quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Você Sabe o Que é Uma Hégira?

O Ocidente chama de crise de refugiados ou questão humanitária.
Mas os islâmicos chamam de hégira. 
O que está em jogo na lei de imigração?
As verdadeiras questões em disputa na geopolítica, e mesmo na configuração do mundo de hoje, passam tão ao largo da intelligentsia moderna – políticos, jornalistas, analistas, professores e o circuito think tank – que não surpreende quando todos se surpreendem com um resultado que seria óbvio fora de seu jargão de educação técnica. 
A lei de imigração, de autoria do atual chanceler Aloysio Nunes (PSDB/SP), ex-motorista do terrorista Carlos Marighella, é um caso de estudo gritante: poucos conhecem seus prováveis resultados, raros entendem a dinâmica e quais são as forças em jogo, mas quase todos estão prontos para empunhar declarações com fontes na internet para, imediatamente, sacar o vocabulário do jornalismo e da Academia, acreditando que estão vencendo preconceitos, e não repetindo preconceitos socialmente aceitos, quando dizem que “nem todo muçulmano é terrorista”, ou ainda venerando vocábulos cristalizados como “islamofobia”. 
Se a intelligentsia se recusa a usar termos com maior capacidade de descrever o que se passa no mundo, como jihad ou salafismo, que dirá até mesmo saber o que são questões fundamentais para o islamismo, mas menos “pop”, como saber o que é uma hégira. 
A importância para o islam 
Responda rápido: qual é o evento que marca o início do calendário islâmico, aproximadamente em julho de 622 para o calendário juliano? Para os “não-preconceituosos” que apenas conhecem a religião muçulmana em comparação ao cristianismo, a tentação de responder algo como “o nascimento de Maomé” ou “o dia da revelação do ‘anjo Gabriel’ a Maomé” é quase carnal de tão sedutora, mas o início do tempo sagrado do islamismo começa de outra forma: com a hégira – a imigração de Maomé de Meca para Medina. 

Uma religião que marca o início de sua história com uma imigração, na mais branda das hipóteses, possui uma relação com imigrações indescritivelmente maior do que qualquer religião ou movimento político em toda a história do planeta. Enquanto ocidentais, que do Corão e do islamismo só conhecem os comentários da Globo News, falam em “crise de refugiados” ou “questão humanitária” (termos que nem possuiriam uma tradução aproximada em árabe), o que muçulmanos estão fazendo, mirando no Ocidente, é seguir os passos de Maomé, pregando abertamente uma hégira (hijra ou هجرة). 
Quando Maomé afirma ter recebido a sua “revelação” (em estado de transe, ao contrário de Maria, que responde racionalmente) do suposto “anjo Gabriel”, começa uma pregação em Meca, sua terra natal, importantíssimo entreposto comercial, tentando “corrigir” o judaísmo e o cristianismo. 
Naquilo que estudiosos do Corão determinam como os mais antigos escritos de Maomé, o “profeta” ainda é pacífico em relação a cristãos e judeus, “os povos do livro”, conforme o linguajar islâmico. Sua proposta é praticamente reescrever a Bíblia, sobretudo o Novo Testamento. Quem mais aparece nesse momento no Corão (e em boa parte do livro inteiro) é Jesus, não negando seus milagres, seu nascimento virginal, seu papel como profeta – mas negando sua mensagem, quase como se proferisse o tempo todo: Eu nunca disse tal coisa!.
Blasfêmias pesadíssimas e imperdoáveis para a mentalidade islâmica, como dizer que é Filho de Deus (como Alá, que não criou o homem à sua imagem e semelhança, pode ter alguma familiaridade com um humano?!) ou, oh, horror, que teria morrido numa cruz, algo que faria toda a teologia islâmica perder o sentido, mas que ocidentais seculares nem fazem ideia do porquê (vide nossos artigos Por que ateus devem comemorar o Natal e episódio Por que a esquerda adora muçulmanos do Guten Morgen, o nosso podcast).
