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quarta-feira, 10 de abril de 2019

Golpe ou Contrarrevolução? - 1964: Verdades Inconvenientes

por Flávio Gordon
“É inegável que o golpe militar e civil foi empreendido sob bandeiras defensivas. Não para construir um novo regime. O que a maioria desejava era salvar a democracia, a família, o direito, a lei, a Constituição…”
(Daniel Aarão Reis. Ditadura e democracia no Brasil: do golpe de 1964 à Constituição de 1988)
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Na madrugada de 27 de novembro de 1962, um Boeing 707-441 (prefixo PP-VJB) decolou do Rio de Janeiro levando 80 passageiros e 17 tripulantes. Era o voo 810 da Varig, com destino a Los Angeles, e escalas em Lima, Bogotá e Cidade do México. Pouco antes de aterrissar no Aeroporto Internacional Jorge Chávez, em Lima, a aeronave colidiu com uma montanha e explodiu, matando todos a bordo.
Entre as vítimas fatais, estava Raúl Cepero Bonilla, que substituíra Ernesto Che Guevara na presidência do Banco Nacional de Cuba, e que, à frente de uma grande delegação cubana, viera ao Brasil sob o pretexto formal de participar da 7ª Conferência da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura). Informalmente, Bonilla fora enviado por Fidel Castro para tratar de um assunto delicado com o presidente brasileiro João Goulart.
A história começara meses antes do acidente aéreo, quando o coronel getulista e veterano da FEB Nicolau José Seixas, nomeado por Goulart para a chefia do Serviço de Repressão ao Contrabando, obteve informações sobre a chegada recorrente de grandes caixotes com geladeiras a uma fazenda em Dianópolis (à época, Goiás; hoje, Tocantins). Como não houvesse sequer energia elétrica naquele lugar ermo, Seixas desconfiou que o conteúdo dos caixotes fossem armas contrabandeadas por latifundiários da região. Tendo reunido seus homens de confiança, numa madrugada, o coronel comandou uma batida surpresa à fazenda. Assustados, e sem oferecer resistência, os ocupantes fugiram para o mato, deixando para trás todos os pertences, incluindo as tais “geladeiras”. Ao inspecionar a carga, Seixas e seus comandados tiveram uma surpresa.
Com efeito, havia ali armas contrabandeadas, mas não só. Junto a elas, muitas bandeiras cubanas, retratos e textos de discursos de Fidel Castro e do deputado pernambucano Francisco Julião (o líder das Ligas Camponesas), manuais de instrução de combate e planos para a construção de novos focos de guerrilha rural. Além disso, havia também planilhas detalhando a polpuda contribuição financeira enviada por Cuba ao movimento revolucionário de Julião. Sim, sem desconfiar de nada, o coronel Seixas acabara de desbaratar um campo de treinamento militar das Ligas Camponesas, que, em plena vigência da democracia no país (o ano era 1962, recorde-se), pretendia derrubar o governo por meio das armas, instaurando aqui um regime comunista nos moldes cubanos.
Em vez de comunicar sobre o material subversivo ao serviço de inteligência do Exército, como seria o mais comum, o coronel Seixas entregou-o diretamente a João Goulart, que, diante da grave ameaça estrangeira ao seu governo, tomou uma decisão muito estranha. Sem nada comunicar aos seus ministros, ao Congresso, ao STF ou à imprensa, o presidente foi se queixar com o embaixador de Cuba, dizendo-se “traído”. E é nesse contexto que, dias depois, Fidel Castro envia Raúl Cepero Bonilla para se haver com Goulart.
Em reunião sigilosa no Palácio do Planalto, e depois de conversarem sabe-se lá o que, o ministro cubano recebeu das mãos do presidente brasileiro todo o material apreendido em Dianópolis. Com esse gesto discreto e conciliador, Goulart dava o caso por encerrado, pretendendo que ninguém mais soubesse do ocorrido. Para seu azar, contudo, a pasta de couro em que Bonilla levava a documentação de volta a Cuba foi encontrada intacta entre os destroços do Boeing 707-441. O material acabou nas mãos da CIA, que tornou público o seu conteúdo.
Convém esclarecer: a história relatada acima não brotou da cabeça de nenhum bolsonarista radical, intervencionista ou saudosista do regime militar. Ela está no livro Memórias do Esquecimento, do ex-guerrilheiro Flávio Tavares, um dos 15 presos políticos libertados por ocasião do sequestro do embaixador americano Charles Elbrick. E, muito embora Tavares tenha se limitado a relatar os fatos, furtando-se a uma conclusão inconveniente à versão esquerdista da história, ela me parece inescapável.
Ao devolver discretamente à nação inimiga os planos de um levante armado contra o seu governo, sem nada informar às Forças Armadas e aos demais poderes da República, o presidente João Goulart cometeu um ato de traição à pátria. Que tenha, ele próprio, se declarado “traído” ao embaixador cubano é altamente significativo nesse contexto, um sinal evidente de que esperava lealdade de Cuba, e de que, portanto, algo em troca fazia para merecê-la. Talvez jamais venhamos a saber exatamente que algo era esse, mas o simples acerto sigiloso com Fidel já seria motivo mais que justificado para a sua deposição.
Eis o tipo de fato que a esquerda brasileira, solidamente aquartelada na grande imprensa, não deseja que seja mais conhecido por parte do público, uma vez que ameaça a sua mitologia particular sobre o 31 de março de 1964. Se, entre outras coisas, fosse comprovada a existência de focos de guerrilha no país antes da queda de João Goulart (e, ademais, com o patrocínio da ditadura socialista cubana), cairia por terra a lenda segundo a qual a opção pela luta armada foi apenas uma reação de setores da esquerda ao regime militar, e não parte de uma estratégia de tomada violenta do poder.
Foi para impedir que os leitores nutrissem qualquer impulso de questionar a lenda que, por exemplo, a revista Super Interessante publicou em outubro do ano passado (em plena corrida eleitoral, portanto) uma matéria com o título “Mito: os militares impediram um golpe comunista em 1964”, cujo lead exibia o dogma inquestionável: “A verdade: Jango era um político trabalhista, não comunista. E a luta armada só ganhou adeptos depois do golpe”. No corpo da matéria, lia-se ainda: “Embora a revolução cubana e a figura romântica de Che Guevara pudessem inspirar jovens idealistas, a luta armada estava fora dos planos das esquerdas brasileiras Enquanto o Brasil foi uma democracia, a luta armada ficou de fora. Em vez disso, a esquerda abraçava a estratégia pacífica do PCB de se aliar a Jango e pressionar por reformas nas ruas. Foi somente com o golpe de 1964 que grupos debandaram do Partidão e abraçaram o modelo de revolução de Fidel Castro. Se essas pequenas e malsucedidas guerrilhas tentaram fazer do Brasil uma segunda Cuba, foi em grande parte em reação ao próprio golpe”.
Trata-se de um exemplo típico das tentativas da esquerda de emplacar sua narrativa mistificadora, com base num curioso non sequitur, segundo o qual o fracasso circunstancial do projeto de luta armada serviria como prova do seu caráter essencialmente inofensivo, com o qual só mesmo um anticomunista paranoico poderia se preocupar. Ora, decerto ninguém esperava que um redator da Super Interessante abandonasse sua refeição vegana ou a balada com os amigos para se aprofundar na historiografia do período antes de lhe dedicar uma matéria, sobretudo quando o objetivo não é informar o público, mas jogar água no moinho da esquerda. Mas o fato é que, hoje, temos fartas evidências mostrando que a ameaça de uma revolução armada já se fazia presente muito antes da derrubada de João Goulart. E, de novo, tais evidências não provêm de fanáticos bolsonaristas, mas de estudiosos simpáticos à esquerda, como, por exemplo, a historiadora Denise Rollemberg, da Universidade Federal Fluminense.
