sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Sonata para Carmen

por Hugo Studart
Folha de São Paulo - 23/12/2011
Carmen acalenta a esperança de ouvir a canção que Hélio lhe compôs antes de desaparecer, quando partiu para a guerrilha do Araguaia; será a sua sonata
Carmen Navarro tem passado seus dias à espera de uma canção. Qual? Ora, isso ela não canta, é um segredo, um dos mais fechados dentre os arquivos secretos da ditadura militar brasileira. Mas a espera é torturante. Aos 83 anos, lúcida, culta e bem informada, Carmen aguarda a chegada da música que seu filho Hélio Luiz Navarro Magalhães compôs antes de partir.
A última vez em que se viram foi em 1970. Hélio tocou-lhe a canção e saiu.
Foi se juntar à turma que montava a guerrilha do Araguaia. Era um compositor, pianista, estudante de química. Adotou o codinome de Edinho. Hoje figura na lista dos 136 desaparecidos da ditadura.
Sua mãe acredita que ele esteja vivo, resguardado sob uma nova identidade que teriam lhe arrumado os militares. Por anos Carmen alimentou a esperança de reaver o filho. Hoje conforma-se em receber um singelo acalento, um sinal de vida - a música que ele lhe compôs. Pode chegar por e-mail anônimo.
A história por trás desse drama é pura nitroglicerina política - e provoca tantas fúrias quanto são as lágrimas de Carmen. Em fins de 1973, o presidente Emílio Médici deu ordens ao Exército para caçar e aniquilar os 47 guerrilheiros que ainda lutavam no Araguaia. Ernesto Geisel confirmou a ordem de não deixar ninguém vivo.
Ocorre que cinco deles teriam sido poupados. Os militares os chamam de "mortos-vivos". Teriam feito acordo de delação premiada e recebido novas identidades. Pelo acerto, não poderiam sequer procurar suas famílias. Quem são eles?
Ora, os nomes são conhecidos há quase 40 anos por grande parte da antiga repressão e há mais de 20 anos pela esquerda. O ex-senador Jarbas Passarinho já revelou e confirmou que de fato seriam cinco os "mortos-vivos", e que empregou dois deles no MEC quando era ministro da Educação.
A Justiça Federal já expediu ordem à Polícia Federal para que investigue e localize esses possíveis sobreviventes. Na ordem, citou os nomes a serem procurados. É um tema que deve entrar para a Comissão da Verdade.
O caso mais conhecido envolve Hélio Luiz e os dois companheiros que com ele foram presos, Luiz Renê Silveira, o "Duda", e Antônio de Pádua Costa, o "Piauí".
Leitura recomendada. Talvez Hugo Studart, ouvido pela CV, possa 
acrescentar dados novos sobre os "mortos-vivos"
Hélio é filho de um comandante de Marinha, Hélio de Magalhães. Também é sobrinho do almirante Gualber de Magalhães. Quando os três foram presos, Gualber era o vice-ministro da Marinha. Os prisioneiros já estavam sendo executados no Araguaia. Mas quando o Exército descobriu quem era "Edinho", reviu os planos. Ele teria apelado pelos dos amigos "Duda" e "Piauí".
Passarinho acredita que sejam esses dois os que abrigou no MEC. Aberta a exceção, pelo menos mais dois teriam feito acordo para sobreviver - um deles seria Tobias Pereira Jr., o "Josias".
Hélio teria ficado sob a proteção do Centro de Informações da Marinha. Os demais, sob monitoramento do Centro de Informações do Exército. Carmen Navarro jamais acreditou na morte do filho. Com o ex-marido, há muito falecido, tentou em vão informações. Já o ex-cunhado Gualber, passou três décadas tentando convencê-la, com ênfase inexplicável, de que o sobrinho teria sido morto no Araguaia.
Sob nova identidade, Hélio teria se mudado para São Paulo a fim de trabalhar numa multinacional francesa que na época se instalava no Brasil. Carmen informa que, nessa época, o almirante Gualber alugou um terreno da família para o Carrefour se instalar no Brasil. Hélio teria se casado logo depois da guerrilha e tido dois filhos. Mas nunca procurou a mãe.
O amigo Luiz Renê, se vivo estiver, também jamais procurou a família. No caso de outro possível poupado, Tobias, é sua família que se recusa a receber militantes de esquerda ou jornalistas.
Há um ano, Carmen enviou uma carta ao filho por meio da Marinha. Dizia a Hélio Luiz que não lhe cobraria ou perguntaria nada, que ele nada precisava justificar - mas que apenas a deixasse vê-lo uma vez. É provável que a carta esteja na gaveta de algum militar.
Ainda mais resignada, Carmen agora acalenta a esperança de escutar aquela canção que Hélio lhe compôs antes de desaparecer. Será sua sonata. 
Hugo Studart é jornalista e historiador,
autor de "A Lei da Selva",
 livro sobre a guerrilha do Araguaia.
Fonte:   A Verdade Sufocada