Muçulmanos podem conviver com um tal de Jesus que multiplica pães e ressuscita mortos, mas não com um que morreu numa cruz, por isso costumam se focar não no aspecto messiânico (Kristos) de Jesus, mas no seu local de nascimento, preferindo chamar cristãos de “nazarenos”, até os marcando, em terras islâmicas, com a letra nuun (ن). Era tudo isso que o Corão buscava “corrigir”.
A pregação de Maomé não foi bem aceita por cristãos e judeus, mas também não por pagãos, que, pela visão da nova religião, não tinham nem mesmo o status de sub-religiões, os “errados” que deveriam marcar sua inferioridade se convertendo, pagando o imposto da jizya (“oferecido” apenas a cristãos e judeus). Meca, convoluta com a pregação de porta em porta do nosso auto-intitulado “profeta”, pregando um Deus que não era mais Verbo (logos) encarnado, mas pura vontade e mando, viu sua paz ser ameaçada e Maomé foge para uma cidade razoavelmente próxima, provavelmente com uma pequena caravana de convertidos: Medina, ou Yathreb. É a hégira que vai determinar tanto o islamismo que marca o início do tempo “verdadeiro”.
Após a hégira, já em Medina, Maomé troca completamente a sua estratégia de pregação cabana por cabana. Seu texto passa para a agressividade: ao invés da opção de pagar jizya para admitir a inferioridade, cristãos e judeus podem agora também ter a tentadora opção de serem mortos (já “infiéis” pagãos, como yazidis e afins, só podem mesmo se converter ou morrer, e suas mulheres serem usadas como escravas sexuais). 
Hégira como teologia 
Teólogos muçulmanos influentes nas principais universidades islâmicas do mundo costumam fazer a leitura desses versos contraditórios do Corão, que ora falam em “amar os judeus”, ora em “impor terror sobre aqueles descrentes, e então esmagar suas cabeças” (Qur’an 8:12), justamente pela posterioridade dos segundos sobre os primeiros: os versos de Medina, pós-Hégira, seriam mais “verdadeiros”. É por isso que um sem-número de países muçulmanos, mesmo com versos no Corão pregando alguma forma de “paz” com cristãos e judeus, proíbe sua permanência em suas terras. 
Houve um tempo em que
era comum retratar o “profeta”
É o que faz a dissidente (“apóstata”) Ayaan Hirsi Ali, que abandonou o islamismo e fugiu da Arábia Saudita, dividir os muçulmanos não da forma da tradição islâmica (sunitas, xiitas e kharijistas), mas entre muçulmanos de Meca e muçulmanos de Medina. Os primeiros, felizmente a maioria, seguem os ditos de Maomé pré-Hégira, quando seus escritos ainda falam de comércio, de código civil e de reformas teológicas em um clima que crê que o islamismo vai ser dominante por sua atração própria. Os segundos, que podem até ser uma minoria ínfima, mas são um perigo extremo numa religião com quase 2 bilhões de praticantes, além da hégira, preconizam a jihad, a guerra santa para a conversão – não de pessoas, mas de povos, regiões e países inteiros. Note-se a diferença gritante com uma religião que começa com um Êxodo, para seguir seu Deus e sua verdade em paz. 
Afinal, o islamismo, sendo um jin, não é só uma religião, mas também uma cosmogonia, um método de pensamento (incluindo o “científico”), um código civil, de alimentação, vestuário etc. Além do que ocidentais, incluindo seculares, chamam de “religião” (conceito latino que aprenderam unicamente pela via do complexo do judaico-cristianismo). 
O maior estudioso das religiões do mundo, o romeno Mircea Eliade, define em sua importantíssima obra O Sagrado e o Profano que os religiosos devem seguir o comportamento dos seus líderes, até por imitação. Apesar de não haver uma “preconização” de que muçulmanos devem sair “imigrando” pelo mundo, até a forma de interpretação do Corão depende dos hadith, textos atribuídos que narram a vida do “profeta” Maomé exatamente para tal fim. 
Hégira como conquista 
A hégira “original” é apenas a imigração de Meca para Medina (não é chamada de hégira nem mesmo o retorno de Maomé para Meca, já dotado de uma ideologia guerreira, e entrando em conflito armado com os habitantes locais, iniciando seu reinado conhecido pelo fio da cimitarra). 
