segunda-feira, 26 de maio de 2014

Eu, Direitista Raivoso

Um texto antigo*:
por Janer Cristaldo
De quatro em quatro anos, vivo meus dias de inferno astral. São os dias da Copa. Não que eu abomine futebol. Considero um esporte estético, dinâmico, inteligente. O que me desagrada é o que vem junto. Futebol seria civilizado se um torcedor aplaudisse uma boa jogada do time adversário. Isso não acontece. Futebol traz à flor da pele os mais baixos instintos da plebe: facciosismo, fanatismo, agressividade, violência e o pior de todos, patrioteirismo. O futebol é início da guerra civil, escreveu George Orwell.
O que me desagrada é a identificação de futebol com nação. A seleção é a pátria de chuteiras, dizia Nelson Rodrigues. Pátria de chuteiras para países subdesenvolvidos. Em país decente, é apenas mais um esporte entre outros. Nestes dias, quando saio na rua e vejo gente uniformizada de verde e amarelo, sinto vergonha de ser brasileiro. Mas que se vai fazer? Meu passaporte é brasileiro e só me resta sentir vergonha.
Ontem, fui almoçar em um restaurante francês, do qual gosto, além de razões culinárias, por não ter televisão. Lá fugirei das massas, pensei. Santa ilusão! Quando vi os garçons com lenços verde-amarelos atados na cabeça, lembrei de um antigo filme, cujo título já não recordo. Alienígenas invadem a terra e começam a tomar o corpo dos terráqueos. O herói se insurge contra a invasão mas não consegue contê-la. Quando o planeta está totalmente dominado, ele diz à sua companheira: "Vamos fugir para algum lugar onde eles não tenham chegado". Ela, já com a voz rouca dos contaminados, pergunta: "Para onde?" Não há para onde fugir. Nem mesmo ficando em casa.
Sou avesso às grandes datas em que todo mundo confraterniza, como Natal e Ano Novo. Mas nestas datas, pelo menos meu silêncio não é perturbado. Nas Copas, é. Não há como escapar das cornetas e foguetes. Por isso, sempre torço nas Copas. Para que o Brasil seja eliminado no primeiro jogo. Assim se tem um pouco de silêncio no mês. Mas torço em vão. Para mim, pior que Natal e Ano Novo, só mesmo a Copa.
Dito isto, sempre fui tido como homem de direita. Pelas mais variadas razões. Primeiro, porque não sou nem nunca fui comunista. Para os comunistas, quem não é comunista é de extrema direita. Segundo, porque além de não ser petista abomino o PT. Para um petista, quem não é petista só pode ser de direita. Terceiro, porque não tenho papas na língua na hora de condenar ditaduras comunistas. Quarto, porque não considero Fidel nem Che libertadores do continente, mas operosos assassinos. Quinto, porque não hesito em afirmar que Francisco Franco salvou das garras de Stalin não só a Espanha como também a Europa. E por aí vai.
Hoje, surpreendentemente, descubro que sou de direita... porque não gosto de Copas. Leio no Estadão que vários comentaristas norte-americanos estão atacando a popularização do esporte no país, dizendo que se trata de uma modalidade esportiva "de pobre", coisa de sul-americano, resultado da crescente influência dos hispânicos no país e ligado às "políticas socialistas" do presidente Barack Obama.
Glenn Beck, o mais famoso comentarista conservador da Fox News, compara o futebol às políticas de Obama. "Não importa quantas celebridades o apoiam, quantos bares abrem mais cedo, quantos comerciais de cerveja eles veiculam, nós não queremos a Copa do Mundo, nós não gostamos da Copa do Mundo, não gostamos do futebol e não queremos ter nada a ver com isso", esbravejou Beck na TV. Segundo ele, o futebol é como o governo atual: "O restante do mundo gosta das políticas de Obama, mas nós não".
