sexta-feira, 14 de julho de 2017

Quando Tudo Falhar, Chame o Joe - Um Herói da CIA

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Lembrando o herói e membro-fundador da CIA, Joe Procaccino
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"Você tem que saber onde esteve para saber onde está"
(Joe Procaccino)
Joseph A. Procaccino é uma lenda da CIA. Tendo servido sob todos os diretores da CIA, Joe alcançou um marco único em 2014: 71 anos no serviço de inteligência.
Joe fez parte de todos os aspectos das missões da Agência, desde os primórdios do Escritório de Serviços Estratégicos (OSS) até a Unidade de Serviços Estratégicos (SSU) e do Grupo de Inteligência Central (CIG) de curta duração, até se tornar um membro fundador da CIA, em 1947. 
Ele recebeu numerosos prêmios, incluindo a prestigiosa Medalha do Diretor, e foi um herói em Langley. Mas foram seus sábios conselhos e orientações honradas, no entanto, que o fizeram muito estimado.
"Quando tudo mais falhar, pergunte ao Joe", tem sido um ditado popular na Agência há anos.
Joe morreu tranquilamente aos 93 anos de idade, em 8 de janeiro de 2015, após complicações de uma doença respiratória. 

Nasce uma lenda
Joe, que nasceu na Itália, entrou no mundo da Inteligência por suas habilidades com línguas estrangeiras.
Ele nasceu em 1921 em Bisaccia e veio para os Estados Unidos em 1933. Ele estabeleceu-se com sua família no Bronx, NY, onde freqüentou o DeWitt Clinton High School. 
Como adolescente, ele foi um vocalista notável que cantou na rádio local e em clubes como "The Young Caruso". Ele se formou no City College de Nova York em 1942, com especialização em lingüística.
"Concentrei-me na faculdade em línguas românicas, aspirando a ser professor de italiano", lembrou Joe durante uma palestra que ele deu na sede da CIA, em 2011. "Em dezembro de 1942, um coronel do Exército dos EUA esteve em Nova York entrevistando estudantes com fortes inclinações linguísticas para aprender japonês. Achei que era uma boa oportunidade para aprender um novo idioma". 
Joe foi aceito no Serviço de Inteligência Militar, e começou estudando japonês na Escola de Serviço de Inteligência Militar, na Universidade de Michigan e em Camp Savage em Minnesota

"Missão Dixie"
Então, de março a junho de 1945, Joe foi membro do Grupo Observador dos EUA que fazia parte da "Missão Dixie" na China.
O objetivo da missão era conseguir que os comunistas e os nacionalistas governantes formassem uma coalizão para lutar contra os japoneses.
Para fazer isso, o primeiro contingente dos EUA da missão viajou de avião para Yenan, a capital comunista sob Mao Tse-Tung. 
O segundo contingente, incluindo Joe, viajou mais de 1.200 milhas por comboio motorizado em estradas nunca antes viajadas, da capital nacionalista chinesa de Chungking para Yenan.
Lá, eles moravam em salas que realmente eram cavernas na encosta, sem eletricidade e iluminadas apenas por velas.
Joe trabalhou em estreita colaboração com os comunistas para colecionar inteligência militar sobre as forças japonesas, obter ajuda para resgatar aviadores avariados dos EUA em território inimigo e coletar informações sobre personalidades comunistas, bem como condições meteorológicas.

De Militar a OSS
Enquanto servia na China pós-guerra, Joe deixou seu trabalho militar e se juntou ao OSS. Quando o OSS foi dissolvido no final de setembro de 1945, seus restos foram alojados no Departamento de Guerra como a Unidade de Serviços Estratégicos (SSU).
O Grupo Central de Inteligência (CIG) foi criado em janeiro de 1946 pela Ordem Executiva, e o SSU foi dobrado nesse verão.
Em 1947, Joe tornou-se um membro fundador da recém-criada CIA.
Em uma palestra em 2011 na sede da Agência, Joe enfatizou que as mudanças na inteligência americana após 1945 e o trabalho pioneiro feito pelos precursores da CIA, não são amplamente conhecidos hoje.
"É difícil transmitir o significado dessas organizações de inteligência predecessoras porque não são prontamente discutidas", disse Joe. "Eu posso ser um dos últimos membros restantes capazes de contar seus triunfos".
Joe fez sua missão educar a força de trabalho da Agência em seu passado e enfatizar a importância de aprender com sua história.

Um Herói em Langley
Uma dedicação insuperável para a missão e as pessoas da CIA fizeram de Joe uma lenda.
Em uma visita à CIA em 2004, o Hall of Famer Cal Ripken se encontrou com Joe e, tendo aprendido o serviço em sete décadas diferentes, escreveu: "Joe, agora é uma série impressionante". 
Descrito pelo ex-diretor da CIA, George Tenet, como "O Pai dos Diretores de Todos os Relatórios", Joe inventou, criou ou foi pioneiro em muitas das políticas e procedimentos de gerenciamento de informações que ainda usamos hoje. 
É nesta área que Joe teve talvez o maior impacto.
Joe ajudou a estabelecer padrões para a produção e avaliação de inteligência humana, funções básicas que tocam virtualmente cada parte da CIA.
Ele desempenhou um papel decisivo na colocação em linha do primeiro sistema eletrônico de disseminação da Agência na década de 1970, substituindo um processo puramente manual.
Depois do 11 de setembro, ele empregou seus antecedentes legais - ele obteve seu diploma de Direito em 1955 e foi membro do DC Bar - para moldar, analisar e melhorar as diretrizes que regem a passagem e uso de inteligência por autoridades policiais e de segurança interna.
Nunca se afastou de um desafio, Joe era freqüentemente visto como um líder entre seus colegas.
Ele disse: "A liderança é ação - não apenas uma posição". Era um padrão que ele tentava viver todos os dias em sua própria vida, e um valor que ele passou para as novas gerações de oficiais que regularmente buscavam seu conselho.
Por sua dedicação e serviço excepcional, em 26 de fevereiro de 2003, Joe foi premiado com a Medalha do Diretor de "Fidelidade Extraordinária e Serviço Essencial". Joe já havia sido premiado com a Medalha de Inteligência do Mérito e a Medalha de Inteligência Distinguida, entre outros.

"Ask Joe"
Nenhum resumo de sua carreira ou lista de suas honras e decorações pode capturar toda a extensão das contribuições de Joe para a CIA e para a Comunidade de Inteligência.
Como um serviceman, um oficial de inteligência e um consultor, Joe definiu a forma como a inteligência americana trabalha em todo o mundo.
Sua própria avaliação foi caracteristicamente modesta: "Relembro mais do que nunca sobre os primeiros anos para afetar positivamente o futuro. Tenho a honra de ter sido parte de todas as facetas desta organização e só espero que as gerações mais jovens dos oficiais da CIA entendam seus papéis notáveis ​​e como o que eles fazem hoje afeta o futuro da Agência ".
Na Agência, costumava ser dito que, não importa o problema ou pergunta, a resposta sempre pode ser encontrada nas palavras de um cartaz acima da mesa de Joe: "Pergunte ao Joe". Infelizmente, não podemos mais fazer isso.
Mas Joe nos deixou com um legado diferente de qualquer outro. Sua história está integrada nos próprios fundamentos da Agência, e as futuras gerações olharão para ele por respostas, assim como ele procurou o conselho daqueles que vieram antes dele.
Quando tudo mais falhar, esses futuros oficiais perguntarão: "O que Joe diria?"
Fonte: tradução livre de CIA
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sexta-feira, 23 de junho de 2017

Ainda Há Muito Safado a Ser Pego! Haja Presídios!

