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sexta-feira, 22 de março de 2019

Base Espacial Chinesa na Patagônia Preocupa.

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A desproporcional base espacial que o governo nacionalista-populista de Cristina Kirchner concedeu à China na Patagônia causa cada vez mais preocupação na Argentina e no mundo, como pode se ver em reportagem do jornal portenho La Nación”.
Base Chinesa na Patagônia não é só civil, diz Exército dos EUA
Teme-se cada vez mais sobre sua verdadeira finalidade. Recentes fatos, como o pouso de uma nave chinesa no lado escuro da Lua multiplicaram os temores.
A base dirigida pelo Exército Vermelho comunista teria também um objetivo militar.
Durante milênios as guerras e as hegemonias imperiais tinham como objetivo supremo o domínio da superfície terrestre.
Em séculos recentes, os impérios coloniais como o inglês privilegiaram o controle dos mares, e dos estreitos que controlam a navegação.
A II Guerra Mundial transferiu essa importância ao controle do ar.
As forças aéreas os aviões primeiro, e os mísseis posteriormente passaram a ser determinantes para o domínio do mundo ou de continentes inteiros.
Hoje o controle do espaço e das comunicações via satélite para usos militares é campo de luta primordial para as potências.
Nesse contexto foi posta em funcionamento num local desértico e afastado uma estação espacial chinesa de observação e exploração que diz ter finalidades “pacíficas”. E isso é o que cada vez menos se acredita.
Pequim ganhou de mão beijada uma área de 200 hectares, perto do povoado de Bajada del Agrio, na província de Neuquén, na estepe patagônica.
A área é na prática um enclave soberano chinês. Funciona sem supervisão das autoridades argentinas, leia-se só vigora a lei chinesa, os trabalhadores e cientistas só são chineses, que não falam espanhol, quase não se fazem ver e obedecem a um general do Exército vermelho.
Infografia publicada pela imprensa argentina
A agência Reuters obteve acesso a centenas de páginas de documentos oficiais dos acordos, aliás secretos, assinados por Kirchner. A documentação foi revista por especialistas em direito internacional.
Os EUA consideram que a China está “militarizando” o espaço e que a estação da Patagônia, acordada secretamente com um governo corrupto é mais um exemplo de táticas chinesas predatórias da soberania das nações, explicou Garrett Marquis, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca.
Por sua vez, Tony Beasley, diretor do Observatório Nacional de Radioastronomia dos EUA avala que a dita base pode “escutar” os satélites de outros países para surrupiar dados confidenciais. 
Trinta empregados chineses trabalham e moram na base que não admite argentinos, disse a prefeita local, Maria Espinosa. Os habitantes da zona rara vez veem alguém na cidade.
Alberto Hugo Amarilla, dono de um pequeno hotel, conta que um funcionário chinês o saudou com entusiasmo pois tinha sabido que era oficial retirado do exército. O chinês era general...
Base funciona como território soberano chinês.
Apresentando seu informe anual, no Congresso, o chefe do Comando Sul dos EUA, o Almirante Craig S. Faller, manifestou sua “preocupação” porque a base chinesa pode “monitorar alvos estadunidenses”, escreveu o quotidiano Clarin de Buenos Aires. 
Os perigos da penetração informática militar da China na Argentina atingem toda a América do Sul. 
Eles são acrescidos à expansão de empresas engajadas com a telefonia celular, como a Huawei e a ZTE que “penetraram agressivamente na região”, com uma estratégia que “põe em risco a propriedade intelectual, dados privados e segredos de governo”. 
O Pentágono considera, além do mais, que essas empresas incluem dispositivos nos smartphones que comercializam para grampeá-los e repassar os dados à China.
De maneira análoga, segundo a agencia britânica Reuters a base chinesa age como uma “caixa preta” para registrar toda espécie de informações sensíveis. 
Segundo militares citados pela revista Foreign Policy a forma do imenso radar revela que é usado para reunir informação sobre a posição e as atividades dos satélites militares americanos. E sublinham que a China fala muito de um espaço livre de armas, mas é a primeira em não respeitar o que diz. 
No Congresso estadunidense, o almirante Faller elencou entre as “principais ameaças” à paz mundial, a Rússia, a China, o Irã, e seus “aliados autoritários” de Cuba, Nicarágua e Venezuela.
O jornal portenho Clarín publicou fac-símiles do tratado secreto que confirmam esses temores. 
O tratado cria “uma zona de exclusão”, que tem um raio de até 100 kms em volta dos 200 hectares. Nessa “zona de exclusão”, os civis argentinos não poderão acionar aparelhos que usem ondas de rádio “como equipamentos domésticos, dispositivos para carros,” etc.
O prefeito de Bajo del Agrio, a localidade mais próxima à base, Ricardo Fabián Esparza, usou uma metáfora caseira para dizer que tudo se passa como se os chineses quisessem espionar até as peças íntimas de nosso vestuário.
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domingo, 26 de novembro de 2017