sábado, 24 de dezembro de 2011

Escandalo Sobre o Financiamento das Madres de Mayo

Foto: AP Photo/Rodolfo Pezzoni,DyN

Buenos Aires, 16 dic (EFE) - O exprocurador da Fundação Madres de Plaza de Mayo, Sergio Schoklender, semeou hoje (16/12) nova polêmica com revelações sobre o supuesto financiamento irregular da organização com asaltos e seus vínculos com guerrilhas latinoamericanas.
Assaltos e armas
Schoklender, acusado de malversação e desvio de fundos públicos destinados a um plano de habitações das Madres de Plaza de Mayo, sustenta que a organização liderada por Hebe de Bonafini chegou a financiar-se com assaltos e ocultou armas na universidade.
Tanto Madres de Plaza de Mayo como outras organizações humanitarias e o governo argentino tem optado por manter silencio ante as revelações de Schoklender, que adiantou em um par de entrevistas divulgadas hoje (16/12) parte do conteúdo de um livro que publicará em breve.
Suposto contato com as Farc
Segundo o exprocurador, a organização Madres de Plaza de Mayo manteve contato com as Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia (Farc) com o objetivo de treinar jóvens para um movimento na Argentina que derivaria na  “revolución”.
Certamente que é um erro, porém não viram outra forma de resistência”, afirmou hoje em declarações à cadeia Radio 10, nas quais assegurou que o “contato com essas organizações se fazíam na Venezuela”.
Além disso, em uma entrevista com o escritor argentino Martín Caparrós publicada hoje (16/12) em seu blog Pamplinas, afirmou que durante a vigencia das leis do Ponto Final e Obediência Devida se chegou a planejar o sequestro do represor Emilio Massera, porém foi a própria Hebe de Bonafini quem freou o plano.
Assegurou que, “como nos velhos tempos”, roubavam
Se referiu também ao financiamento das Madres de Plaza de Mayo. Quando tínhamos que sair para arrecadar, saíamos a arrecadar como nos velhos tempos: choreo (roubo)”.
Em negócios, em supermercados melhor. Tratávamos de que fossem lugares que representassem mais a concentração oligárquica, não a farmacia da esquina
, aclarou na entrevista com Caparrós.
Foi um brevíssimo tempo (…) se pagava a luz, os gastos médicos das Madres, o gás da casa, a água, como podíamos”, insistiu nas declarações à Radio 10.
Hebe de Bonafini certamente sabía, ficava implícito que o dinheiro aparecía mágicamente. Ela sabía de onde vinha, dizía 'não me digas o que fizestes', acrescentou.
Isso durou muito pouco, foi muito breve e equivocado, porém foi certo, porém depois, durante muitíssimo tempo, eu financiava e sustentava desde o cassino. Eu ia, trabalhava, eu sou um brilhante jogador de black jack, e trabalhava todas as noites para poder pagar as contas no día seguinte”, afirmou à cadeia de radio.
Sergio Schoklender conheceu Bonafini quando ele cumpria uma pena por parricidio, começou uma estreita amizade com ela e ao sair da prisão se convirteu em sua mão direita à frente da Fundação Madres de Plaza de Mayo.
Fonte:  tradução livre de Noticias 24
COMENTO:  o sujeito cumpriu parte de uma pena por ter auxiliado um irmão a assassinar seus pais, o que não garante boa índole. Mesmo assim, foi intronizado na cúpula da organização da sra Hebe Bonafini.  Tem fundamento! Lá, como por aqui, o que interessa é "a revolución" e os aliados, tendo utilidade, podem vir de qualquer lado.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A Dor de ser Petista

