sábado, 23 de fevereiro de 2013

O Trágico Fim de uma Mulher com Coragem

Agélica Bello defendeu os direitos humanos a partir de sua experiência como vítima
Angélica Bello, en la última entrevista que dio a los medios de comunicación, el año pasado.
Foto: Revista Semana














O sepultamento da ativista Angélica Bello foi discreto, como ela gostaria. E teria sido mais discreto se no mesmo dia o presidente Santos não o houvesse citado em um ato público: Angélica, pressionada por sua dor ou por ameaças, não sei por que, não suportou mais. Todo parece indicar que tirou sua vida”.
A defensora de direitos humanos de 45 anos morreu em Codazzi (Cesar) em 16 de fevereiro, às 11:45 da noite. 
Naquele sábado, estava em um bar com uma de suas três filhas e um guarda-costas. Conforme uma atendente, ela deixou o local  aparentemente abatida por uma discussão com a filha; esta e o guarda-costas a seguiram. Já em casa, a mulher disparou um tiro em sua própria boca, usando a arma de um outro guarda-costas que estava de folga. (Leia: La Corte pide a Fiscalía esclarecer muerte de líder de desplazadas).
Mas a tragédia de Angélica Bello começou muito antes. Em 1996 ela teve que fugir de Saravena (Arauca) com suas três filhas e um filho, em função de ameaças por ser filiada à União Patriótica. Como desabrigada, chegou a Casanare, onde duas de suas filhas foram recrutadas por um grupo das Autodefesas liderado por "Martin Llanos". Bello contava que implorou ajoelhada ao temido chefe paramilitar que lhe devolvesse suas meninas.
Dois dias depois, os "paras" entregaram as jovens mas deram uma hora de prazo para que a família abandonasse o povoado. Fugiu, então, para Villavicencio, onde chegaram sem nada. Seu desespero era tão grande que, como confessou à revista Semana, pensou em acabar com sua vida e a de seus filhos. Finalmente, com o apoio de um padre, se recuperou.
Pouco tempo depois retomou sua vocação política e se converteu em líder das "desplazadas" (mulheres deslocadas de seus locais de origem por conflitos). Em 2003 sofreu um atentado, mas isso não a impediu de, em 2006, criar a Fundação Nacional dos Direitos Humanos da Mulher, para atender vítimas de violência sexual.
As ameaças se intensificaram até 29 de novembro de 2009. Nesse dia, ao sair do Ministério do Interior, em Bogotá, onde foi pedir uma reavaliação do nível de risco que enfrentava, dois homens a sequestraram. "Abusaram sexualmente de mim. Disseram que não iam me matar para não me transformar em mártir. ... Um deles estava tão confiante que se pôs em minha frente e disse: 'olhe esta cara, por que vais te lembrar dela por toda tua vida'".
Suas filhas ficaram sabendo desse episódio pelo jornal El Tiempo, onde ela contou sua história pela primeira vez. Dias depois da publicação, a mais velha contou a ela que os paramilitares a haviam violado.
Mas sua força de vontade era muito grande. Certamente o presidente Santos percebeu isso e, em janeiro, convidou-a para compartilhar a mesa em um comitê criado pelo governo para atender vítimas do conflito.
A última ameaça chegou poucos dias antes de sua morte. Devia abandonar Codazzi antes da sexta-feira passada. Segundo Paula Gaviria, diretora da Unidade de Vítimas, nos próximos dias ela ia ser   reinstalada e as medidas de sua segurança seriam reestudadas.
O esforço das autoridades terá que focar-se agora na explicação dos fatos nos quais morreu uma das primeiras mulheres que deram um rosto ao drama do abuso sexual em meio à guerra.
Família necessita proteção
Na sexta-feira, a Corte Constitucional pediu ao governo maiores informações sobre a morte de Angélica Bello e instou a implementação de medidas de segurança para sua família, inclusive nova instalação urgente pela Unidade Nacional de Proteção.
Sua luta continua
A fundação não fechará
Álex Villalobos, companheiro de Luisa Fernanda, a filha mas velha de Angélica Bello, diz que a perseguição da qual ela foi vítima  durante toda sua vida (ameaças e atentados) sempre buscou detê-la e frear sua luta. Por isso “decidimos que a Fundação deve continuar. Por ela, porque sabemos o que significou em sua vida”, afirma. A Fundação Defensora dos Direitos Humanos da Mulher (Fundhefem) nasceu em março de 2006. É uma ONG que se propõe a liderar e promover os direitos das mulheres que, como sua fundadora, foram vítimas de todo tipo de abusos em meio ao conflito armado no país. E conseguiu. Seu trabalho será continuado por suas filhas.
SALLY PALOMINO
Redatora de ELTIEMPO.COM
Fonte: tradução livre do Jornal El Tiempo

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

R$ 2,34 por dia e “A Miséria Acabou”

por Neil Ferreira
Do Povo (é nóis, é nosso imposto), Para o Povo (é elis i nóis, nóis é Povo), na boca da Democracia, dus Dereito dus Mano e na manchete de DC de ontem, 5ª feira: R$ 2,34 por dia e "A Miséria Acabou".
Russa, fantasiada com o Paletózinho (Camisona ? Batinha ?) Vermelho e Presidenta da Escola de Samba Unidos do Mensalão, botou o bloco na rua em plena Quaresma, pra apresentar sua mais recente marquetagem, "A Miséria Acabou". Acredite ou vai em cana.
Tome umas e outras pra acreditar; não esqueça de uma talagada das boas para o Santo, se não o milagre mela; você sabe quem é o Santo que aprecia gordas talagadas.
Ao som de "A Miséria Acabou", o Santo lançou Russa candidata a Presidenta da Unidos do Mensalão por mais 4 anos, numa festança na quadra deles, sob emoção, choro e aplausos de todas as alas. O Santo falô e disse.
Com umas e mais outras, você entra em Alpha e acredita piamente que a miséria acabou, que o Pac desempacou, que a Fome Zero zerou e em qualquer outra patranha vinda do palanque de 2014, armado e habitado pela Russa e pelo Criador de Todas as Coisas, inclusive da mais santa corrupção de todos os tempos.
Não quero encrenca com essa turma – veja o sucedido que sucedeu com Toninho de Campinas e Celso Daniel – conte comigo fora dessa.
A Russa canta e nos espanta: "A Miséria Acabou" porque "ela agora dá" R$ 2,34 por dia para os mais miseráveis de todos os miseráveis da nossa Pátria Amada Salve Salve.
Do jeito que fala parece que a grana milionária sai da humilde bolsinha Vuiton dela, do ordenadinho dela. Presidenta ganha uma merreca, menos que Dirceu O Inocente Injustiçado e do que o João Paulo Cinquenta Contos Cunha.
Não misture a Russa Presidenta da Unidos do Mensalão com a Russa Verdadeira, da comunidade da Unidos de Vila Isabel, que é a campeã deste ano. Essa sim, mulher do povo, Russa Verdadeira porque comunista sincera que nunca precisou de verba oficial para apoiar quem quer que fosse.
Sou Beija-Flor, propriedade do Corretor Zoológico inocente das acusações dos inimigos invejosos, brimo Aniz Abrahão e posso elogiar quem me dá na telha, então elogio a Russa Verdadeira.
A outra Russa nunca será Verdadeira por ser uma lenda urbana e não uma personagem real, da pura, da legítima, da mineira e de vez em quando também da gaúcha.
Russa Verdadeira apoiou Martinho da Vila, com quem teve a Martinália, na trilha do sucesso como cantora. Vai ter que carregar esse nome, imposto quando era um bebê indefeso e não tinha como protestar.
Protestava chorando e em vez de lhe trocarem o nome, trocavam a fralda ou davam mais uma mamadeira, reafirmando o velho brocardo: "Quem não chora não mama", mesmo que esteja com dor de barriga e não queira mamar. Uzômi chora i mama pra caramba nas tetas da Viúva.
Estou fantasiado de Miserável, fantasia que grudou em mim como cascão e não sai nem com Omo. Entro na Fila da Miserabilidade pra receber meus milionários R$ 2,34 e torrá-los comprando meia média com meio pão sem manteiga ou uma talagada da purinha de cabeça de alambique. Com a fortuna de R$ 2,34 todos os dias, estou feito – dia sim, uma talagada; dia não, meia média e meio pão sem manteiga. "País feliz é país sem miséria".
Depois a grana evapora, não dá pra nada, mas dá pra falar em tudo quanto é jornal, rádio e tv que "A Miséria Acabou". Se a Globo deu, aconteceu; se a Globo deu que "A Miséria Acabou", a miséria acabô.
O Brasil virou uma imensa Bahia com alegria permanente, praia, carnaval, Trios Elétricos com combustível caro ou barato todo santo dia, com chuva ou sem chuva, com Yvete Sangalo e a Outra Baiana, que é a própria Sangalo com outro nome. Uma e Outra são a mesma pessoa.
Felizes todo santo dia, quem sabe recebam incentivos culturais da Petrobras, o verdadeiro Ministério da Cultura que dá grana pra Escola de Samba cumpanhera, filme político cumpanhero, biografia cumpanhera do cumpanhero Lula, peças cumpenheras, times de futebol cumpanheros.
Como Cultura não dá dinheiro, a Petrobras desde o tempo do cumpanhero Gabrielli tá pra lá de Marrakesh de tão quebrada, quebrando junto a cambada de otários pequenos acionistas: eu, você, ele; nós, vós, eles.
O lulo-petismo celebra 10 anos de pudê com um festão festejando a corrupção do bem, a que é praticada para a inclusão e o bem de todos nós. Eles dão risada de nós há 10 longos anos.
Os festejos são abrilhantados pelos mais que mais festejados Lula, a Russa do Paletozinho Vermelho e os Mensaleiros Heróis do Povo, condenados e sentenciados pelo STF. Nos usos e costumes deles, condenação é condecoração. Se foi condenado e sentenciado, palmas pra ele.
Umas duas semanas depois que o carnaval acabou, o carnaval vai continuáááá no país da felicidade eterna, nunca antes vista “neçepaíz”, que canta "Tudo vai bem no melhor dos mundos", de autoria do Dr. Pangloss.
Gaste com moderação os R$ 2,34 por dia da Bolsa "A Miséria Acabou".
Neil Ferreira é publicitário

