Mostrando postagens com marcador Amazônia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Amazônia. Mostrar todas as postagens

sábado, 13 de janeiro de 2018

Verdades X Mentiras: O Exército na Construção da BR 174

.
por Telmo Travassos de Azambuja
A melhoria da infraestrutura fez parte das iniciativas para o desenvolvimento do país, no período de 1964 a 1984. 
A construção de rodovias como a BR 174, Manaus–Boa vista, com destaque para o trecho Caracaraí (RR)-Manaus (AM), possibilitando a ligação dos dois Estados, por inserir-se neste contexto, representou um passo importantíssimo para a consolidação da rede viária sul-americana e do sistema pan-americano de rodovias (Brasil, Venezuela, Uruguai, Argentina e Paraguai). Para que a BR 174 pudesse ser construída foi preciso criar, pelo Decreto Presidencial nº 63.184, em 27/08/1968, o 6º Batalhão de Engenharia de Construção, sediado em Boa Vista/RR. Posteriormente, em 1970, o DNER e o Exército Brasileiro assinaram convênio para que a BR 174 fosse construída. Tal ano é considerado o marco do início das ações efetivas para a construção da BR 174.
Cabe ressaltar que:
Ø No cenário da época vigorava a chamada “Guerra Fria” (de 1947 a 1991), tendo de um lado a liderança dos Estados Unidos da América – defensor do capitalismo e da democracia – e de outro a liderança da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), defensora do socialismo e do comunismo. Aliados na Segunda Guerra Mundial, suas ideologias contrastantes segmentaram a liderança política, econômica e militar mundial no pós-guerra. Foi neste contexto que o Governo brasileiro implantou projetos para segurança, integração e desenvolvimento da Amazônia, dentro de um planejamento geopolítico para a região, com base na doutrina de segurança nacional, com alinhamento ao capitalismo e à democracia;
Ø A ideia de construção de uma estrada nos moldes da BR 174 era antiga, tendo sido realizadas várias tentativas, todas sem sucesso: em 1847, em 1893 e em 1928. O ponto central deste desejo sempre foi a integração da Amazônia ao restante do país;
Ø Os waimiris-atroaris na verdade são dois grupos de índios, ambos do Grupo Kinja: os waimiris, que na época da construção da BR 174 eram liderados pelo tuxaua (líder, cacique ou capitão) Maroaga, e os atroaris, então liderados pelo tuxaua Comprido. A comunicação verbal destes grupos é a do ramo Karib. Os atroaris foram considerados mais belicosos do que os waimiris, talvez pela influência do temperamento de seu líder Comprido, mais jovem e sem a maturidade de Maroaga (na faixa dos sessenta anos de idade, na época). Os grupos eram unidos, mesclados, sendo que a companheira de Comprido era filha de Maroaga.
É importante considerar que desde a segunda metade do século 19 a área por onde passaria a rodovia BR 174 serviu de palco para recorrentes conflitos entre os índios waimiris-atroaris e garimpeiros, caçadores, castanheiros, tartarugueiros e aventureiros de todo tipo, bem como com a polícia militar do Amazonas, esta especialmente atuante nos anos 60. A justificativa da PM do Amazonas de interferir no contato com os waimiris-atroaris deveu-se à proximidade de algumas aldeias com a capital Manaus. Em 1968 uma das mais conhecidas expedições para consolidar a aproximação com os índios waimiris-atroaris (dentro das iniciativas denominadas “frentes de atração”, coordenadas pela FUNAI, que substituiu o SPI – Serviço de Proteção ao Índio), foi liderada pelo padre e antropólogo italiano Giovanni Calleri. Onze pessoas fizeram parte de referida expedição, sendo que dez membros da expedição foram mortos pelos waimiris-atroaris, sem nenhuma chance de defesa. O único sobrevivente foi o mateiro Álvaro Paulo da Silva, conhecido como Paulo Mineiro.
Calleri foi alertado por Paulo Mineiro que em função do comportamento rude e teimoso com que estava lidando com os índios havia uma ameaça à vida dos membros da expedição. Apesar do aviso e da insistência do citado mateiro, Calleri não lhe deu a devida importância. Então, Paulo Mineiro decidiu abandonar a expedição para salvar a sua vida. No dia em que Paulo Mineiro fugiu, todos os demais membros da expedição foram mortos pelos índios, alguns enquanto dormiam. Segundo relato de Paulo Mineiro, ele foi perseguido pelos waimiris-atroaris ao longo de alguns dias. Somente logrou sobreviver por causa da sua inegável experiência e competência em lidar com a realidade da selva. O sobrevivente Paulo Mineiro, no período em que estive comandando a construção do trecho da estrada pertinente ao Destacamento Norte, foi um dos mateiros com os quais eu contava. Tive a oportunidade única de ouvir dele mesmo, detalhes do ocorrido na Expedição Padre Calleri. Lamentavelmente, após a minha saída, ele faleceu em decorrência de um acidente, quando prestava serviços de manutenção da estrada. Com ele se foi a memória dos detalhes do ocorrido no massacre dos membros da expedição.
Durante a construção da BR 174 há evidências objetivas de 23 (vinte e três) mortes de colaboradores, sendo que 15 (quinze) delas foram decorrentes de ataques de emboscada pelos waimiris-atroaris. Na área de responsabilidade do Destacamento Norte nunca revidamos, molestamos, ferimos ou matamos um índio. Nossos contatos com índios e informações sobre eles eram sempre através da FUNAI. Nosso lema era o mesmo de Rondon: “morrer, se preciso for, matar, nunca”. Nós é que estávamos cortando as terras que eles consideravam ser deles. A atuação da FUNAI ocorria apenas de forma pacífica, sem violência.
Outras iniciativas geradas pelas “frentes de atração”, coordenadas pela FUNAI e seus sertanistas, tiveram sucesso, embora relativo, pois os waimiris-atroaris tinham comportamento notoriamente ambíguo (momentos de aparente receptividade e outros com doses de agressividade). Tal variação de conduta dos waimiris-atroaris provavelmente foi consequência dos contatos e conflitos (segundo pesquisadores, desde 1856), com os invasores já citados no início deste texto.
A construção da BR 174, iniciada em 1970, marcou a efetiva presença do Exército Brasileiro numa área com histórico de conflitos, num ambiente hostil não gerado nem fomentado pelos militares. Tal cenário de atritos, com aproximações e tentativas de aproximação, por décadas, gerou sequelas para todos. As sequelas ocorreram, tanto no lado dos índios quanto no lado de civis e militares, pelas mais diversas razões (conflitos físicos, mortes, doenças como gripe, malária e outras decorrentes da presença de estranhos no bioma natural da região). Presenciei, numa das chegadas de um grupo de waimiris-atroaris no posto da FUNAI na área do Destacamento Norte, em 1976, que vários índios estavam com sarna, que pegaram de seus cachorros. É importante destacar que epidemias oriundas de contatos dos índios com invasores de seu território já eram conhecidas há muito tempo. Por exemplo, há registros de que em 1926 dezenas de waimiris-atroaris morreram por causa de uma epidemia de gripe.
Apesar das conhecidas quinze perdas humanas causadas pelos waimiris-atroaris ao longo da construção da BR 174, reitero que nenhum ataque aos índios nem qualquer morte de um índio ocorreu por ação do Destacamento Norte do 6º B E Const, Unidade que comandei com muito entusiasmo e energia.
O Exército matou índios durante a construção da BR 174?
É uma pergunta que precisa ser respondida por quem viveu a situação ou por quem analisa informações confiáveis, de forma isenta, e não por pessoas que teorizam sobre a questão. Com a autoridade de quem comandou o Destacamento Norte do 6º B E Const nos anos 1976 e 1977 (portanto, nos dois últimos anos de construção da BR 174) reafirmo que nenhum índio foi morto por ação militar, em toda a área que cobrimos. As mentiras em contraponto ao que afirmo são revoltantes, disseminadas por meios de comunicação viciados, por pessoas desinformadas ou ideologicamente fanatizadas, considerando apenas as versões que lhes convêm. Na enorme área que abrangeu minha participação na condução das atividades do Destacamento Norte eu asseguro que tratamos os índios de maneira respeitosa, mesmo após termos sido agredidos. Antes de ocuparmos a Amazônia os índios já estavam na terra que chamamos Brasil.
Na área e no período em que estive na liderança da construção da estrada, até a sua conclusão, dou meu testemunho de que a atuação do Exército foi digna, competente, honesta e altamente profissional. Orgulho-me deste período da minha vida. Vi subordinados adoecerem, alguns morrerem, outros superarem extremas dificuldades, tudo para o bem do Brasil e dentro dos princípios éticos, de cidadania, de patriotismo, de respeito ao próximo, de disciplina, que caracterizam a formação de qualquer militar. Eu também passei por momentos delicados, de grandes riscos e graças a Deus os superei. Trabalhamos vinte e quatro horas por dia, durante todos os anos da construção, equipes de dia e de noite, sem parar. Paradas apenas no período das chuvas torrenciais, que aproveitávamos para manutenção dos equipamentos, capacitação do pessoal e planejamentos. Nenhuma hora-extra ganhamos ou reivindicamos ao longo do nosso trabalho. O que ganhamos, dinheiro não compra.
A conclusão da BR 174 ocorreu em 06 de abril de 1977, dia do histórico e inesquecível encontro entre as frentes Sul (Destacamento Sul, responsável pela construção no sentido Manaus–Boa Vista) e Norte (Destacamento Norte, responsável pela construção no sentido Boa Vista–Manaus) do 6º B E Const. Eu estava presente no local (Km 356,4) deste encontro e não é possível transformar em palavras a sensação, o orgulho da missão cumprida, o sentimento de ter concluído um esforço de muitos anos, conquista de muitas pessoas.
O resultado prático da construção da BR 174 nos leva aos seguintes fatos :
Ø Índios morreram, mas não por causa ou ação direta de militares do Exército Brasileiro. Pelo menos na área em que eu atuava isso nunca aconteceu;
Ø Dos 23 (vinte e três) mortos da equipe de construção, 15 (quinze) foram mortos de maneira covarde (emboscada) pelos waimiris-atroaris;
Ø A integração por rodovia com o resto do Brasil e o desenvolvimento de Roraima, tornaram-se realidade;
Ø A magnitude da obra e a capacidade de superação técnica e física dos obstáculos enfrentados com sucesso, é motivo de orgulho para o Brasil, para o Exército Brasileiro como um todo e, particularmente, para a sua Engenharia e logística (Intendência).
O momento atual pelo qual passa nosso país, também merece algumas considerações:
Ø Durante o período em que membros do Exército Brasileiro lideraram os rumos do Brasil, muito foi realizado, bastando buscar os registros do período, sendo que o principal objetivo (evitar que comunistas pró-Cuba e União Soviética destruíssem o Brasil) foi alcançado;
Ø Quando os militares tinham o poder de decisão em suas mãos, democraticamente, nunca se aproveitaram para elevar salários ou gerar benesses próprias. Os salários dos militares sempre foram baixos comparativamente com outros segmentos. Nenhum poderoso militar enriqueceu às custas do dinheiro do povo;
Ø De 1984 até o presente momento, os militares continuaram com baixos salários, sofreram grandes quedas em seus orçamentos e ainda passaram a ser tratados com desrespeito pelos ocupantes do poder;
Ø Está sendo alimentado pelos poderosos do momento, a maioria oriunda de grupos ideológicos ultrapassados, simpáticos a movimentos antidemocráticos e buscando interesses materiais próprios, um preconceito contra os militares e até retaliações;
Ø O povo brasileiro tem orgulho de suas Forças Armadas e boa parte sonha para que assumam novamente as rédeas da nação;
Ø Mentiras são espalhadas, sistematicamente, para desmerecer o comportamento e os feitos do Exército Brasileiro (seminários, jornais, filmes, novelas, programas de entrevistas etc) quase como um mantra, uma orquestração;
Ø Certas análises de valor e de versões dos fatos deixam de levar em conta o cenário, o contexto no período de construção da BR 174, gerando conclusões distorcidas da realidade;
Ø Testemunhos e informações coletadas são analisados e levados em conta desde que sirvam de justificativas para o demérito do Exército Brasileiro e do Governo daquela época.
O exposto neste texto tem por objetivo trazer uma parte da verdade à tona, tendo como foco a BR 174, particularmente quanto à atuação do Destacamento Norte do 6º B E Const, no período de 1976 e 1977, neste momento em que se divulgam inverdades, mentiras deslavadas, da tal “verdade alternativa”, das meias-verdades, do cinismo, da hipocrisia, de distorções e manipulações de dados e informações, visando interesses sórdidos de pessoas e grupos que assaltam a nação sem nenhuma piedade com seu povo, tão deseducado para entender o quanto é manobrado, o quanto é incapaz de separar o joio do trigo.
Espero que um dia uma verdadeira “Comissão da Verdade” exponha para a nação o fiel retrato do que ocorreu e do que está ocorrendo.
Rio de Janeiro – RJ, 23 de outubro de 2017
Telmo Travassos de Azambuja é
Capitão de Engenharia Res Não Rem-AMAN/1969
Guerreiro de Selva nº GS 0418.
Engenheiro civil e Pós-graduado, com especialização em Engenharia de Transportes pela Universidade Federal de Pernambuco.
COMENTO: o texto não é "opinião", nem reportagem de "ouvir dizer"! É um relato de quem viveu os fatos que está narrando, portanto digno de toda credibilidade.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Amazônia Volta a Ser Ameaçada

