sexta-feira, 25 de julho de 2014

Terrorismo em Guararapes - 48 Anos

Vídeo sobre o triste e desprezível ato covarde do terrorismo comunistaocorrido em 25 de JULHO de 1966, por ser necessário relembrar e divulgar aos mais jovens para demonstrar como os bandidos que estão no poder agiam, matando inocentes, e hoje mentem nas comissões que chamam da “verdade”.
Saudações
Ernesto Caruso


Será que naquele local ainda existe a placa com o texto abaixo?
Homenagem da Cidade do Recife aos que tombaram neste Aeroporto dos Guararapes no dia 25 de julho de 1966 vitimados pela insensatez dos seus semelhantes.
- Almirante Nelson Fernandes – Jornalista Edson Regis 
“Glorificados pelo sacrifício, seus nomes serão sempre lembrados recordando aos pósteros o violento e trágico atentado terrorista,
praticado à sorrelfa pelos inimigos da Pátria.”​

Fonte: adaptado do Blog do Lício Maciel

domingo, 20 de julho de 2014

'O Correto Uso do Papel Higiênico'

Esta é a última crônica escrita por João Ubaldo Ribeiro
23 Jan 41 - 18 Jun 2014
O título acima é meio enganoso, porque não posso considerar-me uma autoridade no uso de papel higiênico, nem o leitor encontrará aqui alguma dica imperdível sobre o assunto. Mas é que estive pensando nos tempos que vivemos e me ocorreu que, dentro em breve, por iniciativa do Executivo ou de algum legislador, podemos esperar que sejam baixadas normas para, em banheiros públicos ou domésticos, ter certeza de que estamos levando em conta não só o que é melhor para nós como para a coletividade e o ambiente. Por exemplo, imagino que a escolha da posição do rolo do papel higiênico pode ser regulamentada, depois que um estudo científico comprovar que, se a saída do papel for pelo lado de cima, haverá um desperdício geral de 3.28%, com a consequência de que mais lixo será gerado e mais árvores serão derrubadas para fazer mais papel. E a maneira certa de passar o papel higiênico também precisa ter suas regras, notadamente no caso das damas, segundo aprendi outro dia, num programa de tevê.
Tudo simples, como em todas as medidas que agora vivem tomando, para nos proteger dos muitos perigos que nos rondam, inclusive nossos próprios hábitos e preferências pessoais. Nos banheiros públicos, como os de aeroportos e rodoviárias, instalarão câmeras de monitoramento, com aplicação de multas imediatas aos infratores. Nos banheiros domésticos, enquanto não passa no Congresso um projeto obrigando todo mundo a instalar uma câmera por banheiro, as recém-criadas Brigadas Sanitárias (milhares de novos empregos em todo o Brasil) farão uma fiscalização por escolha aleatória. Nos casos de reincidência em delitos como esfregada ilegal, colocação imprópria do rolo e usos não autorizados, tais como assoar o nariz ou enrolar um pedacinho para limpar o ouvido, os culpados serão encaminhados para um curso de educação sanitária. Nova reincidência, aí, paciência, só cadeia mesmo.
Agora me contam que, não sei se em algum Estado ou no País todo, estão planejando proibir que os fabricantes de gulodices para crianças ofereçam brinquedinhos de brinde, porque isso estimula o consumo de várias substâncias pouco sadias e pode levar a obesidade, diabete e muitos outros males. Justíssimo, mas vejo um defeito. Por que os brasileiros adultos ficam excluídos dessa proteção? O certo será, para quem, insensata e desorientadamente, quiser comprar e consumir alimentos industrializados, apresentar atestado médico do SUS, comprovando que não se trata de diabético ou hipertenso e não tem taxas de colesterol altas. O mesmo aconteceria com restaurantes, botecos e similares. Depois de algum debate, em que alguns radicais terão proposto o Cardápio Único Nacional, a lei estabelecerá que, em todos os menus, constem, em letras vermelhas e destacadas, as necessárias advertências quanto a possíveis efeitos deletérios dos ingredientes, bem como fotos coloridas de gente passando mal, depois de exagerar em comidas excessivamente calóricas ou bebidas indigestas. O que nós fazemos nesse terreno é um absurdo e, se o Estado não nos tomar providências, não sei onde vamos parar.
Ainda é cedo para avaliar a chamada lei da palmada, mas tenho certeza de que, protegendo as nossas crianças, ela se tornará um exemplo para o mundo. Pelo que eu sei, se o pai der umas palmadas no filho, pode ser denunciado à polícia e até preso. Mas, antes disso, é intimado a fazer uma consulta ou tratamento psicológico. Se, ainda assim, persistir em seu comportamento delituoso, não só vai preso mesmo, como a criança é entregue aos cuidados de uma instituição que cuidará dela exemplarmente, livre de um pai cruel e de uma mãe cúmplice. Pai na cadeia e mãe proibida de vê-la, educada por profissionais especializados e dedicados, a criança crescerá para tornar-se um cidadão modelo. E a lei certamente se aperfeiçoará com a prática, tornando-se mais abrangente. Para citar uma circunstância em que o aperfeiçoamento é indispensável, lembremos que a tortura física, seja lá em que hedionda forma – chinelada, cascudo, beliscão, puxão de orelha, quiçá um piparote –, muitas vezes não é tão séria quanto a tortura psicológica. Que terríveis sensações não terá a criança, ao ver o pai de cara amarrada ou irritado? E os pais discutindo e até brigando? O egoísmo dos pais, prejudicando a criança dessa maneira desumana, tem que ser coibido, nada de aborrecimentos ou brigas em casa, a criança não tem nada a ver com os problemas dos adultos, polícia neles.
A manifestação humana da Simpatia.
Vai fazer falta! 
Sei que esta descrição do funcionamento da lei da palmada é exagerada, e o que inventei aí não deve ocorrer na prática. Mas é seu resultado lógico e faz parte do espírito desmiolado, arrogante, pretensioso, inconsequente, desrespeitoso, irresponsável e ignorante com que esse tipo de coisa vem prosperando entre nós, com gente estabelecendo regras para o que nos permitem ver nos balcões das farmácias, policiando o que dizemos em voz alta ou publicamos e podendo punir até uma risada que alguém considere hostil ou desrespeitosa para com alguma categoria social. Não parece estar longe o dia em que a maioria das piadas será clandestina e quem contar piadas vai virar uma espécie de conspirador, reunido com amigos pelos cantos e suspeitando de estranhos. Temos que ser protegidos até da leitura desavisada de livros. Cada livro será acompanhado de um texto especial, uma espécie de bula, que dirá do que devemos gostar e do que devemos discordar e como o livro deverá ser comentado na perspectiva adequada, para não mencionar as ocasiões em que precisará ser reescrito, a fim de garantir o indispensável acesso de pessoas de vocabulário neandertaloide. Por enquanto, não baixaram normas para os relacionamentos sexuais, mas é prudente verificar se o que vocês andam aprontando está correto e não resultará na cassação de seus direitos de cama, precatem-se.