A Tragédia do ARA San Juan - A Lição Que Fica

Junto com a enorme dor que nos golpeou nas últimas horas, se acenderam centenas de luzes vermelhas e a sociedade argentina começou a fazer perguntas que deveriam ter sido formuladas há décadas.
Chegará, é inevitável, o tempo da prestação de contas, da metafórica "entrega de faturas", da busca implacável de responsáveis. E posso afirmar, quase com a mesma certeza, que essa rendição de contas se limitará naqueles que usam um quepe branco com escudo da Armada.
Durante décadas, nós que temos tripulado e comandado navios de guerra no mar, tivemos que lutar contra a apatia, a indolência e a ignorância daqueles que tomavam as decisões sobre nosso orçamento.
Portanto, sair ao mar implicava uma dose às vezes sobre-humana de vontade, de amor pela camiseta, de orgulho profissional e até de rebeldia.
Aprendemos a suprir a falta de recursos com criatividade, pedir equipamentos ou sobressalentes ao navio do lado, conseguir um reparo de última hora nas oficinas, maximizar a imaginação para resolver com ideias aqueles problemas que só se resolvem com recursos materiais e finalmente, por que não, amarrar com arame e rezar para que aguente.
De fato, esta criatividade voluntariosa e às vezes voluntarista, passou a ser um dos atributos mais valorizados nos jovens oficiais ou suboficiais da Armada.
De vez em quando nos perguntávamos: "¿E se tentarmos com dinheiro?", sabendo que lamentavelmente era uma pergunta retórica.
Simplesmente, a Nação não nos atribuía um papel relevante, em consequência não havia respaldo orçamentário e ao final, a opção era assumir os riscos ou paralisarmos definitivamente.
Esta situação é mais extrema nos meios de operação mais arriscada: aviões e submarinos. Aviadores navais e submarinistas devem ser muito mais rigorosos porque suas vidas estão em jogo de modo muito mais evidente e imediato.
Esta situação penosa se estendeu durante anos. Não ocorreu durante algum governo em particular, ainda que seja evidente que algumas gestões nos castigaram mais que outras.
Creio que mais de 90 por cento de nosso pessoal iniciou sua carreira depois da restauração democrática, porém a renovação vegetativa não importa muito quando a desconfiança é virtualmente inata e nos alcança pelo simples fato de ser o que queremos ser.
Agora aí está. Agora perdemos um submarino com 44 almas a bordo.
O mais doloroso é a perda de jovens vidas, certamente. Porém as insinuações sobre a irresponsabilidade implícita na operação de um navio em condições precárias é quase tão dolorosa, por  serem essencialmente injustas. É assim para aqueles dos quais conhecemos o enorme esforço, carinho e compromisso com que eles levaram adiante sua vocação. Nós sabemos porque sentimos o mesmo.
Como disse linhas acima, esta tragedia é de todos ainda que a responsabilidade só recaia em alguns.
Quando a carreira de um militar é interrompida por algum erro severo, ocorre algo especial: esse homem perde sua profissão definitivamente, sem chance de voltar atrás. Isto ocorre também com policiais e gendarmes.
Isto não é uma crítica nem uma queixa, é um dado da realidade. Nos matam com um único tiro, e muitas vezes "pelas dúvidas". E isto é o que vai ocorrer agora. Afirmo isto porque já começou a ocorrer.
Durante a última semana de pesadelo que viveram os argentinos, em particular os marinheiros, se produziram "fricções" entre militares e políticos.
¿Por que ocorrem? Porque pensamos de maneira distinta, cada um com sua própria estrutura de valores, ideais e objetivos legítimos.
Minha ética profissional me impõe, por exemplo, pedir minha demissão se o navio que comando sofre uma quebra, colisão ou incidente grave. Depois vamos ver se sou culpado, porém minha responsabilidade me exige o proverbial "paso al costado" [NT: "dar passagem"] ainda que seja provisório.
Agora, nossos dirigentes se dedicarão à lucrativa tarefa de "estabelecer responsabilidades". Gostaria de perguntar se irão buscar em suas casas os ministros de Defesa dos últimos 50 anos, ou se vão questionar, ainda que seja frente ao espelho, suas próprias decisões ou a falta delas.
Esta semana foi dolorosa para todos os marinheiros argentinos, mas especialmente para aqueles que aspiram continuar com sua incipiente carreira. Seu futuro é incerto e eles sabem disto.
Vozes tão estridentes como ignorantes falam hoje com equívoca fartura de conceitos técnicos que se leva uma vida inteira para compreender. Eram diretores técnicos há dois meses, peritos forenses no mês passado e submarinistas experientes hoje. É inevitável, mas doloroso, especialmente quando desde um microfone questionam atitudes profissionais sobre as quais não estão nem remotamente capacitados para avaliar.
Castiguemos os culpáveis, está bem, ainda que só seja a alguns. Se não podemos castigar aos que deveríamos, ao menos façam-lo com aqueles mais facilmente castigáveis.
Mas depois, quando se aplaquem os ânimos e se curem as dores da alma, saibamos que apesar das adversidades, pese à injustiça de pretender que suportem os erros de mais de 40 anos, pese à indolência e a apatia de uma sociedade que deveria velar por eles, segue havendo jovens argentinos cuja principal aspiração é defender a sua Pátria no mar.
Sua Pátria deveria permitir que o façam.
(*) Capitão de Navio (Inativo)
 e veterano da Guerra das Malvinas.
Fonte: tradução livre de Tribuna de Periodistas
COMENTO: Que essa tragédia que atingiu os Submarinistas Argentinos e o próprio povo argentino, sirva de exemplo aos dirigentes daquele país e de outros, particularmente do Brasil. Distribuir tarefas sem a devida distribuição de meios é ato de extrema irresponsabilidade!

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Sobre a Morte de Alberto Nisman - Cristina Kirshner Envolvida?