Vista da Amazônia (© AFP 2015/ Lunae Parracho)
Os militares do Exército brasileiro que atuam na Amazônia estão preocupados com o narcotráfico e os riscos de enfraquecimento da soberania do Brasil na região. Entre as ameaças, a atuação de ONGs estrangeiras e o projeto do presidente da Colômbia de criação de um “corredor ecológico” dos Andes até o Oceano Atlântico.
Durante audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional sobre o controle de fronteiras e o combate ao tráfico de armas e drogas na Amazônia, o Comandante do Exército, General Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, disse que é preciso ter atenção com algumas ONGs internacionais. O militar explicou que a apreensão não diz respeito a ameaças à integridade territorial, mas sim a situações que limitam a autoridade do país sobre decisões estratégicas que visam ao desenvolvimento sustentável da região, além de buscar atender os interesses brasileiros, principalmente da população dos Estados amazônicos.
O comandante do Exército citou como exemplo de iniciativa capaz de comprometer a autoridade do Brasil o plano proposto pelo presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, ao Congresso de seu país, sugerindo a criação de um corredor ecológico dos Andes até o Oceano Atlântico, incluindo a Amazônia brasileira. O objetivo da Colômbia é levar a proposta chamada de Triplo A para análise na COP 21 – 21ª Conferência do Clima –, que vai ocorrer no final do ano na França.
Projeto do corredor ecológico Triplo A
O General Villas Bôas lembrou que a Amazônia representa 62% de todo o território brasileiro, e o “corredor ecológico” impediria a exploração de mais de US$ 23 trilhões em recursos naturais, como reservas de minérios raros e rica biodiversidade.
Durante a audiência, o comandante do Exército expôs ser contrário à ideia de manter os recursos naturais da Amazônia congelados para sempre. Para ele, é possível conciliar a preservação e o uso racional das riquezas na região.Esse déficit de soberania [radicalismo pela preservação], esse processo todo é como combater fantasmas, porque a gente não sabe de onde vêm, o que são, o que fazem e quais são os seus objetivos, mas o resultado geral a gente pode verificar.
A ideia de criação do corredor ecológico teve origem na Fundação Gaia, organização não governamental instalada na Colômbia e ligada à entidade britânica Gaia Internacional, responsável por fornecer os recursos para os estudos.
Quanto à questão do narcotráfico, o General Villas Bôas alertou que o Brasil é hoje o segundo maior consumidor mundial de cocaína, depois dos Estados Unidos. E é na Amazônia que o país está sendo usado como corredor de passagem do entorpecente para o exterior, pois a região faz fronteira com os três maiores produtores da droga no mundo: Colômbia, Peru e Bolívia.
Villas Bôas disse que pequenas plantações dentro do Brasil foram detectadas e erradicadas, mas já há informações da ação de traficantes brasileiros e do México na Amazônia. “Já foi detectada a presença de cartéis mexicanos, aqui, na Colômbia e no Peru. O cartel mexicano tem um modus operandi extremamente violento, e essa violência já começa a transbordar para o nosso lado.
Sobre o tráfico de armas, o militar esclareceu que essa atividade é mais presente em fronteiras das Regiões Sudeste e Sul do Brasil.
Em relação às reservas indígenas, o militar também fez restrições ao modelo das reservas concentradas, principalmente na Amazônia. Villas Bôas questiona o fato de haver grande número de reservas indígenas justamente em áreas com forte concentração de riquezas minerais.Não sou contra unidades de conservação em terras indígenas. Ao contrário, temos que ter desmatamento zero, temos que proteger nossos indígenas, mas temos que compatibilizar esse objetivo com a exploração dos recursos naturais.”, defendeu.
De acordo com o general, como não há projetos para que a exploração das riquezas seja feita de forma organizada e com fiscalização, o procedimento passa a ser feito clandestinamente. Villas Bôas citou como exemplo a exploração de diamantes cor-de-rosa nas terras indígenas Roosevelt, em Rondônia, que segundo ele continuam sendo extraídos e saindo de forma ilícita do Brasil. “Isso é uma hemorragia; são riquezas que o país perde, que sai pelas estruturas de contrabando, e o país não se beneficia em nada com isso, criticou.
Para aumentar a proteção das fronteiras, inclusive na Amazônia, o Comandante do Exército diz que a solução é investir na implantação do SISFRON – Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras, desenvolvido pelo Exército e que possui sistema de radares, de comunicação e veículos aéreos não tripulados (VANT), com 70% de tecnologia nacional.
O SISFRON começou a ser implantado pelo Estado do Mato Grosso do Sul, com previsão de estar concluído no país em 2023. Porém, o General Villas Bôas admitiu que o projeto poderá atrasar, devido aos cortes orçamentários do Governo Federal. Segundo o comandante, mesmo que o sistema tenha apenas 1,5% de eficácia, num período de 10 anos poderá contribuir para uma economia de mais de R$ 13 bilhões em gastos com segurança, recuperando todo o investimento realizado no programa.
Fonte: Sputnik,
citado no Blog do Montedo
COMENTO:  aos poucos os pretensos "donos do mundo" voltam à carga. Devagar, igual aquela estória de "caçar porcos selvagens", que todos conhecem, eles agem com paciência e vão estendendo o cerco aos poucos. Começou com a invenção descarada da nação indígena Ianomami, que supostamente ocuparia as terras mais ricas do norte brasileiro e sul venezuelano. Depois do sucesso que tiveram na agressão à Soberania Brasileira representada pela criação da Terra Indígena Raposa-Serra do Sol, eles suspenderam temporariamente suas ações, esperando a "poeira baixar". A tentação foi grande, por ocasião do quase sucesso do "ET de Xapurí" alcançar a Presidência da República. Felizmente, a candidata do Capimunismo foi rejeitada pela bugrada deitada em berço esplêndido. Agora, voltam para mais uma tentativa, capitaneada por ninguém mais que o antigo Ministro da Defesa colombiana no governo do Presidente Álvaro Uribe que, depois de eleger-se como seu sucessor, tirou a máscara liberal e passou a açoitar seu benfeitor. De crítico de Uribe, passou a amigo dos narco bandoleiros das FARC, abrindo negociações de "paz" conduzidas pelos democráticos governantes cubanos. 
E agora se revela mais um agente da Oligarquia Financeira Transnacional (liderada pelas famílias reais Inglesa e da Noruega, Rotschild e Rockfeller), apresentando mais essa tentativa de internacionalização de parte do território brasileiro (incluindo pequenos trechos colombianos e venezuelanos para "dourar a pílula") em consonância aos desejos de que as áreas de extensas riquezas minerais brasileiras - comparem a área do corredor proposto por Manoel Santos e a localização dos recursos naturais brasileiros na imagem ao lado - fiquem sob domínio internacional. Ou seja, deles.
 .