sábado, 12 de julho de 2014

Segurança Não é Para Amadores‏

A SEGURANÇA DE AUTORIDADES E OS ESCÂNDALOS DO BRASIL
por Vinicius Domingues Cavalcante
Em fins de junho de 2014, ainda no transcurso da Copa do Mundo, os jornais reportavam que, na abertura da competição, um sniper que cobria a tribuna das autoridades teria solicitado autorização para disparar contra um policial do esquadrão de bombas da PM de São Paulo, que circulava uniformizado e armado por uma área onde a sua presença não seria esperada, junto ao palanque onde se encontrava a Presidente Dilma Roussef, o Vice-Presidente Michel Temer, o Presidente da FIFA, o Secretário Geral das Nações Unidas e diversos outros dignitários do exterior. 
Sabedor de uma grande quantidade de atentados perpetrados por criminosos travestidos de policiais, o atirador desconfiado, teria inquirido sobre o alvo ao comando da operação que teria assegurado que o suposto policial militar não estaria autorizado a estar ali. Em face da resposta ele teria pedido autorização para disparar. Segundo narrava a notícia o comando da operação solicitou que ele aguardasse, e teriam transcorrido alguns minutos até que um policial na sala de controle o identificou como um integrante do grupo policial de elite da PMESP, que teria se dirigido ao local em face de uma suspeita de artefato explosivo.
Tenho cá certas dúvidas se alguém, além do policial militar do GATE, realmente correu riscos nessa situação. Os dignitários no palanque tinham uma segurança aproximada que deveria estar bem próxima ao policial militar que ingressou na área restrita e ele, a menos que estivesse muito próximo de uma autoridade, talvez sequer tivesse chance de efetuar um disparo. Ressalte-se que ele, na condição de técnico de explosivos circulando numa área estéril e controlada, não deveria estar portando fuzis, granadas, só mesmo sua pistola de uso pessoal. Frente à segurança que deveria existir naquele local não acredito que um único agressor apresentasse assim tanto perigo; mas a verdade é que, como objetivo de tais missões, o risco tem de ser zerado, e a segurança, a mais perfeita que for possível!
Garantir a segurança de dignitários num evento como a Copa envolve muitos profissionais das mais diferentes instituições. Isso torna a coordenação desses eventos algo que requer muito trabalho e planejamento. A execução das missões de segurança com muitas agências pode realmente gerar equívocos, tanto pela dificuldade de comunicação entre as agências, pela distribuição de atribuições no âmbito do planejamento e até na interpretação equivocada de ordens. Quando eu era "menudo" vi o DPF e os Fuzileiros quase se engalfinharem em Salvador, por problemas quanto à divisão de missões numa segurança de dignitários...
Curiosamente, quando a notícia apareceu nas redes sociais, as postagens me surpreenderam, não por analisarem eventuais falhas no esquema da segurança ou cobrarem providências para que elas não mais venham a ocorrer, mas por sugerirem que a tarefa do policial deveria ser a de disparar contra as próprias autoridades brasileiras que estavam no local. Isso me remeteu a outros tempos...
Houve uma época, enquanto eu ainda engatinhava na atividade de segurança de dignitários, que um velho Mestre costumava dizer: “Neste ramo, ninguém consegue render 110% se não estabelecer para com o protegido um forte laço de admiração”. É fácil compreender a verdade que tais palavras encerram, pois se o agente de segurança é o principal responsável pela completa integridade de uma pessoa, e se tal “serviço”, ao menos teoricamente, tem prioridade sobre a vida do próprio agente, não se imagina que o segurança assuma para si a tarefa de correr máximos riscos por alguém a quem ele – intimamente – não imaginasse valer à pena. Embora se possa discorrer laudas sobre o que se entende por profissionalismo neste ramo de atividade, e saiba que inúmeros agentes morrem no desempenho cotidiano das missões de segurança pessoal, estou certo de que o empenho e o arrojo do homem na atividade de proteger uma autoridade está diretamente associado ao conceito em que ele tem aquele dignitário. Sendo a vida o nosso bem mais precioso, ninguém me convenceu até hoje, que um segurança – por mais profissional que ele apregoe ser – se disporá a trocá-la pela de um segurado que ele considere não ser merecedor de tal sacrifício. Em última instância, em se tratando de uma atividade de extremo risco, o segurança sempre pode vir a perecer num atentado, porém aqueles relatos de reações de agentes em que transparece um admirável senso de dever, bravura e despojamento são de uma relação que, no meu entender, transcendem ao mero relacionamento profissional, onde os guardiões se empenham por alguém que, sabem, merece ser realmente protegido.
Hoje os fatos da crônica política brasileira envergonham-nos mais do que em outras épocas. Talvez nem tanto pelos montantes de dinheiro sujo envolvidos, mas pelo fato de que as esperanças de uma expressiva parcela da nação brasileira foram levadas de roldão. Numa avalanche de histórias de corrupção agravadas pela flagrante desonestidade intelectual, inúmeras autoridades assumiram, de fato, que seu discurso bonito e democrático proferido ao longo de anos se destinava apenas a permitir-lhes galgar o poder, apropriar-se dos recursos da nação e geri-los ao seu bel prazer. Com a onda de escândalos envolvendo políticos e altas autoridades, por dever de ofício não daria pra deixar de pensar no que vai pela cabeça dos homens a quem o Estado paga para protegerem tais pessoas. Convenhamos, não se trata de uma tarefa fácil. Estar diuturnamente protegendo alguém acarreta, quase que de forma inconsciente, observar-lhe os hábitos e avaliar seu caráter e sua personalidade. No desempenho de suas tarefas diárias o homem de segurança acaba obrigatoriamente por penetrar na intimidade dos segurados: conhece os locais por onde ele circula, estabelece seus círculos de amizade, sobretudo, às vezes vê e ouve muito mais do que seria desejável para a manutenção da privacidade do protegido.