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Stiuso: "Os Kirchner tinham Serviços paralelos que lhes 'resolviam' os problemas"
O ex espião falou com La Nación, em sua primeira entrevista desde que regressou ao país
É manhã de domingo. Um homem chega a um bar na Calle Echeverría, em Belgrano. Se senta à mesa do fundo, à esquerda do salão, em uma cadeira que lhe permite ver a porta de entrada. Veste roupa informal: jeans, sapatos e jaqueta esportiva. Abre o diário Clarín e pede dois croissants de manteiga, um café com leite e água sem gás. Passará cerca de uma hora lendo minuciosamente as noticias, com os óculos apoiados na ponta do nariz. Antonio "Jaime" Stiuso parece um homem comum e não um ex agente temido por políticos, juízes e empresários.
O identificamos e nos aproximamos até sua mesa, e ainda que a principio tenha rido ante a proposta de responder algumas perguntas e sido conclusivo ("não falo com a imprensa, somente com a Justiça", disse) finalmente concordou. Quando viu o telefone celular na mesa, reagiu: "¿Por que me gravas?". Depois se tranquilizou quando a jornalista guardou o telefone. Foi se acalmando aos poucos, a medida que se sucediam as perguntas: "¿Como estás?", "¿Quando voltastes?", "¿Como te sentes?". Se permitiu, então, algumas respostas mais concretas. As primeiras à imprensa depois de seu regresso ao país, em fevereiro passado. Afirmou que está "tranquilo" agora que a ex presidente Cristina Kirchner "perdeu seu poder", porque, disse, nem ele nem sua família sofrem mais ameaças. Apontado como armador de "carpetazos" ("finalizamentos" irregulares) contra opositores durante o kirchnerismo, disse que naqueles anos havia um "serviço de inteligencia paralelo" que se ocupava dessa tarefa e do qual, garante, ele não fez parte.
Seu rosto parece muito com o retrato falado difundido pelo então ministro Gustavo Béliz em 2004: o mesmo corte de cabelo, agora um pouco grisalho e magro, com olheiras e um olho caído. Minguém o reconhece: é só mais um lendo o jornal. É difícil não imaginar que ele observou detidamente cada um que tenha adentrado ao bar.
Durante anos, sua relação com o casal Kirchner se manteve em bons termos. O ex presidente havia apresentado Stiuso a Nisman para que trabalhassem ombro a ombro, ainda que o ex agente agora o negue. Uma série de escândalos relacionados com Cristina, em 2014, lhe valeu a acusação de que seria ele quem vazava aquelas informações o que lhe custou a aposentadoria.
Ele lamenta a morte de Nisman, mas acredita que esse desfecho era inevitável: "as gravações que tinha como provas envolviam o Governo", afirma; as acusações contra o kirchnerismo são parte da estratégia judicial que prepara. Descontraído, riu várias vezes e se esquivou com habilidade de muitas perguntas. Depois de tudo, segundo ele mesmo afirma, a sua "é uma profissão que nunca se abandona".
- ¿Como estás?
- Bem, muito tranquilo agora.
- ¿Quando voltastes ao país?
- Voltei depois do aniversário de Cristina (19 de fevereiro). Estive nos Estados Unidos com asilo por todas as ameaças que recebemos, tanto eu como minha família. Ameaças de morte do governo anterior.
- ¿A que te dedicas agora?
- Trabalho em minha empresa, que tenho desde 1997 e na qual sempre trabalhei.
- ¿Se pode deixar de ser do serviço?
- Não, é uma profissão que nunca se abandona.
- ¿Que opinas sobre a causa AMIA?
- Que as coisas não foram bem feitas. Veja que em todos os países do mundo em que houve ataques terroristas a situação se manejou de outra maneira. Aqui nunca se pode esclarecer nada porque os governos sempre trataram de esconder as coisas, de subornar juízes, pressionar funcionários.
- ¿Que te parece o memorando com Irán?
- O governo anterior quis fazer crer que os iranianos não tiveram nada que ver, que a culpa foi dos sírios. ¿Não te parece estranho que Timerman tenha negociado este memorando em Alepo (Siria), onde os sírios supostamente só patrocinaram o encontro?
- ¿Que houve com Alberto Nisman?
- O mataram. Eu podia ter terminado como ele. Houve perseguição, o ameaçaram muitas vezes, tanto a ele como a mim, ameaçaram a sua família.
- ¿E por que seguiu adiante então?
- Porque era seu trabalho e porque o não seguir adiante não implicava que viveria. Nas gravações que tinha como evidencia envolvia o Governo. De uma forma ou outra teria ocorrido o mesmo. Ele antes de fazer a denuncia já havia comentado com alguns jornalistas, era assunto sabido.
- ¿E tu, por que te salvastes?
- Porque não puderam me encontrar, me fui a tempo.
- Quer dizer que foi o governo de Cristina que o mandou te matar.
- Isso!
- ¿Suspeita da figura de Lagomarsino?
- Eu suspeito de todos.
- Tu fostes o último a quem Nisman telefonou, mas não o atendestes. ¿Por que?
- Porque não escutei o telefone, estava no modo vibrador.
- Nisman e Arroyo Salgado foram aliados de Cristina. Sem ir mais lonje, Arroyo Salgado foi quem mandou tirar as calcinhas da filha de Herrera de Noble. ¿Que houve?
- Isso não tem nada que ver, eles cumpriam com seu trabalho. Eu também já tirei pentes de casas para tratar de identificar filhos de desaparecidos. Alberto era uma pessoa muito inteligente, muito bom no que fazia. Ele investigou o que pediram, encontrou evidencias contra o Governo e as fez públicas.
- ¿Acreditas que vão esclarecer a morte de Nisman?
- Creio que em algum momento vamos saber. A Alberto lhe inventaram uma "estória" depois de falecido, trataram de desmerecer tudo o que havia feito. Agora que já não estão no poder, a "estória" se esvai.
- Dizem que tu armavas os "carpetazos" para Néstor e Cristina, contra os opositores...
- Isso é mentira, eu não armava nenhum "carpetazo", eu não entendo de política, eu fazia outras coisas: me ocupava de coisas exteriores, de inteligência, contrainteligência, terrorismo. Os Kirchner não utilizavam a SIDE porque tinham seus serviços paralelos, com gente que investigava para eles e lhes armava seus próprios "carpetazos".
- ¿Quem estava a cargo desse serviço de inteligencia paralelo?
- Isso eu direi quando me chame a Justiça.
- ¿Oscar Parrilli?
- Parrilli é um palhaço, não podia manejar nada.
- ¿Conheceu a Néstor e Cristina?
- A ela, a vi uma vez somente, a ele nunca o vi.
- As escutas passarão de novo para a AFI (Agência Federal de Inteligência). ¿Qual tua opinião?
- Que nada muda. Não é um buraco negro, como todos dizem. O sistema funciona assim: há uma central que grava as conversações, o "grampo" se pede por ordem da Justiça às companhias telefônicas, que as desviam à "ojota" (Direção de Observações Judiciais -  central de interceptações).
- ¿Tu nunca grampeastes telefones ilegalmente?
- Tem que ter um equipamento especial. Não contávamos com esse equipamento, mas esse serviço de inteligência paralelo manejado por Cristina o possuía.
- ¿Qual tua opinião sobre a detenção de Pérez Corradi?
- Me parece que é um peão. Eu detive o verdadeiro rei da efedrina, Mario Segovia, em 2008; e aí estourou o tema da mafia dos medicamentos. De todo modo, a mim nunca deram ordem de buscar a Pérez Corradi.
- ¿Acredita que Aníbal Fernández está implicado?
- (Dando de ombros.) O que eu tenha que dizer farei na Justiça.
- Dizem que fostes tu quem informou sobre o dinheiro de José López, e que por isso o pegaram.
- Não, eu não tenho nada que ver. Agora aparecem todas estas coisas porque Cristina já não tem o aparato do Estado e não pode forçar o silenciamento.
- ¿Por que te removeram da SI?
- Quiseram fazer crer que eu era o demônio e que com minha saída tudo seria transparente. O problema foi que começaram a aparecer as denuncias contra Cristina e isso a incomodou; através da mídia fez recair em mim uma serie de acusações.
- ¿Que sabes de Cristina para que tenha se enfurecido tanto?
- Pergunte a ela.
- ¿Mudou a situação com a criação da AFI?
- A AFI segue sendo o mesmo que antes era a SIDE, porém com gente de Cristina, que agora suponho será gente de Macri. Me tiraram, a mim e a muitos que estávamos desde bastante tempo para poder por a sua gente.
- ¿Conhece a Aníbal Fernández?
- O vi em um par de oportunidades. Uma vez com Alberto (Nisman), e ele estava nos gravando. Aníbal era um dos que mais queriam, junto com Cristina, que eu voltasse ao país para me assassinar. Agora que estão fora do governo não veio me visitar. Ninguém veio me visitar. Eles pensaram que seriam eternos, já não tem poder, não tem o aparato do Estado.
- ¿Cristina não tem poder?
- ¿Te parece que sim? Já era, agora é só uma mulher louca, sem força, sem o aparato do Estado.
Fonte: tradução livre de  La Nación
COMENTO:   para melhor entender este tema, recomendo as leituras nos atalhos que se seguem. 

sábado, 11 de junho de 2016

As Derrotas da Esquerda na América do Sul

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Está feliz a direita na região. A esquerda está perdendo eleições ou está sendo desalojada do poder. No Brasil e na Venezuela ocorrem situações mais dramáticas. Na Argentina também ocorreu uma angustiosa batalha política. No Peru, a esquerda sequer conseguiu chegar ao segundo turno e neste domingo (5/6/2016) tem que se contentar em apoiar um notável expoente da direita para tentar atrapalhar a filha de Fujimori. No Equador e na Bolívia, o panorama para as próximas eleições não é alentador.
Imagem da Internet
Os dirigentes das forças derrotadas ou acossadas apelam para uma explicação: trata-se de uma conspiração da direita com alguma ajuda de forças externas. Seus rivais tem outra explicação: é a ineficácia, a má gestão e a incapacidade para governar esses países que estão no caminho do desenvolvimento.
É certo que em alguns deles a direita está urdindo as mais obscuras intrigas para tomar o poder. No Brasil isto é evidente. O julgamento a que está sendo submetida Dilma Rousseff é um baile a fantasia, tramado por uma aliança entre as forças mais corruptas, com o propósito de tirá-la do governo. É certo, também, como afirma a direita, que em alguns casos há uma desastrosa administração dos recursos.
Porém, as duas explicações são insuficientes. Me atrevo a dizer que no fundo da crise que vive a esquerda há três causas: nenhum dos partidos ou movimentos dessa corrente política conseguiu forjar um projeto economicamente viável; nenhum logrou afastar os inegáveis focos de corrupção; e a fadiga dos cidadãos com sua prolongação indefinida dos mandatos está afetando a todos.
O Partido dos Trabalhadores e Luiz Inácio Lula da Silva conseguiram criar a mentira de um modelo econômico que distribuía riqueza ao mesmo tempo em que produzia um desenvolvimento imenso. Em seus dois mandatos Lula dizia ter tirado 30 milhões de brasileiros da pobreza, produzindo uma grande transformação econômica. Porém, a verdade em forma de crise chegou e a ilusão se desvaneceu. O combate à iniquidade e à pobreza não tinham uma base estável, tampouco o crescimento econômico.
A esquerda não encontrou o caminho para converter a riqueza natural dos países da região em riqueza produtiva. E esse é o grande desafio. A orientação da esquerda, com variações de matizes de um lugar a outro, tem sido a de extrair rendas da terra e distribuí-las por meio de programas assistencialistas. Isto não é, claro, condenável. Mostra um espírito de justiça que não pode ser abandonado. Porém já está bem demonstrado que isto não produz novas economias. A Venezuela é o exemplo mais palpável.
Por outro lado, a corrupção bateu fortemente às portas da esquerda. Depois de haver fustigado durante décadas a direita no poder pelo abuso na utilização dos recursos, esta corrente política teve que admitir que ela também, uma vez acomodada no poder local ou nacional, pode expor-se a cair em graves escândalos de corrupção. Nenhum dos governos escapou de algum surto. O menor deles pode ser o que afetou a família de Michelle Bachelet, mas dado à aura que rodeou essa líder chilena, as denúncias tiveram um grande efeito em seu mandato.
Além dos fracassos econômicos e dos buracos negros na transparência, está o cansaço dos cidadãos com a prorrogação dos mandatos. Há uma lei da democracia contra a qual é inútil lutar: o ir e vir do pêndulo político. A esquerda latino americana ainda não se deu conta disso.
Nos países de competição política aberta, com regras institucionais estáveis, com equilíbrio de poderes, é impossível que uma corrente permaneça no poder por tempo indefinido. Mesmo que os governos tenham muitas coisas favoráveis, os cidadãos se cansam de ver sempre os mesmos governantes. Aguentam dois, com alguma dificuldade, três mandatos. Porém o quarto mandato se torna em pesadelo. A situação se agrava quando, além de tudo, há que mudar as regras do jogo para obter essa continuidade no poder. O caso boliviano é bem ilustrativo. Um presidente popular como Evo Morales acaba de perder o referendo para prolongar seu mandato.
Conversando com meus amigos de esquerda me dei conta de que muitos tomam as derrotas da esquerda como uma verdadeira tragédia, como se fosse uma perda definitiva. A direita também alimenta a ideia de que os governos de esquerda nunca mais voltarão.
Contudo, em uma verdadeira democracia, passar à oposição não é uma tragédia; é, por assim dizer, um fato inerente ao jogo político. Mais ainda, pode ser uma bênção. Para alguns casos na América Latina, certamente o é. A alguns partidos e líderes políticos é conveniente um tempo de reflexão sobre novas alternativas econômicas; um tempo de depuração em seus quadros para prevenir a corrupção; um tempo nas ruas e fazendo críticas, para aspirar, de novo, conduzir esses países tão complexos em sua adolescência democrática.
Fonte:  tradução livre de Semana
COMENTO: o autor do texto acima, León Valencia Agudelo, é um jornalista colombiano que foi guerrilheiro até 1994, quando houve um acordo de paz com o Grupo de Renovación Socialista, uma dissidência do Exército de Libertação Nacional (ELN), da qual ele fazia parte. Publico seu texto para que vejamos que a queda dos incompetentes comuno/socialistas na América Latina já é um fenômeno reconhecido não só no Brasil. Felizmente, está acabando a paciência da "maioria silenciosa" para com esses bostas, desonestos e incompetentes seguidores dos ditames do Foro de São Paulo.
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domingo, 8 de maio de 2016