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

É Repetição da História?

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Efetivamente, tá tudo dominado! E o pior é que quem domina é uma minoria podre, composta por canalhas e patifes que agem livremente em função da covardia e da omissão da maioria. Órgãos de segurança são mobilizados para proporcionar segurança a marchas de sem terras, de maconheiros, e juristas e políticos se unem em "defesa dos direitos" de mendigos viciados que proliferam nos centros urbanos. 
Não são poupados recursos humanos e financeiros para a defesa desses e outros componentes do que Marx denominou como "lumpen-proletariado", tendo inclusive cogitado sua extinção.
Há algum tempo atrás, vimos velhos incapazes de se defender sendo agredidos por uma quadrilha de "jovens revolucionários" pelo alegado crime de terem participado de uma reunião privada em um clube particular onde foi discutido o Contra-Golpe de 31 de Março de 1964. 
Posteriormente, vemos a "liderança" desses "jovens revolucionários"  serem homenageados por nada mais nada menos que a Presidente da República em uma solenidade relativa a Direitos Humanos. Assim, temos que as leis que apregoam direitos e proteção a idosos não se aplicam a quem pensa diferente da ideologia derrotada no passado mas que não perdeu seu objetivo de transformar o Brasil em um país sob governo totalitário. 
Nos dias atuais observamos uma estrangeira, cubana, que vem ao país, convidada para manifestar-se em defesa do direito de liberdade de expressão em seu país também sendo atacada covardemente por um grupelho, com a conivência, se não a colaboração, de autoridades federais para com a atuação de órgãos de inteligência cubanos - conforme foi denunciado com antecedência pela imprensa - em uma atitude ilegal e imoral onde a subserviência à uma ideologia ultrapassada se sobrepõe à dignidade nacional
Sabemos todos os motivos ideológicos desses manifestantes que não respeitam os direitos alheios de pensar e agir de modo diverso ao que eles apregoam. São jovens idiotizados por um permanente trabalho de "lavagem cerebral" iniciado por professores moralmente desonestos e levado adiante em "grupos de discussão" partidários onde não há discussão, somente doutrinação.
Tanto os jovens da "juventude hitlerista" quanto os participantes da "revolução cultural chinesa" e, mais modernamente, os participantes de movimentos como a "primavera árabe" passaram por processos semelhantes.
Assim ocorreu no início do século passado, quando trabalhadores analfabetos e militares seduzidos pela possibilidade de assumirem o poder como ocorreu na "Mãe-Pátria" em 1917, foram cooptados  para a tentativa que culminou na ação covarde e criminosa de novembro de 1935. 
Em meados do mesmo século, os velhos patifes subordinados aos interesses da Internacional Comunista pensaram ser possível colocar em prática os planos que vinham elaborando há tempos, tentando novamente assumir o poder no maior país da América Latina, pois o governo eles já haviam assumido, como afirmou um dos tais "líderes" ao prestar contas aos patrões soviéticos.
Para seduzir os jovens usaram como exemplo e argumento o sucesso da "revolução cubana" na América Latina e, depois, a "revolução cultural" chinesa, onde "o povo" assumiria a direção de seu destino. 
Nem é preciso muita memória para lembrar os "métodos revolucionários" utilizados nos dois casos citados. Os julgamentos e as execuções sumárias realizados "pelo povo".
Infelizmente, os jovens se prestam para o papel de "bucha de canhão". O maior exemplo disso foi a meia centena de rapazes e moças convencidos a se embrenharem nas matas do Araguaia para iniciar uma luta suicida, sabidamente perdida, com ordens de "lutar até a morte", enquanto os "líderes" ficavam em segurança homiziados nos grandes centros urbanos ou no exterior
E o pior de tudo é que vemos a história repetir-se, como tragédia ou como farsa como afirmou o mentor dos canalhas.
Paralelamente ao incremento da violência e da repressão a toda ação policial contra o banditismo, temos o governo federal com o apoio da grande imprensa - dependente das verbas de propaganda - propalando o desarmamento dos cidadãos e as recomendações de "não reagir" em caso de agressão. Nem vou citar o assassinato de um militar e o suspeito "achado" de documentos da época da "ditamole", convenientes à propaganda política, em sua residência.
Para não nos estendermos, podemos ficar nas ações governamentais em relação a "perseguidos" estrangeiros. Dois pugilistas cubanos resolvem abandonar sua equipe durante competição no Brasil, logo são presos, enfiados em um avião venezuelano e entregues a "El Coma Andante". Morre um prisioneiro político cubano em greve de fome durante visita do Presidente brasileiro naquele país: o Patife compara o morto aos apenados brasileiros e diz que quem entra em greve de fome é otário (os termos usados podem não ser esses, mas a ideia é). Militares argentinos estão sendo mantidos presos naquele país sem o devido processo legal, mas alguns que buscaram refúgio político no Brasil estão sendo entregues quase que imediatamente ao governo argentino. O assassino italiano Cesare Battisti, condenado pela justiça italiana, foi preso por ingressar ilegalmente no Brasil, tendo sido solicitada sua extradição. Aconselhado pelo safado  e incompetente ministro da justiça, o Canalha que ocupava a cadeira presidencial resolveu conceder asilo politico ao bandido que anda livre, leve e solto pelo país. Em nenhum lugar do mundo é admitida uma ação de agentes de inteligência alienígenas. Precedendo a chegada de Yoani Sanchez ao Brasil, a embaixada cubana procedeu uma "reunião" para definir tarefas de inteligência contra a blogueira dissidente. 
Da reunião participou um funcionário da presidência da República que alegou ter saído antes do término da reunião e ter destruído o material que ele recebera. Isso é espionagem, e os demais participantes da reunião são simples "cachorros" cubanos, ou "quintas-colunas" como eram denominados durante a II Guerra. A Polícia Federal foi alertada para essa ação alienígena? Talvez, com a orientação de não intervir. E assim se vai a soberania brasileira pelo esgoto. 
Ficam as perguntas: o que diferencia as ações nazistas de "denunciar os judeus", das ações dos jovens chineses de "denunciar os burgueses"  das ações atuais de "denunciar os torturadores" e das ações de "denunciar Yoani como agente imperialista"?
O que falta aos justos para se indignarem e colocarem esse país nos eixos?
Até quando a minoria de patifes irá reinar impune, enquanto somos agredidos, roubados, assassinados e obrigados a nos manter trancafiados em nossas casas aguardando o momento da invasão final que irá nos levar o resto do que possuímos?
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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O Crime Segundo Lombroso