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Plácido de Castro e o Descaso Brasileiro Para Com Sua História

E o dia 6 de agosto, maior marco da bravura do povo brasileiro, passou mais uma vez em brancas nuvens
por Carlos Newton
É decepcionante constatar que o Brasil não cuida de sua memória. Se você perguntar a algum historiador brasileiro sobre o dia 6 de agosto, possivelmente ele não lembrará do que se trata. Se o historiador for católico, pode ser que se lembre de que se trata do Dia de Nosso Senhor do Bonfim ou de Bom Jesus da Lapa. Se for estudioso da História das Américas, poderá lembrar que foi em 6 de agosto que Simón Bolívar entrou em Caracas, após a vitória de Taguanes, e recebeu o título honorífico de Libertador, e 12 anos depois, também num 6 de agosto, Bolívar declarou a independência do país que levou seu nome, a Bolívia.
Mas dificilmente o historiador se lembrará do que deveria significar o 6 de agosto para os brasileiros, por ser a data em que se iniciou a revolução que culminou na anexação do Acre ao território nacional, livrando a Amazônia da possibilidade de ser colonizada pelo Império britânico, que na época (1902) dominava a maior parte do mundo e estava tentando usurpar a Amazônia com apoio dos Estados Unidos, que mal começava a ser firmar como grande potência.

A CORRIDA DA BORRACHA
Naquele início de século XX, a borracha já se tornara uma das mais importantes e estratégicas matérias-primas, e toda a produção mundial provinha de um só lugar, a Amazônia, onde vicejava a nativa hevea brasiliensis, que era mais abundante justamente no território boliviano do Acre, uma extensa região que desde os anos 1870 vinha sendo colonizada por brasileiros, que emigravam para viver da borracha. Lá havia seringueiros e aventureiros de todo o país, mas a imensa maioria vinha do Nordeste, sobretudo do Ceará.
Um desses aventureiros chama-se José Plácido de Castro, era gaúcho de São Gabriel, filho do capitão Prudente da Fonseca Castro, veterano das campanhas do Uruguai e do Paraguai, e de Dona Zeferina de Oliveira Castro.
Plácido de Castro um dos maiores heróis da História do Brasil
Plácido começou a trabalhar aos 12 anos – quando perdeu o pai – para sustentar a mãe e os seis irmãos. Aos 16 anos, ingressou na vida militar, chegando a 2° sargento, entrou na Escola Militar do Rio Grande do Sul e depois lutou na Revolução Federalista ao lado dos “maragatos”, chegando ao posto de Major. Com a derrota para os “pica-paus”, que defendiam o governo Floriano Peixoto, Plácido decidiu abandonar a carreira militar e recusou a anistia oferecida aos envolvidos na Revolução.
Mudou-se para o Rio de Janeiro, foi inspetor de alunos do Colégio Militar, depois empregou-se como fiscal nas docas do porto de Santos, em São Paulo e, voltando ao Rio, obteve o título de agrimensor. Inquieto e à procura de desafios, viajou para o Acre, em 1899, para tentar a sorte como agrimensor e logo arranjou trabalho por lá.

O BOLIVIAN SYNDICATE
Havia uma antiga disputa de terras entre Brasil e Bolívia, os colonos brasileiros já tinham até declarado duas vezes a independência do Acre, mas o governo brasileiro mandara tropas para devolver o território à Bolívia. Até que surgiu a notícia de que a Bolívia havia arrendado o Acre aos Estados Unidos, através do Bolivian Syndicate, uma associação anglo-americana sediada em Nova York e presidida pelo filho do então presidente dos EUA, William McKinley.
O acordo autorizava o Bolivian Syndicate a usar força militar como garantia de seus direitos na região, as leis e os juízes seriam norte-americanos, a língua oficial seria o inglês e os Estados Unidos se comprometiam a fornecer todo o armamento que necessitassem. Além disso, tinham a opção preferencial de compra do território arrendado, caso viesse a ser colocado à venda. E a Bolívia também se comprometia em, no caso de uma guerra, a entregar a região aos Estados Unidos.
Plácido de Castro estava demarcando o seringal Victória, quando ficou sabendo do acordo pelos jornais e viu nisto uma ameaça à integridade do Brasil. Tinha 27 anos, era o único militar de carreira que morava naquela região e decidiu liderar uma resistência. Convocou os comerciantes, seringalistas e emigrantes brasileiros, formou um pequeno grupo de guerrilheiros e aproveitou o dia 6 de agosto, feriado nacional na Bolívia, para iniciar a revolução.

