quinta-feira, 29 de agosto de 2013

A Tragédia da Chacina Familiar em São Paulo

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Logo completaremos um mês da tragédia que se abateu sobre a família dos Policiais Militares assassinados em São Paulo, supostamente pelo filho adolescente do casal em 5 de agosto.
Em princípio, devemos aceitar as conclusões policiais que apontam o jovem como autor do massacre, com base em exames periciais a que nem sempre se pode ter acesso, por motivos vários. Até mesmo para não alertar potenciais malfeitores sobre como são feitas as investigações.
Mas o que eu quero destacar aqui não se refere diretamente às investigações mas a duas constatações que não tem merecido a atenção da imprensa, ou pelo menos não tem sido explorada com a profundidade que merece em função do "politicamente correto", essa patifaria hipócrita que nos é imposta cotidianamente.
A primeira é quanto a presença de dezenas de policiais militares no imóvel onde ocorreu a chacina, logo após sua descoberta. Essa constatação conduz a duas outras que me parecem de extrema gravidade. Em primeiro lugar, demonstra completa falta de comando sobre as equipes policiais que atuam na cidade. O que faziam tantos policiais na cena do crime, além de saciar a mórbida curiosidade que faz humanos quererem ver com seus próprios olhos alguma tragédia ocorrida? Mesmo os que tinham ligações de amizade com os falecidos, não estando escalado para trabalhar naquela área, não deveriam - até mesmo por não lhes ser novidade a visão de colegas mortos - simplesmente acorrer ao local por solidariedade ou curiosidade. Nada mais havia a ser feito em prol das vítimas. Em compensação, durante bom tempo diversos pontos urbanos que deveriam estar sendo policiados ficaram desprotegidos enquanto os responsáveis pelos mesmos participavam da lamentação coletiva.
O outro efeito negativo da acorrida policial ao local da tragédia foi a inegável contaminação do local, prejudicando uma perícia criminal isenta de erros. Não sou técnico no assunto, mas a grande presença de pessoas certamente criou marcas de pés, impressões digitais e outros vestígios que devem ter se sobreposto a outros que deveriam ser mantidos íntegros para uma perfeita avaliação científica.
Considerando que isso não ocorreu somente nessa cena de crime envolvendo policiais, temos um fato recorrente a ser analisado e corrigido por quem exerce o comando policial, civil ou militar.
A outra constatação cujo destaque tem sido evitado pela imprensa - imagino que para evitar "chocar a audiência" - é a quantidade de jovens adolescentes que tinham conhecimento das "intenções assassinas" do acusado pelas mortes. É bem verdade que o assunto pode ter sido considerado conversa fiada pelos amigos do menino. Mas nenhum deles se animou a comentar o caso em casa?
Ou houve algum comentário que foi sufocado com a velha desculpa covarde de não se envolver com problemas alheios? 
Há tempo venho comentando que a sociedade brasileira encontra-se acovardada. E a covardia se manifesta de forma mais cruel na forma de omissão. Às vezes é um assaltante flagrado em plena atividade e ninguém se move no sentido de lhe tolher a ação, detê-lo ou pelo menos chamar a polícia. Ora são vândalos que se imiscuem em manifestações legítimas deturpando as mesmas, e ninguém se lhes opõem. Daí à corrupção praticada por agentes estatais e políticos à vista e conhecimento de muitos, colegas e funcionários, é uma distância de nada! E todos se queixam de que "ninguém faz nada"! E a velha fábula do guizo no pescoço do gato nos vem à mente.
Voltando aos colegas do menino supostamente assassino e suicida que já tinham escutado algo sobre suas intenções. São muitos, por volta de uma dezena. Há até mesmo um boato de que alguns teriam, com o morto, composto um "grupo de matadores" cujo "ritual de iniciação" seria a morte dos pais. 
Boato ou não, o assunto reforça a discutida - e, em muitos casos, não resolvida - falha na comunicação familiar entre pais e filhos. Esses meninos teriam coragem para tratar sobre o assunto com seus pais? Os pais dariam a devida atenção ao mesmo? Temos conversado suficientemente com nossos filhos?
Estaria a polícia trabalhando também com a hipótese da tragédia ter contado com a presença física de algum colega do suposto assassino/suicida?
Para finalizar: sobre o boato do "grupo de matadores" -  Será algum boato maldoso ou, quem sabe, o jovem Marcelo foi o único - até o momento - a cumprir o proposto? Pelo sim, pelo não, acho bom os pais desses meninos acordarem para a vida e buscarem um contato mais franco com seus filhos!
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PS - antes que me caiam de pau: criei um casal de filhos que me enche de orgulho. São a perfeita expressão de cidadãos de bem!
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2 comentários:

Profesor Paulo Cezar disse...

Estou de pleno acordo meu amigo!

Anônimo disse...

Tanto a Polícia Civil como a Polícia Militar, através dos seus respectivos comandos de áreas responsáveis NÃO observaram (?) a mais ELEMENTAR cadeia de obtenção de provas: a preservação da cena do crime e do local o ele ocorreu.
Pelo que foi divulgado, o "contingente" policial só apareceu no local cerca de seis (6) horas após o alerta dado por um PM e o tio do Marcelinho, que pularam o muro e entraram na casa.
Disseram a uma vizinha que os viu que "todos estavam mortos".
Bem, certamente o PM comunicou o fato à autoridade que lhe era superior, imediatamente.
O que foi planejado a partir desse comunicado do PM até a chegada do contingente à casa dos horrores?
Teria dado muito tempo para que as autoridades acima referidas determinassem o ISOLAMENTO do local, para preservar todos os indícios possíveis, diante da gravidade observada.
E, ao sair do local,em torno das 21hs, o Delegado já tinha a certeza do autor dos crimes (menos de doze horas depois).
Foi intencional o acesso de tantos policiais às instalações da casa?
Por que não passaram a famosa fita amarela de " NÃO ULTRAPASSE, CENA DO CRIME!"?
Comandos ineficientes e incapazes?
Os demais aspectos abordados pelo articulista são altamente pertinentes, também.
É, continua incomodando, sim!

Gaudêncio Sette Luas.