domingo, 30 de setembro de 2012

Explicações, Burradas, Entregas e a Mamata Certa


por Arthurius Maximus
O grande bastião do governo atual sempre foi a defesa do patrimônio brasileiro contra a suposta entrega de riquezas nacionais para empresas e governos estrangeiros promovida pelos seus antecessores.
Mas, as ações do governo anterior e do atual simplesmente não mostram qualquer coerência com essa posição. Além de entregar descaradamente partes importantes de nosso patrimônio histórico ao Paraguai (e abrir as pernas na questão de Itaipu) sem pedir absolutamente nenhuma contrapartida, os dois governos do PT entregam recursos preciosos, a fundo perdido, a governos estrangeiros que não possuem nenhuma afinidade conosco e jamais moveram “uma palha” para nos ajudar em nossos momentos mais difíceis.
Assim, passamos a bancar e sustentar os governos da Bolívia, da Argentina, da Venezuela e de Cuba, além de outras republiquetas e até um grupo terrorista que vive de sequestros e do narcotráfico. Isso apenas porque os “cumpanheiros” decidiram que era bom “para a causa bolivariana”.
Desta forma, enquanto nossa infraestrutura cai aos pedaços, nossos hospitais se convertem em centros de genocídio, escolas são máquinas de emburrecer e nossas forças armadas perdem quadros altamente qualificados graças a uma política de remuneração ridícula e ao desaparelhamento criminoso; os bolivarianos enriquecem (os políticos, porque os países vão de mal a pior) e se mantém no poder distribuindo ao seu povo benesses bancadas com nossos suados e aviltantes impostos.
Como se isso já não fosse suficientemente ruim, agora o Ministério da Integração Nacional – através da Codevasf – contrata por uma verdadeira fortuna (mais de 3,8 milhões de dólares) a tropa de engenheiros do Exército Americano para trabalhar na recuperação do Rio São Francisco e na ampliação de sua hidrovia.
Tudo muito bom, tudo muito bem. Mas, porque contratar uma unidade militar estrangeira para fazer um trabalho para o qual nossa própria unidade de engenharia militar e os institutos militares de tecnologia (todos altamente respeitados e qualificados internacionalmente) são plenamente aptos para tal?
A resposta talvez esteja na recente atuação do corpo de engenheiros do nosso exército nas obras de transposição do São Francisco. Enquanto as empreiteiras contratadas pelos petistas exigiram vários adicionais aos contratos, torraram milhões e milhões de reais, pagaram uma grana preta em propinas e não concluíram as obras mesmo após várias prorrogações de prazo; o Exército Brasileiro concluiu TODAS as obras a seu encargo (em trechos mais complexos e de difícil execução) em tempo recorde e com sobra orçamentária.
Desta forma, me parece que a contratação de uma tropa estrangeira, mesmo sob o grave risco deles mapearem todas as riquezas minerais contidas no solo da região e levar para os EUA detalhes importantes e estratégicos de nossas jazidas minerais, é plenamente justificada em face da necessidade de desviar-se grande quantidade de verbas para financiar os “cumpanheiros” e o partido depois da derrocada da Delta e do Cachoeira.
Por mais terrível que possa parecer, essa é a única justificativa plausível para se violar a Constituição Federal e contratar uma tropa estrangeira para atuar em nosso solo – sem qualquer supervisão ou monitoramento por parte de nossas forças armadas e sem uma autorização prévia do Congresso Nacional e da Presidência – e alijar do processo nossos próprios técnicos que já foram testados e aprovados no Haiti e aqui mesmo.
Por fim, como desviar uma “graninha” se o Exército costuma fazer obras melhores e gastar menos do que o orçamento proposto pelos “técnicos” petistas e das empreiteiras? Tudo fica muito mais simples se você contrata – a peso de ouro – estrangeiros que nada sabem sobre nossas práticas, desconhecem completamente a região que operarão e, ainda por cima, podem ser enganados pelos “meandros contábeis dos artistas nacionalistas”, indicados pelos partidos aliados e pela própria cúpula petista, que hoje habitam os ministérios, as estatais e as autarquias federais.
Nada como gritar a plenos pulmões: “O Brasil para os brasileiros”!
Mesmo que esses brasileiros sejam apenas alguns poucos eleitos.

Espionando, Mas Para Quem?

por Gélio Fregapani
A Polícia Federal, a pedido da ABIN, prendeu em flagrante um espião infiltrado em seu pessoal. Isto é: o nosso órgão de Inteligência Estratégica - a ABIN - estava sendo espionado por um de seus oficiais de inteligência na própria sede. Até ser descoberto, o espião já havia conseguido “hackear” 238 senhas dos investigadores que trabalham em nossas informações estratégicas.
A existência de um inimigo íntimo não é de admirar – Os órgãos de Inteligência são feitos para espionar, e os alvos principais são os serviços Secretos dos outros Países. Não fomos os únicos a descobrir traidores dentro do próprio Serviço; Os EUA já descobriram mais de uma dezena, entre eles John A Walker que durante 17 anos forneceu ao KGB importantes conhecimentos - chaves de códigos, movimentação dos submarinos nucleares e até antecipadamente os alvos de bombardeio no Vietnã. Sabe-se lá quantos ainda não foram descobertos. O mesmo pode-se dizer do excelente Serviço Secreto Britânico; do Russo e até do Mossad israelense, sem dúvida o melhor de todos. Que haveria tentativas de infiltrar um espião na ABIN, todos sabíamos. Face a incrível vulnerabilidade, por escolhermos nossos agente por concurso público, só não colocou lá um espião quem não quis.
Não é de admirar a existência de um espião infiltrado (só um?). É de admirar a ABIN tê-lo identificado; sinal que a contra-inteligência da ABIN não é assim tão ineficiente, mas é decepcionante a ABIN ter que chamar a polícia para prender o traidor. Isto deve ter servido de chacota em todos os Serviços Secretos do mundo.
Bem, o que se espera que um Serviço eficiente faça ao descobrir um espião?  Em tempo de paz, quando um espião é descoberto, deve ser tomada uma decisão entre eliminá-lo silenciosamente, submetê-lo a julgamento ou utilizá-lo em proveito próprio.
A crença geral é que só se raciocina com as opções mais violentas, mas os peritos em contra-inteligência sabem que um espião capturado pode ter grande valor, caso sua captura não seja conhecida.
Quanto menos se falar sobre o assunto, melhor, pois se procura utilizá-lo para enviar informações falsas e para saber de sua rede. Pode-se até remunerá-lo para isto. Se não der, é melhor que morra de “morte natural”.
Um julgamento é a opção reservada para quando o assunto já é de domínio público, quando interessa fazer propaganda ou uma troca. Há exceções: quando se trata de um espião de um país “amigo”, que seja inconveniente a sua morte ou um julgamento, pode ser preferível deixá-lo fugir.
Em outros países, quando um espião é apanhado pode-se ter a expectativa de que será submetido a tratamentos especiais para arrancar-lhe informações, que vão desde a relativamente suave lavagem cerebral, passando pelas drogas e chega, em muitos lugares do mundo, à primitiva tortura até a morte, para arrancar dele tudo o que sabe. Esses métodos raramente falharam, de tal forma que muitos espiões, na iminência da captura, preferiram dar fim a própria vida a entregarem as informações ou ainda para se livrar de cruéis sofrimentos.
Os Serviços eficientes costumam ser muito mais duros quando apanham um de seus membros espionando para o inimigo. Esse dificilmente terá perdão. Não se espera que vá a julgamento, pois nenhum Serviço gosta de mostrar suas entranhas ou expor seus fracassos.
Neste ponto é que avultam nossas dúvidas: O espião estava a serviço de quem? De algum país estrangeiro? – Provavelmente! Qual? Que informações realmente buscava? Para que, exatamente?
Poderia ele estar a serviço de um partido? - Claro, é possível! Mas qual? O que poderia querer? 
Quem sabe se a serviço de uma organização religiosa ou comercial? – É difícil, mas não deve ser descartado a priori
Quem sabe até a ABIN já tenha essas informações e tenha um plano para utilizá-las. É difícil, mas quisera acreditar. Esses “elementos essenciais a conhecer” estão sendo buscados? Certamente não. Com as restrições impostas ao Órgão desde o Collor e ainda agravadas pelo Lula, o nosso Serviço de Inteligência parece transformado em um arremedo de Serviço que só dá despesas. Dizem, a ABIN e a Polícia Federal, que tomarão as medidas administrativas cabíveis. O servidor foi enquadrado por violação de sigilo funcional, crime previsto no Artigo 325 do Código Penal, com pena de seis meses a dois anos de detenção ou multa. Só depois disso, o araponga traidor poderá ser expulso do serviço público.
Parece uma brincadeira. Será?
Fonte:  Comentário 146 - 29 Set 2012
Recebido por correio eletrônico

