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segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Informação e Desinformação: Aspectos da Guerra Híbrida

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por Flávio César Montebello Fabri
O DefesaNet têm corretamente não somente alertado mas, principalmente, orientado, a respeito do cenário atual vivido a respeito de Guerra Híbrida. Tema que aparentemente é alusivo (a um leigo) somente como uma atuação militar, vivido por forças singulares, na “terra de ninguém”, mais do que nunca tem sido experimentado pelas forças policiais e pela sociedade civil como um todo, sendo extremamente complexo.
Até pouco tempo atrás, em outubro de 2015, vivenciamos em São Paulo (principalmente na capital), a ocupação de mais de 200 escolas, durante a “reorganização” proposta pelo Estado. Poucos se lembraram do evento ocorrido no Chile em 2006, conhecido como Rebelião dos Pinguins (com documentário disponível no site YouTube), com mais de 600.000 estudantes envolvidos, onde se falava muito do “amadurecimento do movimento estudantil”.
Poucos também leram a obra de Gene Sharp, Da Ditadura à Democracia (ou o documentário “Como Iniciar uma Revolução”), enquanto tentavam olhar um pouco mais atentamente a respeito das grandes manifestações populares que ocorriam, também, em passado recente.
Deixemos um pouco de lado conceitos doutrinários a respeito de Inteligência (que segundo a ABIN, Agência Brasileira de Inteligência, é o “exercício de ações especializadas para obtenção e análise de dados, produção de conhecimentos e proteção de conhecimentos para o país”) e Contrainteligência (de uma forma singela, o foco na proteção contra espionagem, por exemplo e produção de conhecimentos, realização de ações voltadas para a proteção de dados, conhecimentos etc.). Passemos a falar sobre a atividade de obtenção de informações e, mais propriamente, da desinformação.
Imagem – Atividade de Contrainteligência, segundo a ABIN 
Mas antes que pareça algo extremamente atual ou romântico (como em muitos filmes sobre espiões), gostaria de lembrar que, do ponto de vista histórico, a Sagrada Escritura (Bíblia) é rica em assuntos que ainda hoje parecem surpreendentes. Como a Bíblia é praticamente encontrada em todos os cantões do planeta, não é difícil efetuar consulta.
A não ser em relação aos meios utilizados e a refinamentos táticos, a primeira ação conhecida com típicas características de emprego de Forças Especiais, se encontra no Livro de Juízes, no seu capítulo 7. Gideão deslocou sob a cobertura da noite e do silêncio uma fração extremamente bem treinada para um acampamento adversário, que possuía um contingente muito maior que a força enviada. Tochas escondidas em cântaros (que foram posteriormente arremessados violentamente ao solo, produzindo som alto) ofuscaram e desorientaram os oponentes, que foram posteriormente abatidos.
A vitória de Gideão pouco difere em doutrina, técnica ou tática às operações do LRDG (Long Range Desert Group) britânico na África Saariana ou a equipe SEAL (Sea Air Land - U.S. Navy, sendo que a equipe 6 é denominada como United States Naval Special Warfare Development Group) desdobrada na Operação Arpão de Netuno, no Paquistão, em maio de 2011, que culminou com a morte do terrorista Osama Bin Laden. Também, a Bíblia menciona a importância do levantamento de informações, precedendo uma ação “ostensiva” propriamente dita. No Livro de Números 13:1-2 (capítulo treze, versículos um e dois) se lê: “E falou o SENHOR a Moisés, dizendo: Envia homens que espiem a terra de Canaã...”. Sucessor de Moisés, Josué fez uso de “espias” com a finalidade de angariar informações a respeito da situação em localidades, particularmente Jericó. Lemos em Josué 2:1-5 (capítulo dois, versículos de um a cinco) que:Então Josué enviou dois espiões dali onde se encontrava o campo israelita em Sitim, para que passassem o rio e se dessem conta secretamente de qual era a situação no outro lado, especialmente em Jericó”.
No versículo 3 que: “São espias...foram mandados pelos chefes israelitas para estudarem a melhor forma de nos atacarem (grifo nosso)”. Em Hebreus 11:31 (capítulo onze, versículo trinta e um) lemos: “Pela fé Raabe... acolheu em paz os espias”. 
Ressalto novamente que no comparativo entre ações, que se deve levar em consideração fatores como “quando ocorreu” e “com quais meios disponíveis”. Também me desculpo com aqueles que são conhecedores a respeito de temas bíblicos, por alguma incorreção de minha parte.
Estudar o objetivo, em vários outros pontos, são condições a serem avaliadas pela inteligência, podendo preceder uma ação onde, de uma forma ou de outra, se fará conhecer as reais intenções de um grupo. John Keegan, famoso historiador militar inglês, em sua obra Inteligência na Guerra: conhecendo o inimigo, de Napoleão à Al-Qaeda (Companhia das Letras, 2006), falando sobre a inteligência, cita o pensamento de George Washington de queA necessidade de obter informações de qualidade é evidente e não precisa ser objeto de debate”. Ainda, Keegan ensina que “a conquista da Gália por César decorreu de seu melhor uso de informações...”.
A arte da observação e dedução também foi sendo desenvolvida com o passar do tempo. As regras de observação mencionavam, inclusive, a análise quando da visualização da poeira e reflexos de luz como indicação de ações de tropas adversárias. Keegan explica queuma nuvem generalizada de poeira indicava geralmente a presença de saqueadores inimigos ... colunas densas e isoladas de pó demonstravam que as hostes estavam em marcha”, tão como, citando o Marechal de Saxe, que “nos dias claros, os reflexos de sol nas baionetas e espadas podia ser interpretado a distâncias de até 1600 metros...se os raios forem perpendiculares, significa que o inimigo avança em nossa direção; quando intermitentes e infrequentes, indicam retirada”.
Pois bem. Não necessariamente nos cenários de Guerra Híbrida, um objetivo (ou grupo envolvido) fica evidente. Da mesma forma, além de obter informações de interesse (e resguardar as mesmas quando necessário), DESINFORMAR também garante resultados quando se fala em mobilização de grupos, formar opiniões, fragilizar instituições, ocultar fatos etc. Aplicativos como o WhatsApp, Telegram, como tantos outros, feitos para facilitar o contato entre pessoas, podem ser utilizados para propagar em curtíssimo espaço de tempo boatos e informações distorcidas causando comoção, sendo que nem todos os usuários, antes de compartilharem algo que receberam, se preocupam em verificar a veracidade ou contexto.
Até que seja esclarecida que a informação recebida não era verídica ou possuía um caráter outro que não o mero esclarecimento a respeito de um fato, a mensagem já produziu seu efeito: DESINFORMAR.
O professor Guy Durandin, em seu livro As Mentiras na Propaganda e na Publicidade (JSN Editora, 1997) já alertava que “quanto ao grau de informação, evidentemente é mais fácil enganar uma população pouco informada do que uma bem informada. Para ilustrar, falaremos apenas de duas situações. Nos regimes totalitários, o governo se esforça para controlar totalmente a informação, ao ponto de se tornar impossível distingui-la da propaganda.
A população, recebendo tudo da mesma fonte, não tem dados para exercer seu espírito crítico, e corre o risco de acreditar em mentiras, ou então, depois de decepções acumuladas, tornar-se totalmente cética”. Na obra, exemplos como Goebbels (um artista da desinformação) e vários outros, são citados. Este livro é de leitura quase obrigatória, principalmente nos dias atuais.
Sobre informar e desinformar vi duas circunstâncias totalmente diversas em relação a uma pessoa próxima: meu filho. Um dia, uma de suas professoras comentou a respeito das vantagens de países democráticos. Citou como exemplo ... Cuba (!!!). Meu filho recebeu uma informação brevemente, não ocorreu debate ou pesquisa sobre, sendo que ao chegar em casa comentou estar fascinado com o que foi descrito. Conversamos longamente e foi exposto outro ponto de vista pessoal de minha parte. Deixo a convicção a respeito do tema com ele, desde que pesquise, tenha acesso a mais referências e outros posicionamentos.
Por outro lado, em outro ambiente (Capítulo DeMolay Sagrada Aliança Nº 791 – São Paulo / SP), testemunhei a pesquisa e debate, sem paixões exacerbadas, a respeito de temas atuais. Informações sobre determinado assunto foram expostas, ocorreram perguntas e, de forma salutar, uma conversa entre os jovens. Felizmente cada um deles tinha um posicionamento pessoal, que foi respeitado, celebrando-se as diferenças. Com uma vantagem: cada um deles, mesmo tendo uma opinião própria, teve acesso a mais informações.
Acompanhar o tema Guerra Híbrida, é um assunto mais complexo e de difícil compreensão do que aparenta. Com a velocidade que proporciona a dispersão de informações, é muito fácil, caso não se pesquise, se deixar levar por fatos parciais ou interesses que não são evidentes. Talvez, em outra oportunidade, possamos comentar mais a respeito de desinformação.
Fonte:  Defesanet