No livro O Apoio de Cuba à Luta Armada no Brasil, a autora confirma o relato de Tavares, deixando claro que a narrativa habitual da esquerda simplesmente inverte a ordem dos fatores: antes que consequência do assim chamado golpe de 1964, a opção da esquerda pela revolução armada foi uma de suas causas. Escreve Rollemberg: “Quanto à revolução brasileira, Cuba apoiou a formação de guerrilheiros, desde o momento em que assumiu a função de exportar a revolução, quando o Brasil vivia sob o regime democrático do governo João Goulart, ou seja, antes da instauração da ditadura… Cuba apoiou, concretamente, os brasileiros em três momentos bem diferentes. O primeiro, como disse, foi anterior ao golpe civil-militar. Nesse momento, o contato do governo cubano era com as Ligas Camponesas… Cuba viu nesse movimento e nos seus dirigentes o caminho para subverter a ordem no maior país da América Latina”. E conclui: “A relação das Ligas com Cuba evidencia a definição de uma parte da esquerda pela luta armada no Brasil, em pleno governo democrático, bem antes da implantação da ditadura civil-militar. Embora não se trate de uma novidade, o fato é que, após 1964, a esquerda tendeu  e tende ainda  a construir a memória de sua luta, sobretudo, como de resistência ao autoritarismo do novo regime. É claro que o golpe e a ditadura redefiniram o quadro político. No entanto, a interpretação da luta armada como, essencialmente, de resistência deixa à sombra aspectos centrais da experiência dos embates travados pelos movimentos sociais de esquerda no período anterior a 1964”.
É preciso lembrar ainda que, ao falar de interferência cubana na política brasileira, estamos falando necessariamente da URSS. Desde o início da Guerra Fria, os dirigentes soviéticos estavam convencidos de que precisavam estender os seus tentáculos sobre o Terceiro Mundo. Em meados de 1960, por exemplo, o comando central da KGB já tratava Cuba como um Avanpost  ou, em jargão militar, “cabeça-de-ponte”  para a conquista da América Latina. Em julho do ano seguinte, o então chefe da KGB, Alexander Shelepin, enviou a Kruschev um plano para explorar a nova posição. A ideia era financiar os movimentos de libertação nacional do Terceiro Mundo para que conduzissem levantes armados contra governos considerados “reacionários” ou “pró-americanos”. Como observou certa feita Nikolai Leonov, alto oficial de inteligência soviético, havia à época a convicção de queo destino do enfrentamento mundial entre os EUA e a URSS, entre capitalismo e socialismo, seria decidido no Terceiro Mundo”.
Quando o redator da Super Interessante afirma a não existência de uma ameaça de revolução comunista no Brasil da época, com base no argumento de que “Jango não era comunista. Marxistas ortodoxos defendem o fim da propriedade privada dos meios de produção. Já Jango era um advogado proprietário de terras gaúchas”, ele demonstra total ignorância do modus operandi da Internacional Comunista.
Em primeiro lugar, há aí uma confusão primária entre a definição enciclopédica de uma doutrina política e a sua realidade histórica concreta. Que marxistas defendessem doutrinariamente, e em abstrato, o fim da propriedade privada, não significa que tenham abdicado dela para a conquista e manutenção do poder (o que, aliás, seria materialmente impossível). Como mostrei em artigo passado, os dirigentes comunistas sempre foram os grandes proprietários nas nações em que chegaram ao poder. Defendiam o fim da propriedade privada alheia, evidentemente, não o da sua própria. Ora, se adotássemos o critério infanto-juvenil do redator da matéria, seríamos forçados a concluir que jamais houve no mundo um comunistazinho sequer, pois todos eles foram proprietários (de terras, de imóveis, de moeda, de artigos de luxo etc.).
Em segundo lugar, para os objetivos da Internacional Comunista, pouco importava o que Jango era, ou seja, quais as suas convicções político-ideológicas pessoais. Era preferível, aliás, que os líderes das nações-alvo do projeto expansionista soviético não fossem membros formais dos partidos comunistas locais. É o que consta expressamente, por exemplo, num dos documentos dos arquivos da StB (o serviço de inteligência tcheca que atuava como braço da KGB), citado no meu livro A Corrupção da Inteligência, em que se descrevem alguns dos objetivos da espionagem comunista no Terceiro Mundo: “Ambos os serviços de inteligência [i.e., KGB e StB] efetuarão medidas ativas com o objetivo de garantir ativistas progressistas (fora dos partidos comunistas) nos países da África, América Latina e Ásia, que possuam condições para, no momento determinado, assumir o controle de movimentos de liberação nacional”. O referido documento data de 1961, mesmo ano em que João Goulart  um dos “ativistas progressistas” alvos das medidas ativas soviéticas  assumia a presidência.
Segundo o historiador britânico Christopher Andrew, que realizou pesquisa nos arquivos pessoais do dissidente soviético e ex-agente da KGB Vasili Mitrokhin: “O papel da KGB na política soviética para o Terceiro Mundo foi mesmo mais importante do que o desempenhado pela CIA na política americana. Por um quarto de século, e ao contrário da CIA, a KGB acreditou que o Terceiro Mundo era a arena na qual poderia vencer a Guerra Fria”. Graças à abertura dos arquivos da StB, hoje sabemos, entre outras coisas, que, já em 1961, a URSS planejava “causar guerra civil no Brasil”.
Por décadas, a classe falante de esquerda, hegemônica na imprensa e na academia, impediu que essas informações fossem conhecidas do público. Hoje, quando o muro de silêncio sobre fatos politicamente inconvenientes começa a ruir, não é de se espantar que a esquerda reaja com verdadeiro pavor. Afinal, é preciso manter a todo custo o consenso dos bem-pensantes sobre o período, a saber: a preocupação demonstrada pelo governo americano  e, internamente, pelas forças políticas ditas conservadoras  com a expansão do comunismo na América Latina durante a Guerra Fria não passou de paranoia motivada por um anticomunismo patológico (“macarthista”), histérico e desprovido de razão.
O pânico de ver aquele consenso desmascarado aos olhos da população resultou na mais recente e desesperada tentativa de censura praticada pela intelligentsia de esquerda no Brasil, que tudo fez para desacreditar e reduzir o alcance do documentário 1964: o Brasil entre Armas e Livros, iniciativa do portal Brasil Paralelo. Por trazer dados históricos relevantes e até hoje ocultados do grande público por força do maquinário de hegemonia narrativa operado por nossa esquerda cultural, o filme não poderia mesmo ser tolerado pela intelligentsia progressista. Como digo no meu livro, há um constante desejo de que a história de 1964 continue a ser muito mal contada…
COMENTO:  a história da descoberta dos documentos no acidente do avião no Peru foi tratada aqui. Também foi relatada pelo insuspeito Tarzan de Castro, um dos líderes guerrilheiros ligado ao PCdoB e atuante junto às Ligas Camponesas de Francisco Julião. Assim foi descrito o fato em entrevista ao Jornal Opção: sobre seu livro de memórias “Vida, Lutas e Sonhos” (Ed. Kelps, 357 páginas):
"Ao ouvir que a história do acampamento guerrilheiro, já mapeado pelo governo de João Goulart, poderia “resultar num escândalo internacional”, Miguel Brugueras [Nota: Miguel Brugueras del Valle, embaixador de Cuba no Brasil] “ficou muito assustado”. “Marcamos um encontro na Praça Marechal Deodoro, em Ipanema, e elaboramos um minucioso relatório com os nomes dos integrantes, os locais e as circunstâncias de cada campo. Foi tudo detalhado, com a promessa de que as informações seriam criptografadas antes de seguirem um caminho seguro até as mãos de Fidel. Afinal, aquele era um relatório-bomba, um verdadeiro raio X das operações das Ligas Camponesas. O diplomata sugeriu que eu fosse pessoalmente a Cuba explicar toda a história, e eu aceitei, mas pedi um tempo para voltar a Dianópolis e reportar ao Carlos Montarroyo e aos outros [Joaquim Carvalho, Gilvan Rocha] as providências tomadas”, revela Tarzan de Castro. 
No encontro seguinte, Miguel Brugueras informa que havia entregue o relatório para Raúl Cepero Bonilha, presidente do Banco Central de Cuba e membro da direção executiva do Partido Comunista Cubano. “Sem graça”, o diplomata contou a Tarzan de Castro que “o avião da Varig que levava Bonilla e a delegação cubana caiu nos Andes, próximo à capital peruana, no dia 27 de novembro de 1962. Não houve sobreviventes”.
Ao informar que faria outro relatório, até mais minucioso, Tarzan de Castro percebeu que o cubano estampou um sorriso “amarelo”. “Sem jeito, explicou-me que o relatório não havia sido destruído — a mala diplomática fora encontrada intacta.”
A mala foi apreendida logo pela CIA. Ante um cubano desconcertado, Tarzan de Castro disse que, como as informações estavam criptografadas, os agentes dos Estados Unidos demorariam a decifrá-las. Os guerrilheiros teriam tempo “para desfazer os campos e destruir as evidências”. O sorriso do diplomata, que passara de amarelo para verde, desapareceu de seu rosto. “Ninguém criptografou as mensagens”, admitiu o cubano.