por Mauricio Jorge Pereira da Mota
Cesare Lombroso (1835-1909) foi um homem polifacético; médico, psiquiatra, antropólogo e político, sua extensa obra abarca temas médicos (“Medicina Legal”), psiquiátricos (“Os avanços da Psiquiatria”), psicológicos (“O gênio e a loucura”), demográficos (“Geografia Médica”), criminológicos (“L’Uomo delincuente”).
Lombroso entende o crime como um fato real, que perpassa todas as épocas históricas, natural e não como uma fictícia abstração jurídica. Como fenômeno natural que é, o crime tem que ser estudado primacialmente em sua etiologia, isto é, a identificação das suas causas como fenômeno, de modo a se poder combatê-lo em sua própria raiz, com eficácia, com programas de prevenção realistas e científicos.
Para Lombroso a etiologia do crime é eminentemente individual e deve ser buscada no estudo do delinqüente. É dentro da própria natureza humana que se pode descobrir a causa dos delitos.
Lombroso parte da idéia da completa desigualdade fundamental dos homens honestos e criminosos. Preocupado em encontrar no organismo humano traços diferenciais que separassem e singularizassem o criminoso, Lombroso vai extrair da autópsia de delinqüentes uma “grande série de anomalias atávicas, sobretudo uma enorme fosseta occipital média e uma hipertrofia do lóbulo cerebeloso mediano (Vermis) análoga a que se encontra nos seres inferiores” .
Assim, surgiu a hipótese, sujeita a investigações posteriores, de que haveria certas afinidades entre o criminoso, os animais e principalmente o homem primitivo, que ele considerava diferente, psicológica e fisicamente, do homem dos nossos tempos.
Lombroso empreende um longo estudo antropológico no seu livro “L’Uomo delincuente” acerca da origem da criminalidade. Professando um particular evolucionismo, Lombroso procura demonstrar que o crime, como realidade ontológica, pode ser considerado uma característica que é comum a todos os degraus da escala da evolução, das plantas aos animais e aos homens; dos povos primitivos aos povos civilizados; da criança ao homem desenvolvido. O “crime” teria como característica ser extremamente freqüente, brutal, violento e passional nos níveis inferiores dessas escalas.
Assim Lombroso vai teorizar acerca dos equivalentes do crime nas plantas e nos animais (“L’Homme Criminel, chapitre premier), a morte de insetos pelas plantas carnívoras (“homicídio”), a morte para ter o comando da tribo entre os cavalos, cervos e touros (“homicídio por ambição”), a fêmea do crocodilo que mata seus filhotes que ainda não sabem nadar (“infanticídio”), as raposas que se devoram entre si e algumas vezes mesmo devoram suas progenitoras (“canibalismo e parricídio”).
Entre os chamados “selvagens” ou “povos primitivos” Lombroso também encontra a incidência generalizada do crime. O incremento excessivo da população, comparativamente aos meios naturais de subsistência explicaria os abortos e os infanticídios. São também comuns e frequentes segundo Lombroso o homicídio dos velhos, das mulheres, dos doentes, os homicídios por cólera, por capricho, de parentes por ocasião do funeral de morto importante, por sacrifícios religiosos, os cometidos por brutalidade ou por motivo fútil, os causados por desejo de glória etc..
São ainda comuns entre os selvagens o canibalismo, o roubo, o rapto, o adultério e os crimes contra a autoridade (chefes, deuses ou a própria tribo).
Dentro da idéia evolucionista lombrosiana (de passagem [física ou psíquica] do organismo mais simples para o mais complexo) os germes da loucura moral e do crime se encontram de maneira normal na infância.
Lombroso advogava a existência na infância de uma predisposição natural para o crime. As analogias entre o imaturo e o criminoso se dariam na fase da vida instintiva, através da qual se observa a precocidade da cólera, que faz com que a criança bata nos circunstantes e tudo quebre, em atitudes comparáveis ao comportamento violento criminoso. O ciúme, a vingança, a mentira, o desejo de destruição, a maldade para com os animais e os seres fracos, a predisposição para a obscenidade, a preguiça completa, exceto para as atividades que produzem prazer, são, entre outros, índices que Lombroso apontou, das tendências criminais na infância. A educação conduziria, porém, a criança para o período de “puberdade ética”, submetendo-a a profunda metamorfose.
Identificando pois a origem da criminalidade, como ontologia, nessas “fases primitivas” da humanidade, Lombroso entende que o criminoso é uma subespécie ou um subtipo humano (entre os seres vivos superiores, porém sem alcançar o nível superior do homo sapiens) que, por uma regressão atávica a essas fases primitivas, nasceria criminoso, como outros nascem loucos ou doentios. A herança atávica explicaria, a seu ver, a causa dos delitos.
O criminoso seria então um delinqüente nato (nascido para o crime), um ser degenerado, atávico, marcado pela transmissão hereditária do mal. O atavismo (produto da regressão, não da evolução das espécies) do criminoso seria demonstrado por uma série de “estigmas”. De acordo com o seu ponto de vista, o delinqüente padece de uma série de estigmas degenerativos, comportamentais, psicológicos e sociais.
O criminoso nato seria caracterizado por uma cabeça sui generis, com pronunciada assimetria craniana, fronte baixa e fugidia, orelhas em forma de asa, zigomas, lóbulos occipitais e arcadas superciliares salientes, maxilares proeminentes (prognatismo), face longa e larga, apesar do crânio pequeno, cabelos abundantes, mas barba escassa, rosto pálido.
O homem criminoso estaria assinalado por uma particular insensibilidade, não só física como psíquica, com profundo embotamento da receptividade dolorífica (analgesia) e do senso moral. Como anomalias fisiológicas, ainda, o mancinismo (uso preferente da mão esquerda) ou a ambidextria (uso indiferente das duas mãos), além da disvulnerabilidade, ou seja uma extraordinária resistência aos golpes e ferimentos graves ou mortais, de que os delinqüentes típicos pronta e facilmente se restabeleceriam. Seriam ainda comuns, entre eles, certos distúrbios dos sentidos e o mau funcionamento dos reflexos vasomotores, acarretando a ausência de enrubescimento da face.
Consequência do enfraquecimento da sensibilidade dolorífica no criminoso por herança seria a sua inclinação à tatuagem, acerca da qual Lombroso realizou detidos estudos.
Os estigmas psicológicos seriam a atrofia do senso moral, a imprevidência e a vaidade dos grandes criminosos. Assim, os desvios da contextura psíquica e sentimental explicariam no criminoso a ausência do temor da pena, do remorso e mesmo da emoção do homicida perante os despojos da vítima. Absorvidos pelas paixões inferiores, nenhuma relutância eles sentem perante a idéia dominante do crime .
As conclusões de Lombroso (L’Homme Criminel) foram construções eminentemente empíricas baseadas em resultados de 386 autópsias de delinqüentes e nos estudos feitos em 3.939 criminosos vivos por Ferri, Bischoff, Bonn, Corre, Biliakow, Troyski, Lacassagne e pelo próprio Lombroso.
Lombroso porém não esgota na teoria da criminalidade nata a sua explicação para a etiologia do delito. A criminalidade nata não dá conta de todas as categorias antropológicas de delinqüentes, nem mesmo, numa mesma categoria, de todos os casos habituais. Ele antevê na loucura moral e na epilepsia mais dois fatores capazes de fornecer uma elucidação biológica para o fenômeno delito. O louco moral é aquele indivíduo que tem, aparentemente, íntegra a sua inteligência, mas sofre de profunda falta de senso moral. É um homem perigoso pelo seu terrível egoísmo. É capaz de praticar um morticínio pelo mais ínfimo dos motivos.
Lombroso o diferenciava do alienado definindo-o como um “cretino do senso moral” ou seja, uma pessoa desprovida absolutamente de senso moral. A explicação da criminalidade do louco moral também é dada pela biologia, é congênita, mas pode, de acordo com o meio na qual o indivíduo se desenvolve, aflorar ou não. A epilepsia foi outra explicação aventada por Lombroso como causa da criminalidade. A epilepsia ataca os centros nervosos em que se elaboram os sentimentos e as emoções. Objetaram-lhe porém que se a epilepsia, bem conhecida e perceptível, explica em certos casos o delito, em outros não se observa haver sinal objetivo da doença em face do delito praticado.
A essa objeção Lombroso opôs a sua teoria da epilepsia larvada, sem manifestações facilmente visíveis, que poderia explicar a etiologia do delito. Ao passo que a epilepsia declarada se exterioriza em meio a contrações musculares violentíssimas, a epilepsia larvada se denuncia por fugazes estados de inconsciência que nem todos percebem.
Lombroso não abandonou uma das explicações da etiologia do delito pelas outras. Procurou coordená-las. Assim, por exemplo, acentuou que a teoria do atavismo se completava e se corrigia com os estudos referentes ao estado epilético.
A etiologia do crime para Lombroso inter-relaciona portanto o atavismo, a loucura moral e a epilepsia: o criminoso nato é um ser inferior, atávico, que não evolucionou, igual a uma criança ou a um louco moral, que ainda necessita de uma abertura ao mundo dos valores; é um indivíduo que, ademais, sofre alguma forma de epilepsia, com suas correspondentes lesões cerebrais.
Lombroso, baseado em suas observações, encarava o seu tipo primordial de criminoso, o criminoso nato, como compondo 40 % do total da população criminosa, restando as demais àquelas outras formas de crime que tinham por fontes a loucura, a ocasião, o alcolismo e a paixão. Para Lombroso essas formas eram ligadas mais estreitamente a suas causas ocasionais e portanto, não forneceriam uma base possível para uma etiologia desses delitos.
Mauricio Jorge Pereira da Mota
Trabalho de conclusão de curso apresentado na disciplina de Direito Penal do Mestrado em Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O Fim da Miséria?

