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terça-feira, 8 de julho de 2014

O Tempo em que Brizola foi o Homem de Fidel no Brasil

O dirigente cubano parece ter acreditado que Brizola era o Fidel do Brasil e enviou um milhão de dólares para sua guerrilha, que não ocorreu
Se a história do Egito é inesgotável — daí a permanência de uma indústria editorial que inventa e reinventa romancistas-historiadores-arqueólogos —, imagine a história recente brasileira, sobretudo a pós-64. Em 1987, José Wilson da Silva lançou um livro, “O Tenente Vermelho”, que conta, entre outras histórias, que “Fidel Castro entregou 1 milhão de dólares para os exilados brasileiros no Uruguai (Brizola, Jango e Darcy Ribeiro) financiarem movimentos de guerrilha no Brasil”. O livro de José Wilson é muito interessante, mas pessimamente editado pela Tchê!, o que certamente reduziu a sua repercussão. Treze anos depois, a doutora em história pela Universidade Fluminense Denise Rollemberg amplia o que José Wilson antecipou. No livro “O Apoio de Cuba à Luta Armada no Brasil — O Treinamento Guerrilheiro” (Editora Mauad, 2001), de apenas 94 páginas, Denise produz um documento de grande valia, ainda que lacunar, pois Brizola e José Dirceu, por exemplo, não quiseram falar sobre suas relações com Cuba. Denise também não conseguiu fazer entrevistas em Cuba, porque a bolsa do CNPq “exclui qualquer possibilidade de viagem ao exterior”. De resto, o livro de Denise parece sugerir, mais do que um texto definitivo, uma obra em andamento. O leitor especializado certamente achará estranha a ausência, na bibliografia, dos livros “O Tenente Vermelho”, de José Wilson, e “A Revolução Impossível”, de Luís Mir.
Pode-se dizer que a guerrilha brasileira (no fim da década de 60 e no início da década de 70) foi financiada por Cuba e pelos bancos (assaltados ou, como quer a esquerda, “expropriados”). Mas Cuba não só apoiou com dinheiro — menos certamente do que se costuma pensar, pois Cuba não era uma mina de ouro — a esquerda armada. O governo da pequena ilha, duas vezes menor do que Goiás, treinou, na avaliação do Centro de Informações do Exército, 219 militantes “treinados ou suspeitos de terem treinado em Cuba”.
Treinar em Cuba era como estudar em Harvard ou Cambrigde, segundo Mário Japa (codinome de Shizuo Osawa): “Todo mundo queria ir. Era quase um batismo de fogo: tinha que participar de uma ação militar e tinha que ir treinar em Cuba”.
A força de Fidel
As “pequenas” interpretações de Denise valem o livro, aqui e ali incompleto, mas sempre instigante. Baseada no livro “Vida e Morte da Revolução Cubana” (que tem um capítulo com o título de “Exportar a Revolução”), de Benigno (nome de guerra de Dariel Alarcón Ramírez), Denise conclui que Fidel não pensava tão-somente em construir o socialismo em outros países. Pensava além disso: queria mostrar aos seus inimigos, aos próximos e aos não tão próximos, que o pequeno país era forte e, até mesmo, financiava a revolução em outros pontos, como no gigantesco Brasil. Assim, a exportação da revolução tinha como objetivo assegurar o socialismo cubano, a manutenção da revolução cubana.
Apesar das pressões da União Soviética — que não apostava na exportação da revolução —, Fidel Castro continuou incentivando os guerrilheiros até meados da década de 70. Antes disso, conta Denise, “os revolucionários passaram a contar a história da vitória (da Revolução Cubana) de tal maneira que construíram um dos maiores mitos da esquerda latino-americana dos anos 1960: o do foco guerrilheiro”. O foco guerrilheiro teria construído a revolução, mas, ressalva Denise, propositadamente, para ampliar a força do foco, ignorou-se a conjuntura. Quando os revolucionários desembarcaram em Cuba, um episódio tantas vezes narrado como um quadro épico, não estavam sozinhos. Ao contrário, encontravam uma situação plenamente favorável à sublevação.
Entre julho e agosto de 1967, a conferência que gerou a Organização Latino-Americana de Solidariedade (OLAS) decidiu que, como olas (ondas), a revolução seria estendida em toda a América Latina. Apesar das resistências dos dirigentes soviéticos, a rota dos guerrilheiros para chegar a Cuba passava por Moscou e Praga.
Denise mostra que Fidel apoiou a “revolução” brasileira mesmo antes de 1964. “Quanto à revolução brasileira, Cuba apoiou a formação de guerrilheiros, desde o momento em que assumiu a função de exportar a revolução, quando o Brasil vivia sob o regime de democrático do governo João Goulart, ou seja, antes da instauração da ditadura. A maior parte foi treinada a partir de 1968, quando Cuba já havia se voltado para a construção do socialismo em único país, com o apoio da URSS. Embora um caso isolado, chegou a haver treinamento mesmo ao longo de 1973, quando a guerrilha no Brasil já estava aniquilada, à exceção da guerrilha do PC do B, no Araguaia (1972-1974).
As Ligas Camponesas
As Ligas Camponesas surgiram em 1955 e se destacaram na década de 1960. As Ligas eram lideradas por Francisco Julião e uma ala ligada ao Partido Comunista Brasileiro, representada pelo advogado e ex-deputado estadual Clodomir dos Santos Morais. Radical, a ala afastou-se do PCB, então acusado de ter uma atitude conciliatória com a “burguesia” brasileira. Mesmo colocando-se como aliado de Cuba, Julião não era tão radical quando parecia o seu discurso. “Mantendo relações estreitas com Cuba e radicalizando suas posições nos famosos discursos que fazia, Julião, entretanto, se opôs à facção favorável à guerrilha, liderada por Clodomir Morais, Carlos Montarroyo e Tarzan Castro [Denise exclui o “de” — Tarzan de Castro]. Julião, inclusive, participou das eleições, nesse mesmo ano de 1962, apesar de criticá-las, como candidato a deputado federal.
Denise conta que, “com Clodomir Morais, dissidente do PCB, deu-se início à formação dos campos de treinamento de guerrilhas no Brasil com o apoio de Cuba. (...) O apoio de Cuba se concretizou na implantação desses campos, na verdade, fazendas compradas, em Goiás, Acre, Bahia e Pernambuco, ‘formados por alguns camponeses e, em sua maioria, estudantes secundaristas e universitários vindos de Pernambuco’.” (O trecho entre aspinhas foi extraído do livro “As Ligas Camponesas”, de Fernando Antônio Azevedo, da Editora Paz e Terra.) Denise acrescenta: “Houve ainda o fornecimento de armas, dinheiro e orientação para a implantação da guerrilha. Apesar do fluxo constante de lideranças e militantes a Cuba, o treinamento seria dado no Brasil”.
Em 1962, o governo de João Goulart “desbaratou o plano de formação de um campo de treinamento das Ligas, no interior de Goiás, Dianópolis” (hoje, Tocantins). Entre os guerrilheiros estavam os goianos Tarzan de Castro e João Neder (promotor de justiça aposentado). O líder era Carlos Montarroyo. De início, eles conquistaram o povo mais pobre da região, mas depois, sob a acusação de comunistas, foram rechaçados.
O Fidel brasileiro
Com a queda das Ligas Camponesas como agente da revolução, ainda antes do golpe de 64, Fidel Castro e seus aliados voltaram-se para Leonel Brizola, o, quem sabe, Fidel brasileiro, um homem de classe média como o cubano. Exilado no Uruguai, Brizola, no início, só pensava num contragolpe. “Brizola resistia à teoria cubana do foco, tão em moda na época, preferindo a ‘tradição gaúcha’: ‘Falava [Brizola] de sua teoria do carvalho [guerrilha] e da batatinha [contragolpe, levante popular]. O carvalho demora para crescer e a batatinha dá ligeiro”, escreve Denise, aqui baseada em “A Rebelião dos Marinheiros” (Editora Artes e Ofícios), de Avelino Bioen Capitani.
No Uruguai, como se fosse uma espécie de coronel (ou general, para ser mais apropriado), Brizola “agrupou em torno de si os sargentos e marinheiros expulsos das corporações e perseguidos pelos militares e formou uma espécie de Estado-Maior com o ex-deputado Neiva Moreira, o seu assessor no governo no Rio Grande do Sul, Paulo Schilling, o ex-deputado pelo PSB, Max da Costa Santos, e o coronel Dagoberto Rodrigues”, relata Denise.
Como a quartelada não deu certo — os militares estavam firmes no poder, com o presidente Castello Branco obtendo grande apoio no meio civil —, “Brizola acabou ‘aderindo’ à teoria do foco guerrilheiro cubano. A partir daí, os planos da luta armada ganharam novos rumos. Seriam implantados três focos: um na Serra de Caparaó, na divisa de Minas Gerais e Espírito Santo, sob o comando do ex-sargento Amadeu Felipe; um no norte do Mato Grosso (fronteira com a Bolívia), comandado por Marco Antônio da Silva Lima, ex-fuzileiro naval; e outro na região norte de Goiás, que acabou se concentrando em Imperatriz, oeste do Maranhão, sob o comando de José Duarte, ex-marinheiro, também treinado em Cuba. Haveria mais ‘um grupo de apoio na região fronteiriça do RS até MT’”, escreve Denise. [José Duarte mora em Goiânia.]