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Mais de três anos já se passaram desde o início da denominada Operação Lava Jato, que apura o desfalque dado por uma grande - enorme - quadrilha nos recursos da Petrobrás. Os desdobramentos das investigações já renderam, até o final de maio passado, 62 acusações envolvendo 274 pessoas, com 29 sentenças que resultaram em 141 condenações. 
Ainda em maio, o jornalista Claudio Humberto anunciou que pelo menos mais cinquenta funcionários da Petrobrás seriam investigados por participação no esquema de corrupção, fraude em licitações, lavagem de dinheiro e evasão de divisas desmantelado pelas investigações, e delatados pelo ex-diretor da empresa, Renato Duque.
E é claro que há envolvimento de funcionários de 2º e 3º escalões (alguém acredita que um Paulo Roberto Costa, do alto da arrogância que afeta os grandes bandidos, iria para um computador alterar editais, planilhas e outros documentos?) e o número desses deve ser superior ao anunciado.
As diretorias de Abastecimento e Serviço da Petrobras, que coordenavam outras dez subdiretorias devem ser investigadas pela Polícia Federal.
Já o jornalista gaúcho José Luiz Prévidi, na mesma época, foi mais específico na pergunta essencial: quem tinha a obrigação de fiscalizar as operações da Petrobras prevenindo as patifarias ocorridas?
E ele mesmo dá a resposta, apresentando essas duas ilustrações, copiadas da página da Petrobras na internet:
Na primeira, o principal organismo da empresa, assinalado em vermelho. Também marcadas, outras instâncias importantes.
Na segunda imagem, a forma como é constituído o Conselho Fiscal.
Havendo pessoal específico para efetuar Auditoria Interna e Gestão de Inteligência e Segurança Corporativa, além de um Conselho Fiscal, por que não foram detectadas as patifarias?? Incompetência, prevaricação ou conivência???
O jornalista Carlos Wagner foi mais além, indagando como tudo aconteceu sem ser notado pelos inúmeros órgãos de fiscalização existentes - Tribunal de Contas da União (TCU), Serviço de Inteligência da Polícia Federal (PF), corregedores das empresas estatais, fiscais de obras públicas e, principalmente, Controle de Atividades Financeiras (COAF) e o sempre vigilante Imposto de Renda (IR)Ele destaca que todos esses órgãos de fiscalização têm um corpo de funcionários de alta qualificação técnica, constantemente treinados e muito bem pagos. Portanto, alguma coisa aconteceu para que toda essa sacanagem tenha acontecido sem que houvesse algum tipo de reação legal.
Incompetência, "ordens superiores" ou omissão coletiva??
Mas, o jornalista vai mais além e destaca, também, a omissão da imprensa, pois embora a maior parte das denúncias da Odebrecht estarem sendo anunciadas como novidades, o que estamos vendo já era do conhecimento de grande parte da imprensa nacional. Emílio Odebrecht foi muito preciso a esse respeito, ao afirmar que toda a imprensa já sabia o que acontecia – os vídeos estão à disposição na internet.
E os órgãos de fiscalização devem ter pilhas de informações a respeito disso nos seus arquivos. E elas não vieram a público porque não houve jornalistas "apertando" quem tem o dever de fiscalizar, como o COAF, que acompanha a movimentação financeira do país. É obrigação jornalística explicar ao público o por que dos órgãos de fiscalização não funcionarem. O pessoal da fiscalização tem de explicar o que estava fazendo enquanto aconteciam todos esses crimes.
Quanto à omissão da imprensa, há um bom artigo no jornal El País, mostrando como interesses não manifestos podem direcionar a atenção do público para alguns assuntos a fim de retirar a importância de outros - Dilemas éticos do jornalismo e o caso ‘Brangelina’. Vale a pena lê-lo.
Voltando ao "deitado em berço esplêndido", vemos os vergonhosos protestos da Associação dos Funcionários do BNDES  contra as investigações, conduções coercitivas e buscas e apreensões pedidas pelo MPF, determinadas pela Justiça Federal e executadas pela PF para apurar delitos nos financiamentos e sociedades promovidas pelo banco no caso JBS. O mesmo aconteceu e acontece com a Federação Única dos Petroleiros e sindicatos dos petroleiros, que não aplaudem o combate aos corruptos, mas corporativamente e até politicamente dão cobertura a eles, criando dificuldades para as ações punitivas necessárias aos que espoliaram a Petrobrás.
Corporativismo ao nível de organização criminosa???
Recentemente, o advogado Astor Wartchow também publicou texto cobrando a falha dos tão eficientes computadores da Receita Federal (veja aqui, aqui, aqui e aqui) e canais de comunicação do Banco Central.  A conclusão de sua redação é admirável: O triste momento que vivenciamos não exige apenas a rediscussão e reexame dos poderes de estado, da organização política e administrativa, mas, sim, sobretudo, da vocação e qualidade do serviço público nacional.
Afinal, como é possível que haja tantos e continuados saques e atentados contra a administração pública e os interesses nacionais diante dos olhos de uma apregoada apta, selecionada e concursada dita elite de servidores públicos?
 

Temos, assim, uma perfeita conjunção de incompetências, omissões, conivências e prevaricações, para dizer o mínimo, de diversos tipos de profissionais. 
Quanto aos jornalistas e aos servidores dos diversos órgãos de fiscalização, podemos minimizar sua contrição em função dos interesses empresariais a que estão conexos os primeiros - nem sempre os editores publicam o que jornalistas produzem - e à carência de meios dos segundos ("grande é a messe, mas poucos são os operários" diria o leitor das Escrituras). Porém, no que diz respeito aos funcionários das empresas fraudadas, a inferência de participação nas patifarias não pode ser menosprezada.
O jornalista gaúcho Políbio Braga nos desvenda um pouco do que ocorreu no BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento), destacando que as bandalheiras lá ocorridas não foram de responsabilidade apenas dos corruptos governantes petistas e empresários contemplados com bolsas-agrado. Como no caso da Petrobrás, há muita cumplicidade dos empregados. Ele cita dados de uma entrevista de José Pio Borges de Castro Filho ao Valor Econômico afirmando que grande maioria dos funcionários do banco não conheceram outro governo que não fosse do PT, porque em função de um PDV (Plano de Demissões Voluntárias), 400 deles saíram da entidade e meses depois foram contratados outros 1.400, já com a nova ordem. Assim, o aparelho lulopetista tomou o banco sob o comando de Luciano Coutinho, que obedecia as ordens de Guido Mantega. A partir daí, os funcionários passaram a engordar seus salários pelo cumprimento de metas de premiação, baseada nos desembolsos do BNDES, a coisa mais maluca do mundo. Isto favoreceu a política dos campeões, como foi o caso da JBS.
Essa afirmativa é corroborada por Mírian Leitão que afirma: "Quase 70% dos funcionários têm menos de 10 anos de casa, isso significa que só haviam trabalhado sob um presidente, Luciano Coutinho. Na gestão passada a ideologia dos campeões nacionais e do desenvolvimentismo dominava as mentes. Luciano fez sucessivos PDVs, reduziu o grupo mais velho que vinha de outras administrações e fez concursos para renovar o corpo de funcionários."
As trapalhadas petistas no BNDES também foram criticadas na Tribuna da Internet: "Luciano Coutinho deixou o BNDES tecnicamente falido, acumulando uma dívida de R$ 518 bilhões, que hipoteticamente teria de devolver ao Tesouro Nacional. O passivo é impressionante, mas Coutinho criou uma maquiagem contábil, apresentou falso lucro e até distribuiu participação aos funcionários. Ele transformou o banco num braço do PT e mandou aprovar um empréstimo ao governo de Cuba de quase US$ 1 bilhão, alegando que era garantido pela Odebrecht. Recentemente foi revelado que a garantia é do governo cubano, que tecnicamente também está falido. Se estivéssemos num país sério, Luciano Coutinho já teria sido algemado."
O banco tinha excesso de dinheiro, porque o Tesouro chegou a apostar R$ 500 bilhões do Tesouro para emprestar e buscar associações bilionárias, como no caso da JBS. Este dinheiro era uma espécie de "cocaína" que viciou o BNDES e as empresas. 
R$ 50 bilhões foram dados na forma de bolsas-empresários.
Por fim, o Jornal Correio do Estado, informa que investigação da Polícia Federal, apura a participação de técnicos do banco no favorecimento à JBS e à J&F em aportes financeiros do BNDES. O TCU (Tribunal de Contas da União) também quer saber se, por atuação de servidores, houve dano ao Estado.
Os funcionários rejeitam qualquer suspeita de favorecimento à empresa comandada por Joesley e Wesley Batista e alegam que todos os critérios técnicos foram obedecidos nas operações.
Até mesmo o pagamento de R$ 2 bilhões que a JBS deverá fazer ao BNDES, como parte de seu acordo de leniência, provocou polêmica entre os funcionários do banco estatal, pois com isso, a empresa reconhece a prática de crimes, o que é tema tabu dentro do banco.
Aparentemente, as investigações no BNDES e na Petrobrás, se ocorrerem a fundo podem revelar muitos servidores envolvidos em corrupção. Como escrevi, acima, é muita ingenuidade pensar que os meliantes que aparecem nas manchetes dos jornais sentariam frente aos computadores para elaborar ou alterar a documentação necessária aos golpes aplicados nas empresas em questão. Quanto aos fundos de pensão, é necessária outra postagem para abranger a parte visível da roubalheira, que também é enorme. Haja cadeia! E as candidaturas para lota-las, independem de filiação partidária!!

