terça-feira, 4 de junho de 2013

Economia, o Risco Político do Planalto

por Pedro Luiz Rodrigues
De pouco valeram as orações, as promessas e as velas acesas pelo governo a Santa Rita de Cássia e a Santo Expedito, padroeiros das causas difíceis e, mesmo, vez por outra, das impossíveis. A economia, por mais que faça o governo, não deslancha, continua a se arrastar a passo de cágado.
Não há maquiagem ou explicação que possam ocultar o desarranjo. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, no primeiro trimestre do ano, foi de apenas a metade do que esperava o comando da área econômica: 0,551%. Um desempenho notavelmente medíocre. Ainda um pouquinho pior do que o do último trimestre de 2012 (0,542%).
Desta vez, certamente o Palácio do Planalto não voltará a pedir ao Ministro da Educação, economista bem reputado, para vir nos repetir a lenga-lenga da vez passada: de que o crescimento do PIB não é importante, porque o povo está feliz, consumindo e com crédito farto à disposição.
O desempenho sofrível da economia, renovado a cada trimestre, vai retirando o pouco que resta de credibilidade dos explicadores oficiais. Afinal, o nível do consumo - o motor principal do nível de atividade nos últimos anos -, expandiu-se em apenas 0,1% entre janeiro e março.
O veio parece esgotar-se, por conta da inflação alta (feijão carioquinha a oito reais o quilo, um acinte!) e do elevado nível de endividamento das famílias. Todo mundo passa a jogar na retranca, evitando assumir novos compromissos financeiros.
O governo não sabe mais o que fazer. Até agora, parece que pouco adiantou a prodigalidade nos gastos públicos, a exuberância na concessão de créditos, a desoneração de impostos, para tentar reaquecer a máquina da economia.
A incapacidade de gerar crescimento preocupa seriamente o governo e os planos do Partido dos Trabalhadores.
A massa de emergentes - as dezenas de milhões de pessoas que nos últimos dez anos escaparam do mundo dos miseráveis e remediados para o mais ameno, da classe média – será determinante em 2014 para decidir se o PT continuará no poder, ou se dele será catapultado.
A história recente mostra que inflação em alta e crescimento em baixa representam uma combinação funesta para projetos de poder, sejam de quem for. Tendo mudado de mundo e de perspectivas, esses novos integrantes da classe não aceitarão qualquer tentativa de rebaixamento. Virarão feras se vierem a tirar-lhes com uma mão o que lhes foi dado com a outra.
A reação da sociedade tende a ser maior após um período relativamente longo de prosperidade, ao longo do qual a população, percebendo-se mais rica, compra uma minha casa, minha vida, endivida-se até o pescoço, consegue escapar do SUS com um plano de saúde, ainda que modesto.
Tirar as massas da miséria foi, sem sobra de dúvida, a grande conquista da década do PT no poder. Essa maciça distribuição de renda só foi possível, porém, pelas importantes reformas (muitas das quais o referido partido fez tudo para impedir) levadas a cabo em governos anteriores, que possibilitaram o saneamento das contas públicas e o enquadramento da inflação, num saudável ambiente macroeconômico. Ajuda adicional veio nas formas de uma explosão nos preços internacionais de nossos principais produtos de exportação (alimentos e minérios) e dos efeitos (redutores da oferta de mão-de-obra) de uma já longa modificação na estrutura demográfica da sociedade brasileira.
Se o Governo não conseguir fazer a economia crescer, dezenas de milhares de companheiros petistas instalados em confortáveis cargos de confiança na inchadíssima estrutura do governo federal, talvez devessem começar a tratar do futuro. Devem lembrar-se de que no setor privado a carteirinha do partido terá pouca valia, pois ali a disputa, sempre acirrada, se faz com as credenciais da capacidade e do desempenho.

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