domingo, 22 de abril de 2012

Três Opiniões a Serem Pensadas

Textos recebidos por correio eletrônico. Por favor, leia com atenção cada um, reflita sobre a argumentação e tire suas próprias conclusões.
1. CONVENIÊNCIA, SUBMISSÃO, INTERESSES OU FALTA DE CORAGEM?
A Ordem do Dia referente ao aniversário do Exército Brasileiro neste ano de 2012, para quem a ele se dedicou ao longo de toda uma vida, enfrentando situações difíceis em momentos cruciais para a soberania nacional, foi como uma ducha de água fria naquele entusiasmo propulsor de todas as ações para que o país não viesse a se transformar numa grande Cuba na América do Sul, como desejava o movimento comunista internacional.
Diz o documento em um dos seus parágrafos:
A formação da nacionalidade brasileira tem a impressão digital da nossa Força. Chame o passado, em todos os seus momentos de crises e mudanças e o Exército responderá “presente!”. Presentes estivemos na manutenção da unidade nacional, evitando-se a fragmentação; na demarcação definitiva de nossas fronteiras; na independência da Colônia; no fim da escravidão; na proclamação da República; e na preservação da integridade do território brasileiro. Presentes estamos hoje, em mais de oitenta operações/dia, contribuindo com o desenvolvimento nacional, com a harmonia social e com o esforço pela paz mundial”.
Utilizando a técnica stalinista de retirar da História personagens e acontecimentos que não são de interesse da nomenklatura de plantão, a participação da FEB na 2ª Guerra Mundial, combatendo o nazi-fascismo, que é irmão gêmeo do comunismo nos métodos e processos de dominação, o combate à Insurreição Comunista de 1935 e a participação na contra-revolução civil e militar de 1964, onde a Força Terrestre foi a definidora da situação, impedindo, como implorava a sociedade civil, a implantação do regime comunista no país, tais episódios, de indiscutível importância para a nacionalidade, foram, simplesmente, omitidos, como se nunca tivessem existido ou como se nunca o Exército deles tivesse tomado parte.
O fato de estar a Força hoje engajada em mais de 80 operações/dia, atendendo, sem pestanejar, aos interesses de políticos (como no Morro da Providência), de governadores incompetentes para resolver suas situações de segurança interna, e, mais recentemente, até na substituição de garis em lixões, não deve constituir, propriamente, motivo de orgulho para quem tem missões tão nobres a cumprir.
Na verdade, tendo participado da rotina trepidante de um Exército que, realmente, influiu muito positivamente na vida nacional e constatar que seus feitos estão sendo, simplesmente, relegados ao esquecimento, ignorados como fatos históricos sob a pressão dos derrotados de ontem, é uma decepção difícil de ser assimilada.
Talvez a ausência, em oportunidades futuras, me poupe o desconforto de ouvir ordens do dia em que o que devia ser dito é omitido.
Quanto ao título, pode valer uma reflexão.
Abs. 
Tavares
2. Meu querido Primeiro Chefe:
Estou muito preocupado com o rumo que as coisas estão tomando no Exército. Tenho o mais profundo respeito pelas opiniões de todos. Absolutamente todos!!! Mas preciso expressar a minha, acompanhada de um humilde "salvo melhor juízo".
Alguns companheiros, imbuídos das melhores intenções e com a alma militar sangrando (como a minha), vem sendo implacáveis nas condenações às atitudes de nossos Chefes, em particular o General Enzo, encontrando em tudo o que ele faz, ou deixa de fazer, um motivo para criticar acerbamente seu comportamento.
Esse é um erro que não se justifica em combatentes que somos. O inimigo é outro. Não é o Comandante da Força. Por razões absolutamente fora de nosso alcance, a Nação aproou para a esquerda. O povo, em sua maior parte ignorante, imediatista e à venda por baixo preço, escolheu esse regime que aí está, que não é aquele que desejaríamos. Não há como negar isso e nem como mudar esse quadro antes de outra eleição, a menos que haja um golpe de estado e uma ruptura constitucional, o que também não desejamos, como já exprimiu o ilustre General Valdésio.
Assim, para usar uma figura que qualquer guerreiro entenderia, as pessoas em cargos de decisão que pensem como nós, incluindo aí nosso Comandante, são como combatentes operando em território inimigo. De nada adianta para eles se arvorarem em machões e abrirem fogo abertamente contra qualquer alvo que seja. Seriam abatidos na hora. Se o Comandante bater de frente com o establishment será destituído imediatamente, "sans autre forme de procès". Isso é evidente. E entraria um outro, que viveria os mesmos dilemas, e la nave va.
Exaltar a eficiência do Exército na luta contra o comunismo, como anfitrião, em um discurso na presença do Comandante Supremo, que é comunista, me parece uma falta imperdoável de tato, uma agressão descabida e um suicídio inútil, smj.
O guerreiro perdido em território inimigo precisa agir com toda precaução. Obter pequenos progressos paulatinamente. Conquistar pouco a pouco habitantes locais que lhe deem abrigo e comida. E ir se aproximando de seu objetivo, sempre homeopaticamente e com extremo cuidado. Qualquer descuido é fatal. Essa é uma situação extremamente perigosa, desgastante e estressante.
Não gostaria jamais de estar na situação do General Enzo. Tenho a mais absoluta certeza de que ele luta pelo Exército dentro das limitações impostas pela situação tática e estratégica. Se submete a constrangimentos que não precisaria mais sofrer e suporta pressões angustiantes das quais estaria livre na tranquilidade da Reserva e, supremo sacrifício, recebe ordens de Celso Amorim e tem que tolerar a presença de José Genuíno, tudo para cumprir a missão sagrada de servir à Força e evitar, na medida de suas possibilidades, que mal maior possa vir a acontecer.
Cada um pode bem imaginar a seu modo, mas ninguém sabe exatamente o que se passa nos corredores palacianos, e condenar o Chefe sem esse conhecimento é, no mínimo, uma flagrante injustiça, à qual jamais me associarei.
O momento é de cerrar fileiras em torno de nossos Chefes e de nos unirmos na reserva, fazendo nossa parte. Que essa parte não se limite a trocar entre nós e-mails candentes e enfurecidos, mas sim que procuremos encontrar maneiras de levar nossa voz além de nossas fronteiras. Aproveitar oportunidades para discutir nossas posições com formadores de opinião externos ao nosso meio, como fizeram os Generais Heleno, Rocha Paiva e Felício. Chamá-los para a discussão em campo aberto. Conquistar corações e mentes no meio civil, em particular entre a juventude, obtendo assim uma base de apoio cada vez mais sólida para nossas manobras.
Nunca me esquecerei do CICAO, no frontispício do prédio principal de nosso ninho. O fato de que não vamos mais comandar, não nos desonera do dever de obedecer. Os tempos de guerra em que o inimigo está vencendo são duros, e impõem sofrimentos e desalento. Mas temos que buscar dentro de nós a endurance moral para suportar a pressão sem dissenções, unidos na defesa de nossos ideais, cada um confiando em que o outro está dando o melhor de si no combate que representa o derradeiro esforço na defesa da liberdade em nosso país. Todas as demais instituições já estão "dominadas" pelo inimigo. Não podemos nos dar ao luxo de perder eficácia praticando o tiro amigo.
Divulgue minhas ideias da maneira que achar conveniente e se achar conveniente. Para seus destinatários, permita que acrescente mais um parágrafo:
Meus caríssimos irmãos de armas. Que não turbe vossas consciências o fato de que essas palavras venham de alguém tão pouco qualificado para escrevê-las. Elas não constituem reproche nem crítica, mas apenas considerações sinceras oriundas de um jovem mas cauteloso guerreiro com 71 anos de idade. Respeitosamente apresento armas para todos que se engajam nessa luta, qualquer que tenha sido até agora sua maneira de fazê-lo. Convoco os até então indiferentes para a luta. E vamos reagrupar o dispositivo, sob as vistas e fogos do inimigo, mas unidos e coesos em torno do Chefe, que há de nos mostrar o caminho do dever. Que a Reserva seja para ele a reserva com que contam os Generais no campo de batalha, pronta a intervir, no momento certo, no lugar ideal e com o entusiasmo e poder de fogo necessários e suficientes para conduzir à vitória. Essa é minha opinião, salvo melhor juízo.....
Um forte abraço fraterno.
Gobbo