Nesse contexto, o segurança, com extremo profissionalismo, a tudo presencia, assiste, escuta e se cala, mantendo uma postura crítica e se auto-policiando de forma a não imiscuir-se na vida daquele a quem está protegendo. Porém é aí que reside o “X” da questão: quando se começa a conhecer a fundo quem se está protegendo, muitas das vezes o segurança pode esbarrar em indícios dos escândalos como os que hoje, como cidadãos, assistimos chocados. A segurança de um dignitário é uma “função de Estado”, na medida que se protege o detentor do cargo, independentemente de quem for. Os agentes de segurança são funcionários públicos de carreira, que, ao menos teoricamente deveriam agir de forma apolítica, protegendo ao governo do dia, independentemente de sua matiz partidária ou ideológica. Trata-se de uma questão quase marcial; normalmente diríamos que não compete aos seguranças emitir conceitos de juízo acerca da personalidade protegida, porém, na realidade isso se torna muito difícil em virtude da impossibilidade humana de abstrair-se dos próprios sentimentos.
Embora desde o princípio dos tempos, todas as instituições e as boas idéias da humanidade sempre necessitassem da proteção de guerreiros profissionais escolhidos, a história nem sempre registra o que tais homens pensavam acerca da tarefa que lhes era creditada, sobretudo em conjunturas como a que vivemos atualmente no Brasil.
É um dilema excepcionalmente complexo: como que o cidadão, cujos bons princípios, a retidão de caráter e honestidade se constituíram em atributos essenciais para a sua seleção no âmbito de um serviço de segurança de autoridades, pode tomar conhecimento de atos lesivos ao interesse da nação a quem serve e passivamente silenciar-se? A alegação de que “Eu estou aqui para proteger e não sou pago para ficar observando essas coisas” conflita com o escrúpulo daquele que vai deparar-se com a malversação dos esforços do povo e dos impostos que ele próprio, enquanto cidadão, paga sem poder reclamar. Vendo autoridades procederem de forma criminosa na gestão da coisa pública, os profissionais responsáveis por proteger podem revoltar-se enquanto cidadãos, e isso vai comprometer a sua atuação como segurança daqueles dignitários. Quem de sã consciência vai querer correr risco por alguém que achamos, deveria estar encarcerado, cumprindo pena? É possível trabalhar normalmente, salvaguardando a integridade de alguém que desvia o dinheiro dos programas assistenciais mais urgentes, da educação, dos remédios, hospitais e do leite das nossas criancinhas? Não pretendo discutir brios profissionais com quem quer que seja, porém, por mais devotado à instituição a que trabalha, tenho minhas dúvidas se o profissional estará disposto realmente disposto a por sua vida em jogo para defender uma autoridade desse quilate
Seguranças pessoais descontentes com a atuação de seus dignitários são um perigo que não pode ser desprezado. Em 1984, a Primeira-Ministra da Índia, Indira Gandhi foi assassinada por membros de sua própria guarda pessoal, pertencentes à etnia Sikh. Um dos assassinos, o inspetor Beni Singh, integrava em sua segurança pessoal há dez anos e era guarda-costas em que Indira Gandhi mais confiava. O crime fora motivado como represália à invasão, por ordem da Primeira-Ministra, do Templo Dourado dos sikhs em Amristar, quando morreram oitocentos sikhs, seu líder máximo Singh Bhindranwale e cem soldados hindus. Mesmo sem chegar ao extremo da execução, não nos faltam histórias de informações reservadas, deliberadamente divulgadas por assessores, seguranças e motoristas particulares. O testemunho de um motorista, profissional que obrigatoriamente deve inserir-se no círculo de segurança de um dignitário, foi fundamental para a aprovação do processo de “impeachment “ do presidente Collor. Em 1995, depois de vinte dois anos, o mundo ficou sabendo que informações essenciais sobre o escândalo Watergate, o qual culminou com a renúncia do presidente americano Richard Nixon, foram vazadas pelo então vice-Diretor do FBI.
O que devem fazer os seguranças se, ou quando, descobrem que aquele a quem protegem não merece mais do uma boa condenação criminal por improbidade administrativa ou por outros ditos “crimes de colarinho branco”? Agir em perfeito acordo com o que manda sua própria consciência! Fazer o que acha que deve ser certo!...
Num homem, a linha que divide o profissional de segurança pessoal do cidadão é tênue, às vezes imperceptível. Só criminosos ou gente de índole suspeita contrataria alguém sabidamente desonesto como guardião de sua integridade. O agente encarregado de segurança de uma autoridade deve obrigatoriamente ser íntegro e um homem íntegro, ao menos em tese, não se presta ao conluio com dignitários de moral duvidosa. Em se tratando da segurança de autoridades públicas, o profissionalismo, completamente dissociado do senso do dever cidadão, me cheira ao mercenarismo. Eu particularmente não conheço bons agentes de segurança pessoal que trabalhem apenas por dinheiro. No Brasil de hoje acredito que essa combinação de “proteger sem refletir ou fazer perguntas” se insira num contexto até muito mais grave, talvez até quadrilhesco. Em nome da gratificação que recebem, alguns homens (e mulheres) acabam por fazer vista grossa para o fato de que seus protegidos são ladrões do erário e acabam se tornando, de certa forma, cúmplices daqueles que estão “por cima”.
Não é meu intento fazer apologia à traição, delação e muito menos instando ao assassinato dos maus dignitários, mas é fato que este país precisa de verdadeiros profissionais, que sejam tecnicamente hábeis, éticos e corretos, independentemente de sua esfera de atuação. Na administração pública, na política e também na segurança, precisamos de pessoas que sejam capazes de fazer aquilo para o qual se qualificaram, capazes de honrar palavra, compromissos e proceder com a lisura que sempre, com muito mais propriedade, cobraram aos outros. Autoridades decentes com certeza serão protegidas com muito mais empenho, por seguranças conscientemente leais, cada vez mais devotados à boa desincumbência de seus afazeres. O segredo sempre vai ser tentar se constituir naquele exemplo que, se espera, possa inspirar aos outros; ou, adaptando as palavras de Claudiano: “Regis ad exemplum totus componitur orbis” (“O mundo inteiro regula-se pelo exemplo do Rei”).
Vinicius Domingues Cavalcante, é Consultor em Segurança 
e Diretor da Associação Brasileira de Profissionais de Segurança – ABSEG – no Rio de Janeiro.
E-mail:  vdcsecurity@hotmail.com.