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Quadrilha de Sírio “Nacionalizava” Imigrantes no Brasil

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A Polícia Civil do Rio de Janeiro desmantelou uma quadrilha liderada por Ali Kamel Issmael, sírio de 71 anos, que “nacionalizou” 72 compatriotas que fugiram da guerra naquele país para o Brasil entre 2012 e 2014. Desde 2011, o Brasil já acolheu 2.097 sírios graças a duas resoluções do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), vinculado ao ministério da Justiça.
Issmael contou com a cumplicidade de funcionários de registro para alterar documentos e transformar 72 sírios em brasileiros, com direito a carteira de identidade, passaporte e título de eleitor. Ele conseguiu que os registros de nascimento de 1960 e 1970 fossem arrancados dos respectivos livros e substituídos por novas folhas onde os sírios apareciam com brasileiros natos.
A maioria dos sírios que chega ao país não fala português, não encontra trabalho e usa o país como ponte para chegar à Europa. Entre eles, têm ingressado também nacionais de outros países como Afeganistão, Paquistão, Sérvia e Senegal. A Polícia Civil do Rio de Janeiro trabalhou oito meses nas investigações e suspeita que grande parte dos “nacionalizados” já tenha partido do Brasil. Do total de 72 sírios, apenas 39 ainda estaria no país e outros 17 teriam tentado ingressar nos Estados Unidos, mas foram apanhados com documentação falsificada.
Os policiais do Rio trabalham com cooperação com a Interpol para identificar o paradeiro dos sírios “nacionalizados”. Para os agentes, o caso evidencia a vulnerabilidade do sistema brasileiro uma vez que não há qualquer filtro para o acolhimento de refugiados sírios.
A Polícia Civil carioca não tem dúvidas que a Segurança Nacional está em jogo e que as investigações também aumentam as preocupações com a segurança dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro que começam em 5 de agosto de 2016.
Os passaportes emitidos em nome dos “sírios-brasileiros” deverão ser anulados, segundo a Polícia Civil. Issmael e os cúmplices brasileiros responderão por falsificação de documento público e a esposa do líder da quadrilha, Basema Alasmar foi detida. Ela figurava na lista de “nacionalizados”.
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Análise da Notícia
por Marcelo Rech
Em 27 de maio deste ano, em audiência pública da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, alertei para o risco de o Brasil acolher refugiados e imigrantes sem que houvesse qualquer filtro por parte dos agentes de segurança e inteligência. Mostrei dados revelando que o Estado Islâmico estava aproveitando as ondas migratórias para a Europa, para infiltrar extremistas naquele território com o objetivo de recrutar simpatizantes e combatentes e promover atentados terroristas.
Mesmo sem uma política nacional para os refugiados, o Brasil decidiu escancarar com todas as normas permitindo que ingressassem no país todos aqueles que quisessem. A maioria dos sírios acolhidos, vítimas da guerra, vive como sem teto em São Paulo ou trabalha como camelô no Rio de Janeiro. O Brasil vendeu uma coisa e entregou outra. Aqueles que estavam vulneráveis num país em guerra, agora estão vulneráveis num país onde a retórica é mais importante que as ações objetivas.
Naquela oportunidade, em maio, também destaquei que o passaporte brasileiro é um dos mais cobiçados no submundo do crime. Custa em média US$ 3 mil. E por uma razão simples: qualquer nome é aceito como brasileiro em qualquer parte do mundo. O caso do Rio de Janeiro confirma isso. Cabe-nos perguntar agora: Quantos destes sírios “nacionalizados” ingressaram no Brasil com segundas intenções? Quantos deles obtiveram o passaporte justamente para entrar em outros países sem levantarem suspeitas? Qual a responsabilidade do Brasil caso algum atentado seja cometido por um “sírio-brasileiro”?
Tratar os imigrantes e refugiados como pobres coitados também não resolve. Estimular a xenofobia não é solução, é retrocesso. Mas, as pessoas querem e devem ser tratadas com dignidade e isso não isenta o Estado de levantar as informações necessárias para acolher em seu território, as vítimas dos conflitos e das guerras, fechando as portas para extremistas, radicais, criminosos e bandidos.
A própria proteção dos refugiados, civis inocentes, cobra uma ação contundente do governo em relação àqueles que se beneficiam das facilidades criadas por questões humanitárias para ingressar no país com outros objetivos. Assim como a maioria dos haitianos, vítimas das máfias do tráfico de pessoas, os sírios acabam sendo vítimas duas vezes. O desmantelamento de quadrilhas como esta no Rio de Janeiro, pode gerar tensões e problemas desnecessários àqueles que buscam apenas recomeçar suas vidas. Daí a importância do rigor. Além de neutralizar as ações criminosas, fortalece o recomeço para quem só quer um pouco de paz.
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Política 
Por outro lado, não podemos nos esquecer dos interesses políticos por trás de cada ação. Por exemplo, muitos estão recebendo uma carteira de trabalho e estão sendo incluídos nos programas sociais do governo, o que é aceitável. O que não é compreensível é que tenham direito a título de eleitor. No caso da quadrilha desbaratada no Rio de Janeiro, trata-se de um crime, mas há casos em que refugiados e imigrantes têm recebido o documento sem problemas.
Em 2007, o Partido dos Trabalhadores (PT) firmou um acordo de cooperação com o Partido Baath Árabe Socialista da Síria. O documento foi firmado pelo atual ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, a quem a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) está subordinada.
Há época, o PT divulgou um comunicado explicando que os objetivos (do acordo) são “estreitar os laços de amizade” e “melhor servir aos interesses comuns dos dois países e povos”. Como em política nada é por acaso, não custa investigar se há ou não algum elo entre a “nacionalização” de sírios e a necessidade do governo de engrossar suas fileiras militantes, principalmente para um governo com 70% de rejeição popular.
Fonte:  InfoRel
COMENTO: não são novidades as dúvidas a respeito das motivações que movem as facilitações para a migração ao Brasil. O assunto já foi tratado diversas vezes, das quais destacamos aqui e aqui. As denúncias de que imigrantes haitianos e africanos estariam sendo usados como "massa de manobra", engrossando fileiras em manifestações pró interesses governamentais, também não são poucas. Daí a aceitar "teorias de conspiração" a respeito de uso político dos imigrantes não é um passo muito longo. Pelo sim, pelo não, é conveniente seguir o ensinamento bíblico que nos aconselha a atentar menos para o que é visto facilmente e mais para o que não se vê.
 a.

sábado, 10 de janeiro de 2015

O Mito do Terrorismo - A Grande Imprensa Como Protagonista, Impondo Seus Interesses