sábado, 29 de setembro de 2012

Votos Nulos Não Anulam Eleições

por Heitor De Paola
e  Rafael Moura-Neves
Sempre que se aproximam eleições surgem algumas fantasias a respeito de como votar. Uma das mais recorrentes é a de que votando nulo ou em branco pode-se anular uma eleição, caso estes votos sejam majoritários. Estas idiotices surgem de várias fontes, a maioria oriunda de inocentes que desejam sinceramente “mudar o Brasil” através do voto, mas existem alguns expressamente mal intencionados que produzem falcatruas para explorar a tradicional incapacidade dos brasileiros de ler o que quer que seja, nem mesmo a legislação a que estão submetidos. São, como se dizia antigamente, pescadores em águas turvas, cujos desígnios inconfessáveis se traduzem pela burla, para criar uma situação de caos da qual pretendem se aproveitar para impor soluções milagrosas, tipo os famigerados Comitês de Salvação Nacional à la Robespierre e Danton.
Para relembrar ao leitor, uma fraude que retorna de tempos em tempos na internet é a que fala de um tal Deputado Jutahy Magalhães do PFL da Bahia que teria proposto uma lei de proteção à corrupção. Pois apesar de existir um Deputado com este nome, Jutahy Magalhães Júnior, ele é do PSDB da Bahia e, ao que se saiba, jamais apresentou tal projeto. Pretendia-se ligar o suposto deputado pelo sobrenome, ao se retirar o Júnior, ao Senador Antonio Carlos Magalhães do PFL da Bahia que, apesar de todas as falcatruas petistas do governo do Supremo Apedeuta da Nação, ainda é considerado símbolo de corrupção. Além do que, o PSDB é adversário do PFL na Bahia. A matéria vinha assinada pelo jornalista Franklin Martins para dar maior credibilidade, pois o mesmo é um comunista convicto e tido como um dos mais sérios jornalistas do País. Embora eu não nutra a mínima simpatia pelo dito é preciso deixar claro que ele nada teve a ver com isto.
Assim se forja uma fraude com aparência de credibilidade: um personagem que existe, porém retirado de seu contexto, conectado com alguém por princípio execrado e aí se faz a desinformação, a famosa "língua de pau"! Como diz Vladimir Volkoff (Pequena História da Desinformação): "Num contexto em que o público está mais ou menos ao corrente dos incidentes é desaconselhável mentir 100%, mas podem se misturar habilmente o verdadeiro e o falso".
A principal fraude hoje em dia é baseada na divulgação de um tal Art 224 da Legislação Eleitoral que prevê o seguinte:
Art. 224. Se a nulidade atingir a mais de metade dos votos do país nas eleições presidenciais, do Estado nas eleições federais e estaduais ou do município nas eleições municipais, julgar-se-ão prejudicadas as demais votações.
A divulgação deste Artigo, que realmente existe, retirado do restante do contexto da legislação pertinente, é pura fraude e deveria submeter seus autores a processo criminal por tentar induzir o eleitor em erro! Num País politicamente tão conturbado como o Brasil atual é mais do que crime, é tentativa explícita de criar um caos se os eleitores realmente aderirem a esta idiotice!
Este artigo é parte da lei que rege as eleições, a Lei 4.737 de 15 de julho de 1965. Isso significa, realmente, que se houver anulação de mais de metade dos votos de uma eleição ela terá que ser feita novamente, mas anulação de votos não se faz em função de votos nulos. Veja o que ela diz sobre isso em um artigo anterior:
Art. 220. É nula a votação:
- quando feita perante mesa não nomeada pelo juiz eleitoral, ou - constituída com ofensa à letra da lei
- quando efetuada em folhas de votação falsas - quando realizada em dia, hora, ou local, diferentes do designado ou encerrada antes das 17 horas
- quando preterida formalidade essencial do sigilo dos sufrágios - quando a seção eleitoral tiver sido localizada com infração do disposto nos §§ 4º e 5º do art. 135. (Incluído pela Lei nº 4.961, de 4.5.1966)
Como podemos ver, nenhum dos fatores de anulação tem relação com os votos nulos ou brancos!
Os artigos 221 e 222 também falam em anulação de votação, mas tratam de falsa identidade, obstrução da fiscalização e outros atos que comprometam a legalidade do sufrágio (votação). Nela vemos o seguinte sobre a anulação dos votos:
I - que não corresponderem ao modelo oficial (Vide Lei nº 7.332, de 1º.7.1985)
II - que não estiverem devidamente autenticadas
III - que contiverem expressões, frases ou sinais que possam identificar o voto.
§ 1º Serão nulos os votos, em cada eleição majoritária:
I - quando forem assinalados os nomes de dois ou mais candidatos para o mesmo cargo
II - quando a assinalação estiver colocada fora do quadrilátero próprio, desde que torne duvidosa a manifestação da vontade do eleitor.
§ 2º Serão nulos os votos, em cada eleição pelo sistema proporcional: (Parágrafo renumerado pelo art. 39 da Lei 4.961, de 4 5.66)
I - quando o candidato não for indicado, através do nome ou do número, com clareza suficiente para distingui-lo de outro candidato ao mesmo cargo, mas de outro partido, e o eleitor não indicar a legenda
II - se o eleitor escrever o nome de mais de um candidato ao mesmo cargo, pertencentes a partidos diversos, ou, indicando apenas os números, o fizer também de candidatos de partidos diferentes
III - se o eleitor, não manifestando preferência por candidato, ou o fazendo de modo que não se possa identificar o de sua preferência, escrever duas ou mais legendas diferentes no espaço relativo à mesma eleição
IV- se o eleitor escrever apenas a sigla partidária, não indicando o candidato de sua preferência. (Incluído pela Lei nº 6.989, de 5.5.1982) e (Restabelecido pela Lei nº 7.332, de 1º.7.1985).
§ 3º Serão nulos, para todos os efeitos, os votos dados a candidatos inelegíveis ou não registrados: (Parágrafo renumerado pelo art. 39 da Lei 4.961, de 4 5.66)
§ 4º O disposto no parágrafo anterior não se aplica quando a decisão de inelegibilidade ou de cancelamento de registro for proferida após a realização da eleição a que concorreu o candidato alcançado pela sentença, caso em que os votos serão contados para o partido pelo qual tiver sido feito o seu registro. (Incluído pela Lei nº 7.179, de 19.12.1983).
A Legislação Eleitoral é bem clara: No entanto, com o intuito de simplificar para linguagem comum, segue-se o seguinte resumo:
1 - Não existe a mínima chance de uma eleição ser anulada a não ser por comprovação de fraude eleitoral
2 - Os votos em branco e os nulos não contam para a contagem dos votos válidos. Até 1997, os em branco ainda eram contados para efeito de determinação do Quociente Eleitoral nas eleições proporcionais. Desde então, a Lei 9.504 de 30/09/1997 revogou o parágrafo anterior
3 - Eleições majoritárias (Presidente, Governadores e Prefeitos): será eleito o candidato que obtiver maioria absoluta dos votos válidos, excetuando-se os brancos e nulos. Caso nenhum alcance este número, realiza-se um segundo turno com os dois mais votados, sendo eleito o que tiver maior número de votos válidos deste turno.
  • NOTA: não há possibilidade de anulação pois, se no segundo turno, num universo de 5 milhões de eleitores o candidato A obtiver 10 votos e o B 09, estará eleito o A, sem apelação, independente da enxurrada de votos nulos e brancos! Em caso de empate, o mais velho.
  • Exemplo mais radical ainda: se 99,99% dos votos forem nulos e o candidato A votar em si mesmo, sem nenhum voto em outros candidatos, ele estará eleito sem apelação 
4 - Majoritárias para Senador: estará eleito o mais votado (renovação de 1/3) ou os dois mais votados (renovação de 2/3). Não há número mínimo de votos. 
Links pesquisados por Rafael Moura-Neves:
Fácil é notar que inexiste qualquer menção a porcentagens, a novos candidatos. Ocorrendo necessidade de nova eleição, concorrem os mesmos candidatos, também para vereador. O voto em branco é gêmeo-siamês do nulo, eis que ambos reduzem o número de votos válidos! Nada, também, diz que o voto nulo é uma declaração de posição. O voto nulo é interpretado pela Lei como erro do eleitor, jamais como protesto! Um pequeno esclarecimento. O voto em branco não é acrescentado aos votos do mais votado, outra lenda! Não é considerado válido! Um exemplo:
Notem o detalhamento:
Válidos: 19.579.299
Brancos: 891.312
Nulos: 1.064.907
Total: 21.535.518
Abstenções: 4.094.561 (16%)
Portanto, ninguém recebe os votos em branco. São uma forma de discordar das opções apresentadas. Afinal de contas as eleições são ou não canceladas se houver mais de 50% de votos nulos? A resposta definitiva é: Não! Votos nulos não anulam uma eleição. Nem mesmo se 99,99% dos eleitores anularem seus votos, será eleito o mais votado pelos restantes 0,01%!
Fonte:  Papéis Avulsos
COMENTO: o assunto foi reiterado com argumentos citando a Constituição Federal em outro artigo dos mesmos autores. Ele pode ser lido clicando-se AQUI.
Outra safadeza criada pelas quadrilhas, ops, partidos políticos brasileiros é o denominado "voto de protesto".O golpe é simples: um candidato "caricato" é lançado (já tivemos vários, desde o índio Juruna até o simpático Tiririca, passando pelo falecido Professor Enéas, o costureiro Clodovil Hernandez, os cantores Frank Aguiar e Netinho, jogadores de futebol, e outros) e, graças à sua boa imagem ante o público, recebe votos suficientes para elegê-lo e influenciar o "quociente eleitoral" em prol do bando, digo, partido levando à eleição de diversos comparsas, ops, partidários. Clique na imagem ao lado para ler seu texto com a explicação detalhada da canalhice. 
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Neymar, o Messias