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Que Não Sirvam Essas Façanhas, de Modelo Para Nada

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Que me perdoem os bons profissionais advogados ou "operadores do direito" - e eu tenho diversos em minha família -, mas é sabido que muita gente os considera um "mal necessário". Alguma coisa parecida com a febre que denuncia uma enfermidade.
Não é atoa. Diferentemente de médicos, enfermeiros, policiais, professores, assistentes sociais e tantas outras profissões voltadas a minorar o sofrimento da sociedade - antes que retruquem, eu sei que maus profissionais existem em qualquer atividade exercida pelo bicho gente - quem se anima a confiar plenamente em um profissional que se dedica a livrar seu cliente de punições por malfeitos cometidos, contrariando toda e qualquer noção de justiça, moral, ética e baboseiras que tais? 
É claro que estou me referindo aos extremamente desonestos que fundamentam seu trabalho em firulas jurídicas, problemas de redação ou de "mal entendidos" e, principalmente, no maldito "decurso de prazo", usando a ineficiência que grassa no poder Judiciário para protelar a finalização de seus processos e livrar seu cliente da punição devida.  Sempre afirmo que um advogado que honre sua profissão não busca a absolvição de seu cliente sabidamente culpado. No máximo, aceita-se que procure diminuir a pena a ser aplicada!
Mas em termos de falta de caráter, há um outro tipo de trabalho que não dá margem à concorrência. Trata-se do que é atualmente conhecido como "marqueteiro". O profissional dedicado, segundo os entendidos, ao "objetivo de agregar valor às determinadas marcas ou produtos a fim de atribuir uma maior importância das mesmas para um determinado público-alvo, os consumidores".
Aquele tipo de sujeito capaz de, "agregando valor", normalmente fictício, convencer os idiotas a comprarem um veículo novo e irem andar com o mesmo na margem marítima, acelerando seu processo de deterioração, na esperança de conquistar algum favor da mulher de seus sonhos, seja a própria, a do vizinho ou a existente somente em seus sonhos. Esse mesmo tipo de profissional é capaz de produzir ilusões no atacado e promover até mesmo manipulações eleitorais como estamos vendo recentemente nesse amontoado de gente sem valor em um riquíssimo território, que denominamos país, e até mesmo em outras nações em troca de dinheiro - muito dinheiro - de preferência pago no exterior livre de impostos. Claro que me refiro a tipos como Duda Mendonça, João Santana e sua esposa mascadeira de chicletes. 
Há, também, gente como um Washington Olivetto e outros, a respeito dos quais não costumam surgir dúvidas a respeito de sua integridade moral - apesar de uma polêmica peça publicitária de alguns anos atrás feita para atender o TSE, mas de qualidade duvidosa -, mas acredito que esses sejam as exceções que confirmam a regra.
No geral, o que vemos é propaganda sobre propaganda empurrando "remédios" milagrosos para emagrecer, para ficar forte e musculoso, para parar de fumar, parar de beber, consumir celulites e gorduras localizadas, sumir com espinhas e imperfeições da pele e muitos outros embustes que para se realizarem necessitam exercícios físicos e/ou dietas forçadas, que nunca são citados nos "anúncios"! Não vou nem ingressar na seara da religião e das crenças, com seus milagres de curas e sucessos materiais promovidos via dízimos e colaborações espontâneas de recursos individuais. A propaganda voltada ao incentivo do consumismo irracional por parte crianças e adolescentes - de alimentos inadequados, equipamentos eletrônicos e de roupas e utensílios supérfluos - exigiria um texto específico.
Apesar das restrições, ainda vemos propaganda de cigarros e bebidas alcoólicas relacionando seus usos a um estilo de vida fantasioso, pleno de sucessos amorosos e materiais, iludindo jovens e otários de diversas faixas etárias. Não vejam esta frase como uma crítica aos usuários desses produtos. Cada um é senhor de seu destino e vive como bem entende. Os "jovens e otários de diversas faixas etárias" a que me refiro são os que se deixam seduzir pelo que lhes é incutido no cérebro por trabalhos muito bem planejados e executados pelos tais "marqueteiros".
A propaganda brasileira já foi considerada a melhor, ou uma das melhores do mundo. A criatividade dos brasileiros já gerou peças publicitárias históricas. Por outro lado, nos dias atuais, o padrão não é bom. A criatividade foi substituída pelo mercadejo.
Mas toda essa lenga-lenga foi para demonstrar duas coisas. O mau uso da criatividade a serviço de interesses ideológicos partidários e o mau uso das verbas públicas em propaganda.
A princípio, a melhor propaganda que poderia haver da administração pública seria o bom uso dos recursos do erário. Mas para isso, seria necessária a existência de uma sociedade atenta e instruída o suficiente para executar essa observação e avaliar seus administradores. Não é o caso do Brasil, onde a grande maioria de seu povo só é capaz de observar e avaliar as táticas e desempenhos de técnicos e jogadores de futebol.
Em rápida viagem ao Rio Grande do Sul, me deparei nos intervalos comerciais das emissoras de televisão com propagandas institucionais que se encerram com a rápida exibição de um logotipo que me pareceu estranho. Trata-se da afirmativa de que o atual governo é de "todos pelo Rio Grande". Um bom slogan se não fosse pelo detalhe do posicionamento da letra "D", em cor de destaque, mas subposta de modo que pareça um "L".
A princípio, pensei ser somente um "defeito", um detalhe que havia passado despercebido aos criadores da peça e aos seus compradores - certamente a um bom preço.
Mas em uma ou duas notícias em que apareceram o inábil e incompetente ora empoleirado na chefia do poder Executivo gaúcho - seguindo uma constante nas últimas décadas nas quais o "povo mais politizado do mundo" primou por eleger e ser desgovernado por elementos da pior espécie, tendo este último, a atenuante de ainda não ter aparecido algum ato de desonestidade que o desabone - percebi que a tal letra se destaca quanto às letras "O" que a ladeiam, evitando o erro de interpretação citado.
Daí, ficou minha certeza de que o formato do primeiro logotipo citado não foi um equívoco, mas sim uma afronta ao governante e seus governados. Não fosse assim, não haveria a "correção" na imagem quando exibida na presença da autoridade ou de outros que pudessem perceber o desrespeito.
Ficam as dúvidas: 
- foi incompetência ou pirraça de algum funcionário da agência de propaganda??? 
- Foi pirraça ou incompetência do encarregado governamental pela verificação do trabalho antes de sua aprovação???
- Houve essa verificação???
E assim seguimos. Pagando - caro, muito caro - por propagandas governamentais em âmbito federal, estadual, municipal, e de empresas estatais que monopolizam suas atividades nada nos oferecem além de péssima prestação de serviços, arrogância e ameaças de aumento nas taxas e impostos.
Que não sirvam essas façanhas de modelo a poha alguma!!!
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sábado, 20 de maio de 2017

