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domingo, 31 de dezembro de 2017

O Indulto a Fujimori

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O Peru é uma sociedade dividida, e não há elementos de coesão à vista. Kuczynski já perdeu seu crédito. O indulto a Fujimori, de novo, deixa ver a dupla medida frente aos DD.HH.
Dezessete anos depois de sua renuncia à Presidência do Peru, Alberto Fujimori segue sendo o grande fator de divisão da sociedade em seu país.
Exerceu o cargo durante dois mandatos. Após o primeiro deles, donde passou de um desconhecido engenheiro agrônomo, solitário candidato e imprevisto triunfador contra Mario Vargas Llosa, foi reeleito em 1995 por ampla maioria. Havia logrado uma recuperação econômica e deixou à beira da extinção o grupo terrorista Sendero Luminoso, uma agrupação de extremistas de exacerbado instinto criminoso que mantinha em xeque à institucionalidade peruana.
Vladimiro Montesinos
ao centro
Sem dúvida, sua segunda administração, devorada pela corrupção, os abusos de poder, as violações aos direitos humanos e, sobretudo, a nefasta influência do chefe dos Serviços de Inteligencia, Vladimiro Montesinos, que corrompeu a praticamente toda classe política peruana, empurraram Fujimori a renunciar via fax desde o Japão, para onde viajou buscando eludir as responsabilidades judiciais que já se acercavam.
Em paralelo ao repudio de boa parte da opinião pública, das organizações defensoras dos direitos humanos e à vergonha que significou para o Peru a descoberta paulatina dos desaforos do regime Fujimori-Montesinos, se manifestava também uma corrente política que não escondia sua adesão às políticas executadas pelo ex-mandatário. Corrente que não só se manteve, e que nas eleições presidenciais do ano passado, liderada por Keiko Fujimori, esteve a ponto de regressar à Presidência. Não obtiveram o poder Executivo, mas sim o controle do Legislativo. Sua maioria no Congresso mantém o atual presidente, Pedro Pablo Kuczynski, em situação de ingovernabilidade e, finalmente, empurraram a que o Chefe de Estado cedera e descumprisse uma de suas promessas de campanha: que não indultaria a Alberto Fujimori.
O indulto ocorreu à noite, na véspera do Natal, esgrimindo razões humanitárias pelo mau estado de saúde do ex-presidente. Fujimori havia solicitado a graça presidencial na segunda semana de dezembro, enquanto no Congresso se preparava a abertura de um processo de declaração de afastamento presidencial contra Kuczynski pelos vínculos de uma empresa sua com Odebrecht na década passada, e que o presidente ocultou. Não foi cassado do cargo porque dez parlamentares fujimoristas, encabeçados por Kenji Fujimori, se abstiveram de votar. Horas depois, Kuczynski liberou Fujimori-pai da prisão. 
O presidente em exercício do Peru está fazendo todo o esforço por fazer ver sua decisão como tomada para proteger o interesse superior nacional. Ninguém acredita. É só política. É sua sobrevivência no cargo, assim, foi levado a sacrificar sua precária bancada no Congresso. Vários aliados anunciaram sua saída da coalizão governamental. 
Fujimori levava dez anos na prisão, condenado a 25, por delitos de lesa humanidade. Ontem (26/12) pediu perdão “aos compatriotas que ludibriei”. Pagou mais cadeia efetiva que a que pagarão, por exemplo, os que na Colômbia se verão beneficiados pelas normas da Jurisdição Especial de Paz. Aquele cometeu seus delitos desde o Governo, amparado na estrutura institucional do poder, o que lhe faz merecedor de um julgamento jurídico e moral mais severo. 
Seu caso, como outros tantos, revela também como a suposta proteção aos direitos humanos se subordina a interesses políticos, e também como alguns dos que dizem defender esses direitos humanos só se alarmam quando a impunidade ampara aos que não são de sua própria corrente ideológica. 
Fonte: tradução livre de El Colombiano
COMENTO: por aqui, também os interesses ideológicos, mais que os humanitários, fundamentam as decisões sobre indultos e anistias. A própria Lei de Anistia, de 1979, foi questionada mais de uma vez por incluir em seus beneficiários os agentes do Estado que combateram os terroristas criminosos de meados do Século passado. Enquanto autoridades se prestam a homenagear de diversas formas Gregório Bezerra, Marighella, Lamarca e outros criminosos sanguinários, heróis como o Coronel Ustra sofreram perseguição por meio de processos que os desgastaram e fizeram com que gastassem seus parcos recursos com advogados para se defenderem em processos sem fundamento, movidos com o único objetivo de os desgastarem. Mais recentemente, enquanto o ladrão condenado Paulo Maluf, capitalista e apoiador da "dita-mole", é recolhido ao xadrez - muito correta e tardiamente -, independente de sua idade avançada e seus problemas de saúde e o empresário Luis Estevão, outro capitalista explorador, cumpre sua pena sem tungir nem mugir; vemos outros condenados entrarem e saírem das celas (Garotinho et caterva; Genuíno, Zé Dirceu, Pizzolatto, mais recentemente, e outros), sem contar os que como o Cachaceiro Maldito que ainda não enfrentaram o xilindró, favorecidos por decisões unicamente justificadas pela simpatia ideológica. Na cadeia, mesmo, só o Vaccari porque não encontraram um meio de livrar sua cara e o abobado Marcos Valério, que acreditou que "alguém" livraria sua cara.
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domingo, 15 de outubro de 2017