publicado na Revista Exame
O governo divulgou no início de fevereiro vitórias importantes contra a miséria e prometeu que a partir do mês que vem não existirá mais pobreza extrema no Brasil. Isso quer dizer que não haverá ninguém, já agora em março, com renda inferior a 70 reais por mês em todo o território nacional. Segundo os critérios oficiais em vigor, geralmente avalizados por organismos internacionais, essa quantia é a marca que define quem é quem na escala social brasileira. O cidadão que tem uma renda mensal de 70 reais, ou menos, é um miserável oficial; quem consegue passar esse limite já não é mais.Tiramos, entre 2011 e 2012, mais de 19,5 milhões de pessoas da pobreza extrema”, afirmou a presidente Dilma Rousseff. “Até o mês de março vamos zerar o cadastro”. Segundo o governo, há no momento 600.000 famílias nesse registro; não haverá mais ninguém dentro de um mês, salvo um número incerto de cidadãos que estão na miséria, mas não no cadastro. Esses ainda terão de ser encontrados para receber do Tesouro Nacional, a cada mês, os reais que vão salvá-los.
Pode haver erros nessas contas, é claro, mas não se trata de números argentinos: basicamente, retratam a realidade aproximada da fossa social brasileira. A dimensão numérica, portanto, está certa. O problema é que ela também está errada ─ pois leva o governo a concluir que a miséria está acabando no Brasil, quando é mais do que óbvio que ela continua existindo, e existindo à toda. A primeira dificuldade com a postura oficial está na pessoa verbal utilizada pela presidente. “Tiramos” da miséria, disse ela ─ uma apropriação indébita da realidade, pois quem tirou aqueles milhões de brasileiros da linha inferior aos 70 reais não foi ela nem seu governo, e sim o contribuinte brasileiro. Foi ele, e só ele, quem sacou o dinheiro de seu bolso, através dos impostos que paga até para comprar um palito de fósforo, e o entregou às coletorias fiscais; se não fosse assim, não haveria um único tostão a distribuir para pobre nenhum.
Trata-se de um vício incurável nos circuitos neurológicos dos governantes brasileiros. Acreditam na existência de uma coisa que não existe: “dinheiro do governo”. É como acreditar em disco voador. A diferença é que tiram proveito de sua crença; é o que lhes permite dizer “eu fiz” tantas escolas, tantos quilômetros de estrada e por aí afora, como se o dinheiro gasto em tudo isso tivesse saído de sua própria conta no banco.
O problema essencial, porém, está na lógica. Como nos ensina Mark Twain, que elevou o bom senso à categoria de arte em quase tudo o que escreveu, existem três tipos de mentira: a mentira, a desgraçada da mentira e as estatísticas. Esse anúncio do fim da pobreza extrema é um clássico do gênero. A estatística precisa, obrigatoriamente, de um número fixo para definir qualquer coisa que pretende medir, assim como um metro precisa ter 100 centímetros. 
No caso, o número escolhido, e aceito por organizações imparciais mundo afora, foi 70 reais ─ mas não faz absolutamente nenhum nexo afirmar que uma pessoa que ganhe 71 reais por mês, ou 100, ou 150, tenha saído da miséria. O resumo dessa ópera é claro. Daqui a alguns dias, não haverá mais miseráveis nas estatísticas do Brasil; só haverá miseráveis na vida real. Além disso, seremos provavelmente o único país do mundo em que a miséria teve uma data certa para desaparecer. O governo poderá dizer: “O Brasil acabou com a miséria no dia 15 de março de 2013, às 18 horas, ao fim do expediente na administração federal”.
Praticamente nenhum cidadão brasileiro, ao sair todo dia de casa, leva mais do que 15 minutos para dar de cara com alguma prova física de miséria. Mas, do mês de março em diante, terá de achar que não viu nada. Se procurar alguma autoridade para relatar o fato, ouvirá o seguinte: “O senhor deve estar enganado. Não há mais nenhum miserável no Brasil”. É assim, no fim das contas, que funciona o sistema cerebral do governo. A realidade não é o que se vê. É o que está no cadastro.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