Comentário do redator da Agência Estado, que não assina a matéria: “A Copa do Mundo é a mais nova vítima da raivosa extrema direita dos Estados Unidos”. Mais um adendo em meu currículo. Pertenço à raivosa extrema direita brasileira, que não gosta de futebol. Mais um pouco e serão pichados como direitistas aqueles que gostam de ópera e não de samba, de zarzuelas e não de funk, de csárdás e não de axé
Fanatismo em futebol é coisa de país pobre, sim senhor. Os países ricos também vibram com futebol, mas neles não vemos essa palhaçada de patrioteiros enrolados em bandeiras ou vestindo as cores do país. Em país rico não há essa canalhice demagógica de liberar funcionários do trabalho em horários de jogos. Muito menos esse zumbido atroador de cornetas e foguetes, típico de retardados mentais. Por que raios se tem de celebrar um gol perturbando a paz dos demais cidadãos? 
Fanatismo em futebol é coisa de gente inculta. Ontem, ao voltar do restaurante para a casa, antes de terminar o jogo, vi as ruas desertas de carros. São Paulo é mais inculta do que parece. Direitista raivoso, continuo minha torcida para que o Brasil caia no próximo embate e o país volte à normalidade. Sei que não estou só. Não poucos leitores participam desta direita raivosa. 
* Junho de 2010
Fonte:  Janer Cristaldo
COMENTO: eu sou contra esse "ópio do povo" que tratam como esporte! Esporte é algo no qual você participa e que te propicia algum benefício físico ou mental, não essa idiotice de ficar botando sua raiva para fora em estádios enquanto alguns marmanjos correm atras de uma bola. Na minha opinião, isso é mais uma forma de manipular a população, gerando grana para grandes empresas, além de servir como uma grande lavanderia de grana suja. Ou alguém acredita que há lógica nos salários pagos aos grandes jogadores (os dirigentes não devem receber menos)? Eu sei que às vezes me torno até um pouco antipático ante meus amigos ao ser incisivo nas opiniões, mas acontece que me irrita a manipulação do nosso povo por pessoas e entidades desonestas. Gostar de esportes, inclusive futebol, é muito natural e saudável, mas se prestamos atenção veremos que esse gosto se transforma em meio de vida de verdadeiras empresas que são formadas em torno de nome de ídolos momentâneos, forjados somente para favorecer alguns espertalhões (empresários e jornalistas comprometidos). Nada contra um jogador ganhar seus milhões se eles forem pagos pela iniciativa privada (apesar de não acreditar que tantos milhões sejam gastos em "propaganda" por empresa alguma), mas não acho justo o uso de um centavo sequer de verba pública em prol de times, estádios, empresas, etc, ligadas ao futebol ou a qualquer outro esporte, a não ser as escolas públicas. Pior, ainda, são as frequentes isenções de impostos e perdões de dívidas - particularmente para com a Previdência Social, que vive alegando estar à beira da falência - concedidas a essas entidades particulares. Tudo sob as desculpas ridículas de que "o brasileiro ama o futebol" e que "a seleção é a pátria de chuteiras".
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quarta-feira, 21 de maio de 2014