Maduro: Mais Armadilha que Democracia

Maduro avisou que quem votar hoje, legitimará a Assembleia Constituinte. Esta, como se sabe, anulou as atribuições da Assembleia Nacional. Poderá fazer o mesmo com os governadores.
Foto: Reuters/Ricardo Moraes
Hoje (15 de outubro) ocorrerão eleições regionais na Venezuela, para eleger 23 Governadores de Estados. Durante as últimas décadas a convocação de eleições na América Latina tem sido uma festa democrática em boa parte dos países que durante décadas tiveram governos militares. Na Venezuela houve muitas jornadas eleitorais, particularmente no extenso regime chavista. As de hoje, não obstante, se afastam muito do significado que deveriam ter como expressão autentica e legítima de democracia participativa. 
Estas eleições deveriam ter sido celebradas em dezembro de 2016. Mas Nicolás Maduro as adiou mediante decreto, prevenido pelo triunfo da oposição na eleição do poder legislativo (Assembléia Nacional). Tão logo os movimentos de oposição assumiram o controle da Assembléia, seu Governo em conluio com o Conselho Nacional Eleitoral e o Tribunal Supremo de Justiça, violentaram as normas até o ponto de desalojar os deputados do Poder Legislativo e anular suas resoluções. Esses casos indicam o grau de manipulação a que está submetido o regime eleitoral venezuelano.
Por isso, ainda que as pesquisas que se podem fazer anunciem resultados contrários aos interesses do Governo, é ilusório pensar que as medições de opinião determinem o triunfo final, pois quem faz a contagem é que elege no final, e o poder eleitoral na Venezuela se subordina às ordens do poder presidencial. A célebre Tibisay Lucena, presidente do Conselho Eleitoral, é uma funcionária subalterna de Maduro e Diosdado Cabello, e é ela quem determina quem foi eleito para os governos estaduais.
Nada do que seria normal em um Estado de Direito - começando pela divisão de poderes e um sistema de de controles do exercício do poder - funciona na Venezuela. Lá tudo se sujeita aos interesses opacos da cúpula chavista e dos militares que os tutelam.
Além de todas estas anomalias democráticas, as eleições de hoje são apresentadas como uma verdadeira armadilha para os movimentos de oposição. Depois de semanas de manifestações diárias nas ruas e de sofrer uma violência oficial que deixou mais de uma centena de mortos, o chavismo conseguiu o que tanto se temia: dividir a oposição.
Depois de impor uma Assembléia Nacional Constituinte que usurpou as funções do Legislativo, e de acrescentar que quem votar neste domingo estará reconhecendo essa Constituinte - e que os eleitos deverão comprometer-se a acatar tal Assembléia - a oposição está no dilema entre participar, e portanto, reconhecer o sistema, ou abster-se e deixar o caminho totalmente livre para o chavismo.
A comunidade internacional, sem deixar de manifestar tímidamente seu incômodo com os atropelos autocráticos do chavismo, pede aos venezuelanos que votem. Entre as duas opções, votar ou omitir-se, para o resgate da democracia na Venezuela evidentemente é mais eficaz comparecer às urnas. Mesmo assim, a pureza do sufrágio e a transparência na contagem e escrutínios será mais que remota. Porém, a mobilização do voto em favor das liberdades e contra os déspotas pode consolidar os cimentos da heróica luta da oposição venezuelana.
Fonte: tradução livre de El Colombiano
Comento:  ao final, temos que os canalhas do Foro de São Paulo estão tendo sucesso em manipular a população e os mecanismos de defesa da democracia na Venezuela.  Devemos ficar atentos para a implantação dos princípios estratégicos que levaram a esse desastre para a liberdade dos venezuelanos e que faz tempo são tentados no Brasil. De um deles fazem parte as contínuas "campanhas" pelo "voto nulo" e pela abstenção nas eleições, sob o argumento de que "não há candidato que valha a pena". Outra estratégia é reivindicar que o ato de votar deixe de ser obrigatório. São estratégias que favorecem os partidos com forte militância, notadamente os de bandeiras socialistas/comunistas. A não obrigatoriedade de comparecimento às eleições, ou o deixar de votar contra essas entidades e seus candidatos, faz com que a parte do seu eleitorado, mesmo sendo minoria, eleja seus candidatos em função da omissão dos seus oponentes. Acredite, entre os canalhas há muita gente inteligente. E nunca esqueça o velho ditado castelhano: "o diabo é mais diabo por velho que por diabo"!

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Liberação de Armas Aumenta a Violência?

Como o Paraguai destrói toda a argumentação desarmamentista usada no Brasil

Quando usamos EUA, Suíça e Finlândia como exemplos de países muito mais armados do que o Brasil, onde a legislação para posse e porte de armas é bastante liberal e a taxa de homicídio é muito menor do que a brasileira, a crítica recorrente é que não podemos comparar países desenvolvidos com o Brasil. Podemos sim! Essa comparação prova que o “fator arma” não é a variável responsável pelos crime. Mas, uma legislação menos restritiva em um país pobre e menos desenvolvido como o Brasil seria um problema ou não? O exemplo paraguaio pode nos responder isso.
Quando falamos em Paraguai, os brasileiros fazem quase sempre a imediata associação com à Ciudad Del Este, tráfico de drogas e armas, contrabando e falsificações. Essa é a imagem que foi criada e repassada para nós durante décadas. Outra associação quase imediata é o oba-oba no que diz respeito às armas. Um pais sem lei onde qualquer um compra armas e, não raramente, essas armas vão abastecer o mercado ilegal brasileiro. … Será mesmo?
Comecemos falando de armas. A legislação paraguaia é realmente uma das menos restritivas da América do Sul, muito semelhante à brasileira antes do malfadado Estatuto do Desarmamento. Qualquer cidadão paraguaio para comprar uma arma, bastando apresentar cópia de identidade, certidão de antecedentes criminais (uma única, emitida pela Policia Nacional) e realizar um teste técnico de conhecimento básico. O trâmite demora em torno de 10 a 15 dias e não há qualquer discricionariedade envolvida. Não há limite de quantidade de armas. Não há restrição de calibres e, apresentando o registro da arma, o cidadão pode comprar quanta munição seu dinheiro permitir. A idade mínima é de 21 anos. O porte requer um laudo psicológico e o preenchimento de uma requisição. O cidadão pode ter o porte para duas armas, sendo ambas curtas ou uma curta e uma longa. Sim, você pode portar uma espingarda calibre 12 ou um fuzil em calibre .308. A anistia para armas irregulares é permanente e basta que o cidadão requeira o registro após o pagamento de uma pequena “multa”.
Evolução do índice de homicídios no Brasil desarmamentista
E a criminalidade? Bom, em 2002 o Paraguai enfrentou a sua mais alta taxa de homicídios: 24,63 homicídios por 100 mil habitantes. Hoje, o país tem a terceira menor taxa de homicídios (7,98) da América do Sul, perdendo apenas para o Chile (2,97) e o Uruguai (7,81). Lembrando que o Uruguai é o pais mais armado da América Latina.
Evolução do índice de homicídios no Paraguai armamentista
Essa taxa seria ainda menor se eles não fossem vizinhos do … Brasil! Sim, é na fronteira com o Brasil que as taxas de homicídios explodem e jogam para cima as taxas nacionais. Na faixa fronteiriça com o Brasil os números assustam. São 66 homicídios por 100 mil habitantes. 
Vizinho problema. 
E esse vizinho problema, com sua fracassada política desarmamentista, também causou estragos na liberdade à posse de armas naquele país. Foi graças às enormes pressões comerciais e políticas brasileiras, vidas pelas mãos do Ministério da Justiça, que o governo paraguaio acabou, em 2010, aceitando restringir a venda de armas “de assalto”. Hoje não é mais possível comprar legalmente armas como AR-15 ou AK-47, mesmo no diminuto calibre .22LR. Enquanto isso, contrabandistas internacionais continuam inundando nossos criminosos com esse tipo de armamento. De nada, amigos paraguaios!
Paraguai – Índice de homicídios por região
O Paraguai ainda possui uma das economias mais frágeis da América do Sul, com um IDH de 0,676, considerado médio e bem abaixo do Brasil. Mais de 30% da sua população está situada abaixo da linha da pobreza e sua taxa de desemprego é de quase 7%, o que enterra, mais uma vez, a ideia que o desenvolvimento humano e econômico é um fator decisivo para a redução da criminalidade. O vizinho Paraguai também vai vencendo o Brasil na economia, que melhora ano após ano desde 2010. Independente da evolução econômica, os homicídios estão em queda no Paraguai desde 2003.
Mas como o Paraguai conseguiu reduzir a criminalidade? Pode parecer difícil de acreditar para a maioria dos nossos políticos, mas foi combatendo … o crime! Integração das instituições policiais e judiciárias, investimentos nas polícias e, principalmente, a criação de uma força tarefa para fazer cumprir milhares de mandados de prisão. Enquanto isso, o Brasil segue brincando de segurança pública, impondo o desarmamento civil e assistindo milhares de assassinatos todos os anos. É 7 a 1 todo dia. E, se bobear, esse gol para o Brasil foi dado de lambuja pelo adversário.
Bene Barbosa é Presidente do Movimento Viva Brasil,
e especialista em segurança pública
Fonte:  ILISP
COMENTO:  este é um texto de 2016, mas seu tema é extremamente atual. Encontrei-o pesquisando sobre a violência no Paraguai, país vizinho onde acreditamos que há muita criminalidade e ao qual creditamos - injustamente - boa parte de nossos problemas de violência. Os números não mentem, os canalhas que empoleiramos nos cargos de governantes sim! A violência não é fruto da maior ou menor disponibilidade de armas. No Brasil, a violência é resultado da impunidade, das políticas de vitimização dos bandidos e do esforço dos canalhas em impedir a construção de mais presídios para que as punições aos criminosos sejam efetivas!