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Depois de alguns dias sem acesso à rede mundial, tendo contato com o mundo somente por meio dos canais abertos de televisão, retorno cada vez mais decepcionado com o padrão do jornalismo, infelizmente, não só o brasileiro. 
Festas de Natal e renovação de calendário com o devido escamoteamento a respeito da poluição atmosférica provocada pelos incontáveis espetáculos de queima de fogos, roubos, assaltos, arrastões, acidentes rodoviários, e outros assuntos somente abordados nos noticiários depois de passada a ressaca agravada pelos discursos e festividades de posse dos novos - ou nem tão novos - governantes.
Não poderia deixar de destacar o noticiário referente à "Guerra contra o Terror" desencadeada na França contra alguns idiotas que resolveram propagandear o Islamismo, ao mesmo tempo em que pensavam vingar Allah das agressões sofridas por parte de alguns jornalistas/desenhistas, enviando alguns desses denominados "cartunistas" para desculparem-se pessoalmente junto ao Misericordioso. 
Tivemos, então, coevo ao início do julgamento do imbecil que - com seu irmão idiota, provocaram o triste final da "Maratona de Boston" em 2013 - a ação de "terroristas" supostamente cooptados pela Al Kaeda contra cidadãos franceses.
O inusitado, no meu ponto de vista, foi a enorme pantomima estabelecida no reino de François Hollande. Cerca de vinte vidas perdidas. Destas, os cartunistas mortos tiveram seus nomes e imagens difundidas mundialmente acompanhadas por manifestações de artistas contra mais essa "agressão à liberdade de imprensa". Oitenta mil integrantes das forças de segurança francesas mobilizados com veículos blindados, helicópteros e equipamentos utilizando recursos de alta tecnologia para garantir a eliminação de dois mequetrefes escondidos nos arredores da capital francesa e mais um casal de cretinos foragidos na própria "cidade-luz" - e a mulher ainda conseguiu evadir-se. E a "cereja do bolo", na minha modesta opinião, foi a convocação, pelo próprio Hollande - horrorizado com a violência -, de uma manifestação pública contra o terrorismo. Como se não fosse ele o principal responsável pela segurança de seus concidadãos a ser mantida pelos diversos órgãos governamentais que conheciam de antemão os antecedentes dos "terroristas" envolvidos no episódio. 
Aconselho ao senhor Hollande que dê uma lida nos jornais brasileiros para ter uma pálida ideia do que é violência.
Não sei bem o motivo, mas me veio à lembrança uma certa senhora convocando a sociedade para "um pacto contra a corrupção", indicando que em seu imaginário são os integrantes dessa sociedade os responsáveis pela roubalheira que afundou a principal empresa pública de seu país.
Três dias de "espetáculo", manifestações que incluíram o apagamento das luzes da Torre Eiffel, muita gente mundo afora identificando-se como "somos todos Charlie" - reprisando o ridículo "somos todos macacos" -, inclusive no Brasil, pacífica terra onde a morte violenta de mais de cinquenta mil cidadãos em um ano não provoca comoção alguma, e a morte de duas dezenas de franceses (número tragicamente inferior a soma de recentes vítimas só de acidentes com ônibus nas estradas brasileiras) afeta a consciência de alguns cidadãos, que acorreram de lápis e cartazes em punho para serem filmados nas ruas, mostrando que o Brasil estava indignado contra o tal terrorismo.
Por favor, não pensem que sou insensível à covardia de um ato terrorista e, principalmente, a perda de vidas de forma tão estúpida. O que me incomoda é a enorme repercussão ao fato, em função de terem sido mortos alguns jornalistas/cartunistas, colocando a vida desses profissionais em um patamar de maior valor que os demais "bichos gente". Alguma filmagem do velório e sepultamento dos dois policiais mortos no ataque à sede do "Charlie Hebdo"? Ou da policial que impediu o outro meliante de atacar o estabelecimento judeu? Alguma citação constando, pelo menos seus nomes? Alguma foto de quando eram vivos? Não! Nada! Nunca existiram!
Qual a razão para isso? Quem sabe terá sido a motivação para as mortes. Os cartunistas foram mortos aparentemente por defenderem o direito de expressarem sua opinião, mesmo que de forma debochada e provocativa, contra valores alheios. Por aqui, há algum tempo, algumas pessoas com vaginas e orifícios excretores gulosos saciaram seus ímpetos de prazer em público, usando crucifixos e imagens representando a genitora do "filho de Deus". Tudo assimilado pacificamente por todos, inclusive lideranças religiosas, com pequenas exceções que emitiram pequenos protestos de divulgação pífia. Com os seguidores do Islã, é sabido que "o buraco é mais embaixo". Eles seguem e obedecem as prescrições de suas lideranças com a mesma devoção dos antigos seguidores de Joseph Stálin, talvez com mais persistência, mesmo que se considere o episódio do justiçamento de Trotsky. Salmán Rushdie e outros condenados pela Sharia que o digam. Viver onde as liberdades são postas em destaque superior até mesmo aos direitos ao respeito pode causar confusões na percepção de limites. Enquanto alguns podem pensar que podem desrespeitar crenças, outros podem acreditar que o direito à vida também pode ser relativizado.
De forma alguma penso que o desrespeito ao Islã justifique o ataque aos cartunistas mas me parece que a morte dos policiais foi muito mais gratuita. Para nós, brasileiros, acostumados a uma média de um policial morto por dia, é só uma questão estatística, mas me surpreende a preterição de importância da morte dos policiais franceses neste episódio. 
Liquidados os terroristas, lançada uma edição de um milhão de exemplares do "Charlie Hebdo", o que restou? Para mim, algumas dúvidas.
O descaso a respeito das mortes dos policiais e cidadãos comuns se deve ao desinteresse da sociedade francesa ou à ação direcionada da imprensa, preocupada em aproveitar a tragédia para um merchandising próprio?
Será que haverá alguma tentativa de que se repense até onde vai a liberdade? Será ela, a liberdade, realmente ilimitada? O direito de informar pode se mesclar com o direito de criticar com base em valores próprios, sendo ambos infinitos? E quem tem direito a esses direitos? Qualquer cidadão ou somente os jornalistas?
Será que se pode estabelecer uma escala de valores de vidas humanas? E a mais importante dúvida: o que nossas autoridades e órgãos de segurança (ABIN, PF, Forças Armadas, etc) estão fazendo para prevenir a ocorrência desse tipo de desgraça no Brasil?
Um pouco fora do assunto, mas coerente com a ação de mal informar exercida por nossa "grande mídia". Na manhã do dia 9 de janeiro, tive o enorme desprazer de assistir parte de um programa da Rede Record do RS com uma "reportagem" sobre as mansões e estilos de vida de um traficante assassinado recentemente e do pretenso mandante do crime, também traficante. Me "tapei de nojo" com o final do "trabalho jornalístico" mostrando uns jovens "compositores de rap", conhecidos pelo apelido de "emecis" (MCs) - tão idiota a denominação quanto os jornalistas, seus divulgadores -, famosos nas favelas em disputa pelos marginais por comporem versos em honra daqueles chefões do tráfico. Me pergunto: interessa à sociedade esse tipo de "informação"?
Essa atuação profissional me trouxe à mente uma frase do filósofo Olavo de Carvalho que pode servir de alerta a quem interessar possa: 
"O governo petista habituou a população a desrespeitar tudo. A Ordem, a Família, a Moral, as Forças Armadas, a Polícia, as Leis, o próprio Deus. Se esperava sair ileso e ser aceito como a única coisa respeitável no meio do esculacho universal, então é mais louco do que parece." (Olavo de Carvalho)
Para encerrar, leio que hoje ocorreu a explosão de uma "menina-bomba" na Nigéria, matando mais 20 pessoas em um país onde mortes violentas são rotina, assim como o descaso da imprensa a respeito. Esta notícia, obviamente, encontra-se sufocada entre os destaques dados à caçada aos terroristas franceses. Enfim, alguém pelo menos consegue identificar a Nigéria em um mapa-mundi? Ajudo: quem sabe em um mapa da África? Acho difícil.
Concluo lançando um desafio para aquele pessoal de ânus e vaginas sequiosas a quem me referi anteriormente: uma manifestação nos mesmos moldes da que fizeram com o crucifixo e com a imagem de Maria, só que utilizando a bandeira do tal Estado Islâmico. Se toparem - o que eu duvido muito - até pode ser que consigam uma parcela mínima do meu respeito.
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terça-feira, 25 de novembro de 2014

Seminário: “O Brasil no Mundo: Deveres e Responsabilidades”

Seminário debaterá os desafios para as políticas Externa, de Defesa e Inteligência
No dia 2 de dezembro, o Instituto InfoRel de Relações Internacionais e Defesa promoverá em parceria com a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN), da Câmara dos Deputados, o Seminário “O Brasil no Mundo: deveres e responsabilidades” que debaterá os desafios futuros para as políticas Externa, de Defesa e Inteligência.
O evento conta com o apoio da Fundação Konrad Adenauer, da União Europeia, e do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI), e marca os dez anos de criação do Instituto InfoRel. O mesmo não acarretará ônus para a Câmara dos Deputados
O professor Fernando Reinares, investigador principal de Terrorismo Internacional do Real Instituto Elcano de Madri, abrirá o seminário com uma aula magna sobre Segurança Internacional. Ele apresentará ainda dados inéditos acerca das investigações sobre os atentados de 11 de março de 2004 em Atocha, na capital espanhola.