“Todos os documentos encontrados pela CIA foram entregues ao governo brasileiro. E a bomba explodiu no nosso colo. A imprensa brasileira publicou uma bateria de reportagens contando tudo sobre os futuros focos de guerrilha no Brasil. A revista ‘O Cruzeiro’, na edição de 22 de dezembro de 1962, estampou em sua capa: ‘Guerrilha descoberta no Brasil Central’”, relata Tarzan de Castro.
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terça-feira, 3 de abril de 2018

A “História” Recontada

por  Hiram Reis e Silva
Um povo sem história é um povo vazio. E quem não relembra os feitos de seu povo, não vive, não tem alma, não sente a vida, não vibra”. (Leon Frejda Szklarowsky)
Muro de Berlim
É deprimente verificar o que professam os historiadores de hoje. Forjados, na sua maioria, por uma ideologia ultrapassada e decadente continuam comportando-se como legítimos órfãos do muro de Berlim, insistindo em manter vivo um sistema político desde há muito morto, enterrado e putrefato. São sociólogos, ideólogos, filósofos, professores e políticos que procuram moldar os corações e mentes dos jovens e despreparados estudantes e de uma população anestesiada pelas benesses patrocinadas pela máquina publica através das famigeradas, virulentas e aliciadoras bolsas.
- “Ressignificação da Memória”
A historiografia moderna está de tal forma impregnada pela ideologia ParTidária que se torna cada vez mais difícil ter acesso à versão real dos fatos. Os novos “historiadores” se preocupam, por demais, em atrelar suas convicções ideológicas aos eventos históricos comprometendo, com isso, a veracidade dos acontecimentos.
A “história” reescrita pelos derrotados da “Revolução Redentora de 31 de Março” é carregada de revanchismos e atentados contra os verdadeiros heróis da nacionalidade brasileira transformando-os em vilões enquanto os traidores, ladrões, assassinos e mutiladores de outrora são enaltecidos. Os “pseudo historiadores”, a serviço do ParTido, são capazes de ultrajar a figura de um Duque de Caxias e enaltecer à do déspota paraguaio Solano Lopes. Os livros de história distribuídos pelo Ministério da Educação são um ultraje à memória de nossos antepassados e a inteligência do povo brasileiro.
- “Ressignificando” a Balaiada
O termo “ressignificar” amplamente usado pelos alienados “Companheiros Acadêmicos” foi, na verdade, a maneira encontrada pelos militantes “PeTralhas” de atribuir um significado “politicamente correto”, segundo a visão deles, é claro, a eventos considerados não alinhados com a ideologia do ParTido.
A Balaiada, por exemplo, foi uma ameaça à integridade nacional. Caso não tivesse sido debelada por Caxias, o Maranhão teria se tornado a “República Bem-Te-Vi”. Cosme Bento das Chagas, um dos líderes do movimento, que a esquerda enaltece como um campeão da igualdade, e se autodenominava “Imperador, Tutor e Defensor das Liberdades Bem-te-vis”, vendia títulos e honrarias a seus sequazes (qualquer semelhança com os políticos atuais não é mera coincidência).
O historiador, geógrafo, escritor, político e editor marxista Caio Prado Júnior depois de uma visita à União Soviética, na época de Stálin, publicou “URSS - Um Novo Mundo (1934)”, cuja edição foi apreendida pelo Governo Vargas. Em relação à Balaiada, Prado Júnior faz a seguinte consideração:
na origem deste levante, vamos encontrar as mesmas causas que indicamos para as demais insurreições da época: a luta das classes médias, especialmente urbana, contra a política aristocrática e oligárquica das classes abastadas, grandes proprietários rurais, senhores de engenho e fazendeiros, que se implantara no país”.
Nelson Piletti e Claudino vão mais longe:
A Balaiada, uma das mais vigorosas revoltas populares da História do Brasil, chegava ao fim. Fora esmagada pela botas, pelos fuzis e pelos sabres das forças oficiais para garantir os privilégios (as terras, os escravos e o poder) das elites do Maranhão. (...) O comandante do massacre que inundou as ruas com o sangue de homens brancos pobres, dos mestiços e dos negros que buscavam a liberdade, Luis Alves de Lima e Silva, foi regiamente recompensado pelo governo. Por esse ato de bravura recebeu o título de Barão, e depois, Duque de Caxias, posteriormente tornou-se o patrono do Exército Brasileiro. (...) Os sertanejos, os artesãos, os negros fugidos - o povo pobre do sertão, enfim foram massacrados pelo Exército, simplesmente porque queriam uma vida melhor. A preocupação do governo era quanto ao fato das classes oprimidas estarem participando ativamente do processo político, com armas na mão”. (História e Vida Integrada - Livro didático do 8° ano)
A Balaiada, uma rebelião liderada por facínoras que defendiam seus próprios interesses, foi transformada em luta de classes. Antes mesmo da intervenção de Caxias, a insurreição, que já se encontrava comprometida e debilitada com as divergências entre seus chefes e as lideranças liberais, foi “ressignificada” para atender aos proclames da ideologia marxista.
- Lamarca - o “Heróico” Covarde dos PeTralhas
Entre suas façanhas mais notáveis estão dois assaltos a banco que resultaram na morte do gerente Norberto Draconetti e do guarda-civil Orlando Pinto Saraiva - morto com um tiro na nuca e outro na testa, disparados pelo próprio Lamarca; a ação no Vale do Ribeira em que torturou e assassinou cruelmente o tenente Alberto Mendes Júnior, esfacelando-lhe o crânio a coronhadas; e o assassínio do agente da Polícia Federal Hélio Carvalho de Araújo, durante o sequestro do embaixador suíço”. (Editorial do “O Estado de São Paulo)
- Che Guevara - o Carniceiro de La Cabaña
El Che nunca trató de ocultar su crueldad, por el contrario, entre más se le pedía compasión más él se mostraba cruel. El estaba completamente dedicado a su utopía. La revolución le exigía que hubiera muertos, él mataba; ella le pedía que mintiera, él mentía. En La Cabaña, cuando las familias iban a visitar a sus parientes, Guevara, en el colmo del sadismo, llegaba a exigirles que pasaran delante del paredón manchado de sangre fresca”. (Padre Javier Arzuaga, Ex-Capelão da Cabaña)
Che foi o idealizador do primeiro acampamento de trabalhos forçados, em Guanahacabibes, Cuba ocidental, em 1960. Che dizia:
à Guanahacabibes são mandadas as pessoas que não devem ir para a prisão. As pessoas que tenham cometido faltas à moral revolucionária. É um trabalho duro, não um trabalho bestial”.
Guanahacabibes foi o precursor do confinamento sistemático, a partir de 1965 na província de Camagüey, de dissidentes, homossexuais, católicos, testemunhas de Jeová e outras “escórias”, como eram considerados pelos revolucionários. Os “desadaptados” eram transportados para os campos de concentração que tinham como modelo Guanahacabibes onde, via de regra, eram mortos, violentados ou mutilados.
Jamais se saberá, exatamente, o número de execuções levadas a cabo durante o período revolucionário. María Werlau, Diretora Executiva do Arquivo Cubano, afirmou: “No lo sé, cien mil... doscientos mil ...
Como Procurador-Geral, El Che comandou a “Prisão Fortaleza de San Carlos de La Cabaña”, onde, somente nos primeiros meses da revolução, ocorreram 120 fuzilamentos. Che considerava que: “As execuções são uma necessidade para o Povo de Cuba, e um dever imposto por esse mesmo Povo”.
El Che comandava os fuzilamentos no “paredão”, sendo conhecido, por isso mesmo, pelo codinome de “el Carnicero de la Cabaña”. Ele dirigia pessoalmente os processos contra os representantes do regime deposto, condenando à morte mais de 4.000 pessoas. Na “Cabaña”, havia inimigos políticos e inocentes, mas Che mandava executar a todos. Seu lema era: “Ante la duda, mata”, lema que chegou a aplicar, inclusive, a antigos companheiros de armas.
- As faces de Che 
Alberto Korda imortalizou em 5 de março de 1960, na sua foto mais famosa, o rosto de Che. Sua aparência, de 1956 a 1964, mudou tanto quanto seu nome. Foi conhecido como Ernestito, Teté, Pelao, Chancho, Fuser, Furibundo, Serna, Martín Fierro, Franco-atirador e outros tantos que adotou antes de chegar à Guatemala, onde o cubano Antonio Ñico López o batizou de “Che”.
Fidel Castro enviou Luis García Gutiérrez Fisín a Praga, onde Che se encontrava, e o dentista alterou o rosto de Che fazendo uso de próteses dentárias. As mudanças fisionômicas foram tais que nem mesmo os homens que tinham lutado com Guevara em Cuba e seus filhos, então muito pequenos, o reconheceram. Che usava lentes, ligeiramente obeso, cabeça raspada, uma figura diversa do Guevara que conheciam. Os registros de seu diário de 12 de novembro de 1966 afirmam:
Meu cabelo está crescendo, apesar de muito ralo, e as mechas que se tornaram loiras, começam a desaparecer; nasce-me a barba. Dentro de poucos meses, voltarei a ser eu”.
- “Con su Muerte, Murió el Hombre y Nació la Farsa”
Se evoca siempre su trágico final, asesinado cuando ya se había rendido, después de fracasar en un intento guerrillero que lo llevó hasta las selvas bolivianas al frente de un puñado de hombres”.
Sob o comando de Guevara, 49 jovens inexperientes recrutas, que haviam sido mobilizados para expulsar os invasores cubanos, foram emboscados e mortos.
Não disparem. Sou Che. Valho mais vivo do que morto”, gritou um guerrilheiro magro, fedorento, maltrapilho e imundo nos confins da Bolívia no dia 8 de outubro de 1967. Frase que seus admiradores e biógrafos fazem questão de esquecer, pois o covarde pedido de misericórdia não combina com a imagem por eles forjada. Che foi executado pelos militares bolivianos em La Higuera em 9 de Outubro de 1967. A partir de sua morte, sua imagem foi lapidada apresentando-o como um mártir, idealista, cheio de virtudes, defensor dos fracos e oprimidos. Seus companheiros o chamavam de “el chancho”, o porco, porque não gostava de tomar banho e “tinha cheiro de rim fervido”.
Hoje, graças a uma ardilosa e falaciosa propaganda inúmeras e mal informadas criaturas teimam em ostentar a carranca do diabólico “chancho” em suas camisetas.
- Nós, os Brasileiros
Minha amiga Drª Vania Leal Cintra escreveu, há algum tempo, um interessante artigo que reproduzo por considerá-lo muito atual.
Há uma ordem só: resistência a todo transe”. (Antonio Ernesto Gomes Carneiro)
Nós, os brasileiros, não precisamos, a pretexto de que devemos celebrar exemplos de heroísmo e de desprendimento por amor à Pátria e à coisa pública, continuar ouvindo discursos que vertem lágrimas, recheados de impropérios e muito pouco sérios; nem precisamos continuar assistindo a novelas estúpidas que tenham como protagonistas indivíduos obscuros, alheios a nós, representando personagens pinçados do submundo, com um enredo que se resume a um somatório de fatos inventados por não sabemos bem quem.
Não precisamos mesmo.
Nós, os brasileiros, não precisamos de quem invente conversas tortas, que fogem aos fatos e ao sentido da História, para que, por pretextos mentirosos, possam ser reconhecidos como heróis os que de verdade o são e, ao lado deles, possam ser colocados também os que heróis nunca foram.
Não precisamos mesmo.
Nós, os brasileiros, precisamos apenas continuar honrando a nossa História, a real, lembrando-nos constantemente dos atos de heroísmo que ela mesma se encarregou de consagrar; e precisamos procurar repetir os feitos de nossos heróis em pensamentos, em palavras e em obras, observando as razões de seu comportamento e os objetivos que eles buscavam realizar ou manter sob quaisquer circunstâncias, contra todas as adversidades - eles, os que mereceram, pelo que realmente fizeram por nós, ser desde sempre chamados de heróis.
O Brasil tem, em sua História, que não começou ontem nem anteontem, heróis em quantidade suficiente para que, evocando seus nomes e seguindo seus exemplos, todos saibamos perfeitamente escolher o caminho mais certo e mais seguro, todos saibamos exatamente como nos comportar em benefício de todos nós e todos saibamos por que assim devemos nos comportar. E para que saibamos todos por que, de que e para que podemos nos orgulhar de nós mesmos.
Nada disso nos faltou antes, desde que despontamos como um povo diferenciado de outros povos, dos distantes e dos mais próximos; nada disso nos faltou em todos os momentos nos quais fizemos questão de nos mostrar diferenciados.
Tem nos faltado hoje, no entanto - quando os que puderam, por nossos cochilos e tropeços, chegar ao poder pretendem nos retirar em definitivo essa prerrogativa de identidade, obrigando-nos a nos travestir do que nunca fomos e definitivamente não somos na intenção de nos desencaminhar para seduzir seja quem for, como se apenas isso pudesse justificar a nossa existência.
Nós, os brasileiros, não merecemos isso. Não merecemos mesmo! Nem deveríamos a isso nos submeter. Porque não precisamos.
Precisamos, sim, com coragem e com tenacidade, resistir!”. (Vania Leal Cintra)
Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva
Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);
Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);
Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);
Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS);
Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional.
- Livro do Autor:
O livro “Desafiando o Rio-Mar – Descendo o Solimões” está sendo comercializado, em Porto Alegre, na Livraria EDIPUCRS – PUCRS e na rede da Livraria Cultura (http://www.livrariacultura.com.br). 
Para visualizar, parcialmente, o livro acesse o link:
Fonte: Novoeste

