segunda-feira, 16 de abril de 2012

Como estamos sendo vistos - II

Brasil & EUA Accentuate the Positive
By SIMON ROMERO and JACKIE CALMES
Published: April 9, 2012

A primeira visita de Dilma Rousseff a Washington como Presidente do Brasil foi certamente cordial o suficiente.
Ela almoçou na Casa Branca na segunda-feira com o Presidente Obama. Os Estados Unidos anunciaram a abertura de dois novos consulados no Brasil em um esforço para atrair mais turistas brasileiros. E os dois países assinaram um acordo para apoiar o comércio da cachaça, bebida de cana do Brasil e Tennessee whiskey, bebida norte americana.
Mas a simpatia não disfarçou a sensação de que os Estados Unidos, cuja influência dominante na América Latina está em refluxo, e o Brasil, potência em ascensão do Hemisfério, ainda não se olham nos olhos em uma série de questões importantes, da diplomacia quanto ao Oriente Médio ao comércio com Cuba, passando pelas ambições brasileiras de obter um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
"Brasil vê-se como tendo chegado ou perto de chegar," disse Peter Hakim, presidente da organização Dialogo Inter-Americano, uma organização de investigação política de Washington. "Os Estados Unidos vêem o Brasil como grande, o país mais importante na América Latina, mas ainda não como uma potência global."
Essa lacuna foi revelada em notas em meio de notícias sobre a visita, no qual comentaristas lamentaram o fato de que a Sra. Rousseff não foi recebido com a pompa de um jantar de estado da Casa Branca, reconhecimento concedido pela administração de Obama para os líderes da Coreia do Sul, Índia e Grã-Bretanha.
"A realidade bilateral está longe de ser uma desgraça, apesar dos contenciosos, mas falta muito respeito mútuo", escreveu Caio Blinder, colunista da revista Veja, em um ensaio descrevendo o "downgrade" (não ser tratada com gala e jantar faustoso na Casa Branca) da visita da Sra. Rousseff.
Ainda assim, ambos os governos enfatizaram os aspectos positivos da visita da Sra. Rousseff, que veio um ano depois que o Sr. Obama visitou o Brasil. O nível de trocas diplomáticas, compartilhamento de informações militares de defesa, e comércio global é muito mais intenso do que com outras partes da América Latina, como Venezuela e Equador, onde as relações permanecem num ponto baixo.
Os Estados Unidos não tem um acordo de comércio com o Brasil, apesar de atingir tais negociações com 11 outros países na América Latina, mas o comércio com o Brasil, que recentemente ultrapassou a Grã-Bretanha como a sexta maior economia mundial, no entanto, está prosperando.
No início deste ano, os Estados Unidos ultrapassaram a China como maior mercado de exportação do Brasil, por causa das crescentes compras de petróleo brasileiro e bens manufaturados. No final do primeiro trimestre, a China recuperou o primeiro lugar, mas a relação tem problemas, com as tensões emergentes sobre as importações chinesas baratas e aquisição de terras por investidores chineses.
Enquanto isso, em 2011 os Estados Unidos tiveram um excedente comercial de mais de 8 bilhões de euros para com o Brasil, refletindo o aumento das exportações americanas ao maior país da América Latina. 
Mas estas trocas comerciais padrões disfarçam tensão. A força da moeda do Brasil, o real, tem sido uma bênção para os brasileiros, influenciando os valores das propriedades em Miami e Nova Iorque. Ao mesmo tempo, o vigor do real tem limitado a competitividade dos exportadores brasileiros, tornando seus produtos mais caros nos mercados estrangeiros.
Obama e Sra. Rousseff se reuniram em particular por duas horas na Casa Branca e depois no Salão Oval para falar brevemente com os repórteres. Sr. Obama enfatizou "o extraordinário progresso que Brasil fez sob a Presidente Rousseff." A Sra. Rousseff ecoou suas chamadas para a continuação da cooperação econômica entre os países.
Sra. Rousseff também citou a produção de petróleo e gás como "uma tremenda oportunidade para favorecer a cooperação," com os Estados Unidos quanto ao fornecimento de equipamentos e tecnologia para extrair tais fontes de energia e, em seguida, comprar alguns do produto. Ela congratulou-se com as recentes reduções americanas nas pautas sobre etanol do Brasil.
No entanto, os olhos dos líderes raramente se encontraram, e a Sra. Rousseff olhou raramente para Obama quando ele falava. Ele olhou atentamente para ela durante suas observações, aquiescendo às vezes. Mas ele ficou imóvel quando ela expressou a preocupação de que a "política de expansão monetária" da América poderia prejudicar o crescimento das economias emergentes como a do Brasil. Política monetária é da responsabilidade do Federal Reserve; a Casa Branca e o Congresso lidam com política fiscal.
Não foram revelados avanços na política do Brasil quanto ao Médio Oriente, que parece ter sofrido um ajuste fino sob a Sra. Rousseff em relação ao seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, que, em 2010, tentou forjar uma ambiciosa negociação de urânio com o Irã.
Enquanto o Presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, claramente ignorou o Brasil em uma excursão recente à América Latina e o Brasil recentemente votou uma moção de censura ao Presidente Bashar al-Assad, da Síria, nas Nações Unidas, dilemas persistem em Brasília sobre intervir em conflitos do Oriente Médio.
Enquanto isso, Washington tem sido relutante em apoiar explicitamente a candidatura do Brasil para um assento permanente no Conselho de Segurança, mesmo depois que os Estados Unidos apoiaram a Índia há dois anos.
O Brasil também apoia a candidatura da Índia e argumenta que o Conselho de Segurança deve ser expandido para incluir vários novos membros. Mas Susan E. Rice, a embaixadora dos Estados Unidos para as Nações Unidas, criticou o Brasil, bem como a Índia e a África do Sul, durante seus mandatos temporários no Conselho depois que eles bloquearam, no ano passado, esforços para pressionar o governo do Sr. Assad.
Outras questões pesam sobre as relações, como uma nova lei da Florida, visando as empresas que fazem negócios com Cuba, impedindo os governos locais de contratá-las. A lei pode complicar as coisas para a Odebrecht, uma das maiores empresas de construção do Brasil, que está modernizando o porto de Miami ao mesmo tempo que está construindo o porto de Mariel em Cuba.
A Sra. Rousseff se concentrará no ensino superior, uma das áreas mais brilhantes da cooperação entre o Brasil e os Estados Unidos, em uma visita na terça-feira a Harvard e M.I.T., onde ela vai discutir Ciência Sem Fronteiras, um programa que visa a enviar cerca de 100.000 brasileiros para estudar em universidades estrangeiras. Cerca de metade deles é esperada para estudar nos Estados Unidos.
"Ciência Sem Fronteiras vai fazer mais para promover as relações entre os dois países", disse Maurício Santoro, professor de relações internacionais na Fundação Getúlio Vargas, aqui, uma Universidade de elite "do que qualquer outro acordo diplomático sob discussão."
Fonte: tradução livre de  The New York Times - 10/04/12
COMENTO:  só estou publicando esses textos para prevenir possíveis 'notícias' da imprensa "chapa branca", dependente de verbas públicas, empurrando goela abaixo da população que a viagem da presidanta tenha sido um sucesso nos 'esteites'.

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