CSS Hunley - O Primeiro Ataque de Submarino da História


O CSS Hunley, que serviu às forças confederadas durante a Guerra Civil Americana (1861-1865), foi o primeiro submarino operacional da história a realizar um ataque bem sucedido a um navio de guerra.
O submarino Hunley, batizado com o nome do seu inventor, Horace Lawson Hunley, foi desenvolvido no auge da guerra pelos confederados, na cidade de Mobile, no estado do Alabama, sendo transportado por via férrea para a cidade de Charleston. Quando da chegada do Hunley a Charleston, seu porto encontrava-se bloqueado por dois navios da União, o USS Housatonic e o USS Canandaigua, que se encontravam posicionados ao largo das ilhas Sullivan´s e Morris, para impedir que navios mercantes abastecessem a cidade. Foi nesse contexto que o Hunley foi construído, para destruir os navios da União, pondo um fim ao bloqueio naval.
Unidades da Marinha da União bloqueando o porto de Charleston
A bordo dos dois navios da União, já corriam rumores sobre uma "máquina infernal", que tinha sido desenvolvida pelos confederados, mas não se sabia ao certo o que era, apenas sabiam que podia deslizar silenciosamente pela água e aproximar-se de um navio sem ser notado, e afundá-lo. Como tal, o capitão do USS Housatonic dera ordens para que a área em torno do navio fosse constantemente vigiada, as caldeiras mantivessem a todo o tempo uma pressão de 220 psi, e os motores preparados para arrancar a qualquer momento, para se desviarem do que quer que fosse que os confederados lançassem sobre eles.
Horace Lawson Hunley, o inventor do Hunley
E era mesmo isso que os confederados tinham em mente, mas antes o Hunley fora submetido a rigorosos testes.
Com 12 metros de comprimento, um peso avaliado em 7.5 toneladas, movido à força de braços por meio de uma manivela acionada por 7 homens ligada a uma engrenagem dupla, ligada a uma hélice de ferro forjado, uma velocidade à superfície na ordem dos 13 nós, e submerso de cerca de 4 nós, o Hunley mostrou ser um submarino muito capaz, mas, ao mesmo tempo, muito perigoso. Antes mesmo de o Hunley zarpar para o mar para atacar o USS Housatonic, o submarino afundou duas vezes, afogando seu próprio inventor e mais doze vítimas.
Com isso, os confederados perderam em parte o interesse no Hunley  Um oficial da Marinha Confederada chegou a declarar: "Ele é mais perigoso para nós que para eles".
Foi então que se deu uma reviravolta.
O Tenente George L. Dixon, e sete marinheiros destemidos, demonstraram interesse em utilizar o Hunley  mesmo sabendo de sua má fama. O Tenente Dixon fez uma série de inspeções no Hunley  nas quais identificou o que presumivelmente falhou quando dos dois afundamentos anteriores, e ordenou uma série de pequenos reparos e adaptações, notadamente no sistema dos lemes de profundidade, ordenou a instalação de uma hélice mais resistente e que movimentasse mais água, e uma série de melhorias nos tanques de lastro.
USS Housatonic, que bloqueava o porto de Charleston, foi o alvo do CSS Hunley
Com isso o submarino Hunley começou a ser testado por Dixon e sua tripulação. Dixon levou o submarino ao limite, testando-o exaustivamente, calculando o tempo que o submarino percorria determinada distância, quanto tempo podiam permanecer submersos até que os niveis de oxigênio obrigassem a regressar à superfície e renovar o ar. Dixon calculou que podiam permanecer submersos cerca de 30 minutos, até terem de subir à superfície e renovar o ar. No final desses testes, Dixon sentiu-se confiante no Hunley  e estava disposto a mostrar ao Almirantado que o submarino, em mãos hábeis e experientes, podia ser uma arma mortífera e extremamente eficaz.
Assim, Dixon começou as negociações com o Almirantado, com vista a receber a permissão para atacar o navio do bloqueio, o USS Housatonic, que ocupava uma boa posição para atacar, e caso fosse afundado, daria tempo para que alguns navios de mercadorias passassem pela "entrada desprotegida" providenciada pelo Hunley  ao afundar o Housatonic.
O CSS Hunley ataca
Em pouco tempo, Dixon recebeu a autorização para atacar, mas foi ordenado que atacasse à noite, por volta das 21:20h, período em que estaria mais escuro. Nuvens escuras aproximavam-se de Charleston, elevando a moral de Dixon e de sua tripulação, pois a luz do luar não iria refletir no casco de ferro do Hunley,  sendo muito difícil a sua detecção antecipada pelos tripulantes do navio da União.
Tenente George L. Dixon, comandante do CSS Hunley
Na noite de 17 de fevereiro de 1864, às 20:45h, Dixon e a sua tripulação entraram a bordo do pequeno submarino CSS Hunley, e começaram a sua jornada a caminho da posição ocupada pelo Housatonic. Segundo o plano de ataque que Dixon entregou ao Almirantado, ele pretendia submergir o Hunley quando estivesse a 1,2 km de distância do alvo. Seu armamento consistia de um torpedo. Na terminologia da época, torpedo designava um explosivo instalado na ponta de um arpão, que era direcionado e preso ao casco da embarcação inimiga e, depois, detonado por espoleta.
O sistema de propulsão do CSS Hunley: movido a manivela e força braçal
De acordo com um tripulante, que sobreviveu ao afundamento do USS Housatonic, a noite corria clara. Nuvens escuras ocultavam as estrelas e o céu. Eram 21:05h, a tripulação do Housatonic cantava em conjunto o Hino americano, quando ouviu-se o apito do vigia. Todos pararam de cantar e encaminharam-se para bombordo.
Segundo um relatório dos arquivos navais americanos, transcrevemos a descrição dada pelo referido tripulante:
“Cantávamos o Hino americano, quando de súbito, sem que nada o previsse, ouviu-se o apito do vigia, paramos de cantar e fomos para o lado bombordo do convés. O que eu e os meus amigos marinheiros vimos, deixou-nos sem sangue. Acabara de aparecer à superfície um objeto cilíndrico, e que se encaminhava na nossa direção, não dava para perceber o que era, a luz fraca dos holofotes não permitia que se visse bem, mas então, dois tubos ergueram-se desse objeto, e percebemos que o que quer que fosse, fora construído pelo homem, e que as intenções com que se encaminhavam para nós, não eram as melhores.
O capitão Pickering, de imediato, ordenou que se abrisse fogo sobre esse objeto, que, a cerca de 30 metros de nós, se começava a notar fracos clarões de luz vindos do seu interior. Dada a proximidade a que se encontrava aquele objeto, não nos foi possível abrir fogo com as peças principais, sendo nós obrigados a abrir fogo com os mosquetes e revólveres. Do meio da confusão, dos disparos, o capitão Pickering ordenou que os motores fossem de imediato postos em marcha à ré. Eu estava na amurada, a disparar o meu mosquete naquele objeto, ele encontrava-se a dois metros do nosso casco quando de súbito parou. Ouviram-se gritos no interior da máquina atacante, e vi que tinha por cima pequenas vigias, e foi para lá que tentei apontar, na esperança de atingir algum dos homens no seu interior.
Então dois tripulantes, cujo nome eu desconhecia, gritaram, apontando para baixo, e vimos uma barra de ferro, que ia da máquina atacante até ao nosso casco. Enquanto continuávamos a abrir fogo, a máquina atacante começou a recuar lentamente. Não me parecia que as balas de mosquete estivessem a ter qualquer efeito naquela máquina, mas não havia mais nada que pudéssemos fazer. Então, quando a máquina atacante recuou a cerca de 40 metros de nós, ouviu-se uma explosão debaixo de água, todo o Housatonic tremeu debaixo dos nossos pés, água lançada ao ar caiu sobre o convés, e nem um minuto após a explosão sentimos o convés a inclinar-se sob os nossos pés, percebemos de imediato que nos estávamos afundando.
O capitão Pickering deu ordem de abandonar navio, e de imediato os botes foram lançados para dentro da água, e muitos lançaram-se ao mar. Eu fui um dos muitos que se lançaram à água, na tentativa de escapar. A água estava gelada, e fui resgatado para dentro de um bote. Nunca mais vi essa máquina que nos atacou. O Housatonic inclinou-se para trás, a proa surgiu nas águas, e nem quatro minutos após a explosão, todo o magnifico navio desapareceu nas águas.

O submarino CSS Hunley: é possível ver o arpão com o 'torpedo' na ponta
Especulações e resgate
Pouco se sabe em relação ao que aconteceu a bordo do CSS Hunley pós a explosão. Sabe-se que o submarino fez o sinal combinado, com uma lanterna de magnésio, confirmando o afundamento do USS Housatonic, e que os navios de abastecimento podiam encaminhar-se depressa para o porto de Charleston. Em terra, esperou-se pacientemente o regresso do triunfante submarino, coisa que nunca aconteceu.
Hunley desapareceu para só ser encontrado 136 anos depois, no dia 8 de agosto de 2000, enterrado sob dois metros e meio de areia e lodo, que o conservaram para a posteridade, mais as ossadas do Tenente Dixon e dos seus sete tripulantes.

Os destroços do Hunley sendo resgatados em 2000
Muita especulação existe em torno do que sucedeu com o submarino que não regressou de sua missão. Em geral, as teorias mais aceitas são:
1) A força da explosão da bomba, cravada no casco do USS Housatonic, pode ter danificado os componentes do submarino, a ponto de ficar parcialmente não operacional;
2) Com o esforço realizado pela tripulação do Hunley  os níveis de dióxido de carbono podem ter aumentado a níveis que fizesse os tripulantes desmaiarem, fato bem possível de ter acontecido, pois, quando da escavação no Hunley, as ossadas dos tripulantes encontravam-se tombadas sobre a manivela, o que é consistente com a teoria de terem desmaiado em plena atividade;
3) Outra hipótese é a de que, na explosão, o casco tenha ficado danificado, a ponto de permitir a entrada de água no casco, mas que deu tempo para a tripulação fazer o sinal de confirmação com a lâmpada de magnésio, e;
4) Uma inundação repentina, pela falha dos tanques de lastro por exemplo, que fizesse com que o Hunley mergulhasse a pique, e que afogasse os seus tripulantes.
O submarino CSS Hunley em exposição, após ter sido recuperado e restaurado
Controvérsias históricas a parte, o fato é que o CSS Hunley foi o primeiro submarino a afundar um navio de guerra em combate. Apesar de sua perda, o conceito de uma embarcação que poderia submergir para o ataque fora provado e, nas duas guerras mundiais do século XX, o submarino desempenharia papel essencial na luta pelo domínio do poder marítimo.
Fonte:  História Militar