Ingresso Descontrolado de Haitianos, Cubanos e Muçulmanos - Atenção!

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Em 11 de maio de 2014 o jornalista Claudio Humberto publicou que a Polícia Federal está proibida de conter a entrada dos haitianos no Brasil.
Segundo a nota, entre os mais de quatro mil que chegaram este ano, sem qualquer controle nem documentos, pode haver criminosos comuns, fugitivos da Justiça, terroristas procurados, etc, que instruídos pelos “coiotes” pagos para trazê-los do Haiti, apenas precisam gritar “refúgio!”, para que os agentes lhes permitam o ingresso no Brasil, onde recebem “visto humanitário” de permanência, além de carteiras de trabalho com a identidade que declaram.
O Brasil, irresponsável, nem sequer faz gestões junto aos governos da Bolívia e do Peru, por onde chegam os haitianos, para exigir vistos.
Calcula-se que de 2010 até o presente, ingressaram mais de 20 mil haitianos no Brasil, sem documentação, sem autorização, e a maioria sem boa qualificação profissional.
O Brasil não faz divisa com o Haiti que, aliás fica longe do Brasil e jamais houve algum tipo de relação histórica ou cultural entre os dois países. 
A rota mais lógica e menor para essa vinda de haitianos seria pela fronteira norte brasileira, via Venezuela, Suriname ou Guianas, mas a principal porta de entrada desses haitianos tem sido o Acre.
Os Haitianos vem de longe, sem dinheiro, usando uma logística que custa caro e que alguém organizou e pagou, para passarem pelo Peru que fica na divisa com o Acre.
Lógico que o Peru não iria acolher os haitianos porque eles não tem qualificação profissional. Alguém está fornecendo a logística necessária para que esses mais de 20 mil haitianos viessem até a América do Sul e entrassem no Brasil justo pelo Peru. Por que o Peru? Imaginamos que seja porque o Peru faz divisa com o estado governado pelo PT.
A Polícia Federal teria levantado que a única qualificação de muitos desses "refugiados" é terem sido milicianos no Haiti, fazendo parte de bandos fora da lei.
Agora, o governador do Acre procura mandar os haitianos para São Paulo. E o prefeito de São Paulo já tinha todo material preparado para acolhe-los, tendo usado uma tropa de trabalhadores para deixar em boas condições um galpão reformado.
Este é o mesmo prefeito do PT que deixa nas ruas sem resolver o problema dos brasileiros que não tem teto e um grande número de moradores de rua.
Não dá para sabermos como 20.000 haitianos conseguiram dinheiro para comprar passagens aéreas para o Peru, e de lá até a fronteira com o Acre, e posteriormente para SP. Em uma pesquisa rápida, verifica-se que o preço mais barato para o trecho Port-au-Prince/Lima é de US$ 650.00, e para o trecho Lima/Rio Branco US$ 912.00. Somando os dois valores, chegamos a US$ 1.562,00. Ou aproximadamente R$ 3.600,00; fora a passagem Rio Branco/Guarulhos, que custa R$ 500,00. Total: R$ 4.092,00
Não bastasse a entrada desenfreada de haitianos, o Itamaraty resolveu fazer a festa de entidades como Al-Qaeda e assemelhados, abrindo as porteiras para que se mudem de mala e cuia para cá: às vésperas da Copa e das Olimpíadas.
No dia 13 de maio, a mesma coluna do jornalista Claudio Humberto, publicou outra nota preocupante
Segundo ele, o Itamaraty, emitiu a circular telegráfica nº 94443/375, de 7 de maio, instruindo embaixadas e consulados a darem vistos – sem consulta prévia ao Brasil – para nacionais do Afeganistão, Irã, Iraque, Jordânia, Líbano, Líbia, Palestina, Paquistão e Síria, regiões tomadas por grupos terroristas.
Essa decisão irresponsável do Itamaraty, que afeta a crítica área de segurança, é agravada pela falta de estrutura e pessoal qualificado nas embaixadas e consulados, que se valem de contratados locais para analisar os pedidos de vistos.
A Secretaria de Segurança para Grandes Eventos do Ministério da Justiça, diz que nada sabe sobre a porteira escancarada pelo Itamaraty, que, por sua vez afirma que a ordem de liberar vistos para países como Líbia, Afeganistão, Paquistão, Irã e Iraque “sem consulta” ao Brasil “não contraria” os protocolos de segurança para a Copa do Mundo.
Há quem afirme que esse ingresso aparentemente desorganizado de haitianos e naturais do denominado "Mundo Islâmico", somados aos cubanos do "mais médicos" - cujo efetivo, já foi denunciado, está infiltrado por muitos médicos militares com experiência de combate na África -, colombianos ligados à narcoguerrilha e paraguaios do mesmo naipe, na realidade serve para uma muito bem organizada invasão de "cumpanhêrus" revolucionários.
Quero destacar que nada há aqui contra os seguidores do Islã, somente usei o termo "Mundo Islâmico" para referir geograficamente os nacionais cujo ingresso no Brasil foi facilitado de forma inusual. 
Alguns vão dizer que esta linha de raciocínio é surreal. Mas se dizia exatamente a mesma coisa quando Fidel Castro foi menosprezado e montou a invasão de Cuba com sua tropa que os cubanos consideravam irreal e absurda de existir.
Se forem realmente mais de 20 mil, dá um bom efetivo para montar uma força paramilitar (ou de guerrilha) de respeito. Sempre lembrando que dessa quadrilha ora empoleirada no poder podemos esperar qualquer coisa. Até mesmo alguma ideia estapafúrdia visando "apoio popular" ao estilo venezuelano a algum tipo de "endurecimento governamental", pós Copa do Mundo e suas consequentes manifestações, e adiamento "sine die" das eleições previstas para outubro.
Espero que isso não passe de um mero exercício de imaginação fértil, mas como se diz lá pelo sul do país: "no creo em brujas, pero que las hay, las hay"!

ATUALIZAÇÃO:  a quem achar exagero o que aqui foi escrito, recomendo a leitura de reportagem publicada em 08 Jun 2014 no Estadão. "Às vésperas da Copa do Mundo, estrangeiros moradores de ocupações, incluindo imigrantes de Serra Leoa, por exemplo, que participaram de conflitos armados em seu país, estão escalados na linha de frente dos protestos de sem-teto marcados para acontecer na cidade a partir de terça-feira".
Pelo sim, pelo não, é bom irmos dando uma boa manutenção nos ferros!

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Estamos Perdendo a Noção de Autoridade?