Entretanto, como tanto o tempo quanto o espaço do islamismo são 100% sagrados (ao contrário do cristianismo, ou das antigas religiões de Roma, que permitem uma confluência entre sagrado e profano), uma imigração feita com fins religiosos, com o objetivo de povoamento de um lugar não-islâmico (Dar al-Harb, lar da guerra) para se tornar uma região muçulmana (Dar al-Islam, lar da submissão ou da “paz”: daí o apelido do islamismo) também pode ser chamado de hégira, por se estar imitando os passos do profeta. 
Apenas tal entendimento explica 90% da ideia de um “Estado Palestino” na região de Israel que muçulmanos querem tomar para si, expulsando todos os judeus de seu território – com o beneplácito da ONU e do Ocidente, criticando “assentamentos” (ou seja, judeus que ousam existir na Dar al-Islam, ofendendo muçulmanos que não aceitam judeus existindo no seu “lar da paz”). 
Seria uma imigração “sagrada”: como segue o roteiro Meca-Medina, é uma imigração “na paz”, e não ainda praticando a jihad, mesmo para muçulmanos que defendem o jihadismo. De fato, a história do islamismo é uma eterna repetição de tratados de paz (hudna), como o de Hudaybiyyah, feito pelo próprio Maomé. 
Enquanto o muçulmano, geralmente seu líder, está pensando numa trégua com fins de islamizar uma região, o ocidental pensa em “tratado de paz”. Após ter maioria populacional em Hudaybiyyah, através da poligamia e do incentivo islâmico ao prazer sexual (ao contrário do cristianismo católico), em 10 anos, Maomé declara guerra à cidade. 
O modelo segue sendo repetido em toda a propagação da religião com mais rápida ascensão no mundo: imigrações (hégiras), tratados de paz (hudnas), ocasionais guerras (jihad) e tomada de poder (Dar al-Islam). Muçulmanos conhecem o roteiro de cor e salteado. Ocidentais acreditam em “crise de imigração”. Dos portões de Viena ao acordo nuclear com o Irã, comemorado por acólitos de Barack Obama como uma “vitória” do presidente americano, ao mesmo tempo em que os imãs iranianos garantiam ao povo que fora uma vitória contra a América, que seria colocada de joelhos e teria a morte vinda de Alá, a novela é sempre reprise. 
Do Irã à Bósnia e Herzegovina, de Omã à Chechênia, dos Emirados Árabes Unidos à Ucrânia, da Turquia ao Afeganistão, o islamismo se espalhou por tal meio. Não por jesuítas e filosofia patrística e escolástica com universalização de ensino teológico como o cristianismo, mas pela submissão, o próprio significado da palavra islam
Vá e ensine a palavra do profeta – e mate os infiéis 
Muçulmanos enxergam o tempo, em seu calendário, pelo ponto de vista da Eternidade, quase como se tudo ocorresse simultaneamente para Alá. Se o Vaticano é um dos lugares no mundo em que mais se pode encontrar arte grega e romana (incluindo as mais pornográficas), o Estado Islâmico precisa destruir estátuas de deidades já não adoradas há milênios. 
Jihadistas consideram que atropelar civis com um caminhão é o mesmo que praticar a jihad com a espada na época de Maomé. Chamam hoje os combatentes aos grupos jihadistas de Cruzados, ou mesmo de romanos, enquanto a mídia ocidental se recusa até a dizer que dizem “Alá é grande”. Líderes islâmicos de países em guerra, no que chamamos de “crise imigratória”, incentivam sua população a praticar hégira, e a não respeitar as leis locais, esperando pela lei verdadeira de Alá. O resultado não poderia ser mais óbvio, caso ocidentais falassem claramente o que acontece no mundo. 
 
A hégira não é importante, portanto, apenas como história, ou teologia, ou metafísica mítica para interessados no sobrenatural, mas como atividade política de transformação de um país para a não-tão lenta submissão de sua população ao islamismo. 
Quando o chanceler Aloysio Nunes, eternamente ex-motorista do terrorista Carlos Marighella, cria uma lei para “ajudar” na “crise de refugiados” da Síria, tudo o que ele está fazendo, de verdade, é permitir que uma hégira finalmente mire o Brasil. E ainda dando mais direitos a muçulmanos do que a nativos brasileiros. 