domingo, 8 de janeiro de 2017

Fidel "Paredón" Castro

por Ives Gandra da Silva Martins 
Passada a emoção da morte do mais sanguinário ditador das Américas, que provocou as mais variadas manifestações de tristeza dos decadentes movimentos da esquerda mundial, mister se faz uma análise fria sobre os anos de chumbo em que vivia e vive o povo cubano, os quais se vêm prolongando desde fins da década de 1950, quando Fidel Castro assumiu o poder na infeliz ilha caribenha.
O primeiro ponto a destacar é a falta de respeito aos direitos humanos. Brutalmente, foram fuzilados, ao estilo da era do Terror da Revolução Francesa, sem julgamento nem direito de defesa, milhares de cubanos, nos famosos paredóns. De 1792 a 1794, quando Robespierre assumiu o controle do governo francês, dezenas de milhares de pessoas foram guilhotinadas, condenadas por tribunais populares. Fidel substituiu as guilhotinas pelos paredóns e fuzilamentos em massa.
Naquela época, nos meus primeiros anos de advocacia, em que era ainda popular tomar a bebida denominada Cuba Libre, era hábito pedir nos bares “Cuba sem Fidel”, pois a ditadura lá se instalou desde os primeiros momentos.
Igor Gielow, comparando diversos arquivos de várias instituições e adotando o considerado mais conservador, apresenta 7.326 mortos ou desaparecidos nas prisões cubanas (quase 6 mil fuzilados em paredóns), não se incluindo nesse número os afogados nas tentativas de fuga da ilha, ou seja, 65 mortos por grupos de 100 mil habitantes. Pelos mesmos critérios, o Chile assassinou, sob Pinochet, 23,2 para cada 100 mil habitantes; o Paraguai, sob Stroessner, 10,4; o Uruguai, 7,6; a Argentina, 30,9, no regime militar; a Bolívia, 6,2; e o Brasil, 0,3. É de lembrar que no período militar brasileiro foram mencionados pela Comissão da Verdade 434 mortos ou desaparecidos, negando-se aquela comissão a apurar as 129 mortes provocadas pelos guerrilheiros, algumas em atentados terroristas em logradouros públicos. Por isso foi alcunhada de “Comissão da Meia Verdade”. É certo que, sob o domínio de Raúl Castro, a letalidade do governo cubano caiu, havendo registro de 264 vítimas de 2006 para cá (Folha de S.Paulo).
O segundo aspecto a ser estudado é o da liberdade. Em artigo que publiquei, O Neoescravagismo Cubano (Folha, 17/2/2014), observei que, após ler o contrato dos médicos cubanos com o governo brasileiro, nele encontrei cláusulas de proibição de receberem no Brasil qualquer visita, mesmo de parentes, sem que houvesse antes autorização de autoridades cubanas. Eles também ficavam com apenas um quarto do salário e transferiam para o governo fidelista três quartos. Mantinha a ditadura, por garantia, seus familiares em Cuba, como reféns, para que voltassem à ilha, eliminando assim o eventual desejo de pedirem asilo às autoridades brasileiras. Talvez nenhum símbolo seja tão atentatório à dignidade da pessoa humana como os termos desse contrato, aceito pelo governo da presidente Dilma Rousseff sem discussão. Não sem razão, o ex-presidente Lula disse ter perdido, com a morte de Fidel, “um irmão mais velho”; José Dirceu declarou, no passado, “ser mais cubano que brasileiro”; e Marco Aurélio Garcia chegou a afirmar que havia “mais democracia em Cuba que nos Estados Unidos”, num de seus costumeiros arroubos.
Quanto à economia, conseguiram os Castros levar sua população à miséria, com salários inferiores à Bolsa Família para a esmagadora maioria dela, independentemente da qualificação profissional. No momento em que ruiu o império soviético e a ilha deixou de ser mantida economicamente pela Rússia, assim como quando desmoronou a equivocada economia Venezuelana, com a perda de apoio do regime chavista – talvez Hugo Chávez ainda estivesse vivo se tivesse ido se tratar em hospitais americanos, e não cubanos –, a economia do país, sem tecnologia, indústria de ponta e investimentos de expressão, viu-se e vê-se sem horizontes, implorando aos americanos apoio para sobreviver, num mundo cada vez mais competitivo.
Politicamente, em lugar de adotarem o modelo chinês, de uma esquerda política e uma direita econômica, o que permitiu à China pular de uma economia com PIB inferior ao do Brasil no início dos anos 1990 para a segunda economia do mundo 20 e poucos anos depois, continuaram, num estilo menos estridente que o do tiranete Nicolás Maduro, a defender o fracasso comprovado, em todos os espaços geográficos e períodos históricos, das teses marxistas, com o que o futuro da ilha está dependendo ou da abertura democrática ou do auxílio externo, pouco provável no mundo em que vivemos.
Fidel Castro instalou a mais longeva ditadura das Américas, só possível por ser pequena a população de seu país e rígido o controle das pessoas, sem liberdade para pensar algo diferente do que pensam as classes dominantes. E os saudosistas brasileiros de uma esquerda mergulhada no maior escândalo de corrupção da História do mundo lamentaram a perda do ditador, cujo irmão, no poder, vê seu mais forte aliado, o incompetente Maduro, verdadeiro exterminador do futuro imediato da Venezuela, mantendo-se à frente de seu governo graças às decisões de um Poder Judiciário escolhido por um Parlamento derrotado, às vésperas de ser substituído, e que se tornou capacho do Executivo.
Friamente examinando o período de domínio do tirano insular, há de se convir que sua figura, para os historiadores que virão, será a de líder cruel e sanguinário, cujo carisma oratório empolgou, todavia, toda uma geração de jovens, a qual acreditou que a melhor forma de combater as injustiças sociais não seria criar empregos e progresso, mas apropriar-se dos bens alheios, mesmo à custa da violência e da destruição dos valores democráticos. Felizmente, essa ilusão começa a ser desfeita, em todos os continentes, pois as ideologias, corruptelas das ideias, não produzem desenvolvimento, mas apenas decepção e sofrimento.
(Publicado originalmente no Estadão
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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Sobre Cuba