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Coonestando a Ilegalidade

por Marco Antonio Felício da Silva
Surpreendentemente, a Imprensa noticiou encontro realizado, sob rigoroso sigilo, em dezembro passado, por iniciativa do Ministro da Defesa, entre os comandantes da Marinha, do Exército, e da Aeronáutica, com representantes da famigerada "“Comissão da Verdade"”. Os assuntos tratados foram tornados públicos, em entrevista a O Globo, pelo coordenador Claudio Fonteles, que falou pelos militares, lamentavelmente, e pela “"Comissão"”.
A posição colaborativa dos comandantes militares, segundo o publicado, demonstra, indubitavelmente, que tais comandantes inexplicavelmente, coonestam as ações de uma comissão que afronta o Estado Democrático de Direito, não cumprindo, ela, o que a lei determina, por viés ideológico, ações essas que vão além do espaço em que age a própria “"Comissão”" como o apoio aos violentos e criminosos “"escrachos"”.
Sem qualquer dúvida, os "escrachos" traduzem ilegalidade inaceitável, um acinte aos direitos individuais, podendo, a qualquer momento, levar a uma tragédia anunciada.
Assim, há que ressaltar que os integrantes da “"Comissão"” violam a lei que a criou por não satisfazerem o seu artigo 2º, o que estabelece as credenciais básicas para os seus componentes, entre elas a isenção política, a defesa da verdadeira democracia e dos direitos humanos.
As afrontas à lei em tela iniciaram-se quando o Sr. Gilson Dipp e um de seus auxilares, o advogado José Carlos Dias, ao assumirem os respectivos cargos, afirmaram, publicamente, que caberia à “"Comissão da Verdade"” ouvir e investigar os dois lados, agentes do Estado e guerrilheiros e terroristas subversivos, que cometeram supostamente os crimes capitulados na lei que a criou. Entretanto, no dia 12 de Junho de 2012, à página 11, do Caderno O País, do Jornal O Globo, o Sr. Gilson Dipp afirmou que “"o caráter da Comissão da Verdade será o de apurar os crimes cometidos pelo Estado e não os dois lados do conflito durante o regime militar: - Quais os dois lados? Vamos procurar as graves violações aos direitos humanos. Quem comete graves violações? A lei diz isso (que se trata de violações do Estado)"”. O Sr. José Carlos Dias o acompanhou nas afirmações acima.
Ambos se acovardaram diante das declarações dos demais membros, pois, a lei se refere apenas às graves violações dos direitos humanos, sem particularizar os agentes do estado como os passíveis de investigação. Diz a lei em seu artigo primeiro: 
"Art. 1º Fica criada, no âmbito da Casa Civil da Presidência da República, a Comissão Nacional da Verdade, com a finalidade de examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos praticadas no período fixado no art. 8º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, a fim de efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional."
Aliás, o tema já havia provocado, no governo anterior, embates entre o ex- ministro da Defesa e ex-Presidente do STF, Nelson Jobim, com o ex-ministro da Secretaria de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi. O ex-ministro Jobim não aceitava e recriminava a possibilidade de a dita “"Comissão"” investigar apenas os crimes cometidos por Agentes do Estado (militares) e ameaçou pedir demissão do cargo se o seu ponto de vista não fosse o acordado, o que finalmente ficou assentado com o apoio dos atuais comandantes militares os quais, hoje, não fazem qualquer objeção à deformada e ilegal leitura da lei.
Há que enfatizar que metade dos crimes da chamada esquerda, cerca de mais de meia centena, não tem autoria definida, sendo que a lista respectiva foi encaminhada aos membros da “"Comissão da Verdade"” para apuração de violações contra direitos humanos.
A ilegalidade se torna, ainda, maior quando a “"Comissão da Verdade"” resolve "“legalizar”", recentemente, sua decisão de realizar investigações somente de agentes públicos e de excluir das apurações os crimes cometidos pelos subversivos, por meio de uma medida administrativa, publicando uma “"Resolução"”, no Diário Oficial da União.
Claudio Fonteles afirmou, durante a entrevista, terem “"colocado com muita clareza que uma experiência ditatorial não pode se repetir no país"”.
O jornal ainda transcreveu que os comandantes militares afirmaram que há boa vontade em localizar documentos e o propósito é de colaboração. Segundo eles, não há restrições ao trabalho da comissão e nem resistência a convocações de oficiais do passado para prestarem depoimento ao grupo.
Em vista do acima, não se pode compreender como os comandantes militares são levados a colaborar com a Comissão da Verdade, coonestando ilegalidades, regadas a escrachos, prenhes de viés totalitário, aceitando reprimendas e, ao mesmo tempo, elogios de lobo em pele de cordeiro, visando o esfacelamento da coesão militar.
Não se pode compreender, também, o abandono de subordinados a própria sorte, antigos camaradas que cumpriram a missão recebida com denodo, coragem e brio, hoje alvos da sanha ressentida e ávida de revanche daqueles que, criando uma nova e mentirosa estória, tentam afastar as Forças Armadas do caminho que abrem para a conquista e consolidação do poder, sonhando com uma indesejável “"democracia radical”" para o nosso País.
Marco Antonio Felício da Silva é Gen Bda

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Compre seu Carro! É Sinal de Status, o Governo Garante e a Petrobrás Implora!


Só para reforçar a idéia expressa na postagem do dia 21 Ago 2012, publico o vídeo abaixo. É divertido, e instrutivo para nossos novos ricos.

Só para esclarecer: o dólar americano, ontem, estava cotado em R$ 2,07. Multiplique esse valor pelo preço do automóvel (veja o vídeo) e teremos R$ (surpresa!!!). Com esse valor, compramos  que tipo de automóvel em Banânia? 

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Que Tal o Exemplo?

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Os Bilionários do PT

Em 1975 a hidrelétrica de Tucuruí, a quarta maior do mundo, começou a ser construída no Pará. Dez anos depois ela foi inaugurada. Foi uma das maiores obras públicas da história do Brasil, a mais cara da Amazônia. Projetada inicialmente para custar 2,1 bilhões de dólares, no final seu valor se multiplicara por cinco, passando de US$ 10 bilhões.
Já a fortuna do dono da empreiteira principal da obra, a Camargo Corrêa, “apenas” dobrou. Em 1975, Sebastião Camargo tinha uma fortuna pessoal calculada em US$ 500 milhões. Dez anos depois ele se tornou o primeiro bilionário brasileiro.
A usina hidrelétrica, que garante 8% de todo consumo de energia do país, com seus quase 200 milhões de habitantes, lhe permitira embolsar meio bilhão de dólares, em valor não atualizado.
Quando se abriu a última década do século XX, as listas das revistas americanas Fortune e Forbes incluíam apenas três bilionários brasileiros: Antonio Ermírio de Moraes, cabeça da principal família de industriais brasileiros, e Roberto Marinho, imperador das comunicações com sua Rede Globo de Televisão, além de Camargo.
Ao final do governo tucano de Fernando Henrique Cardoso, eram oito. Quando Lula passou o bastão presidencial à correligionária, Dilma Roussef, a lista passara a 30. No ano passado chegou a 35. A soma das fortunas individuais desses bilionários equivalia à metade do que amealhou o homem mais rico do planeta.
Por coincidência, o mexicano Carlos Slim, que tem na carteira US$ 69 bilhões, é dono das operadoras de telefonia Claro e Embratel nesse Brasil que se tornou terreno fértil para imensos ganhos pessoais.
Eike Batista, com apenas 55 anos, um jovem na companhia de anciãos podres de rico da seleta confraria, era o cabeça do ranking, em março do ano passado, com seus US$ 34,5 bilhões. Mas ontem seu patrimônio já era de pouco menos da metade, US$ 10,7 bilhões.
Nesse dia 7 ele perdeu US$ 300 milhões com a queda das ações da principal das suas seis empresas de capital aberto, sempre com um X no nome, a OGX. Segundo a agência de notícias americana Bloomberg, ele caiu fora da roda dos 100 homens mais ricos da Terra.
No curso de um ano a OGX, perdeu mais de três quartos do seu valor porque sua produção, depois de tantos anúncios mirabolantes, frustrou todas as expectativas, principalmente a de Eike. Os analistas mais bondosos justificaram a queda contínua e grande do patrimônio do empresário atribuindo-a ao seu excesso de otimismo.
Essa exagerada autoconfiança o teria levado a prever resultados sem base real. Como a de que passaria o mexicano Slim em 2015. A meta já era difícil de alcançar quando seu patrimônio era metade da fortuna do concorrente. Agora é quase sete vezes menor.
Com mais realismo nas suas ações, acreditam esses analistas compreensivos, Eike Batista retomará a roda da fortuna e voltará ao topo. Ele seria a personificação do genuíno ricaço dos tempos do novo trabalhismo no poder, personificado pelo PT.
Ganhou muito dinheiro por ser um autêntico empreendedor, apostar nas riquezas do país, arriscar investimentos na produção e ter uma visão mais ampla e sensível da atividade empresarial. Um bilionário do bem, conforme o jargão maniqueísta dos nossos tempos de retórica de camuflagem. Embora uma das duas empresas que atuam no porto de Açu, a LLX, tenha sido acusada pelo governo do Rio de Janeiro de causar danos ao meio ambiente. E multada.
Por trás da pantomima do marketing, verifica-se que o sucesso começa com boas – ou mesmo privilegiadas, no sentido estritamente técnico da expressão – informações, a maior parte delas proveniente do aparato estatal.
É também na administração pública que esses empreendedores (na Rússia mais diretamente conhecidos por “barões ladrões”, com ênfase nos produtores de petróleo do Mar Cáspio, o equivalente do Pré-Sal dos Eikes Batistas et caterva neste país varonil) vão buscar seus quadros de gestão.
Duplo uso de informações privilegiadas, pois.
No caso de Eike, com a decisiva participação do pai, Eliezer Batista, ex-ministro de vários governos e presidente da ex-estatal Companhia Vale do Rio Doce, artífice de grandes investimentos públicos em logística, infraestrutura e produção, sobretudo de commodities.
A ascensão súbita e exponencial desses ricaços, quando se confronta seus ganhos através da manipulação de papéis com o balanço real de seu ingresso no processo produtivo, expressa uma nova modalidade de associação entre o governo e a iniciativa privada.
Quando se puxa o novelo da trajetória dessas pessoas, quase sempre se chega ao ente estatal. Mas agora com novo discurso, reforçado pelos números de programas assistenciais e de “inclusão social”, que permitiram a milhões de famílias sair da faixa da miséria ou formar um novo tipo de “classe média”, montada não sobre poupança real, mas graças a um endividamento perigoso, precário, uma faca só lâmina, como diria o poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto.
Tudo muda para tudo ficar igual. Ao mesmo tempo em que Eike Batista era despejado do arrolamento nobre dos homens mais ricos do planeta, a viúva de Sebastião Camargo, Dirce, pulava à frente do banqueiro Joseph Safra, tornando-se a terceira maior bilionária brasileira.
Dirce? Mas quem é Dirce, devem ter perguntado os atentos leitores do noticiário financeiro. De fato, a viúva do grande empreiteiro, discreta como o marido, deixara os holofotes da imprensa.
Mas a Camargo Corrêa, que ainda hoje, passados quase 40 anos da sua instalação na área, continua a trabalhar (e faturar) no canteiro de obras de Tucuruí, no rio Tocantins, certamente um recorde – ao menos nacional.
E funciona a todo vapor nas novas hidrelétricas de Juruá, no rio Madeira, e de Belo Monte, no Xingu, esta destinada a ocupar o lugar de Tucuruí no ranking das maiores usinas do mundo.
No ano passado essas duas frentes de serviços responderam por 30% dos 17,3 bilhões de faturamento da empresa. Continuará assim pelos próximos anos, um maná tão parecido, na administração petista do Brasil, àquele que os governos militares providenciaram para sua empreiteira favorita. A ditadura virou democracia, mas o dinheiro é o mesmo, embora avolumado na drenagem para mais bolsos privilegiados. A multiplicação dos bilionários bem que podia ser considerada uma das maiores obras do PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento (de quem mesmo?).
Fonte:  Yahoo Notícias