Um microcosmo de imigração islâmica ocorreu na Argentina de Perón e depois com a conivência dos socialistas Néstor e Cristina Kirchner, até mesmo permitindo um atentado terrorista contra uma sinagoga que foi encoberto pelo casal. Também temos, é claro, as ligações da Venezuela com grupos terroristas pelo mundo, além do Irã. O vice-presidente venezuelano, o druso Tareck El Aissami, além de acusações de tráfico de drogas, foi acusado por um ex-ministro chavista de dar centenas de passaportes venezuelanos verdadeiros a terroristas sírios para praticar jihad na América. 
As perspectivas da lei de imigração de Aloysio Nunes não são exatamente animadoras. 
O perigo de um atentado terrorista, da jihad moderna, não é exatamente o principal a ser temido – por isso é inócuo o apelo de que “nem todo muçulmano é terrorista”, se nem mesmo todo jihadista, como nem todo defensor das Forças Armadas, está de arma em punho, matando infiéis no campo de batalha e degolando infiéis. 

Mas o islamismo, ao contrário de qualquer outra religião, vê imigração de uma maneira completamente distinta da de outros religiosos ou seculares. Não significa, é claro, que todo muçulmano tenha um plano de “islamizar” o lugar para onde migre, mas basta ver o pensamento dos imigrantes muçulmanos sobre apedrejamento de mulheres adúlteras, pena de morte para apóstatas ou o que acham de gays para se entender o tamanho do problema. 
Fora, é claro, que mesmo assim, há risco do próprio terrorismo e dos efeitos que teria no Brasil. Como disse o atual prefeito de Londres, o muçulmano Sadiq Khan, do Partido Trabalhista, o terrorismo é uma realidade com a qual as grandes cidades hoje “terão de conviver”. Sair na rua com Aloysio Nunes, desde seus tempos como motorista de Marighella, significa brincar de roleta russa sem nada a ganhar em caso de sobrevivência. 
Para quem considerou o muslim ban, o veto de Donald Trump a imigração vinda de sete países do Oriente Médio, como mero “racismo”, “xenofobia” ou “islamofobia”, fica realmente a dúvida se sabem de 10% do que vai acima. 
Sem necessidade de uma jihad, mais uma vez a esquerda ultra-atéia permite que a ideia de algum dia se implantar a lei da shari’ah em um lugar onde ela parecia ser impensável se torna questão não de se, mas de quando. Ocidentais acabam sendo crentes em deuses que nem sabem que existem, e nem sabem como esses deuses querem seus pescoços no chão.
Fonte:  Senso Incomum
COMENTO:  a população do Brasil é composta por uma grande miscigenação de biotipos, graças a grandes migrações, desde os brancos portugueses e espanhóis, passando pela migração forçada dos escravos africanos, as de alemães, italianos e polacos, até chegar aos vindos do Oriente Médio (os chamados, à época, sírio-libaneses) e Extremo Oriente (principalmente japoneses).  Sem dúvida, nosso país deve muito a esses imigrantes por ser a grande nação que é. Todavia, as circunstâncias mundiais mudaram ao longo do tempo. 
Notícia:  jornal  A Platéia  -  Imagem: Diário do Poder - 21 Ago 2016
Se, em épocas em que o Brasil necessitava de trabalhadores vindos de fora, havia um grande controle sobre esses imigrantes - há farta documentação existente sobre os registros oficiais de entrada de estrangeiros no país, com exceção dos oriundos do antigo Império Otomano - nos dias atuais esse controle não pode ser minimizado. Acredito que há espaço no Brasil para continuarmos a receber estrangeiros que possam contribuir no nosso crescimento, seja de que origem forem. Porém, o respeito a seus costumes deve ser recíproco ao respeito à cultura já desenvolvida no Brasil. O chamado "multiculturalismo", criado pelos adeptos do malfadado "politicamente correto", não deve nem pode, de nenhuma forma, ser aceito como superior à nossa cultura já estabelecida. Podemos e devemos acatar manifestações culturais alienígenas, desde que não afrontem os costumes - crenças, hábitos, formas de relacionamento, etc - já arraigados em nossa população.