O Polvo - A Representação do Mal em Mapas de Propaganda

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Desde o século XIX, a figura de polvos em mapas de propaganda tem representado a disseminação desumana do mal, com seus tentáculos agarrando terra e poder.
 "Serio-Comic War Map for the Year of 1877" (1877), de Fred W. Rose, publicado por GW Bacon & Cia, dois meses depois da Rússia atacar o Império Otomano em resposta ao massacre turco de búlgaros cristãos (representado por um crânio)
O mapa acima, do caricaturista Fred W. Rose de 1877, publicado no meio da Guerra Russo-Turca, mostra a Rússia rastejando pelo mundo como um polvo, e seus tentáculos agarrando a terra por todos os lados. Enquanto os outros países são ilustrados como pessoas, a Rússia é retratada como algo estranho e monstruoso. A novidade visual inaugurou uma tendência de cefalópodes cartográficos, muitos dos quais constam na Coleção PJ Mode da Cornell University Library
Conforme foi citado em outro artigo de Hyperallergic, a Coleção PJ Mode, doada à Universidade de Cornell em 2014, centra-se na "cartografia persuasiva", ou propaganda cartográfica. Estes mapas do século XV até o presente foram concebidos para transmitir um certo ponto de vista, em vez de uma geografia precisa. Recentemente, cerca de mais 500 mapas foram adicionados à coleção on-line, dobrando o número de imagens e descrições disponíveis. O mapa de Rose está entre esses acréscimos, junto com outros gráficos que empregam o polvo.
Ashley Baynton-Williams em The Curious Map Book de 2015, escreve que o mapa de Rose é "o mais conhecido mapa onde a Rússia é retratada como um polvo" e que a "prevalência do motivo de polvo em mapas posteriores sugere que o polvo também retratou os primitivos medos da humanidade, evocando uma criatura aterrorizante e misteriosa das profundezas".
Joseph Ferdinand Keppler, "Next!" - Descreve a Standard Oil como um polvo expandindo-se pelos Estados Unidos, estrangulando as capitais dos estados e o Congresso (1904), publicado pela revista Puck (Persuasive Maps: PJ Mode Collection, Cornell )
Posteriormente, outros mapas similares foram publicados, como um mapa de  7 de setembro de 1904, da Revista Puck que mostra a empresa Standard Oil estrangulando Congresso e as capitais estaduais americanas; e um poster de propaganda da década de 1940, onde os alemães que ocupavam a França mostram Winston Churchill como um polvo grotesco, fumando um charuto e com seus apêndices sangrando, simbolizando avanços e derrotas britânicos. 
“Acredite – as amputações seguem metodicamente”  (1942),  propaganda da
França ocupada  pelos alemães mostra Winston Churchill  como um polvo
gigante fumando um charuto (Biblioteca da Universidade Cornell)
Às vezes o polvo do mapa parece alguma coisa balofa, pesada, como em um mapa anti-russo de 1904 do Japão, onde as armas soviéticas parecem crescer lenta e constantemente; mas em outras vezes ele é fino e ágil, como o "polvo vermelho" que representa a União Soviética em um panfleto de 1980 do Globo-Democrata de St. Louis. Em todos os casos, sua forma retrata um opressivo aperto faminto de poder, além de alguma força obscura, não natural, que ameaça cobrir a Terra.
Kisaburō Ohara, "Um Atlas Diplomático Humoristico da Europa e da Ásia" (1904), um mapa anti-russo criado por um estudante japonês na Universidade de Keio durante a Guerra Russo-Japonesa (Mapas Persuasivos: Colecção PJ Mode, Biblioteca da Universidade Cornell)
Henry Mohr e Oliver Starr, "The Red Octopus: Reimpressões completas de
 uma serie detalhando como, nas últimas duas décadas, a União Soviética teve
 ganhos alarmantes em sua campanha pela dominação mundial" (1980),
 publicado por St. Louis Globe-Democrata
(Mapas Persuasivos: Coleção PJ Mode, Biblioteca da Universidade de Cornell)
Em um artigo sobre o “Terra Octopus Cartográfico” no Big Think, Frank Jacobs escreve que o animal subaquático é “um emblema perfeito do mal para ser espalhado através de um mapa: sua cabeça feia é o centro de uma inteligência malévola, que está manipulando seus obscenos apêndices para trazer a morte e destruição ao seu entorno." 
Na exibição do War Map do ano passado em Map House de Londres, a cópia de um mapa de 1944 foi incluído na Coleção PJ Mode. Ele mostra um sol nascente transformado em um polvo voraz que emerge da bandeira japonesa, com seus tentáculos alcançam o entorno das então denominadas "Índias Orientais" visando agarrar-se às antigas colônias holandesas. A imagem teve aproximadamente 10.000 cópias impressas para o governo holandês, exilado e baseado em Londres. A repetição reforçaria a metáfora como símbolo da ameaçadora invasão.
Patrick Cokayne Keely, "Indias Devem Sr Livres! Trabalhe e Lute por
 Isso!" (1944) - Mostra o Japão  como um polvo com tentáculos controlando
 as 
Indias Orientais holandesas
 (Persuasive Maps: PJ Mode Collection, Cornell University Library)
O polvo já aparecia em mapas muito antes do século 19, mas como o "ominoso Kraken", um monstro marinho simbolizando os perigos dos oceanos inexplorados. Saindo das águas e arrastando seu corpo de muitos braços sobre a terra, ele mantinha esse sentido de mal-estar e maus pressentimentos.
Veja mais exemplos de uso da imagem do polvo como símbolo maléfico em cartazes de diversas finalidades.
WB Northrop, "Landlordism causa desemprego" (1909), mostrando o polvo de "Landlordism" estrangulamento de Londres, embora o mapa deixa as propriedades da família real de suas terras de propriedade dos ricos 
(Persuasive Maps: PJ Mode Collection, Cornell University Library)
Criador alemão desconhecido, "Freiheit der Meere" (1918), descrevendo a Grã-Bretanha como um polvo que ameaça a "liberdade dos mares", com seus tentáculos chegando a quase 30 lugares supostamente colonizados ou atacados pelo Império Britânico 
Louis Emile Manche, "De Dollarpoliep" (1942), um cartaz de propaganda anti-americana criado pelos nazistas na Holanda, mostrando os Estados Unidos como um polvo com tentáculos que cercam as Américas e chegam a oeste para o Pacífico e Leste para o Atlântico
(Persuasive Maps: PJ Mode Collection, Cornell University Library )
Nicolas Baladiez, "La pieuvre britannique" - L'Angleterre dans le Nord de l'Océan Indien (1905), publicado no Journal des Voyages - Aventures de Terre et de Mer , mostra o "polvo" imperial britânico que alcança a península arábica e o chifre da África 
Veja mais imagens a respeito da "cartografia persuasiva" navegando pela Coleção PJ Mode on-line na Biblioteca da Universidade de Cornell.
Fonte:  tradução livre de Hyperallergic
COMENTO: as ações de Contra Inteligência incluem a Contra-propaganda onde se inserem os exemplos citados. Nem sempre uma propaganda interessante ou uma "imagem diferente" significa somente o que parece. Como consta no texto, a repetição reforça a mensagem de "ameaça latente", criando no subconsciente do alvo a necessidade de reação.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

