quarta-feira, 24 de julho de 2013

Morre Euclides Quandt de Oliveira

por Ethevaldo Siqueira
Euclides Quandt de Oliveira faleceu na madrugada deste 19 de julho de 2013, aos 93 anos de idade. Exemplo de militar digno, patriota e competente, o comandante Quandt – como todos o chamavam – é um dos brasileiros que merecem meu maior respeito. Em plena ditadura, impediu que grandes profissionais das telecomunicações fossem punidos por suas convicções políticas. 
Carioca, flamenguista e verdadeiro atleta, salvou pelo menos uma dúzia de pessoas no incêndio do edifício Andraus, no dia 24 de fevereiro de 1974. Na época presidente da Siemens do Brasil, ele trabalhava no escritório da empresa naquele edifício. Mesmo exausto, ele chegou a carregar nos ombros pessoas desmaiadas pela fumaça do incêndio, levando-as até o heliporto no alto do prédio.
Conheci o comandante Euclides Quandt de Oliveira nos idos de 1967, poucos dias antes de ingressar no Estadão. Capitão-de-mar-e-guerra, ele encerrava sua gestão como diretor-presidente do CONTEL (Conselho Nacional de Telecomunicações), organismo que exercia as funções de coordenador desse setor antes da criação do Ministério das Comunicações.
Acompanhei de perto, como jornalista especializado que cobria o dia-a-dia do setor de telecomunicações, sua gestão como primeiro presidente da Telebrás, de 1972 a 74, e depois, como ministro das Comunicações, de 1974 a 1979. Exemplo de honestidade e honradez, Quandt formou com o general Alencastro (José Antonio de Alencastro e Silva) e o ex-ministro Hygino Corsetti, o trio de líderes mais respeitados do setor do telecomunicações durante quatro décadas. Toda a decolagem do setor, do Ministério à Telebrás, foi obra desses três homens.
A Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil) relembra que "a história das telecomunicações no Brasil se confunde com a própria história do ministro Quandt, um jovem, que queria ser caixeiro e se tornou oficial da Marinha brasileira, comandou um dos principais símbolos da armada, o porta-aviões Minas Gerais".
Mesmo nos últimos anos, o ex-ministro costumava comentar com lucidez impecável as decisões políticas e os avanços tecnológicos do setor. Nunca perdeu contato com a tecnologia e, com quase 90 anos, tornou-se internauta e sempre opinou sobre os assuntos mais relevantes do setor de telecomunicações, em especial, no site www.telequest.com.br, em que eu tenho escrito nos últimos cinco anos.
Fonte: TeleQuest

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