terça-feira, 8 de julho de 2014

O Tempo em que Brizola foi o Homem de Fidel no Brasil

O dirigente cubano parece ter acreditado que Brizola era o Fidel do Brasil e enviou um milhão de dólares para sua guerrilha, que não ocorreu
Se a história do Egito é inesgotável — daí a permanência de uma indústria editorial que inventa e reinventa romancistas-historiadores-arqueólogos —, imagine a história recente brasileira, sobretudo a pós-64. Em 1987, José Wilson da Silva lançou um livro, “O Tenente Vermelho”, que conta, entre outras histórias, que “Fidel Castro entregou 1 milhão de dólares para os exilados brasileiros no Uruguai (Brizola, Jango e Darcy Ribeiro) financiarem movimentos de guerrilha no Brasil”. O livro de José Wilson é muito interessante, mas pessimamente editado pela Tchê!, o que certamente reduziu a sua repercussão. Treze anos depois, a doutora em história pela Universidade Fluminense Denise Rollemberg amplia o que José Wilson antecipou. No livro “O Apoio de Cuba à Luta Armada no Brasil — O Treinamento Guerrilheiro” (Editora Mauad, 2001), de apenas 94 páginas, Denise produz um documento de grande valia, ainda que lacunar, pois Brizola e José Dirceu, por exemplo, não quiseram falar sobre suas relações com Cuba. Denise também não conseguiu fazer entrevistas em Cuba, porque a bolsa do CNPq “exclui qualquer possibilidade de viagem ao exterior”. De resto, o livro de Denise parece sugerir, mais do que um texto definitivo, uma obra em andamento. O leitor especializado certamente achará estranha a ausência, na bibliografia, dos livros “O Tenente Vermelho”, de José Wilson, e “A Revolução Impossível”, de Luís Mir.
Pode-se dizer que a guerrilha brasileira (no fim da década de 60 e no início da década de 70) foi financiada por Cuba e pelos bancos (assaltados ou, como quer a esquerda, “expropriados”). Mas Cuba não só apoiou com dinheiro — menos certamente do que se costuma pensar, pois Cuba não era uma mina de ouro — a esquerda armada. O governo da pequena ilha, duas vezes menor do que Goiás, treinou, na avaliação do Centro de Informações do Exército, 219 militantes “treinados ou suspeitos de terem treinado em Cuba”.
Treinar em Cuba era como estudar em Harvard ou Cambrigde, segundo Mário Japa (codinome de Shizuo Osawa): “Todo mundo queria ir. Era quase um batismo de fogo: tinha que participar de uma ação militar e tinha que ir treinar em Cuba”.
A força de Fidel
As “pequenas” interpretações de Denise valem o livro, aqui e ali incompleto, mas sempre instigante. Baseada no livro “Vida e Morte da Revolução Cubana” (que tem um capítulo com o título de “Exportar a Revolução”), de Benigno (nome de guerra de Dariel Alarcón Ramírez), Denise conclui que Fidel não pensava tão-somente em construir o socialismo em outros países. Pensava além disso: queria mostrar aos seus inimigos, aos próximos e aos não tão próximos, que o pequeno país era forte e, até mesmo, financiava a revolução em outros pontos, como no gigantesco Brasil. Assim, a exportação da revolução tinha como objetivo assegurar o socialismo cubano, a manutenção da revolução cubana.
Apesar das pressões da União Soviética — que não apostava na exportação da revolução —, Fidel Castro continuou incentivando os guerrilheiros até meados da década de 70. Antes disso, conta Denise, “os revolucionários passaram a contar a história da vitória (da Revolução Cubana) de tal maneira que construíram um dos maiores mitos da esquerda latino-americana dos anos 1960: o do foco guerrilheiro”. O foco guerrilheiro teria construído a revolução, mas, ressalva Denise, propositadamente, para ampliar a força do foco, ignorou-se a conjuntura. Quando os revolucionários desembarcaram em Cuba, um episódio tantas vezes narrado como um quadro épico, não estavam sozinhos. Ao contrário, encontravam uma situação plenamente favorável à sublevação.
Entre julho e agosto de 1967, a conferência que gerou a Organização Latino-Americana de Solidariedade (OLAS) decidiu que, como olas (ondas), a revolução seria estendida em toda a América Latina. Apesar das resistências dos dirigentes soviéticos, a rota dos guerrilheiros para chegar a Cuba passava por Moscou e Praga.
Denise mostra que Fidel apoiou a “revolução” brasileira mesmo antes de 1964. “Quanto à revolução brasileira, Cuba apoiou a formação de guerrilheiros, desde o momento em que assumiu a função de exportar a revolução, quando o Brasil vivia sob o regime de democrático do governo João Goulart, ou seja, antes da instauração da ditadura. A maior parte foi treinada a partir de 1968, quando Cuba já havia se voltado para a construção do socialismo em único país, com o apoio da URSS. Embora um caso isolado, chegou a haver treinamento mesmo ao longo de 1973, quando a guerrilha no Brasil já estava aniquilada, à exceção da guerrilha do PC do B, no Araguaia (1972-1974).
As Ligas Camponesas
As Ligas Camponesas surgiram em 1955 e se destacaram na década de 1960. As Ligas eram lideradas por Francisco Julião e uma ala ligada ao Partido Comunista Brasileiro, representada pelo advogado e ex-deputado estadual Clodomir dos Santos Morais. Radical, a ala afastou-se do PCB, então acusado de ter uma atitude conciliatória com a “burguesia” brasileira. Mesmo colocando-se como aliado de Cuba, Julião não era tão radical quando parecia o seu discurso. “Mantendo relações estreitas com Cuba e radicalizando suas posições nos famosos discursos que fazia, Julião, entretanto, se opôs à facção favorável à guerrilha, liderada por Clodomir Morais, Carlos Montarroyo e Tarzan Castro [Denise exclui o “de” — Tarzan de Castro]. Julião, inclusive, participou das eleições, nesse mesmo ano de 1962, apesar de criticá-las, como candidato a deputado federal.