A REVOLUÇÃO COMEÇA…
Quando Plácido chegou com cerca de 60 guerrilheiros ao pequeno quartel do Exército boliviano na vila de Rio Branco, às margens do Rio Acre, o oficial boliviano julgou que os brasileiros vinham comemorar o feriado. “Es temprano para la fiesta”, disse ele, e Castro respondeu: “No es fiesta, es revolución”. E a guerra começou, para desespero do governo brasileiro, que não se interessava pelo Acre.
O governo boliviano logo enviou mais um contingente de 400 homens, comandados por Rosendo Rojas. Mas Plácido de Castro, percursor da guerrilha na selva, se revelou um grande estrategista e conseguiu enfrentar e derrotar o Exército e a Marinha da Bolívia em várias batalhas.
Os combates da Revolução Acreana duraram vários meses e a revolução só acabou em janeiro de 1903, com a assinatura do Tratado de Petrópolis, pelo qual o Brasil comprou o território do Acre à Bolívia, anexando essas terras ao nosso país.
Além do Brasil seguir dominando o comércio mundial da borracha, outro resultado da vitória da Revolução liderada por Plácido de Castro foi o sepultamento do sonho anglo-americano de dominar o Acre e a Amazônia. Ao vencer o Exército e a Marinha da Bolívia, aqueles valorosos guerrilheiros brasileiros na verdade estavam derrotando também a maior potência militar do mundo, a Inglaterra, e seu principal aliado, os Estados Unidos.
Esta é uma história linda, que infelizmente não se aprende nos colégios brasileiros. Somente é lembrada . Mas um dia o major Plácido de Castro há de ser lembrado e homenageado como um dos maiores heróis deste país.
.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

General Augusto Heleno Ribeiro - Entrevista à Rádio Sara Brasil DF FM

.
O programa "Ronda da Notícia", apresentado pela rádio Sara Brasil DF (99,7 FM), divulgou na manhã de 05 Abr 14 uma entrevista feita com o General da Reserva Augusto Heleno Ribeiro.
O Oficial falou sobre diversos assuntos em uma entrevista de aproximadamente hora e meia.
Abaixo, o áudio da entrevista. Para orientar o ouvinte que não disponha de tempo suficiente para ouvir toda a entrevista em uma só vez, apresento um resumo dos assuntos abordados com a contagem de tempo aproximada em que foram tratados.
Vale a pena dedicar seu tempo para ouvir as opiniões muito bem fundamentadas desse profundo conhecedor dos diversos problemas que afligem nosso país.
00:01:35 - 00:09:00 - As verdades que vem sendo escamoteadas à sociedade em função da Comissão Nacional da Verdade não ter intenção de mostrar a verdade. O único militar que a CNV poderia convocar para contar "sua verdade" seria o traidor Carlos Lamarca. Sobre "militares pedirem desculpa". Sobre as negociações para se chegar à Lei da Anistia e o posicionamento revisionista e revanchista de alguns beneficiados por ela.
00:10:00 - 00:15:00 - Quanto tempo de restrições à liberdade teríamos se alguma das organizações comunistas do tempo da luta armada tivesse chegado ao poder? As lideranças "revolucionárias" e seu comportamento pós-anistia.  
00:15:40 - 00:35:00 - Missão no Haiti. Aprendizado para a implantação de UPPs no RJ. Só a UPP não é suficiente; a presença de outras instâncias do Estado é fundamental. 
00:36:30 - 00:45:00 - Autonomia e politização das Polícias Militares. Valorização profissional das polícias como fator de motivação para o bom recrutamento dos policiais. A autorização dos "bicos" como forma de compensação dos baixos salários das polícias militares. 
00:46:30 - 00:57:00 - A questão da "formação" dos Secretários de Segurança. A conscientização de que cada policial é um representante do Estado perante a opinião pública. O problema da PM-DF (reivindicações de paridade salarial com funcionários do DETRAN e DER). Distorções salariais entre carreiras que exercem funções equivalentes. 
01:02:00 - 01:07:00 - A questão da menor "antiguidade" do Comandante (56º/57) como forma de desmotivar a oficialidade na PM/DF. Promoções no EB (limites da autoridade ao efetiva-las) sem influencia política externa. 
01:10:00 - 01:19:00 - O uso do EB em missões subsidiárias, fora de sua missão constitucional. Prós e contras. A parte do EB nas obras de transposição de águas do rio São Francisco. Operações de segurança para a Copa do Mundo, uma decisão tardia.
01:20:00 - 01:28:00 - Abandono governamental da Amazônia. Política indigenista caótica, com uso de laudos antropológicos irreais, que se resume a distribuição de terras; não há intenção séria de atender as necessidades indígenas (saúde, educação, energia elétrica, etc).
Aproveite!
.
.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A CV Passa por Dúvida Atroz: Assumir a Denominação de "Comessão de Verbas" ou "Comissão da Vingança"