sexta-feira, 21 de abril de 2017

O Caso da Sexta-Feira Santa - Donald Trump Encontra Ex-presidentes Colombianos

Editorial
ILUSTRAÇÃO MORPHART
O encontro mantido na Sexta-Feira Santa (14 Abr 17) pelos ex Presidentes colombianos Andrés Pastrana e Álvaro Uribe com Donald Trump, em um clube privado de propriedade deste último na Flórida, tem gerado todo tipo de especulações, encontrando terreno propício para a "rumorologia" por não se saber do que falaram, em que termos nem o caráter de dito encontro.
Só o que se sabe são as sucintas linhas do ex-presidente Pastrana em seu Twitter: "Grato, Donald Trump, pela cordial e muito franca conversação sobre problemas e perspectivas da Colômbia e a região". O ex-presidente Uribe limitou-se a dizer que foi um encontro social "organizado por terceiros". CNN em Espanhol assegurava ontem (16 Abr 17) que se tratou apenas de uma saudação muito breve, em um corredor.
O certo é que esta notícia pegou o Governo colombiano de surpresa, deixando-o confuso.  Apenas ontem, porta-vozes como o novo Secretário-Geral da Presidência, Alfonso Prada, ou o Vice-presidente Óscar Naranjo, saíram a manifestar suas preocupações pelo que possam ter falado sobre a Colômbia e o governo de Juan Manuel Santos.
A pergunta é se é ético ou não por parte dos dois ex chefes de Estado reunirem-se com o Presidente daquela potência mundial antes mesmo do governante em exercício. Ou que manifestem opiniões sobre fatos políticos de seu país. Mas a resposta a esses questionamentos estará forçosamente sujeita a saber o que foi falado, e como.
A todos os presidentes incomoda sempre que líderes políticos vão ao exterior a formular críticas contra eles ou contra suas políticas. A tal ponto vai essa sensibilidade que as críticas feitas desde fora são consideradas como ataques contra a própria Pátria. Mas no mundo de hoje são poucas as nações que podem impedir que seus líderes (políticos, empresariais, de opinião) possam manifestar no estrangeiro, livremente, suas análises sobre o que se passa em sua terra.
O mesmo Juan Manuel Santos tem experiências, como quando durante o governo de Ernesto Samper (1994-1998) falou com líderes internacionais, entre eles Felipe González, na Espanha, para conseguir uma transição de poder mediante a renúncia do então questionado mandatário.
Muitos outros políticos agiram igual, e no governo de Álvaro Uribe os dirigentes de esquerda foram especialmente ativos em sua diplomacia paralela, tanto nos Estados Unidos como na Europa e América Latina.
O que se questiona agora é que quem faz isso são dois ex-Presidentes, que por sua trajetória e experiência sabem que em política internacional se deve guardar uma série de consensos mínimos e de reconhecimento dos poderes do Chefe de Estado para conduzir as relações exteriores.
Todavia, os ex-presidentes Pastrana e Uribe, até onde se sabe, não assumiram representação internacional para este encontro com Trump, portanto, não se pode falar em usurpação de funções em política exterior. Ainda que seja evidente que, se o fato acontecesse durante seus governos, haveriam de manifestar total contrariedade.
Também deve ser considerado o "estilo Trump". Que certamente tem conduzido sem muitos cuidados as formalidades e protocolos da diplomacia tradicional, a que se sujeita a Chancelaria colombiana. Ele não considerou anormal receber os dois ex-presidentes sem ter feito o mesmo com Santos. Não é Colômbia a única que pode mostrar sua discordância pela forma como o novo presidente dos EUA maneja as relações com quase todos os demais países, sejam ou não do chamado "terceiro mundo".
Fonte: tradução livre de El Colombiano
COMENTO: na mesma edição do periódico, Juan David Garcia Ramírez, analista de Política Internacional e Professor da UPB (Universidade Pontifícia Bolivariana) defende que "o encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump e os ex-presidentes Álvaro Uribe e Andrés Pastrana, não só foi necessário, como também desejável, uma vez que são os representantes da oposição política ao governo de Juan Manuel Santos, que somente mostraria a Trump as bondades e aspectos positivos dos acordos com as FARC, enquanto que uma visão crítica e realista dos mesmos, de suas implicações para a estabilidade do país, como também da dramática situação por que atravessa a Venezuela e os perigos que a ditadura chavista comporta para a região, permitirão a Trump tomar decisões concretas e acertadas a respeito da América Latina.
Em absoluto esse encontro constitui uma substituição dos canais diplomáticos, pelo contrário, é a oportunidade para que se tenha em conta as preocupações dos líderes da oposição, que em última análise representam uma parte muito importante da cidadania e estão plenamente legitimados para expressar seus pontos de vista."
Esse é o padrão de discussão política em um país onde seus cidadão estão atentos ao seu futuro. Onde futebol e novelas são apreciados como diversão e não como coisas imprescindíveis e os políticos de oposição procuram agir em consonância com os interesses da população e não somente de acordo com os interesses partidários e particulares.
Enquanto os colombianos discutem o relacionamento com quem determina a política da maior potência mundial (econômica e militar, gostem ou não), abaixo da linha do Equador, a diplomacia se preocupa com a recusa da visita papal.
Falta muito para que a junção da maior extensão territorial da América Latina e o povo que a habita possa ser considerada um País, uma Nação.
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sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Daniel Ortega Retoma o Rumo Ditatorial na Nicaragua

por Daniel Armirola Ricaurte
Restam somente dois opositores em um Legislativo (Assembléia Nacional) de 92 Deputados na Nicarágua. O fato, que parece ter saído da obra "O Outono do Patriarca" onde Gabriel Garcia Márquez aborda a solidão do poder encarnada em um ditador, da uma mostra do que atualmente ocorre naquele país. 
Daniel Ortega não se cansa de acumular controles sobre as Instituições que um povo tão golpeado historicamente como o nicaraguense vem tendo tanto trabalho para construir.  No último 30 de julho, foi a vez do pouco que restava de democrático no Poder Legislativo.
Naquele dia, o Tribunal Eleitoral da Nicarágua despojou de seus assentos os 27 Deputados do Partido Liberal Independente (PLI), a principal força de oposição ao mandatário, e que estava sob controle do mais conhecido líder da oposição, Eduardo Montealegre.
Precisamente ante as próximas eleições presidenciais de novembro, a Corte Suprema — apontada como sob controle de Ortega, por decisões como a de 21 de outubro de 2009, a qual permitiu que ele se reelegesse, ao declarar inaplicável o artigo 147 da Constituição nicaraguense, que proíbe a reeleição contínua —, já havia afastado Montealegre da liderança do partido em 8 de junho.
Com aquela decisão, a justiça nicaraguense deixou a oposição sem um candidato para participar das eleições presidenciais. Mas isto não é tudo! Em 15 de junho, a mesma corte impediu outro líder opositor, Luis Callejas, de candidatar-se às eleições.
"Hoje, Daniel Ortega está fechando as portas da via eleitoral na Nicarágua. Hoje, ele roubou do povo seu direito de votar livremente, assim como, antes, roubou seu voto mediante fraudes eleitorais", expressou Montealegre, ante a reiterada perseguição.