O Jovem Osório - Humano, Intrépido, Justo à Sua Maneira

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Na data em que se comemora o nascimento do Patrono da Arma de Cavalaria, transcrevo o texto de Carlos Fonttes, Sargento da Reserva do Exército, membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB) publicado em Artistas Gaúchos e atualizado por correio eletrônico.
"Quando publicamos a obra “Regimento Dragões do Rio Grande – Evolução Histórica do 4º Regimento de Cavalaria Blindado” em 2001, sobre a OM da cidade de São Luiz Gonzaga, uma das mais antigas Unidades da Arma de Cavalaria em nosso estado, realizando as várias “pesquisas de campo” deparei-me com um emocionante fato sobre o grande Marechal Manoel Luiz Osório, Marquês do Herval e patrono da Arma de Cavalaria, durante sua brilhante carreira militar, acontecido na região da Barra do Quaraí, (Uruguaiana-RS). 
Ao ser promovido ao posto de Tenente em 12 de outubro de 1827 no 5º Regimento de Cavalaria (hoje 4º RCB), sediado na cidade de Bagé, teve sua unidade transferida para Rio Pardo, onde permaneceu até 1834.
A fama do jovem oficial de apenas 20 anos de idade, já corria o mundo, causando entre as moças da sociedade local, grande interesse por ouvirem falar a seu respeito, narrativas de heroísmo e bravura.
J.B. Magalhães, um dos mais completos biógrafos de Osório, narrando sua vida amorosa nesse período, cita o que talvez tenha sido um dos grandes infortúnios na vida de Osório, o relacionamento com uma jovem chamada Ana, a quem Osório apelidou de Lídia, musa inspiradora de seus versos. Apesar da imposição restritiva da família da jovem, sob a alegação de que Osório, como Tenente, não teria condições de garantir a vida promissora de Ana, ela continuou esse romance, não desanimando. O pai da jovem, um rico fazendeiro daquela região, com forte influência na Corte, intercedendo junto ao Comandante das Armas, consegue a transferência de Osório para os destacamentos de fronteira.
Sem esquecer sua amada, parte Osório para sua árdua missão, em guarnecer as fronteiras da Província.
Os pais de Ana, preocupados em zelar pela filha e tratando de apagar as lembranças de seu grande amor, divulgam a notícia de que Osório havia morrido, fazendo-a casar-se com um pretendente rico.
Alguns anos mais tarde, sabendo a verdade da trama, a jovem foi definhando até a morte e, quando preparavam seu corpo para o sepultamento, descobriram marcado em seu peito, sobre o coração inerte, uma espécie de tatuagem com as iniciais do nome: Manuel Luiz.
Sabedor de todo o enredo e da morte de seu grande amor, Luiz Osório mergulha, tristemente, pelos caminhos dos inspirados versos que compõe.
Muito embora curtindo as duras mágoas, exerceu comissões durante dois anos, iniciando em 2 de agosto de 1831, destacado nesta região, na linha fronteiriça formada pelo rio Quarai.
Grassava, naquela época, uma onda de vandalismo e contrabando na fronteira, com elevado número de arruaceiros em Bella União, do lado Cisplatino, povoação que se criara com os índios trazidos das missões pelo Gen Frutuoso Rivera, que constantemente cruzavam nossas divisas, roubavam gado, matavam, incendiavam propriedades e retornavam àquela povoação impunes, sem que ninguém ousasse detê-los.
Do lado brasileiro, o hoje município emancipado da Barra do Quarai - que conforme sua história teria iniciado com a instalação de uma Guarda Portuguesa por 1814 -, era encarregado pelo Governo Imperial Brasileiro de garantir a defesa do território conquistado, apesar das frequentes investidas espanholas na área.
A atual cidade da Barra do Quarai, foi elevada a categoria de Vila, em 31 de março de 1938, sendo desmembrada, como 2º Distrito de Uruguaiana, pela sua emancipação como cidade, em 28 de dezembro de 1995, pela Lei Estadual nº 10.655.
Naqueles idos de 1831, os poucos habitantes da região, cansados dos maus tratos desses bandoleiros, apelam pela ajuda do Comandante do Destacamento da Guarda desta fronteira, sendo atendidos por Osório que determina aos seus comandados a missão de abater ou prender tais arruaceiros.
Apesar de reiteradas recomendações do Império com respeito à soberania vizinha, Osório, resoluto, vê a necessidade de reprimir com violência o vandalismo que imperava na região. Sob seu Comando e transpondo a fronteira do velho rio Quarai, a tropa surpreende os assaltantes ainda com os produtos de roubo. Dizima todos no local, inclusive mulheres que portavam armas e enfrentaram sua escolta militar.
Consequentemente, em 8 de janeiro de 1832, Osório foi preso pela sua atitude, porém a opinião pública e o bom conceito estavam a favor do jovem Comandante que, após quase um ano foi solto e nada ficou constando em sua fé de ofício que viesse empanar o brilho de sua carreira. Conforme extrato de sua “fé de ofício”, enviada pela Divisão de História, do Arquivo Histórico do Exército, Osório foi solto em 11 de dezembro, “por falta não comunicada ao Corpo”. Comenta-se que este fato, produzido pela integração corajosa de seu caráter, marca em sua trajetória, regada por um grande sentimento amoroso, a frase que certa vez dissera: “A farda não abafa o Cidadão no peito do Soldado”.
Durante a realização do “Projeto Pró-memória Histórica das Propriedades Rurais”, de minha autoria, para o livro “As Estâncias Contam a História – Uruguaiana”, encontrei na região de Pay-Passo (do Espanhol: Passo dos Padres), a beira do rio, uma velha trincheira, completamente encoberta pela vegetação e arvoredo. Sempre me suscitou dúvidas a sua origem. Não poderia afirmar o motivo porque foi construída, nem por qual força militar ou paramilitar que ali esteve. Moradores antigos comentam terem encontrado cápsulas de munições e restos de metal, como se tivesse havido um paiol de munições.
Teria sido o acampamento de Osório? Ou alguma outra força imperial?
- Quem sabe um dia a história irá nos comprovar esta dúvida, pois pelo que conta ainda a tradução oral dos moradores daquele local, existe a entrada de um fosso naquela trincheira.
Em 2008, quando se comemorava nacionalmente os duzentos anos de nascimento de Osório e que culminava com a data de seu falecimento, levamos um pedido ao então Comandante da 2ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, Gen Ricardo de Matos Cunha, para que fosse perpetuado na Região da Barra, na localidade do Pai Passo, um marco que demarcasse a área em que Osório esteve acantonado, comandando uma pequena guarda.
E no dia 4 de outubro (data de falecimento do homenageado) realizou-se uma grande cavalgada por membros do 8º RCMec, alguns integrantes do 5º RCMec, 6º RCB e gaúchos civis, com saída do Circulo Militar de Uruguaiana. Ao termino da cavalgada, no local determinado, foi realizada uma missa crioula e inaugurado um pequeno marco, com a imagem de São Jorge, padroeiro da Cavalaria, para perpetuar as façanhas deste vulto da nossa história, onde podemos ler na placa o seguinte:
“É fácil a missão de comandar homens livres, basta mostrar-lhes o caminho do dever”
"Nesta região da Barra do Quaraí, de agosto de 1831 a janeiro de 1832, comandou um “Destacamento de Fronteira”, o Tenente Manoel Luis Osório, hoje Marechal Patrono da Arma de Cavalaria, defendendo a fronteira. 
Barra do Quaraí, RS, 04 de outubro de 2008. 
Comando da 2ª Brigada de Cavalaria Mecanizada 
Liga de Defesa Nacional
Academia de História Militar Terrestre do Brasil."