Faz 5 dias que voltei de Cuba.
Escrevo este texto de um quarto de hotel em Boa Vista, Roraima, uma das cidades "invadidas" por venezuelanos que fogem da fome e do caos. 
O que vou relatar abaixo não tem a ver com o que vim fazer aqui, mas tem tudo a ver com os venezuelanos que eu encontrei pela rua. Tem tudo a ver com os cubanos. E comigo também.
Não fui a Cuba a trabalho. Mas ser repórter, para mim, é algo que vai muito além de trabalho. Se eu vim ao mundo para fazer algo, foi para contar para os outros o que eu andei vendo, ouvindo e sentindo por aí. Este texto é sobre isso.
Fui a Cuba com meu marido, o Diogo, o cara que eu amo, que eu escolhi para, junto comigo, fazer, parir e criar duas pessoas. Fui com o Diogo, um dos caras mais sérios, justos e comprometidos com a verdade dos fatos que eu já conheci na minha vida. O mais comprometido provavelmente. Tanto que, às vezes, acho que ele tem dificuldade de sonhar. E, talvez por isso, não mede esforços para realizar os MEUS sonhos. Ir a Cuba era um deles. Assim como foi pisar a neve pela primeira vez, cruzar a Amazônia, caminhar pelo Himalaia e atravessar um tapetinho até um altar improvisado vestida de noiva. 
Cuba foi nossa segunda lua de mel, a primeira viagem longa depois que tivemos filhos. Daqui a menos de dois meses, nossa primogênita, faz 6 anos. O fim da primeira infância dela é um marco. Comemorar era urgente. 
Por que Cuba? Porque Cuba, Fidel e Che me inquietam há tempos. Eu devia estar na sétima ou oitava série quando ouvi falar pela primeira vez de um lugar "onde todos eram iguais", mas as crianças pediam bala e canetas Bic aos turistas na rua. Lembro bem de uma professora que hoje, se estiver viva, deve ter uns 80 e tantos anos, dizendo que, quando menina, sonhava com Fidel fardado chegando em um cavalo branco para levá-la. Eu não entendia bem aquela paixão, era mais da turma das amigas da minha professora, as quais, dizia ela, eram apaixonadas por Che. 
Aos 15, ganhei dos meus amigos um poster do revolucionário argentino clicado por Alberto Korda. Preguei na parte interna do meu armário, onde ficou até eu deixar a casa da minha mãe, aos 24 anos. Na época em que ganhei o souvenir, nossa curtição era usar boina, fumar charuto e discutir sobre a revolução e o absurdo do capitalismo. De lá para cá, já perdi a conta da quantidade de vezes em que participei de discussões acaloradas entre a turma dos pró e a dos contra Cuba. Em todas elas, sempre havia um sujeito que tentava calar o opositor com o argumento: "Você nunca foi para Cuba, não sabe o que está falando!"
Eu precisava ir a Cuba para saber do que eu estava falando.
Então fomos lá, um casal de jornalistas, em lua de mel em Cuba. 
Em Cuba, eu vi gente cantando e dançando – muito bem – a cada esquina. Ouvir música e dançar em Cuba é comer macarrão com vinho na Itália, amar em Paris, escalar no Himalaia. Em Cuba, eu vi turista por todos os lados, vi os carros antigos (custam cerca de 18 mil dólares e são passados de pai para filho), vi as casas de pé direito alto onde os andares são divididos em dois para caber mais gente. Eu vi casas que desmoronaram de tão velhas, eu vi esgoto a céu aberto, eu vi os mercados só para cubanos onde a maior transgressão é vender amendoim direto à população, sem passar pelo governo. Eu também vi crianças com uniformes impecáveis, escolas cheias, com quadras poliesportivas e prédios não muito diferentes das nossas escolas públicas. Em Cuba, eu vi pouca gente doente na rua e banheiros públicos tinindo de limpos, mesmo que não saísse água da torneira ou da descarga (no do Museu da Revolução, uma senhora abastecia baldes que os visitantes enojadinhos usavam para mandar embora suas necessidades). 
by Giuliana Bergamo
Em Cuba, fiz questão de entrar em um hospital central de Havana para ver a tal fantástica medicina cubana. Dei de cara com um arremedo de pronto socorro público muito parecido com os que topei em minhas apurações no Brasil. Gente se desmilinguindo na sala de espera, chão limpo, mas todo detonado, salas vazias com paredes caindo aos pedaços e um médico-bedel nervoso com a minha presença. Enfiei a cara para dentro do laboratório e fui imediatamente transportada para a década de 1980, quando eu visitava minha mãe no laboratório de análises clínicas onde ela trabalhava. Nostálgico, mas eu sei bem o quanto a medicina andou de lá para cá graças aos novos equipamentos tecnológicos. 
Na rua, conversei com pessoas que – essa foi uma grande surpresa – têm esperança no governo de Trump. Para eles, Obama fez nada pelos cubanos. A retomada das relações foi apenas cosmética. 
Fiz também o roteiro do turismo "oficial" e fui aos museus. Circulando pelas centenas de fotos de Fidel, Che e outros combatentes, suas fardas, pijamas ensanguentados, restos de equipamentos e posters com palavras de ordem e frases de louvor, não conseguia parar de pensar nos trechos do texto que eu lera dias antes de viagem, do livro "A Verdade das Mentiras", de Mario Vargas Llosa: "Numa sociedade fechada, o poder não se arrega apenas o privilégio de controlar as ações dos homens – o que fazem e o que dizem: aspira também governar sua fantasia, seus sonhos e, evidentemente, sua memória." Lembrei do mesmo texto quando entrei nas livrarias, onde os poucos livros exibidos nas estantes quase vazias eram de autores aliados ao governo cubano.
Não satisfeita, quis ter uma conversa franca com um cidadão, digamos, mais antenado. Na manhã de nosso último dia de viagem, W. (a conversa foi absolutamente informal, não me sinto à vontade de publicar o nome dele aqui), um jornalista cubano que resolveu desafiar o poder e contar a verdade das verdades e, por isso, paga com a própria liberdade, veio nos encontrar. 
Dias atrás, depois de cobrir uma ato pró-Trump (sim, teve isso em Cuba), o que ele mesmo julga uma "estupidez", W. foi preso por uma semana. Para proteger a mulher e a filha de 4 anos, W. não vive na mesma casa que elas. Vê a família aos fins de semana apenas. 
Quando foi nos encontrar na manhã do último domingo (20), W. estava tenso. Não, ele não temia estar sendo seguido. Já desistiu de se proteger. Sua aflição era pela prima, que estava em trabalho de parto desde o dia anterior. Eu, que já passei por isso de ficar parindo por horas duas vezes, pensei: "Coisa de homem. Parto é assim mesmo". Aí ele explicou melhor. Em Cuba, praticamente não tem parto cesáreo. "Tentam o parto normal até o fim." E eu novamente pensei: "Mano, você está no paraíso e não sabe!" Mas não era bem isso. Cesária é algo raro mesmo quando é necessária. Por isso, uma outra prima de W. perdeu um bebê que, por complicações de parto, morreu cinco dias depois de nascer. E eu com meus pensamentos novamente: "Mano, isso acontece direto no Brasil..." Só que o priminho de W. foi registrado como natimorto, uma estratégia safadinha para camuflar os dados sobre mortalidade infantil. E eu lembro de Llosa novamente: "Em uma sociedade fechada, a história se impregna de ficção, pois se inventa e reinventa em virtude da ortodoxia religiosa e da política contemporânea ou, mais grosseiramente, de acordo com os caprichos do poder."
Ao longo de nossa conversa e do passeio que fizemos pela periferia de Havana, W. criticou a miséria, a insegurança (a maior parte das casas tem grades), a censura, o povo que não promove a mudança de dentro para fora e fica à espera de um salvador. Em diversos pontos, continuei com minha discussão mental na linha "Mas o brasileiro pobre também passa por isso". 
Questionei W. sobre a educação, uma das bandeiras do governo e um dos argumentos mais utilizados pela turma pró-Fidel nas discussões dos bares da Vila Madalena, onde, aliás, os protagonistas costumam pagar fortunas por escolas onde seus filhos aprendam "a pensar". E eu me incluo nesse balaio aí. W.: "Sim, tem escola para todo mundo. Mas não tem educação. Tem adestramento. Educação, para mim, é ensinar a descobrir, a questionar, a fazer perguntas. Não é isso o que se ensina às crianças cubanas."
Naquele ponto da conversa – e da viagem – eu já estava tristíssima, mas ainda não havia perdido a esperança de encontrar aquela partícula que meus amigos tão encantados pelos país em algum momento acharam. Eu queria ver algo de realmente bom, algo esperançoso. Eu queria achar o samba e o futebol do cubanos. Então perguntei: "W., os cubanos, pelo menos, são felizes de alguma maneira?" W. deu um sorriso irônico e contou uma história para responder minha pergunta. Há pouco tempo, foi contratado por uma agência de notícias para fazer um documentário com o tema "Projeto de Vida". A ideia era entrevistar conterrâneos para saber quais eram os planos para o futuro deles. "Todos deram a mesma resposta: 'Meu projeto de vida é sair daqui. Quero deixar Cuba'. Não, os cubanos não são felizes", disse W.. 
Terminamos aquela manhã tristíssimos, com um buraco no peito. Eu e Diogo continuamos rodando a cidade a pé (quase não usamos carro ou outro tipo de transporte), enfrentamos a fila da chocolateria onde cubanos e turistas esperam um tempão para comer o chocolate mais doce que eu já provei na minha vida, demos de cara com a loja de Benetton em Cuba (!!!) e dissemos "não" às crianças que, na rua, pediam "caramelos" (balas, em português). Voltamos ao hotel, jantamos no único lugar onde encontramos uma comida dessas que acolhem o estômago e a alma, o Paladar Los Amigos, uma espécie de restaurante que funciona dentro de uma casa. Depois, não tivemos mais disposição emocional para fazer nada. E fomos dormir para enfrentar a viagem de volta. 
No dia seguinte, na fileira atrás de nós no avião, uma brasileira chorava copiosamente. Aflitos, os passageiros ao lado tentaram confortá-la. Parei minha leitura que acabara de começar, de "A Insustentável Leveza do Ser", de Milan Kundera, para ouvir o que ela contou a eles. Chorava porque o "marido" tinha ficado em Cuba. Meses antes, os dois se conheceram no Brasil. Médico, ele viera trabalhar no Programa Mais Médicos. Apaixonaram-se, tentaram fazer com que ele ficasse aqui, mas não teve jeito. Por determinação do governo, ele precisou voltar. Ainda assim, tinha a esperança de ser enviado para uma nova missão, o que lhe foi negado. A moça voltava de uma temporada de um mês com seu amor, seu "marido", ela dizia aos vizinhos de voo. 
Ouvi a história, abracei meu marido, trocamos carinhos e retomei minha leitura com o coração apertado. Logo cheguei à parte do livro em que a Tchecoslováquia é invadida pelos russos e Tomas, um dos protagonistas, tem a possibilidade de imigrar para a Suíça. No início, pensa em ficar. Afinal, Tereza, sua mulher, estava no auge da carreira de fotojornalista. Surpreendentemente, ela diz que está disposta a se mudar, apesar de saber que, na Suíça, vivia uma das amantes de Tomas. Sobre isso, Kundera escreve: "Aquele que quer deixar o lugar onde vive não está feliz." E eu completo: seja ele um personagem de ficção, um venezuelano, um cubano ou eu mesma, quando, em viagem a trabalho, quero voltar para perto dos meus amores.
Fonte: Facebook