¿Um salto para o passado? 
Agora, com a decisão de 30 de julho do Tribunal Eleitoral, somente dois deputados opositores, do Partido Liberal Constitucionalista, permanecem a postos, ainda que certamente sua influência seja mínima.
Enquanto isso, Ortega começa a recordar aos nicaraguenses como age uma ditadura dinástica de direita, a da família Somoza. Nomeou a sua esposa, Rosario Murillo, como candidata a vice-presidente na chapa em que concorrerá à reeleição.
Desde os anos 30 e até finais dos anos 70, quando triunfou a "revolução sandinista", os ditadores do clã Somoza repartiam o poder entre seus familiares como se fosse um presente. Por ironias da história, um personagem de esquerda, filho da "revolução", agora se comporta como aquela tirania familiar.
"Para os nicaraguenses, que crescemos sob a sombra de uma ditadura dinástica, batizada por meu pai como "a estirpe sangrenta dos Somoza", a nomeação da esposa de um governante autoritário como candidata a vice-presidente, tem a ressonância inevitável de um passado funesto. Com Daniel Ortega e Rosario Murillo, a roda da história está voltando a um ponto de partida que acreditávamos ter enterrado", escreve o jornalista Carlos Chamorro ao iniciar um artigo sobre a situação atual de sua nação, publicado no El País (Espanha)
Em entrevista ao El Colombiano, Cairo Manuel López, ex-presidente da Assembléia Nacional (1990-1997) e docente da Universidade Centroamericana, considerou que outra similitude com o passado nefasto do país poderia começar se ele continuar por esse caminho: o confronto.
"Se não ocorrer um processo democrático transparente nas próximas eleições, o ambiente seguirá se tensionando na Nicarágua. Mais ainda, dadas as previsões, a nação entraria em uma crise econômica em 2017. Algo que poderia afiançar a crise social que começa a apresentar-se atualmente", advertiu.
Desde há mais de dez anos, o próprio sandinismo já começava a mostrar suas reservas ante um Ortega que elimina todo indício de oposição. Apesar de proibidos, esses setores da esquerda mantém sua mobilização nas ruas e se esforçam para que Ortega não degenere o país a um cenário igual ao que já se viu com Somoza.
"Não há em quem votar, nem porque votar", disse na quinta-feira (4/8/16) durante uma marcha em Manágua, a ex guerrilheira Dora Maria Tellez, fundadora do Movimento Renovador Sandinista (MRS), que teve seu registro cancelado pela justiça eleitoral antes das eleições municipais de 2008. 
"Já não há um processo eleitoral, o que há é uma fraude que Daniel Ortega cometeu. Ele já nos roubou as eleições", acrescentou à EFE.

Sinal já visto na A.L.
O autoritarismo, a obsessão pelo poder, a acumulação de todas as prerrogativas em uma só pessoa, a perseguição aos opositores, entre outros comportamentos, são sinais que para Juan David Escobar, diretor do Centro de Pensamento Estratégico da Universidade EAFIT, estão se reiterando nos últimos anos na América Latina, em especial com governos do denominado "Socialismo do Século XXI".
"O que Ortega está fazendo com a Nicarágua era previsível por duas coisas: sua formação ideológica, em primeiro lugar. Suas ideias sobre gestão pública, obviamente, vem de uma corrente comunista, que vê a democracia como um adjetivo, ao invés de algo real. Por último, não surpreende isso de querer perpetuar-se no poder. É parte do script já visto nos casos de Hugo Chávez, Nicolás Maduro, Evo Morales e Rafael Correa", argumentou. 
"Creio que também há um elemento pessoal nesse autoritarismo que se vê na Nicarágua. Ortega deve ver a si mesmo como o salvador da nação. Se fosse somente uma pessoa que pensasse fazer uma boa gestão pública, teria desistido do poder depois do fracasso de seu primeiro governo (1985-1990), não só por ter destroçado o país com suas políticas, além de ter sido acusado por corrupção e de abuso sexual contra sua enteada", acrescentou.
"Porém, seu ego é tão grande que disse, depois de tudo isso 'o problema não é comigo, e inclusive eu sou a solução'", concluiu Escobar. 

A estratégia 
¿Como  Ortega subjugou os diversos setores para, gradualmente, acumular o poder que hoje ostenta em excesso e que já mostra tendências ditatoriais? Desde Manágua, Cairo López deu a resposta: 
"Por um lado houve a falta de transparência do Conselho Supremo Eleitoral nas eleições anteriores (2012).  E a Frente Sandinista havia cooptado o poder Judiciário em um acordo com o Partido Liberal Constitucionalista (PLC). De modo que pouco a pouco Ortega foi restringindo o quadro democrático na Nicarágua controlando os demais poderes do Estado".
"Porém se deve acrescentar a importância da sujeição da Polícia Nacional, a negociação com atores relevantes no país, como a Igreja Católica — o Cardeal Miguel Obando aparece em todos os atos políticos de Ortega —, e setores do empresariado privado. Estes últimos tem obtido altas posições em agências do Estado e estão substituindo o papel tradicional dos partidos".

Resposta internacional 
¿Frente a esse comportamento ditatorial que mostra Ortega, pode a América Latina atuar em defesa dos valores democráticos? Especialistas não se poem de acordo.
Para Escobar, "uma reação internacional se torna muito difícil porque Nicarágua responderá que o povo pode votar e há Instituições. São temas sensíveis que ninguém quer tratar na região, portanto, haverá críticas mas não muito espaço para fazer pressão. A única opção é que, como na Guatemala, se forme um movimento cidadão que busque mudanças". 
Para López, entretanto, "só o fato da mídia mundial informar sobre essa situação, significa que se poderá fazer maior pressão externa para que a Nicarágua retome o caminho democrático que havia adotado em 1990".

ORTEGA Desconfia do Sandinismo
A candidatura da primeira dama, Rosario Murillo, à Vice presidência da Nicarágua  por decisão de seu marido e candidato à reeleição, Daniel Ortega, é por “desconfiança” e “medo” a outros quadros do oficialismo, disse a EFE um ex deputado opositor. A postulação de Murillo, que exerce 50% do poder na Nicarágua, também por decisão de Ortega, criará também grandes problemas internos no país. A dinastia volta a ressurgir com força”, declarou à EFE o dissidente sandinista Víctor Hugo Tinoco.
CONTEXTO DA NOTICIA
CRONOLOGIA - Ortega Degenera o Sandinismo
1961 Carlos Fonseca, Santos López, Tomás Borge, Germán Pomares e Silvio Mayorga criam a Frente Sandinista de Libertação Nacional, seguidora do líder Augusto C. Sandino, o qual susteve uma guerra de guerrilhas contra a intervenção dos EUA e foi assassinado em 1934.
Janeiro de 1985, Ortega toma posse no seu
primeiro governo, marcado por escândalos. 
1974 Membros da família Somoza governaram em forma dinástica; impondo governantes fantoches, desde 1934, acumulando uma das maiores fortunas do continente. A Frente Sandinista sofreu dificuldades desde 1961, mas em 1974 começou a se recuperar.
1979 Após uma longa luta sustentada contra o Estado, a Frente Sandinista logrou derrotar a ditadura de Anastásio Somoza Debayle e a dinastia da família Somoza. Foi estabelecido um governo revolucionário e o sandinismo governou até o ano 1990, apesar das ações violentas dos “Contra”.
1990 Depois de um governo marcado por escândalos de corrupção, Ortega entrega o cargo máximo à centro-direitista Violeta Chamorro após a derrota da Frente Sandinista nas eleições. Inicia uma era de governos de direita que terminará em 2006, enquanto o sandinismo enfrenta choques internos.
2007 Na época das eleições de 4 Nov 2006, só restavam no seio da FSLN três dos nove comandantes da Direção Nacional dos tempos da revolução. Ortega havia exercido uma liderança impositiva que o levou de novo ao poder, porém não pretendia parar por aí.