Denise conta que, “com Clodomir Morais, dissidente do PCB, deu-se início à formação dos campos de treinamento de guerrilhas no Brasil com o apoio de Cuba. (...) O apoio de Cuba se concretizou na implantação desses campos, na verdade, fazendas compradas, em Goiás, Acre, Bahia e Pernambuco, ‘formados por alguns camponeses e, em sua maioria, estudantes secundaristas e universitários vindos de Pernambuco’.” (O trecho entre aspinhas foi extraído do livro “As Ligas Camponesas”, de Fernando Antônio Azevedo, da Editora Paz e Terra.) Denise acrescenta: “Houve ainda o fornecimento de armas, dinheiro e orientação para a implantação da guerrilha. Apesar do fluxo constante de lideranças e militantes a Cuba, o treinamento seria dado no Brasil”.
Em 1962, o governo de João Goulart “desbaratou o plano de formação de um campo de treinamento das Ligas, no interior de Goiás, Dianópolis” (hoje, Tocantins). Entre os guerrilheiros estavam os goianos Tarzan de Castro e João Neder (promotor de justiça aposentado). O líder era Carlos Montarroyo. De início, eles conquistaram o povo mais pobre da região, mas depois, sob a acusação de comunistas, foram rechaçados.
O Fidel brasileiro
Com a queda das Ligas Camponesas como agente da revolução, ainda antes do golpe de 64, Fidel Castro e seus aliados voltaram-se para Leonel Brizola, o, quem sabe, Fidel brasileiro, um homem de classe média como o cubano. Exilado no Uruguai, Brizola, no início, só pensava num contragolpe. “Brizola resistia à teoria cubana do foco, tão em moda na época, preferindo a ‘tradição gaúcha’: ‘Falava [Brizola] de sua teoria do carvalho [guerrilha] e da batatinha [contragolpe, levante popular]. O carvalho demora para crescer e a batatinha dá ligeiro”, escreve Denise, aqui baseada em “A Rebelião dos Marinheiros” (Editora Artes e Ofícios), de Avelino Bioen Capitani.
No Uruguai, como se fosse uma espécie de coronel (ou general, para ser mais apropriado), Brizola “agrupou em torno de si os sargentos e marinheiros expulsos das corporações e perseguidos pelos militares e formou uma espécie de Estado-Maior com o ex-deputado Neiva Moreira, o seu assessor no governo no Rio Grande do Sul, Paulo Schilling, o ex-deputado pelo PSB, Max da Costa Santos, e o coronel Dagoberto Rodrigues”, relata Denise.
Como a quartelada não deu certo — os militares estavam firmes no poder, com o presidente Castello Branco obtendo grande apoio no meio civil —, “Brizola acabou ‘aderindo’ à teoria do foco guerrilheiro cubano. A partir daí, os planos da luta armada ganharam novos rumos. Seriam implantados três focos: um na Serra de Caparaó, na divisa de Minas Gerais e Espírito Santo, sob o comando do ex-sargento Amadeu Felipe; um no norte do Mato Grosso (fronteira com a Bolívia), comandado por Marco Antônio da Silva Lima, ex-fuzileiro naval; e outro na região norte de Goiás, que acabou se concentrando em Imperatriz, oeste do Maranhão, sob o comando de José Duarte, ex-marinheiro, também treinado em Cuba. Haveria mais ‘um grupo de apoio na região fronteiriça do RS até MT’”, escreve Denise. [José Duarte mora em Goiânia.]
A historiadora avalia que, “provavelmente, a possibilidade de contar com o apoio do governo cubano tenha sido decisiva para a reorientação de Brizola”. Denise expõe as contradições: “Muitos defendem que a ‘adesão’ de Brizola ao foco merece aspas, e nada tem de ideológico, mas sim de circunstancial. Flávio Tavares, no entanto, testemunha todo o entusiasmo de Brizola com a possibilidade de reeditar a experiência cubana no Brasil e com o poder que o treinamento teria de transformar homens em guerrilheiros, em uma estranha metamorfose, fazendo deles não super-homens, mas bichos”.
Escreve Flávio Tavares, no livro “Memórias do Esquecimento” (Editora Globo): Brizola estava literalmente inundado pela concepção de guerrilha, lia revista do Vietnã do Norte e me contou, inclusive, que fazia exercícios de tiro e assalto a baioneta. (Seu instrutor, o coronel Atila Escobar, da Brigada Militar gaúcha, com formação convencional de quartel, já estava lendo — ou prometera ler — o manual de guerrilhas do Che Guevara.) Toda a veemência dos seus 43 anos concentrava-se em defender o ‘foco’”. Em seguida, Tavares ressalva: “No fundo, bem no fundo, ele nunca esteve muito convencido da guerrilha e aceitara tudo, e assimilara tudo, na maré que invadia o exílio uruguaio”. Poderia se dizer de modo diferente: não havia outra opção — era aceitar o apoio cubano, com sua ideia de revolução baseada no foco, ou nada. Brizola e seus aliados fundaram o Movimento Nacionalista Revolucionário (a Revolução Cubana, no seu início, não era rigorosamente comunista).
Os contatos de Brizola se deram, inicialmente, por intermédio da Embaixada Cubana em Montevidéu, segundo Paulo Schilling. Brizola, como diz Denise, não gosta de falar sobre o dinheiro cubano. Escreve a historiadora: “Ninguém parece saber a quantia recebida. Brizola nunca prestou conta do dinheiro nem a Cuba nem aos militantes, fosse dirigentes ou de base. Tinha-o como um ‘empréstimo pessoal’, a ele Brizola, e que seria devolvido. Acredita-se ter havido gastos nos quais o dinheiro foi usado, mas apenas uma parte”.
Avelino Capitani apresenta sua versão: “Dizem que Cuba deu muito dinheiro para o MNR, para o Brizola... (...) O dinheiro foi mandado, Cuba diz que mandou, mas não chegava à guerrilha, chegava muito pouco”. Denise acrescenta: “Brizola nunca teria ajudado os guerrilheiros presos e suas famílias com o dinheiro de Cuba”. Adversários de Brizola costumam dizer que Fidel Castro, durante muito tempo, o chamava de “El Ratón”.
O Tenente Vermelho”, livro aparentemente não consultado por Denise, que não o cita, é revelador (e não foi desmentido por Brizola). Escrito pelo capitão José Wilson da Silva (o tenente vermelho, na época), que foi assessor militar de Brizola, o livro é, no mínimo, polêmico. Na página 201, no capítulo “Os discutidos recursos”, José Wilson escreve: “Participei de quase tudo que foi feito lá [no Uruguai], nos tempos mais quentes, desde o comando do coronel Jefferson e Alvarez até o grupo menor em torno de Brizola. Não sabia de tudo o que Brizola fazia, porque ele nunca abre o jogo completo, mas a grande maioria dos fatos que lá se passavam eu terminava sabendo, geralmente por ele próprio, por estar incluído no grupo mais chegado. (...) Que eu saiba, o primeiro contato feito com Cuba foi através do deputado uruguaio Ariel Collazo, levando nossa disposição de uma retomada da democracia no Brasil”.