por José Luiz Prévidi
Como já escrevi, o Glauco Fonseca não é jornalista, mas sabe escrever como poucos.
Publico sempre os textos dele, porque são perfeitos - isso não significa que concordo com tudo.
Assim como tenho muitos leitores que não concordam com o que escrevo, mas gostam da forma, por aí..
O Glauco é uma figura. O título é dele e o texto abaixo da sua lavra.  10!!
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No fundo, o bom petista é aquele que vê seus pares navegando na sacanagem e pensa: “cara, seria bom esse cara sair do partido, pois não foi pra isto que eu me tornei petista”. Desde o Mensalão (hoje um substantivo próprio, com direito à maiúscula no início e tudo), as bandeiras tremulam pouco ou quase não mais. Esta falta de bandeiras na rua, de adesivos nos carros, de camisetas e outros adereços é a melhor parte da demonstração do constrangimento petista. E isto mostra, ao contrário do que se pode pensar, que o partido tem – sim – futuro.
Não obstante o Mensalão, que caminha solene para sua extinção jurídica, graças à justiça brasileira falha e lenta (esta sim, a maior responsável pelas mazelas do país), os petistas abrem os jornais e lá estão seus eleitos envolvidos em algum escândalo, alguma falcatrua, algum “malfeito”, o mesmo que “crime não contabilizado” em dialeto petista. Não deve ser fácil, não deve ser nada confortável ser petista nos últimos seis anos. Mas o pior ainda nem é isso.
O mais constrangedor, o mais dramático, é conversar com um petista e observá-lo tentando defender seus representantes. Tentam sem parar, de modo patético, defender um Pimentel, um Palocci, um José Dirceu. E isto os faz diferentes de outros partidários. Os pedetistas, por exemplo, foram defender seu Carlos Lupi, mas não foram fazê-lo correndo ou incondicionalmente. Alguns até mesmo disseram que ele deveria sair do governo. Pergunte a um petista, apenas para fins de constatação sociológica, se ele acha que Pimentel deveria sair do Ministério. Ele, em primeiro lugar, vai alegar perseguições da mídia conservadora. Em seguida, vai lembrar-se de algum ministro de priscas eras FHCianas para tentar não apenas comparar, mas sobretudo para justificar o “malfeito” por parte de seus partidários. Por fim, já sem argumentos, preferirá, solenemente, outro assunto que não política. Música, talvez, ou rendas de bilro.
Hoje em dia, não é fácil defender as esquerdas brasileiras. Se antes havia a dor e a delícia de ser de esquerda, agora a dor fica por conta do eleitor. A delícia virou privilégio dos eleitos, que multiplicam patrimônio escandalosamente, fazendo consultorias milionárias (ou “fortunas não contabilizadas”, em dialeto petista).
Até mesmo a cantilena que aponta para a mídia má e conservadora não dá mais para comprar. E aqui vai algo para os petistas pensarem, pra eles refletirem. Aí vai: amigos petistas, se a mídia realmente funcionasse do jeito que vocês pensam, Lula teria sido reeleito depois do Mensalão? Se a mídia realmente tivesse a efetividade tão desejada, vocês realmente acreditam que Fernando Haddad, depois de três burradas seguidas com o ENEM, poderia ainda ter chances na disputa para a prefeitura de São Paulo? E, por fim, vocês acham que, depois de tanto escândalo, se a mídia fosse algo assim tão forte, o PT ainda existiria?
Não deve ser fácil ser petista, comunista, trotskista ou coisa do gênero nos dias de hoje.
Mas ainda existem pessoas de bem que fazem a diferença. Pessoas que fazem suas revoluções diárias, internas e silenciosas. Na esquerda também há estas pessoas.
E elas hão de prevalecer, um dia, para bem de seus partidos, da democracia e do Brasil.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Preconceito do PSol Gaúcho Contra Ditador Nordestino