O Seminário
Na quarta-feira, 12/11, a CREDN apreciou Requerimento do seu presidente, Eduardo Barbosa (PSDB-MG), propondo a realização do seminário. De acordo com a organização do evento, a Política Externa fortaleceu-se, houve a ampliação no número de embaixadas e consulados no exterior e o país foi chamado a opinar e participar das decisões globais.
Ao mesmo tempo, a área da Defesa Nacional, por meio das Forças Armadas, foi determinante para firmar a imagem de um país pacífico, capaz de comandar missões de paz e de intermediar diálogos em relação aos conflitos mais complexos e nos lugares mais instáveis do planeta.
Essas duas premissas exigem, por sua vez, uma Inteligência de Estado forte, estruturada e sintonizada com os interesses nacionais.
No entanto, não está claro que papel o país pretende desempenhar nas Relações Internacionais. Para piorar, nos últimos anos houve uma retração forte na Política Externa e, atualmente, o ministério das Relações Exteriores vive um dos seus momentos mais difíceis em termos de valorização das suas prerrogativas e do seu corpo funcional.
Em relação à Inteligência, em 2013, a CREDN conseguiu regulamentar a Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI), após 11 anos de tentativas frustradas, atribuindo à CCAI poderes para atuar de forma objetiva como órgão de controle externo das atividades de inteligência. A regulamentação conferiu, também, ao Congresso, os poderes necessários para contribuir com o fortalecimento do Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN) e para que o país pudesse contar com uma Inteligência voltada aos interesses do Estado brasileiro.
Já na Defesa, apesar dos projetos anunciados, e até mesmo de contratos firmados, as Forças Armadas carecem de mais recursos – financeiros, humanos e bélicos – e o país se ressente dessas carências, por exemplo, com a vulnerabilidade e fragilidade das suas fronteiras.
Fonte:  InfoRel
ATUALIZAÇÃO: A respeito do Seminário, recebi hoje (5/12/14) mensagem eletrônica relativa ao pronunciamento de um dos convidados, o professor Alexandre Fucille, presidente da Associação Brasileira de Estudos de Defesa: 
"A ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DEFESA DE INTERESSES DE FORA DO BRASIL
O Presidente da Associação Brasileira de Defesa (???) perdeu uma ótima oportunidade de bem representar os seus associados ou, mesmo, de ficar calado. (A Associação é de Defesa de que, mesmo? Mais provável que seja defesa dos interesses de fora do Brasil. ).
Imaginem que em Seminário na Câmara dos Deputados, o referido senhor teve a ideia, ou, foi induzido a, ignorantemente, defender que ...”uma elite civil deveria controlar o Ministério da Defesa”. Só rindo!
Uma associação de defesa, de qualquer nacionalidade, tem por dever de ofício saber que um Estado – população, território e soberania – necessariamente tem que ter uma defesa forte com poder dissuasório: Estados não tem amigos, Estados têm interesses.
E a história recente tem demonstrado que lobo respeita lobo: China, Índia e Israel, são alguns que podem dizer, por experiência própria.
Pobre ABD presidida por presidente tão completamente ausente de informações elementares.
Elementares, sim, porque ignora o papel fundamental dos militares desde o período colonial. Elementares, sim, porque ignora a imagem do inconsciente coletivo brasileiro sobre os militares.
Inexiste uma mãe pobre brasileira que não sonha com o dia no qual os filhos possam ser chamados e aceitos para fazer o serviço militar. (O serviço militar só se tornou universal e obrigatório em 1918, graças ao militarismo de Olavo Bilac, sabiam?). 
No inconsciente coletivo brasileiro, a imagem militar no Brasil é associada à patriotismo – amor ao país onde se nasceu – disciplina, honestidade e responsabilidade – à uma instituição, na qual a corrupção é sempre punida humilhante e exemplarmente.
Desde os estudos do sociólogo Gilberto Freire, os militares brasileiros têm sido considerados como a ...” organização mais lídima e representativa das instituições nacionais, o verdadeiro índice do povo brasileiro". Sorry, sorry.
Sei que o ideal para os ignorantes, nem tão ignorantes assim, e principalmente, seus orientadores – o ideal seria o Brasil desarmado, não concorrendo com os interessados e desenvolvendo-se até o ponto em que desenvolvimento fosse sustentável, vale dizer, desenvolvimento suportável por eles, não concorrencial com eles, os interessados (Forças e cidadãos desarmados: não lembram a campanha do desarmamento?) Mas, vão ficar querendo.
A opinião pública, avaliada pelas pesquisas mais tendenciosas, mostra que 72% do povo considera as Forças Armadas como as instituições mais confiáveis do País.
E os brasileiros atentos não vão permitir que o Brasil deixe de crescer para que apareça o crescimento dos interessados em não ter um Japão na América do Sul.
De novo, sorry, sorry.
Propaganda internacional alguma, consegue  por mais que se esforce – contrapor-se ao consciente coletivo nacional brasileiro.
Desistam. Melhor para os Srs não continuarem eternamente a procura de mais e mais agentes brasileiros-colaboradores-colaboracionistas (até e porque, os colaboradores-colaboracionistas brasileiros já perceberam, que os ganhos do que vierem a conseguir, pelo esforço de atender aos interesses de seus patrocinadores-orientadores, serão, sempre, migalhas de poder, face ao poder daqueles que pretendem vir a ter poder no Brasil.).
Melhor parar de dar murro em ponta de faca. Melhor parar de tentar enxugar gelo. A realidade dos fatos contrapõe-se à opinião e às opiniões forjadas fora e divulgadas dentro do Brasil.
As Forças Armadas brasileiras tornaram-se público-alvo de campanhas patrocinadas pelas fundações estrangeiras de sempre, desde a década de 1980. 
Os brasileiros observam que instituições criadas por militares, entregues à administração civil - orientada pelos patrocinadores interessados em ter os militares brasileiros desacreditados e o Brasil desarmado - foram desviadas de seus objetivos, de modo a prejudicar o País. 
O Projeto de proteção ao índio evoluiu para a atual FUNAI, entregue a antropólogos ignorantes – na melhor das hipóteses - agindo em benefício de interesses internacionais, a revelia da soberania nacional. 
A PETROBRAS, nascida das campanhas nacionalistas (foi um militar, que iniciou a campanha do Petróleo é Nosso, sabiam? Chamava-se General Horta) foi entregue ao sindicalismo de ideólogo estrangeiro completamente divorciado das questões fundamentais de interesse brasileiro. Pensam que a fizeram perder metade do seu valor comercial. Desfalques à parte, penalizados os responsáveis, a PETROBRÁS jamais deixará de ser a empresa nacional orgulho dos brasileiros.
Vão ficar querendo, o Brasil é difícil sempre que os objetivos tiverem como alvo prejudicar interesses brasileiros.
Sorry, sorry, respeitar e preciso. 
Conformem-se, e deem-se por satisfeitos, com a terceirização e a submissão aos interesses do mercado internacional da EMBRAER e da EMBRATEL, criadas pelo empreendedorismo militar.
O Centro Tecnológico da Marinha conseguiu um processo singular e econômico de enriquecimento de urânio, que atrai a espionagem dos concorrentes.
A AIEA tem feito ridiculamente mais de 15 inspeções anuais nas usinas nucleares brasileiras – para verificar se o Brasil continua fiel e docilmente comprando a tecnologia importada a peso de ouro, suportada pelos contribuintes brasileiros.
Por razões de péssimo contrato internacional, sua industrialização não poderá ser delegada. Impressionante é verificar como não se tocam e nem se envergonham até a alma das atitudes ridículas que costumam ter.
Inadmissível que a agenda hegemônica do Brasil torne o ambiente operacional tecnológico brasileiro de quinta geração.
O nacionalismo e a soberania não são negociáveis, sorry, sorry, Srs.
Ademais, os Srs já estão bem crescidinhos, já estão bem desenvolvidinhos. Já está na hora de aprenderem a respeitar as soberanias fora da jurisdições deles, os Srs.
E é mais do que hora, de mostrar que são bons alunos e já aprenderam a respeitar o direito da concorrência comercial.
Vale dizer: já está na hora de concorrerem de acordo com o direito da concorrência - que existe e é respeitado pelo restante do mundo, o qual observa o desrespeito a tal direito praticado sistematicamente por Vs., Srs, ao redor do mundo.
Os brasileiros comuns pensam, estudam, pesquisam e estão alertas. 
Sorry, sorry, o Brasil merece respeito.
​Prof. Guilhermina Coimbra​"
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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Por que Nossos “Espiões” Têm que Ficar no Brasil?