Colômbia - Os Acordos Versus a Paz

Na medida em que se intensificam campanhas para assimilar a paz com os acordos que serão firmados com a guerrilha, procuram fazer que quem indague por seus conteúdos seja visto como promotor “da guerra”.
Imagem:  ESTEBAN PARÍS
Quem pergunta sobre o alcance jurídico-normativo dos acordos firmados pelo Governo colombiano e as FARC não consegue respostas, nem definitivas, nem satisfatórias.
A ideia difundida ao país, logo após as revelações das negociações entre ambas as partes, era a de que haveria um acordo político, que seria submetido a um referendo popular e, logo depois, ao processo legislativo de ajustes, pelo Congresso ou por uma Assembléia Constituinte.
Porém, no caminho, como em tantos outros temas durante este governo, as coisas foram se transformando sem que os cidadãos pareçam inteirar-se. No Congresso avança o projeto que outorgará poderes extraordinários ao Presidente da República, para que seja ele quem, investido de faculdades legislativas, conclua os acordos. O mesmo Congresso voluntariamente recorta com esta reforma suas próprias faculdades.
Como esta iniciativa avança sem maiores tropeços — mas há de gerar debate em algum momento pelo desequilíbrio entre os poderes públicos —, reaparece ao mesmo tempo a demanda ante a Corte Constitucional buscando que os acordos com as FARC tenham o valor de "tratado", com força supra-constitucional autônoma, não suscetível portanto de reorientação nem posterior controle por parte de nenhum outro poder Estatal. Entre uma e outra possibilidade, será fácil ao Governo oferecer a primeira opção aos cidadãos como a menos perversa, e assim aplacar os inevitáveis questionamentos.
Paralelamente a tudo isto, as campanhas governamentais e de setores diversos procuram induzir um ambiente favorável à paz e à reconciliação, algo em que não há quem esteja contra. O problema é quando essas campanhas apresentam esses valores de paz e reconciliação como efeito imediato e inquestionável dos pactos de Havana. E quem indague ou questione aspectos desses acordos (dos que são conhecidos até agora) termina assinalado como sabotador da própria paz. Como um fomentador de guerras.
Perguntar por aspectos pontuais do acordo de justiça transicional e exercer o legítimo direito de questiona-los não é ser inimigo da paz. Inquirir por que deverá o Estado pagar os advogados dos ex integrantes das FARC (ponto 46 do Acordo) se eles manifestarem "não ter recursos", não é ser inimigo da reconciliação. Fazer uma reflexão ética sobre a ausência de limitação para a participação política dos guerrilheiros que tenham sido autores de delitos atrozes (ponto 36 do Acordo de 15 Dez 2015) não é ser belicista. É exercer o direito de fixar posição sobre os padrões éticos que deverão ser definidos para o exercício da atividade política em um país como o nosso.
Tudo isto tem importância fundamental para o futuro de nossa democracia porque, se for aprovada a ocorrência do plebiscito pela paz, também virá o momento em que o apresentarão como um voto pela paz, como se tal valor supremo pudesse ser votado, quando o certo é que se trata de um mecanismo de participação popular para que os cidadãos aprovem ou reprovem, especificamente, os acordos feitos com as FARC.
Se a publicidade continuar a ter primazia sobre o conteúdo direto do que se pactue com a guerrilha, do teor literal desses pactos e suas consequências que vão muito além do uso das armas, teremos os colombianos olhando embevecidos o ingresso de um Cavalo de Troia, ignorando quase todos — porque querem — o que esse animal leva em seu interior.
Fonte: tradução livre de El Colombiano
COMENTO: já escrevi aqui que a busca de um acordo de paz na Colômbia é assunto a ser decidido pelos colombianos, mas as "exigências" dos narco-bandoleiros para a concretização desse acordo — apoiadas pelos "analistas" e "especialistas" destacados pela imprensa — expõem a organização centralizada das decisões do Foro de São Paulo, e o fiel cumprimento de suas ordens pelos seus integrantes. Mesmo assim, há alguns ingênuos ou mal intencionados que duvidam da capacidade organizativa dessa criação de Fidel, Lula e Hugo Chavez (que o capiroto o tenha). Vejamos algumas "propostas": anistia com um processo judiciário "transicional" — esperemos que os colombianos não caiam nessa esparrela que depois se transforma em um mecanismo unilateral de benefícios para um segmento e de perseguição e revanchismo para o outro, como aconteceu no Brasil — anistia aos narcocriminosos seguida por indenizações e recompensas para que eles sejam "reinseridos" na sociedade. A procura por "desaparecidos" é outra artimanha para render propaganda (negativa para as Forças de Segurança colombianas, certamente) e recursos financeiros (indenizações) para os narco-bandoleiros. A pantomima das "Comissões da Verdade" foi exitosa na Argentina e no Brasil, onde os patifes conseguiram distorcer a história de suas canalhices, invertendo valores e transformando criminosos em heróis e heróis em bandidos, inclusive penalizando estes, além de promover um revanchismo indecente, maculando não só as memórias dos vencedores da luta armada mas convencendo os mais jovens de que foi graças a eles, os canalhas, que a democracia foi estabelecida. O "controle social" da mídia, a fim de que possam reescrever sua história e manterem o proselitismo de sua ideologia é outra exigência. Somente os muito alienados e os comparsas desses patifes se recusam a ver que esse sistema idiota que eles apregoam está falido e falindo todos os lugares onde se instalou. Assim, eles tem a necessidade de agir com urgência, conquistando espaços e, principalmente, recursos, pois ninguém é mais ávido por verbas alheias do que um comunista. Temos nossos próprios exemplos e mais recentemente, já vimos o discurso de Castro II o imperador cubano, querendo "indenização" dos EUA pelos anos de bloqueio econômico. Como se a bosta da ilha comunista improdutiva não negociasse sua miséria recebendo donativos — não se pode dizer que comercializa alguma coisa — de diversas nações, inclusive a nossa, sob a capa de "ajuda humanitária". Vergonha na cara parece ser, para eles, só mais uma manifestação burguesa-capitalista.
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quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