Segundo José Wilson, “Fidel enviou, a título de ajuda, 500 mil dólares. Desta importância, segundo um relatório de Brizola para nós, um terço teria ficado com Jango, pois a este estavam ligados vários exilados necessitados. Outro terço teria ficado com Darcy Ribeiro, por questão de segurança e que também tinha parte de responsabilidade. O outro terço teria ficado com Brizola. Lembro-me que ele, Brizola, ficou muito aborrecido porque as ações mais positivas estavam sendo feitas pela nossa gente e ficamos desse modo com relativamente pouco dinheiro. Parte desta importância foi gasta com elementos no exílio, parte com a assistência a companheiros no Brasil em situações críticas, como presos com a família sem recursos etc., e parte com os nossos homens-correios para implantação já de esquemas de trabalho, aliás, tudo em função de um plano de ação armada”.
José Wilson acrescenta: “Mais tarde o companheiro Lélio Carvalho completou outro contato com Fidel no acerto de novo auxílio que foi realizado e canalizado por Darcy Ribeiro. Mais 500 mil dólares, estes sim, em sua maioria para o esquema de resposta armada. (...) Com aquele dinheiro foi possível montar alguns esquemas de arregimentação no Brasil, com o do companheiro Daudt que comprou um mato de eucaliptos para comercializar, disfarçando o real motivo de reunir um elevado número de homens para ação armada. Até hoje há pessoas que dizem ter Daudt comprado uma fazenda com dinheiro do Uruguai, enquanto outros passavam necessidades. Não sabiam o risco que Daudt estava correndo para tentar reunir gente disposta. (...) Alguns receberam e empregaram mal o dinheiro. (...) Com este dinheiro foi montada quase toda a operação Caparaó, último recurso e esperança de fazer algo, talvez para justificar o precioso recurso vindo do povo sofrido de Cuba. Fidel teria se disposto a colaborar com mais recursos, caso as ações entrassem em prática, mas com 4 mil toneladas de açúcar para serem colocadas em compradores da Europa. Como não tínhamos vendedores nem as ações tiveram prosseguimento, este auxílio não se concretizou. Este açúcar poderia ter dado à época cerca de 4 milhões de dólares”.
Há uma história no mínimo curiosa contada por José Wilson: seus companheiros Maranhão (engenheiro) e Saulo Gomes (jornalista) assaltaram ou “desapropriaram” um cofre de João Goulart e levaram dólares.
Guevara e Brizola
Em 1966, ano do início da guerrilha (que não houve) de Caparaó, Che Guevara teria se encontrado com Brizola, em Montevidéu. Benigno garante que outras cidades, mas não Montevidéu, estavam na rota de Che. “Capitani afirma que o coronel Dagoberto Rodrigues, do MNR, acompanhou Che do Uruguai à Bolívia. Nesta mesma época do possível contato de Che com Brizola, teria havido o encontro de Che, em São Paulo, com Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira, dirigentes da ALN. Capitani atesta que o foco do Mato Grosso e a frente fronteiriça tinham a função de manter a ligação com Che e outra frente no norte do Paraná manteria a conexão nas fronteiras. Não fica claro, no entanto, como se daria esta ligação. A própria escolha de Caparaó pode ter a ver com as articulações com Cuba”, registra Denise.
Apesar das evidências, mas na falta da confirmação de Brizola e Neiva Moreira, a historiadora é cautelosa. Ela diz que fica difícil “saber se seus projetos [de Brizola] estavam — e como estavam —, de fato, articulados ao de Che Guevara”. As relações entre Fidel e Brizola se tornaram tensas ao longo do tempo. Não restou nenhuma admiração de um pelo outro. Brizola não fez a revolução — não conseguiu ser o Fidel brasileiro. Fidel, segundo alguns, não teria enviado os recursos necessários. De resto, Fidel abandonou Brizola e sua turma e passou a negociar diretamente com a esquerda radical e internacionalista, como a Ação Libertadora Nacional, de Carlos Marighella.
Versão de José Dirceu contraria tese da historiadora Denise Rollemberg
A historiadora Denise Rollemberg não conseguiu entrevistar o deputado José Dirceu (PT), um dos integrantes do Molipo. Mas José Dirceu falou comigo, em abril de 1999, no seu gabinete de deputado federal em Brasília (sentados ao seu lado, estavam Marco Aurélio Garcia, o hoje ideólogo do governo Lula, e o advogado Sebastião Ferreira Leite, o Juruna), sobre a sua participação no Movimento de Libertação Popular, e sua versão é diferente das versões apresentadas pela pesquisadora e seus entrevistados.
José Dirceu conta que morou na casa, em Cuba, onde se deu a cisão, na Ação Libertadora Nacional (ALN), que originou o Molipo. Fui convidado por amigos e companheiros de longa data do movimento estudantil para morar numa casa e a direção da ALN não quis. Mas esses companheiros se impuseram e eu fui morar nessa casa. Convivi com esse grupo todo e voltei com ele para o Brasil. (...) Insisto num ponto: em 1971, fui convidado para morar na casa dos futuros fundadores do Molipo. Qual era o meu cacife? Tinha sido líder estudantil no Brasil”, conta José Dirceu. “Eu voltei para o Brasil, em 1971, pelas mãos do Molipo. Mas não consegui ficar clandestino no Brasil. Como não havia condições objetivas de sobrevivência, voltei para Cuba.
Se foi integrante do Molipo, José Dirceu diz que não chegou a liderá-lo. “Eu não era nada no Molipo.” E, aqui, se revela a divergência básica em relação à tese esboçada no livro “O Apoio de Cuba à Luta Armada no Brasil — O Treinamento Guerrilheiro”, de Denise Rollemberg: “A tese de que os cubanos incentivaram a criação do Molipo é equivocada. Eu sou testemunha de que os cubanos eram contra a nossa volta para o Brasil. Como eles não queriam que eu voltasse em 1974 para o Brasil. Durante mais de um ano eles me seguraram”.
Fonte:   Revista Bula