A historiadora avalia que, “provavelmente, a possibilidade de contar com o apoio do governo cubano tenha sido decisiva para a reorientação de Brizola”. Denise expõe as contradições: “Muitos defendem que a ‘adesão’ de Brizola ao foco merece aspas, e nada tem de ideológico, mas sim de circunstancial. Flávio Tavares, no entanto, testemunha todo o entusiasmo de Brizola com a possibilidade de reeditar a experiência cubana no Brasil e com o poder que o treinamento teria de transformar homens em guerrilheiros, em uma estranha metamorfose, fazendo deles não super-homens, mas bichos”.
Escreve Flávio Tavares, no livro “Memórias do Esquecimento” (Editora Globo): Brizola estava literalmente inundado pela concepção de guerrilha, lia revista do Vietnã do Norte e me contou, inclusive, que fazia exercícios de tiro e assalto a baioneta. (Seu instrutor, o coronel Atila Escobar, da Brigada Militar gaúcha, com formação convencional de quartel, já estava lendo — ou prometera ler — o manual de guerrilhas do Che Guevara.) Toda a veemência dos seus 43 anos concentrava-se em defender o ‘foco’”. Em seguida, Tavares ressalva: “No fundo, bem no fundo, ele nunca esteve muito convencido da guerrilha e aceitara tudo, e assimilara tudo, na maré que invadia o exílio uruguaio”. Poderia se dizer de modo diferente: não havia outra opção — era aceitar o apoio cubano, com sua ideia de revolução baseada no foco, ou nada. Brizola e seus aliados fundaram o Movimento Nacionalista Revolucionário (a Revolução Cubana, no seu início, não era rigorosamente comunista).
Os contatos de Brizola se deram, inicialmente, por intermédio da Embaixada Cubana em Montevidéu, segundo Paulo Schilling. Brizola, como diz Denise, não gosta de falar sobre o dinheiro cubano. Escreve a historiadora: “Ninguém parece saber a quantia recebida. Brizola nunca prestou conta do dinheiro nem a Cuba nem aos militantes, fosse dirigentes ou de base. Tinha-o como um ‘empréstimo pessoal’, a ele Brizola, e que seria devolvido. Acredita-se ter havido gastos nos quais o dinheiro foi usado, mas apenas uma parte”.
Avelino Capitani apresenta sua versão: “Dizem que Cuba deu muito dinheiro para o MNR, para o Brizola... (...) O dinheiro foi mandado, Cuba diz que mandou, mas não chegava à guerrilha, chegava muito pouco”. Denise acrescenta: “Brizola nunca teria ajudado os guerrilheiros presos e suas famílias com o dinheiro de Cuba”. Adversários de Brizola costumam dizer que Fidel Castro, durante muito tempo, o chamava de “El Ratón”.
O Tenente Vermelho”, livro aparentemente não consultado por Denise, que não o cita, é revelador (e não foi desmentido por Brizola). Escrito pelo capitão José Wilson da Silva (o tenente vermelho, na época), que foi assessor militar de Brizola, o livro é, no mínimo, polêmico. Na página 201, no capítulo “Os discutidos recursos”, José Wilson escreve: “Participei de quase tudo que foi feito lá [no Uruguai], nos tempos mais quentes, desde o comando do coronel Jefferson e Alvarez até o grupo menor em torno de Brizola. Não sabia de tudo o que Brizola fazia, porque ele nunca abre o jogo completo, mas a grande maioria dos fatos que lá se passavam eu terminava sabendo, geralmente por ele próprio, por estar incluído no grupo mais chegado. (...) Que eu saiba, o primeiro contato feito com Cuba foi através do deputado uruguaio Ariel Collazo, levando nossa disposição de uma retomada da democracia no Brasil”.
Segundo José Wilson, “Fidel enviou, a título de ajuda, 500 mil dólares. Desta importância, segundo um relatório de Brizola para nós, um terço teria ficado com Jango, pois a este estavam ligados vários exilados necessitados. Outro terço teria ficado com Darcy Ribeiro, por questão de segurança e que também tinha parte de responsabilidade. O outro terço teria ficado com Brizola. Lembro-me que ele, Brizola, ficou muito aborrecido porque as ações mais positivas estavam sendo feitas pela nossa gente e ficamos desse modo com relativamente pouco dinheiro. Parte desta importância foi gasta com elementos no exílio, parte com a assistência a companheiros no Brasil em situações críticas, como presos com a família sem recursos etc., e parte com os nossos homens-correios para implantação já de esquemas de trabalho, aliás, tudo em função de um plano de ação armada”.
José Wilson acrescenta: “Mais tarde o companheiro Lélio Carvalho completou outro contato com Fidel no acerto de novo auxílio que foi realizado e canalizado por Darcy Ribeiro. Mais 500 mil dólares, estes sim, em sua maioria para o esquema de resposta armada. (...) Com aquele dinheiro foi possível montar alguns esquemas de arregimentação no Brasil, com o do companheiro Daudt que comprou um mato de eucaliptos para comercializar, disfarçando o real motivo de reunir um elevado número de homens para ação armada. Até hoje há pessoas que dizem ter Daudt comprado uma fazenda com dinheiro do Uruguai, enquanto outros passavam necessidades. Não sabiam o risco que Daudt estava correndo para tentar reunir gente disposta. (...) Alguns receberam e empregaram mal o dinheiro. (...) Com este dinheiro foi montada quase toda a operação Caparaó, último recurso e esperança de fazer algo, talvez para justificar o precioso recurso vindo do povo sofrido de Cuba. Fidel teria se disposto a colaborar com mais recursos, caso as ações entrassem em prática, mas com 4 mil toneladas de açúcar para serem colocadas em compradores da Europa. Como não tínhamos vendedores nem as ações tiveram prosseguimento, este auxílio não se concretizou. Este açúcar poderia ter dado à época cerca de 4 milhões de dólares”.
Há uma história no mínimo curiosa contada por José Wilson: seus companheiros Maranhão (engenheiro) e Saulo Gomes (jornalista) assaltaram ou “desapropriaram” um cofre de João Goulart e levaram dólares.
Guevara e Brizola
Em 1966, ano do início da guerrilha (que não houve) de Caparaó, Che Guevara teria se encontrado com Brizola, em Montevidéu. Benigno garante que outras cidades, mas não Montevidéu, estavam na rota de Che. “Capitani afirma que o coronel Dagoberto Rodrigues, do MNR, acompanhou Che do Uruguai à Bolívia. Nesta mesma época do possível contato de Che com Brizola, teria havido o encontro de Che, em São Paulo, com Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira, dirigentes da ALN. Capitani atesta que o foco do Mato Grosso e a frente fronteiriça tinham a função de manter a ligação com Che e outra frente no norte do Paraná manteria a conexão nas fronteiras. Não fica claro, no entanto, como se daria esta ligação. A própria escolha de Caparaó pode ter a ver com as articulações com Cuba”, registra Denise.
Apesar das evidências, mas na falta da confirmação de Brizola e Neiva Moreira, a historiadora é cautelosa. Ela diz que fica difícil “saber se seus projetos [de Brizola] estavam — e como estavam —, de fato, articulados ao de Che Guevara”. As relações entre Fidel e Brizola se tornaram tensas ao longo do tempo. Não restou nenhuma admiração de um pelo outro. Brizola não fez a revolução — não conseguiu ser o Fidel brasileiro. Fidel, segundo alguns, não teria enviado os recursos necessários. De resto, Fidel abandonou Brizola e sua turma e passou a negociar diretamente com a esquerda radical e internacionalista, como a Ação Libertadora Nacional, de Carlos Marighella.
Versão de José Dirceu contraria tese da historiadora Denise Rollemberg
A historiadora Denise Rollemberg não conseguiu entrevistar o deputado José Dirceu (PT), um dos integrantes do Molipo. Mas José Dirceu falou comigo, em abril de 1999, no seu gabinete de deputado federal em Brasília (sentados ao seu lado, estavam Marco Aurélio Garcia, o hoje ideólogo do governo Lula, e o advogado Sebastião Ferreira Leite, o Juruna), sobre a sua participação no Movimento de Libertação Popular, e sua versão é diferente das versões apresentadas pela pesquisadora e seus entrevistados.
José Dirceu conta que morou na casa, em Cuba, onde se deu a cisão, na Ação Libertadora Nacional (ALN), que originou o MOLIPO. Fui convidado por amigos e companheiros de longa data do movimento estudantil para morar numa casa e a direção da ALN não quis. Mas esses companheiros se impuseram e eu fui morar nessa casa. Convivi com esse grupo todo e voltei com ele para o Brasil. (...) Insisto num ponto: em 1971, fui convidado para morar na casa dos futuros fundadores do MOLIPO. Qual era o meu cacife? Tinha sido líder estudantil no Brasil”, conta José Dirceu. “Eu voltei para o Brasil, em 1971, pelas mãos do MOLIPO. Mas não consegui ficar clandestino no Brasil. Como não havia condições objetivas de sobrevivência, voltei para Cuba.
Se foi integrante do MOLIPO, José Dirceu diz que não chegou a liderá-lo. “Eu não era nada no Molipo.” E, aqui, se revela a divergência básica em relação à tese esboçada no livro “O Apoio de Cuba à Luta Armada no Brasil — O Treinamento Guerrilheiro”, de Denise Rollemberg: “A tese de que os cubanos incentivaram a criação do MOLIPO é equivocada. Eu sou testemunha de que os cubanos eram contra a nossa volta para o Brasil. Como eles não queriam que eu voltasse em 1974 para o Brasil. Durante mais de um ano eles me seguraram”.
Fonte:   Revista Bula
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quinta-feira, 24 de abril de 2014