por Fábio Pereira Ribeiro
Alguns anos venho estudando a área de inteligência e o impacto dos serviços secretos nas relações internacionais, e considerando todo o peso do Brasil no cenário internacional, suas condicionantes políticas e todo problema de segurança internacional e crime organizado transnacional, me pergunto todos os dias, por que o Brasil não tem uma estrutura efetiva de analistas de Inteligência no exterior?
Ao mesmo tempo me pergunto, por que a nossa agência de Inteligência (ABIN) ainda é jungida a um General de Exército, ou a um Gabinete de Segurança Institucional? Não seria mais prudente, e até mesmo inteligente, que a ABIN estivesse vinculada à Secretaria de Assuntos Estratégicos?
Depois de tantos anos de Estado ditatorial, o Brasil já teve história suficiente para aprender que a atividade de inteligência não é sinônimo de “porão”, e que a falta da mesma gera reflexos extremamente perigosos para a Nação.
Se analisarmos profundamente os impactos da violência pública que tanto cresce no Brasil, perceberemos que boa parte dos impactos são causados diretamente pela falta de ações de inteligência do Brasil em suas fronteiras, das falhas de integração entre os diversos núcleos de inteligência que alimentam o Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN) e da falta de oficiais de inteligência nas diversas embaixadas brasileiras espalhadas pelo mundo. Sem contar que a falta de estrutura de inteligência no exterior deixa o Brasil desguarnecido de informações estratégicas sobre economia e geopolítica.
Nossos analistas de inteligência, além de toda estrutura operacional, vivem em geladeiras de informações. O país sofrendo com riscos estruturais do crime organizado transnacional, fluxo migratório de imigrantes (humanitários e criminosos), narcotráfico, contrabando de armas, máfias, espionagem internacional, bio-pirataria, africanos tomando posições em sub-prefeituras em grandes centros, somalianos em território nacional (com apoio de células terroristas), haitianos se perdendo nos rincões (prato cheio para o crime organizado por uma questão puramente natural), até quando trataremos inteligência como burrice operacional?
Não precisamos do romantismo “a lá James Bond”, mas com certeza precisamos de uma estrutura de inteligência que realmente possa dar condições de segurança e competitividade para o país.
O Brasil precisa avançar com a sua agenda de inteligência exterior. Não precisamos de espiões lendo jornais dentro do território nacional, precisamos de oficiais de Inteligência nas fronteiras e nos grandes centros estratégicos para as relações exteriores com o Brasil.
Praticamente nossas operações no exterior acontecem entre Buenos Aires e Caracas. Mas por que não temos ninguém em Nova York, Washington, Paris, Londres, Shangai, Luanda, Bogotá, Jerusalém, Moscou, Nova Déli, entre outros grandes centros estratégicos para produção de inteligência, troca de tecnologia, economia, além das questões de segurança internacional.
O caso Snowden escancarou o descaso político e governamental com as questões de inteligência. A nossa contra-espionagem sofre em proteger o mínimo, e nossos políticos confirmam o quanto piegas são em relação às questões de segurança internacional.
Temos um grupo bom de analistas de Inteligência, mas lógico que sempre tem algum “aloprado ideológico”. O problema que com o tempo, o descaso político irá afastar os analistas, e óbvio, que até na Inteligência a fuga de cérebros é uma questão mais do que evidente.
Que os presidenciáveis se atentem para esta agenda. E que a Política Nacional de Inteligência (PNI) avance, pois assim o controle da atividade estará assegurado, e a funcionalidade da inteligência realmente atenda os anseios da Nação.
Fábio Pereira Ribeiro é Diretor
Fonte:  Brasil no Mundo
COMENTO:  apesar de algumas falhas de concordância na redação, o texto aponta para um grave lapso no nosso Sistema de Inteligência e alerta os candidatos ao cargo máximo da Nação para que atentem para a questão. Por outro lado, manifesto aqui que a crítica que o autor faz à subordinação da ABIN ao estamento militar não procede pois a Atividade de Inteligência, desde sua origem histórica, foi balizada por objetivos de manutenção ou aquisição de Poder Estatal, isto é, propósitos que em última instância podem ser considerados militares (conhecimento em tempo útil de ameaças, vulnerabilidades e possibilidades possíveis de uso nos campos geográfico, militar, político e psicossocial). Posteriormente, foram agregadas as necessidades sobre os aspectos econômicos e de infra estrutura. Assim, Inteligência é uma atividade com a qual os militares sempre conviveram, por necessidade, e com base na qual formulam seus planos e estratégias, sendo, por isso, os melhores gestores da mesma.
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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

"Combateremos o Terrorismo Onde Ele Estiver ..."

Carlos Alberto Montaner é um jornalista e escritor cubano, autor do clássico e imperdível Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano, em parceria com o peruano Alvaro Vargas Llosa e o colombiano Plínio Apuleyo Mendonza. Em sua coluna no Miami Herald, ele conta que um antigo embaixador americano lhe confidenciou porque o governo Dilma é espionado pelo governo americano.
Sua resposta não poderia ser mais franca e direta:
Do ponto de vista de Washington, o governo brasileiro não é exatamente amigável. Por definição e história, o Brasil é um país amigo que ficou do nosso lado durante a II Guerra Mundial e na Coreia, mas seu atual governo não é.
O embaixador pediu para não ter seu nome revelado, pois isso iria gerar um grande problema para ele. Mas autorizou que o jornalista, de quem é amigo, transcrevesse a conversa, sem citar a fonte. O embaixador conhece mais o nosso governo do que nossa imprensa, pelo visto. Diz ele (tradução livre):
Tudo que você tem a fazer é ler os registros do Foro de São Paulo e observar a conduta do governo brasileiro. Os amigos de Luis Inácio Lula da Silva, de Dilma Rousseff e do Partido dos Trabalhadores são os inimigos dos Estados Unidos: a Venezuela chavista, pela primeira vez com (Hugo) Chávez e agora com (Nicolás) Maduro; Cuba de Raúl Castro, Irã, a Bolívia de Evo Morales, Líbia nos tempos de Kadafi; Síria de Bashar Assad.
Em quase todos os conflitos, o governo brasileiro concorda com as linhas políticas da Rússia e da China, em oposição à perspectiva do Departamento de Estado dos EUA e da Casa Branca. Sua família ideológica mais parecida é a dos BRICS, com quem ele tenta conciliar sua política externa.
A grande nação sul-americana não tem nem manifesta a menor vontade de defender os princípios democráticos que são sistematicamente violados em Cuba. Pelo contrário, o ex-presidente Lula da Silva, muitas vezes leva investidores a ilha para fortalecer a ditadura dos Castro. O dinheiro investido pelos brasileiros no desenvolvimento do super-porto de Mariel, próximo a Havana, é estimado em US$ 1 bilhão.
A influência cubana no Brasil é secreta, mas muito intensa. José Dirceu, ex-chefe de gabinete e o ministro mais influente de Lula da Silva, tinha sido um agente dos serviços de inteligência cubanos. No exílio em Cuba, ele teve o rosto cirurgicamente alterado. Ele voltou para o Brasil com uma nova identidade e funcionou nessa condição até que a democracia foi restaurada. De mãos dadas com Lula, ele colocou o Brasil entre os principais colaboradores com a ditadura cubana. Ele caiu em desgraça porque ele era corrupto, mas nunca recuou um centímetro de suas preferências ideológicas e de sua cumplicidade com Havana.
Algo semelhante está acontecendo com o professor Marco Aurélio Garcia, atual assessor de política externa de Dilma Rousseff. Ele é um contumaz anti-ianque, pior do que Dirceu mesmo, porque ele é mais inteligente e teve uma melhor formação. Ele fará tudo o que puder para frustrar os Estados Unidos.
Para o Itamaraty, essa Chancelaria que tem tanto prestigio pela qualidade de seus diplomatas, geralmente poliglotas e bem educados, a Carta Democrática firmada em 2001 em Lima é um simples papelucho carente de importância. O governo, simplesmente, ignora as fraudes eleitorais levadas a cabo na Venezuela ou na Nicarágua, e é totalmente indiferente ante as agressões à liberdade de imprensa.
Mas isso não é tudo. Há outras duas questões sobre as quais os Estados Unidos querem ser informados sobre tudo o que acontece no Brasil, pois, de uma forma ou de outra, elas afetam a segurança dos Estados Unidos: a corrupção e as drogas.
O Brasil é um país notoriamente corrupto e tais práticas afetam as leis dos Estados Unidos de duas maneiras: quando os brasileiros utilizam o sistema financeiro americano e quando eles competem de forma desleal com empresas norte-americanas, recorrendo a subornos ou comissões ilegais.
A questão das drogas é diferente. A produção de coca boliviana se multiplicou cinco vezes desde que Evo Morales assumiu a presidência, e a saída para essa substância é o Brasil. Quase tudo acaba na Europa, e os nossos aliados nos pediram para obter informações. Essa informação, por vezes, está nas mãos de políticos brasileiros.
A pergunta final feita por Montaner foi se o governo americano continuaria espionando o brasileiro. A resposta do embaixador não poderia ser mais objetiva: “Claro, é nossa responsabilidade para com a sociedade americana”.
Nota do Editor 1: Na tradução acima, da Veja, faltaram os seguintes parágrafos:
- Minhas duas perguntas finais são inevitáveis. "Washington irá apoiar o desejo do Brasil de se tornar um membro permanente do Conselho de Segurança da ONU?"
- “Se você perguntar a mim, não”, disse ele. “Nós já temos dois adversários permanentes: Rússia e China. Nós não precisamos de um terceiro.
Nota do Editor 2: o original do texto em espanhol está aqui e a versão publicada pelo site do jornal Miami Herald está aqui.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Segredos Brasileiros São Bisbilhotados Há Décadas