¿Retrocede a Esquerda na América Latina?

por Diana Carolina Jiménez
Em novembro passado, os argentinos elegeram Presidente um empresário "de direita" que enfrentou o candidato designado pela presidente Cristina Fernandez, e o Congresso no Brasil iniciou uma investigação para determinar se submete a julgamento político a Presidente Dilma Rousseff, cujos índices de aprovação nas pesquisas permanecem perto de 10 por cento.
No que constitui, talvez, a reviravolta mais importante, o eleitorado venezuelano, onde começou o giro à esquerda da região, entregou a vitória à oposição, por uma margem esmagadora nas eleições legislativas, pela primeira vez desde que o "anti yanqui" Hugo Chavez ganhou a Presidência em 1988.
A reação se produz em meio a uma tormenta econômica que não se via há décadas. Todas as dinastias políticas estão pagando o custo de ter economias em quebra e uma corrupção desenfreada, e os analistas ressaltam que a maioria desses governos em mãos de esquerdistas assumiram quando a economia da China iniciava uma época de forte crescimento nos últimos 15 anos, demandando matérias primas da região.
Agora, que o colosso asiático enfrenta problemas, os preços do cobre, da soja e do petróleo caíram, arrastando as moedas e, com elas, as aspirações de milhões de famílias que ascenderam à classe média surfando na crista daquele "boom".
Ao mesmo tempo, as taxas de juros nos Estados Unidos estão aumentando pela primeira vez em sete anos, o que se soma à pressão sobre as entidades endividadas em dólares.
"No fundo, estamos vendo na América do Sul, de forma geral, um lembrete de que o pêndulo político se move" disse o Senador Antonio Navarro Wolff, ex dirigente da guerrilha esquerdista M-19. "Na última década parecia não mover-se porque a situação econômica era muito favorável".
Sem dúvidas, especialistas consideram que seria um erro dizer que a esquerda tenha perdido toda sua força. O movimento peronista, do qual surgiu Cristina Fernández, conserva a maioria no Senado argentino; o Partido dos Trabalhadores de Rousseff segue sendo a agrupação política mais poderosa do Brasil e os aliados de Maduro obtiveram 33% dos votos, apesar dos prognósticos de uma contração econômica que poderia chegar aos 10%.
Outros esquerdistas obstinados ainda pisam firme, como o equatoriano Rafael Correa, com um índice de aprovação de 41% apesar de sua economia dependente do petróleo se esforçar para não cair em recessão.
Uma possível explicação: em lugar do ressurgimento das direitas, poderá existir uma divisão entre pragmáticos e ideólogos, diz Chistopher Sabatini, um especialista na região e professor na Universidade de Colúmbia.
Até mesmo a Cuba socialista, que há décadas serve como pedra angular da esquerda latino americana, olha para o norte e se esforça para superar meio século de desconfianças da potência norte americana.
Os primeiros sinais de mudança apareceram na posse de Macri. Enquanto que uma amargada Cristina e Maduro brilharam por sua ausência, Correa e o boliviano Evo Morales compareceram. Morales, inclusive, ensaiou jogar futebol com Macri, ex presidente do popular clube Boca Júniors, horas depois de assistir um ato de despedida de Cristina e seus partidários.
Além de tudo, políticos conservadores partidários do livre mercado tem acolhido a tradição esquerdista dos programas sociais para combater a pobreza. Macri insistiu muitas vezes durante sua campanha que manteria uma rede social para os pobres. A coalizão opositora venezuelana, acusada pelo oficialismo de querer entregar os recursos nacionais ao Fundo Monetário Internacional, disse que uma de suas prioridades legislativas seria entregar títulos de propriedade às milhões de famílias a quem Chávez deu moradias gratuitas.
Para o futuro, a centro-direita promete diminuir tanto a hostilidade para com Washington com seus gestos grandiloquentes, quanto as relações com Irã, promovidas por Chávez e a Argentina. Deve concentrar-se em fortalecer as economias mediante controle fiscais e monetários, a luta contra a corrupção e a devolução da independência ao poder judicial e outras instituições.
"É evidente que a direita aprendeu as lições" disse Sabatini, diretor de Global Americans, um grupo promotor do livre mercado. "Enquanto muita gente segue acreditando na esquerda, a crise econômica é tão grave que muitos mais estão dispostos a apostar na mudança".

EM RESUMO
Em lugar do ressurgimento das direitas na América Latina, poderá ocorrer uma divisão entre pragmáticos e ideólogos, segundo analistas. Dizem que há flexibilidade de ambos os lados.

MACRI DERRUBOU O MODELO POPULISTA
Em apenas uma semana a frente do poder na Argentina, o conservador Mauricio Macri implementou uma série de medidas de alto impacto para dar o troco ao modelo populista vigente nos últimos 12 anos: uma aposta arriscada na qual põe em jogo seu capital político. Macri, de 56 anos, derrubou o modelo econômico de sua antecessora, Cristina Fernández, em que o Estado tinha o controle da economia mediante fortes regulamentações financeiras e comerciais e implementou, em questão de dias, uma política de livre mercado. O mandatário eliminou as restrições para a compra de dólares, conhecidas popularmente na Argentina como "el cepo" (arapuca) cambiário, vigente durante todo o segundo mandato de Cristina (2007 - 2015). 
Era uma das disposições mais esperadas pelos mercados. Também eliminou os impostos sobre exportações de vários grãos, como trigo e milho, e reduziu os da soja, uma das principais fontes de divisas e de financiamento dos inéditos planos sociais que o kirchnerismo destinou aos setores mais vulneráveis da população. Foram isentas, ainda, as vendas externas de produtos industriais.
Os direitos às exportações, principalmente, assim como as somas retidas pelo fisco na compra de dólares para poupança e em pagamentos de cartões em moeda estrangeira, abasteciam o Estado kirchnerista com boa parte dos recursos para a destinação universal por filho, que beneficia com uma média de 100 dólares ao mês a dois milhões de famílias sem emprego/renda.