quarta-feira, 16 de agosto de 2017

O Politicamente Correto e a Distorção da Verdade

Polêmica por declarações do General Óscar Gómez sobre homicídios
Ilustração: por Raul Zuleta - El Colombiano 
por Camilo Trujillo Villa
Uma queixa recorrente dos cidadãos é a de que muitos delinquentes e homicidas terminam livres ou pagando penas irrisórias por falhas do sistema judicial. Razão pela qual alguns se alegram e até celebram ao inteirar-se que um infrator da lei foi morto pelas autoridades ou assassinado nas disputas que se dão entre os grupos criminais.
É comum ver nas redes sociais frases alusivas ao uso de força letal para defender-se de um ladrão ou ler como justificam a morte de alguém considerado “malandro”, seja qual for a circunstância.
A conduta de fazer justiça pelas próprias mãos tem que ver, de acordo com Jairo Andrés Cárdenas, psicólogo e docente da Universidade Católica do Norte, na crença de que cada pessoa pode reclamar o direito de estabelecer uma norma social.
“Falta reconhecer o outro como individuo. E isso está se apagando. A impulsividade é a primeira que vige”, assegura.
A socióloga e especialista em Família, Ana Victoria Bedoya expõe que já se perdeu o respeito pela vida e a dignidade dos demais e que as novas tecnologias facilitam esse sentimento.
“A gente julga sem conhecer o contexto social das pessoas. Muitos aproveitam as plataformas virtuais para desafogar-se, destilar ódio e dizer o que não são capazes de sustentar pessoalmente”, comentou Bedoya.
Acrescentou que alguns aproveitam a oportunidade de anonimato proporcionadas por algumas redes sociais para expressar o [mal estar] que lhes causam as injustiças que vivem ou presenciam diariamente.

Mas quando é dito por um General
O que realmente surpreende, é ouvir o General Óscar Gómez Heredia, Comandante da Policía Metropolitana do Vale de Aburrá, dizer que “aquí não assassinam gente de bem, os que estão sendo mortos são aqueles que tem problemas judiciais”.
Essas declarações buscavam argumentar que os golpes que a Instituição tem provocado na criminalidade, tem como consequência um aumento nos homicídios, os quais, segundo o alto oficial, não tem conexão entre si.
A frase não foi bem recebida pela opinião pública.

Legitima a violência 
O sociólogo Max Yuri Gil Ramírez, presidente da Corporação Región, qualifica essa declaração como desafortunada e que a mesma deve gerar um alto nível de preocupação na cidadania. 
“Há três problemas com as palavras do General: primeiro, é como se nos dissesse que há uma espécie de pena de morte para os que tem antecedentes judiciais. Segundo, geram uma legitimação nesta modalidade de violência que tanto dano tem feito ao nosso país; a mal chamada limpeza social, porque faz o jogo dos que sustentam que é aos delinquentes que estão matando e isso está correto, quando [na verdade] é tudo ao contrario. E terceiro, é que estendem um manto de dúvida e de suspeita sobre todas as pessoas que foram assassinadas; esta é uma forma de re-vitimizar os familiares da pessoa que sofreu o homicídio”, manifestou Gil Ramírez.

Esfriar o debate 
O antropólogo Gregorio Henríquez considera que um cidadão pode interpretar as declarações do Comandante da Polícia Metropolitana como uma motivação à celebração de atos violentos. 
“Ainda que sempre há uma opinião pessoal e esta se debe respeitar, se espera que ante os meios de comunicação seja a institucionalidade que pese. Há que se conter ao falar, porque nunca se saberá de que maneira as pessoas entenderão o expressado”, opinou Henríquez. 
O antropólogo sugeriu que se baixe a temperatura do debate, já que o General Gómez Heredia tem sido um oficial muito racional em suas opiniões e que a ele se deve muito da recuperação de espaços que são importantes para a capital antioquenha. 
“Tampouco devemos começar a julgar por declarações que tem um contexto [específico]. E, se houve equivoco, também tem o direito a se retificar. O importante é esclarecer, para que isto não se preste a que algumas pessoas pensem ou digam: ‘se foi dito pelo Comandante da Polícia, é porque é certo ou é o que se deve fazer”, concluiu Henríquez.