por Felipe Melo
Recentemente, uma série de distúrbios seríssimos estourou no Oriente Médio e cercanias em virtude de um filme caseiro que fazia troça de Maomé e dos muçulmanos. Aproximadamente uma centena de pessoas foram mortas nos protestos que rasgaram o mundo islâmico – inclusive o então embaixador dos Estados Unidos na Líbia, Chris Stevens –, centenas de milhares de pessoas foram mobilizadas por clérigos islâmicos para mostrar a sua revolta de modo sangrento, e os velhos discursos contra o “Grande Satã” do Ocidente ecoaram novamente com força total. Curiosamente, a tradução e divulgação do filme no mundo islâmico foi promovida justamente por grupos radicais.
A celeuma estava pronta. Diversas lideranças mundiais condenaram tanto o filme (bobo e de muito mau gosto) quanto sua instrumentalização pelos líderes islâmicos, o diretor do filmeco teve o nome e o endereço divulgado pelas autoridades americanas, diversas ações judiciais correram o mundo, inclusive no Brasil, para proibir seu acesso, e, como sói acontecer, a turma de plantão do pluralismo e tolerância rosnou junto com os radicais.
Agora, vejam a imagem abaixo (ao lado):
Essa, senhoras e senhores, é a capa da edição de outubro da revista Placar. Para qualquer pessoa com um mínimo de senso das coisas, essa capa parece desnecessariamente apelativa. Por quê? Ela nivela duas figuras essencial e completamente diferentes: endeusa alguém à custa da secularização de Alguém que, para 1/3 do gênero humano, é Deus feito homem. Comparar Neymar a Jesus Cristo, sobretudo da forma como isso foi feito, é, no mínimo, uma maneira bastante discutível de aumentar as vendas de uma revista – o que parece ser o único desejo da editora em questão. Para muitas pessoas, e eu me incluo nessa conta, essa capa não é apenas inadequada, mas despropositadamente ofensiva.
Decerto não veremos o Papa Bento XVI ou qualquer outro líder cristão de importância mundial conclamando uma guerra santa contra a revista, nem haverá aglomerações de pessoas em passeata atirando para o alto e atacando a polícia, muito menos matando qualquer pessoa, por conta dessa capa lamentável. Mas engana-se quem pensa que devemos ficar simplesmente passivos diante de algo aparentemente sem importância: é nosso direito – e, sobretudo àqueles que abraçam a fé cristã, um dever – manifestar nosso repúdio.
Acessem a página da revista Placar em que se encontra a notícia da capa e deixem seu comentário. Divulguem para outras pessoas e peçam que façam o mesmo. Não deixem isso passar em branco. E vamos esperar para ver se nossos amigos politicamente corretos dedicarão suas excelsas atenções a esse fato.
Fonte:  Juventude Conservadora da UnB

COMENTO:  nada contra o atleta, nem contra o conteúdo da reportagem - o qual não conheço, nem pretendo - mas me parece que o planejamento da capa não se trata simplesmente de uma maneira bastante discutível de aumentar as vendas da revista, mas sim de uma palhaçada dos marqueteiros da revista, aproveitando os deploráveis atos promovidos pelos radicais islâmicos. 

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Conversão de Puta Velha Não Convence

por Janer Cristaldo
Em minha adolescência, quando vivia em Dom Pedrito – início dos anos 60 – fui disputado pelas duas filosofias então vigentes na cidade: católicos e comunistas. Quanto aos primeiros, fui jogado na doutrina por uma catequista uruguaia, que nos pedia para rezar ao bom Deus para parar a chuva, para que seu marido pudesse levar a safra de lã à cidade. Fiz carreira na Igreja. Aos 15 anos, era presidente da Congregação Mariana. Foi mais ou menos nessa época que me libertei dos grilhões de Roma. Como cachorro que sacode a água para secar-se, deixei de crer em Deus e senti uma extraordinária sensação de liberdade. Era como se minha vida começasse de novo a partir dali.
In illo tempore, como dizem os evangelistas, nas pequenas cidades do interior havia três instituições onipresentes: uma guarnição do Exército, a Igreja... e o Partido Comunista. Os camaradas, mal viram a ovelha desgarrada do rebanho, tentaram conduzi-la a um novo redil.
Um dos líderes do Partido era o Gerson Prabaldi, operário e militante, um dos raros comunistas que até hoje merece meu respeito. Funileiro, patrão de si próprio, lutava por uma sociedade mais justa, nada a ver com os filhos da classe média que fizeram carreira e fortuna montados nos ideais socialistas. Final de tarde, fechava a funilaria, pegava uma bicicleta e saía a fazer seu apostolado, o porta-cargas repleto de ideologia. Líamos as revistas China e Unión Soviética, em espanhol, mais aquele catecismo em edições mensais do PC, a revista Problemas, e muita imprensa de esquerda. 
O funileiro acreditava na utopia e dedicava suas horas de lazer à construção do socialismo. Homem de uma era pré-televisiva, na qual mesmo os jornais que eventualmente chegavam a Dom Pedrito desconheciam o que se passava no mundo soviético, Gérson acreditava piamente nos panfletos vindos de Pequim ou Moscou. Fosse um dia ao paraíso que louvava, ou tivesse melhores fontes de informação, tenho certeza de que faria marcha à ré. Era homem desinformado, mas honesto. Em sua oficina, rodeado de pneus e aros de bicicletas, recebi minhas primeiras aulas de marxismo, baseadas em um livrinho de Georges Politzer, Curso de Filosofia - Princípios Fundamentais
Primeiras e primárias: sua argumentação simplória não me convencia. No entanto, este divulgador menor foi bastante significativo. Em sua tentativa de trocar em miúdos o marxismo para um público operário, Politzer despe a doutrina de sua retórica e a exibe em sua indigência. 
Eu já lia filosofia e a doutrina me pareceu por demais tosca. Mas não foi propriamente a leitura de Politzer que me afastou dos camaradas. E sim o muro de Berlim. Naqueles dias, já nos chegavam algumas notícias das pessoas que eram fuziladas ao tentar escapar da Alemanha Oriental. Sabíamos que os cidadãos da União Soviética eram proibidos de sair de seus países. Porque não voltavam mais. Havia então algo de errado naqueles paraísos anunciados pelas revistas do Gérson.
Se saímos do paraíso, temos pressa em voltar. Se alguém sai e não volta mais, é porque não era paraíso. Não é preciso maior argúcia para entender isto. E quando pessoas arriscam a própria vida – e mesmo morrem – na tentativa de sair, é porque o paraíso está mais para inferno. Assim, já em minha adolescência, pus no lixo qualquer veleidade comunista.
Ferreira Gullar rides again. Eu também. Em entrevista para as páginas amarelas da Veja, José Ribamar Ferreira – seu nome de pia – discorre sobre sua conversão, depois de velho, ao capitalismo. Ao falar de Cuba, declara:
- Não posso defender um regime sob o qual eu não gostaria de viver. Não posso admirar um país do qual eu não possa sair na hora que quiser. Não dá para defender um regime em que não se possa publicar um livro sem pedir permissão ao governo. Apesar disso, há uma porção de intelectuais brasileiros que defendem Cuba, mas, obviamente, não querem viver lá de jeito nenhum. É difícil para as pessoas reconhecer que estavam erradas, que passaram a vida toda pregando uma coisa que nunca deu certo.
Falei há poucas semanas desta cortesã, que depois de velha decidiu trabalhar do outro lado do balcão. Filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro no dia 1º de abril de 1964, 28 anos após a denúncia das primeiras purgas de Stalin em 1936, quinze anos após a denúncia dos gulags por Viktor Kravchenko em Paris, em 1949, nove anos após a denúncia dos crimes de Stalin por Nikita Kruschev, em 1956, no XX Congresso do PCUS. Isto é, o Ribamar atroz aderiu ao partido quando a nenhum cidadão honesto era mais permissível ignorar os crimes do regime soviético.
Mas digamos que o Ribamar tenha vivido boa parte de sua vida afastado da imprensa burguesa. Pelo jeito, só este ano descobriu que os cubanos não podem sair de Cuba. Em fevereiro passado, escreveu na Folha de São Paulo
- Nenhum defensor do regime cubano desejaria viver num país de onde não se pode sair sem permissão. É com enorme dificuldade que abordo este assunto: mais uma vez – a 19ª – o governo cubano nega permissão a que Yoani Sánchez saia do país.
Ó, santa credulidade! Ribamar então não sabia que os berlinenses orientais eram fuzilados se tentassem atravessar o Muro? Morou em Moscou e não sabia que os russos estavam proibidos de sair do próprio país? Não terá visto, nas últimas décadas, cidadãos do mundo socialista tentando escapar do inferno pelas fronteiras mais elásticas da Iugoslávia? Não terá ouvido falar, nos dias que antecederam a queda do Muro, de milhares de alemães fugindo para o Ocidente por uma porteira aberta na Hungria? Será que nunca ouviu falar nos cubanos que durante décadas morreram afogados no mar do Caribe, tentando chegar a Miami?
A conversão da prostituta decrépita não convence. Mas é significativa. Indica que até os mais ferrenhos stalinistas já se envergonham do próprio passado. Agora é tarde. Nos anos 60 já era tarde. Ribamar – poeta que escreveu um poema dizendo que uma moça “era quase tão bonita quanto a revolução cubana” - mentiu e caluniou durante toda sua vida. Foi cúmplice de gulags, massacres, prisão e execução de dissidentes. E agora, aos 80 e lá vai pedrada, quer redimir-se.
Quando congregado mariano, fiz a promessa dos cinco sábados. Se assistisse a missa durante cinco sábados seguidos em homenagem à Maria, teria a graça da redenção final. Isto é, um pouquinho antes de morrer, me arrependeria de meus pecados e iria direto ao paraíso. Por isso, tenho pecado tranqüilamente até hoje. 
Mas a promessa de Maria não era extensiva a comunistas.
Fonte:  Janer Cristaldo