CORRUPÇÃO E RECESSÃO PÕEM O PT EM APERTOS NO BRASIL
Uma economia que a cada dia naufraga mais e um escândalo de corrupção de proporções gigantescas, não só ameaçam derrubar a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, como também destruir o legado do governante Partido dos Trabalhadores e sua luta por liderar a esquerda latino americana.
Especialistas consultados concordam que o partido sofre o pior momento desde sua criação, principalmente por um escândalo de corrupção e subornos na estatal Petrobras, que coincidiu com a queda nos preços das matérias primas, cujas exportações haviam impulsionado o desenvolvimento do país nos últimos anos. A rede de corrupção se desenvolveu por mais de uma década e envolveu cerca de 60 políticos e as maiores das grandes empresas do setor petrolífero e da construção em momentos em que a economia sentia fortes quedas nos últimos três trimestres.
Segundo economistas entrevistados pelo Banco Central, o PIB se contrairá uns 3,6% em 2015. Tudo isto pode derrubar o trabalho de anos do PT - como é conhecido popularmente - que construiu sua liderança lentamente desde inícios dos anos 80 quando o período dos governos militares brasileiros se findava. Naquela época, o partido encontrou sua base política em sindicatos e movimentos sociais, e seu discurso, baseado no exercício ético da política, convenceu o eleitorado.
Também, durante anos, foi granjeando a simpatia das classes populares com seus programas sociais que tiraram milhões de brasileiros da pobreza e os inseriram na classe média.

VENEZUELA, EM UMA SEMANA CHAVE
O maior risco de turbulência, de longe, é apresentado na Venezuela.
Após sua vitória nas eleições legislativas, a oposição parece estar em condições de desafiar o presidente Nicolás Maduro, que se encontra em posição de crescente debilidade. Ao invés de permitir que seus inimigos compartilhem o custo político das reformas necessárias para frear a inflação galopante e a escassez de produtos básicos, Maduro até agora só tem prometido reforçar as políticas estatizantes que mergulharam o pais no pântano ao mesmo tempo em que ignora o que denomina um "Parlamento burguês". 
Na quinta-feira (31/12) a oposição venezuelana fez um chamado aos militares para que garantam o respeito ao resultado das eleições de 6 de dezembro, após confirmar seu desprezo pela decisão do Supremo Tribunal de Justiça que ordenou suspender de maneira "preventiva e imediata" a proclamação de três dos 112 deputados eleitos.
A Mesa da Unidade Democrática - MUD taxou de ridículas estas impugnações e seus 112 parlamentares eleitos, dois terços do Parlamento, assumiram seus respectivos cargos em 5 de janeiro, como estava previsto, junto aos 55 chavistas eleitos. 

EVO MORALES SERÁ JULGADO EM FEVEREIRO
O presidente da Bolívia, Evo Morales, se colocará em julgamento em fevereiro quando os bolivianos decidirão em referendo se permitirão que ele se apresente a outra reeleição, em um cenário adverso por apresentar os primeiros despontes de recessão e com o populismo latino americano em retrocesso. Os cidadãos do país andino foram convocados para uma consulta popular em 21 de fevereiro, um mês depois que Morales celebre dez anos ininterruptos no poder, que lhe parecem pouco, pois se ganha no referendo e nas eleições de 2019, governará até 2025, estabelecendo assim um recorde de permanência no antigo volátil Palácio Queimado.
Será a competição mais arriscada de Morales, já que não concorre contra a débil oposição, mas contra si mesmo. O mandatário deve demonstrar que sua popularidade saiu ilesa dos escândalos de corrupção que salpicaram seu Governo nos últimos meses; das acusações de autoritarismo por parte da oposição e da retirada de apoio de vários setores indígenas que antes foram seus aliados. Um dos estorvos mais graves que poderá influir no resultado do referendo é o do Fundo Indígena, que destinou milionárias ajudas para cerca de 200 projetos de desenvolvimento que nunca chegaram a ser executados.
Fonte:  tradução livre de El Colombiano
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terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Qual Será o Futuro do Serviço de Inteligência Argentino

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Preocupação pelas futuras designações na Agencia Federal de Inteligência
Questionam a designação do novo titular do organismo e reclamam ao Parlamento assumir seu papel ante “os danos que o velho sistema de inteligencia nacional produziu na confiança cidadã”.
As organizações que integram a Iniciativa Cidadã para o Controle do Sistema de Inteligencia expressaram sua “profunda preocupação” pela decisão anunciada pelo recentemente eleito presidente da Nação em relação à designação dos que terão a responsabilidade de dirigir a Agencia Federal de Inteligência.
Através de um comunicado, a entidade sustenta que “o diretor proposto pelo presidente eleito carece de formação e conhecimentos sobre o funcionamento do sistema de inteligencia, estando assim gravemente em duvida sua idoneidade profissional para desempenhar um cargo tão delicado. O único atributo invocado pelo Presidente eleito é que a pessoa designada é um homem de sua confiança, e isto não pode ser de nenhuma maneira o único atributo exigível ou esperado para quem deve conduzir o sistema de inteligencia nacional, cuja missão essencial é detectar ameaças à defesa nacional e à segurança interior”.
No comunicado se indica que “a flamante Agencia Federal de Inteligencia foi criada por lei a princípios deste ano para substituir a velha SIDE, em seguimento de uma grave crise institucional que pôs em evidencia os vínculos espúrios entre os serviços de inteligência nacionais e alguns setores da justiça federal, e a falta de competência de um organismo que tem estado historicamente aproximado à espionagem política. Podemos identificar como alguns dos objetivos da reforma empreendida a redefinição da estrutura institucional, a redução do uso de fundos reservados, o estabelecimento de maiores exigências para a entrega e controle de ditos fundos, a limitação do conceito de secreto, o fortalecimento da condução política do organismo. Também dispôs o repasse das escutas telefônicas da ex SIDE ao âmbito da Procuración General de la Nación, o que entendemos ter sido um intento de dar luz a uma de suas práticas mais obscuras”.
Sabemos que a lei por si mesmo não modifica práticas de forte enraizamento institucional, e sabemos, também, que a implementação da nova lei e seu decreto regulamentador estão muito longe do esperado. Daí o desafio ainda pendente de construir um sistema de inteligencia eficaz e respeitoso dos princípios do estado de direito, e abandonar definitivamente o velho modelo que fazia da ex SIDE um recurso estratégico para que o Poder Executivo Nacional interviesse ilegal e ilegitimamente sobre a arena política, o que ao mesmo tempo permitia intromissões indevidas no sistema judicial”, agrega o comunicado, que adverte que “seria uma verdadeira mudança democrática se aqueles que ocupem a Presidência da Nação prescindissem destes mecanismos para o exercício do poder”.
Acrescenta o texto da Iniciativa Cidadã para o Controle do Sistema de Inteligencia que “a nova lei - lamentavelmente - não estabelece requisitos especiais para ocupar a Direção e Subdireção Geral da AFI, nem garante nenhum tipo de estabilidade para o cargo, porém dispõe que suas nomeações devem gozar da aprovação do Senado da Nação”.
Se sustenta que “o risco de que as atividades de inteligência comprometam a privacidade e os direitos dos cidadãos e que por suas formas de trabalho - amparadas no segredo - violentem a vida política e democrática do país, exige que a decisão sobre os que devem conduzir o organismo seja responsabilidade do PEN [Poder Executivo Nacional], assim como também de um órgão do Congresso da Nação”.
Assim mesmo se reclama ao Congresso da Nação que “assuma com responsabilidade seu papel, considerando os danos que o velho sistema de inteligência nacional produziu na confiança cidadã contra as instituições do Estado, e as ameaças que representaram para a governabilidade democrática”.
Fonte: tradução livre de Parlamentario
COMENTO:  pelo jeito, os "hermanos" sofrem a mesma síndrome que conduziu ao desmantelamento do Serviço de Inteligência brasileiro.
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quarta-feira, 5 de agosto de 2015