3. Prezados amigos,

recebi inúmeras mensagens enaltecendo o 19 de abril – Dia do Exército. Que bom.
Espero que seja assim também no 25 de agosto – Dia do Soldado.
Desse Dia do Exército de 2012, uma coisa chamou-me especial atenção.
Um trecho da Ordem do Dia. Aquele em que nos é solicitada – outra vez, de novo, novamente, como de praxe, de costume etc. – que confiemos.
Digo que particularmente esse trecho chamou-me à atenção por que não foi exatamente isso o que os nossos companheiros que combateram os subversivos e terroristas fizeram? Eles confiaram na “cadeia de comando”. Depois, quando se deram os primeiros sinais que havia uma campanha revanchista contra eles, o “comando da cadeia” lhes abandonou.
Destaco também o voto de confiança que me é solicitado em “termos bíblicos”: confiem que existe o tempo certo para semear, cultivar e colher! Ressaltando que sou ruim para entender enigmas, pergunto: semear o quê? Cultivar o quê? Colher o quê?
Basta que se leia por completo a Ordem do Dia citada para que se perceba nela a influência do “mindef”. 
Então, confiar eu até que quero, mas...
Entendo que algum amigo queira contestar o que escrevo (...ou xingar-me, sei lá). Aceito o contraditório. Mas, por favor, poupem-me daquelas tentativas de apaziguamento condescendente tipo “turma do deixa-disso”.
Jorge Alberto Forrer Garcia
Coronel Reformado
Soldados do Exército Brasileiro – de todos os postos e graduações, de ontem e de hoje, com ou sem farda! Confiem na Política de Defesa Nacional e na Estratégia Nacional de Defesa do nosso Brasil; confiem na cadeia de comando – em todos os níveis, sob a autoridade suprema da Presidenta da Repúblicaconfiem que as manifestações de entendimento das nossas urgências serão traduzidas em atos concretosconfiem na valorização da carreira que escolheram por vocação; confiem nos estímulos que recebem pelo seu profissionalismo; confiem que existe o tempo certo para semear, cultivar e colher!
(Trecho da Ordem do Dia de 19 de abril de 2012.)

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