Coitadinho do Herzog...

por Coronel Maciel
Não sei se vocês se lembram de “Zuzu Angel”, um filme que conta a história de uma estilista de moda à procura de seu filho preso, torturado e morto pelos “homens do regime”. Os “meganhas” do regime militar de 64 mataram muito, como nos afirmam essas alegres esquerdas que se apossaram do Brasil. Coisas parecidas estão acontecendo agora, quando a tal “Comissão da Verdade” conseguiu modificar a certidão de óbito do finado Herzog: agora o coitadinho não se matou; não foi suicídio... A morte decorreu de lesões e maus-tratos sofridos em dependência do II-Exército - SP (DOI-CODI).
Uns me dizem que Herzog era um jornalista brasileiro. Outros, que não; que ele nasceu na Iugoslávia, de onde fugiu para o Brasil, escapando por sorte, por puro acaso, quando ainda criança, de ser sacrificado, como tantas outras crianças judias, nas câmaras de gás na época da Alemanha nazista. Bom; não sei realmente o que aconteceu; só sei que essas loucas e embriagadas esquerdas sempre precisaram de “mártires”, de estudantes mártires, de jornalistas mártires, úteis à propaganda das suas causas.
Só sei que esses pobres coitados na realidade eram um bando de inocentes úteis, que não tinham consciências do que fosse uma condição de guerra, dos riscos pessoais que uma guerra acarreta. Vivíamos em constantes lutas, verdadeiras guerras durante os tempos, saudáveis tempos da “ditadura”, contra esses inocentes coitados - “brutalmente torturados pelos gorilões verde-oliva, nos ‘DOI-CODIs’ da vida”... Nos “porões da ditadura” como costumam nos ofender. Mas eram porões aonde na realidade só iam uns pobres coitados, como o coitadinho do Herzog, apavorados com a realidade nua e crua das guerras. Porões, aonde só iam pobres crianças arrependidas por terem sido manipuladas, traídas, seduzidas pelos líderes carismáticos muito bem treinados em Cuba. Porões aonde só iam ingênuos adolescentes criminosamente usados para “buchas de canhão”, que viviam sonhos inocentes de adolescentes, entre nuvens de maconha, drogas marxistas, perfumados charutos cubanos. Amantes espirituais de Che Guevara, eles viviam suas fantasiosas ações terroristas, bravuras inconsequentes, sacrifícios heroicos, que logo se derretiam, desmoronavam-se ante o choque com a realidade inexorável nua e crua das guerras; realidades que lhes eram sutilmente escondidas por seus cruéis dominadores. Ensinados, doutrinados a serem guerrilheiros duros, mas somente quando na frente de civis fracos e desarmados. Ou de inocentes sentinelas...
Na verdade eles nunca foram torturados naqueles “porões”. Era o medo! Era o medo que bastava para se “cagarem” e soltarem as línguas, dedurando pais, mães, irmãos, amigos, companheiros, namoradas; fornecendo nomes, apelidos, planos, tudo para livrarem a própria cara, como fez o Genoíno e tantos outros que andam por aí posando de “democratas”. Alguns, de perfil depressivo, arrependidos dos seus perjuros, praticavam o suicídio. Os manipuladores; os autores intelectuais dos seus crimes estavam gozando as delícias de serem valentões sentadinhos nos “Cafés de Paris”, ou bebendo deliciosos vinhos chilenos, sempre a uma cuidadosa distância das ações e dos perigos... - Não é, Zé Serra? – Não é, FHC?
Eu não conheço as estatísticas no Brasil. Mas com toda certeza em nada se comparam aos mais de cinquenta milhões de velhos, doentes mentais, minorias de perseguidos que foram assassinados na Rússia Stalinista! Nem aos que foram torturados na Alemanha nazista, onde seis milhões de judeus foram sacrificados no holocausto. E menos, muito menos que na ilha cubana de Fidel Castro, onde milhares de inocentes cubanos foram fuzilados nos “paredóns”, até hoje em pleno funcionamento! Digamos que foram maltratados uns quinhentos terroristas, nos chamados “porões da ditadura”. – Isso tudo? – Ora, ora, ora; isso são coisas de escoteiros; ingênuas brincadeiras de escoteiros, coronel, comparadas com o que fez, só para citar um exemplo, o Che Guevara em Cuba, quando seiscentos inocentes cubanos foram fuzilados de uma só vez e sem tempo nem para fazerem os pedidos dos que agonizam, em orações que rezam: - “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte, amém...”.
Hoje estamos sós; sós, abandonados e desiludidos, levando cacetadas de todos os lados. Sem defensores nem no parlamento, nem na imprensa servil, nem em lugar nenhum. Dona Dilma, a nossa “Comandante-em-Chefe”, que teria a obrigação de nos defender, faz exatamente o contrário, como sói acontecer, já que ela sempre foi e sempre será nossa eterna inimiga. Nem esse Ministro da Defesa, pequenino, barbudinho, igualzinho a uma “porra loca”, que não sabe distinguir um capacete de um pinico, como bem disse o destemido deputado Bolsonaro!
Tudo bem; só nos resta então esperar pelos acontecimentos, mas sempre sabendo que ser grande não é lutar por uma grande causa; ser grande é lutar por uma palha, quando nossa honra está em jogo, como dizia aquele velho e grande e sábio bardo inglês...
Coronel Maciel.
Fonte:  Velha Águia

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

EsSA e o Número de Inscritos para o CFS 2013/14. Ou "Tenha Cuidado Com o Que Você Repassa"

Da série 'tenha cuidado com o que você repassa': a EsSA acaba de divulgar o total de inscritos para o concurso de 2012. O número passa dos 60.000. 
Embora a procura tenha caído pela metade em relação há alguns anos atrás, é muito maior do que o suposto número de 9.000 inscritos que foi amplamente veiculado na web nos últimos trinta dias. 
http://www.esa.ensino.eb.br/priol2012/concurso.divulg.titulacao.jpg
Fonte:  Blog do Montedo
publicado originalmente no sitio da
COMENTO: considerando que foi divulgada a existência de 1.350 vagas (aí incluídas 100 vagas destinadas a Técnicos de Enfermagem e 50 vagas para Músicos) no Manual do Candidato, temos uma média de 45,4 candidatos com inscrição confirmada para cada vaga disponibilizada. Apesar do esforço das 'otoridades' - infelizmente com o apoio de membros da própria Instituição - em desmoralizar e desmotivar os profissionais das armas, a carreira militar continua a encantar nossos jovens que amam o Brasil e não temem sair de sob as asas dos seus pais. Espero que entre os candidatos aprovados não haja quem espere "levar vantagem", pois se houver vai se decepcionar. A carreira castrense é para quem se sujeita a uma vida de sacrifícios com remuneração suficiente para a sobrevivência familiar. 
ATUALIZANDO: dados sobre o Concurso de 2014, você pode ler AQUI!