por Leandro Mazzini
Numa reunião tensa que durou seis horas na terça-feira (30/7), a ministra da Secretaria dos Direitos Humanos (SDH), Maria do Rosário, chorou duas vezes diante de críticas e depoimentos de familiares das vítimas do Araguaia (TO).
O momento mais delicado foi quando Rosário não se segurou ao ouvir da ex-guerrilheira Criméia Almeida que ‘nada presta’ e que está ‘tudo ruim’ na Comissão de Mortos e Desaparecidos - relatam testemunhas -, trabalho coordenado pela SDH.
No encontro foi exposto o racha entre os familiares das vítimas, após a inédita votação verbal sobre os rumos dos trabalhos. Por 12 a 6, vão continuar as buscas por 45 desaparecidos na região do Araguaia durante o regime militar. Eram 47 – desde o início das buscas, duas ossadas foram encontradas.
Enquanto a maioria quer encontrar as possíveis ossadas, integrantes do grupo Tortura Nunca Mais pregam o fim das buscas. A despeito do desencontro, uma sentença da Justiça Federal prevê indenização de R$ 25 milhões para cada familiar – valores de hoje.
A sentença de 2006, em primeira instância, da juíza Solange Salgado, determina a continuidade das buscas ou a indenização para cada família em R$ 10 mil/dia, com pagamentos retroativos.
O grupo que luta por interromper as buscas levanta um argumento patriótico: o governo já teria gastado demais com os trabalhos. “Emocionalmente, não quero que se gaste mais recursos públicos para procurar meus irmãos”, argumentou Laura Petit, que tem dois irmãos desaparecidos.
Representantes de seis famílias manifestaram-se pela interrupção das buscas e pelo consequente fim do processo – Vitória Grabois, Elizabeth Silveira, Criméia Almeida, Laura Petit, Lorena Barroso e Sônia Maria de Souza. Lideradas por Diva Santana, representante oficial das famílias na Comissão dos Mortos e Desaparecidos, doze familiares preferem que o Estado continue buscando respostas.
Segundo a SDH, a reunião debateu ‘Balanço das Atividades’, ‘Pedido de oitiva de militares que participaram da guerrilha’ e ‘Retorno das atividades de busca’. A assessoria informou que ‘a ministra se emocionou em alguns momentos ao ouvir relatos de familiares’.
.
Uma bomba pode explodir na Comissão Nacional da Verdade (CNV) e o caso vir à tona, se a representação no Brasil do Centro pela Justiça e o Direito Internacional (CEJIL), ligada à OEA, entregar um documento que rascunha.
CEJIL não quer que a CNV faça trabalhos de busca de supostos sobreviventes da Guerrilha do Araguaia (TO), na ditadura, e que hoje estariam sob proteção federal, após mudança de identidades. Seriam 20 os ‘mortos-vivos’ da época, hoje escondidos.
Trata-se de uma iniciativa preventiva, pois não estão na pauta da CNV quaisquer investigações sobre esse assunto, um dos mais polêmicos mistérios da ditadura.
CEJIL representa famílias dos desaparecidos do Araguaia. Procurada desde quarta (31/7), a ONG não se manifestou por ora. A CNV informou que ainda não recebeu a carta.
Anos atrás, o então ministro Jarbas Passarinho revelou que o guerrilheiro Luiz Renê, do PCdoB, foi abrigado no Ministério da Educação, após ser dado como ‘morto’. Renê ganhou nova identidade. Segundo relatos históricos, teria sido a pedido do General Antonio Bandeira.
René foi preso no Araguaia, em fevereiro de 1974, ao lado de Hélio Navarro de Magalhães, seu melhor amigo dos tempos da militância estudantil no Rio de Janeiro. Dona Carmen Navarro, mãe de Hélio, há cerca de 20 anos pede às autoridades de Direitos Humanos que investiguem o paradeiro de seu filho, que ela acredita estar vivo.
CEJIL faz o lobby a pedido da irmã de Renê, Elizabeth Silveira. Há suspeita de que ele vive no MT. A família não tem notícias.
.
O governo pagou R$ 4,3 milhões em indenizações, entre 2011 e 2013, a parentes de mortos na Guerrilha do Araguaia, nos anos 70.
Deste total, R$ 2,1 milhões foram pagos a herdeiros de beneficiários já falecidos, que não tinham direito segundo a Lei de Mortos e Desaparecidos.
São US$ 3 mil a cada um dos familiares por despesas médicas, por busca de informação e dos restos mortais dos desaparecidos; mais US$ 45 mil para cada familiar direto e US$ 15 mil para cada familiar não direto por dano imaterial.
A Secretaria de Direitos Humanos aguarda decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos para depositar ainda este ano quantias a outros 12 herdeiros de beneficiários falecidos.
A questão da identificação dos beneficiados foi submetida ao Departamento Internacional da Advocacia-Geral da União para cumprimento da decisão judicial.
O governo trata com cuidado a divulgação de nomes para proteger a intimidade dos familiares das vítimas. Herdeiros foram definidos em sentença da Corte IDH de 2010.
Com Vinícius Tavares, da equipe de Brasília
.
A pedido do Grupo de Trabalho Araguaia, comandado pela Secretaria de Direitos Humanos, a juíza Solange Salgado, da 1ª Vara da Justiça Federal, decretou segredo de Justiça no processo sobre os desaparecidos da região durante o regime militar.
O GTA procura ossadas naquela área desde 2009, mas os supostos gastos estupendos com aluguel de aeronaves para pesquisadores e familiares das vítimas chamaram a atenção. E o governo não quer problemas quanto a custos.
Desde então foram encontrados dois dos 47 guerrilheiros desaparecidos na década de 70. O governo pagou R$ 4,3 milhões em indenizações, entre 2011 e 2013, a parentes de mortos na Guerrilha do Araguaia. Deste total, R$ 2,1 milhões foram pagos a herdeiros de beneficiários já falecidos, que não tinham direito segundo a Lei de Mortos e Desaparecidos. Leia aqui 
As famílias dos desaparecidos continuam divididas. Numa reunião tensa que durou seis horas na terça-feira, dia 30 de julho, a ministra da Secretaria dos Direitos Humanos (SDH), Maria do Rosário, chorou duas vezes diante de críticas. O momento mais delicado foi quando Rosário ouviu da ex-guerrilheira Criméia Almeida que ‘nada presta’ e que está ‘tudo ruim’ na Comissão de Mortos e Desaparecidos, relatam testemunhas.
No início do ano, a coluna revelou que o governo preparava delicada e sigilosa operação para devolver a Xambioá, no Araguaia (TO), as ossadas de duas crianças que foram descobertas no inventário feito pela Polícia Federal, junto aos ossos de outros 23 ex-guerrilheiros, guardados numa sala-cofre do Hospital Universitário da UnB. Os corpos das crianças foram enterrados nos locais das buscas sem qualquer ligação com a guerrilha, mas o governo investiga a suposta participação de ex-guerrilheiros [na inclusão indevida das ossadas infantis], na tentativa de chocar a opinião pública.
.
Suzana Lisboa, do grupo Tortura Nunca Mais, passou por Brasília e disse que estaria articulando com emissários da presidente Dilma, dentro do Planalto, uma solução pacífica para a Comissão da Verdade. A substituição de dois membros. O grupo pretende a demissão dos comissários que são contra a revisão da Lei da Anistia, Paulo Sérgio Pinheiro e José Carlos Dias, e indicar nomes ligados às famílias dos desaparecidos políticos. Teria ela o apoio de José Dirceu.
indicado pelo Blog do Licio Maciel
COMENTO: como falou o filósofo Hildebrando Pasqual, vamos por partes. Em primeiro lugar, me parece muito suspeita a pretensão de suspender as buscas por ossadas, manifestada por seis familiares de supostos desaparecidos no Araguaia. Não consigo imaginar essas pessoas preocupadas com "gastos de verbas públicas". Tem alguma coisa por baixo desse angu! Em segundo lugar, é de se destacar a falta de vontade de buscar a verdade verdadeira (não a verdade forjada que pretendem implantar) sobre os "mortos vivos", não só do Araguaia, mas de todos os episódios da luta subversiva para a implantação do comunismo nas terras brazilis. Apesar do fato já ter sido anunciado pela imprensa, em diversas ocasiões, inclusive aqui e aqui, neste blog. No livro “Guerrilha do Araguaia, Relato de Um Combatente”, do Coronel Lício Maciel, ele fala sobre esses “mortos vivos”. Um deles ficou com medo de comparecer a um encontro com o Coronel, marcado por um jornalista, no RJ. Renê, Hélio, Paquetá e Bichento, o Coronel Lício garante que estão vivos; não aparecem porque temem ser “justiçados” pelos anjinhos do Velho Mário. Por outro lado, contrastando com a preocupação com os "gastos públicos", temos uma pequena fortuna gasta em função de uma "decisão da CIDH". Temos, assim, a administração pública brasileira submetida a um organismo internacional com poder de decisão superior ao nosso Poder Judiciário. Divulgada a gastança, não só de indenizações indevidas mas principalmente nas inúteis buscas que só servem para o faturamento de diárias e outros custos para a "cumpanherada", a ministra (i)rresponsável pelo andamento da farra pede, e uma juíza já comprometida com "as buscas" aceita, encobrir tudo sob o manto do sigilo judicial. Para encerrar, temos o reforço dos objetivos da Comissão da Vingança, de acordo com as velhas práticas stalinistas, os "cumpanhêrus" que divirjam das determinações do "coletivo" devem ser eliminados. Como a eliminação física, nos dias atuais, é problemática, pelo menos eles devem ser expurgados do grupo a fim de que outros, fieis ao ideário revanchista, prossigam na missão de enxovalhar a imagem daqueles que, chamados à luta armada, venceram.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Rei da Noruega Visita sua Terra Indígena no Brasil