Ecos do 31 de Março.

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1964 - Um Testemunho
Fernão Lara Mesquita
Para entender o que aconteceu em 64 é preciso lembrar o que era o mundo naquela época.
Um total de 30 países, parando na metade da Alemanha de hoje, havia sido engolido pela Rússia comunista por força militar. Invasão mesmo, que instalava um ditador que atuava sob ordens diretas de Moscou. Todos os que tentaram escapar, como a Hungria em 56, a Checoslováquia em 68, a Polônia em 80 e outros, sofreram novas invasões e massacres.
E tinha mais a China, o Vietnã, o Camboja, a Coreia do Norte, etc, na Ásia, onde houve verdadeiros genocídios.
Na África era Cuba que fazia o papel que os russos fizeram na Europa, invadindo países e instalando ditadores no poder.
As ditaduras comunistas, todas elas, fuzilavam sumariamente quem falasse contra esses ditadores.
Não era preciso agir, bastava falar para morrer, ou nem isso. No Camboja um quarto de toda a população foi executado pelo ditador Pol Pot entre 1975 e 1979, sob os aplausos da esquerda internacional e da brasileira.
Os países onde não havia ditaduras como essas viviam sob ataques de grupos terroristas que as apoiavam e assassinavam e mutilavam pessoas a esmo detonando bombas em lugares públicos ou fuzilando gente desarmada nas ruas.
As correntes mais radicais da esquerda brasileira treinavam guerrilheiros em Cuba desde antes de 1964. Quando João Goulart subiu ao poder com a renúncia de Jânio Quadros, passaram a declarar abertamente que era nesse clube que queriam enfiar o Brasil.
64 foi um golpe de civis e militares brasileiros que lutaram na 2ª Guerra Mundial e derrubaram a ditadura de Getúlio Vargas, para impedir que o ex-ministro do Trabalho de Vargas levasse o País para onde ele estava prometendo levá-lo, apesar de se ter tomado presidente por acaso. Tratava-se portanto, de evitar que o Brasil entrasse num funil do qual não havia volta, e por isso tanta gente boa entrou nessa luta e a maioria esmagadora do povo, na época, a apoiou.
A proposta do primeiro governo militar era só limpar a área da mistura de corrupção com ideologia que, aproveitando-se das liberdades democráticas, armava um golpe de dentro do sistema para extingui-las de uma vez por todas, e convocar novas eleições para devolver o poder aos civis.
Até outubro de 65, um ano e meio depois do golpe, seguindo o combinado, os militares tinham-se limitado a cassar o direito de eleger e de ser eleito, por dez anos, de 289 pessoas, incluindo 5 governadores, 11 prefeitos e 51 deputados acusados de corrupção mais que de esquerdismo.
Ninguém tinha sido preso, ninguém tinha sido fuzilado, ninguém tinha sido torturado. Os partidos políticos estavam funcionando, o Congresso estava aberto e houve eleições livres para governador e as presidenciais estavam marcadas para a data em que deveria terminar o mandato de Jânio Quadros.
O quadro só começou a mudar quando em outubro de 65, diante do resultado da eleição para governadores, o Ato Institucional nº 2 (AI-2) extinguiu partidos, interferiu no Judiciário e tornou indireta a eleição para presidente. Foi nesse momento que o jornal O Estado de S. Paulo, que até então os apoiara, rompeu com os militares e passou a combatê-los.
Tudo isso aconteceu praticamente dentro de minha casa, porque meu pai, Ruy Mesquita, era um dos principais conspiradores civis, fato de que tenho o maior orgulho.
Antes mesmo da edição do AI-2, porém, a esquerda armada já havia matado dois: um civil, com uma bomba no Cine Bruni, no Rio, que feriu mais um monte de gente; e um militar numa emboscada no Paraná. E continuou matando depois dele.
Ainda assim, a barra só iria pesar mesmo a partir de dezembro de 68, com a edição do AI-5. Aí é que começaria a guerra. Mas os militares só aceitaram essa guerra depois do 19º assassinato cometido pela esquerda armada.
Foi a esquerda armada, portanto, que deu o pretexto para a chamada ‘linha dura” militar tomar o poder e a ditadura durar 21 anos, tempo mais que suficiente para os trogloditas de ambos os lados começarem a gostar do que faziam quando puxavam gatilhos, acendiam pavios ou aplicavam choques elétricos.
A guerra é sempre o paraíso dos tarados e dos psicopatas e aqui não foi diferente.
No cômputo final, a esquerda armada matou 119 pessoas, a maioria das quais desarmada e que nada tinha que ver com a guerra dela; e os militares mataram 429 “guerrilheiros”, segundo a esquerda, 362 “terroristas”, segundo os próprios militares. O número e as qualificações verdadeiras devem estar em algum lugar no meio dessas diferenças.
Uma boa parte dos que caíram morreu atirando, de armas na mão; outra parte morreu na tortura, assassinada ou no fogo cruzado.
Está certo: não deveria morrer ninguém depois de rendido, e morreu. E assim como morreram culpados de crimes de sangue, morreram inocentes. Eu mesmo tive vários deles escondidos em nossa casa, até no meu quarto de dormir, e já jornalista contribuí para resgatar outros tantos. Mas isso é o que acontece em toda guerra, porque guerra é, exatamente, a suspensão completa da racionalidade e do respeito à dignidade humana.
O total de mortos pelos militares ao longo de todos aqueles 21 “anos de chumbo” corresponde mais ou menos ao que morre assassinado em pouco mais de dois dias e meio neste nosso Brasil “democrático” e “pacificado” de hoje, onde se matam 50 mil por ano.
Há, por enquanto, 40.300 pessoas vivendo de indenizações por conta do que elas ou seus parentes sofreram na ditadura, todas do lado da esquerda. Nenhum dos parentes dos 119 mortos pela esquerda armada, nem das centenas de feridos, recebeu nada desses R$ 34 bilhões que o Estado andou distribuindo.
Enfim, esse é o resumo dos fatos nas quantidades e na ordem exatas em que aconteceram, do que dou fé porque estava lá. E deixo registrado para os leitores que não viveram aqueles tempos compararem com o que andam vendo e ouvindo por aí e tirarem suas próprias conclusões sobre quanto desse barulho todo corresponde a sentimentos e intenções honestas.
Fernando Lara Mesquita é jornalista.
 Escreve em www.vespeiro.com
Publicado no jornal “O Estado de São Paulo” de 07 Abr 2014.
Fonte:  Clube Militar
COMENTO:  dedique menos de dez minutos para ver o vídeo abaixo. Obviamente é uma montagem. Foram usadas cenas de diversas fontes e há erros de português de sobra. Mas ele retrata o que ocorreu em diversos países no passado, o que ocorre hoje na Venezuela e o que certamente ocorrerá no Brasil em futuro muito próximo. Desfrute, se puder!
Vídeo copiado do Blog do Licio Maciel
ATUALIZAÇÃO:  infelizmente, os canalhas já começaram a usar seus poderes ditatoriais sobre a internet. O vídeo foi "sumido" magicamente do You Tube, por ordem sabe-se lá de quem! E isso que o tal "Estatuto da Internet" recém foi promulgado! Mas foi republicado! Aproveite e veja, antes que apaguem novamente!
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sexta-feira, 28 de março de 2014