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Sabor Jabuticaba da Fraude Eleitoral

por Amilcar Brunazo Filho
Estimada jornalista Dora Kramer, no meu entender, há equivoco em sua opinião sobre as urnas eletrônicas brasileiras, expressada em seu artigo "Sabor Jabuticaba" (Estadão, 21/09/12, pág. A6). Suas afirmações de reconhecimento internacional e da eficácia da apuração fogem a realidade dos fatos, como procuro explicar a seguir.
1) Reconhecimento Internacional:
Desde 1996, mais de 60 países já enviaram representantes ao Brasil para conhecer nossas urnas. Alguns, instados pelo acordo OEA/TSE levaram urnas para testarem.
Mas, depois de tantas avaliações e testes, o resultado final é que NENHUM PAÍS ADOTOU O MODELO DE 1ª GERAÇÃO DAS URNAS BRASILEIRAS (modelo DRE, de gravação eletrônica direta sem registro material do voto)
As próprias urnas brasileiras foram cedidas e testadas na Argentina, na Venezuela, no Paraguai (doadas 15 mil urnas), no México, no Equador e na República Dominicana e foi rejeitada em TODOS esses países, que já implantaram ou estão implantando sistemas de 2ª ou de 3ª geração.
O modelo DRE de 1ª geração também foi proibido na Holanda (2008), declarado inconstitucional na Alemanha (2009), excluído pela norma técnica norte-americana (2007) e substituído no Canadá (2007), Rússia (2008), Índia (2011) e Bélgica 2012.
Atualmente, apenas o Brasil continua usando esse superado modelo de 1ª geração!
Assim, não há como se falar em reconhecimento internacional de nossas urnas eletrônicas. O realidade internacional claramente desmente esse mote propagandeado, à exaustão, pela autoridade eleitoral brasileira. 
2) Eficácia da Apuração
Para se determinar eficácia deve-se antes esclarecer como medí-la. 
E o que deve ser medido?
A Celeridade da Apuração é uma propriedade desejável em sistemas eleitorais e é fácil de ser medida. O sistema brasileiro tem bom desempenho nesse quesito.
Mas essa não é a única propriedade que deve apresentar sistemas eleitorais.
A Garantia da Justa Apuração, a Garantia de Inviolabilidade do Voto e a Disponibilidade do Sistema (o sistema deve funcionar sem falta e na hora certa) são outras propriedade que, mais que desejáveis, são necessárias, são até mesmo obrigatórias.
O sistema brasileiro tem atendido bem ao requisito da disponibilidade. Também se pode medir o sucesso aqui.
Mas, e os requisitos (obrigatórios) de garantia da justa apuração e da inviolabilidade do voto?
O motivo de todos os países que adotaram voto eletrônico terem migrado para sistemas de 2ª geração é porque sistemas de 1ª geração NÃO DÃO GARANTIA REAL DE JUSTA APURAÇÃO. Em outras palavras, porque sistemas de 1ª geração não apresentam transparência quanto ao registro e a contagem dos votos.
Você mesmo, Dora, citou o argumento que "sem possibilidade de registro por escrito, o sistema daria margem a fraudes por impossibilitar a conferência". 
Mas usou o condicional "daria" onde todos os tecnólogos independentes do nosso administrador eleitoral usam o indicativo afirmativo "dá".
É aqui que entra a questão da medida. Como medir a garantia da justa apuração? 
Sem conhecer qual a justa apuração, não se tem como medir a eficácia real de um sistema eleitoral.
E é por isso que os sistemas de 2ª e de 3ª geração exigem a materialização do voto, para através dele se comparar a apuração eletrônica com a apuração real e poder se medir a eficácia do sistema eleitoral sob avaliação.
Em resumo, sistemas eleitorais de 1ª geração, como o brasileiro, NÃO PERMITEM SE DETERMINAR A EFICÁCIA DA APURAÇÃO justamente no seu requisito mais fundamental e importante que é a garantia da justa apuração!
Quanto à garantia da inviolabilidade do voto, a equipe do prof. Dr. Diego Aranha da UnB, demonstrou cabalmente (para quem sabe ler seu relatório) que as urnas brasileiras, ao contrário do que sempre afirmavam os tecnólogos do TSE, não garantiam o sigilo do voto: era possível se reconstruir a ordem original dos votos abrindo a brecha para o voto-de-cabresto.
O tecnólogos do TSE agora vêm a público dizer que consertaram a fragilidade apontada e que agora o sigilo do voto está garantido. Eu só vejo nisso apenas mais uma "garantia verbal" nada confiável (falando em confiabilidade técnica, medível, e não em confiabilidade cega).
Desculpe-me se me alonguei, mas as achei importante lhe alertar que as urnas brasileiras nem granjearam reconhecimento internacional e nem apresentam eficácia na apuração que possa ser avaliada tecnicamente.
Com essas duas premissas derrubadas, talvez sua conclusão sobre a nossa urna-jaboticaba possa ser outra.
Amilcar Brunazo Filho é Engenheiro e membro do Fórum do Voto Eletrônico,
 em favor de uma efetiva segurança no processo de votação
 e apuração com urnas eletrônicas no Brasil.
Fonte:  Alerta Total
COMENTO:  Já tratei aqui sobre as 'urnas eletrônicas' e outro problema, que me parece tão grave quanto à possibilidade de fraudes, mas é pouco explorado mesmo em blogs. Trata-se da possibilidade da quebra do sigilo do voto ao ser implementada a identificação digital do eleitor, por meio da simples comparação das sequências horárias da identificação do eleitor com a do voto realizado. Ou seja, quem garante que não haverá o registro do horário de sua chegada à mesa eleitoral por ocasião de sua identificação pelo mesário? E quem garante que não haverá o mesmo registro horário de cada voto realizado? E quem garante que não poderá ser feito um cotejo dessas duas sequências? Se quiser ler mais, busque os textos publicados em  23 Jun 08, 27 Jun 08, 23 Ago 08, 25 Nov 08, 20 Mai 09, 16 Ago 10, 23 Mar 12 e 30 Abr 12.
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terça-feira, 25 de setembro de 2012

Os Neofascistas Estão Chegando

por Taiguara Fernandes de Sousa
Eles se aproximam. Pode-se sentir o tremor dos pés marchando. Gritos de guerra e palavras de ordem. Os inimigos? Todos que passarem por sua frente, todos os que se levantarem e disserem “não”. São os neofascistas que vêm. Eles são poucos, mas gritam alto. Suas bandeiras não são as da população, mas sim as da “gente brilhante” que domina os postos altos das universidades, do governo e de certos órgãos midiáticos. E ai de quem se opuser!
Parece ser um movimento crescente no Brasil e no mundo, o da intolerância às opiniões contrárias. Mas não é qualquer intolerância: é aquela que usa, como pretexto específico para não tolerar, o fato de ser “a favor da liberdade” e contra o “preconceito”. Os neofascistas põem uma mordaça na boca dos opositores e lhes ameaçam de modos vários, tudo em nome da liberdade de expressão, contra a discriminação e o preconceito.
Os conceitos de “liberdade”, “discriminação” e “preconceito” foram completamente distorcidos por eles. Os neofascistas são tolerantes – com eles próprios; não discriminam ninguém – só os opositores; não têm preconceito – exceto contra os contrários, que são sempre “fundamentalistas religiosos” ou “conservadores reacionários”; eles defendem a liberdade de todo mundo – menos a de quem não concorde com eles.
Em agosto, um senhor de 70 anos foi convidado a palestrar na Unesp, em Franca (SP); chegando lá, foi expulso com gritos de “nazista” e “assassino” por uma horda de estudantes, que ainda ameaçaram agredi-lo e só não o fizeram porque foram apartados. O senhor hostilizado era o príncipe dom Bertrand de Orleans e Bragança, trineto de dom Pedro II. Não importava que tivesse 70 anos: para aqueles estudantes, ele era um opositor, um inimigo, não era do clube. Um príncipe? Que tinham a ver com aquele representante das “elites”? O príncipe merecia ser expulso e, se necessário fosse, agredido.
Em 2008, um outro senhor de idade, em um outro país, foi vítima das mesmas injúrias e agressões verbais. O Papa Bento XVI tinha sido convidado a discursar na Universidade La Sapienza, de Roma, fundada pelo Papa Bonifácio VIII em 1303. Um grupo de professores e alunos mostrou as garras contra a visita a ponto de o evento ser cancelado. Os revoltosos alegavam que o Papa “não era a favor da liberdade” – mas que defesa vigorosa da liberdade é esta que impede o Papa de discursar livremente em La Sapienza? “Você é livre, desde que do meu lado”, parece ser a resposta.
Nos EUA, defensores da vida humana em todos os seus estágios, desde a concepção até a morte natural, são classificados pela administração Obama como “grupo terrorista”: relatório do Departamento de Segurança Nacional coloca na lista de possíveis “terroristas” grupos que defendam a vida, os pro-life, na categoria de “terrorismo por motivação ideológica” – isso apesar de nunca um pro-life ter se envolvido em qualquer atentado terrorista, embora sedes de movimentos pró-vida já tenham sido atacadas a tiros por opositores.
É preocupante uma defesa da liberdade cuja única maneira de existir seja o cerceamento das opiniões contrárias, o amordaçamento e até mesmo a agressão. O neofascismo caminha a passos largos. Ele persegue todos que não compactuem consigo. E nós ficamos cada dia mais temerosos de uma prisão e nos calamos. Quanta liberdade...
Taiguara Fernandes de Sousa
é editor da  Revista Vila Nova
Fonte:  Gazeta do Povo