Carlos Fonttes, Sargento da Reserva do Exército,
 é Delegado da Academia de História Militar Terrestre do Brasil
texto atualizado via e-mail
COMENTO:  tanto o triste episódio envolvendo a jovem Ana quanto a "invasão e ataque" ao acampamento de bandidos em Bella Unión, em território cisplatino, são confirmados pelo relato constante nas páginas 26 a 30 do livro biográfico "Osório - Síntese de Seu Perfil Histórico", escrito pelo Cel João Baptista Magalhães e publicado pela Biblioteca do Exército (BibliEx) em 1978.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

O Caso da Sexta-Feira Santa - Donald Trump Encontra Ex-presidentes Colombianos

Editorial
ILUSTRAÇÃO MORPHART
O encontro mantido na Sexta-Feira Santa (14 Abr 17) pelos ex Presidentes colombianos Andrés Pastrana e Álvaro Uribe com Donald Trump, em um clube privado de propriedade deste último na Flórida, tem gerado todo tipo de especulações, encontrando terreno propício para a "rumorologia" por não se saber do que falaram, em que termos nem o caráter de dito encontro.
Só o que se sabe são as sucintas linhas do ex-presidente Pastrana em seu Twitter: "Grato, Donald Trump, pela cordial e muito franca conversação sobre problemas e perspectivas da Colômbia e a região". O ex-presidente Uribe limitou-se a dizer que foi um encontro social "organizado por terceiros". CNN em Espanhol assegurava ontem (16 Abr 17) que se tratou apenas de uma saudação muito breve, em um corredor.
O certo é que esta notícia pegou o Governo colombiano de surpresa, deixando-o confuso.  Apenas ontem, porta-vozes como o novo Secretário-Geral da Presidência, Alfonso Prada, ou o Vice-presidente Óscar Naranjo, saíram a manifestar suas preocupações pelo que possam ter falado sobre a Colômbia e o governo de Juan Manuel Santos.
A pergunta é se é ético ou não por parte dos dois ex chefes de Estado reunirem-se com o Presidente daquela potência mundial antes mesmo do governante em exercício. Ou que manifestem opiniões sobre fatos políticos de seu país. Mas a resposta a esses questionamentos estará forçosamente sujeita a saber o que foi falado, e como.
A todos os presidentes incomoda sempre que líderes políticos vão ao exterior a formular críticas contra eles ou contra suas políticas. A tal ponto vai essa sensibilidade que as críticas feitas desde fora são consideradas como ataques contra a própria Pátria. Mas no mundo de hoje são poucas as nações que podem impedir que seus líderes (políticos, empresariais, de opinião) possam manifestar no estrangeiro, livremente, suas análises sobre o que se passa em sua terra.
O mesmo Juan Manuel Santos tem experiencias, como quando durante o governo de Ernesto Samper (1994-1998) falou com líderes internacionais, entre eles Felipe González, na Espanha, para conseguir uma transição de poder mediante a renúncia do então questionado mandatário.
Muitos outros políticos agiram igual, e no governo de Álvaro Uribe os dirigentes de esquerda foram especialmente ativos em sua diplomacia paralela, tanto nos Estados Unidos como na Europa e América Latina.
O que se questiona agora é que quem faz isso são dois ex-Presidentes, que por sua trajetória e experiência sabem que em política internacional se deve guardar uma série de consensos mínimos e de reconhecimento dos poderes do Chefe de Estado para conduzir as relações exteriores.
Todavia, os ex-presidentes Pastrana e Uribe, até onde se sabe, não assumiram representação internacional para este encontro com Trump, portanto, não se pode falar em usurpação de funções em política exterior. Ainda que seja evidente que, se o fato acontecesse durante seus governos, haveriam de manifestar total contrariedade.
Também deve ser considerado o "estilo Trump". Que certamente tem conduzido sem muitos cuidados as formalidades e protocolos da diplomacia tradicional, a que se sujeita a Chancelaria colombiana. Ele não considerou anormal receber os dois ex-presidentes sem ter feito o mesmo com Santos. Não é Colômbia a única que pode mostrar sua discordância pela forma como o novo presidente dos EUA maneja as relações com quase todos os demais países, sejam ou não do chamado "terceiro mundo".
Fonte: tradução livre de El Colombiano
COMENTO: na mesma edição do periódico, Juan David Garcia Ramírez, analista de Política Internacional e Professor da UPB (Universidade Pontifícia Bolivariana) defende que "o encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump e os ex-presidentes Álvaro Uribe e Andrés Pastrana, não só foi necessário, como também desejável, uma vez que são os representantes da oposição política ao governo de Juan Manuel Santos, que somente mostraría a Trump as bondades e aspectos positivos dos acordos com as FARC, enquanto que uma visão crítica e realista dos mesmos, de suas implicações para a estabilidade do país, como também da dramática situação por que atravessa a Venezuela e os perigos que a ditadura chavista comporta para a região, permitirão a Trump tomar decisões concretas e acertadas a respeito da América Latina.
Em absoluto esse encontro constitui uma substituição dos canais diplomáticos, pelo contrário, é a oportunidade para que se tenha em conta as preocupações dos líderes da oposição, que em última análise representam uma parte muito importante da cidadania e estão plenamente legitimados para expressar seus pontos de vista."
Esse é o padrão de discussão política em um país onde seus cidadão estão atentos ao seu futuro. Onde futebol e novelas são apreciados como diversão e não como coisas imprescindíveis e os políticos de oposição procuram agir em consonância com os interesses da população e não somente de acordo com os interesses partidários e particulares.
Enquanto os colombianos discutem o relacionamento com quem determina a política da maior potência mundial (econômica e militar, gostem ou não), abaixo da linha do Equador, a diplomacia se preocupa com a recusa da visita papal.
Falta muito para que a junção da maior extensão territorial da América Latina e o povo que a habita possa ser considerada um País, uma Nação.
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domingo, 9 de abril de 2017

Miséria Intelectual

por João Pequeno
Uma boa régua para medir o abismo entre o povo e intelectuais orgânicos que fingem falar em seu nome pode ser vista em duas pesquisas elaboradas por entidades ligadas ao PT. 
“Nunca na história da República o Congresso votou uma lei tão contrária aos interesses da maioria do povo brasileiro”, acusou, na “Folha de S.Paulo”, Vladimir Safatle, professor de filosofia da USP e militante do PSol, sobre as terceirizações. 
No artigo “O Fim do Emprego”, ele não cita número que mostre essa tal maioria, mas sim o de uma pesquisa do Dieese/CUT apontando que trabalhadores terceirizados ganham, em média, 24% menos do que os contratados diretamente.
Acontece que “como atualmente a terceirização só é permitida para atividades meio, é razoável supor que (...) ganhem menos do que os trabalhadores nas atividades fim, independente da forma de contrato”, como destrincha Roberto Ellery, professor de Economia da UnB, no site ILISP. Ele usa o próprio estudo do Dieese para mostrar que setores tipicamente terceirizados concentram mais trabalhadores até o ensino fundamental, enquanto os tipicamente contratantes têm quase o triplo proporcional com superior completo: 22,7% contra 8,7%. Outro estudo, da FGV, compara seis atividades e mostra que, na média, terceirizados ganham só 3% a menos que contratados. A diferença era maior em limpeza e telemarketing, ficando em 5% no setor de segurança; já na área de TI, os terceirizados ganhavam melhor. Os dados podem ser vistos no link: FGV-Arquivos.pdf.
Ainda que os terceirizados ganhassem menos em qualquer área, o que seria melhor? Seguir desempregado, como quem perdeu o trabalho ante a recessão acumulada de 7,2% catapultada pelo governo Dilma Rousseff? Isso sim foi o fim de empregos – quase 3 milhões em dois anos, segundo o IBGE. 
Já a Fundação Perseu Abramo, do PT, foi ouvir moradores da periferia de São Paulo e não se conformou por eles terem visão bem mais liberal que a de seus abastados acadêmicos.
“Todos são ‘vítimas’ do Estado” e “muitos assumem o discurso propagado pela elite e pelas classes médias apontando a burocracia e os altos impostos como impecilhos (sic) para o empreendedorismo”, lamentou, com ironia, nas notas da pesquisa: P Abramo-Pesquisa Periferia.pdf.
Então, brasileiros deveriam agradecer por levar, em média, 107 dias para abrir uma empresa e cinco meses trabalhando só para pagar impostos, de acordo com o Banco Mundial e o IBPT, respectivamente. Não deixa de ser uma opinião coerente com quem escreve empecilho com I.
João Pequeno é Repórter do Destak Rio
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sexta-feira, 31 de março de 2017