por Janer Cristaldo
Um insólito debate tomou conta da Câmara Municipal de Porto Alegre no início deste mês. A bancada do PSOL – os vereadores Pedro Ruas e Fernanda Melchionna – elaborou um projeto de lei que propunha a alteração da denominação da Avenida Presidente Castelo Branco para Avenida da Legalidade.
A medida pretendia reescrever a história do país, homenageando os participantes do Movimento da Legalidade, de 1961. O projeto não passou. Se a moda pega, os cartórios terão muito trabalho no Brasil todo. Pois o país está cheio de ruas e avenidas não só Castelo Branco, como Garrastazu Médici, Costa e Silva, Ernesto Geisel, João Figueiredo. Mas a proposta dos vereadores é curiosa. Pelo jeito, não gostam de ditador nordestino.
Ditador gaúcho pode. O Rio Grande do Sul está eivado de ruas que homenageiam o ditador Júlio de Castilhos e há inclusive uma cidade que leva seu nome. Pelo jeito, o PSOL nada conhece da história do Estado, nem nunca ouviu falar da “ditadura científica” de Castilhos, inspirada no positivismo.
Isso sem falar nas ruas que, no Estado todo, homenageiam o ditador Borges de Medeiros, que durante 25 anos – sete anos a mais que o regime militar de 64 – foi presidente do Rio Grande do Sul. Até hoje me pergunto como a capital gaúcha não se envergonha ao dar o nome do ditador à sua avenida mais central. Gaúchos a parte, Porto Alegre – como também vários municípios do Estado – têm largos, ruas e avenidas chamadas Floriano Peixoto e marechal Deodoro. Homenagens que se repetem no país todo, tendo Floriano dado seu nome à capital catarinense.
Se os vereadores porto-alegrenses queriam tecer loas à democracia, esqueceram de pedir a troca de outros nomes na cidade. O historiador Sérgio da Costa Franco observa: “Prova da absoluta tolerância de Porto Alegre é que temos uma Praça Che Guevara, e uma rua do bairro Cascata com o nome de Carlos Marighela. Nem um nem o outro passariam num exame de fidelidade à democracia e à legalidade”.
A bem da verdade, até Dom Pedrito tem uma rua Ernesto Che Guevara. Como a cidade vive um tanto afastada da história contemporânea, poucos sabem quem foi o celerado e a rua passou a ser chamada de a Rua do Che. Palavra que, lá na Fronteira Oeste, designa qualquer um. Marighella, por sua vez, mereceu uma rua em Salvador. E Luís Carlos Prestes, o gaúcho a soldo de Moscou que pretendia fazer do Brasil uma republiqueta soviética, deu seu nome a uma rua na burguesa Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
Costa Franco esqueceu de mencionar a rua Capitão Carlos Lamarca, no bairro Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre. O assassino mereceu outra homenagem no bairro Las Palmas, em São Bernardo do Campo.
O projeto de lei do PSOL foi rechaçado. Defensores da idéia aventam o absurdo de existir uma rua chamada Hitler, Franco, Stalin ou Lênin. Bom, Hitler não vale. Perdeu a guerra. Se a tivesse ganho, daria seu nome a praças e avenidas em toda a Europa. Quanto a Franco, até bem pouco era homenageado em toda Espanha. Stalin deu nome a não poucas ruas e logradouros não só na União Soviética como na Europa e, mesmo após as denúncias de Kruschov em 1956, era homenageado com estátuas colossais. O mesmo diga-se de Lênin, cuja múmia ainda é venerada em Moscou. Pelo que sei, aquela estátua colossal em frente à Estação Finlândia, em São Petersburgo, continua em pé. A propósito, Paris conserva até hoje uma rue Lenine, em Baingnolet.
Diz o manifesto do PSOL: “considerando tudo o que o Marechal Castelo Branco fez na qualidade de representante da ditadura civil-militar, remonta um período marcado por severas violações aos direitos fundamentais, a lembrança pública desta personalidade afigura-se incompatível com os ideais defendidos pelo Movimento da Legalidade. Por isso, ao realizarmos a alteração proposta, estaremos, ao mesmo tempo, renovando os ideais legalistas e repudiando qualquer forma de violação aos direitos humanos e às liberdades democráticas, tornando ainda mais justa a homenagem ao movimento gaúcho pela legalidade”.
Como se Júlio de Castilhos ou Borges de Medeiros fossem paladinos da democracia. Sem falar em Getúlio Vargas, o mais querido ditador gaúcho, que foi reconduzido à Presidência da República por voto popular. Mas as esquerdas gaúchas jamais ousariam pedir a retirada do nome do Velho, onipresente nas cidades do Rio Grande do Sul. Que mais não seja, era idolatrado por Leonel Brizola, o alvo oculto do projeto do PSOL.
Puro preconceito do PSOL gaúcho contra nossos irmãos lá do norte. Ditador gaúcho pode. Nordestino é que não pode.
Fonte:  Janer Cristaldo

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Iranianos Conseguiram “enganar” o Avião-espião para Faze-lo Aterrizar em seu Territorio

 

