sábado, 4 de agosto de 2012

Cresce "deserção" nas Forças Especiais Colombianas


Por insegurança jurídica e ofertas de trabalho, Unidade de Elite do Exército Colombiano perde quase um homem por dia.
"Tenho uns fuzis que necessito vender para poder pagar um advogado. São da operação contra 'Alfonso Cano'. Eram dos guerrilheiros".
Estas palavras deixaram perplexo a um comerciante que foi abordado pelo Capitão das Forças Especiais Juan Miguel Cabrera. Dias mais tarde, o condecorado oficial morreu em um estranho acidente de trânsito perto de Villavicencio. Em seu carro encontraram granadas e três fuzis.
Cabrera fez parte do seleto grupo de militares que participaram na Operação 'Odiseo', contra o número um das FARC, em novembro de 2011. Até o último mês de junho, seu currículo estava cheio de condecorações, apesar de enfrentar varios processos judiciais. Seu advogado lhe pedía 50 milhões de pesos (cerca de 50 mil Reais) e ele, asseguram varios de seus conhecidos, não tinha esse dinheiro. 
"Por cada operação que fazemos há um processo judicial. Desde que estourou o 'boom' dos 'falsos positivos', todo morto em combate é um ato ilegal. Para nós se acabou a presunção de inocência e sempre vamos ser culpados", assinala um dos 25 'Comandos' com que El Tiempo falou em diferentes zonas do país.
Ainda que, para as autoridades a hipótese mais provável seja a de que o Capitão Cabrera morreu traficando armas, oficiais, suboficiais e soldados da Unidade de Elite do Exército afirmam que ele não era um delinquente e que o que fez foi uma ação desesperada.
Quase 200 a menos neste ano
Somente neste ano, 190 homens dos Grupos Especiais pediram baixa. Entre eles havia caçadores, metralhadores, "mestres de corda" e "primeiros homens" (os que se lançam do helicóptero quando se inicia uma operação). Todos são chaves para operações como a de 'Alfonso Cano' ou as de resgate de sequestrados.
Estes homens recebem um treinamento seleto ministrado por instrutores nacionais e internacionais, e a preparação de cada um pode custar até 30 milhões.
"É claro que não se está velando pela moral da tropa. ¿Como se explica que os homens que tem dado os grandes triunfos ao Exército, que são a elite, tenham que pagar até 9 milhões de pesos mensais em advogados?", questiona um militar.
Para o Ministério de Defesa, essa insegurança jurídica é uma dor de cabeça, por isso continua trabalhando para obter a reforma da Justiça Penal Militar e assim ter regras jurídicas claras para operar.
Porém não só a parte jurídica está provocando essa 'deserção'. Atrativos contratos no Afeganistão e Emirados Árabes Unidos também estão influenciando. As empresas que buscam contratistas para prestar segurança terceirizada nesses países estão pondo seus olhos nos homens das Forças Especiais da Colombia. "Eu ganhava 1,6 milhões de pesos (cerca de R$1.600,00) no Exército, e em um mes saio para os Emirados com 2.500 dólares mensais livres", conta um Soldado.
O caso contra Cabrera
O Capitão Juan Miguel Cabrera tinha uma investigação por uma operação contra 'Pastor Alape', em Puerto Berrío (Antioquia), em outubro de 2011. A possível irregularidade na retirada de um cadáver (do local do combate?) colocou ele no olho do furacão. O advogado que conseguiu lhe cobrava 50 milhões de pesos (cerca de 50 mil reais). Logo após sua morte, 60 lanceiros, 13 suboficiais e 3 oficiais tiveram que passar pelo polígrafo (detetor de mentiras) para descartar uma infiltração.
Defesa técnica
DEMIL não dá conta para tanto caso
Mensalmente é feito um desconto nos soldos dos militares para ter defesa jurídica em caso de alguma investigação. Essa defesa é feita pela DEMIL, que segundo os uniformados consultados, não dá conta para todos os processos. Somente por 'falsos positivos' há 10.000 investigações. Os militares dizem que as Forças Especiais, por participar em operações de alto risco e impacto, têm que estar blindadas juridicamente, o que os obriga a recorrer a advogados externos que cobram entre 40 e 50 milhões de pesos. DEMIL é uma associação de advogados que assessora juridicamente os militares porém é independente do Exército. Há um ano foi questionada por funcionar dentro de uma unidade militar.
'Temos uniformados suficientes'
Segundo o Ministério da Defesa, o pessoal das Forças Especiais muda de forma constante, mas isso não quer dizer que haja risco de ficar sem uniformados para as operações. O ministro, Juan Carlos Pinzón, recordou que o governo está fazendo um investimento de um bilhão de pesos em habitações estatais e próprias, educação e saúde, e que um vice ministério se encarrega deste tema. "Somos conscientes de que temos que melhorar a qualidade de vida dos uniformados", destacou.
Fonte:  tradução livre de  El Tiempo
COMENTO: definitivamente, a situação dos militares em toda a América Latrina subjugada pelo Foro de São Paulo está se deteriorando. O atual presidente colombiano, parece mais um agente da corja que se infiltrou no governo de Álvaro Uribe e conseguir alcançar o poder. Desde sua posse está destruindo tudo que Uribe construiu na luta contra os narcobandoleiros das FARC, ELN e similares. Por outro lado órgãos como a Fiscalia (similar às nossas Procuradorias) conduzidas por funcionários mais interessados nos direitos dos bandidos do que no sucesso da luta contra os criminosos - o esforço dos patifes é internacional, não respeitando fronteiras nem idiomas - contam com a pusilanimidade de comandantes mais apegados a  suas sinecuras do que à honra de defender seus subordinados (o que não é exclusividade colombiana), o que resulta no temor dos militares colombianos em envolverem-se em combate e terminarem processados, e condenados, como simples homicidas. Como apregoava o "porco Guevara" "faremos  dois, três, mil Vietnãs na América Latina" (talvez a frase não seja nesses termos, mas a ideia é essa). Estão conseguindo!

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