Alguns dados: 
62,4% da votação, foi o que obteve a Frente Sandinista de Ortega nas eleições de 2012.
425 milhões de dólares foi o que a Nicarágua pagou à Venezuela em 2015 por importar petróleo.
16 anos foi o tempo em que esteve Anastásio Somoza no poder, tempo que Ortega poderá superar.
25% foi a redução, no ano passado na exportação de alimentos da Nicarágua para a Venezuela.
Sete vezes  Ortega postulou a Presidência: 1984, 1990, 1996, 2001, 2006, 2011 e 2016.
Fonte:   tradução livre de El Colombiano
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quinta-feira, 16 de junho de 2016

Governos "de Esquerda" em Queda Livre

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Há uma estória sobre um encontro entre Albert Einstein e Charles Chaplin, tendo este dito ao primeiro:
- O que mais admiro em sua arte é que tu não dizes uma só palavra e, sem dúvida, todo mundo te entende.
E Chaplin respondeu:
- Certo, mas a sua glória é maior, pois o mundo inteiro te admira, mesmo sem entender uma palavra sequer do que dizes.
Não necessitamos ler o que escreve o ex guerrilheiro León Valencia, com quem me encontrei nesta semana no Salão Versailles, para nos darmos conta de que os governos de esquerda na América do Sul estão sendo derrotados. (Revista Semana - Edição 1779, pag 66)
Reconhece o articulista que a esquerda fracassou no Brasil, com os escândalos de Dilma Rousseff e ainda que trate de defender Luiz Inácio Lula da Silva, afirma que a esquerda não conseguiu converter a riqueza nacional dos países sob seu mando, em riqueza produtiva. Argentina, com os Kichner; Venezuela com Chavez e Maduro; Chile com Bachelet, ainda que em menor grau; Bolívia com Evo Morales e agora Peru com o triunfo da direita.
Ainda que se diga que o pêndulo da democracia, com seu ir e vir, traz um alívio de rodízio nos países que a praticam, o certo é que a esquerda se deixa manejar pela corrupção para eternizar-se em seus mandatos e foi nisso que caíram os governos mencionados. Com a exceção do Peru, onde não se pode entender pois, Fujimore, sem o nefasto Montecinos, conseguiu fazer um governo de direita com excelentes resultados, como foi o acabar com a tenebrosa e assassina guerrilha do "Sendero Luminoso"
Vejamos os alcaldes (prefeitos) de esquerda em Bogotá; quando começaram as administrações do Polo Democrático, coligação formada pelo Partido Comunista, MOIR (Movimiento Obrero Independiente y Revolucionario), M 19 e outras "ervas". Desde os escândalos de Samuel Moreno, passando por Lucho Garzón, até os desastres de Petro, com seu lixo contaminante nas ruas, manejados depois pela Empresa de Aqueduto, os contratos dos Nule que vinham desde Samuel e a incapacidade de uma administração regida pelo ex guerrilheiro de esquerda, Petro, para manejar o que agora se descobriu com a concentração de delinquentes de todo tipo no bairro Bronx. Assassinatos, desaparecimentos, torturas, narcotráfico, tráfico de pessoas, prostituição infantil, sequestros extorsivos e até maus tratos a animais indefesos. Corrupção oficial em várias instituições. ¿E o que fez o alcalde (prefeito) em quatro anos? Nos escapamos de dona Clara López.
Peñalosa e sua equipe em cinco meses destampou a panela. Os alcaldes esquerdistas não serviram para Bogotá.
INHAPA: “A justiça social” de Juan Manuel Santos e seu Ministro de Fazenda se nota ao não cumprir a promessa de diminuir o aporte de saúde dos aposentados de 12 para 4%, como prometeu em sua campanha. Agora propõem ao Congresso gravar as pensões com mais 11% de retenção na fonte, o que somará uns 23% a menos [nos rendimentos]. Professores sem saúde, indígenas e camponeses enganados, transportadores desatendidos em suas petições, aposentados com suas pensões rebaixadas por retenções de saúde e impostos. ¿O que mais queres Juan Manuel?
Raul Tamayo Gaviria é ex-Senador colombiano,
 simpatizante declarado das Auto Defesas Unidas da Colômbia.
Fonte:  tradução livre de El Colombiano
COMENTO:  pelo que se vê, a incompetência e o cooptação das camadas mais simples da população por meio de promessas não cumpridas e engambelações não é privilégio dos pilantras tupiniquins fantasiados de "esquerdistas". O "procedimento padrão" desses canalhas é tão homogêneo que parece ser uma das orientações do Foro de São Paulo: assumem o governo - em qualquer nível - e passam a destruir todos os recursos que estiverem ao seu alcance (inclusive fazendo empréstimos a longo prazo). Ao serem apeados do poder, deixam um panorama de "terra arrasada" a ser corrigido por seus substitutos, enquanto eles, os pulhas, se põem a esbravejar sobre a "incapacidade de seus sucessores" em dar continuidade aos seus "avanços sociais"!

sábado, 11 de junho de 2016

As Derrotas da Esquerda na América do Sul

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Está feliz a direita na região. A esquerda está perdendo eleições ou está sendo desalojada do poder. No Brasil e na Venezuela ocorrem situações mais dramáticas. Na Argentina também ocorreu uma angustiosa batalha política. No Peru, a esquerda sequer conseguiu chegar ao segundo turno e neste domingo (5/6/2016) tem que se contentar em apoiar um notável expoente da direita para tentar atrapalhar a filha de Fujimori. No Equador e na Bolívia, o panorama para as próximas eleições não é alentador.
Imagem da Internet
Os dirigentes das forças derrotadas ou acossadas apelam para uma explicação: trata-se de uma conspiração da direita com alguma ajuda de forças externas. Seus rivais tem outra explicação: é a ineficácia, a má gestão e a incapacidade para governar esses países que estão no caminho do desenvolvimento.
É certo que em alguns deles a direita está urdindo as mais obscuras intrigas para tomar o poder. No Brasil isto é evidente. O julgamento a que está sendo submetida Dilma Rousseff é um baile a fantasia, tramado por uma aliança entre as forças mais corruptas, com o propósito de tirá-la do governo. É certo, também, como afirma a direita, que em alguns casos há uma desastrosa administração dos recursos.
Porém, as duas explicações são insuficientes. Me atrevo a dizer que no fundo da crise que vive a esquerda há três causas: nenhum dos partidos ou movimentos dessa corrente política conseguiu forjar um projeto economicamente viável; nenhum logrou afastar os inegáveis focos de corrupção; e a fadiga dos cidadãos com sua prolongação indefinida dos mandatos está afetando a todos.
O Partido dos Trabalhadores e Luiz Inácio Lula da Silva conseguiram criar a mentira de um modelo econômico que distribuía riqueza ao mesmo tempo em que produzia um desenvolvimento imenso. Em seus dois mandatos Lula dizia ter tirado 30 milhões de brasileiros da pobreza, produzindo uma grande transformação econômica. Porém, a verdade em forma de crise chegou e a ilusão se desvaneceu. O combate à iniquidade e à pobreza não tinham uma base estável, tampouco o crescimento econômico.
A esquerda não encontrou o caminho para converter a riqueza natural dos países da região em riqueza produtiva. E esse é o grande desafio. A orientação da esquerda, com variações de matizes de um lugar a outro, tem sido a de extrair rendas da terra e distribuí-las por meio de programas assistencialistas. Isto não é, claro, condenável. Mostra um espírito de justiça que não pode ser abandonado. Porém já está bem demonstrado que isto não produz novas economias. A Venezuela é o exemplo mais palpável.
Por outro lado, a corrupção bateu fortemente às portas da esquerda. Depois de haver fustigado durante décadas a direita no poder pelo abuso na utilização dos recursos, esta corrente política teve que admitir que ela também, uma vez acomodada no poder local ou nacional, pode expor-se a cair em graves escândalos de corrupção. Nenhum dos governos escapou de algum surto. O menor deles pode ser o que afetou a família de Michelle Bachelet, mas dado à aura que rodeou essa líder chilena, as denúncias tiveram um grande efeito em seu mandato.
Além dos fracassos econômicos e dos buracos negros na transparência, está o cansaço dos cidadãos com a prorrogação dos mandatos. Há uma lei da democracia contra a qual é inútil lutar: o ir e vir do pêndulo político. A esquerda latino americana ainda não se deu conta disso.
Nos países de competição política aberta, com regras institucionais estáveis, com equilíbrio de poderes, é impossível que uma corrente permaneça no poder por tempo indefinido. Mesmo que os governos tenham muitas coisas favoráveis, os cidadãos se cansam de ver sempre os mesmos governantes. Aguentam dois, com alguma dificuldade, três mandatos. Porém o quarto mandato se torna em pesadelo. A situação se agrava quando, além de tudo, há que mudar as regras do jogo para obter essa continuidade no poder. O caso boliviano é bem ilustrativo. Um presidente popular como Evo Morales acaba de perder o referendo para prolongar seu mandato.
Conversando com meus amigos de esquerda me dei conta de que muitos tomam as derrotas da esquerda como uma verdadeira tragédia, como se fosse uma perda definitiva. A direita também alimenta a ideia de que os governos de esquerda nunca mais voltarão.
Contudo, em uma verdadeira democracia, passar à oposição não é uma tragédia; é, por assim dizer, um fato inerente ao jogo político. Mais ainda, pode ser uma bênção. Para alguns casos na América Latina, certamente o é. A alguns partidos e líderes políticos é conveniente um tempo de reflexão sobre novas alternativas econômicas; um tempo de depuração em seus quadros para prevenir a corrupção; um tempo nas ruas e fazendo críticas, para aspirar, de novo, conduzir esses países tão complexos em sua adolescência democrática.
Fonte:  tradução livre de Semana
COMENTO: o autor do texto acima, León Valencia Agudelo, é um jornalista colombiano que foi guerrilheiro até 1994, quando houve um acordo de paz com o Grupo de Renovación Socialista, uma dissidência do Exército de Libertação Nacional (ELN), da qual ele fazia parte. Publico seu texto para que vejamos que a queda dos incompetentes comuno/socialistas na América Latina já é um fenômeno reconhecido não só no Brasil. Felizmente, está acabando a paciência da "maioria silenciosa" para com esses bostas, desonestos e incompetentes seguidores dos ditames do Foro de São Paulo.
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quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