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Lambuzado no Melado

por Dora Kramer
Marcos Valério demorou anos para se revoltar. Só quebrou o código de silêncio firmado com José Dirceu e Delúbio Soares para proteger Lula quando se viu diante da evidência de que lhe havia sido feita uma promessa vã.
Confiou que as instituições seriam fiéis aos coronéis de turno e se renderiam às conveniências do poder.
Isso está dito na reportagem de capa da Veja: "Em troca do silêncio, (Marcos Valério) recebeu garantias. Primeiro, de impunidade. Depois, quando o esquema (do mensalão) teve suas entranhas expostas pela Procuradoria-Geral da República, de penas mais brandas".
E quais seriam essas garantias? Vamos pensar juntos. Não é difícil percebê-las, partindo do princípio de que o PT fez o que fez confiando que aquela concepção de Lula sobre os "300 picaretas" que faziam e aconteciam no Congresso era o retrato do Brasil.
Primeira presunção de garantia: controlada pela maioria governista, comandada por um presidente do PT (Delcídio Amaral) e um relator do PMDB (Osmar Serraglio), a CPI dos Correios não daria em nada que pudesse produzir maiores e concretas consequências.
Segunda: a Polícia Federal sob as ordens do dublê de ministro da Justiça e advogado do Palácio do Planalto, Márcio Thomaz Bastos, cuidaria de limitar as investigações sem levá-las a inconvenientes profundezas.
Terceira: indicado e reconduzido ao cargo pelo presidente da República, o procurador-geral se apresentasse denúncia não o faria de maneira consistente.
Quarta: de composição majoritária teoricamente "governista" e de inescapável apego a formalidades, o Supremo Tribunal Federal não abriria processo.
Quinta: complexa e ampla demais, a denúncia não se sustentaria na fase judicial e poderia se estender à eternidade em decorrência de manobras da defesa.
Sexta: o julgamento não ocorreria tão cedo e, quando acontecesse, crimes estariam prescritos.
Sétima: permeável à influência dos comandantes da banda, a Corte de "maioria governista" teria comportamento de poder subordinado. Seja para absolver os acusados ou para lhes abrandar as punições, conforme a promessa feita a Marcos Valério sobre o pior que lhe poderia acontecer se calado ficasse.
Como a realidade mostrou e ainda não se cansou de demonstrar, o Brasil não é tão arcaico, desorganizado, institucionalmente desqualificado nem tão apinhado de vendidos como supunha o PT ao assumir a Presidência da República.
Há juízes em Brasília, como se repete agora a toda hora. Mas também há deputados, há senadores, há delegados, há agentes de polícia, há procuradores, há, sobretudo, uma sociedade a quem todos eles respondem em grau de responsabilidade muito maior que a lealdade supostamente devida ao modelo do "coronelato" que o PT pretendeu copiar.
Cópia cuja matriz é uma visão equivocada do País. Talvez o erro crasso do PT tenha sido acreditar que o Brasil era pior do que de fato é.
Lambuzou-se no melado ao imaginar que a posse do Estado lhe conferia poderes ilimitados para tratar a tudo e a todos como devedores de obediência total e reverência absoluta a uma hierarquia que só existia na cabeça autoritária do PT.
Caldo de galinha. Nota-se pela cautela da reação às declarações de Marcos Valério para Veja, que Lula e companhia não sabem exatamente o quê, mas percebem com nitidez o que vem mais pela frente.
Assim como não compartilham da ilusão da militância de internet de que o mineiro não tenha falado à revista já que as frases foram alegadamente ditas a terceiros, um expediente comum na preservação do sigilo da fonte de informações.
Diante do imponderável e da óbvia existência de lastro (gravações), acham melhor não provocar.
O esperneio de Valério revela que a história real é mais feia que a ora narrada pelo Supremo Tribunal Federal.

domingo, 23 de setembro de 2012

Enquanto a Bela Judite Decapitava Holofernes ...

por Janer Cristaldo
Trecheava ontem Mulheres na Bíblia, de John Baldock, uma espécie de dicionário da presença feminina no livro, quando caí no verbete Judite, uma das heroínas de Israel. Seu livro consta de várias bíblias cristãs – da católica inclusive – mas não está na Tanak, a bíblia judaica, apesar de ser um relato muito bem construído que mostra o pequeno Israel vencendo grandes inimigos. A história remete imediatamente à luta em que Davi matou Golias. Uma bela viúva dirige-se ao acampamento do exército inimigo, seduz o general Holofernes em um banquete e acaba cortando sua cabeça.
Por volta de meia-noite, costumo sair de casa para tomar um café incrementado em um Frans que fica a uns 200 metros de onde moro. Higienópolis é um bairro judeu, com seguranças em quase todos os prédios, o que o torna bastante tranqüilo. Saio sempre de sangue doce. Mesmo assim, nunca se sabe. Deixo em casa cartão e documentos, levando no bolso alguns trocados. Ontem, decidi reler o livro de Judite. Peguei uma de minhas bíblias católicas e fui ao Frans. Além do café incrementado, fui adotado por uma garçonete, que me faz cafunés e me chama de gatinho. O que torna duplamente agradável meu lanche na madrugada.
Davi matou Golias, disse. Davi? Pode ser. Mas em minhas leituras vadias do Livro, encontrei uma outra hipótese. Em II Samuel, 21:19, lemos: “Houve mais outra peleja contra os filisteus em Gobe; e Elcanan, filho de Jair, o belemita, matou Golias, o giteu, de cuja lança a haste era como órgão de tecelão”. Como intérprete é o que não falta para explicar os cochilos do hagiógrafo, há quem diga que este Golias era filho do outro Golias. Pode ser. Mas em Samuel não há nenhuma alusão ao fato. Volto à Judite. Não à mulher de Esaú, que encontramos no Gênesis. Mas a viúva que desmoralizou o exército inimigo de Israel.
O livro pouco se preocupa com história e geografia. Para início de conversa, faz de Nabuconor rei dos assírios, quando este o foi da Babilônia. Pretende ser um relato para encorajar Israel a resistir e lutar. Teria sido escrita na Palestina, provavelmente em meados do séc. II a.C., durante a resistência dos Macabeus ou logo após. Segundo uma versão comunista da Bíblia, que tenho em minha biblioteca - a dita Edição Pastoral, publicada pelas Edições Paulinas – “o importante é que o livro apresenta a situação difícil do povo, ameaçado por uma grande potência. Por trás de Nabucodonosor e seu império, podemos entrever a figura de qualquer dominador com seu sistema de opressão”. Pelo jargão, os tradutores devem estar pensando em Cuba e Estados Unidos. 
A história é conhecida pelos leitores da Bíblia e inundou a pintura, de Caravaggio a Goya e Klimt. Judite é uma viúva exemplar que vive em Betúlia, rica e virtuosa, piedosa e bela, estimada por todos. Saindo de sua reserva, ela reprova vivamente a falta de confiança em Deus de seus compatriotas, e principalmente seus chefes, mas anuncia que por sua mão o Senhor virá em ajuda de seu povo, antes do prazo de cinco dias.
Nabucodonosor encarrega o general Holofernes de exterminar todos os opositores à sua autoridade. Ao final de suas preces, Judite se enfeita como para uma festa e vai, esplendorosa, em companhia de sua serva, até o acampamento inimigo. Sua serva leva um cesto com frutas e bebidas, que tem importante função na trama. Judite promete a Holofernes o segredo de como derrotar Israel. Ganha a confiança do general. Pede a este o direito de não beber nem comer, entre seus hóspedes pagãos, senão as suas próprias provisões, conforme as exigências alimentares da lei judaica. E de se retirar do acampamento cada noite, até o amanhecer do dia, para orar “ao Deus que ela serve noite e dia”.
No quarto dia – lemos na Bíblia - Holofernes ofereceu um banquete somente para o seu pessoal de serviço, sem convidar nenhum oficial. Disse a Bagoas, seu mordomo: «Vá e veja se você consegue convencer essa mulher hebréia, que está a seu cuidado, para que venha comer e beber conosco. Seria uma vergonha não aproveitar a ocasião de ter relações com essa mulher. Se eu não a conquistar, vão caçoar de mim». Bagoas saiu da presença de Holofernes, foi até Judite, e lhe disse: «Que esta bela jovem não tenha medo de se apresentar ao meu senhor como hóspede de honra. Você beberá conosco, se alegrará e passará o dia como uma das mulheres assírias, que vivem no palácio de Nabucodonosor». Judite respondeu: «Quem sou eu para contrariar o meu senhor? Farei tudo o que lhe agradar, e isto será para mim uma lembrança agradável até o dia de minha morte».
Então Judite se levantou e se enfeitou com suas roupas e jóias. Sua serva foi na frente e estendeu no chão, diante de Holofernes, as peles que Bagoas lhe tinha dado, para que se reclinasse enquanto comia. Judite entrou e se acomodou. Ao vê-la, Holofernes ficou arrebatado, e a paixão o agitou com o desejo violento de se unir a ela. De fato, desde a primeira vez que a viu, ele espreitava uma ocasião para seduzi-la. E Holofernes disse a Judite: «Vamos, beba e se alegre conosco». Judite respondeu: «Claro que vou beber, meu senhor. Hoje é o dia mais feliz de toda a minha vida». E Judite comeu e bebeu diante de Holofernes, servindo-se do que a sua serva tinha preparado para ela. Holofernes, entusiasmado com ela, bebeu muitíssimo vinho, como nunca havia feito antes, em toda a vida.
O desfecho, todos sabemos. Judite se aproxima da coluna da cama, que ficava junto à cabeça de Holofernes, e pega sua espada. Chega perto da cama, agarra a cabeleira do general bêbado e pede: «Dá-me força agora, Senhor Deus de Israel». E com toda a força, deu dois golpes no pescoço de Holofernes e lhe cortou a cabeça. Rolou o corpo do leito e tirou o mosquiteiro das colunas. Depois saiu, entregou a cabeça de Holofernes para a serva, que a colocou na sacola de alimentos.
Estava eu em plena decapitação, quando um mulatinho magro e de rosto chupado, de uns 25 anos, encostou-se em minha mesa e me disse algo em voz baixa. Não entendi. Pensei que pedisse esmola, mas não tinha jeito de mendigo. Como eu não o entendia, mostrou-me argumento mais convincente: levantou a blusa e mostrou-me um 38 cano curto. Queria meu celular.
O rapaz não me conhecia. Pedir-me celular à meia-noite é como pedir honestidade a um petista à luz do dia. Não tenho. (Me refiro ao celular, é claro). Em verdade, tenho um, mas só o uso aos sábados e domingos. Não tenho, cara! – respondi. Tinha 50 reais no bolso. Mas ele nada mais pediu e nada mais eu dei. Ao que tudo indica, gozo de fé pública junto aos assaltantes. Ele deixou-me de lado e, com a nonchalance de um garçom servindo clientes, foi fazer sua coleta nas demais mesas da terrasse. Um outro parceiro agia dentro do bar.
Tranqüilos, saíram a pé pela rua, com a boa consciência dos justos. Houve um momento de estupor no café, depois todos retomaram a conversação, um pouco divertidos com o acontecido.
O que me lembrou Os Monstros, filme italiano dos anos 60, em vinte episódios. Em um deles, durante um assalto a um banco, os clientes são obrigados a deitar no chão. Vitorio Gassman aproveita o momento para explicar ao cliente deitado a seu lado os afrescos que vê no teto.
Que fazer? Indefeso, eu não tinha como reagir. Continuei minha leitura. Judite e sua serva saíram juntas para rezar. Atravessaram o acampamento, rodearam o vale, subiram a encosta de Betúlia e chegaram à porta da cidade. 
E eu fui para casa.
Fonte:  Janer Cristaldo