por Ernesto Cortés Fierro
A falta de autoridade se converte em estímulo para o péssimo comportamento dos cidadãos.
Autoridade. Isso foi o que demostrou o Real Madrid frente ao Bayer Munich em sua classificação à Liga de Campeões de futebol europeu. Essa autoridade tinha sua fonte de inspiração em regras de jogo claras, contundentes, precisas, que emanavam de um técnico a quem se havia encomendado a tarefa de exercer com autoridade para obter bons resultados. E de uma equipe que se cingiu a esses parâmetros e atua em consequência. E então, após o 4-0 fulminante da equipe espanhola, não eram de estranhar as manchetes e comentários do dia seguinte: ‘O Real ganhou com autoridade’.
Não me ocorre uma melhor maneira de ilustrar algo que de fato já havia comentado aqui, porém volto ao caso porque dia a dia somos testemunhas de como a falta de aplicação de autoridade bem entendida é a responsável de boa parte dos males que nos afetam. Com um agravante: a falta de autoridade se converte em estímulo para o péssimo comportamento cidadão.
Não de outra forma se entende que hoje qualquer um se sinta com direito a fazer o que lhe dê vontade com a cidade, em beneficio próprio e em detrimento dos demais. E há exemplos aos montes, vocês devem conhecer muitos deles.
A ver: ¿quando, onde ou sob que norma ficou estabelecido que as oficinas de mecânica podem ocupar as calçadas para reparar carros?, ¿quem autorizou as concessionarias de veículos a fazer o mesmo?, ¿quem permite que pululem os transportadores piratas em ônibus sucateados sem que ninguém diga nada?, ¿onde está o decreto que ordena que os postes são lugares para publicidade?, ¿não se diz que o trabalho infantil está proibido nos semáforos?, ¿não se diz que há multas para tudo: para os que contaminam, jogam o lixo a céu aberto, urinam na rua, invadem espaços públicos recuperados, para os que fazem ruido, para os que estacionam onde não devem, falam por celular enquanto dirigem, bloqueiam as ciclopistas com toda sorte de avisos…?
O problema não é de normas. É de falta de liderança para exercer a autoridade que os cidadãos entregaram a nossos governantes em troca de que nos garantam à maioria o direito a viver em harmonia, de estabelecer a ordem que emana das leis, de fazer que uma sociedade funcione sob um mínimo de regras para que não termine impondo-se a arbitrariedade de uns poucos em detrimento dos demais.
A autoridade não pode ser seletiva, como ocorre em muitos casos, há de ser democrática, aplicar-se ao conjunto da sociedade, do contrario o contrapeso da justiça se perde. Como ocorreu com as cadeias de supermercados que foram sancionadas pela Secretaria de Saúde pela aparente presença de roedores em suas instalações. Se ordenou o fechamento temporário de alguns locais, com entrevista coletiva e tudo. ¿Onde está a mesma medida para a quantidade de restaurantes, cafeterias e venda de comida ambulante que funcionam na cidade em condições insalubres?, ¿onde o burburinho na mídia? Fazer show midiático aproveitando-se do revestimento de autoridade tampouco é sadio.
Estas reflexiones vem ao caso não só porque são o pão nosso de cada dia, senão porque o vai-vem político em que vive a cidade parece gerar um relaxamento coletivo. Se cai na tentação de que como há instabilidade na Prefeitura então não há para que aplicar autoridade. Crasso erro, porque se termina tomando um de dois caminhos: o desconhecimento das normas ou a aplicação delas segundo nosso próprio saber e entender. E aí sim adeus autoridade e bem vinda a desordem.
Ernesto Cortés Fierro
Editor Chefe de EL TIEMPO
@ernestocortes28
Fonte:  tradução livre de El Tiempo
COMENTO:  o autor do texto expressou a situação atual de Bogotá, Colômbia, mas que certamente ocorre em muitos outros lugares, particularmente no Brasil. O temor das pessoas investidas de autoridade em exercer essa autoridade em benefício da sociedade faz com que uma minoria mal educada e mal intencionada assuma o protagonismo social em nome do "politicamente correto" e da "defesa da minorias". Colaborando com essa situação, a imprensa se omite de identificar criminosos presos para que possamos identificá-los caso os encontremos em outra situação e possamos fugir a uma nova investida criminosa dos mesmos. Tudo sob a desculpa cretina da "inocência presumida", mesmo quando se trata de criminosos confessos. Além do nojento hábito de adjetivar esses mesmos canalhas como "suspeito". Esse tipo de procedimento conduz a coisas estúpidas como afrontar um fumante até mesmo em via pública ao mesmo tempo em que se aceita passivamente um maconheiro fazer uso de seu "baseado" mesmo em salas de aula. As denúncias contra a "violência policial" é outro aspecto a ser pensado. Todos os dias vemos vídeos de policiais agredindo cidadãos apresentados nos noticiários televisivos. Nunca ficamos sabendo sobre os antecedentes que levaram à ação gravada. Raríssimos são os casos de policiais agredidos filmados. E por aí vai. Há uma "cultura" de contestação à autoridade, sem a preocupação de que um mundo sem autoridade está entregue à lei do mais forte. É o retorno à barbárie, como vimos em Pernambuco. Será que é isso mesmo o que queremos?
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sábado, 10 de maio de 2014

