quinta-feira, 7 de junho de 2012

200.000 Agonizam em Campos de Concentração da Coréia do Norte

Jornalistas estrangeiros "confiáveis" foram bem tratados
A Coréia do Norte comemorou com grandes manifestações de massas o centésimo aniversário de Kim Il-sung, avô do atual ditador Kim Jong-un, noticiou o diário“Le Monde”.
Kim Il-sung foi o fundador da mais pertinaz dinastia comunista, talvez a mais cruel, embora haja nisto discrepâncias. 
Duzentos jornalistas estrangeiros foram convidados a admirar as realizações do socialismo norte-coreano, inclusive seu centro espacial.
Mas o fizeram sob estrita vigilância dos agentes da ditadura.
Assim, de um trem luxuoso (para os critérios miserabilistas) eles puderam contemplar os sucessos dos assentamentos da reforma agrária – encenação montada cuidadosamente e para ser vista apenas sem descer do comboio.
O estratagema é velho. Já foi implementado pelo ministro Potemkin para impressionar a czarina da Rússia, Catarina a Grande: meras fachadas fingindo prósperas mas inexistentes aldeias na Criméia. 
Assentamento de reforma agrária: 
regime "montou" as melhores cenas que conseguiu
E os jornalistas ocidentais, sempre tão zelosos dos direitos humanos, fingiram não perceber o truque.
Enquanto esses repórteres engoliam alegremente o peixe podre, em Washington era apresentado um espantoso relatório sobre o gulag norte-coreano. 
O emissário especial dos EUA para os direitos humanos na Coréia do Norte, Robert King, advertiu os jornalistas: “Os coreanos do Norte vão lhes permitir observar o disparo de um de seus mísseis. Mas eles não vão lhes permitir ver o que acontece nos campos de concentração”. 
O relatório, publicado pela primeira vez em 2009 com base em 60 testemunhos, e divulgado pela ONG Comitê pelos Direitos Humanos na Coréia do Norte (ver relatório em PDF clicando AQUI). Committee for Human Rights in North Korea (PDF).
Todo o país é estritamente controlado pelo exército socialista
Segundo ele, 200.000 homens, mulheres e crianças vivem em seis campos situados no norte do país, em condições comparáveis às da escravidão, frequentemente prisioneiros sem julgamento ou em consequência de processos iníquos. Alguns deles foram condenados só pelo “crime” de ter escutado uma rádio da Coréia do Sul ou por ter tentado ir para a China.
A Coreia do Norte aplica o sistema de “culpabilidade por associação”, o qual permite aprisionar qualquer pessoa que seja parente de um opositor até a terceira geração. 
Segundo Amnesty International, fotos de satélite mostram que o gulag norte-coreano (kwanliso, literalmente “local de controle” em coreano), instalado nos anos 50 copiando o sistema soviético, vem crescendo desde 2001.
Esses campos têm o tamanho de cidades, com escolas, fábricas e assentamentos.
Em dois desses campos de trabalhos forçados há “zonas de reeducação” de onde é possível sair após ter dado provas de fidelidade ao socialismo. 
Coréia do Norte assemelha-se a um imenso campo de concentração 
O resto faz parte dos “distritos de controle total”, onde os prisioneiros tidos como irrecuperáveis ficam até morrer. Só três pessoas conseguiram fugir desses distritos, segundo as associações de defesa dos direitos do homem.
Um ex-prisioneiro do campo de Yodok e fundador da associação Kim Tae-jin testemunhou: 
No campo número 15, eu tive tempo de observar as pessoas que estavam em volta de mim. O campo está dividido em diversas zonas. Uma delas é de controle total. Os que ficam encerrados ali estão condenados até morrer. Eu encontrei antigos fiéis do ditador. Eles foram enviados a esse campo porque cometeram pequenos erros”.
Com o título Fugi do Campo 14 a Editora Belfond publicou o testemunho do fugitivo norte-coreano Shin Dong-hyuk, nascido no próprio campo de concentração.

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