O Que os Professores de História Não Contam Sobre a Contrarrevolução de 1964

por Carlos I.S. Azambuja
Uma série de fatos que servem para relembrar a verdade sobre o terrorismo no Brasil.
VOCÊ SABIA?
- Que no governo João Goulart algumas organizações de esquerda condenavam a luta pela reforma agrária, porque seu triunfo daria origem a um campesinato conservador e anti-socialista? Isso está escrito na página 40 do livro "Combate nas Trevas", de Jacob Gorender, que foi dirigente do PCB e um dos fundadores do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário, em 1967.
- Que no governo João Goulart já existiam campos de treinamento de guerrilha no Brasil? Em 4 de dezembro de 1962, o jornal "O Estado de São Paulo" (página 8) noticiou a prisão de diversos membros das famosas Ligas Camponesas, fundadas por Francisco Julião, num campo de treinamento de guerrilhas, em Dianópolis, Goiás.
- Que o primeiro grupo de 10 membros do Partido Comunista do Brasil - então partidário da chamada linha chinesa de "guerra popular prolongada" para a tomada do poder - viajou para a China ainda no governo João Goulart, em 29 de março de 1964, a fim de receber treinamento na Academia Militar de Pequim? E que até 1966 mais duas turmas foram a Pequim com o mesmo objetivo? (livro "Combate nas Trevas", de Jacob Gorender).
- Que no regresso da China, esses militantes, e outros, foram mandados, a partir de 1966, para a selva amazônica a fim de criar o embrião da "guerra popular prolongada" que resultou naquilo que ficou conhecido como Guerrilha do Araguaia, somente descoberto pelas Forças Armadas em abril de 1972, graças à prisão de um casal, no Ceará, que havia abandonado a área, desertando?
- Que mais da metade dos cerca de 60 jovens que morreram no Araguaia, para onde foram mandados pela direção do PCdoB, eram estudantes universitários, secundaristas ou recém-formados, segundo as profissões descritas na Lei que, em 1995, constituiu a Comissão de Desaparecidos Políticos?
- Que a expressão "socialismo democrático" - hoje largamente utilizada por alguns partidos e candidatos - induz a um duplo erro: o de apontar no rumo de um hipotético socialismo que prescindirá do Estado da Ditadura do Proletariado, acontecimento nunca visto no mundo, e o de introduzir a idéia de que o Estado mais democrático que o mundo já conheceu, o Estado Proletário não é democrático? (livro "História da Ação Popular", página 63, de autoria dos atuais dirigentes do Partido Comunista do Brasil, Aldo Arantes e Haroldo Rodrigues Lima).
- Que no início de 1964, antes da Revolução de Março, Herbert José de Souza, o "Betinho" já pertencia à Coordenação Nacional da Ação Popular? (livro "No Fio da Navalha", do próprio "Betinho", páginas 41 e 42).
- Que em 31 de março de 1964, quando da Revolução, "Betinho" era o coordenador da assessoria do Ministro da Educação, Paulo de Tarso, em Brasília? (livro "No Fio da Navalha", páginas 46 e 47).
- Que pouco tempo antes da Revolução de Março de 1964, o coordenador nacional do "Grupo dos Onze", constituídos por Leonel Brizola, era "Betinho", designado pelo próprio Brizola? (livro "No Fio da Navalha", páginas 49 a 51).
- Que em março de 1964 o esquema armado de João Goulart "era uma piada"; e que "o comandante Aragão, comandante dos Fuzileiros Navais, era um alucinado e eu nunca vi figura como aquela"? (livro "No Fio da Navalha", página 51).
- Que já em 1935 Luiz Carlos Prestes, o "Cavaleiro da Esperança", era um assalariado do Komintern (3ª Internacional)? Isso está escrito e comprovado no livro "Camaradas", do jornalista William Waak, que teve acesso aos arquivos da 3ª Internacional, em Moscou, após o desmanche do comunismo.
- Que Luiz Carlos Prestes foi Secretário-Geral do Partido Comunista Brasileiro por 37 anos, ou seja, até maio de 1980, uma vez que foi eleito em setembro de 1943, quando ainda cumpria pena por sua atuação na Intentona Comunista? (livro "Giocondo Dias, uma Vida na Clandestinidade", de Ivan Alves Filho, cujo pai, Ivan Alves, pertenceu ao partido).
- Que quatro ex-militares dirigiram o PCB desde antes de 1943 até 1992: Miranda, Prestes, Giocondo Dias e Salomão Malina? Ou seja, dirigiram - ou melhor, comandaram - o PCB por cerca de 50 anos?
- Que após o desmantelamento do socialismo real, que começou pela queda do Muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989, foi considerado que "o marxismo-leninismo deixou de ser uma ferramenta de transformação da História para tornar-se uma espécie de religião secularizada, defendida em sua ortodoxia pelos sacerdotes das escolas do partido"? (livro "Nos Bastidores do Socialismo", de autoria de Frei Betto).
- Uma frase altamente edificante: "Quero deixar claro que admito a pena de morte em uma única exceção: no decorrer da guerra de guerrilhas". Seu autor? Frei Betto, em seu livro "Nos Bastidores do Socialismo", página 404.
- Que foi criada uma Comissão Especial, composta por sete membros, com a atribuição de proceder ao reconhecimento de pessoas que tenham falecido de causas não naturais "em dependências policiais ou assemelhadas"?
- Que da relação de pessoas desaparecidas que acompanhou o projeto constavam os nomes de 136 militantes da esquerda considerados desaparecidos políticos que, por opção própria, pegaram em armas para instalar em nosso país uma República Democrática Popular semelhante àquelas que o povo, nas ruas do Leste Europeu, derrubou, nos anos de 1989 e 1990?
- Que entre esses nomes, estavam os de 59 guerrilheiros desaparecidos no Araguaia, quando tentavam implantar o embrião do modelo chinês de "guerra popular prolongada"?
- Que as famílias de todos esses guerrilheiros do Araguaia já foram indenizadas com quantias que variam de 100 mil a 150 mil reais?
- Que, por conseguinte, à vista do que está escrito na lei, para que essa indenização fosse concedida, a área de selva de cerca de 7 mil quilômetros quadrados em que a guerrilha se instalou, foi considerada uma "dependência policial ou assemelhada"?
- Que duas senhoras, integrantes da Comissão que representam as famílias dos desaparecidos, Iara Xavier Pereira e Suzana Kiniger (ou Suzana Lisboa) foram militantes da ALN e receberam treinamento militar em Cuba?
- Que Iara Xavier Pereira participou de diversas "ações armadas", conforme ela própria revela, na página 297, do livro "Mulheres que Foram à Luta Armada", de autoria de Luiz Maklouf?
- Que essas senhoras ou suas famílias foram indenizadas pela morte de 4 pessoas? Iuri Xavier Pereira, Alex de Paula Xavier Pereira e Arnaldo Cardoso Rocha (todos membros do Grupo Tático Armado da ALN, com treinamento militar em Cuba, mortos nas ruas de São Paulo em tiroteio com a polícia), irmãos e marido de Iara Xavier Pereira - que também recebeu treinamento militar em Cuba - e Luiz Eurico Tejera Lisboa (treinado em Cuba), marido de Suzana Lisboa, que com ele também recebeu treinamento na paradisíaca "ilha da liberdade"? Que, no total, 600.000 mil reais, foi quanto os contribuintes pagaram a essas duas senhoras?
- Que a mídia, a famosa mídia que faz a cabeça das pessoas, jovens e adultos, nunca registrou esse "pequeno trecho" altamente edificante da História recente de nosso país?
Mas, há mais, muito mais! 
VOCÊ SABIA que o guerrilheiro do Araguaia, Rosalino Cruz Souza, conhecido na guerrilha como "Mundico", incluído na relação de "desaparecidos políticos", sabidamente "justiçado", no Araguaia, pela também guerrilheira "Dina" (Dinalva Conceição Teixeira) - cujos familiares foram também indenizados - teve sua família indenizada? Não pelo Partido que o mandou para lá e o matou, mas por nós, contribuintes?
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domingo, 23 de março de 2014