Papel das mídias 
Para Diego Sierra, do Observatório de Direitos Humanos e Paz do Instituto Popular de Capacitação, a afirmação não tem fundamento e é muito grave, já que é uma postura que criminaliza a pobreza e “seria como justificar a pena de morte”. 
Considera, ainda, que os meios de comunicação deveriam fazer um esforço em saber o que se informa e o que não. 
“Muitas vezes, por ‘chiva’ [troça], algumas declarações podem gerar incerteza e insegurança em alguns setores da opinião pública. Devemos antepor a segurança e a vida, para que não nos volte a passar o que ocorreu nos anos noventa. A institucionalidade pública tem que estar em função disto, acompanhado pela cidadania”, assegurou Sierra. 
Também sustenta que é obrigação de todos nos manifestarmos contra o que limita a liberdade de participação política e comunitária.

Respeito pela vida 
O prefeito de Medellín, Federico Gutiérrez Zuluaga, expressou que “é um horror seguir contando mais mortes, temos que falar do respeito pela vida, isto sempre será o mais importante”.

O que se diz sobre os homicídios em Medellin 
O General Óscar Gómez Heredia está a sete meses como comandante da PoliMetro.
O Sistema de Informação para a Segurança e Convivência (SISC), classifica em oito as causas dos homicídios que se apresentam em Medellin:
- associados a furtos, 
- associados a grupos delinquenciais organizados, 
- convivência, 
- violência de gênero, 
- violência intra-familiar, 
- procedimentos da força pública, 
- homicídio culposo, e
- em processo por categorizar (causas diferentes das anteriores). 
Os homicídios associados aos grupos delinquenciais organizados (147 em 2017) são os que lideram a estatística, seguido pelos de convivência e os associados a furtos. 
As comunas de Medellín onde mais se apresentam assassinatos são: Candelaria, Castilla, Doce de Octubre, Robledo, San Javier, Belén e Aranjuez. 
Fonte: tradução livre de El Colombiano
COMENTO: Isso mesmo colombianos, reforcem o "garantismo" dos direitos dos bandidos! No Brasil, tivemos o início de movimentos guerrilheiros nos anos 70 e eles foram liquidados rapidamente com o uso de força bruta! Por outro lado, vocês evitaram usar a força contra os bandoleiros das FARC em seu início. Ainda sofrem as dores dessa decisão, sendo até mesmo obrigados a "negociar" com os narcoterroristas que querem anistias e direitos até mesmo políticos. Por aqui, também fomos - e ainda somos - generosos para com os direitos de cidadania dos facínoras ao mesmo tempo em que depreciamos, admoestamos e reprovamos as Polícias e suas ações. O resultado é uma criminalidade totalmente fora de controle, com números de mortes violentas nunca antes alcançados e nossas polícias desmotivadas e tolhidas em seu atuar por leis e críticas de políticos, imprensa mais comprometida com o sensacionalismo que com a verdade, e um sem número de "especialistas" como os citados no texto, criticando a violência policial desde seus escritórios com ar condicionado, sem conhecerem de perto o assunto de que tratam.
Para coroar o ridículo do vezo crítico da notícia, no mesmo dia foi noticiado que o General Gómez se retratou do que havia dito.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Informação e Desinformação: Aspectos da Guerra Híbrida

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por Flávio César Montebello Fabri
O DefesaNet têm corretamente não somente alertado mas, principalmente, orientado, a respeito do cenário atual vivido a respeito de Guerra Híbrida. Tema que aparentemente é alusivo (a um leigo) somente como uma atuação militar, vivido por forças singulares, na “terra de ninguém”, mais do que nunca tem sido experimentado pelas forças policiais e pela sociedade civil como um todo, sendo extremamente complexo.
Até pouco tempo atrás, em outubro de 2015, vivenciamos em São Paulo (principalmente na capital), a ocupação de mais de 200 escolas, durante a “reorganização” proposta pelo Estado. Poucos se lembraram do evento ocorrido no Chile em 2006, conhecido como Rebelião dos Pinguins (com documentário disponível no site YouTube), com mais de 600.000 estudantes envolvidos, onde se falava muito do “amadurecimento do movimento estudantil”.
