terça-feira, 13 de dezembro de 2011

SÃO CARLOS MARIGHELLA

por Janer Cristaldo
duas semanas, comentando o instituto criado por Cristina Kirchner para reescrever a história da Argentina, eu afirmava que tal idéia nada tem de novo para quem vive no Brasil. Mas se antes as revisões históricas eram feitas em séculos, hoje os ocupantes do poder estão acelerando o ritmo e as fazem em décadas. Vide este país nosso. Não se passaram cinqüenta anos, e as esquerdas brasileiras reescreveram a história do Brasil. Os militares que, em 64, salvaram o país de tornar-se uma republiqueta soviética, são vistos hoje como bandidos. E bandidos são vistos como heróis.
Desde há muito vem se reescrevendo a história do Brasil. Começou com Ruy Barbosa, destruindo documentos relativos à escravidão. De lá para cá, a história vem sendo revista ano a ano. Lampião, um bandoleiro vulgar, foi promovido a herói. Zumbi, dono de escravos, foi promovido a defensor dos escravos.
Porto Alegre não tem memorial algum dedicado a gaúchos que, bem ou mal, tiveram sua importância, como Getúlio Vargas, Erico Verissimo ou Mário Quintana. Existe a casa Mário Quintana, é verdade, cabide de empregos instalado no hotel em que vivia, pobremente, o Quintana. O poeta morreu na miséria. (Mas seu nome serviu como pretexto a gordos salários a um monte de vagabundos).
Em agosto passado a prefeitura da capital gaúcha liberou o início de construção do prédio em homenagem a Luís Carlos Prestes, assassino a mando de Moscou e certamente o mais obscurantista líder que o Rio Grande do Sul produziu. Transcrevo nota publicada na imprensa:
Desenhado e doado por Oscar Niemeyer em 2008, o projeto do Memorial Luís Carlos Prestes receberá nesta quinta-feira, 25, às 17h, a assinatura final do arquiteto. Com o ato, a prefeitura estará autorizada a liberar o início de construção do prédio que eterniza a memória desse ícone da história porto-alegrense e brasileira. O prefeito José Fortunati, o presidente da Federação Gaúcha de Futebol (FGF), Francisco Noveletto, o arquiteto responsável pela execução da obra, Hermes Teixeira da Rosa, representantes da Corrente Prestista e familiares de Prestes participam do encontro com o arquiteto no Rio de Janeiro.
A construção do Memorial Luís Carlos Prestes será feita pela FGF como contrapartida pela cessão de uso do terreno para a nova a sede da entidade, que servirá como base administrativa e de operações voltadas à Copa do Mundo de 2014. A área, de 10 mil m², está localizada na Av. Edvaldo Pereira Paiva esquina com a Av. Ipiranga e abrigará os dois prédios.
Para o prefeito Fortunati o memorial representa dois marcos fundamentais para a cidade. "A iniciativa ergue espaço de um resgate histórico necessário e será o primeiro projeto de Niemeyer a ser executado na Capital". A obra deve iniciar até o final do ano e ficará pronta em prazo de 18 meses.

Obviamente, deve ter dedo do capitão-de-mato Tarso Genro nesta homenagem ao celerado. Tarso sempre manifestou seu fascínio por Prestes e o tem como um de seus ídolos. Também é normal que Niemeyer, o fóssil comunossauro, seja o autor do projeto. O Muro caiu há mais de duas décadas em Berlim. No Brasil, continua em pé. Resgate histórico necessário é o nome novo dado pelo prefeito para mentira histórica colossal.
Culminou ontem a santificação de mais um bandoleiro da história pátria, Carlos Marighella. No dia em que faria 100 anos, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça reconheceu que ele foi perseguido pelo Estado desde os anos 30, na ditadura de Getúlio Vargas.
Perseguido? Ora, em 35 Marighella participou da Intentona Comunista, tentativa de golpe de estado liderada pelo celerado gaúcho e financiada por Stalin. Pretenderia por acaso que lhe erguessem um monumento? Nos anos 60, o baiano foi o líder da ALN (Ação Libertadora Nacional), uma das organizações terroristas que mais matou pessoas no Brasil (entre estas, algumas que nada tinham a ver com o peixe) e que foi responsável pelo seqüestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick, em 1969, para trocá-lo pela libertação de 15 presos políticos. Marighella, que pregava a luta armada e que escreveu inclusive um manual de guerrilha, não pode queixar-se de ter sido passado pelas armas.
Numa reportagem evidentemente simpática ao terrorista, escreve Marcelo Ridenti na edição de hoje da Folha de São Paulo:
Morte violenta ajudou a forjar o mito do guerrilheiro heroico
Carlos Marighella talvez tenha sido o líder comunista brasileiro mais destacado, depois de Luiz Carlos Prestes. Militante do Partido Comunista desde os anos 30, teve longa trajetória até fundar a ALN (Ação Libertadora Nacional) e ser morto numa emboscada em São Paulo, em 1969, como resultado da escalada repressiva após o seqüestro do embaixador americano Charles Elbrick.
Escalada repressiva? O jornalista queria o quê? Que buscassem Marighella para condecorá-lo com a Ordem de Rio Branco? O Estado reagiu ao seqüestro e o santo homem das esquerdas levou a pior. Continua o repórter:
Foi paladino da opção democrática no pós-guerra e do esquerdismo do Manifesto de Agosto de 1950. Criticou o segundo governo Vargas e aproximou-se dos trabalhistas depois de seu suicídio.
Pode ser paladino da opção democrática quem tentou tomar o poder por ordens de Moscou? Quem teve como líder o frio assassino de Elza Fernandes?
Conhecido pela firmeza e pela emotividade, conta-se que teria chorado com a revelação oficial dos crimes de Stálin em 1956.
Não foi o único a chorar. Tive notícias de não poucos comunistas que choraram com as denúncias de Kruschov. Se os crimes de Stálin permanecessem ocultos, o Paizinho dos Povos continuaria merecendo a reverência de multidões no mundo todo. E os coitadinhos dos meigos e ternos e sensíveis comunistas não teriam razões para chorar.
Mais um pouco, e o celerado terá seu memorial. Provavelmente será matéria de vestibular. Se é que já não é. Basta dois milagres e poderá ser canonizado. Abaixo (clicando AQUI), segue artigo que escrevi ainda este ano.

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