1964: Interpretações Parciais

por Enio Meneghetti (*)
ZH publicou no último domingo (16/3) artigo do jornalista Flávio Tavares, Para reviver 1964.
Como autor da biografia do então governador do RS, que foi participante obrigatório daqueles momentos, gostaria de contrapor algumas afirmações do artigo.
Fala-se muito na “participação americana”, mas nada refere-se sobre a participação cubana e soviética nos mesmos eventos.
Em A Ditadura Envergonhada, Elio Gaspari revela: “Em 1961, Fidel hospedara Francisco Julião do MRT – Movimento Revolucionário Tiradentes. A Moscou, Julião pedira mil submetralhadoras. Em 1962 são descobertos campos de treinamento de guerrilha em Dianópolis, Goiás.
No final de 1962, na queda de um Boeing 707 da VARIG nas cercanias de Lima, é encontrada a mala diplomática cubana. Continha detalhes sobre o plano revolucionário em andamento no Brasil e reclamações sobre “os gastos excessivos” do dinheiro cubano pela esquerda brasileira. (**)
Em 13 de março de 1964, Jango anunciou seus decretos. O da reforma agrária – 53.700/64 – declarava de “interesse social” as áreas rurais em um raio de 10 quilômetros nas margens de todas as rodovias federais, ferrovias, açudes, barragens. O de “tabelamento de aluguéis”, em seu artigo quinto, trazia: “O Comissariado da Economia Popular listará em 90 dias todos os prédios e apartamentos desocupados com vistas à ‘desapropriação por utilidade social’.
Tudo por decretos, à revelia do Congresso, contrariando a Constituição vigente.
O governador do RS, Ildo Meneghetti procurou Jango. O encontro deu-se na Base Aérea de Canoas, na Páscoa de 1964. Meneghetti externou a Jango suas preocupações com os rumos de sua política. Apelou ao adversário que recuasse. O resultado dessa conversa foi a troca dos comandos militares no RS. O general Ladário Telles foi enviado para assumir o III Exército. Antes de embarcar, Ladário indagou ao presidente: “Que tratamento devo dispensar ao governador Ildo Meneghetti?”.
 Tratamento duro. Faça-o sentir com quem está o poder  disse Jango.
Recentemente falecido, o jornalista e historiador Jacob Gorender, militante comunista, afirma em seu clássico Combate nas Trevas: “O período de 60 a 64 marca o auge da luta de classes no Brasil. Nos primeiros meses de 1964, esboçou-se uma situação pré-revolucionária e o golpe direitista se definiu pelo caráter contrarrevolucionário preventivo. Houve chance de vencer, mas foi perdida. O mais grave é que foi perdida de maneira desmoralizante”.
Constata-se uma recorrente tentativa de transformar os fatos ocorridos na luta de “bonzinhos” contra “malvados”, desprezando-se a realidade histórica.
(*) é autor do livro
Baile de Cobras – A Verdadeira História de Ildo Meneghetti
Fonte:   Zero Hora
COMENTO:  Flávio Tavares faz em seu texto  que pode ser lido clicando neste enlace  uma espécie de merchandising de seu livro 1964 - O Golpe, insistindo ter composto uma obra "imparcial". Mas não se furta, no artigo, de justificar-se: não poderia ser neutro. Não há neutralidade frente ao crime. Nem de retomar a velha cantilena de que a Contrarrevolução de 1964 foi uma iniciativa dos EUA, por meio da CIA, omitindo o apoio de Cuba e da falida URSS aos "revolucionários" que bradavam já estar no governo, faltando só assumir o poder (Luis Carlos Prestes).
(**) O episódio dos documentos cubanos encontrados na queda do voo 810 da VARIG, em 27 Nov 62 está relatado no livro de Denise Rollemberg, O Apoio de Cuba à Luta Armada no Brasil: O Treinamento Guerrilheiro, (Rio de Janeiro: Mauad, 2001) pág. 26.
Os fatos aqui relatados comprovam cabalmente que o ocorrido em 1964 foi uma reação ao golpe que a canalha comunista tramava contra o Brasil, com o apoio externo de Cuba e URSS.
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domingo, 9 de março de 2014

Rússia Quer Ter Bases Militares na América do Sul

O ministro da Defesa da Rússia, Sergei Choigu, anunciou na quarta-feira, 26/2, o interesse do seu país em abrir bases militares nas Américas do Sul e Central e no Caribe. De acordo com Choigu, as mesmas seriam na Venezuela, Nicarágua e Cuba. Além destas, a Rússia também estuda manter bases no Vietnã, Ilhas Seychelles e em Cingapura.
Segundo ele, "as conversações estão em progresso, e estamos perto de assinar os documentos relevantes". De acordo com o ministro, o governo russo pretende abrir não apenas bases militares para uso permanente, mas, também, postos de abastecimento de bombardeiros e portos que podem ser usados para atracagem de equipamentos militares.
Atualmente, a Rússia mantém uma base naval em Tartus, na Síria, mas por questões econômicas, decidiu fechar as bases naval no Vietnã e em Cuba. Em 2007, a base na Geórgia também foi fechada por conta do conflito entre os dois países pelo controle da Ossétia do Sul. Além disso, a presença militar russa é patente em países como Ucrânia, Armênia. Quirquistão e Tadjiquistão. 
Sergei Shoigu confirmou que a Rússia está prestando atenção especial à América Latina, zona considerada estratégica assim como o sudeste da Ásia.
Venezuela
No entanto, o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Elias Jaua, afirmou em Brasília que o seu país não acolherá uma base militar russa. Segundo ele, a Constituição venezuelana proíbe a instalação de base militar estrangeira.
Na Nicarágua, a oposição reagiu contra o projeto com o mesmo argumento: a Constituição local impede uma instalação militar de outro país em seu território.
Fonte:  Info Rel
COMENTO:  pelo visto, a queda do Muro de Berlim e a dissolução da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS alguém se lembra?) não definiu o fim da "Guerra Fria" como se pensava. Aparentemente, estamos ante o esforço do antigo agente da KGB, Putin, em colocar a Rússia como substituta da extinta URSS, retomando a posição de segunda potência mundial e, quem sabe, voltar à liderança da "revolução socialista"Não exagero. A América Latrina, com seus povos miseráveis e mal instruídos volta a ser o alvo da "Mãe Rússia". 
Não duvido que algum dos canalhas bolivarianos que imperam em Cuba, Bolívia, Argentina ou até mesmo no Brasil, ofereçam as condições para abrigar uma base do "kamarada". Caso isso aconteça, vamos ver como reagirá o "Lula yankee", ora no desgoverno da nação líder do mundo livre.
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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Por Que Cuba é Pobre