O STF e o Exército Ante a Conjuntura

por Márcio Matos Viana Pereira
Os brasileiros que preservam o caráter e o patriotismo como valores referenciais de vida, pautando os seus atos, procedimentos e ações em rígidos princípios de honestidade, ética, honra e dignidade, com certeza se sentiram recompensados com a firme atuação dos membros do STF, no julgamento da rumorosa Ação Penal 470, conhecida como mensalão, envolvendo prestigiadas figuras do PT e conhecidas do apedeuta Lula.
Ainda que veementes indícios hajam incriminado o então Presidente Lula, apontando-o como o verdadeiro chefe da quadrilha responsável pelas ladroeiras praticadas, por motivos que ignoro, foi poupado das denúncias formuladas pela Procuradoria Geral da União.
Repercutiu nacionalmente a atuação do STF, pela maneira incisiva, corajosa e justa como têm se conduzido os Ministros, dignificando a Justiça, pois com desempenhos brilhantes, alheios às influências externas, com o raciocínio, o saber jurídico e a consciência voltados exclusivamente para os Autos, com votos fundamentados na Lei têm correspondido à expectativa cívica dos brasileiros, condenando corruptos e surpreendendo-os, pois confiavam inteiramente no tráfico de influência, gerador da vergonhosa impunidade reinante no país.
Tendo oito dos onze Ministros nomeados pelos Presidentes Lula e Dilma, a Suprema Corte, ciente da responsabilidade para com o Brasil e da necessidade de enfrentar a insensata e corrupta conjuntura, tem atuado com grandeza moral. Sem qualquer conotação de subserviência ou de perseguição, com votos lapidares fez ressurgir a crença de que é sempre possível o bem se sobrepor ao mal e a Lei punir o crime.
Assim o STF, como guardião atento da Constituição, da Lei, do direito, da razão e da verdade, resplandece no cenário nacional com um brilho fulgurante, pelo exemplo de fidelidade, sem concessões, à Lei e à Justiça, num momento crucial para a Pátria, hoje vitimada por uma conjuntura adversa, onde a lama da corrupção já macula até Instituições pilares da nacionalidade. Estou convicto de que o exemplo dado pelo STF revigorará o caráter nacional!
Ontem, 17/09/12, o Jornal Nacional mostrou a reunião e noticiou a decisão tomada pela intitulada Comissão Nacional da Verdade que, insensível ao exemplo dado pelo STF, demonstrou na mídia, para a Nação inteira, constituírem os seus membros uma Comissão espúria, escolhida por maquiavélicos petistas, entre pessoas sabujas e ávidas por prestarem serviços à Presidente da República. Essa senhora, de passado abominável, mesmo pretendendo ser considerada estadista, subordinou essa sua vaidade ao seu desejo de vingança contra os militares que, em defesa da democracia, impediram pelas armas que o país sucumbisse à agressão do Movimento Comunista Internacional (MCI). Com a irresponsabilidade própria dos facciosos, declararam aos brasileiros, sem a menor cerimônia, que apenas apurariam a violência praticada pelos agentes do Estado, contra aqueles que lutavam pela liberdade e pela democracia. Ante o cretinismo da decisão confessada, pergunto: que esperar de uma apuração, elaborada por vermes despidos dos sentimentos de imparcialidade e de valores como ética, independência e moralidade? Que triste exemplo de falta de integridade deram aos brasileiros os anões morais da Comissão que se rotula da Verdade, no exato momento em que, pelo desempenho funcional, os Ministros do STF se agigantaram moralmente!
A OAB foi uma das entidades que mais se empenhou na campanha pela aprovação da Anistia, tema que sensibilizou o Brasil e, após ser amplamente debatido, foi transformado na Lei de Anistia pelo Congresso Nacional e sancionada pelo Governo Militar em 79. Foi essa Lei que possibilitou a transição democrática sem traumas e viver o país mais de trinta anos de liberdade, desfrutando os brasileiros dos amplos direitos democráticos que os militares lhes asseguraram com armas nas mãos, contra a vontade de terroristas, hoje, no Governo, os quais jamais lutaram por liberdade e democracia, mas, para transformar o Brasil em mais um satélite do comunismo internacional.
Decorridos tantos anos de exercício de ampla democracia, resolveu o presidente nacional da OAB tentar processar e punir os militares e, com tal objetivo, pretendeu, sem sucesso, anular a Lei de Anistia no STF, olvidando que, pela luta de um dos seus antecessores, foi aprovada e promulgada a citada Lei. Ante o despropósito de sua atitude é válido acreditar, que esse cidadão haja sido motivado por três circunstâncias: desejo incontido de aparecer; raiva, complexo, ou frustração contra militares; caso patológico de esclerose precoce.
O General de Exército Reformado e também Ministro aposentado do Superior Tribunal Militar, Valdesio Guilherme de Figueiredo, teve um Artigo de sua lavra difundido na Internet. Somos amigos fraternais desde 1953, quando, aprovados em exame de âmbito nacional, ingressamos na Escola Preparatória de Cadetes de Fortaleza. Juntos, concluímos o curso da AMAN em 1958, a partir de quando, o tempo, a distância, as atividades e a vida fizeram cada um de nós viver o seu destino. Trata-se de um oficial brilhante, que atingiu o ápice da carreira escudado no somatório dos seus atributos morais e intelectuais. É um General competentíssimo que conhece com amplitude a problemática do Exército, é apolítico e, ainda que não mais na ativa, é conhecido, conceituado e respeitado pela sua biografia íntegra, que confirma um passado de dedicação integral ao Exército e à Pátria.
Li e analisei com muito interesse o seu corajoso, verdadeiro e oportuníssimo Artigo, apreciando e concordando como teor do mesmo. Entretanto, por lealdade para com o estimado amigo articulista e também para com os demais oficiais, companheiros de profissão e de ideal, que leram o excelente Artigo, pedindo antecipadas desculpas ao General amigo, faço uma ressalva, para mim expressiva, em relação a uma assertiva constante num trecho do penúltimo parágrafo do aludido Artigo, que transcrevo em parte: “Insisto que devemos nos unir…e fazer sentir que atacado o Comandante, atacados estaremos todos.” Correto! Assim deveria ser!
Peço, entretanto, vênia ao ilustre articulista e a todos os companheiros, para acrescentar condicionantes nesse parágrafo. O apoio deve ser irrestrito: quando o Comandante portar-se como líder, na acepção mais legítima do vocábulo; quando comandar com firmeza, jamais dando aos subordinados exemplo de fraqueza e indecisão; quando, sem ferir a disciplina hierárquica, de maneira altiva defenda qualquer subordinado deliberadamente perseguido e vítima de revanchismo injustificável; quando não deixar, sem resposta efetiva, que ações provocativas respinguem nódoas sobre a farda, arranhando o conceito da Instituição; quando mantiver intocável a mística da disciplina, da honra e da ética militar; quando não se escudar na disciplina, para justificar a aceitação de interferência externa que afete e humilhe a Instituição comandada; quando, sem ferir a hierarquia, saiba ser sempre disciplinado, mas, jamais subserviente.