Dia da Cavalaria - 2014

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No decorrer do ano de 1808, a invasão de Portugal pelas forças napoleônicas motivou a vinda da família real portuguesa para o Brasil. Nesse ano decisivo para o progresso de nossa Pátria, nascia, a 10 de maio, na Vila de Nossa Senhora da Conceição do Arroio (hoje município de Tramandaí-RS), aquele que seria o Patrono da Arma de Cavalaria, Manuel Luis Osório
Em 01 de maio de 1823, com 15 anos incompletos, assentou praça na Cavalaria da Legião de São Paulo e acompanhou o Regimento de seu pai na luta contra as tropas portuguesas do Brigadeiro Dom Álvaro da Costa, estacionadas na Cisplatina, que não aceitavam a independência do Brasil. 
Seu batismo de fogo ocorreu às margens do arroio Miguelete, em 13 de maio daquele ano, nas proximidades de Montevidéu, em um combate contra a cavalaria portuguesa. 
Como Alferes, participou, aos 17 anos, da Campanha da Cisplatina, na qual se distinguiu por sua bravura, patrocinando atos de puro heroísmo, particularmente nos combates do Passo do Rosário e de Sarandi. Neste último, por ter salvo a vida de seu comandante, o General Bento Manuel Ribeiro, dele recebeu Lança de Guerra como presente. Tal peça serviu de inspiração para a adoção do símbolo da Cavalaria do Exército Brasileiro - as lanças cruzadas. 
A partir daí, fez-se presente em todas as campanhas travadas pela manutenção e configuração de nossas fronteiras sul e oeste. Mas foi na Campanha da Tríplice Aliança que Osório se destacou como chefe militar de prestígio. 
No Passo da Pátria lançou, em sua Ordem do Dia, uma de suas frases mais célebres – “É fácil a missão de comandar homens livres, basta mostrar-lhes o caminho do dever. Camaradas, vosso caminho está aí à frente”. Em seu regresso à Pátria, após participar da Guerra da Tríplice Aliança, recebeu do povo do Rio de Janeiro a Lança de Honra
De inestimável valor histórico, suas duas lanças compõem o acervo do Exército Brasileiro, sob a guarda do 3º Regimento de Cavalaria de Guardas (3º RCGd), “Regimento Osório”. Plena de contínuos êxitos, a notável carreira militar de Osório teve sua consagração na Batalha de Tuiuti, na qual, firmando-se em conhecimentos táticos e inigualável bravura, demonstrou ser um perfeito comandante de batalha. 
Em sua obra Os Patronos das Forças Armadas, o General Olyntho Pillar registra: “se os feitos anteriores de Osório não o imortalizassem, a célebre batalha de Tuiuti haveria de inscrever seu nome nos fastos de nossa História com os inapagáveis caracteres áureos que a gratidão nacional sabe fundir”. Não houve soldado brasileiro que combatesse nesse dia, que não o tenha visto passar como um raio entre os maiores perigos da batalha; e que, no exemplo sublime que dava o chefe, não sentisse o coração pulsar de entusiasmo e de valor invencível
Estadista de excelsas virtudes, exerceu mandato de Senador do Império, sempre cerrando fileiras em prol das mais justas causas. 
Ministro da Guerra, deparou-se com um quadro de extrema restrição orçamentária. Mercê de seu decantado senso prático, soube superá-lo e manteve as forças de terra aptas a respaldar os interesses nacionais. 
Se muito dele foi dito, mais ainda ele nos disse. Legou-nos ensinamentos que subsistem no tempo, geração após geração, como a frase lida no Senado: “A farda não abafa o cidadão no peito do soldado”. 
O apreço da população, o reconhecimento do Império e a estima dos irmãos-de-armas ornavam sua existência quando esta chegou ao fim, no dia 4 de outubro de 1879, na cidade do Rio de Janeiro. 
Gravemente enfermo, sentindo aproximar-se a hora fatal, despediu-se da família. Deu um derradeiro conselho: “quem escreve deve fazê-lo pela Pátria”... Mandou que os seus agradecessem “aos médicos, aos homens de letras, à imprensa... o bom tratamento que lhe deram...” E balbuciou vocábulos soltos: “Tranquilo... Independente... Pátria... Sacrifício... Último infelizmente...”. Perdia o Brasil, naquele momento, um soldado de trajetória cívico-militar exemplar. 
Extinguia-se uma das mais valiosas existências, símbolo de um povo, síntese de uma época, o Marquês do Herval, ”O Legendário”, Patrono da Arma de Cavalaria. 
Os cavalarianos de hoje rapidamente se adaptam às novas tecnologias de defesa, inseridas nos seus blindados e modernos equipamentos de guerra, tendo sempre como lema: “Mecanizado, sem perder a tradição...”. 
Neste dia 10 de maio, gerações de seus discípulos cultuam seu legado simplesmente por devoção, respeito e motivação, cientes de que “Haverá sempre uma Cavalaria”.
Fonte: texto do CComSEx, de 2008