Após muitas polemicas e pedidos do governo dos Estados Unidos para a devolução de seu avião espião UAV, um engenheiro militar iraniano explicou qual foi o método usado para fazer que o aparelho se desviasse e aterrizasse em “territorio inimigo”.
De acordo com o informado pelo engenheiro, quando o avião espião foi detectado na fronteira entre Iran e Afganistão foi providenciado o corte do enlace de comunicação entre el RQ-170 Sentinel e sua base, para depois, programar novas coordenadas em seu GPS para faze-lo “pensar” que estaba dirigindo-se a sua base no Afganistão, quando realmente se dirigía a territorio iraniano.
O especialista iraniano assinalou que a navegação guiada por GPS utilizada por este tipo de aparato é seu ponto mais débil, assim, só foi necessário colocar um "ruido" nas comunicações com sua base para que o UAV ativasse o piloto automático. Foi nesse preciso instante que os engenheiros iranianos acessaram o sistema de navegação do aparato para reconfigurá-lo, de manera que a aeronave optou de forma autônoma por aterrizar seguindo as coordenadas donde supostamente encontraria sua base.
Deste modo, a captura do UAV por parte do governo iraniano deixa em evidência os problemas de segurança que possuem esses aparatos, sobretudo se transportam em seu interior equipamentos de alta tecnologia que chamam a atenção de nações como Russia e China.
Leia mais em FayerWayer
Fonte:  tradução livre de Noticias 24

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Estudo dos Gastos do STJ

por Marco Antonio Villa
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) é formado por 33 ministros. Foi criado pela Constituição de 1988. Poucos conhecem ou acompanham sua atuação, pois as atenções nacionais estão concentradas no Supremo Tribunal Federal. No site oficial está escrito que é o tribunal da cidadania. Será?
Um simples passeio pelo site permite obter algumas informações preocupantes.
O tribunal tem 160 veículos, dos quais 112 são automóveis e os restantes 48 são vans, furgões e ônibus. É difícil entender as razões de tantos veículos para um simples tribunal. Mais estranho é o número de funcionários. São 2.741 efetivos.
Muitos, é inegável. Mas o número total é maior ainda. Os terceirizados representam 1.018. Desta forma, um simples tribunal tem 3.759 funcionários, com a média aproximada de mais de uma centena de trabalhadores por ministro!! Mesmo assim, em um só contrato, sem licitação, foram destinados quase R$ 2 milhões para serviço de secretariado.
Não é por falta de recursos que os processos demoram tantos anos para serem julgados. Dinheiro sobra. Em 2010, a dotação orçamentária foi de R$ 940 milhões. O dinheiro foi mal gasto. Só para comunicação e divulgação institucional foram reservados R$ 11 milhões, para assistência médica a dotação foi de R$ 47 milhões e mais 45 milhões de auxílio-alimentação.
Os funcionários devem viver com muita sede, pois foram destinados para compra de água mineral R$ 170 mil. E para reformar uma cozinha foram gastos R$ 114 mil. Em um acesso digno de Oswaldo Cruz, o STJ consumiu R$ 225 mil em vacinas. À conservação dos jardins — que, presumo, devem estar muito bem conservados — o tribunal reservou para um simples sistema de irrigação a módica quantia de R$ 286 mil.