por Mário Chimanovitch
A denúncia do ex-técnico da NSA Edward Snowden de que os EUA usam métodos sofisticados para nos espionar, que gerou furor nos meios governamentais, não deveria ter causado tanta comoção.
Casos ocorridos nos anos 80 e 90, e até antes, mostram que os segredos políticos e tecnológicos do Brasil são bisbilhotados há décadas não só pelos americanos, mas também por franceses, israelenses e sabe-se lá quem mais.
Documentos ultraconfidenciais do extinto Serviço Nacional de Informações revelam que várias instituições do governo e indústrias estratégicas foram alvo permanente de espionagem externa – os mais visados eram o CTA (Centro Técnico Aeroespacial) e o Instituto de Estudos Avançados da Aeronáutica, em São José dos Campos (SP).
Com o SNI voltado para o “inimigo interno”, a atividade de contraespionagem era praticamente nula no Brasil. Mesmo assim, vez por outra, investigavam-se agentes de “países amigos”, como John James Gilbride Jr., que também utilizava os nomes John Gilbraith ou Jack O’Brian.
Credenciado como vice-cônsul para assuntos econômicos, fachada comumente usada pela CIA no exterior, operou no Brasil de 1988 a 1992, nos consulados dos EUA no Rio e em São Paulo.
Estava empenhado em recrutar cientistas e pesquisadores do CTA, principalmente do programa aeroespacial. Deixou o país quando já estava “queimado” – ou seja, identificado como agente empenhado em ações prejudiciais a interesses brasileiros.
Apurou-se que Gilbride nunca fora diplomata de carreira. O assunto foi encoberto, já que o governo do Brasil queria evitar a eclosão de um escândalo diplomático.
O espião americano marcara almoço com importante cientista brasileiro numa churrascaria da alameda Santos (SP). Os agentes brasileiros que o vigiavam descobriram ser impossível pôr escutas no local devido à fortíssima interferência das antenas de rádio e TV. Terminado o almoço, o americano despistou nada menos que 11 agentes.
O interesse estrangeiro recaía também sobre os centros de pesquisa de universidades como a Unicamp e a USP, com tentativas persistentes de aliciar técnicos e cientistas.
Entre 1983 e 1985, a então Telesp, hoje Vivo, teve roubados carros e macacões dos serviços de manutenção. Após os furtos, a Polícia Federal localizou gravadores em postes do Vale do Paraíba.
Esses grampos – especulou-se – objetivavam registrar telefonemas de pessoas ligados ao setor aeroespacial.

Morte Misteriosa
A misteriosa morte do tenente-coronel José Alberto Albano do Amarante, da Aeronáutica, em 3 de outubro de 1981, evidenciou a atuação de um espião do Mossad, o célebre serviço secreto de Israel.
Nos anos 70, o Brasil desenvolvia secretamente um programa nuclear para fins militares. Parceria com o Iraque assegurava os altos recursos financeiros necessários à sua execução; em troca, os iraquianos teriam acesso aos conhecimentos tecnológicos dos cientistas brasileiros.
O responsável pelo programa na Aeronáutica era Amarante, engenheiro eletrônico pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica visto como o pai da pesquisa nuclear no país.
Em outubro de 1981, ele foi atacado por uma leucemia galopante: morreu em dez dias. Sua morte passou a ser investigada pela Aeronáutica – teria sido contaminado de propósito por radiação.
A família acreditava que o cientista fora morto pelos serviços secretos de EUA e Israel, mas nada se comprovou. Na época, a mulher de Amarante contou que ele se queixava de ser seguido quando ia a SP ou ao Rio. Depois, quando seus restos mortais foram exumados para novo enterro no Rio, a família constatou sinais de violação da sepultura.
Amarante fundara o Laboratório de Estudos Avançados, grande centro de estudos destinado a se constituir na espinha dorsal da pesquisa nuclear do país. Seu objetivo era ambicioso: desenvolver o enriquecimento de urânio por raios laser (usados para detonar a reação nuclear), em vez do sistema de centrífugas, mais oneroso e lento.
No exterior, cresciam as suspeitas de que as experiências objetivavam desenvolver armas nucleares, o que sempre foi negado pelo Brasil.

Escutas no Hotel
As investigações sobre a morte de Amarante revelaram a existência de um misterioso personagem, Samuel Giliad ou Guesten Zang, um israelense nascido na Polônia, que lutara contra os alemães na Segunda Guerra.
O israelense, apelidado de “Mister Pipe” por fumar cachimbo, chegou a São José em 1979 para gerir o Hotel Eldorado, o principal da cidade, que hospedava muitos estrangeiros, civis e militares, envolvidos em atividades industriais e científicas na área.
Extremamente simpático, Giliad mancava de uma perna devido a um tiro levado na guerra, contava. Hábil, instituiu no Eldorado reuniões sociais de secretárias e gerentes de indústrias, gente solitária capaz de soltar a língua estimulada por drinques. Assim, tinha acesso a informações valiosas: sabia quais delegações visitavam quais indústrias da região e, sempre que possível, a razão das visitas.
O israelense tentou se aproximar de Amarante, mas o oficial o repelia: nunca atendeu a nenhum convite. Passou a frequentar o dentista que atendia Amarante, procurando marcar horários logo depois dos do oficial.
O coronel aborrecia-se com a insistência, e suas suspeitas cresceram quando o dentista o alertou das perguntas que Giliad fazia: “O que é que a Aeronáutica está construindo em Cachimbo (Pará)? Ouvi dizer que se trata de uma grande pista de pouso. Mas para que servirá, se já existem as de Manaus e Belém?”.
Era em Cachimbo que estava sendo preparado o local para a primeira experiência do projeto nuclear brasileiro.
Diante dessas perguntas, o alarme foi dado, e Giliad passou a ser vigiado de perto. Descobriu-se que ele tinha cinco passaportes com nomes diferentes e instalara escutas nos quartos e demais dependências do hotel, para ouvir hóspedes e empregados.
Após dois anos, o israelense bateu em retirada de forma hábil quando percebeu que a vigilância crescia: publicou anúncio num jornal local procurando uma acompanhante para dividir despesas numa viagem à Argentina.
O Centro de Informações e Segurança da Aeronáutica errou ao responder ao anúncio enviando um agente (homem). Percebendo que fora desmascarado, Giliad deixou a cidade e desapareceu.
Foi durante a ação do agente israelense em São José que a mídia internacional revelou que o Brasil fazia remessas secretas de urânio enriquecido ao Iraque, disfarçadas em material bélico da Avibrás.
Foi também durante a sua estada na região que o “Latin America Weekly Report” noticiou a misteriosa morte de Amarante, expondo suas atividades secretas com impressionante riqueza de detalhes.
Finalmente, quando se divulgou, em 1981, a história das remessas secretas, o Mossad já sabia de tudo e as documentara com fotos. O episódio brasileiro, acreditam os especialistas, serviu como manipulação da opinião pública para que Israel justificasse seu bem-sucedido ataque aéreo ao complexo atômico de Tamuz, no Iraque.
COMENTO: texto interessante, mas o autor não tem bons conhecimentos sobre a atividade de contrainteligência desenvolvida no Brasil pré-ABIN. Para quem quer saber um pouco do trabalho nessa área, recomendo a leitura do excelente livro “A Contra-espionagem Brasileira na Guerra Fria”, escrito por JORGE DA SILVA BESSA, agente brasileiro aposentado.
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domingo, 4 de agosto de 2013