quinta-feira, 1 de maio de 2014

Vítimas do Terrorismo - Maio


Neste maio de 2014, reverenciamos a todos os que, em maios passados, tombaram pela fúria política de terroristas. Os seus algozes, sob a mentira de combater uma ditadura militar, na verdade queriam implantar uma ditadura comunista em nosso país. Para isso, atentaram contra o Brasil e agora lhes negam até mesmo o lenitivo de serem pranteados por nós.
Cabe-nos lutar para que recebam isonomia no tratamento que os "arautos" dos direitos humanos dispensam aos seus assassinos, que hoje recebem pensões e indenizações do Estado contra o qual pegaram em armas.
Move-nos, verdadeiramente, o desejo de que a sociedade brasileira lhes faça justiça e resgate aos seus familiares a certeza de que não foram cidadãos de segunda classe, por terem perdido a vida no confronto do qual os seus verdugos, embora derrotados, exibem, na prática, os galardões de uma vitória bastarda, urdida por um revanchismo odioso.
A esses heróis o reconhecimento da Democracia e a garantia da nossa permanente vigilância, para que o sacrifício de suas vidas não tenha sido em vão.

31/05/68 – AILTON DE OLIVEIRA (Guarda Penitenciário - RJ)
O Movimento Armado Revolucionário (MAR), montou uma ação para libertar nove de seus membros que cumpriam pena na Penitenciária Lemos de Brito (RJ) e que uma vez libertados deveriam seguir para região de Conceição de Jacareí, onde o MAR pretendia estabelecer o “embrião do foco guerrilheiro”.
No dia 26/05/68, o estagiário Júlio César entregou à funcionária da penitenciária Natersa Passos, dentro de um pacote, três revólveres calibre 38 que seriam usados pelos detentos durante a fuga. Às 17:30 horas os subversivos, ao iniciarem a fuga foram surpreendidos pelos guardas penitenciários Ailton de Oliveira, Valter de Oliveira Pereira e Jorge Félix Barbosa. Os guardas foram feridos pelos presos em fuga, sendo que Ailton de Oliveira veio a falecer cinco dias depois, em 31/05/68.
Ainda ficou gravemente ferido o funcionário da Light, João Dias Pereira que se encontrava na calçada da penitenciária.
O autor dos disparos que atingiram o guarda Ailton foi o terrorista Avelino Bioni Capitani

08/05/69 – JOSÉ DE CARVALHO (Investigador de Polícia – SP)
Atingido com um tiro na boca, durante um assalto ao União de Bancos Brasileiros, em Suzano, no dia 07 de maio, vindo a falecer no dia seguinte.
Nessa ação, os terroristas feriram, também, Antonio Maria Comenda Belchior e Ferdinando Eiamini.
Participaram do crime os seguintes terroristas da Ação Libertadora Nacional (ALN): Virgílio Gomes da Silva, Aton Fon Filho, Takao Amano, Ney da Costa Falcão, Manoel Cyrilo de Oliveira Neto e João Batista Zeferino Sales Vani. Takao Amano foi baleado na coxa e operado, em um “aparelho médico” por Boanerges de Souza Massa, médico da ALN.

09/05/69 – ORLANDO PINTO DA SILVA (Guarda Civil – SP)
Morto com dois tiros, um na nuca e outro na testa, disparados por Carlos Lamarca, durante assalto ao Banco Itaú, na rua Piratininga, Bairro da Mooca. Na ocasião também foi esfaqueado o gerente do Banco, Norberto Draconetti.
Organização responsável por esse assalto: Vanguarda Popular Revolucionária (VPR).

27/05/69 – NAUL JOSÉ MONTAVANI (Soldado PM – SP)
Em 27/05/69 foi realizada uma ação contra o 15º Batalhão da Força Pública de São Paulo, atual PMESP, na Avenida Cruzeiro do Sul, SP/SP.
Os terroristas Virgílio Gomes da Silva, Aton Fon Filho, Carlos Eduardo Pires Fleury, Maria Aparecida Costa, Celso Antunes Horta e Ana Maria de Cerqueira César Corbisier, metralharam o soldado Naul José Montovani que estava de sentinela e que morreu instantaneamente. O soldado Nicário Conceição Pulpo que acorreu ao local ao ouvir os disparos, foi gravemente ferido na cabeça, tendo ficado paralítico.

02/05/70 – JOÃO BATISTA DE SOUZA (Guarda de Segurança - SP)
Um comando terrorista, integrado por Devanir José de Carvalho, Antonio André Camargo Guerra, Plínio Petersen Pereira, Waldemar Abreu e José Rodrigues Ângelo, pelo Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT) e mais Eduardo Leite (Bacuri) pela Resistência Democrática (REDE) assaltaram a Companhia de Cigarros Souza Cruz, no Cambuci/SP. Na ocasião Bacuri assassinou o guarda de segurança João Batista de Souza.

