Passou um tempo. Em 1997, novamente recebi Zé Rainha em meu gabinete, agora na Secretaria de Agricultura paulista. Voluptuoso, demandava mais recursos, do governo do Estado, para sua obra. Propunha arrematar uma fecularia de mandioca perto de Presidente Prudente. Nesse momento comecei a desconfiar do seu caráter.
Primeiro, porque sabia que a cooperativa mal engatinhava. Acusações sobre sumidouro de recursos surgiam entre os assentados. Colocar mais dinheiro lá seria temerário. Segundo, sua conversa beirava uma negociação esdrúxula: se o financiamento fosse concedido, ele daria uma maneirada nas invasões de terras. Senão iria radicalizar o conflito contra os proprietários rurais. Chantagem pura.
Quem já negociou conflito agrário sabe que assim opera a pragmática política do MST. A questão, todavia, não era apenas política, mas envolvia dinheiro público. Resumo da história: jamais vingou aquele projeto agroindustrial. Os tratores desapareceram, as máquinas industriais nunca funcionaram. A anunciada redenção da reforma agrária virou um elefante branco. Sumiu a dinheirama.
Fotos e relatos obtidos dos próprios assentados, que desgraçadamente se tornaram solidários nas dívidas contraídas pelo delirante líder, foram publicadas em meu livro O Carma da Terra no Brasil (2004). Nele mostrei que a gula do Zé Rainha não era uma exceção. Expus também o projeto da Fazenda Rio Branco, em Parauapebas (PA), outro vergonhoso fracasso. Triste mistura de incompetência e malandragem na reforma agrária.
A dita esquerda recebeu meus escritos com desdém semelhante ao externado por Gilberto Carvalho, ministro com assento no Palácio do Planalto. Ele lamentou a prisão do Zé Rainha, dizendo que ela "tumultua o processo da reforma agrária" e atrapalha o relacionamento do governo com os movimentos sociais. Misturou alhos com bugalhos.
O descaminho da reforma agrária brasileira começou no início da década de 1990, quando o MST optou por invadir propriedades rurais. Foices e facões forçavam a desapropriação de fazendas pelo Incra. A novata entidade buscava com sua beligerância assumir o protagonismo da luta camponesa no País, até então entregue à velha Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag). Com tradição comunista, esta se acomodara nos meandros do poder.
Apoiado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) e pelo PT, o MST avançou ferozmente na luta pela terra. Militarmente organizados, fartos em recursos, os invasores ganharam a mídia e encantaram a opinião pública. O inegável sucesso de sua estratégia política, porém, gerou o imponderável: as quadrilhas rurais.
Os neorrevolucionários abriram brechas para que, em vários cantos do País, bandoleiros disfarçados de sem-terra partissem para saquear e depredar fazendas. Roubo de gado, tratores e arames de cerca, fogo, moradores feitos reféns, barbaridades escondidas sob o mantra da justiça social. Verdadeira bandidagem. O MST, de início, aproveitou-se dessa brutalidade para expandir os seus domínios, especialmente no Pará. Imiscuiu-se com essa criminalidade alimentada pela miséria e estimulada pelo caos fundiário. Mordeu, porém, do próprio veneno: gerou internamente a beligerância.
Nesse caldo de cultura que alimenta a violência rural, Zé Rainha projetou-se.
O passado condena. Fugido de Pedro Canário (ES), onde enfrentava a Justiça por antigo crime de assassinato, o carismático Zé Rainha foi útil ao MST no Pontal do Paranapanema. Brilhou na televisão. Até romper com o comando central do movimento, partindo para sua carreira solo. Prostituiu-se, acabou proscrito.
Os infames vos enganaram, bradou Demóstenes, recriminando os combalidos atenienses quando estes, equivocadamente, socorreram Plutarco nas guerras da antiga Grécia. Milhares de pessoas esperançosas, no Pontal do Paranapanema como alhures, seguiram o discurso fácil e fantasioso da terra prometida, como se entrassem na fila do passaporte para a felicidade.
Zé Rainha, além de corrupto, comandou a perniciosa fábrica de sem-terra montada País afora pelo MST e seus congêneres. Nela boias-frias e desempregados urbanos se misturam com ambulantes, domésticas, tarefeiros, prostitutas, pessoas de bem e oportunistas, todos interessados no lote dadivoso da reforma agrária. Basta montar um barraco na beira da estrada e recolher um pedágio mensal, espécie de taxa da ilusão. Até trombar com a dura realidade.
As utopias movem o mundo. As farsas, porém, desgraçam a História. Executar um processo de reforma agrária e criar novos agricultores exige planejamento, capacitação, idealismo. Nenhum desses elementos mora na cadeia onde dorme Zé Rainha.