Uma dica: não é por causa do bloqueio americano.
Como escreve João Pereira Coutinho:
O embargo americano existe, sem dúvida, e deve ser condenado pelo seu óbvio anacronismo [...]. Mas é preciso acrescentar a segunda parte da frase: só existe o embargo americano. Que o mesmo é dizer: todo mundo que é mundo mantém relações com Cuba e nem assim a ilha se converteu numa espécie de Suécia do Caribe.
Antes de 1959, o problema de Cuba era a presença de relações econômicas com os Estados Unidos. Depois o problema se tornou a ausência de relações econômicas com os Estados Unidos.
O embargo americano é obsceno, mas não é a raiz da pobreza cubana. De fato, como indica Coutinho, os cubanos podem comprar produtos americanos pelo México. Podem comprar carros do Japão, eletrodomésticos da Alemanha, brinquedos da China ou até cosméticos do Brasil.
Por que não compram? Porque não têm com o que comprar. Não é um problema contábil ou monetário — o governo cubano emite moeda sem lastro nem vergonha. O que falta é oferta. Cuba oferece poucas coisas de valor para o resto do mundo. Cuba é pobre porque o trabalho dos cubanos não é produtivo.
A má notícia para os comunistas é que produtividade é coisa de empresário capitalista. Literalmente. É o capital que deixa o trabalho mais produtivo. E é pelo empreendedorismo que uma sociedade descobre e realiza o melhor emprego para o capital e o trabalho.
Mesmo quando o governo cubano permite um pouco de empreendedorismo, ele restringe a entrada de capital. Desde que assumiu o poder em 2007, Raúl Castro já fez a concessão de quase 170.000 lotes de terra não cultivada para agricultores privados. Só que faltam ferramentas e máquinas para trabalhar a terra. A importação de bens de capital é restrita pelo governo. Faltam caminhões para transportar alimentos. Os poucos que existem estão velhos e passam grande parte do tempo sendo consertados. Em 2009, centenas de toneladas de tomate apodreceram por falta de transporte.
Campanhas internacionais contra a pobreza global se esquecem dos cubanos. Parece que o uniforme dos irmãos Castro tem o poder de camuflar a pobreza em meio a discursos de conquista social. Dizem que Cuba tem medicina e educação de ponta. Ainda que fosse verdade, isso seria bom apenas para o pesquisador de ponta. E triste para o resto da população que vive longe da ponta, sem acesso a informação aberta ou aos medicamentos mais básicos, como analgésicos e antitérmicos. É como na saudosa União Soviética. A engenharia era de ponta. Colocava gente no espaço e tanques na avenida. Só não era capaz de colocar carro nas garagens nem máquina de lavar nas casas.
Cuba vai enriquecer quando a sua população se tornar mais produtiva para trabalhar e mais livre para empreender. Ou seja, quando houver capitalismo para os cubanos.
Leia também: Capitalismo para Cuba

sábado, 24 de agosto de 2013

Médicos "Importados"

O governo gastará R$ 21 mil com cada médico cubano, mas o governo de Fidel Castro embolsará R$ 20.300,00 pagando aos trabalhadores escravos apenas R$ 700,00.
Enquanto enganava a opinião pública com o programa "Mais Médicos", fazendo de conta que queria atrair médicos de Portugal e Espanha, o governo afivelava tudo por baixo do pano com os cubanos de Fidel Castro. Os primeiros médicos-escravos, espiões comunistas e cabos eleitorais do PT, começarão a desembarcar amanhã, numa velocidade espantosa e jamais vista antes neste País. 
Um total de 244 médicos formados fora do país (sendo 99 brasileiros) começam a chegar ao Brasil a partir da tarde desta sexta-feira para atuar no programa Mais Médicos, do governo federal. De acordo com a assessoria do Ministério da Saúde, não há profissionais cubanos nesses grupos - eles devem chegar somente a partir de amanhã.
O Ministério Público do Trabalho anunciou que poderá vir a questionar a importação, pelo governo Dilma, de 4.000 médicos cubanos para atuar no interior do país pelo programa Mais Médicos. Segundo a “Folha de S.Paulo”, o procurador José de Lima Ramos Pereira, que comanda no órgão a Coordenadoria Nacional de Combate às Fraudes nas Relações de Trabalho, disse que a forma de contratação fere a legislação trabalhista e a Constituição.O MPT vai ter que interferir, abrir inquérito e chamar o governo para negociar”. O acerto também foi questionado por auditores fiscais do Ministério do Trabalho em São Paulo e pelo presidente da comissão da OAB-SP que trata de assistência médica. O procurador Ramos Pereira afirmou ao jornal que a contratação é “totalmente irregular”, sob pretexto de resolver uma questão relevante (a falta de médicos), “mas que não está caracterizada com a urgência que exige uma situação de calamidade, como epidemia e terremoto. Ele disse que seria preciso concurso público.O governo será empregador na hora de contratar e dirigir esses médicos, mas, na hora de assalariar, a remuneração é feita por Cuba ou por meio de acordos. Isso fere a legislação trabalhista.” 

Saiba qual a importância da exportação de médicos para a economia cubana, segundo reportagem do jornal El País, Madrid. CLIQUE AQUI para ler.
Em 2006, os cubanos eram proibidos de namorar nativos e de sair de casa após às 18 horas sem autorização e de pedir empréstimo local, é o que informa a revista Veja deste sábado. Leia mais:
Em 2006, a Bolívia fechou um convênio com os irmãos Castro para levar médicos cubanos para trabalhar no país. Era um acordo similar ao assinado pelo Ministério da Saúde brasileiro na última quarta-feira. Aos que foram enviados à Bolívia, foi entregue uma cartilha de doze páginas, à qual o site de Veja teve acesso, com normas e restrições que deveriam ser cumpridas à risca. Para quem desobedecesse, a punição variava da advertência pública ao regresso imediato a Cuba.
Dividido em onze capítulos, o grau de detalhamento do Regulamento Disciplinador chegava ao nível de dizer o que os cubanos deveriam fazer caso começassem algum relacionamento amoroso com uma nativa. A título de curiosidade: obrigava os cubanos a informar às autoridades o relacionamento. Além disso, a parceira deveria estar ciente do pensamento revolucionário das missões cubanas — e concordar com ele.
CLIQUE AQUI para ler tudo.