terça-feira, 1 de julho de 2014

Vítimas do Terrorismo - Julho

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Neste julho de 2014, reverenciamos aos que, em julhos passados, tombaram pela fúria política de terroristas. Os seus algozes, sob a mentira de combater uma ditadura militar, na verdade queriam implantar uma ditadura comunista em nosso país. 
Nestes tempos de esperança, cabe-nos lutar para que recebam isonomia no tratamento que os "arautos dos direitos humanos" dispensam aos seus assassinos, que hoje recebem pensões e indenizações do Estado contra o qual pegaram em armas.
A lembrança deles não nos motiva ao ódio. Move-nos, o desejo de que a sociedade brasileira lhes faça justiça e resgate aos seus familiares a certeza de que não foram cidadãos de segunda classe, por terem perdido a vida no confronto do qual os seus verdugos, embora derrotados, exibem, na prática, os galardões de uma vitória bastarda, urdida por um revanchismo odioso.
A esses heróis o reconhecimento da Democracia e a garantia da nossa permanente vigilância, para que o sacrifício de suas vidas não tenha sido em vão.

25/07/66 - Edson Régis de Carvalho (Jornalista - PE) e Nelson Gomes Fernandes (Almirante - PE)
Mortos em decorrência do atentado a bomba no Aeroporto de Guararapes, em Recife, contra o então candidato à Presidência da República, General Arthur da Costa e Silva.
Além das duas vítimas fatais ficaram feridas 17 pessoas, entre elas o então Coronel do Exército Sylvio Ferreira da Silva que, além de fraturas expostas, teve amputados quatro dedos da mão esquerda e Sebastião Tomaz de Aquino, Guarda Civil que teve a perna direita amputada.
"Um dos executores do atentado, revelado pelas pesquisas e entrevistas de Gorender, é Raimundo Gonçalves de Figueiredo, codinome Chico, que viria a ser morto pela Polícia Civil, em abril de 1971, já como integrante da VAR-PALMARES".
(Nos Porões da Ditadura - de Raymundo Negrão Torres).