10/05/70 – ALBERTO MENDES JÚNIOR (1º Tenente PMESP – SP)
Nos dias 16/04/70 e 18/04/70 foram presos no Rio de Janeiro, Celso Lungaretti e Maria do Carmo Brito, ambos militantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), uma das organizações comunistas que seguia a linha cubana.
Ao serem interrogados os dois informaram que desde janeiro/70, a VPR, com a colaboração de outras organizações comunistas, instalara uma área de treinamento de guerrilhas, na região de Jacupiranga, próxima a Registro, no Vale da Ribeira, no Estado de São Paulo, sob o comando do ex-capitão do Exército, Carlos Lamarca.
No dia 19/04/70, tropas do Exército e da Polícia Militar do Estado de São Paulo foram deslocadas para a área, para verificar a autenticidade das declarações dos dois militantes presos e neutralizar a área, prendendo, se possível os seus 18 ocupantes.
No início de maio/70 uma parte da tropa da Polícia Militar foi retirada da área, permanecendo, apenas, um pelotão. Como voluntário para comandá-lo, apresentou-se um jovem de 23 anos, o Tenente Alberto Mendes Júnior. Com 5 anos de Polícia Militar, o Tenente Mendes era conhecido, entre os seus companheiros, por seu espírito afável e alegre e pelo altruísmo no cumprimento das missões. Idealista, acreditava que era seu dever permanecer na área, ao lado se seus subordinados.
No dia 08/05/70, sete terroristas, chefiados por Carlos Lamarca, que estavam numa pick-up, pararam num posto de gasolina em Eldorado Paulista e foram abordados por policiais que, imediatamente, foram alvejados por tiros dos terroristas que ocupavam a pick-up e que após o tiroteio fugiram para Sete Barras.
Ciente do ocorrido, o Tenente Mendes organizou uma patrulha, que, em duas viaturas, dirigiu-se de Sete Barras para Eldorado Paulista. Cerca das 21:00 horas, houve o encontro com os terroristas que estavam armados com fuzis FAL enquanto que os PMs portavam o velho fuzil Mauser modelo 1908. Em nítida desvantagem bélica, vários PMs foram feridos e o Tenente Mendes verificou que diversos de seus comandados estavam necessitando urgentes socorros médicos.
Um dos terroristas, com um golpe astucioso, aproveitando-se daquele momento psicológico, gritou-lhes para que se entregassem. Julgando-se cercado, o oficial aceitou render-se, desde que seus homens pudessem receber o socorro necessário. Tendo os demais componentes da patrulha permanecido como reféns, o Tenente levou os feridos para Sete Barras.
De madrugada, a pé e sozinho, o Tenente Mendes buscou contato com os terroristas, preocupado que estava com o restante de seus homens. Encontrou Lamarca que decidiu seguir com seus companheiros e os prisioneiros para Sete Barras. Ao se aproximarem dessa localidade foram surpreendidos por um tiroteio, ocasião em que dois terroristas Edmauro Gopfert e José Araújo Nóbrega desgarraram-se do grupo e os cinco terroristas restantes embrenharam-se no mato, levando consigo o Tenente Mendes. Depois de caminharem um dia e meio na mata, os terroristas e o Tenente pararam para descansar. Nesta ocasião Carlos Lamarca, Yoshitame Fugimore e Diógenes Sobrosa de Souza afastaram-se e formaram um tribunal revolucionário que resolveu assassinar o Tenente Mendes pois o mesmo, pela necessidade de vigilância, retardava a fuga. Os outros dois Ariston Oliveira Lucena e Gilberto Faria Lima ficaram vigiando o prisioneiro.
Poucos minutos depois, os três terroristas retornaram, e, acercando-se por traz do Oficial, Yoshitame Fugimore desfechou-lhe violentos golpes na cabeça, com a coronha de um fuzil. Caído e com a base do crânio partida, o Tenente Mendes gemia e se contorcia em dores. Diógenes Sobrosa de Souza desferiu-lhe outros golpes na cabeça, esfacelando-a. Ali mesmo, numa pequena vala e com seus coturnos ao lado da cabeça ensangüentada, o Tenente Mendes foi enterrado.
Em 08/09/70, Ariston Lucena foi preso pelo DOI/CODI/IIEx e apontou, no local, onde o Tenente estava enterrado. Seu corpo foi exumado, em segredo, pelos agentes do DOI pois os companheiros do Tenente queriam linchar Ariston.
Dos cinco assassinos do Tenente Mendes, sabe-se que:
- Carlos Lamarca, morreu na tarde de 17/09/71, no interior da Bahia, durante tiroteio com o DOI/CODI/6ª RM; embora tenha desertado no posto de capitão, por lei especial, sua família recebe a pensão de coronel.
- Yoshitame Fugimore, morreu em 05/12/70, em São Paulo, durante tiroteio com o DOI/CODI/IIEx;
- Diógenes Sobrosa de Souza, preso em 12/12/70, no RS. Em novembro de 71 foi condenado à pena de morte (existia na época esta punição para os terroristas assassinos, que nunca foi usada). Em fins de 1979, com a anistia foi libertado e em 1999 suicidou-se;
- Gilberto Faria Lima, fugiu para o exterior.
- Ariston Lucena, após a anistia foi libertado e teria se suicidado.
Todas as famílias dos terroristas assassinos, inclusive a de Carlos Lamarca receberam indenização em dinheiro.
O Tenente Mendes, promovido após sua morte, por bravura, ao posto de capitão, deixou para sua família a pensão relativa a esse posto. Sua família, que nunca ganhou nenhuma indenização dos governos federal e estadual, tem problemas psicológicos até hoje. Seus pais não se conformam em ter seu único filho assassinado de forma brutal, por bandidos sempre tão endeusados pela nossa mídia.