Finda a Revolução de 64, nos anos oitenta, o Gen Newton Cruz enfrentou ações injustas e covardes de perseguição e revanchismo praticadas pelos mesmos cretinos que agora infernizam as vidas dos Coronéis Ustra, Lício, e Curió. Usaram um sujeito de nome Polila, débil mental, para acusar o Gen Newton de ter assassinado um jornalista, mentira posteriormente desmascarada. O Exército, como vem procedendo hoje, em relação à facciosa Comissão Nacional da Verdade, à época, preferiu se omitir, razão de haver o Gen Newton sofrido humilhações que feriram a honra militar.
Desde aqueles dias de triste memória, estimulados pelo imobilismo das Instituições Militares, avultaram-se as provocações e o revanchismo estendeu-se às três Forças Armadas, em forma de supressão ou redução drástica de verbas que lhes afetaram a operacionalidade e pelo congelamento de salários, tornando-os incompatíveis com a grandeza da missão militar, com a enorme responsabilidade funcional e com a dignidade da classe, gerando sucessivas demissões de oficiais e praças.
Houvesse o Exército defendido o Gen Newton Cruz nos idos dos anos 80, repelindo com autoridade e energia as afrontas sem provas assacadas contra ele, e, certamente, hoje, os Coronéis Ustra, Lício e Curió não estariam sendo vítimas das mesmas perseguições revanchistas.
Lembro-me que no ápice da luta armada, travada contra terroristas orientados, treinados e financiados pelo MCI, declarou o então Ministro do Exército, Gen Walter Pires de Carvalho, certamente com os objetivos de comprometer a Instituição com a luta; apoiar e assumir de público a responsabilidade pelas ações desencadeadas; e buscar dar confiança, elevar o moral e tornar eterno o vínculo da Instituição com os seus combatentes. Declarou o então Ministro Walter: “Estaremos sempre solidários com aqueles que, na hora da agressão e da adversidade, cumpriram o duro dever de se oporem a agitadores e terroristas, de arma na mão, para que a Nação não fosse levada à anarquia.
Que solidariedade prometida pelo Exército, através do seu então Ministro, foi prestada àqueles que, expondo suas vidas, derrotaram os terroristas, livrando a pátria do comunismo? O Exército, afetado por restrições logísticas na sua operacionalidade, e olvidando a sua história, grandeza e tradição, assiste mudo, indiferente e impassível, Coronéis que honraram no combate o seu histórico, pelo denodo, coragem, destemor e patriotismo, receberem como reconhecimento à bravura demonstrada o silêncio, a indiferença e a desatenção.
Urge reciclar atitude, demonstrando à Nação que não existe Exército de ontem e de hoje e sim uma só Instituição que tem orgulho de sua história e do seu passado, que honra o seu presente, que cultua as suas tradições, que não se esquece dos seus deveres, nem das promessas assumidas, e que jamais abandona quem bem cumpriu as missões militares. Aí, sim! Estarei inteiramente solidário com a conclamação constante do penúltimo parágrafo do Artigo do meu estimado amigo, o ilustre Gen Figueiredo.
Márcio Matos Viana Pereira é Cel Refo do EB

sábado, 22 de setembro de 2012

Gritos Presidenciais Não Ocultam Fracassos

por Marco Antonio Villa
O sonho acabou. Sonho ingênuo, registre-se. Durante quase dois anos, a oposição - quase toda ela - tentou transformar Dilma Rousseff em uma estadista, como se vivêssemos em uma república. Ela seria mais "institucional" que Lula. Desejava ter autonomia e se afastar do PT. E até poderia, no limite, romper politicamente com seu criador.
Mas os fatos, sempre os fatos, atrapalharam a fantasia construída pela oposição - e não por Dilma, a bem da verdade.
Nunca na história republicana um sucessor conversou tanto com seu antecessor. E foram muito mais que conversas. A presidente não se encontrou com Lula para simplesmente ouvir sugestões. Não, foi receber ordens, que a boa educação chamou de conselhos.
Para dar um ar "republicano", a maioria das reuniões não ocorreu em Brasília. Foi em São Paulo ou em São Bernardo do Campo que a presidente recebeu as determinações do seu criador. Os últimos acontecimentos, estreitamente vinculados à campanha municipal, reforçaram essa anomalia criada pelo PT, a dupla presidência.
Dilma transformou seu governo em instrumento político-eleitoral. Cada ato está relacionado diretamente à pequena política. Nos últimos meses, a eleição municipal acabou pautado suas ações.
Demitiu ministro para ajeitar a eleição em São Paulo. Em rede nacional de rádio e televisão, aproveitou o Dia da Independência para fazer propaganda eleitoral e atacar a oposição. Um telespectador desavisado poderia achar que estava assistindo um programa eleitoral da campanha de 2010. Mas não, quem estava na TV era a presidente do Brasil.
É o velho problema: o PT não consegue separar Estado, governo e partido. Tudo, absolutamente tudo, tem de seguir a lógica partidária. As instituições não passam de mera correia de transmissão do partido.
Dilma chegou a responder em nota oficial a um simples artigo de jornal que a elogiava, tecendo amenas considerações críticas ao seu antecessor. Como uma criatura disciplinada, retrucou, defendendo e exaltando seu criador.
O governo é ruim. O crescimento é pífio, a qualidade da gestão dos ministros é sofrível. Os programas "estruturantes" estão atrasados. O modelo econômico se esgotou.
E dita pacotes e mais pacotes a cada quinzena, sinal que não tem um consistente programa. E o que faz a presidente? Cercada de auxiliares subservientes e incapazes, de Lobões, Idelis e Cardozos, grita. Como se os gritos ocultassem os fracassos.
O Brasil que ainda cresce é aquele sem relação direta com as ações governamentais. É graças a essa eficiência empresarial que não estamos em uma situação ainda pior. Mas também isso tem limite.
O crescimento brasileiro do último trimestre, comparativamente com os dos outros países dos Brics (Rússia, Índia e China) ou do Mist (México, Indonésia, Coreia do Sul e Turquia), é decepcionante. E o governo não sabe o que fazer.
Acredita que elevar ou baixar a taxa de juros ou suspender momentaneamente alguns impostos tem algum significado duradouro. Sem originalidade, muito menos ousadia, não consegue pensar no novo. Somente manteve, com um ou outro aperfeiçoamento, o que foi organizado no final do século passado.
E a oposição? Sussurra algumas críticas, quase pedindo desculpas.
Ela tem no escândalo do mensalão um excelente instrumento eleitoral para desgastar o governo, mas pouco faz. Não quer fazer política. Optou por esperar que algo sobrenatural aconteça, que o governo se desmanche sem ser combatido. Ao renunciar à política, abdica do Brasil.
Marco Antonio Villa, é historiador e professor do
 Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)