Remember Raabe

por Janer Cristaldo
Sou à prova de publicidade. Certo dia me disseram que o Facebook estava repleto de publicidade. Ora, posto estas crônicas na rede todos os dias, converso com leitores e confesso que jamais havia visto. Uma vez alertado, fui ver onde estava a propaganda. Estava debaixo de meu nariz, à direita. Como sou cego à qualquer texto do gênero, tive de procurá-lo para vê-lo.
A imprensa tem denunciado que estamos nas mãos das grandes redes, que Google, Facebook e outros tantos sites conhecem o mais íntimo de nossos desejos e nos enviam anúncios dirigidos. Vai ver que não desejo nada: uma vez alertado sobre a publicidade, passei a examiná-la. Até há pouco, os oráculos da Internet não me sugeriram um único objeto de meu desejo. Jamais me senti estimulado a comprar qualquer coisa pela publicidade que invade meu computador.
Até há pouco, dizia. Nas últimas semanas, tem aparecido na coluna à direita o livro Contra Celso, de Orígenes. É algo que obviamente me interessa. Mas o Facebook foi lento. Só o anunciou em minha página depois que eu o havia comprado. E certamente porque o havia comprado.
Surgiu há poucas semanas o escândalo da vigilância eletrônica, feita pelos Estados Unidos e também pelos países europeus. Curiosamente, ninguém mais parece lembrar do Echelon. Denunciado nos anos 80, o sistema Echelon seria um alegado projeto secreto, criado na década anterior, para o qual não existiam então explicações oficiais de suas funções. 
Alguns estudiosos da área afirmam que serve para interceptação mundial de telecomunicações (internet, fax, telemóvel) encabeçado pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA), com a colaboração de agências governamentais de outros países (Reino Unido, Austrália, Canadá, Nova Zelândia), - o Pacto UKUSA - para analisar as comunicações em nível mundial, com o fim de procurar mensagens que representem ameaças à segurança mundial. Devido a todo o mistério que envolve o Sistema Echelon, algumas teorias o acusam de promover até mesmo espionagem industrial”.
A polêmica durou mais de década. Em 2006, a Electronic Frontier Foundation, uma entidade ligada à defesa das liberdades no mundo digital, iniciou uma ação judicial contra a operadora de telefonia estado-unidense AT&T devido a uma suposta colaboração com o Echelon. Os defensores da teoria de que o sistema existia alegavam que tudo o que se fala pelo telefone ou transmite pela Internet e pelo fax, seria controlado, em tempo integral, via satélite, pelo Echelon.
Com o advento da Internet, o Echelon captaria as mensagens de telecomunicações, inclusive de cabos submarinos e da rede mundial de computadores. O objetivo do Echelon seria captar sinais de inteligência, conhecidos como SIGINT.
Visto como uma colossal ficção desde que surgiu na imprensa, o Echelon acabou caindo no território das teorias conspiratórias. Ora, que é a rede de espionagem eletrônica mantida pelo governo americano que recentemente veio à tona? Chame-se como quiser, é o próprio Echelon. Monitorado por quem? Pela NSA. 
Segundo os jornais, o governo Barack Obama entregou relatórios que antes eram mantidos sob segredo de Estado para o Comitê de Justiça do Senado, que está conduzindo audiências sobre o aparato de espionagem digital. Os papéis descrevem o programa da NSA, para vigiar redes de telefonia dentro dos EUA – envolvendo, portanto, principalmente cidadãos americanos.
O segundo país implicado até a medula neste sistema de espionagem é justamente a Inglaterra. O Pacto UKUSA não era exatamente ficção. As nações, com seus segredos de Estado, manifestam indignação. Ora, espionagem existe desde que existe guerra. Está na Bíblia. Remember Raabe. Em Josué, lemos:
De Sitim Josué, filho de Num, enviou secretamente dois homens como espias, dizendo-lhes: Ide reconhecer a terra, particularmente a Jericó. Foram pois, e entraram na casa duma prostituta, que se chamava Raabe, e pousaram ali.
Então deu-se notícia ao rei de Jericó, dizendo: Eis que esta noite vieram aqui uns homens dos filhos de Israel, para espiar a terra. Pelo que o rei de Jericó mandou dizer a Raabe: Faze sair os homens que vieram a ti e entraram na tua casa, porque vieram espiar toda a terra. Mas aquela mulher, tomando os dois homens, os escondeu, e disse: é verdade que os homens vieram a mim, porém eu não sabia donde eram; e aconteceu que, havendo-se de fechar a porta, sendo já escuro, aqueles homens saíram. Não sei para onde foram”.
A intriga prossegue por mais versículos. Há mais episódios de espionagem no Velho Testamento. Moisés foi orientado por Deus a enviar doze agentes para espionar seus inimigos em Canaã, a terra prometida dos judeus. Quer dizer, nada de novo sob o sol. Se nossa época torna mais eficaz à espionagem graças à rede de computadores, isso é uma decorrência natural de nossa época, ora bolas. 
Que os Estados sintam-se prejudicados pela descoberta de seus segredos, entende-se. Mas não vejo nenhuma razão para que o cidadão comum se indigne – como estão se indignando – com esta espionagem. Vai na chuva quem quer se molhar. Se você joga informações a seu respeito numa rede que é pública, não tem razão alguma para queixar-se.
De minha parte, me sinto muito honrado em ser espionado. Espero que saibam de cabo a rabo tudo o que escrevo. Pois para isso escrevo, para ser lido.
No entanto, ao que tudo indica, meus dados são solenemente ignorados pelas redes mundiais de vigilância. Se nem o Facebook, que freqüento diariamente, consegue anunciar-me algo que me interesse, duvido que Obama ou outras potestades saibam algo de minha vidinha. 
Infelizmente. Enquanto há uma grita geral por privacidade, remo contra a maré: por favor, espionem-me até o mais íntimo de mim mesmo. Minha cândida alminha, penhorada, agradece.
Fonte:  Janer Cristaldo
COMENTO:  escrevi faz alguns dias e repito. Sempre foi claro o monitoramento da empresa Google: praticamente a cada seis horas, um acesso à página inicial. Óbvio, há que saber se não está sendo exposta pornografia, pedofilia e outros que causem problemas à empresa. Um leitor assíduo de District of Columbia/EUA e outro de Londres também são notados (e muito bem vindos, off course). Mas há algum tempo, percebo, honrado, o acesso de leitores chineses e russos. Estes não acessam páginas específicas, mas sim a lista da esquerda (Arquivo do Blog) na sequência cronológica inversa, desde o início - já estão em novembro de 2009. Quero ratificar que esses leitores são extremamente bem vindos à minha meia centena de leitores e, como a intenção do editor é a de que as postagens sejam lidas, apesar do blog não ter cunho comercial quero exortá-los a não só continuar suas pesquisas mas, também ajudarem com algum feedback, corrigindo e/ou acrescentando algo que esteja incorreto ou incompleto. E, por favor, não "mascarem" seus acessos, como fazem meus compatriotas, vossos acessos ajudam a melhorar minha auto-estima.
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quinta-feira, 25 de julho de 2013