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Processo de Paz na Colômbia - A Opinião de um Militar

O Coronel (Inativo) Luis Alberto Villamarín Pulido, especializou-se como Lanceiro, Paraquedista e Contraguerrilheiro Rural, agora é um reconhecido analista militar e político.
Luis Alberto Villamarín Pulido, natural de Fusagasugá - Cundinamarca, é um Coronel Inativo do Exército colombiano, com 25 anos de experiencia militar (1977-2002), mais da metade deles dedicado às Operações de combate contra grupos narco-terroristas na Colômbia. É especializado com cursos de Lanceiro (equivalente aos nossos Comandos), Paraquedista e de Contra-guerrilha Rural.
Logo após deixar o serviço ativo, passou a se dedicar à investigação de temas relacionados com a geopolítica, a segurança e à defesa, alcançando grande notoriedade por seus 28 livros e centenas de artigos publicados. O Coronel Villamarín teve a amabilidade de nos conceder uma entrevista relacionada com o atual processo de paz colombiano.
Fuerzas Militares: ¿Quais foram suas maiores realizações durante seu serviço ativo, e qual a anedota que mais o marcou?
Cel Villamarín: Mais que realizações e anedotas, a honra de haver comandado durante quase dois anos (1994-1995) o Batalhão de Contra-guerrilha nº 19 - Cacique Calima, da Brigada Móvel nº 1, com destacados resultados em mais de 20 combates e zero baixas ou feridos entre meus soldados.
Fuerzas Militares: ¿Quál é a sua opinião sobre o atual processo de paz em Havana?
Cel Villamarín: Que as FARC impuseram a agenda, os tempos e a metodologia de negociação. Assim, ter conseguido a iniciativa estratégica, trouxe vantagens políticas substanciais e estabeleceu um empate tático ao obter a suspensão de bombardeios contra seus esconderijos, suspensão das fumigações de seus cultivos de coca, pantomima das desminagens e agora, a suspensão das Operações Militares com o argumento do cessar fogo bilateral, que as FARC veem como um armistício.
Em resumo, as FARC estão conseguindo legitimação política e buscam obter o status de "força beligerante" com a cumplicidade dos governos socialistas do hemisfério.
Fuerzas Militares: ¿Que coisas deviam ter sido feitas e não o foram em relação ao processo de paz?
Cel Villamarín: - Exigir a concentração de todas as estruturas terroristas das FARC antes de iniciar a conversar.
- Nenhuma concessão ao terrorismo para enfrentar a Justiça.
- Enviar à Justiça e trazer à luz os "Farc-políticos" e os "laranjas" das FARC, que os ajudam a mascarar as finanças.
- Exigir a entrega sem condições de todas as armas.
- Não incluir nem Venezuela nem Cuba como governos mediadores, pois seus dirigentes fazem parte do plano marxista leninista das FARC contra a Colômbia.
- Plena identificação de todos os membros do Partido Comunista Clandestino, do Movimento Bolivariano Clandestino e das Milicias Bolivarianas.
Fuerzas Militares: Desde seu ponto de vista, ¿qual é a principal preocupação dos nossos militares em relação ao chamado pós-conflito?
Cel Villamarín: Justiça penal militar debilitada, pouca claridade da chamada justiça transicional e os tribunais de paz de cunho esquerdista, continuidade no amparo laboral de soldados profissionais e quadros de mando, no bem estar social, e nos benefícios sociais.
Fuerzas Militares: ¿Quais, pensa você, serão as principais ameaças a enfrentar pela Força Pública no chamado pós conflito?
Cel Villamarín: Primeiro há que terminar o conflito para falar de pós conflito.
No caso de se desmobilizarem as FARC, o ELN e os remanescentes do EPL, as tropas devem estar preparadas para defender a soberania frente às ambições desmedidas do atual governo da Nicarágua sobre nosso mar territorial, o risco de uma aventura armada do governo socialista da Venezuela para ocultar sua ineficiência interna, ou a continuidade das mal chamadas bandas paramilitares.
Fuerzas Militares: ¿Lhe preocupa uma possível redução das Forças Militares ou uma deterioração das condições laborais dos militares no pós conflito?
Cel Villamarín: Obviamente, porque uma nação com a potencialidade geopolítica e geoestratégica da Colômbia é um manjar apetitoso para inimigos entocados que cobiçam nossas riquezas.
Fuerzas Militares: ¿Lhe preocupa uma diminuição do orçamento de segurança e defesa no pós conflito?
Cel Villamarín: Obviamente por las razones já expostas.
Fuerzas Militares: ¿Qual sua opinião sobre a planejada participação de nossas tropas em Operações Internacionais da ONU e da OTAN?
Cel Villamarín: Muito hipotética e oportunista. Quem poderá explicar que façamos parte ativa dessas Forças enquanto que, ao mesmo tempo outras forças da ONU estarão verificando a suposta desmobilização armada das FARC.
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Nota: na página www.luisvillamarin.com pode-se ver uma relação das publicações do Cel Villamarim. A maioria dos seus artigos estão disponíveis on line.
Fonte: tradução livre de Fuerzas Militares