Aos Que Não Viveram a Contra-Revolução de 31 de Março de 1964

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Texto de 2004, do saudoso Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra
No dia 31 de março próximo faz 40 anos que foi deposto o Presidente da República, João Goulart.
Uns chamam esse acontecimento de golpe militar, outros de tomada do poder, alguns outros de Revolução de 1964. Eu prefiro considerá-lo como a Contra-Revolução de 31 de março de 1964.
Vou lhes explicar o meu ponto de vista ao longo deste artigo. Espero que ao final vocês tenham dados suficientes para julgar se estou certo.
Vocês foram cansativamente informados por seus professores, jornais, rádios, TV e partidos políticos:
- que os militares tomaram o poder dos civis para impedir que reformas moralizantes fossem feitas; 
- que para combater os "generais que usurparam o poder" os jovens da época uniram-se e lutaram contra a ditadura militar e que muitos deles morreram, foram mutilados, presos e torturados na luta pela "redemocratização" do país;
- que os militares assim agiram a mando dos Estados Unidos, que temiam o comunismo instalado no Brasil; 
- que jovens estudantes, idealistas, embrenharam-se nas matas do Araguaia para lutar contra a ditadura e pela redemocratização do país.
Com quantas inverdades fizeram a cabeça de vocês! E por que essas mentiras são repetidas até hoje? Foi a maneira que eles encontraram para tentar justificar a sua luta para implantar um regime do modelo soviético, cubano ou chinês no Brasil.
Por intermédio da mentira, eles deturparam a História e conseguiram o seu intento. Vocês que não viveram essa época acreditam piamente no que eles dizem e se revoltam contra os militares. 
Vamos aos fatos, pois eu vivi e participei dessa época.
Em março de 1964 eu era Capitão e comandava uma bateria de canhões anti-aéreos do 1º Grupo de Artilharia Anti-Aérea, em Deodoro, no Rio de Janeiro.
A maioria dos oficiais que servia no 1º Grupo de Artilharia AAe, entre eles eu, teve uma atitude firme para que o Grupo aderisse à Contra-Revolução.
Eu era um jovem com 31 anos. O país vivia no caos. Greves políticas paralisavam tudo: transportes, escolas, bancos, colégios. Filas eram feitas para as compras de alimentos. A indisciplina nas Forças Armadas era incentivada pelo governo. Revolta dos marinheiros no Rio; revolta dos sargentos em Brasília. Na minha bateria de artilharia havia um sargento que se ausentava do quartel para fazer propaganda do Partido Comunista, numa kombi, na Central do Brasil.
Isto tudo ocorria porque o governo João Goulart queria implantar as suas reformas de base à revelia do Congresso Nacional. Pensava, por meio de um ato de força, em fechar o Congresso Nacional com o apoio dos militares "legalistas".
Vocês devem estar imaginando que estou exagerando para lhes mostrar que a Contra-Revolução era imperativa naqueles dias. Para não me alongar, vou citar o que dizem dois conhecidos comunistas:
- depoimento de Pedro Lobo de Oliveira no livro "A esquerda Armada no Brasil" - "muito antes de 1964 já participava na luta revolucionária no Brasil na medida de minhas forças. Creio que desde 1957. Ou melhor, desde 1955". "Naquela altura o povo começava a contar com a orientação do Partido Comunista".
- Jacob Gorender - do PCBR, escreveu no seu livro "Combate nas Trevas": "Nos primeiros meses de 1964, esboçou-se uma situação pré-revolucionária e o golpe direitista se definiu, por isso mesmo, pelo caráter contra-revolucionário preventivo. A classe dominante e o imperialismo tinham sobradas razões para agir antes que o caldo entornasse".
Diariamente eu lia os jornais da época: O Dia, O Globo, Jornal do Brasil, Tribuna da Imprensa, Diário de Notícias, etc... Todos eram unânimes em condenar o governo João Goulart e pediam a sua saída, em nome da manutenção da democracia. Apelavam para o bom senso dos militares e até imploravam a sua intervenção, para que o Brasil não se tornasse mais uma nação comunista.
Eu assistia a tudo aquilo com apreensão. Seria correto agirmos para a queda do governo? Comprei uma Constituição do Brasil e a lia seguidamente. A minha conclusão foi de que os militares estavam certos ao se antecipar ao golpe de Jango. 
Às Forças Armadas cabe zelar para a manutenção da lei, da ordem e evitar o caos. Nós não tínhamos que defender o governo; tínhamos que defender a nação.
O povo foi às ruas com as Marchas da Família com Deus pela Liberdade, no Rio, São Paulo e outras cidades do país. Todos pedindo o fim do governo João Goulart, antes que fosse tarde demais.
E, assim, aconteceu em 31/03/1964 a nossa Contra-Revolução. 
Os jornais da época (Estado de São Paulo, O Globo, Jornal do Brasil; Tribuna da Imprensa e outros) publicaram, nos dias 31/03/64 e nos dias seguintes, editoriais e mais editoriais exaltando a atitude dos militares. Os mesmos jornais que hoje combatem a nossa Contra- Revolução.
Os comunistas que pleiteavam a tomada do poder não desanimaram e passaram a insuflar os jovens, para que entrassem numa luta fratricida, pensando que lutavam contra a ditadura. E mentiram tão bem que muitos acreditam nisso até hoje. Na verdade, tudo já estava se organizando. Em 1961, em pleno governo Jânio Quadros, Jover Telles, Francisco Julião e Clodomir dos Santos Morais estavam em Cuba acertando cursos de guerrilha e o envio de armas para o Brasil. Logo depois, alguns jovens eram indicados para cursos na China e em Cuba. Bem antes de 1964 a área do Araguaia já estava escolhida pelo PCdoB para implantar a guerrilha rural.
Em 1961 estávamos em plena democracia. Então para que eles estavam se organizando? Julião já treinava as suas Ligas Camponesas nessa época, que eram muito semelhantes ao MST de hoje. Só que sem a organização, o preparo, os recursos, a formação de quadros e a violenta doutrinação marxista dos atuais integrantes do MST.
E foi com essa propaganda mentirosa que eles iludiram muitos jovens e os cooptaram para as suas organizações terroristas.
Então, começou a luta armada.
Foram vários atos terroristas: o atentado ao aeroporto de Guararapes, em Recife, em 1966; a bomba no Quartel General do Exército em São Paulo, em 1968; o atentado contra o consulado americano; o assassinato do industrial Albert Boilesen e do capitão do Exército dos Estados Unidos Charles Rodney Chandler; sequestros de embaixadores estrangeiros no Brasil .
A violência revolucionária se instalou. Assassinatos, ataques a quartéis e a policiais aconteciam com freqüência. 
Nessa época, eles introduziram no Brasil a maneira de roubar dinheiro com assaltos a bancos, a carros fortes e a estabelecimentos comerciais. Foram eles os mestres que ensinaram tais táticas aos bandidos de hoje. Tudo treinado nos cursos de guerrilha em Cuba e na China.
As polícias civil e militar sofriam pesadas baixas e não conseguiam, sozinhas, impor a lei e a ordem.
Acuado, perdendo o controle da situação, o governo decretou o AI-5, pelo qual várias liberdades individuais foram suspensas. Foi um ato arbitrário mas necessário. A tênue democracia que vivíamos não se podia deixar destruir.
Para combater o terrorismo, o governo criou uma estrutura com a participação dos Centros de Informações da Marinha (CENIMAR), do Exército (CIE) e da Aeronáutica (CISA). Todos atuavam em conjunto, tanto na guerrilha rural quanto na urbana. O Exército, em algumas capitais, criou o seu braço operacional, os Destacamentos de Operações de Informações (DOI). Para trabalharem nos diversos DOI do Brasil, o Exército selecionou do seu efetivo alguns majores, capitães e sargentos. Eram, no máximo, 350 militares, entre os 150 mil homens da Exército.