por Kátia Brasil - Manaus
Apesar do agravamento da tensão na terra indígena ianomâmi, na Amazônia, o rei Harald 5º da Noruega ignorou apelos de autoridades brasileiras e foi visitar a área.
Na semana passada, quatro índios foram mortos e sete ficaram feridos à bala em um conflito entre tribos, que estão sendo armadas por garimpeiros em troca de autorizações para lavra ilegal.
Ainda que não tenha caráter de missão oficial, a visita do rei, de 76 anos, demandou atenção da Polícia Federal, da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Itamaraty.
Primeiro houve um pedido para que ele desistisse da empreitada. Diante da negativa, PF e Funai deslocaram servidores para acompanhar a estada, que começou na segunda-feira passada e terminou na madrugada de hoje.
O rei, segundo a Funai, ficou na aldeia Demini, no Amazonas, a cerca de 150 km do local dos conflitos mais recentes em Roraima. 
Foi conhecer projetos financiados pela Noruega - um deles é para instalar rede de comunicação via rádio nas aldeias.
Situada na fronteira entre Brasil e Venezuela e com 96 mil quilômetros quadrados, área maior que Portugal, a terra indígena tem 279 aldeias e 21,5 mil ianomâmis, que vivem em tensão com garimpeiros e fazendeiros.
Cerca de 1.600 garimpeiros estariam dentro da reserva em busca de ouro. A PF retirou cerca de 600 deles em 2012, mas muitos voltaram devido à falta de fiscalização, segundo a Hutukara Associação Yanomami (HAY).
A entidade informou que o rei foi recebido na aldeia Demini pelo líder ianomâmi Davi Kopenawa, mas não deu mais detalhes sobre a visita.
"O grande líder [Davi] convidou o rei para visitar nossa terra, conversar e trocar ideias. A terra ianomâmi tem vários problemas com garimpeiros e fazendeiros. Mas o povo ianomâmi é respeitoso", disse, de Boa Vista, o índio Dário Kopenawa, filho de Davi e integrante da HAY.
A associação fechou acordo com a Noruega em 2008 para recebimento de R$ 300 mil para ações em saúde e educação na terra indígena.
A Embaixada da Noruega em Brasília informou que o rei sempre sonhara em viajar para a Amazônia. "Agora, aos 76 anos, ele conseguiu realizar este sonho", disse Elisabeth Forseth, encarregada de negócios.
A reportagem apurou que a viagem pode fazer parte dos preparativos da Embaixada da Noruega para a celebração dos 30 anos do Programa de Apoio aos Povos Indígenas no Brasil, completados neste ano.
Nenhum órgão federal nem a associação souberam dizer quantas pessoas acompanham o rei na visita.
A Funai disse que autorizou a entrada da comitiva real na reserva atendendo a um pedido dos índios.
O órgão informou que a comitiva cumpriu exigências como apresentação de atestados individuais de vacina contra doenças endêmicas.
A PF confirmou que fez a segurança do rei, mas não informou o número de policiais envolvidos na operação.
O índio Dário Kopenawa, disse que a viagem foi boa para o "espírito" de Harald 5º. "O rei já foi embora. Ele realizou o sonho dele, foi bom para seu espírito."
COMENTO:  o valor de R$ 300 mil (uma merreca em termos governamentais) não permite dizer que o rei veio verificar o seu "investimento". Mas é estranhável a persistência no interesse do visitante em ir conhecer o local. E mais estranho, ainda, o fato da Polícia Federal, que acompanhou o visitante proporcionando-lhe segurança, não saber dizer quantas pessoas acompanharam o visitante, nem os assuntos tratados com o "grande líder" dos botocudos, sendo que as únicas informações a respeito do fato, foram divulgadas pelo filho do "grande líder", membro de uma Associação Ianomami.
.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

O Manual do Golpe de Estado

por Mauro Santayana
Cúrzio Malaparte escreveu, em 1931, seu livro político mais importante, “Técnica del Colpo di Stato”: envenenamento da opinião pública, organização de quadros, atos de provocação, terrorismo e intimidação, e, por fim, a conquista do poder. Malaparte escreveu sua obra quando os Estados Unidos ainda não haviam aprimorado os seus serviços especiais, como o FBI – fundado sete anos antes – nem criado a CIA, em 1947. De lá para cá, as coisas mudaram, e muito. Já há, no Brasil, elementos para a redação de um atualizado Manual do Golpe.
Quando o golpe parte de quem ocupa o governo, o rito é diferente de quando o golpe se desfecha contra o governo. Nos dois casos, a ação liberticida é sempre justificada como legítima defesa: contra um governo arbitrário (ou corrupto, como é mais freqüente), ou do governo contra os inimigos da pátria. Em nosso caso, e de nossos vizinhos, todos os golpes contra o governo associaram as denúncias de ligações externas (com os países comunistas) às de corrupção interna.
Desde a destituição de Getúlio, em 29 de outubro de 1945, todos os golpes, no Brasil, foram orientados pelos norte-americanos, e contaram com a participação ativa de grandes jornais e emissoras de rádio. A partir da renúncia de Jânio, em 1961, a televisão passou também a ser usada. Para desfechá-los, sempre se valeram das Forças Armadas.
Foi assim quando Vargas já havia convocado as eleições de 2 de dezembro de 1945 para uma assembléia nacional constituinte e a sua própria sucessão. Vargas, como se sabe, apoiou a candidatura do marechal Dutra, do PSD, contra Eduardo Gomes, da UDN. Mesmo deposto, Vargas foi o maior vitorioso daquele pleito.
Em 1954, eleito pelo povo Vargas venceu-os, ao matar-se. Não obstante isso, uma vez eleito Juscelino, eles voltaram à carga, a fim de lhe impedir a posse. A posição de uma parte ponderável das Forças Armadas, sob o comando do general Lott, liquidou-os com o contragolpe fulminante. Em 1964, contra Jango, foram vitoriosos.
A penetração das ONGs no Norte do Brasil, e a campanha de coleta de assinaturas entre a população dos Sete Grandes – orientada, também, pelo Departamento de Estado, que financiava muitas delas – para que a Amazônia fosse internacionalizada, reacenderam os brios nacionalistas das Forças Armadas. Assim, os norte-americanos decidiram não mais fomentar os golpes de estado cooptando os militares, porque eles passaram a ser inconfiáveis para eles, e não só no Brasil.
Washington optou hoje pelos golpes brancos, com apoio no Parlamento e no Poder Judiciário, como ocorreu em Honduras e no Paraguai. Articula-se a mesma técnica no Brasil. Nesse processo, a crise institucional que fomentam, entre o Supremo e o Congresso, poderá servir a seu objetivo – se os democratas dos Três Poderes se omitirem e os patriotas capitularem.
Fonte:   Tribuna da Imprensa
.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A Confiança Abalada