¿Retrocede a Esquerda na América Latina?

por Diana Carolina Jiménez
Em novembro passado, os argentinos elegeram Presidente um empresário "de direita" que enfrentou o candidato designado pela presidente Cristina Fernandez, e o Congresso no Brasil iniciou uma investigação para determinar se submete a julgamento político a Presidente Dilma Rousseff, cujos índices de aprovação nas pesquisas permanecem perto de 10 por cento.
No que constitui, talvez, a reviravolta mais importante, o eleitorado venezuelano, onde começou o giro à esquerda da região, entregou a vitória à oposição, por uma margem esmagadora nas eleições legislativas, pela primeira vez desde que o "anti yanqui" Hugo Chavez ganhou a Presidência em 1988.
A reação se produz em meio a uma tormenta econômica que não se via há décadas. Todas as dinastias políticas estão pagando o custo de ter economias em quebra e uma corrupção desenfreada, e os analistas ressaltam que a maioria desses governos em mãos de esquerdistas assumiram quando a economia da China iniciava uma época de forte crescimento nos últimos 15 anos, demandando matérias primas da região.
Agora, que o colosso asiático enfrenta problemas, os preços do cobre, da soja e do petróleo caíram, arrastando as moedas e, com elas, as aspirações de milhões de famílias que ascenderam à classe média surfando na crista daquele "boom".
Ao mesmo tempo, as taxas de juros nos Estados Unidos estão aumentando pela primeira vez em sete anos, o que se soma à pressão sobre as entidades endividadas em dólares.
"No fundo, estamos vendo na América do Sul, de forma geral, um lembrete de que o pêndulo político se move" disse o Senador Antonio Navarro Wolff, ex dirigente da guerrilha esquerdista M-19. "Na última década parecia não mover-se porque a situação econômica era muito favorável".
Sem dúvidas, especialistas consideram que seria um erro dizer que a esquerda tenha perdido toda sua força. O movimento peronista, do qual surgiu Cristina Fernández, conserva a maioria no Senado argentino; o Partido dos Trabalhadores de Rousseff segue sendo a agrupação política mais poderosa do Brasil e os aliados de Maduro obtiveram 33% dos votos, apesar dos prognósticos de uma contração econômica que poderia chegar aos 10%.
Outros esquerdistas obstinados ainda pisam firme, como o equatoriano Rafael Correa, com um índice de aprovação de 41% apesar de sua economia dependente do petróleo se esforçar para não cair em recessão.
Uma possível explicação: em lugar do ressurgimento das direitas, poderá existir uma divisão entre pragmáticos e ideólogos, diz Chistopher Sabatini, um especialista na região e professor na Universidade de Colúmbia.
Até mesmo a Cuba socialista, que há décadas serve como pedra angular da esquerda latino americana, olha para o norte e se esforça para superar meio século de desconfianças da potência norte americana.
Os primeiros sinais de mudança apareceram na posse de Macri. Enquanto que uma amargada Cristina e Maduro brilharam por sua ausência, Correa e o boliviano Evo Morales compareceram. Morales, inclusive, ensaiou jogar futebol com Macri, ex presidente do popular clube Boca Júniors, horas depois de assistir um ato de despedida de Cristina e seus partidários.
Além de tudo, políticos conservadores partidários do livre mercado tem acolhido a tradição esquerdista dos programas sociais para combater a pobreza. Macri insistiu muitas vezes durante sua campanha que manteria uma rede social para os pobres. A coalizão opositora venezuelana, acusada pelo oficialismo de querer entregar os recursos nacionais ao Fundo Monetário Internacional, disse que uma de suas prioridades legislativas seria entregar títulos de propriedade às milhões de famílias a quem Chávez deu moradias gratuitas.
Para o futuro, a centro-direita promete diminuir tanto a hostilidade para com Washington com seus gestos grandiloquentes, quanto as relações com Irã, promovidas por Chávez e a Argentina. Deve concentrar-se em fortalecer as economias mediante controle fiscais e monetários, a luta contra a corrupção e a devolução da independência ao poder judicial e outras instituições.
"É evidente que a direita aprendeu as lições" disse Sabatini, diretor de Global Americans, um grupo promotor do livre mercado. "Enquanto muita gente segue acreditando na esquerda, a crise econômica é tão grave que muitos mais estão dispostos a apostar na mudança".

EM RESUMO
Em lugar do ressurgimento das direitas na América Latina, poderá ocorrer uma divisão entre pragmáticos e ideólogos, segundo analistas. Dizem que há flexibilidade de ambos os lados.