(*) Agrônomo, foi Secretário do Meio Ambiente
 do Estado de São Paulo
e-mail: XICOGRAZIANO@TERRA.COM.BR
Fonte:  Estadão
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sábado, 4 de junho de 2011

O Assassinado Era Assassino - e Impune

por Reinaldo Azevedo
Emparedado por um ministro milionário e pobre em explicações, por uma Rainha Muda que repudia a política, por um Congresso inquieto, por um ex-presidente buliçoso, pela inflação renitente e pela virtual paralisia da administração, o governo está em busca de “causas”. Se preciso, sairá pelas ruas carregando cadáveres sobre a cabeça para tentar conjurar inimigos inventados no calor da hora. Foi o que fizeram Gilberto Carvalho, secretário-Geral da Presidência, e Maria do Rosário, ministra dos Direitos Humanos. Divulgaram uma nota conjunta lamentando a morte, em Rondônia, de Adelino Ramos — ex-líder do MST, presidente do Movimento Camponeses Corumbiara e da Associação dos Camponeses do Amazonas — e do casal de “ativistas ambientais” José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo, no Pará.
Diz a nota:
O assassinato de Adelino Ramos merece o nosso total repúdio e indignação. Há três dias o Brasil se chocou com a execução de duas lideranças em circunstâncias semelhantes, no Pará. Hoje, mais uma morte provavelmente provocada pela perseguição aos movimentos sociais. Essas práticas não podem ser rotina em nosso país e precisam de um basta imediato”.
Que diabo de cristão (ooops!) é esse Carvalho? Sim, eu também lastimo esses fatos. Eu levo a sério a máxima de que a morte de qualquer homem me diminui. Eu sou, inclusive, um militante radical contra a pena de morte. A vida, mesmo a do pior facínora, jamais pode ser tirada pelo Estado e por qualquer outro a não ser em legítima defesa. Eu não transijo nisso. Por isso causa-me certo asco a nota dos dois ministros, seu oportunismo tosco. Fica visível, no texto, que o que enche os companheiros de indignação é a suposição de que sejam ocorrências provocadas “pela perseguição aos movimentos sociais”. Daí, então, concluem: “Essas práticas não podem ser rotina em nosso país e precisam de um basta imediato”.
Entendi tudo muito bem! O que os deixa especialmente chocados não são as mortes em si, não, mas a vinculação política das vítimas. São mortos de respeito. São mortos de pedigree ideológico. Os direitos humanos no Brasil são, sim, um valor, mas na sua vertente ideologizada. Nem todos, descobrimos, são humanos igualmente. É por isso que este é o país que já torrou mais de R$ 4 bilhões indenizando vítimas — e, sobretudo, supostas vítimas — com o Bolsa Ditadura, mas permite que a tortura corra solta nas cadeias contra presos comuns. Direitos humanos existem para aqueles que foram “humanizados” pela militância política, pela “luta”, pela “causa”, pela ideologia!
São assassinados por ano, no país, mais de 50 mil brasileiros anônimos. No dia em que Adelino morreu, dada a média, outras 136 pessoas se foram com ele. Não há guerra civil — na Líbia, no Iêmen ou no Iraque — que mate tanto assim. Não sou ingênuo e repudio a demagogia. Não espero, evidentemente, que os dois valentes emitam 137 notas de protesto por dia. O que se espera do governo que representam, que caminha para a segunda metade do nono ano, é uma política pública de combate aos homicídios, que baixe esse número escandaloso. Inexiste. A prática estúpida e demagógica em curso se limita a recolher garrucha enferrujada.
Sim, o governo tem de mandar investigar, tem de botar na cadeia os assassinos dos três, tem de se indignar, mas não porque haveria uma escalada contra os ditos movimentos sociais, o que, como se verá abaixo, pode não ser exatamente verdade. Essa nota é indecente. Trata-se de uma ideologização descabida do episódio quando se fala em nome do estado brasileiro.
Pode matar, mas a pessoa certa!
Reportagem de Carlos Mendes no Estadão Online informa que o casal de “ativistas ambientais” José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo, assassinado no Pará, estava em conflito com os próprios assentados. Parte deles defendia os negócios com os madeireiros da região. Leiam isto:
(…) um agricultor conhecido por Pelado não aceitava a liderança do casal e dizia abertamente na comunidade que não gostava do ambientalista. Em agosto de 2009, José Cláudio e o irmão, Claudemir, foram armados tomar satisfações com Pelado sobre a posse de um lote de terra no assentamento. Durante a discussão, Claudemir atirou e matou Pelado. A polícia de Nova Ipixuna não apurou o caso na época. Por pressão de familiares de Pelado, um inquérito policial só foi aberto em dezembro de 2010.