Eu era major, estagiário da Escola de Estado Maior. Tinha na época 37 anos e servia no II Exército, em São Paulo. Num determinado dia do ano de 1970, fui chamado ao gabinete do Comandante do II Exército, General José Canavarro Pereira, que me deu a seguinte ordem: "Major, o senhor foi designado para comandar o DOI/CODI/II Ex. Vá, assuma e comande com dignidade".
A partir desse dia minha vida mudou. O DOI de São Paulo era o maior do país e era nesse Estado que as organizações terroristas estavam mais atuantes. O seu efetivo em pessoal era de 400 homens. Destes, 40 eram do Exército, sendo 10 oficiais, 25 sargentos e 5 cabos. No restante, eram excelentes policiais civis e militares do Estado de São Paulo. Esses foram dias terríveis! Nós recebíamos ameaças freqüentemente.
Minha mulher foi de uma coragem e de uma abnegação total. Quando minha filha mais velha completou 3 anos de idade, ela foi para o jardim da infância, sempre acompanhada de seguranças. Minha mulher não tinha coragem de permanecer em casa, enquanto nossa filha estudava. Ela ficava dentro de um carro, na porta da escola, com um revólver na bolsa.
Não somente nós passamos por isso! Essa foi a vida dos militares que foram designados para combater o terrorismo e para que o restante do nosso Exército trabalhasse tranqüilo e em paz. 
Apreendemos em "aparelhos" os estatutos de praticamente todas as organizações terroristas e em todos eles estava escrito, de maneira bem clara, que o objetivo da luta armada urbana e rural era a implantação de um regime comunista em nosso país.
Aos poucos o nosso trabalho foi se tornando eficaz e as organizações terroristas foram praticamente extintas, por volta de 1975.
Todos os terroristas quando eram interrogados na Justiça alegavam que nada tinham feito e só haviam confessado os seus crimes por terem sido torturados. Tal alegação lhes valia a absolvição no Superior Tribunal Militar. Então, nós passamos a ser os "torturadores". 
Hoje, como participar de sequestros, de assaltos e de atos de terrorismo passou a contar pontos positivos para os seus currículos eles, posando de heróis, defensores da democracia, admitem ter participado das ações. Quase todos continuam dizendo que foram torturados e perseguidos politicamente. Com isso recebem indenizações milionárias e ocupam elevados cargos públicos. Nós continuamos a ser seus "torturadores" e somos os verdadeiros perseguidos políticos. As vítimas do terrorismo até hoje não foram indenizadas. 
O Brasil com toda a sua população e com todo seu tamanho teve, até agora, 120 mortos identificados, que foram assassinados por terroristas, 43 eram civis que estavam em seus locais de trabalho (estima-se que existam mais cerca de 80 que não foram identificados); 34 policiais militares; 12 guardas de segurança; 8 militares do Exército; 3 agentes da Polícia Federal; 3 mateiros do Araguaia; 2 militares da Marinha; 2 militares da Aeronáutica; 1 major do Exército da Alemanha; 1 capitão do Exército dos Estados Unidos; 1 marinheiro da Marinha Real da Inglaterra.
A mídia fala sempre em "anos de chumbo", luta sangrenta, noticiando inclusive que, só no cemitério de Perus, em São Paulo, existiriam milhares de ossadas de desaparecidos políticos. No entanto o Grupo Tortura Nunca Mais reclama um total de 284 mortos e desaparecidos que integravam as organizações terroristas. Portanto, o Brasil, com sua população e com todo o seu tamanho, teve na luta armada, que durou aproximadamente 10 anos, ao todo 404 mortos.
Na Argentina as mortes ultrapassaram 30.000 pessoas; no Chile foram mais de 4.000 e no Uruguai outras 3.000. A Colômbia, que resolveu não endurecer o seu regime democrático, luta até hoje contra o terrorismo. Ela já perdeu mais de 45.000 pessoas e tem 1/3 do seu território dominado pelas FARC.
Os comunistas brasileiros são tão capazes quanto os seus irmãos latinos. Por que essa disparidade?
Porque no Brasil dotamos o país de leis que permitiram atuar contra o terrorismo e também porque centralizamos nas Forças Armadas o combate à luta armada. Fomos eficientes e isso tem que ser reconhecido. Com a nossa ação impedimos que milhares de pessoas morressem e que esta luta se prorrogasse como no Peru e na Colômbia.
No entanto, algumas pessoas que jamais viram um terrorista, mesmo de longe, ou preso, que jamais arriscaram as suas vidas, nem as de suas famílias, criticam nosso trabalho. O mesmo grupo que só conheceu a luta armada por documentos lidos em salas atapetadas e climatizadas afirma que a maneira como trabalhamos foi um erro, pois a vitória poderia ser alcançada de outras formas. 
Já se declarou, inclusive, que: "a ação militar naquele período não foi institucional. Alguns militares participaram, não as Forças Armadas. Foi uma ação paralela".
Alguns também nos condenam afirmando que, como os chefes daquela época não estavam acostumados com esse tipo de guerra irregular, não possuíam nenhuma experiência. Assim, nossos chefes, no lugar de nos darem ordens, estavam aprendendo conosco, que estávamos envolvidos no combate. Segundo eles, nós nos aproveitávamos dessa situação para conduzir as ações do nosso modo e que, no afã da vitória, exorbitávamos .
Mas as coisas não se passavam assim. Nós que fomos mandados para a frente de combate nos DOI, assim como os generais que nos chefiavam, também não tínhamos experiência nenhuma. Tudo o que os DOI faziam ou deixavam de fazer era do conhecimento dos seus chefes. Os erros existiram, devido à nossa inexperiência, mas os nossos chefes eram tão responsáveis como nós.
Acontece que o nosso Exército há muito tempo não era empregado em ação. Estava desacostumado com a conduta do combate, onde as pessoas em operações têm que tomar decisões, e decisões rápidas, porque a vida de seus subordinados ou a vida de algum cidadão pode estar em perigo.
Sempre procurei comandar liderando os meus subordinados. Comandei com firmeza e com humanidade, não deixando que excessos fossem cometidos. Procurei respeitar os direitos humanos, mas sempre respeitando, em primeiro lugar, os direitos humanos das vítimas e, depois, os dos bandidos. Como escrevi em meu livro "Rompendo o Silêncio", terrorismo não se combate com flores. A nossa maneira de agir mostrou que estávamos certos, porque evitou o sacrifício de milhares de vítimas, como aconteceu com os nossos vizinhos. Só quem estava lá, frente a frente com o terroristas, dia e noite, de arma na mão, pode nos julgar.
Finalmente, quero lhes afirmar que a nossa luta foi para preservar a democracia. Se o regime implantado pela Contra -Revolução durou mais tempo do que se esperava, deve-se, principalmente, aos atos insanos dos terroristas. Creio que, em parte, esse longo período de exceção deveu-se ao fato de que era preciso manter a ordem no país.
Se não tivéssemos vencido a luta armada, hoje estaríamos vivendo sob o tacão de um ditador vitalício como Fidel Castro e milhares de brasileiros teriam sido fuzilados no "paredón" (em Miami em fevereiro, foi inaugurado por exilados cubanos, um Memorial para 30.000 vítimas da ditadura de Fidel Castro).
Hoje temos no poder muitas pessoas que combatemos e que lá chegaram pelo voto popular e esperamos que eles esqueçam os seus propósitos de 40 anos passados e preservem a democracia pela qual tanto lutamos.
O autor (1932-2015), Coronel do Exército, foi
 Comandante do DOI/CODI/ II Ex;
 Instrutor Chefe do Curso de Operações da Escola Nacional de Informações
 e Chefe da Seção de Operações do CIE