MACRI DERRUBOU O MODELO POPULISTA
Em apenas uma semana a frente do poder na Argentina, o conservador Mauricio Macri implementou uma série de medidas de alto impacto para dar o troco ao modelo populista vigente nos últimos 12 anos: uma aposta arriscada na qual põe em jogo seu capital político. Macri, de 56 anos, derrubou o modelo econômico de sua antecessora, Cristina Fernández, em que o Estado tinha o controle da economia mediante fortes regulamentações financeiras e comerciais e implementou, em questão de dias, uma política de livre mercado. O mandatário eliminou as restrições para a compra de dólares, conhecidas popularmente na Argentina como "el cepo" (arapuca) cambiário, vigente durante todo o segundo mandato de Cristina (2007 - 2015). 
Era uma das disposições mais esperadas pelos mercados. Também eliminou os impostos sobre exportações de vários grãos, como trigo e milho, e reduziu os da soja, uma das principais fontes de divisas e de financiamento dos inéditos planos sociais que o kirchnerismo destinou aos setores mais vulneráveis da população. Foram isentas, ainda, as vendas externas de produtos industriais.
Os direitos às exportações, principalmente, assim como as somas retidas pelo fisco na compra de dólares para poupança e em pagamentos de cartões em moeda estrangeira, abasteciam o Estado kirchnerista com boa parte dos recursos para a destinação universal por filho, que beneficia com uma média de 100 dólares ao mês a dois milhões de famílias sem emprego/renda.

CORRUPÇÃO E RECESSÃO PÕEM O PT EM APERTOS NO BRASIL
Uma economia que a cada dia naufraga mais e um escândalo de corrupção de proporções gigantescas, não só ameaçam derrubar a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, como também destruir o legado do governante Partido dos Trabalhadores e sua luta por liderar a esquerda latino americana.
Especialistas consultados concordam que o partido sofre o pior momento desde sua criação, principalmente por um escândalo de corrupção e subornos na estatal Petrobras, que coincidiu com a queda nos preços das matérias primas, cujas exportações haviam impulsionado o desenvolvimento do país nos últimos anos. A rede de corrupção se desenvolveu por mais de uma década e envolveu cerca de 60 políticos e as maiores das grandes empresas do setor petrolífero e da construção em momentos em que a economia sentia fortes quedas nos últimos três trimestres.
Segundo economistas entrevistados pelo Banco Central, o PIB se contrairá uns 3,6% em 2015. Tudo isto pode derrubar o trabalho de anos do PT - como é conhecido popularmente - que construiu sua liderança lentamente desde inícios dos anos 80 quando o período dos governos militares brasileiros se findava. Naquela época, o partido encontrou sua base política em sindicatos e movimentos sociais, e seu discurso, baseado no exercício ético da política, convenceu o eleitorado.
Também, durante anos, foi granjeando a simpatia das classes populares com seus programas sociais que tiraram milhões de brasileiros da pobreza e os inseriram na classe média.

VENEZUELA, EM UMA SEMANA CHAVE
O maior risco de turbulência, de longe, é apresentado na Venezuela.
Após sua vitória nas eleições legislativas, a oposição parece estar em condições de desafiar o presidente Nicolás Maduro, que se encontra em posição de crescente debilidade. Ao invés de permitir que seus inimigos compartilhem o custo político das reformas necessárias para frear a inflação galopante e a escassez de produtos básicos, Maduro até agora só tem prometido reforçar as políticas estatizantes que mergulharam o pais no pântano ao mesmo tempo em que ignora o que denomina um "Parlamento burguês". 
Na quinta-feira (31/12) a oposição venezuelana fez um chamado aos militares para que garantam o respeito ao resultado das eleições de 6 de dezembro, após confirmar seu desprezo pela decisão do Supremo Tribunal de Justiça que ordenou suspender de maneira "preventiva e imediata" a proclamação de três dos 112 deputados eleitos.
A Mesa da Unidade Democrática - MUD taxou de ridículas estas impugnações e seus 112 parlamentares eleitos, dois terços do Parlamento, assumiram seus respectivos cargos em 5 de janeiro, como estava previsto, junto aos 55 chavistas eleitos. 

EVO MORALES SERÁ JULGADO EM FEVEREIRO
O presidente da Bolívia, Evo Morales, se colocará em julgamento em fevereiro quando os bolivianos decidirão em referendo se permitirão que ele se apresente a outra reeleição, em um cenário adverso por apresentar os primeiros despontes de recessão e com o populismo latino americano em retrocesso. Os cidadãos do país andino foram convocados para uma consulta popular em 21 de fevereiro, um mês depois que Morales celebre dez anos ininterruptos no poder, que lhe parecem pouco, pois se ganha no referendo e nas eleições de 2019, governará até 2025, estabelecendo assim um recorde de permanência no antigo volátil Palácio Queimado.
Será a competição mais arriscada de Morales, já que não concorre contra a débil oposição, mas contra si mesmo. O mandatário deve demonstrar que sua popularidade saiu ilesa dos escândalos de corrupção que salpicaram seu Governo nos últimos meses; das acusações de autoritarismo por parte da oposição e da retirada de apoio de vários setores indígenas que antes foram seus aliados. Um dos estorvos mais graves que poderá influir no resultado do referendo é o do Fundo Indígena, que destinou milionárias ajudas para cerca de 200 projetos de desenvolvimento que nunca chegaram a ser executados.
Fonte:  tradução livre de El Colombiano
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sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Censura à Imprensa - Assunto Recorrente dos Canalhas