Do 14-Bis Ao 14-Xis

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Aeronave que voa a mais de 11.000 km/h coloca o Brasil na elite da engenharia aeroespacial :
Em um laboratório em São José dos Campos, interior de São Paulo, a aeronave mais avançada do Brasil ganha forma. Batizado de 14-X, o aparelho tem nome inspirado na mais famosa máquina voadora brasileira, o 14-bis. Em comum com o avião de Santos Dumont, o 14-X tem o poder de garantir para o País um lugar no pódio da tecnologia aeroespacial. Não tripulado, o modelo é hipersônico, capaz de atingir dez vezes a velocidade do som (mais de 11.000 km/h). As propriedades do 14-X colocam o Brasil no seleto grupo de nações – ao lado de Estados Unidos, França, Rússia e Austrália – que pesquisam os motores scramjet, que não têm partes móveis e utilizam ar em altíssimas velocidades para queimar combustível (no caso, hidrogênio). Outra característica do veículo desenvolvido pelo Instituto de Estudos Avançados da Força Aérea Brasileira (IEAv) é que ele é um “waverider”, aeronave que usa ondas de choque criadas pelo voo hipersônico para ampliar a sustentação. É como se, ao nadar, um surfista gerasse a onda na qual irá deslizar.
O projeto nasceu em 2007, quando o Capitão Engenheiro Tiago Cavalcanti Rolim iniciou mestrado no ITA e foi aprovado com uma tese sobre a configuração “waverider”. Cinco anos depois, a teoria está prestes a virar prática. O primeiro teste do 14-X em voo, ainda sem a separação do foguete utilizado para a aceleração inicial, ocorrerá neste ano.
Em seguida, a Força Aérea planeja outros dois experimentos: um com acionamento dos motores scramjet, mas com a aeronave ainda acoplada, e outro com funcionamento total, quando a velocidade máxima deve ser atingida.Se formos bem-sucedidos nesses ensaios, estaremos no topo da tecnologia, embora com um programa muito mais modesto do que o dos americanos”, diz o Coronel Engenheiro Marco Antonio Sala Minucci, que foi diretor do IEAv durante quatro anos e é um dos pais do 14-X.
O grande desafio no desenvolvimento da tecnologia de altíssimas velocidades é a construção dos motores scramjet. Um engenheiro ligado ao projeto compara a dificuldade de ligar tais propulsores a “acender uma vela no meio de um furacão”. Por isso, o IEAv realiza os testes do primeiro protótipo no maior túnel de choque hipersônico da América Latina, no próprio laboratório do instituto.
Diferentemente do que ocorre em turbinas de aviões, esse motor não usa rotores para comprimir o ar: é o movimento inicial, gerado pelo foguete, que fornece o fôlego necessário. No 14-X, os propulsores scramjet são acionados a mais de 7.000 km/h.
Esse será o caminho eficiente de acesso ao espaço em um futuro próximo”, diz Paulo Toro, coordenador de pesquisa e desenvolvimento do 14-X. As aplicações práticas vão além do lançamento de satélites ou dos voos suborbitais. Os EUA, que testam sua aeronave batizada de X-51, pretendem usar a tecnologia em mísseis intercontinentais. Entre os civis, a esperança é de que o voo hipersônico possa se tornar uma realidade em viagens turísticas. Ir de São Paulo a Londres em apenas uma hora não seria nada mau.
Fonte:  Blog Defesa BR
COMENTO:  Um texto com maiores detalhes do projeto pode - e até mesmo merece - ser lido no Defesa BR. Como comentou um amigo, é necessário que sejam intensificadas as medidas de segurança e contra inteligência a respeito do projeto. Não podemos esquecer o "acidente" da explosão da base de lançamento dos foguetes em Alcântara onde perdemos o que tínhamos de melhor dos cientistas envolvidos nas pesquisas aeroespaciais brasileiras.
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sexta-feira, 19 de julho de 2013

Ainda Sobre a Arapongagem Norte-americana

por Gélio Fregapani
Desde há muito tempo conhecimento é poder. Evidente porque o conhecimento oportuno e adequado permite a prevenção de ameaças e o aproveitamento de oportunidades. Indica qual o adequado emprego do poder, seja por Estados, organizações ou indivíduos. A espionagem é uma atividade milenar. Existe desde priscas eras, continuando ao sabor dos ventos dos tempos históricos. Ninguém está a salvo da espionagem - ou, pelo menos, quase ninguém. Apenas quem consiga se resguardar.
Os EUA, como todas as potências, buscam o conhecimento que permita o adequado emprego de seu poder para alcançar ou manter seus objetivos nacionais e conseguir vantagens econômicas, políticas, militares, tecnológicas e sociais. Talvez o Brasil seja a única nação no mundo que acredita que alguma outra vai lhe transferir conhecimentos sensíveis que possam acrescentar poder, e que não tentará monitora-lo, mesmo quando seus interesses colidirem. Um bom serviço de Inteligência não substitui as Forças Armadas, mas é quase tão importante com estas, até para a segurança da Pátria.
Oportuno lembrar que o primeiro "briefing" diário do presidente Obama é com o assessor de Segurança Nacional e com o Diretor Geral da CIA, que lhe transmite a Estimativa Diária de Inteligência. Entre nós, a Presidente não recebe o Diretor Geral da ABIN, e nem adiantaria mesmo receber porque ele sabe muito pouca coisa. Tem como interlocutor o GSI, que faz questão de não se meter com a “arapongagem”, talvez para não se queimar. Mesmo que se informasse eficientemente ele não tem acesso, ou não força o acesso. Até no gabinete de crises instalado durante o pico das manifestações, assinala-se sua ausência. Não é de hoje, desde o Collor que o serviço é sub utilizado, mas desde o Lula está pior. O PT sempre julgou Inteligência "coisa de direita", (embora use para ações partidárias). O partido proibiu a ABIN de monitorar os movimentos sociais. Não há como reclamar quando estes surgiram das trevas virtuais e surpreenderam o Governo.
Quanto aos EUA, é claro que desenvolveram operações de Inteligência no Brasil, assim como o fizeram ou tentaram em todo o mundo.
O que podemos (e devemos) fazer? Mostrar-se indignado é a atitude mais ridícula. Pode-se protestar (pro forma) e até retaliar, afinal, foram desmascarados, mas nesse jogo geopolítico não há leis nem ética, e a única regra é não ser apanhado.
Devemos sim é criar um Serviço eficiente, como já foi o SNI, lamentavelmente só no âmbito de Guerra Fria. Não é possível ter um Serviço Secreto eficiente se ele não tem nem permissão de grampear, onde os Oficiais de Inteligência são selecionados em concurso público intelectual e onde o chefe pode ser escolhido pelo critério da acomodação.
Assim nunca conseguiremos nem conhecimentos úteis nem impedir novas ações de Inteligência, não só dos EUA, mas de qualquer outro país que deseje algo do Brasil. A ABIN não devia existir apenas para servir de cabide de emprego e gerar gastos de milhões de reais anualmente, mas para descobrir o que os outros não querem que saibamos. Antes de tudo precisa receber missões, ou seja, que o Governo lhe diga o que quer saber, ou ao menos lhe dê liberdade para investigar o que achar conveniente.
A guerra de “Inteligência” também é chamada de “O Grande Jogo”. Primeiro é preciso querer jogar. Depois, saber jogar. No nosso caso, aprender a jogar. Poderíamos começar ameaçando contratar o Snowden. Isto nos daria um imenso poder de barganha (e outros problemas também), mas afinal, Snowden ajudou ou prejudicou o Brasil? Se prejudicou, colocando a boca no trombone, que Dilma e Patriota expliquem. Se ajudou, merece ser ajudado, e não vítima de ingratidão.
Alguém pode esperar que firmas estrangeiras não cooperem com seus governos? E quando essas firmas dominam a telefonia e a internet? É acreditar no coelhinho da Páscoa. Querendo se aprofundar no assunto, recomendo a leitura de livros especializados.
Fonte:  DefesaNet
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