domingo, 8 de maio de 2016

Colômbia - Os Acordos Versus a Paz

Na medida em que se intensificam campanhas para assimilar a paz com os acordos que serão firmados com a guerrilha, procuram fazer que quem indague por seus conteúdos seja visto como promotor “da guerra”.
Imagem:  ESTEBAN PARÍS
Quem pergunta sobre o alcance jurídico-normativo dos acordos firmados pelo Governo colombiano e as FARC não consegue respostas, nem definitivas, nem satisfatórias.
A ideia difundida ao país, logo após as revelações das negociações entre ambas as partes, era a de que haveria um acordo político, que seria submetido a um referendo popular e, logo depois, ao processo legislativo de ajustes, pelo Congresso ou por uma Assembléia Constituinte.
Porém, no caminho, como em tantos outros temas durante este governo, as coisas foram se transformando sem que os cidadãos pareçam inteirar-se. No Congresso avança o projeto que outorgará poderes extraordinários ao Presidente da República, para que seja ele quem, investido de faculdades legislativas, conclua os acordos. O mesmo Congresso voluntariamente recorta com esta reforma suas próprias faculdades.
Como esta iniciativa avança sem maiores tropeços — mas há de gerar debate em algum momento pelo desequilíbrio entre os poderes públicos —, reaparece ao mesmo tempo a demanda ante a Corte Constitucional buscando que os acordos com as FARC tenham o valor de "tratado", com força supra-constitucional autônoma, não suscetível portanto de reorientação nem posterior controle por parte de nenhum outro poder Estatal. Entre uma e outra possibilidade, será fácil ao Governo oferecer a primeira opção aos cidadãos como a menos perversa, e assim aplacar os inevitáveis questionamentos.
Paralelamente a tudo isto, as campanhas governamentais e de setores diversos procuram induzir um ambiente favorável à paz e à reconciliação, algo em que não há quem esteja contra. O problema é quando essas campanhas apresentam esses valores de paz e reconciliação como efeito imediato e inquestionável dos pactos de Havana. E quem indague ou questione aspectos desses acordos (dos que são conhecidos até agora) termina assinalado como sabotador da própria paz. Como um fomentador de guerras.
Perguntar por aspectos pontuais do acordo de justiça transicional e exercer o legítimo direito de questiona-los não é ser inimigo da paz. Inquirir por que deverá o Estado pagar os advogados dos ex integrantes das FARC (ponto 46 do Acordo) se eles manifestarem "não ter recursos", não é ser inimigo da reconciliação. Fazer uma reflexão ética sobre a ausência de limitação para a participação política dos guerrilheiros que tenham sido autores de delitos atrozes (ponto 36 do Acordo de 15 Dez 2015) não é ser belicista. É exercer o direito de fixar posição sobre os padrões éticos que deverão ser definidos para o exercício da atividade política em um país como o nosso.
Tudo isto tem importância fundamental para o futuro de nossa democracia porque, se for aprovada a ocorrência do plebiscito pela paz, também virá o momento em que o apresentarão como um voto pela paz, como se tal valor supremo pudesse ser votado, quando o certo é que se trata de um mecanismo de participação popular para que os cidadãos aprovem ou reprovem, especificamente, os acordos feitos com as FARC.
Se a publicidade continuar a ter primazia sobre o conteúdo direto do que se pactue com a guerrilha, do teor literal desses pactos e suas consequências que vão muito além do uso das armas, teremos os colombianos olhando embevecidos o ingresso de um Cavalo de Troia, ignorando quase todos — porque querem — o que esse animal leva em seu interior.
Fonte: tradução livre de El Colombiano
COMENTO: já escrevi aqui que a busca de um acordo de paz na Colômbia é assunto a ser decidido pelos colombianos, mas as "exigências" dos narco-bandoleiros para a concretização desse acordo — apoiadas pelos "analistas" e "especialistas" destacados pela imprensa — expõem a organização centralizada das decisões do Foro de São Paulo, e o fiel cumprimento de suas ordens pelos seus integrantes. Mesmo assim, há alguns ingênuos ou mal intencionados que duvidam da capacidade organizativa dessa criação de Fidel, Lula e Hugo Chavez (que o capiroto o tenha). Vejamos algumas "propostas": anistia com um processo judiciário "transicional" — esperemos que os colombianos não caiam nessa esparrela que depois se transforma em um mecanismo unilateral de benefícios para um segmento e de perseguição e revanchismo para o outro, como aconteceu no Brasil — anistia aos narcocriminosos seguida por indenizações e recompensas para que eles sejam "reinseridos" na sociedade. A procura por "desaparecidos" é outra artimanha para render propaganda (negativa para as Forças de Segurança colombianas, certamente) e recursos financeiros (indenizações) para os narco-bandoleiros. A pantomima das "Comissões da Verdade" foi exitosa na Argentina e no Brasil, onde os patifes conseguiram distorcer a história de suas canalhices, invertendo valores e transformando criminosos em heróis e heróis em bandidos, inclusive penalizando estes, além de promover um revanchismo indecente, maculando não só as memórias dos vencedores da luta armada mas convencendo os mais jovens de que foi graças a eles, os canalhas, que a democracia foi estabelecida. O "controle social" da mídia, a fim de que possam reescrever sua história e manterem o proselitismo de sua ideologia é outra exigência. Somente os muito alienados e os comparsas desses patifes se recusam a ver que esse sistema idiota que eles apregoam está falido e falindo todos os lugares onde se instalou. Assim, eles tem a necessidade de agir com urgência, conquistando espaços e, principalmente, recursos, pois ninguém é mais ávido por verbas alheias do que um comunista. Temos nossos próprios exemplos e mais recentemente, já vimos o discurso de Castro II o imperador cubano, querendo "indenização" dos EUA pelos anos de bloqueio econômico. Como se a bosta da ilha comunista improdutiva não negociasse sua miséria recebendo donativos — não se pode dizer que comercializa alguma coisa — de diversas nações, inclusive a nossa, sob a capa de "ajuda humanitária". Vergonha na cara parece ser, para eles, só mais uma manifestação burguesa-capitalista.
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domingo, 7 de fevereiro de 2016