10/05/71 – MANOEL SILVA NETO (Soldado PM – SP)
Morto por terroristas durante assalto à Empresa de Transporte Tusa.

14/05/71 – ADILSON SAMPAIO (Artesão – RJ)
Morto por terroristas durante assalto às lojas Gaio Marti.

08/05/72 – ODILO CRUZ ROSA (Cabo do Exército – PA)
Morto na região do Araguaia, quando uma equipe comandada por um Tenente e composta ainda, por dois Sargentos e pelo Cabo Rosa, foram emboscados por terroristas comandados por Oswaldo Araújo Costa, “Oswaldão”, na região de Grota Seca, no Vale da Gameleira.
Neste tiroteio também foram feridos o Tenente e um Sargento.

Os mortos acima relacionados não dão nomes a logradouros públicos, nem seus parentes receberam indenizações, mas os responsáveis diretos ou indiretos por suas mortes dão nome à escolas, ruas, estradas e suas famílias receberam vultosas indenizações, pagas com o nosso dinheiro.
Fonte: texto adaptado de Ternuma

COMENTO: por uma questão de justiça, também lembrarei aqui alguns membros de organizações terroristas que foram "justiçados" por seus companheiros de luta. Para isso, reproduzo um desses "justiçamentos", ocorrido em maio de 1970, conforme relatado no Projeto Orvil, denominado pela imprensa como o livro secreto do CIE. De suas páginas 604 e 605 do Segundo Volume, extraí:
"Temeroso das investigações que seriam desencadeadas, Eurico Natal entregou a Geraldo Ferreira Damasceno as armas que guardava em sua residência - uma carabina .44 e cinco revólveres .38 com munição -, acondicionadas numa mala. Três semanas depois, tranqüilizado quanto à segurança, pediu a devolução das armas, só recebendo, depois de muita insistência, a mala cheia de tijolos. Geraldo, precisando de dinheiro, havia vendido as armas.
Levado o caso à DO, instalou-se, em maio, um Tribunal Revolucionário, integrado por Apolo, sua esposa Carmen, Eurico, João Leite e Sílvia, no “aparelho” dos dois primeiros militantes, em Sepetiba, o qual decidiu, por unanimidade, o “justiçamento” de Geraldo Ferreira Damasceno. Apesar de avisado por Jonas Soares, Geraldo confiava que a DVP, no máximo, o expulsaria.
As 23 horas de 29 de maio de 1970, com a cobertura de Jonas Soares e Paulo Roberto Machado da Silva, Apolo Heringer Lisboa e João Leite Caldas encontraram Geraldo em frente ao nº 55 da Rua Leblon, em Duque de Caxias, só que acompanhado de um seu amigo, de nome Elias dos Santos. Previsto para ser morto a facadas, a presença de Elias modificou o planejamento da dupla assassina. Ali mesmo, Geraldo foi abatido com seis tiros desfechados por Apolo, e Elias morreu para não haver testemunhas, com um tiro disparado por João Leite.
Pouco mais de duas semanas depois, na noite de 16 de junho, Apolo, João Leite e Paulo Roberto tentaram roubar um Volks de um casal de namorados, estacionado na Rua Otranto, em Vigário Geral. Recebidos a tiros pelo proprietário do carro, Apolo e Paulo Roberto fugiram, deixando João Leite Caldas agonizante na calçada."
A execução também está descrita, de forma resumida, no livro A Verdade Sufocada, de Carlos Alberto Brilhante Ustra (pagina 419).