domingo, 10 de fevereiro de 2013

A Pressão Psicológica Sobre os Agentes do Estado


Não estou fazendo a apologia do crime com este texto. Mas não admito que tripudiem as Forças Armadas sem que haja uma resposta à altura. A cada ação corresponde uma reação. Estamos preparados. ‘Eles que venham. Por aqui não passarão!’
por José Geraldo Pimentel
Na luta armada dos anos 64/85 surgiu o emprego da expressão ‘agente do Estado’, aplicada aos elementos que foram designados para dar combate a grupos de indivíduos que desde o início da década de 1960 vinham se preparando para empreender uma luta armada que colocaria o país sob a influência da então toda poderosa URSS. O mundo estava dividido entre o comunismo, liderado pela URSS, e a democracia, política adotada pelos EUA.
Antes da decretação do Ato Institucional nº 5 ocorreu o primeiro atentado praticado pelos comunistas. Aconteceu no Aeroporto dos Guararapes, em Recife, Pernambuco, quando uma mala explodiu no trajeto em que o candidato à presidência da república, Marechal Costa e Silva, deveria passar. A sorte favoreceu o militar, mas parte da comitiva que o aguardava no aeroporto foi atingida pelo artefato, havendo mortos e feridos.
Os assim chamados agentes do Estado, que viriam substituir a Operação Bandeirante (OBAN), criada para combater atos terroristas que aconteciam principalmente em São Paulo, eram homens mais bem preparados para enfrentar a ação subversiva que campeava pelo país. O Ministro do Exército determinou que nas regiões militares fossem criados grupos de investigação e combate aos subversivos, os chamados Destacamentos de Operações de Informações - Centros de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI). Militares das Forças Armadas, assessorados por policiais militares e civis das Forças Auxiliares, logo mostravam serviço, e o país em pouco tempo retornava à normalidade. A violência que resultaria desse confronto, com seqüestros, ciladas, assassinatos, assaltos a bancos e unidades militares, etc., não teve mocinhos e nem bandidos. O número de mortos e desaparecidos de ambos os lados, atesta esta verdade.
Com a decretação da Lei da Anistia, que chegou atendendo além das expectativas - anistia geral, ampla e irrestrita -, segundo vontade do presidente general João Batista Figueiredo, deveria pacificar a nação brasileira. Mas o passar dos anos diria que os derrotados nessa luta, reintegrados à vida política do país, resolveram que deveriam reescrever a história. E estão fazendo com o silêncio obsequioso dos generais que sucederam os homens que lideravam a instituição militar no passado.
O Exército não vai fazer nada!”, declarou o ex comandante do Exército, general Francisco Roberto de Albuquerque, ao ser instado pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, notificado pelo Juiz da 23ª Vara Civel de São Paulo que atendia a uma ação movida por parentes de militantes da luta armada que morreram em combate. A covardia e fraca atuação do comandante do Exército favoreceu-lhe o prêmio, ao passar para a reserva, de uma ‘boquinha’ numa das diretorias da Petrobras. Um pró-labore mensal comparável a mais de cinco salários recebidos enquanto esteve na ativa.
A declaração do comandante do Exército abriu as portas para o inicio de uma enxurrada de ações contra os agentes do Estado.
Anos depois uma Comissão Nacional da Verdade seria criada com o aval dos novos comandantes militares, que, ainda, convocaram os presidentes dos Clubes Militares para não se oporem à aprovação do documento no Congresso Nacional. A nova lei deveria esclarecer fatos políticos acontecidos nos anos 64/85. Os sete membros escolhidos para compor a comissão logo mudariam os rumos da lei, e se prenderiam apenas aos fatos ocorridos durante os governos militares; e, ainda, enfocando as investigações exclusivamente em cima dos agentes do Estado. Transformaram a CNV em um tribunal de exceção, cuja finalidade é criar subsídios para modificar a Lei da Anistia e levar ao banco dos réus os que lutaram em defesa da pátria brasileira. A Argentina e o Chile, entre outros países que criaram comissões de investigação, estão aí para mostrar como se condenam militares, muitos à prisões perpétuas.
O comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, na primeira reunião entre membros da CNV e das Forças Armadas, declarou:
Não há restrições ao trabalho da comissão e nem resistência a convocações de oficiais do passado para prestarem depoimento ao grupo”.
Ele repetia a covardia de seu antecessor. Ao facilitar a ação dos membros da CNV, quis dizer, em outras palavras, que entregava em uma bandeja de prata os seus companheiros de farda ao inimigo.
O coordenador da comissão Cláudio Fonteles, declarou à imprensa, depois:
Colocamos com muita clareza que uma experiência ditatorial não pode se repetir no país.
As autoridades militares - acovardadas - ouviram caladas e caladas permaneceram, é o que se comenta nos bastidores.
E é aí que eu entro nessa história. Como me sentiria se estivesse na situação dos agentes do Estado, desamparados pelas autoridades militares e vistos com desdém pelos próprios colegas de farda, que desconhecem minimamente os fatos que aconteceram no passado? Sofri ao ver o Coronel Ustra, a vítima preferencial dos comunistas, fazer uma declaração em que teme ter sua casa invadida e ser assassinado, como aconteceu com o ex chefe do DOI-CODI do Rio de Janeiro, coronel Júlio Miguel Molinas Dias. Além do crime, ainda plantaram documentos em sua residência, dizendo terem encontrado provas que indicam que o ex deputado Rubens Paiva foi assassinado dentro de instalações militares.
Eu sofro as dores do mundo. Minhas dores são bem menores do que as que maltratam outras pessoas. Não consigo assimilar como as nossas ‘autoridades do presente’ viram as costas para os seus companheiros de farda que cumpriram ordens superiores e com o risco de suas próprias vidas e de seus familiares, foram à luta e venceram os comunistas. Sem a ação desses bravos companheiros, hoje, provavelmente seríamos uma republiqueta do proletariado à semelhança de Cuba e outros países que seguiram o mesmo caminho orientados pela então URSS. Esses homens salvaram o país, mas não conseguem salvar a si mesmos!
As FFAA nas mãos dos atuais comandantes militares e de alguns generais que se passaram de armas e bagagens para o lado do inimigo, caminham para se transformarem em guardas pretorianas, a serviço dos governantes de plantão. O comandante Militar do Sudeste, general Adhemar da Costa Machado Filho, sinalizou nesse sentido. Em declaração numa palestra organizada pelo Instituto Plínio Corrêa de Oliveira, em São Paulo, foi enfático: "Somos um instrumento do Estado brasileiro a serviço do governo eleito democraticamente". Essa capitulação o indica como provável substituto do general Enzo Martins Peri no comando do Exército, na reforma que a presidente deverá fazer nas FFAA. O perfil do general Adhemar da Costa Machado Filho o qualifica para integrar os quadros do governo, que se cerca de elementos bajuladores, covardes e pusilânimes!