FARC Querem Comissão da Verdade - Os Canalhas Só Trocam de Endereço

por Nelson Matta Colorado
As conclusões de uma Comissão que estude a Verdade sobre os protagonistas do conflito armado podem demorar anos. 
É o que os narcoguerrilheiros querem para "assinar a paz".  Foto: Nelson Matta
"Abrir os arquivos" e acionar imediatamente uma "Comissão para o Esclarecimento da Verdade, a Convivência e a não Repetição", é a nova exigência dos delegados das FARC na mesa de negociações de Havana.
Com esta exigência, os negociadores buscariam estabelecer os responsáveis pelos delitos antes de sentar-se para discutir o tema de penas alternativas. A razão? As FARC sempre viram o Estado como o maior algoz e elas sempre se declararam como vítimas.
A solicitação não foi bem vista pelos analistas consultados por este diário, que a consideram uma estratégia protelatória, justamente quando os diálogos atravessam o ponto mais crítico; o das vítimas e a justiça que se aplicará a seus verdugos.
Em um comunicado, os narcoterroristas assinalaram: "antes de aplicar o sistema de justiça conveniente, é imperativo conhecer a verdade. Em Colômbia há personagens que parecem ter mais medo da verdade que do cárcere".
Reiteraram que se faz necessária uma verdade confessada pelos atores do conflito e das vítimas. "Deixar a Comissão para o Esclarecimento da Verdade para depois da assinatura da paz, é abrir as portas a imputações enviesadas e à impunidade dos maiores responsáveis e mandantes da violência" enfatiza a guerrilha.
A petição das FARC acompanha uma solicitação de "abertura de arquivos", referindo-se a documentos judiciais e sigilosos das Forças Armadas e Fiscalia (espécie de Procuradoria colombiana) sobre o conflito armado e seus protagonistas.
"Rodrigo Granda", um dos representantes dos subversivos, manifestou que "nunca se falou de impunidade, mas sim de conhecer a verdade antes de aplicar a justiça".
Os negociadores do Governo não comentaram esta declaração até o encerramento desta edição.
Esta é a segunda solicitação dos narcoterroristas para ativar uma comissão nas últimas duas semanas. A anterior instou a formação de uma Comissão para o Esclarecimento do Paramilitarismo no país.

Dilatando o processo
O historiador e docente da Universidade Nacional, Darío Acevedo, opina que "a guerrilha está cobrando um cheque que o Governo expediu ao aceitar a criação de uma comissão que somente gerará falsas expectativas e cuja composição é bastante problemática".
Trata-se de que "falar de somente uma verdade é indevido. Há verdades históricas que serão discutíveis porque dependem de um trabalho de análise e interpretação, e há verdades jurídicas porque as vítimas sempre terão que individualizar suas demandas. E ambos estudos tomarão muitos anos."
Sobre o pedido das FARC para desclassificar arquivos, Acevedo acredita que "obviamente vai dirigida contra o Estado colombiano, porque eles supõem que ele é o principal responsável do conflito".
Acrescenta que também seria importante conhecer os arquivos da guerrilha, do Partido Comunista Clandestino, e desde a época em que eles aprovaram a combinação de todas as formas de luta. Para o historiador, esta exigência é "uma maneira de enrolar os diálogos de paz".
A opinião coincide com a do docente da Universidade EAFIT, Jorge Giraldo Ramírez, que fez parte da Comissão Histórica do Conflito e suas Vítimas, participante dos diálogos.O catedrático expõe que "as FARC estão recorrendo a mecanismos buscando dilatar uma decisão sobre o tema da justiça, que a sociedade entende que é um tema mais difícil, porque implica definir se haverá penas aplicáveis por uma justiça transicional, independentemente de como sejam pagas".
Adiciona que já havia sido pactuado que essa comissão começaria a funcionar após a assinatura do acordo de paz, não antes. Sobre os arquivos confidenciais, Giraldo enfatiza que neste processo de paz há dois mecanismos para que se chegue à verdade.
O primeiro é de caráter extrajudicial, através da Comissão da Verdade, no qual haja "uma confluência voluntária de atores sociais que aceitem apresentar seus casos e reconhecer responsabilidades".
O segundo é a via judicial, implantada na Lei do Marco Jurídico para a Paz como um tribunal especial para julgar os grandes responsáveis do conflito armado. Se for aplicado este modelo, não teria sentido a comissão proposta.

Ainda a respeito da notícia
O Ministro da Defesa, Luis Carlos Villegas, anunciou que sua carteira fará um acompanhamento detalhado do cessar fogo unilateral decretado pela guerrilha desde o passado 20 de julho.
Vamos fazer uma avaliação periódica do cessar fogo unilateral das FARC. Vamos fazer essa avaliação com toda objetividade; se estiver sendo cumprido, diremos, se não for cumprido, denunciaremos”, sentenciou.
O funcionário destacou ainda que "se o cessar fogo for cumprido, seguiremos por um bom caminho, porém o Presidente Santos disse que não é suficiente: tem que haver outros gestos que recuperem não só o interesse, mas também a confiança do povo colombiano".

EM RESUMO
Os analistas presumem que ao solicitar a conformação de uma nova comissão, as FARC buscam postergar a definição do tema de vítimas e justiça na mesa de negociações.
Nelson Ricardo Matta Colorado é jornalista formado na U.P.B., especializado em temas de segurança, crime organizado e delinquência local e transnacional.
Fonte: tradução livre de El Colombiano
COMENTO:  os velhacos utilizam muito bem as "lições aprendidas". A pantomima das "Comissões da Verdade" foi exitosa na Argentina e no Brasil, onde os patifes conseguiram distorcer a história de suas canalhices, invertendo valores e transformando criminosos em heróis e heróis em bandidos, inclusive penalizando estes além de promover um revanchismo indecente, maculando não só as memórias dos vencedores da luta armada mas convencendo os mais jovens de que foi graças a eles, os infames, que a democracia foi estabelecida. Esperemos que os colombianos não se deixem levar pelos engodos desses velhacos, para não verem seus bravos militares desmoralizados e desvalorizados como ocorre nos domínios do Merdosul.
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segunda-feira, 29 de abril de 2013