por Gélio Fregapani
Esperanças nós as criamos por instinto. Algumas das atitudes da Presidente foram transformando a esperança em confiança, tais como o afastamento de alguns dos corruptos ministros herdados do Governo anterior e as medidas econômicas de cunho nacionalista. Houve também, algum freio nos movimentos ambientalistas e indigenistas, freios pequenos, é verdade, mas que alimentavam a esperança que fossem os primeiros de muitas outras. Recentemente, também agradou a demissão imediata dos figurões indiciados na Operação Porto Seguro, pois Lula teria pedido a Dilma para interceder e ela se negado a fazê-lo. A própria presença dela na posse do presidente do STF, contrariando a solicitação do Lula foi um bom sinal, apesar de sua expressão de “poucos amigos”.
Claro, nem todas as medidas mereceram elogios. As concessões à “Comissão da Vingança” é um tiro no pé, mesmo que seja para inglês ver. Entretanto, corre na internet uma notícia que, se verdadeira, é capaz de abalar a confiança conquistada até agora. Só não acabou ainda, com a esperança, porque pode não ser verdadeira. Eis a notícia:
A senhora Dilma Rousseff, Presidenta do Brasil e Comandante- Chefe, das Forças Armadas, autorizou na ultima semana de outubro o deslocamento do 58º Batalhão de Infantaria Motorizada do Exército, para o município de Alto Boa Vista - localizado na região norte de Mato Grosso, um contingente considerável de soldados apoiados em uma artilharia pesada e com mais a cobertura de um potente helicóptero de combate aéreo, transformou as instalações da Escola Agrícola deste município em Quartel General. A missão das tropas é ajudar a FUNAI, na desocupação de centenas de famílias de produtores de suas propriedades reduzindo em 70%, a área territorial de Alto Boa Vista, em detrimento da criação fraudulenta de uma fictícia Reserva Indígena Xavante. Caso essa vergonhosa batalha seguir avante, os brios e a gloria do Exército Brasileiro, ficarão manchados na história da Pátria, por conta da insanidade de sua atual Comandante. A ex-guerrilheira, que ontem desafiava e enfrentava as Forças Armadas em sua luta pela Soberania Nacional e pela socialização do país, agora, na condição de Senhora dos Destinos da Pátria Amada Brasil, se entrega aos caprichos dos interesses internacionais sobre a Amazônia. Desrespeitando a Constituição Federal e a legalidade do Estado de Direito, que permite a ampla defesa das causas e das liberdades civis, a Presidenta Dilma, manda um aparato militar (Exército, Força Nacional e Policia Federal) invadir Mato Grosso e varrer do mapa, um município brasileiro, para dar lugar a implantação de mais uma Terra Indígena.
O primeiro impulso é de acreditar, pois ordem parecida já ocorreu na Raposa-Serra do Sol, sob o comando supremo do Lula/Tarso Genro. Na ocasião o nosso Exército recusou-se a fazer esse triste papel, mas foi pouco; devia ter impedido a entrega para as ONGs.
Mentiras são comuns na disputa política. Entretanto, se essa notícia for verdadeira e for levada a cabo, acabou a confiança. Espero de coração, que não seja verdade, que seja mais uma mentira da suja psicologia política para nos antagonizar. Tenho conhecimento que, no Mato Grosso do Sul, ao contrário, o Exército está protegendo as terras produtivas das invasões dos índios, estes em grande parte são paraguaios. Paraguaios? Perguntareis. – Sim, paraguaios mesmo! Com a política da Funai de distribuir cestas básicas, levas e mais levas de índios e mestiços do Paraguai, da Bolívia, da Guiana e outros mais se adentram ao território brasileiro, só falando espanhol, e assim a Funai aproveita para aumentar a densidade indígena, reivindicando assim, mais e mais terras.
Nossos índios não chegam a 0,5% da população, mesmo assim as reservas indígenas no nosso País já possuem 13% do território nacional e se dependesse da Funai breve seria 80%. As reservas são concedidas na suposição – falsa - de que aqueles enormes vazios são essenciais para que ela preserve sua cultura, mas isso não acontece, pois a maioria dos índios está integrada às práticas próprias da vida urbana. Uma boa parcela conta com televisão, geladeira, celular. Não obstante, eles não tiram das imensas extensões de terra ao menos o suficiente para a sua subsistência. Quase a metade recebe cesta básica. Nem plantam, nem caçam o que comem. Vivem da caridade estatal. Não culpemos somente aos índios. Não são eles que pleiteiam as reservas. Essas são aspirações de certa antropologia a serviço do estrangeiro.
Pesquisa do Datafolha, encomendada pela Confederação da Agricultura revela que, 63% dos índios têm televisão. Questionados sobre o principal problema enfrentado em sua vida pessoal, a saúde fica em primeiro lugar com 30%. O emprego em segundo, com 16%. A ampliação das reservas, para eles, é irrelevante e não prioritária. Apesar disto as ONGs e a Funai, estão acelerando o processo de demarcação de terras indígenas, para preparar a autodeterminação, controlando uma base territorial riquíssima, maior do que a maioria dos países. Com os métodos de Guerras de Quarta Geração retalharão o território brasileiro, em especial a Amazônia, dividindo-a em quistos, protegidos por uma força internacional de paz. A pretexto de defender os direitos dos índios, vão explorar nossas riquezas e recursos naturais. Tudo dentro da filosofia malthusiana da sobrevivência dos mais aptos.
Não adianta lamentar. Esta é a regra do jogo. Do grande jogo geopolítico. Talvez esteja na hora mudarmos o grito de “Oba, gol!” para um “Chega!”, pois vai lhes custar mais caro do que vocês estarão dispostos a pagar”.
O fato é que o modelo das reservas provoca miséria entre os próprios índios. Na Raposa-Serra do Sol os arrozeiros foram obrigados a ir embora, deixando atrás de si uma legião de desempregados. Na terra agora sob o controle de militantes indígenas, não se produz quase mais nada. A maioria dos índios foi viver como favelados em Boa Vista. A razão é simples: ser de sangue indígena não quer dizer ter que viver como índio!
Recebido por correio eletrônico.
.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Um Novo Ianoblefe?