Ainda, segundo Jacob Gorender, historiador militante do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário - PCBR -, o mentor do atentado foi o ex-padre Alípio de Freitas, da Ação Popular - AP .
A família de Raimundo Gonçalves de Figueiredo foi indenizada e, hoje, há uma rua em Belo Horizonte com seu nome
O padre Alípio Freitas, que está vivo, foi indenizado, como perseguido político, com uma pensão mensal de R$ 6.000,00 e mais o retroativo no valor de R$ 1.090.000,00. 

01/07/68 - Edward Ernest Tito Otto Maximilian Von Westernhagen (Major do Exército Alemão)
Morto no Rio de Janeiro onde fazia o Curso da Escola de Comando e Estado Maior do Exército. Assassinado na rua Engenheiro Duarte, Gávea, confundido com o major boliviano Gary Prado Salmón, capturador de Che Guevara, que cursava a mesma escola.
Autores: Severino Viana Callou, João Lucas Alves, e o agrônomo José Roberto Monteiromilitantes da organização terrorista denominada COLINA - Comando de Libertação Nacional, que contaram com a ajuda de Amílcar Baiardi, da mesma organização, para redigir uma nota sobre a "vingança", nota essa que foi destruída ao perceberem o erro cometido. Consta que João Lucas Alves, na época, residiria em um aparelho, em Belo Horizonte, com a guerrilheira conhecida por "Vanda". 

11/07/69 - Cidelino Palmeiras do Nascimento (Motorista de táxi - RJ)
Morto a tiros quando conduzia em seu carro, policiais que perseguiam terroristas que haviam assaltado o Banco Aliança, agência Muda.
Participaram deste assassinato os terroristas Chael Charles Schreier, Adilson Ferreira da Silva, Fernando Borges de Paula Ferreira, Flávio Roberto de Souza, Reinaldo José de Melo, Sônia Eliane Lafóz e o autor dos disparos Darci Rodrigues, todos pertencentes a organização terrorista VAR-Palmares.

24/07/69 -Aparecido dos Santos Oliveira (Soldado PM - SP)
Naquele dia, o Banco Bradesco, na rua Turiassu, no Bairro de Perdizes, foi assaltado, sendo roubados sete milhões de cruzeiros. Os assaltantes pertenciam a três organizações terroristas que se uniram para a ação:
- Pelo Grupo de Expropriação e Operação: Devanir José de Carvalho, James Allen Luz, Raimundo Gonçalves de Figueiredo, Ney Jansen Ferreira Júnior, José Couto Leal;
- Pelo Grupo do Gaúcho: Plínio Petersen Pereira, Domingos Quintino dos Santos, Chaouky Abara;
- Pela VAR-Palmares: Chael Charles Schreier, Roberto Chagas e Silva, Carmem Monteiro dos Santos Jacomini e Eduardo Collen Leite.
Raimundo Gonçalves Figueiredo baleou o soldado da então Força Pública do Estado de São Paulo - atual PMESP - Aparecido dos Santos Oliveira que, já caído, recebeu mais quatro tiros disparados por Domingos Quintino dos Santos.

01/07/71 - Jaime Pereira da Silva (Civil - RJ)
Morto por terroristas, na varanda de sua residência, durante tiroteio entre terroristas e policiais.

__/07/73 - Francisco Valdir de Paula (Soldado do Exército-região do Araguaia - PA)
Instalado numa posse de terra, no município de Xambioá, fazendo parte de uma rede de informações montada na área de guerrilha, foi identificado pelos terroristas e assassinado. Seu corpo nunca foi encontrado.

Os mortos acima relacionados não dão nomes a logradouros públicos, nem seus parentes receberam indenizações, mas os responsáveis diretos ou indiretos por suas mortes dão nome à escolas, ruas, estradas e suas famílias receberam vultosas indenizações, pagas com o nosso dinheiro.
Texto adaptado de:  A Verdade Sufocada
COMENTO: para não ser imparcial, também lembrarei aqui alguns membros de organizações terroristas que foram "justiçados" por seus companheiros de luta. Para isso, mostro o relato do "justiçamento", de Salatiel Teixeira Rolim (o "Chinês"), membro fundador do PCBR, ocorrido em 23 Jul 73. Ao final do vídeo, podemos ver e ouvir a "justificativa" dada por um criminoso que, infelizmente devido aos assuntos aqui tratados, é citado com mais frequência do que deve. Um patife como esse, indevidamente beneficiado pela lei de anistia (que exclui os praticantes de "crime de sangue") devia ser relegado ao esquecimento!
Há, também, o caso da morte alegadamente acidental de Elizabeth Mazza Nunes, mulher do dirigente da VPR Alípio Antonio Nunes Netoem junho/julho de 1968, e o sumiço dado ao corpo por Dulce Maia, Pedro Lobo, Onofre Pinto, Eduardo Collen Leite, Bacuri, Yoshitane Fujimorisem que tivessem a humanidade de avisar a família da morta.
Para "abafar o caso", Alípio Antonio Nunes Neto, o viúvo, foi enviado para Paris, retornando depois ao Brasil, tendo falecido em 2010 no Rio de Janeiro.
Em 1979, após a anistia, outra patifaria para com a família Mazza: um irmão de Elizabeth procurou o advogado José Carlos Dias, da Comissão de Justiça e Paz, uma das principais fontes à época sobre desaparecidos, posteriormente Ministro da Justiça no mandado de FHC, e ouviu outra versão: Elizabeth fora morta por militares na fronteira com o Paraguai, ao tentar sair do país em 1968, 1969. A versão mais verossímil do caso pode ser lido em: Profissão Repórter.
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