por Javier Alexander Macías
A chamada “democratização” dos meios de comunicação, é um tema de preocupação e discussão na Sociedade Interamericana de Prensa (SIP) que afirma que, se implementada, correr-se-ia o risco de chegar a um ponto sem retorno: a censura e o controle da informação a divulgar que poderiam ser impostos pela guerrilha das FARC.
Claudio Paolillo, presidente da Comissão de Liberdade de Prensa da SIP, assim fez saber na 71ª Assembléia Geral da entidade: “sabemos que o que buscam é controlar o fluxo informativo e impor a censura”, disse.
Em seu argumento, a SIP insiste em destacar que a liberdade de imprensa é inalienável e em nenhum momento se pode violar os direitos de acesso à informação.
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Deve haver prudência
O tema a que se refere a SIP é um assunto com o qual se deve ter especial cuidado por varias razões, expressam alguns analistas do conflito armado.
Em primeiro lugar — destacam — a “democratização” dos meios de comunicação é um tema que faz parte da agenda de negociação no ponto "Participação Política" e, dessa forma, ainda é discutível.
O professor de Ciência Política da Universidade Nacional, Alejo Vargas, joga luz sobre o tema ao referenciar que é uma proposta — apresentada em 2013 — na construção do acordo e seria uma referência para evitar que a oferta da comunicação seja manipulada apresentando um só lado das informações.
Não concordo que democratizar os meios seja negativo. Os meios não devem estar em poucas mãos, isso não tem nada de positivo nem de democrático pois, nas sociedades modernas o que se busca é a multiplicidade de meios”, indica Vargas.
Na discussão, Juan Carlos Ortega, analista do conflito armado, faz um chamado à prudencia e expõe duas razões: a primeira, por que a SIP volta a um ponto da agenda que inclusive já está acordado; e o segundo, deve haver precaução para entender o que propõem as FARC como democratização dos meios e o que está interpretando a SIP.
Tenho entendido, e segundo o acordo, uma das coisas que solicitam as FARC é que se incentivem os meios alternativos e haja subsídio estatal a outras formas de comunicação para forças políticas opositoras ou organizações sociais e populares”, diz.
Ante as duvidas geradas desde que as FARC anunciaram a intenção de “democratização” dos meios, na Assembleia da SIP, o diretor do periódico El Tiempo, Roberto Pombo, instou a estar vigilantes sobre o alcance da proposta. “Quero anotar o fato de que na negociação de paz entre as FARC e o governo, já se ouviu os guerrilheiros falarem sobre ‘democratização dos meios de comunicação’. Este tema não fez parte dos acordos, assim, considero importante que a SIP esteja vigilante sobre o que possa ocorrer”.
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Futuro dos meios
Que as FARC cheguem a manipular os meios de comunicação, e nessa medida, a informação, é uma ideia que a jornalista María Jimena Duzán qualifica como “absurda”.
A periodista insiste em que não entende como, ou melhor, de onde a SIP tira esta conclusão, pois o que se conhece até agora é uma proposta — tornada pública pela guerrilha em 2013 — e que ela não sataniza, porque há que estudar o mencionado pelos negociadores do grupo guerrilheiro.
Estamos em mora de ver o que ocorrerá com os meios de comunicação regionais, locais; não os que são privados, porque estes assim continuarão sendo, mas as emissoras comunitárias e outros meios, que hoje são presas de políticos. Não entendo à SIP porque esta é uma proposta das FARC e podemos discutir com eles a sua percepção dos meios que obviamente é diferente”, diz Duzán.
A periodista agrega que não se deve cair no jogo de pensar que se vai entregar os meios de comunicação às FARC, ou que se entregará o país, ou comparar com o que sucede na Venezuela.
O debate sobre a proposta das FARC de democratizar a informação segue aberto. Para a SIP, é uma forma de buscar a manipulação da informação, para analistas, uma dívida que o país tem com os meios de comunicação relegados ao esquecimento.
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O Que Diz a Proposta das FARC
Ivan Marques, atual chefe das FARC - FOTO REUTERS
Visando estimular e fortalecer a participação política, se implementarão medidas para a democratização da informação e a comunicação, que favoreçam a setores sociais e populares, assim como a forças políticas até agora excluídas neste campo. Se expedirão regulações para garantir uma produção de informação e comunicação transparente, equilibrada e veraz; igualmente normas especiais para impedir a monopolização dos meios massivos de comunicação, democratizar sua propriedade e fortalecer a propriedade pública. Se garantirá o subsídio estatal dos meios.
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Concluindo
A SIP expressou sua preocupação pela proposta das FARC de “democratizar” os meios de comunicação. Na Colômbia, especialistas dizem que os meios devem ter outras oportunidades.
Fonte: tradução livre de El Colombiano
COMENTO: obviamente, a busca de um acordo de paz na Colômbia é assunto a ser decidido pelos colombianos, mas as "exigências" dos narco-bandoleiros para a concretização desse acordo  — apoiadas pelos "analistas" e "especialistas" destacados pela imprensa — expõem a organização centralizada das decisões do Foro de São Paulo, e o fiel cumprimento de suas ordens pelos seus integrantes. Mesmo assim, há alguns ingênuos ou mal intencionados que duvidam da capacidade organizativa dessa criação de Fidel, Lula e Hugo Chavez (que o capiroto o tenha). Acaso essa "reivindicação" dos narco terroristas colombianos não é a mesma que os patifes travestidos de brasileiros tentam enfiar goela abaixo da sociedade daqui? Juntemos isto com outras "propostas": anistia com um processo judiciário "transicional"que como vimos, logo se transforma em anistia unilateral; seguida por indenizações e recompensas para que os guerrilheiros sejam "reinseridos" na sociedade.  A procura por "desaparecidos" é outra artimanha para render propaganda (negativa para as Forças de Segurança colombianas, certamente) e recursos financeiros (indenizações) para os narco-bandoleiros.  Agora, já querem o "controle social" da mídia, a fim de que possam reescrever sua história e manterem o proselitismo de sua ideologia.  Somente os muito alienados e os comparsas desses patifes se recusam a ver que esse sistema idiota está falido e falindo todos os lugares onde se instalou. Dessa forma, eles tem a necessidade de agir com urgência, conquistando espaços e, principalmente, recursos, pois ninguém é mais ávido por verbas alheias do que um comunista. Temos nossos próprios exemplos e mais recentemente, já vimos o discurso de Castro II o imperador cubano, querendo "indenização" dos EUA pelos anos de bloqueio econômico. Como se a bosta da ilha comunista improdutiva não negociasse sua miséria recebendo donativos - não se pode dizer que comercializa alguma coisa - de diversas nações, inclusive a nossa, sob a capa de "ajuda humanitária". Vergonha na cara parece ser, para eles, só mais uma manifestação burguesa-capitalista.
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sábado, 5 de setembro de 2015

Ensaio de Golpe de Estado

por André Hoyos
Não sou o primeiro a perceber, mas o que se passa na fronteira colombo-venezuelana tem muito pouco a ver com os colombianos deportados, cuja cifra escandalosa já se aproxima das 10.000 vítimas, todas de uma atitude canalha do governo de Maduro.
Na realidade, estamos ante um ensaio de golpe de Estado.
A cortina de fumaça é espessa. Sabemos, por exemplo, que a disparidade maluca entre as taxas de câmbio, somada ao ridículo preço da gasolina no outro lado da fronteira, fazem que a zona se encha de malandros. ¿Semeiam uma montanha com alpiste e depois querem que os pássaros não venham comê-lo? A culpa não é dos pássaros, mas sim dos que semearam o alpiste. A repressão, claro, não afeta a esses malandros pela simples razão de que eles possuem relações privilegiadas com a Guarda Nacional venezuelana e com o 'chavismo', quando não são membros de ambos. Vejam, entre outros fatos, que os "paramilitares", não portam armas e vivem em favelas humildes como "Mi Pequeña Barinas". Devem ser idiotas esses paramilitares.
Um dado é essencial para entender a situação: segundo todas as pesquisas, o "chavismo" perderá, por mais de 20 pontos, as eleições de 6 de dezembro. Isto significa que sequer uma fraude eleitoral está ao alcance do Governo, porque os "chocorazos" (golpes, engodos, fraudes) se tornam inviáveis quando se tem que "remontar", refazer fraudulentamente, mais de 5%, que dizer 20% dos votos. E a derrota que se aproxima do "chavismo" é muitíssimo mais dramática que as que se veem comumente em outros países, pois eles tem justificado todos seus atropelos com a desculpa de que são eleitoralmente imbatíveis. 
Agora, temos que as torpezas de Maduro não são somente econômicas e de modelo de sociedade. Na política, está metendo os pés pelas mãos. Se a intenção das deportações era captar os votos "chauvinistas", falhou pois estes ele já os tem, enquanto que os abusos na fronteira fará com que perca a grande maioria dos votos da comunidade colombiana, que somam cerca de dois milhões de votantes potenciais. Os colombianos com dupla nacionalidade são pobres (em sua maioria), não masoquistas.
Maduro se prevalece com os colombianos da fronteira justamente porque não são perigosos paramilitares, senão gente humilde e desarmada. Por sorte  e quase não acredito que tenha que escrever isto —, até Maduro sabe que uma aventura bélica seria seguramente um suicídio, de modo que não vai tentá-la. Alguns dirão que ele pode reprisar a colossal distribuição de "mogolla" (tipo de pão especial) que funcionou nas eleições presidenciais de 2012 e 2013. Porém resta um dilema: o Governo Venezuelano está quebrado e não tem "mogolla" para distribuir. Os velhos mecanismos para subornar o eleitorado restaram sem um real, como se diz. De modo que, para repartir, só pau.
Ao fim, não restará a Maduro mais que engolir o dragão  porque já não é um simples sapo  de um revés eleitoral em dezembro ou suspender as eleições, o que equivale a dar um golpe de Estado. Ainda que esta possa parecer uma "solução" tentadora, o mais provável é que acelere o já quase inevitável fim do regime.
Como a gaiola com o passarinho que conversava com don Nicolás foi levada por um dos deportados para o outro lado do rio Táchira; o pobre grandalhão ficou sem interlocutor e terá que conversar com dona Cília (Cília Flores de Maduro, 1ª dama venezuelana), porque já não há nem mesmo cumbias para bailar frente ao seu minguado público.