Poucos também leram a obra de Gene Sharp, Da Ditadura à Democracia (ou o documentário “Como Iniciar uma Revolução”), enquanto tentavam olhar um pouco mais atentamente a respeito das grandes manifestações populares que ocorriam, também, em passado recente.
Deixemos um pouco de lado conceitos doutrinários a respeito de Inteligência (que segundo a ABIN, Agência Brasileira de Inteligência, é o “exercício de ações especializadas para obtenção e análise de dados, produção de conhecimentos e proteção de conhecimentos para o país”) e Contrainteligência (de uma forma singela, o foco na proteção contra espionagem, por exemplo e produção de conhecimentos, realização de ações voltadas para a proteção de dados, conhecimentos etc.). Passemos a falar sobre a atividade de obtenção de informações e, mais propriamente, da desinformação.
Imagem – Atividade de Contrainteligência, segundo a ABIN 
Mas antes que pareça algo extremamente atual ou romântico (como em muitos filmes sobre espiões), gostaria de lembrar que, do ponto de vista histórico, a Sagrada Escritura (Bíblia) é rica em assuntos que ainda hoje parecem surpreendentes. Como a Bíblia é praticamente encontrada em todos os cantões do planeta, não é difícil efetuar consulta.
A não ser em relação aos meios utilizados e a refinamentos táticos, a primeira ação conhecida com típicas características de emprego de Forças Especiais, se encontra no Livro de Juízes, no seu capítulo 7. Gideão deslocou sob a cobertura da noite e do silêncio uma fração extremamente bem treinada para um acampamento adversário, que possuía um contingente muito maior que a força enviada. Tochas escondidas em cântaros (que foram posteriormente arremessados violentamente ao solo, produzindo som alto) ofuscaram e desorientaram os oponentes, que foram posteriormente abatidos.
A vitória de Gideão pouco difere em doutrina, técnica ou tática às operações do LRDG (Long Range Desert Group) britânico na África Saariana ou a equipe SEAL (Sea Air Land - U.S. Navy, sendo que a equipe 6 é denominada como United States Naval Special Warfare Development Group) desdobrada na Operação Arpão de Netuno, no Paquistão, em maio de 2011, que culminou com a morte do terrorista Osama Bin Laden. Também, a Bíblia menciona a importância do levantamento de informações, precedendo uma ação “ostensiva” propriamente dita. No Livro de Números 13:1-2 (capítulo treze, versículos um e dois) se lê: “E falou o SENHOR a Moisés, dizendo: Envia homens que espiem a terra de Canaã...”. Sucessor de Moisés, Josué fez uso de “espias” com a finalidade de angariar informações a respeito da situação em localidades, particularmente Jericó. Lemos em Josué 2:1-5 (capítulo dois, versículos de um a cinco) que:Então Josué enviou dois espiões dali onde se encontrava o campo israelita em Sitim, para que passassem o rio e se dessem conta secretamente de qual era a situação no outro lado, especialmente em Jericó”.
No versículo 3 que: “São espias...foram mandados pelos chefes israelitas para estudarem a melhor forma de nos atacarem (grifo nosso)”. Em Hebreus 11:31 (capítulo onze, versículo trinta e um) lemos: “Pela fé Raabe... acolheu em paz os espias”. 
Ressalto novamente que no comparativo entre ações, que se deve levar em consideração fatores como “quando ocorreu” e “com quais meios disponíveis”. Também me desculpo com aqueles que são conhecedores a respeito de temas bíblicos, por alguma incorreção de minha parte.
Estudar o objetivo, em vários outros pontos, são condições a serem avaliadas pela inteligência, podendo preceder uma ação onde, de uma forma ou de outra, se fará conhecer as reais intenções de um grupo. John Keegan, famoso historiador militar inglês, em sua obra Inteligência na Guerra: conhecendo o inimigo, de Napoleão à Al-Qaeda (Companhia das Letras, 2006), falando sobre a inteligência, cita o pensamento de George Washington de queA necessidade de obter informações de qualidade é evidente e não precisa ser objeto de debate”. Ainda, Keegan ensina que “a conquista da Gália por César decorreu de seu melhor uso de informações...”.