por Janer Cristaldo
No dia 19 de agosto de 1993, uma manchete invadiu as páginas de todos os jornais do país:
IANOMÂMIS SÃO CHACINADOS EM RORAIMA 
Falou-se inicialmente em 19 mortos. Dia seguinte, eram 40. Logo depois, chegaram a 73. Os assassinos, é claro, eram os garimpeiros. No decorrer dos dias, como nenhum cadáver havia sido achado, o número de chacinados foi diminuindo. Foi fixado finalmente em 16. A única prova da chacina foi... um dente, encontrado pela Polícia Federal e exibido em grandes fotos pela imprensa, na ponta do dedo de um policial. Em verdade, não foi encontrado um só cadáver.
No dia seguinte ao "massacre", ficou clara a intenção da farsa: "O presidente Itamar Franco anunciou ontem a decisão do governo em homologar a demarcação de uma área de 4.900 hectares no sul do Pará, habitada por 600 índios caiapós, em duas aldeias. O anúncio foi feito pouco mais de 24 horas após a divulgação da chacina dos ianomâmis em Roraima".
Relato toda essa farsa em Ianoblefe - o jornalismo como ficção. O livro foi recusado por cerca de vinte editoras. "Não podemos nos indispor contra todos os jornais do país", resumiu um editor. Mas foi aceito pela Ebooksbrasil, tocada por Teotonio Simões: Ebooksbrasil.org/ianoblefe. Recomendo. 
Dia 19 de dezembro de 1996, o juiz federal Itagiba Catta Preta, de Boa Vista, Roraima, fechou com chave de ouro a ficção alimentada durante três anos pela imprensa: condenou a vinte anos de prisão cinco garimpeiros, por genocídio praticado contra ianomâmis em 93. Dois garimpeiros responderam o processo em liberdade e três à revelia. 
Cadáveres, nenhum. Mas o juiz Catta Preta não tem dúvidas de que houve o massacre. Como prova do crime, aceitou laudos de antropólogos sobre os hábitos culturais dos ianomâmis — a história das cinzas, formulada pelo antropólogo Bruce Albert —, além do depoimento de sobreviventes. Pelos depoimentos colhidos, não tenho dúvida de que pelo menos doze índios foram mortos”. 
Sem cadáver não há crime, diz a boa doutrina jurídica. Os garimpeiros foram condenados por um crime que não houve. Pior ainda, pelo assassinato de índios de uma tribo que não existe. Naquele dia, em Roraima, foi atada com nó de tope a maior farsa jornalística, política e jurídica jamais ocorrida no Brasil, com sérias consequências para a integridade territorial do país.
A imprensa registrou alguns sinais de violência na aldeia - venezuelana - onde teria ocorrido o massacre, várias panelas perfuradas por tiros. E só. Teríamos então um panelocídio, figura que jamais foi contemplada por qualquer código penal. Fui o único jornalista no Brasil a denunciar a farsa. Sete entidades ligadas a indígenas, em representação ao MPF, pediram cinco anos de prisão para este que vos escreve. Claro que não levaram.
Os ianomâmis brasileiros são uma criação de Cláudia Andujar – fotógrafa que ora é suíça, ora é romena. Se o antropólogo Napoleon Chagnon constatou a existência de uma tribo de ianomâmis na Venezuela, a extensão desta etnia a territórios brasileiros está longe de ser uma evidência. O blefe do massacre de ianomâmis em 93 repousa sobre um blefe anterior, ou seja, a existência de uma tribo ianomâmi no Brasil. Quem faz esta denúncia é o coronel Carlos Alberto Lima Menna Barreto, em A Farsa Ianomâmi (Rio, Biblioteca do Exército Editora, 1995). Em função de seu ofício, o militar gaúcho trabalhou em Roraima desde 1969, onde teve estreito contato com a população da região e jamais ouviu falar em ianomâmis, palavra que invade a imprensa brasileira e internacional somente a partir de 1973.
Segundo Menna Barreto, "Manoel da Gama Lobo D’Almada, Alexandre Rodrigues Ferreira, os irmãos Richard e Robert Schomburgk, Philip von Martius, Alexander von Humboldt, João Barbosa Rodrigues, Henri Coudreau, Jahn Chaffanjon, Francisco Xavier de Araújo, Walter Brett, Theodor Koch-Grünberg, Hamilton Rice, Jacques Ourique, Cândido Rondon e milhares de exploradores anônimos que cruzaram, antes disso, os vales do Uraricoera e do Orenoco, jamais identificaram quaisquer índios com esse nome”.
Tampouco o leitor que hoje tenha 40 ou 50 anos jamais terá ouvido falar, em seus bancos escolares, da tal de tribo, que recebeu um território equivalente a três Bélgicas, como sendo suas “terras imemoriais”. Imemoriais desde quando? Desde há quatro décadas?
Claudia Andujar, em verdade, ianomamizou uma babel de tribos que pouco ou nada tinham a ver entre si. A ficção tomou força na imprensa internacional e os “ianomâmis” passaram a “existir”. Quando Brasília se deu conta de que o reconhecimento de grupos indígenas requeria capacitação em Antropologia, o mal já estava feito: a fotógrafa havia criado uma nação. Cabe lembrar que a profissão de antropólogo, como a de prostituta ou psicanalista, não estão regulamentadas por lei no Brasil.
Mesmo assim, em 1992, por um punhado de linhas na mídia internacional, o então presidente Fernando Collor de Mello avalizou a ficção de Andujar, entregando três Bélgicas a dez mil índios (ou talvez menos da metade disso), que só passaram a ser ianomâmis a partir de 1973. Milagre do jornalismo eletrônico: jamais se construiu uma nação em tão pouco tempo.
Li ontem (29/8) no jornalismo on line despacho da AFP, segundo o qual a Horonami Organización Yanomami (HOY), organização que reúne indígenas ianomâmi, denunciou a matança em julho passado de cerca de 80 membros desta etnia pelas mãos de mineiros ilegais brasileiros em uma zona florestal do sul da Venezuela. Quem informa é Luis Ahiwei, secretário-executivo da ONG.
"No dia 5 de julho, os garimpeiros queimaram o shabono (cabana) onde aproximadamente 80 pessoas moravam", contou Ahiwei. Segundo o ativista, com um helicóptero os mineiros "de repente se posicionaram em cima do shabono e soaram disparos e ocorreram explosões por toda a comunidade" Irotatheri, localizada no afastado setor Momoi do Estado Amazonas, fronteiriço com o Brasil.
"A comunidade foi massacrada e apenas três indígenas sobreviveram, que encontraram os corpos depois de voltarem de uma excursão de caça", afirmou. "O conflito se originou dias antes, quando os mineiros levaram uma mulher (ianomâmi) e os indígenas a resgataram. Por isso os mineiros se armaram", afirmou Ahiwei.
Curioso que, tendo o massacre ocorrido há quase dois meses, só agora foi anunciado. Segundo a denúncia do ativista, os oitenta ianomâmis foram queimados. Muito bem. Onde estão os oitenta cadáveres, ou pelo menos as fotos dos oitenta cadáveres? Os ianomâmis massacrados em 93 – que eram 19, se transformaram em 40 e chegaram a 73, para logo voltar a serem 19, sem que nenhum cadáver fosse descoberto – também foram queimados.
Para explicar a inexistência de cadáveres no "massacre" de 93, foi chamado de Paris o antropólogo Bruce Albert, que defendeu tese sobre os ianomâmis na universidade de Nanterre, intitulada Temps de sang, temps de cendres. Ou seja: tempo de sangue, tempo de cinzas. Para o antropólogo, não existiam vestígios do massacre porque os ianomâmis costumavam queimar seus mortos e suas crianças comiam as cinzas com mingau de banana:
"Nas grandes cerimônias funerárias intercomunitárias que irão organizar em homenagem aos mortos, as cinzas dos adultos serão enterradas junto às fogueiras domésticas de seus parentes e as das crianças serão tomadas com mingau de banana. Nessa ocasião, as cabaças, cestas e todos os objetos que pertenciam aos mortos serão queimados ou destruídos."
"A destruição dos pertences dos mortos, obliteração de seus nomes pessoais e o enterramento ou ingestão de suas cinzas nos rituais funerários dos ianomâmis têm por objetivo garantir que o espectro possa viajar definitivamente para o mundo dos mortos 'nas costas do Céu' sem a possibilidade de voltar e atormentar os vivos. Para que isto aconteça, é necessário que estes comemorem os seus mortos até que todas as cinzas acabem, durante sucessivas cerimônias mortuárias.
"É por isso que o povo de Haximu teve que resgatar os despojos de seus mortos, mesmo sob a forte ameaça de ataques garimpeiros. Não fazê-lo seria condenar os espectros a errar entre dois mundos, assombrando os vivos com uma interminável melancolia pior que a própria morte."
"O seu luto durará até as cinzas terminarem, quando então voltarão à normalidade. Mesmo assim, nunca esquecerão que os brancos são capazes de esquartejar mulheres e crianças, 'como espíritos comedores de gente'." 
O fecho de ouro do soneto bem poderia terminar com aquele C.Q.D. — Como Queríamos Demonstrar — que dava um nó de tope nas demonstrações de teoremas na escola dos anos 60. Não há cadáveres porque foram reduzidos a cinzas. As cinzas não podem ser examinadas porque são destruídas em ritos funerários. E os assassinos — ou seja, os garimpeiros em geral — devem ser impedidos de entrar em "território ianomâmi", aquelas três Belgicas inteiras entregues a dez mil bugres por força de pressões internacionais.
O denunciante do massacre em Irotatheri ainda não exibiu cadáveres. A história soa inverossímil. Por que garimpeiros matariam oitenta índios, quando tal morticínio seria uma óbvia condenação a todos eles? Onde estão os cadáveres? O massacre ocorreu há quase dois meses, tempo mais que suficiente para produzir fotos.
Quero cadáveres. Sem cadáveres, me reservo o direito à dúvida. Ou as criancinhas ianomâmis dos shabonos de Irotatheri também costumam comer as cinzas de seus ancestrais com mingau de banana?
Fonte:  Janer Cristaldo
.

domingo, 2 de setembro de 2012

Sobre Corrupções e Traições

por Carlos Chagas
A importância do julgamento do mensalão ofuscou, esta semana, escândalo de razoáveis proporções, denunciado da tribuna do Senado por Pedro Simon: PMDB, PSDB e PT entraram em conluio na CPI do Cachoeira para proibir que deputados e senadores, fazendo perguntas a Fernando Cavendish, aproveitassem para expor a participação do empreiteiro nas lambanças de Carlinhos Cachoeira.
Cavendish estava amparado por habeas-corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal para ficar calado durante o depoimento, mas as indagações que receberia serviriam, mesmo sem respostas, para mostrar seus malfeitos. O que fizeram o presidente e o relator da CPI?
Simplesmente proibiram as perguntas. Mais ainda, liberaram o depoente dois minutos depois de ter ele exibido a autorização da mais alta corte nacional de justiça para permanecer em silêncio.
Mas teve pior, disse Pedro Simon: PT, PSDB e PMDB, mancomunados, esvaziaram a sessão, não enviando seus líderes e, mesmo, seus representantes.
Um acordo havia sido celebrado entre eles para tornar completamente inócua a presença de Cavendish, que nem ao menos ouviu os questionamentos capazes de expor sua participação nas tramóias em exame.
Felizmente ainda existem senadores como o representante gaúcho, capaz de denunciar a nudez do rei, mesmo sendo seu súdito. Se o empreiteiro tinha o direito de não depor contra ele mesmo, em que lei estava escrito que os parlamentares não poderiam fazer suas perguntas, esmiuçando o escândalo?

Inspirações Bandidas
A gente não sabe direito o que faz a ABIN, sempre trabalhando em silêncio, mas seria bom se estivesse investigando quem anda inspirando as manifestações de tribos indígenas, recrudescidas esta semana. Ainda ontem peitaram o senador José Sarney, presidente do Senado, depois de haverem, na véspera, desfilado com tacapes e bordunas pela Praça dos Três Poderes.
Querem a revogação da Portaria 303 da Advocacia Geral da União, que garante a entrada das forças armadas nas reservas indígenas. Mais ainda, pressionam o Congresso para tornar efetiva a Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas, das Nações Unidas, que o Brasil assinou nos tempos do governo do sociólogo. Esse documento garante autonomia política, administrativa e econômica nas reservas indígenas, que hoje são 206 em todo o país. Quer dizer, logo um cacique com PhD em alguma universidade europeia fechará o território onde vivem seus parentes, declarando ser nação independente, elegendo-se presidente da República, rei ou imperador, desligado da União que a Constituição diz ser indissolúvel. É claro que quinze minutos depois assinará acordo de mútua proteção econômica e militar com algum governo do Velho Mundo. Ou, mais fácil ainda, com os Estados Unidos, tendo em vista a nova nação situar-se na Amazônia.
A denúncia dessa lambança foi feita esta semana pelo repórter Carlos Newton, no blog da Tribuna da Imprensa (postagem abaixo), mas não se registrou um único comentário por parte dos jornalões. Claro que por motivos óbvios...