Quando vejo um membro da Comissão da Verdade usar as câmaras de televisão para dizer que o Exército forja fatos inerentes a desaparecimentos de ex terroristas e ex guerrilheiros, e nenhuma autoridade militar reagir, causa-me mal estar.
O Exército de Caxias está nas mãos de um bando de autoridades militares que confundem covardia com disciplina militar. Omissos, lenientes e traidores; autênticos vendilhões da pátria. Esses chefes militares perderam a dignidade, não respeitam a farda que vestem, e se transformaram em ‘mercadores de medalhas’. Saem por aí tentando agradar aos antigos opositores do regime militar.
Essa derrama de condecorações vem atendendo a toda a malta de bandidos que tomou de assalto o poder. Nenhum bandido travestido de autoridade civil deixou de ser contemplado com o mimo de uma medalha militar. Condecorados ‘por relevantes serviços prestados ao país e às FFAA brasileiras’.
Nossos chefes militares são serviçais e bajuladores por natureza. Aceitam e aplaudem qualquer infâmia que seja imposta às FFAA. Não se sentiram diminuídos, por exemplo, quando o ex ministro da Defesa, Nelson Jobim, nomeou o ex guerrilheiro José Genoino, que lutou contra os militares na Guerrilha do Araguaia, como seu assessor especial, com status maior do que o do próprio ministro chefe do Estado Maior-Conjunto das Forças Armadas. Este cidadão enquanto esteve no Ministério da Defesa foi pródigo em aplaudir punições aplicadas a oficiais generais, como ocorreu com a exoneração do general Maynard Marques de Santa Rosa do Departamento-Geral do Pessoal (DGP). Punição causada pela crítica que o general fez quando da criação da Comissão Nacional da Verdade, chamando-a de ‘Comissão da Calúnia’. O general Santa Rosa foi profético em sua crítica, pois a comissão se transformou num depósito de documentos forjados por criminosos que querem reescrever a história, transformando acontecimentos históricos em parafernálias de mentiras glorificando as ações criminosas dos militantes da luta armada. Os seus atos criminosos querem passar por lutas pela liberdade.
Os homens e mulheres nomeados para compor a comissão não têm preparo profissional para esclarecer fatos históricos, desviando as normas prescritas na lei, para atender aos caprichos menores de suas vocações subversivas às quais se prendem por laços de amizade e serviços prestados a ‘cumpanheros’ presos na repressão militar. São imorais e capciosos. Seriam melhor aproveitados se tivessem sido nomeados para fazer um levantamento das condições carcerárias dos presídios do país; porquanto eles conhecem bem a atividade de advogados de porta de xadrez.
Só encontro um caminho para proteger a integridade física e moral dos agentes do Estado. Partir para o confronto. Tenho por leme que a maior defesa é o ataque! Não adianta ir atrás de advogado, quando os salários mal dão para cobrir os orçamentos familiares. Procurar a Assistência Juridica/JC, que amealha uma quantia descontada no contracheque, é perder tempo. “Não movemos ação contra o Estado (FFAA), não tratamos de ação imobiliária.” Se for tratar de questão familiar criam o maior problema! Essa banca de advocacia e nada, é a mesma coisa! Não funciona!
Ir à luta! Quem sabe no futuro os agentes do Estado serão reconhecidos, e receberão a mesma atenção dos ex terroristas e ex guerrilheiros, que hoje são tratados como heróis nacionais e gozam do privilégio de receberem indenizações e pensões milionárias, sem descontar Imposto de Renda! Os trabalhadores e todos os cidadãos que produzem, pagam Imposto de Renda.
Eu embora seja aparentemente explosivo, sou pacato por natureza. Sou incapaz de matar um animal, qualquer que seja, mas não titubearia em praticar uma desdita se uma vadia de uma ministra chefe da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, uma diretora de ONG como a cretina que tentou me enquadrar na lei porque chamei a Comissão da Verdade, de ‘Comissão da Calúnia’, quaisquer dos membros dessa comissão, ou um procurador comuna, - se atrevesse entrar em minha casa, comandando um grupo de policiais para apreender documentos. Eu cortaria a garganta do (a) infeliz e socaria a testa para que a cabeça se desprendesse do tronco. O faria sem dó e arrependimento.
Alguém precisa dar uma demonstração de força, repelindo as investidas da ‘comissão da calúnia‘, e de promotores públicos que se prestam ao papel de advogar familiares de bandidos.
Não consigo assimilar que as autoridades militares calem diante de secretarias e ONGs ditas de direitos humanos.
As nossas autoridades militares têm muito de prostitutas de bordéis de beira de estrada: apanham e gostam. São tratadas como cachorros, e agem como tal! Perdem a essência do soldado quando colocam no ombro uma estrela de general!
Repito o que tenho dito ultimamente. Não se deve atender a chamados de ‘comissão da calúnia’, nem de procuradores públicos. Esses senhores e senhoras não respeitam a instituição militar.
Se algum agente do Estado conservar em seu poder documentos ou informações que levem ao paradeiro de militantes da luta armada mortos ou desaparecidos em combate, que os destruam; e jamais dêem a chance que seus corpos sejam encontrados e nem revelado como foram executados. Esses assassinos mortos, - terroristas e guerrilheiros, - não merecem compaixão, pois traíram o país e os familiares. Que os seus restos mortais descansem em paz nos jazigos dos impuros!
A maioria dos agentes do Estado já passou dos setenta anos de idade. Muitos são octogenários, vivem em cadeiras de roda, assistidos por enfermeiras. A ‘comissão da calúnia’ corre o risco de não encontrar quem levar aos tribunais, morrendo na praia.
Mesmo ‘para lá de Bagdá’, os nossos guerreiros não se separam de suas pistolas de 9mm que mantém coladas ao corpo, prontos para receber os recalcados com pompa e circunstância. Eu sugeria aos familiares dos nossos bravos guerreiros que os defendam, como eles defenderam a pátria comum. Não permitam que o seu sossego seja perturbado com a presença de um oficial de justiça, intimando-os para comparecer em uma comissão ou promotoria pública. O caminho é o mesmo: recebam os paus mandados com uma rajada de tiros, principalmente se estiver presente um membro da comissão ou um procurador público. A porta do inferno é a serventia dos fariseus!
O segundo ponto que se deve levar em consideração é a ousadia de quantos se julgam senhores da terra e acham que podem desmoralizar as FFAA e Forças Auxiliares, impunemente. Que o pessoal da ativa, da reserva e reformado, organizem grupos de investigação para fazer um mapeamento desses bastardos. Deve-se realizar uma faxina étnica, se acontecer um novo confronto. Que não se repita a ‘ditadura branda’ do passado! Che Guevara, o ídolo da esquerda festiva, ensinou o caminho das pedras! É vencer e vencer, e seguir o seu exemplo!
José Geraldo Pimentel
Cap Ref EB
Rio de Janeiro, 07 de fevereiro de 2013.
Fonte: recebido por mensagem eletrônica