Questões colocadas pelo leitor Roberto Mello Castro, depois de examinar a foto ao lado:
1 - Porque o jaleco se não estão no trabalho?
2 - Se estão prontos para trabalhar ou sinalizam que vieram para trabalhar já de uniforme, o que fazem usando sapatos abertos, pois qualquer médico sabe que não se usa sapato abertos a trabalho. Pelo menos, a boa norma de saúde assim recomenda.
3 - Se estes médicos cubanos são tão bons quanto dizem, como deixaram Chaves morrer?
4 - Se ha solidariedade continental e comunista, por que não pedem ao seu governo que devolvam os R$ 31 mil que receberá mensalmente do Brasil.
5 - Onde estão os familiares desses cubanos, que viverão três anos no Brasil ?
Os primeiros médicos cubanos que desembarcaram no Brasil para participar do programa Mais Médicos, do governo federal, disseram neste sábado que não sabem quanto receberão pelo trabalho e que vieram "por solidariedade, e não por dinheiro". "Nós somos médicos por vocação e não por dinheiro." A informação anterior e as seguintes são do site www.uol.com.br de hoje. "Trabalhamos porque nossa ajuda foi solicitada, e não por salário, nem no Brasil nem em nenhum lugar do mundo", afirmou o médico de família Nélson Rodríguez, 45, ao desembarcar no Aeroporto Internacional dos Guararapes, em Recife (PE).
Ele disse que a atuação dos profissionais no Brasil seguirá as ações executados em países como Haiti e Venezuela, onde já trabalhou. "O sistema de saúde no Brasil é mais desenvolvido que nesses outros países que visitamos, então poderemos fazer um trabalho até melhor na saúde básica", afirmou.
À imprensa, outros médicos que deram entrevistas concordaram com o colega. Todos eles falaram "portunhol" - afirmaram que tiveram contato com o português quando trabalharam na África ou por terem amigos que já trabalharam no continente. Natacha Sánchez, 44, que trabalhou em missões médicas na Nicarágua e na África, disse que os cubanos estão preparados para o trabalho em locais com "condições críticas" e que pretendem trabalhar em conjunto com os médicos brasileiros. Ela afirmou não ter conhecimento das críticas feitas pelo Conselho Federal de Medicina ao programa Mais Médicos.
Os médicos cubanos desembarcaram vestindo jaleco, com bandeiras do Brasil e de Cuba. Eles foram escoltados por homens do Exército e da Marinha durante os procedimentos de imigração e alfândega, de onde seguiram em vans para alojamentos das Forças Armadas. Quatro deles foram levados para uma sala e conversaram com jornalistas.
O voo dos cubanos pousou por volta das 14h. Em um avião fretado da empresa Cubana, vieram 206 médicos. Desses, 30 ficarão em Pernambuco e os outros irão ainda hoje para Brasília. Amanhã, outro grupo de 194 médicos chega em voos que farão escalas em Fortaleza, Recife e Salvador. Eles ficarão hospedados em instalações militares durante o treinamento do programa, até serem deslocados para os municípios onde irão atuar. A expectativa do governo é que, até o final do ano, mais 3.600 médicos cubanos desembarquem no Brasil.
Fonte:  Políbio Braga
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sexta-feira, 12 de julho de 2013

O Que Foi Que Aconteceu?

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A primeira nação da América espanhola que utilizou máquinas e barcos a vapor foi Cuba em 1819.
A primeira nação da América Latina e a terceira no mundo (atrás da Inglaterra e dos EUA), a ter uma ferrovia foi Cuba, em 1837.
Foi um cubano que primeiro aplicou anestesia com éter na América Latina em 1847.
A primeira demonstração, a nível mundial, de uma indústria movida a eletricidade foi em Havana, em 1877.
Em 1882, foi um médico cubano, Carlos J. Finlay, que descobriu o agente transmissor da febre amarela e definiu sua prevenção e tratamento.
O primeiro sistema elétrico de iluminação em toda a América Latina foi instalado em Cuba, em 1889.
Entre 1825 e 1897, entre 60 e 75% de toda a renda bruta que a Espanha recebeu do exterior vieram de Cuba.
Antes do final do Século XVIII Cuba aboliu as touradas por considerá-las "impopulares, sanguinárias e abusivas com os animais".
O primeiro bonde que circulou na América Latina foi em Havana em 1900.
Também em 1900, antes de qualquer outro país na América Latina foi em Havana que chegou o primeiro automóvel.
A primeira cidade do mundo a ter telefonia com ligação direta (sem necessidade de telefonista) foi Havana, em 1906.
Em 1907, estreou em Havana o primeiro aparelho de Raios-X em toda a América Latina.
Em 19 de maio de 1913 quem primeiro realizou um vôo em toda a América Latina foram os cubanos Agustin Parla e Rosillo Domingo, entre Cuba e Key West, que durou uma hora e quarenta minutos.
O primeiro país da América Latina a conceder o divórcio a casais em conflito foi Cuba, em 1918.
O primeiro latino-americano a ganhar um campeonato mundial de xadrez foi o cubano José Raúl Capablanca, que, por sua vez, foi o primeiro campeão mundial de xadrez nascido em um país subdesenvolvido. Ele venceu todos os campeonatos mundiais de 1921-1927.
Em 1922, Cuba foi o segundo país no mundo a abrir uma estação de rádio e o primeiro país do mundo a transmitir um concerto de música e apresentar uma notícia pelo rádio.
A primeira locutora de rádio do mundo foi uma cubana: Esther Perea de la Torre. Em 1928, Cuba tinha e 61 estações de rádio, 43 delas em Havana, ocupando o quarto lugar no mundo, perdendo apenas para os EUA, Canadá e União Soviética. Cuba foi o primeiro no mundo em número de estações por população e área territorial.
Em 1937, Cuba decretou pela primeira vez na América Latina, a jornada de trabalho de 8 horas, o salário mínimo e a autonomia universitária.
Em 1940, Cuba foi o primeiro país da América Latina a ter um presidente da raça negra, eleita por sufrágio universal, por maioria absoluta, quando a maioria da população era branca. Ela se adiantou em 68 anos aos Estados Unidos.
Em 1940, Cuba adotou a mais avançada Constituição de todas as Constituições do mundo. Na América Latina foi o primeiro país a conceder o direito de voto às mulheres, igualdade de direitos entre os sexos e raças, bem como o direito das mulheres trabalharem.
O movimento feminista na América Latina apareceu pela primeira vez no final dos anos trinta em Cuba. Ela se antecipou à Espanha em 36 anos, que só vai conceder às mulheres espanholas o direito de voto, a posse de seus filhos, bem como poder tirar passaporte ou ter o direito de abrir uma conta bancária sem autorização do marido, o que só ocorreu em 1976.
Em 1942, um cubano se torna o primeiro diretor musical latino-americana de uma produção cinematográfica mundial e também o primeiro a receber indicação para o Oscar norte-americano. Seu nome: Ernesto Lecuona.
O segundo país do mundo a emitir uma transmissão pela TV foi Cuba em 1950. As maiores estrelas de toda a América, que não tinham chance em seus países, foram para Havana para atuarem nos seus canais de televisão.
O primeiro hotel a ter ar condicionado em todo o mundo foi construído em Havana: o Hotel Riviera em 1951.
O primeiro prédio construído em concreto armado em todo o mundo ficava em Havana: O Focsa, em 1952.
Em 1954, Cuba tem uma cabeça de gado por pessoa. O país ocupava a terceira posição na América Latina (depois de Argentina e Uruguai) no consumo de carne per capita.
Em 1955, Cuba é o segundo país na América Latina com a menor taxa de mortalidade infantil (33,4 por mil nascimentos).
Em 1956, a ONU reconheceu Cuba como o segundo país na América Latina com as menores taxas de analfabetismo (apenas 23,6%). As taxas do Haiti era de 90%; e Espanha, El Salvador, Bolívia, Venezuela, Brasil, Peru, Guatemala e República Dominicana 50%.
Em 1957, a ONU reconheceu Cuba como o melhor país da América Latina em número de médicos per capita (1 por 957 habitantes); com o maior percentual de casas com energia elétrica, depois Uruguai; e com o maior número de calorias (2870) ingeridas per capita.
Em 1958, Cuba é o segundo país do mundo a emitir uma transmissão de televisão a cores.
Em 1958, Cuba é o país da América Latina com maior número de automóveis (160.000, um para cada 38 habitantes). Era quem mais possuía eletrodomésticos. O país com o maior número de quilômetros de ferrovias por km2 e o segundo no número total de aparelhos de rádio.
Ao longo dos anos cinqüenta, Cuba detinha o segundo e terceiro lugar em internações per capita na América Latina, à frente da Itália e mais que o dobro da Espanha.
Em 1958, apesar da sua pequena extensão e possuindo apenas 6,5 milhões de habitantes, Cuba era 29ª economia do mundo.
Em 1959, Havana era a cidade do mundo com o maior número de salas de cinema: (358) batendo Nova York e Paris, que ficaram em segundo lugar e terceiro, respectivamente.
E depois o que aconteceu?
Veio a Revolução... comunista... e hoje... resta o desespero de uma população faminta, sem liberdade nem mesmo de abandonar o país, sem dignidade, onde a atividade que mais emprega é a prostituição.
Esse mesmo regime que destruiu CUBA é o projeto petista para o Brasil.
O pior é que por desconhecimento dos propósitos do PT, muitos ainda apoiam esse partido.