Se o passeio pelos gastos do tribunal é aterrador, muito pior é o cenário quando analisamos a folha de pagamento. O STJ fala em transparência, porém não discrimina o nome dos ministros e funcionários e seus salários. Só é possível saber que um ministro ou um funcionário (sem o respectivo nome) recebeu em certo mês um determinado salário bruto. E só. Mesmo assim, vale muito a pena pesquisar as folhas de pagamento, mesmo que nem todas, deste ano, estejam disponibilizadas. A média salarial é muito alta. Entre centenas de funcionários efetivos é muito difícil encontrar algum que ganhe menos de 5 mil reais.
Mas o que chama principalmente a atenção, além dos salários, são os ganhos eventuais, denominação que o tribunal dá para o abono, indenização e antecipação das férias, a antecipação e a gratificação natalinas, pagamentos retroativos e serviço extraordinário e substituição. Ganhos rendosos. Em março deste ano um ministro recebeu, neste item, 169 mil reais.
Infelizmente há outros dois que receberam quase que o triplo: um, R$ 404 mil; e outro, R$ 435 mil. Este último, somando o salário e as vantagens pessoais, auferiu quase meio milhão de reais em apenas um mês!
Os outros dois foram “menos aquinhoados”, um ficou com R$ 197 mil e o segundo, com R$ 432 mil. A situação foi muito mais grave em setembro. Neste mês, seis ministros receberam salários astronômicos: variando de R$ 190 mil a R$ 228 mil.
Os funcionários (assim como os ministros) acrescem ao salário (designado, estranhamente, como “remuneração paradigma”) também as “vantagens eventuais”, além das vantagens pessoais e outros auxílios (sem esquecer as diárias). Assim, não é incomum um funcionário receber R$ 21 mil, como foi o caso do assessor-chefe CJ-3, do ministro 19, os R$ 25,8 mil do assessor-chefe CJ-3 do ministro 22, ou, ainda, em setembro, o assessor chefe CJ-3 do do desembargador 1 recebeu R$ 39 mil (seria cômico se não fosse trágico: até parece identificação do seriado “Agente 86”).
Em meio a estes privilégios, o STJ deu outros péssimos exemplos. Em 2010, um ministro, Paulo Medina, foi acusado de vender sentenças judiciais. Foi condenado pelo CNJ. Imaginou-se que seria preso por ter violado a lei sob a proteção do Estado, o que é ignóbil. Não, nada disso. A pena foi a aposentadoria compulsória. Passou a receber R$ 25 mil. E que pode ser extensiva à viúva como pensão.
Em outubro do mesmo ano, o presidente do STJ, Ari Pargendler, foi denunciado pelo estudante Marco Paulo dos Santos. O estudante, estagiário no STJ, estava numa fila de um caixa eletrônico da agência do Banco do Brasil existente naquele tribunal. Na frente dele estava o presidente do STJ.
Pargendler, aos gritos, exigiu que o rapaz ficasse distante dele, quando já estava aguardando, como todos os outros clientes, na fila regulamentar. O presidente daquela Corte avançou em direção ao estudante, arrancou o seu crachá e gritou: “Sou presidente do STJ e você está demitido. Isso aqui acabou para você.” E cumpriu a ameaça. O estudante, que dependia do estágio — recebia R$ 750 —, foi sumariamente demitido.
Certamente o STJ vai argumentar que todos os gastos e privilégios são legais. E devem ser. Mas são imorais, dignos de uma república bufa. Os ministros deveriam ter vergonha de receber 30, 50 ou até 480 mil reais por mês. Na verdade devem achar que é uma intromissão indevida examinar seus gastos. Muitos, inclusive, podem até usar o seu poder legal para coagir os críticos.
Triste Judiciário. Depois de tanta luta para o estabelecimento do estado de direito, acabou confundindo independência com a gastança irresponsável de recursos públicos, e autonomia com prepotência.
Deixou de lado a razão da sua existência: fazer justiça.
Marco Antonio Villa é historiador e professor da Universidade Federal de São Carlos (SP).
Originalmente publicado em O Globo, 13/12/11.
Fonte:  Alerta Total