Petralhas Armam PEC Inconstitucional Contra o STF

por Jorge Serrão
Pelo apertadíssimo placar de 130 votos a favor e 123 contra, em sessão legislativa que varou a madrugada até 5h 30min da manhã de hoje (25/4), os hermanos argentinos aprovaram a polêmica Reforma da Magistratura desejada pela rainha Cristina Kirchner. Os juízes argentinos agora serão escolhidos pelo voto popular, principalmente o Conselho de Magistratura – que será ampliado de 13 para 19 membros (de preferência escolhidos pela via do aparelhamento Kirchnerista, sendo três juízes, três advogados e três acadêmicos).
O projeto argentino é o sonho de consumo da petralhada. Fica cada vez mais evidente, no Brasil, o risco do tal “efeito orloff” (eu sou você amanhã). A inconstitucional Proposta de Emenda Constitucional número 33, que submete as decisões do STF ao Congresso Nacional, ferindo a independência e separação entre os três poderes republicanos, é apenas o primeiro passo do nazipetralhismo para submeter todas as instituições à vontade do Partido Político no Poder e seus esquemas políticos e de negócios.
Mais vergonhoso é que a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, que deu aval ao garrote contra o STF, é composta pelos ilustres deputados condenados no Mensalão, José Genoíno e João Paulo Cunha. Houvesse um mínimo senso de respeito ao Estado Democrático de Direito no Brasil, ambos já deveriam estar cassados e cumprindo as penas a que foram condenados. A PEC 33 entrou sorrateiramente na pauta de votação por iniciativa de outro parlamentar petista: Décio Lima, de Santa Catarina.
O genial autor-patrocinador da PEC 33 é o deputado federal petista Nazareno Fonteles, do Piauí. O argumento dele é centrado na mesma demagogia gramscista de sempre: “Precisamos resgatar o valor da representação política, da soberania popular e da dignidade da lei aprovada pelos representantes legítimos do povo, ameaçadas pela postura ativista do Judiciário”. Tudo foi articulado pelo comando do PT. Quando o STF ameaçou cassar imediatamente os mandatos dos deputados mensaleiros, o então presidente da Câmara, o petista Marco Maia, chegou a ameaçar claramente o STF de retaliação - o que agora começa a se tornar realidade no melhor estilo do peronismo argentino.
A PEC 33 tenta mexer com cláusulas pétreas da Constituição de 1988 – o que é uma evidência de uma ditadura em curso. A proposta rasga os artigos 2º e 60 (parágrafo 4º, III) da Carta Magna. Qualquer analfabeto em Direito Constitucional sabe que Executivo, Legislativo e Judiciário são e devem ser poderes da União independentes e harmônicos entre si. Também está claramente escrito para qualquer analfabeto político que qualquer proposta que pretenda abolir a separação dos poderes não será objeto de deliberação ou emenda.
A CCJ da Câmara dos Deputados acaba de cometer um crime capital contra o Estado Democrático de Direito. O grande problema é que nosso sistema legal não tem qualquer regra claramente prevista para punir o desgraçado que não cumpre o que está claramente escrito na Constituição, independentemente de qualquer interpretação dos 11 deuses do Supremo Tribunal Federal – absurdamente indicados e nomeado para o cargo quase vitalício pelo chefe do Poder Executivo.
Por tantas contradições e permanentes desrespeitos à Lei é que o Brasil corre mesmo o risco de se transformar em uma anárquica monarquia pseudorepublicana sob as diretrizes dos radicalóides de canhota do Foro de São Paulo – reunião de imbecis e bandidos que avançam no projeto de implantar regimes autoritários comunistas na América Latina. A Vanguarda do Atraso nunca esteve tão na frente dos acontecimentos.
O Brasil Capimunista é o cenário perfeito para que um socialismo cínico seja implantado, em curto espaço de tempo, através da via pseudodemocrática e eleitoreira do dogmático processo eletrônico de votação - que não permite qualquer auditoria pelos cidadãos. Os segmentos esclarecidos da sociedade brasileira - comprometidos com a Democracia e não com o Governo do Crime Organizado - precisam acordar e reagir, antes que o pesadelo totalitário acabe durando para sempre.  

Garrotes propostos
A PEC 33 estabelece que as decisões do STF sobre as chamadas ações diretas de inconstitucionalidade (Adin) terão de ser analisadas pelo Legislativo.
Também prevê que as súmulas vinculantes (mecanismo editado pelo STF que deve ser seguido por todas as instâncias do Judiciário) também serão submetidas ao crivo do Congresso antes de entrar em vigor.
Caso os parlamentares rejeitem as decisões do Supremo no julgamento de uma Adin, o tema será decidido por meio de consulta popular.

Interferência direta
A famigerada PEC 33 proíbe que um ministro do Supremo, em decisão individual, conceda uma liminar para suspender a eficácia de uma emenda constitucional.
A proposta altera o quórum obrigatório para que o STF possa declarar uma lei inconstitucional.
Se for aprovada pelo Congresso, será necessário quórum de 4/5 dos ministros do STF para que o julgamento tenha validade.
Fonte:  Alerta Total
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domingo, 28 de abril de 2013

Por Falar em Golpe

por Percival Puggina
Para a maior parte das pessoas, as principais normas que orientam a organização do Estado e a vida política se tornam conhecidas pela vivência. Uma das consequências desse empirismo está em ser ele, tantas vezes, adotado como padrão para julgar, politicamente, normas, modelos e situações vividas por outros povos. Atribui-se, assim, caráter geral a algo particular - a própria experiência e modo de fazer. 
Em virtude do que descrevi, quase todo mundo, na América Latina, avaliou como golpe a destituição de Fernando Lugo, presidente do Paraguai, dez meses antes do término do mandato. No entanto, a Constituição paraguaia contém um preceito segundo o qual o governante, diferentemente do Brasil, não é senhor absoluto do seu tempo de mandato, podendo ser afastado por mau desempenho de suas funções. E Lugo foi retirado do posto por esse motivo - vinha sendo um mau presidente. É claro que Dilma, Cristina Kirchner e José Mujica sabiam disso, mas Lugo era aliado ideológico. E aliado ideológico sempre tem razão. Até Fidel Castro. As história reais, apesar de conhecidas, jamais são contadas. 
As eleições do último domingo ajudam a entender a questão. Elas mostraram que a esquerda paraguaia, somadas suas ramificações, mal passou dos 10% dos votos. Nesse caso, deve-se indagar: como foi possível, em 2008, a eleição de alguém como Fernando Lugo? Explico. Depois de seis décadas consecutivas de predomínio do Partido Colorado (direita), naquela eleição, o eternamente oposicionista Partido Liberal Radical Autêntico (centro-direita e segunda maior legenda do país) buscou Lugo para ser seu candidato. E ele conquistou a vitória somando três fatores: o importante peso dos liberais, o desgaste dos sucessivos governos colorados e o carisma do bispo, até então homem de boa fama e imagem numa sociedade em que os católicos representam 90% da população. 
No entanto, o novo presidente, a exemplo de todo extremista, chegou ao poder como se houvesse vencido uma revolução, ou como se tivesse sido consagrado pelo eleitorado numa coligação de iguais. Não era bem assim. O sucesso da aliança que encabeçava nada tinha a ver com suas preferências ideológicas. E Lugo foi perdendo, ao longo de quatro anos, toda sustentação política, tornando-se alvo natural do artigo 225 da Constituição paraguaia, segundo o qual o presidente (e, como ele, diversas outras autoridades) "pode ser submetido a julgamento político por mau desempenho, delitos cometidos no desempenho do cargo e delitos comuns". Tivéssemos um preceito semelhante na nossa Constituição, teríamos nos livrado mais rapidamente de certas malas sem alça e evitado muita tropa na rua ao longo da nossa história republicana. 
A proposição de perda do cargo foi formulada contra Lugo, na Câmara dos Deputados, com apenas um voto em contrário. Foi aprovada pelo Senado por 39 a 4. E foi confirmada pela Suprema Corte. Por ter sido um ato juridicamente perfeito, não tendo Lugo sustentação política para continuar no exercício de seu cargo, não houve a mais tênue anormalidade na vida do país. Sequer um tomate foi jogado em quem quer que fosse. A mesma Constituição que lhe abriu a porta de entrada, abriu a de saída. O Paraguai prosseguiu sua vida, como nação soberana, presidido pelo vice-presidente constitucional. As eleições deste domingo consagraram uma vitória folgada do Partido Colorado. 
Resumindo. Dilma, Cristina e Mujica valeram-se da situação criada com o afastamento de Lugo para aplicarem um golpe, um golpe mesmo, no Paraguai. Alegando inconformidade com aquela decisão de uma nação soberana que não lhes pediu opinião, expulsaram o Paraguai do Mercosul e aprovaram, ato contínuo, a entrada da Venezuela, cuja admissão vinha sendo, até ali, sistematicamente vetada pelo parlamento paraguaio. Evidenciou-se, assim, o verdadeiro motivo do procedimento adotado contra o país vizinho. Era preciso. Era preciso proclamar ilícito o que era lícito para tirar o Paraguai com o cotovelo e trazer, pela mão, a Venezuela. Foi trambique. 
Foi golpe. Foi um golpe aplicado às regras do Mercosul para admitir nos negócios do bloco o parceiro ideológico venezuelano. Coisas do PT no poder, sempre enredando gostos e interesses do partido nos negócios de Estado.