domingo, 19 de maio de 2013

O Que Marx Não Previu

por Janer Cristaldo
Há muito tempo advogo a contratação de um jornalista antigo nos jornais. Que teria a função de lembrar. Os menininhos diplomados que hoje infestam as redações não lembram do que aconteceu ontem. A imprensa tem noticiado como grande novidade a falta de papel higiênico na Venezuela. 
"Agora chegou a vez do papel higiênico, mas o item é apenas mais um dos tantos em escassez na Venezuela. Medicamentos, café, manteiga: a falta de produtos básicos tem sido rotina no dia a dia dos cidadãos, que formam longas filas nos supermercados e chegam a percorrer cinco farmácias em poucos dias. Em uma medida emergencial, o governo anunciou que importará 50 milhões de rolos de papel higiênico e 760 mil toneladas de alimentos".
Manifesta má vontade com o presidente Nicolás Maduro. Em dezembro de 2007, há seis anos portanto, em pleno governo Hugo Chávez, eu escrevia:
Papel Higiênico e Socialismo
Quando surgiram as primeiras notícias de que começavam a faltar carne, leite e ovos na Venezuela, não me surpreendi. Socialismo é isso mesmo. Sempre foi. Nada de espantar que começasse a faltar comida no socialismo do século XXI do fanfarrão Hugo Chávez. E pensei com meus botões: logo vai faltar papel higiênico. O socialismo sempre foi incompatível com papel higiênico. Não deu outra. Li há pouco, em reportagem do Lourival Santana, que começa a faltar papel higiênico na Venezuela.
O papel higiênico foi inventado há apenas 150 anos. É coisa recente em termos de história. Mas seu uso não é lá muito universal. O mundo muçulmano não o usa muito. Os vasos sanitários dos hotéis árabes reservam uma surpresa não muito simpática a seus usuários. Você puxa a descarga... e recebe um forte jato d’água no devido lugar. Aliás, este importante momento da vida de cada um recebeu merecida atenção do aiatolá Khomeiny. Em seus comentários ao Corão, escreveu:
- Não é necessário limpar o ânus com três pedras ou três pedaços de pano, uma só pedra ou um só pedaço de pano bastam. Mas, se se o limpa com um osso ou com coisas sagradas como, por exemplo, um papel contendo o nome de Deus, não se pode fazer orações nesse estado.
Que no deserto não haja papel higiênico, até que entendo. Quando passei quinze dias no Sahara argelino, levei meu estoque pessoal. A verdade é que não tínhamos nem hotel. Dormíamos ao relento ou em habitações sem teto em alguma aldeia. Vaso, nem sonhar. O que é difícil entender é a inevitável escassez de papel no socialismo.
Em todos os países socialistas que andei, conseguir papel higiênico era sempre uma luta contra a burocracia. Nunca encontrei um quarto de hotel com o dito. Era preciso pedi-lo na portaria, e pedir com jeito. Com visível enfado, o burocrata de plantão lhe passava alguns poucos metros de papel. Rolo, nem pensar. Nos dias do glorioso império soviético, os turistas que se dirigiam às repúblicas socialistas sempre recebiam a recomendação de levar sua própria provisão.
Suponho que as coisas não mudaram muito. Estive na Rússia em 2000, nove anos após a desintegração da URSS. Em São Petersburgo, em hotel cuja diária me custou 112 dólares, nada do bendito papel. Aliás, o quarto não tinha nem lâmpadas.
O curioso é que a Venezuela, mais que um país, é um poço de petróleo. É no mínimo espantoso que falte papel higiênico numa república que tem 100 bilhões de barris de petróleo de reserva.
O socialismo tem suas leis inelutáveis. 
Ainda em fevereiro de 2009, a Veja noticiava: "Neste ano, a Venezuela só conseguirá importar metade do que precisa, agravando o racionamento de produtos de primeira necessidade. Na semana passada, a venda de papel higiênico em alguns supermercados estava limitada a quatro rolos por consumidor.
Em agosto do mesmo ano, The Miami Herald escrevia que "la escasez de papel higiénico en Cuba ha llevado a sus residentes a recurrir a la creatividad. Actualmente, los cubanos han optado por emplear los ejemplares del diario Granma para cubrir esta necesidad".
Normal - escrevi na época -.
Mas não acredito que a falta de papel higiênico tenha se manifestado apenas agora. Num país onde as pessoas vivem em nível de fome, desde há muito os cubanos devem estar conferindo ao Granma a única utilidade que o jornal tem. Não gosto de trocadilhos, mas vamos lá. Seu endereço eletrônico é granma.cu. Para o leitor lusófono, pelo menos, desde há muito estava predestinado a tão nobre função. 
Segundo as autoridades cubanas, "la escasez es resultado de la crisis financiera global y los tres ciclones devastadores del verano pasado, que obligaron a reducir las importaciones. La producción nacional de varios productos ha caído debido a las restricciones en la generación de electricidad y la importación de materias primas". Crise e ciclones um cazzo. A escassez de papel higiênico no mundo comunista já está implícita nas primeiras páginas de O Capital, ainda que Marx não aborde o delicado tema. 
Em Cuba, gerou-se um curioso fenômeno a ser estudado pelos economistas. O Granma é vendido a 20 centavos de peso, seja o jornal do dia, seja um jornal antigo. Porque a utilidade é uma só. E é comprado aos montes. Os cubanos fazem fila nos pontos de distribuição para comprar dez ou quinze exemplares do jornal do dia – ou de dias anteriores – para usá-los na higiene pessoal, enrolar lixo ou outros usos domésticos. É a glória do jornalismo: os jornais vendem mesmo sem serem lidos. Mais ainda: auxiliam na renda doméstica. Os aposentados pagam 20 centavos de peso por exemplar – equivalente a 0,007 centavos de dólar – e os revendem por 20 pesos, o que equivale a 71 centavos de dólar. Imprensa é um bom investimento na Cuba dos Castro. 
Desde há muito escrevo sobre essa estranha incompatibilidade entre socialismo e papel higiênico. Mesmo antes de viajar para países socialistas, eu ouvia relatos de turistas sobre o assunto. Não era fácil encontrar o artigo nos hotéis. Muitas agências recomendavam que o turista se munisse de um bom estoque de rolos, antes de viajar para a União Soviética.
O pior ocorreu na Romênia, em 1981. Em qualquer hotel que chegasse, a primeira coisa que tinha a fazer era pedir papel higiênico na portaria. Lembro que em Mangália, cidade litorânea do mar Negro na Romênia, quando fui reclamar a uma moça da portaria com cara de sargento, ela me perguntou: "quantos dias o senhor vai ficar aqui?". Neste hotel, dois dias. Olhou-me então de alto a baixo, avaliou meu metabolismo, rasgou uns dois metros de um rolo e passou-me as tiras. 
Nestes dias em que os venezuelanos se ressentem do problema da higiene anal, os jornalistas parecem estar revelando um fato absolutamente novo. Não é novo. Nunca foi. É algo inerente ao socialismo.
Fonte:  Janer Cristaldo
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