A arte da observação e dedução também foi sendo desenvolvida com o passar do tempo. As regras de observação mencionavam, inclusive, a análise quando da visualização da poeira e reflexos de luz como indicação de ações de tropas adversárias. Keegan explica queuma nuvem generalizada de poeira indicava geralmente a presença de saqueadores inimigos ... colunas densas e isoladas de pó demonstravam que as hostes estavam em marcha”, tão como, citando o Marechal de Saxe, que “nos dias claros, os reflexos de sol nas baionetas e espadas podia ser interpretado a distâncias de até 1600 metros...se os raios forem perpendiculares, significa que o inimigo avança em nossa direção; quando intermitentes e infrequentes, indicam retirada”.
Pois bem. Não necessariamente nos cenários de Guerra Híbrida, um objetivo (ou grupo envolvido) fica evidente. Da mesma forma, além de obter informações de interesse (e resguardar as mesmas quando necessário), DESINFORMAR também garante resultados quando se fala em mobilização de grupos, formar opiniões, fragilizar instituições, ocultar fatos etc. Aplicativos como o WhatsApp, Telegram, como tantos outros, feitos para facilitar o contato entre pessoas, podem ser utilizados para propagar em curtíssimo espaço de tempo boatos e informações distorcidas causando comoção, sendo que nem todos os usuários, antes de compartilharem algo que receberam, se preocupam em verificar a veracidade ou contexto.
Até que seja esclarecida que a informação recebida não era verídica ou possuía um caráter outro que não o mero esclarecimento a respeito de um fato, a mensagem já produziu seu efeito: DESINFORMAR.
O professor Guy Durandin, em seu livro As Mentiras na Propaganda e na Publicidade (JSN Editora, 1997) já alertava que “quanto ao grau de informação, evidentemente é mais fácil enganar uma população pouco informada do que uma bem informada. Para ilustrar, falaremos apenas de duas situações. Nos regimes totalitários, o governo se esforça para controlar totalmente a informação, ao ponto de se tornar impossível distingui-la da propaganda.
A população, recebendo tudo da mesma fonte, não tem dados para exercer seu espírito crítico, e corre o risco de acreditar em mentiras, ou então, depois de decepções acumuladas, tornar-se totalmente cética”. Na obra, exemplos como Goebbels (um artista da desinformação) e vários outros, são citados. Este livro é de leitura quase obrigatória, principalmente nos dias atuais.
Sobre informar e desinformar vi duas circunstâncias totalmente diversas em relação a uma pessoa próxima: meu filho. Um dia, uma de suas professoras comentou a respeito das vantagens de países democráticos. Citou como exemplo ... Cuba (!!!). Meu filho recebeu uma informação brevemente, não ocorreu debate ou pesquisa sobre, sendo que ao chegar em casa comentou estar fascinado com o que foi descrito. Conversamos longamente e foi exposto outro ponto de vista pessoal de minha parte. Deixo a convicção a respeito do tema com ele, desde que pesquise, tenha acesso a mais referências e outros posicionamentos.
Por outro lado, em outro ambiente (Capítulo DeMolay Sagrada Aliança Nº 791 – São Paulo / SP), testemunhei a pesquisa e debate, sem paixões exacerbadas, a respeito de temas atuais. Informações sobre determinado assunto foram expostas, ocorreram perguntas e, de forma salutar, uma conversa entre os jovens. Felizmente cada um deles tinha um posicionamento pessoal, que foi respeitado, celebrando-se as diferenças. Com uma vantagem: cada um deles, mesmo tendo uma opinião própria, teve acesso a mais informações.
Acompanhar o tema Guerra Híbrida, é um assunto mais complexo e de difícil compreensão do que aparenta. Com a velocidade que proporciona a dispersão de informações, é muito fácil, caso não se pesquise, se deixar levar por fatos parciais ou interesses que não são evidentes. Talvez, em outra oportunidade, possamos comentar mais a respeito de desinformação.
Fonte:  Defesanet