O Regime Petista e o Carnaval dos Microcéfalos

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por Milton Simon Pires (*)
Em 27 de janeiro de 2013, duzentas e quarenta e duas pessoas morreram num incêndio dentro de uma boate na cidade de Santa Maria, aqui no Rio Grande do Sul. Escrevi, na época, um artigo chamado “Santa Maria e a Guerra do Vietnam” onde responsabilizei diretamente o Poder Público pela morte das pessoas, dei “nome aos bois” e alertei para chegada dos médicos cubanos ao Brasil. 
Trabalhando como funcionário (médico intensivista) de um hospital controlado pelo PCdoB, paguei meu preço nas “avaliações funcionais” e nas “queixas de funcionários e colegas” contra mim. Em 2014 fui acusado de um crime que não cometi – agredir uma médica dentro do Hospital – e perdi meu emprego. Até hoje não consegui, mesmo tendo feito concurso público, voltar ao trabalho e meu nome, como o nome de todos aqueles que desafiam a esquerda brasileira, foi para o lixo naquilo que eles fazem de melhor: assassinar a reputação de quem se "atreve a fazer oposição." 
Passados três anos, o Brasil inteiro vive o terror da epidemia do Zika Virus.  O “vírus da microencefalia”, como ele se tornou conhecido no pais da rubéola, da toxoplasmose do citomegalovírus, do herpes, do alcoolismo e das viciadas em crack que vagam nas ruas de São Paulo, foi descoberto em 1947 em Uganda. Afirmo ser minha convicção que ele só chegou ao Brasil em virtude da mais completa irresponsabilidade, da corrupção e do descontrole de um governo criminoso que não controla fronteiras nem entrada de imigrantes africanos (inclusive em navios com mosquitos) no país. 
O transmissor deste vírus – o mosquito Aedes Aegypit – é, como eu escrevi outro dia, uma espécie de “fusca dos mosquitos”- transporta uma infinidade de vírus a “baixo custo” para si mesmo. Há quase trinta anos (isto mesmo: trinta anos) o Governo Brasileiro vem tentando exterminar o inseto. Recentemente, em função da epidemia de dengue, as ações foram intensificadas mas, ao invés de produzirem o resultado final esperado (a extinção do mosquito) foram eficientes no sentido de torná-lo mais resistente – fenômeno comum quando se combate seres vivos a longo prazo sem conseguir matá-los. Agora, o Poder Público que não controla bandidos que entram dentro de UPAS (unidades de pronto-atendimento) e moscas varejeiras dentro de UTI's (unidades de terapia intensiva) quer “controlar um vírus” !!!
Politicamente, a organização criminosa que atende pelo nome de “Partido dos Trabalhadores” precisa urgentemente da aprovação da nova CPMF para encher os cofres do país que ela mesma destruiu. A imprensa vem “colaborando muito” e mostra cenas de terror dentro de UPAS e dos hospitais falidos que os verdadeiros médicos brasileiros - não sindicalistas e não petistas - já reconhecem e denunciam desde a implantação do SUS. 
Dos médicos cubanos, ninguém fala mais – nenhuma palavra sequer do Ministério da Saúde e do Regime Petista propondo alguma ação específica por parte destes que foram trazidos ao Brasil a peso de ouro para encher os cofres de Fidel Castro. O máximo que se escutou até agora veio de um ministro ligado ao PMDB que “ganhou o Ministério da Saúde” como pagamento para evitar o impeachment de Dilma. Ele disse que “torcia para que mulheres tivessem contato com o vírus antes de engravidar”, declaração que não merece comentário mas que surpreende porque vem de alguém com nível cognitivo que parece estar mais próximo do PT do que do PMDB.
Recentemente, a Dra. Margaret Chan, Diretora Geral da Organização Mundial da Saúde (a mesma instituição que já recomendou que as pessoas comam insetos e apoiou o Programa Mais Médicos no Brasil) declarou que a epidemia de Zika Virus é uma emergência mundial em termos de saúde pública. Imagino a festa por parte dos petistas do Ministério da Saúde que querem a aprovação da CPMF e da militância feminista aborteira: nada poderia ser mais conveniente mesmo reconhecendo que se trata, definitivamente, de uma situação gravíssima e que milhões de bebês vão nascer com cérebros menores a partir da infecção das mães nas doze primeiras semanas de gestação. Um vírus que pode trazer ao mesmo tempo mais impostos e a liberação total do aborto no Brasil é uma "benção" (na visão de um militante petista).
A única coisa que o Ministério da Saúde e o Regime Petista não dizem (e isso posso citar sem receio de destruir a carreira ou perder o emprego que a esquerda já me tirou) é qual o valor em dinheiro colocado pela PETROBRAS (que já fez isso em anos anteriores) no Carnaval do Rio de Janeirofesta nacional caracterizada por uma promiscuidade sexual reconhecida em todo planeta e pelo número enorme de brasileiras que engravidam nesse período do ano.
(*) Milton Simon Pires é médico.

Fonte:  Ataque Aberto
COMENTO:  primeiramente, quero recomendar a leitura do texto citado no primeiro parágrafo. É gravíssima a denuncia ali feita e sobre a qual a nossa "grande imprensa" fez um ensurdecedor silêncio. O presente texto lança uma luz para mim e outros que tenham se admirado pelo fato das atuais campanhas sanitárias focarem na eliminação das larvas e não dos mosquitos - os verdadeiros vetores da doença. Óbvio que se deve eliminar as larvas para evitar a proliferação dos mosquitos, mas estes também devem ser combatidos, e isso não se vê nas campanhas. Nos resta "curtir" o Carnaval, a CPMF e a futura "epidemia" de abortos que nos afligirão em 2016.
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domingo, 21 de junho de 2015

Lula, PT, FSP e Colômbia

por John Marulanda
RIO. A proverbial afetividade dos cariocas anda minguando: estão preocupados, hostis, mesmo. Depois de 12 anos de governo, o Partido dos Trabalhadores, fundado por Inácio Lula para "os pobres e despossuídos", resultou tão ladrão como qualquer outro partido tradicional: seus membros saquearam a Petrobras, que levou uma das empresas petroleiras mais importantes do mundo a uma situação de quase falência. 
A situação econômica do país se mostra mal, com uma recessão que poderá ser a pior em 25 anos. Duro de suportar, para os cariocas, além da carestia, é o ciclo desemprego - ingresso nos bandos de narcotráfico - insegurança - violência. As Unidades Policiais de Pacificação (UPP) estão sendo superadas pelas redes delinquenciais das favelas e os tiroteios. Os mortos aumentam a cada dia. A insegurança agora se estende ao Flamengo, Lagoa, Copacabana, Barra da Tijuca, com menores de idade esgrimindo armas brancas e apunhalando sem piedade. 
-  ¿Onde está Lula? A aura de simpatia (do motorista) desapareceu e deu lugar a algo parecido com raiva reprimida. 
Dilma, sua filha política, a glamorosa ex guerrilheira, evita exibir-se em público por medo das vaias, toma medidas urgentes de cunho neoliberal que a distanciam de seus padrões socialistas e prepara sua visita a Washington. 
O Foro de São Paulo, essa máquina política continental idealizada por Lula e Castro - e financiada por Chávez - que congrega organizações terroristas como as FARC e o ELN, e que ambiciona lançar a América Latina no marxismo-leninismo, urde suas estratégias enquanto vê como Cuba se abre ao imperialismo ianque e à Igreja Católica, enquanto a Venezuela se desmantela. Não importa. 
Esses profetas do ódio entre classes tem a Colômbia em sua mira e assessoram tanto os barões da barbárie quanto a políticos corruptos e retrógrados. Com uma Comissão da Verdade de consequências imprevisíveis, esperam reescrever a história desse país enquanto buscam desprestigiar os militares, única barreira real contra o stalinismo que nos assedia e cerca pelo sul, no leste e no Caribe.
Inflação, desvalorização, corrupção, desemprego, insegurança, são os temas cotidianos em um Brasil que se prepara para os Jogos Olímpicos no ano que vem. A situação é tão tensa que, há um mês, o ministro da Defesa disse a imprensa que "as Forças Armadas estão muito longe de uma intervenção militar para por fim ao governo da presidente Dilma Rousseff em função da crise política e econômica que enfrenta o país".
Deixamos o Leme e rumamos para São Conrado por uma movimentada avenida Atlântica. Joaquim, o motorista, responde com um sorriso: "Lula está se escondendo atrás da saia de Dilma".
E na Colômbia, quando agravar-se o descalabro, ¿onde se esconderão os entreguistas de Havana? 
Fonte: tradução livre de El Colombiano
COMENTO:  essa é a descrição sumária da conversa de um jornalista colombiano com um motorista de táxi do Rio de Janeiro e a opinião formulada a respeito da atual situação brasileira e os possíveis reflexos que tal situação, aliada às negociações com os narcoguerrilheiros, podem ter sobre a Colômbia.
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