Vocês leram tudo direitinho. Aquele extrativista pacifista agora assassinado resolvia suas pendenga de arma na mão, levando junto o irmão como capanga. Na briga por causa de um lote, o tal Pelado foi assassinado. A polícia da então governadora Ana Júlia Carepa, do PT, decidiu não apurar o caso. Abriu um inquérito mais de um ano depois… E por quê? O morto de 2009 estava do lado do “mal”, e os mortos de agora estão do lado do “bem”. O errado não é matar, mas matar “companheiros”. Como há madeireiros por ali — e também em Rondônia —, e a maioria não é mesmo flor que se cheire, então os culpados de sempre já estão dados. E ninguém vai querer apurar os métodos de José Cláudio ou de Adelino para exercer a sua liderança. Num caso, ao menos, fica claro: era com revólver na cinta. Não! Não estou justificando nada! Apenas trabalho com a hipótese de que, se o assassino Claudemir estivesse na cadeia, talvez seu irmão e sua cunhada continuassem vivos. Como dizem Gilberto Carvalho e Maria do Rosário, “essas práticas não podem ser rotina em nosso país e precisam de um basta imediato”.
Os deputados Arnaldo Jordy (PPS-PA) e Dr. Aluizio (PV-RJ) apresentaram requerimento para acompanhar as investigações sobre a morte do casal. Esperam que incluam Pelado nas suas preocupações — ao menos disfarça a vocação da política papa-defunto.
Não é de hoje
Não é de hoje que essa gente é assim, não! No dia 15 de fevereiro de 2005, ainda no site Primeira Leitura — este blog publicou o primeiro post no dia 24 de junho de 2006 —, escrevi o texto Silva, um morto sem sepultura. A missionária Dorothy Stang havia morrido fazia três dias, no dia 12, e eu afirmei o óbvio: que seus assassinos fossem em cana! Mas lembrei a história de Luiz Pereira da Silva, um policial torturado e morto num assentamento do MST na cidade de Quipapá, em Pernambuco. Um colega seu também foi torturado, mas sobreviveu. Silva morreu 10 dias antes de Dorothy.
Não se derramou uma lágrima pública por Luiz Pereira. A Pastoral da Terra não mandou rezar uma missa em memória de Luiz Pereira. A imprensa não se interessou em saber quem era o assassino de Luiz Pereira. Mulher e filhos de Luiz Pereira ficaram entregues à própria sorte. Luiz Pereira era um morto sem pedigree militante, um morto sem importância, apenas um policial preto de Pernambuco. Escrevi então:
Luiz Pereira da Silva é um morto sem sepultura; Luiz Pereira da Silva é um morto de quinta categoria; Luiz Pereira da Silva confunde as afinidades eletivas dos demagogos brasileiros; Luiz Pereira da Silva pertence àquela estranha categoria de homens que, por mais que sofram, jamais vão se tornar mártires de coisa nenhuma; Luiz Pereira da Silva era pobre demais, desimportante demais, vulgar demais até para ser oferecido em holocausto no altar de fantasmagorias de dom Balduíno; Luiz Pereira da Silva não serve como cordeiro do Deus justiceiro do MST.
Omite-se o governo — e, portanto, estimula a violência no campo — quando permite que, ao arrepio de qualquer controle ou acompanhamento responsável, a questão fundiária se transforme em objeto de disputas de organizações não-governamentais e grupos de pressão que põem seus preconceitos e idiossincrasias acima das necessidades econômicas das comunidades nas quais atuam, elegendo, por critérios que lhes são próprios e alheios a qualquer estratégia pública, os perdedores e os vencedores, satanizando uns, incensando outros, fazendo de uns as bestas do apocalipse e, de outros, os anjos da redenção.
A propósito do caso Dorothy: pouca gente sabe ou se lembra que Adalberto Xavier Leal, funcionário de um dos então suspeitos de terem ordenado a morte da freira, também foi assassinado em represália. O barracão em que morava foi invadido por oito homens, e ele foi executado na frente da mulher e de cinco filhos. O que aconteceu com seus assassinos? Quais assassinos? O que o mundo disse a respeito?
Ele era outro morto sem pedigree, por quem Gilberto Carvalho e Maria do Rosário não emitem notas nem derramam lágrimas militantes. Luiz Pereira da Silva, Pelado e Adalberto não tiveram tempo de aprender o seguinte: vivendo ou morrendo, é preciso estar “do lado certo”. Não me peçam para ter respeito por esse tipo de exploração barata da morte.
Fonte:  Reinaldo Azevedo