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Conheça o Grafeno, Material que Promete Substituir o Silício na Fabricação de Componentes Eletrônicos

O silício, material utilizado em grande quantidade para a fabricação de processadores e outros componentes eletrônicos, parece estar com seus dias contados. Embora a cada ano surjam dispositivos mais eficientes, as limitações do material se tornam cada vez mais evidentes aos olhos dos desenvolvedores.
Nos últimos anos, a tendência para obter equipamentos melhores foi apostar na miniaturização dos componentes. Porém, conforme essa tecnologia mostra sinais de desgaste e se torna mais difícil alcançar desempenhos mais elevados, aumentam os esforços na busca por materiais baratos que sejam capazes de substituir o silício.
A aposta de material para os componentes do futuro é o grafeno, uma forma pura de carbono descoberta em 2004. Enquanto o silício suporta no máximo frequências entre 4 a 5 GHz, esse valor pode passar dos 500 Ghz caso o material utilizado seja o grafeno, devido às particularidades do material.
O Massachusetts Institute of Technology (MIT) desenvolveu um chip que tem o grafeno como base, capaz de multiplicar frequências. Após cruzar o chip, foi possível dobrar a frequência de um sinal eletromagnético, o que abre a possibilidade de criar componentes eletrônicos muito mais eficientes.
O que é o grafeno?
O grafeno é constituído por uma camada extremamente fina de grafite, o mesmo material encontrado em qualquer lápis comum. O que torna o material especial é a estrutura hexagonal com que seus átomos individuais estão distribuídos, que gera uma folha plana que, se enroladas, geram nanotubos de carbono.
Em um transistor, uma pequena corrente elétrica é utilizada para controlar uma porta por onde passa uma corrente muito maior: o componente funciona como uma chave que liga ou desliga a corrente conforme a necessidade do dispositivo.
Como o grafeno é um material extremamente fino e que permite que cargas elétricas fluam com facilidade, se mostra como uma alternativa ao silício na construção de transistores ainda mais eficientes.
Além de servir para a construção de transistores e multiplicadores de frequência, já se cogita utilizar o grafeno como substituto para o índio, material raro utilizado para a fabricação de televisores OLED.
Tecnologia sem prazo para virar padrão
O maior desafio enfrentado pelos desenvolvedores que apostam na nova tecnologia é conseguir tornar viável o processo de fabricação em larga escala. Como as folhas de grafeno possuem somente um átomo de espessura, a maioria dos componentes testados até o momento só foram possíveis por terem sido desenvolvidos em ambientes de laboratório.
Porém, tudo aponta que nos próximos anos haverá uma substituição gradual do silício pelo grafeno, como apontam as pesquisas feitas pelo Laboratório Nacional de Física, do Reino Unido.
Utilizando a mesma técnica utilizada para o crescimento de cristais, os pesquisadores foram capazes de desenvolver amostras de grafeno com 50 milímetros quadrados – pouco menor do que os processadores encontrados no mercado, e suficiente para a fabricação de componentes eletrônicos como transistores.
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Pesquisadores da Coreia do Sul e do Japão conseguiram, pela primeira vez, criar uma tela com mais de 70 cm² utilizando o grafeno, uma folha de carbono com a espessura de um átomo e com alta resistência por ser o material mais forte já descoberto.
A ideia de usar o material na criação de telas sensíveis ao toque foi impulsionada justamente por sua espessura e resistência, afinal, é possível criar placas transparentes e flexíveis que não se desgastarão com o tempo e resistirão a quedas e riscos.
Tela sensível ao toque de grafeno
A criação da tela foi levada a cabo na Universidade de Sungkyunkwan, localizada em Seul, capital sul-coreana. A equipe de pesquisadores, liderada por Byung Hee Hong e Jong-Hyun Ahn fez uso da técnica CVD (acrônimo para chemical vapour deposition ou, em português, deposição de vapor químico) para aplicar uma camada de grafeno sobre uma folha de cobre.
Posteriormente, a placa de cobre foi substituída para uma camada de polímero adesivo por meio de uma prensa e o resultado final disso também recebeu outra camada de grafeno por pressão. Por fim, o material foi aquecido para liberar o polímero adesivo.
Processo de criação da tela de grafeno. Imagem: Nature Nanotechnology
Processo de criação da tela de grafeno. Imagem: Nature Nanotechnology
O mesmo processo foi repetido várias vezes para adicionar outras camadas de grafeno, visto que a substância não é livre de imperfeições que poderiam prejudicar seu desempenho. Contudo, mesmo após a inserção de várias novas camadas o material permaneceu com 97% de transparência.
Com isso se conseguiu a criação de uma folha de grafeno medindo 30 polegadas (aproximadamente 76 centímetros). O painel da tela contou também com os nanotransistores de grafeno que tornaram o equipamento, além de sensível ao toque e flexível, também resistente a altas tensões.
Nanico e resistente
O grafeno parece, realmente, ser o futuro da tecnologia. Além das telas sensíveis ao toque transparentes, leves e carregadas de tecnologia, muito se fala sobre a aplicação da substância na criação de transistores – elemento essencial em todo e qualquer eletrônico.
O transistor de grafeno tem o comprimento de dez átomos de carbono e a espessura de um único átomo. Como um átomo carbônico mede 0,1 nanômetro, logo, o transistor feito de grafeno mede 1 nanômetro. Para ter uma ideia, os chips modernos são construídos com transistores de 45 nanômetros.
Com a tendência à portabilidade e à miniaturização que segue a tecnologia, com celulares, tablets e e-readers cada vez mais repletos de funções anteriormente reservadas apenas a computadores, a possibilidade de um transistor feito com grafeno, minúsculo e resistente, aparece como um caminho bastante promissor.
Outro ponto importantíssimo que faz crer serem verdadeiras as afirmações que colocam o grafeno como a substância chave para o futuro da tecnologia é sua resistência. Cientistas da Universidade de Colúmbia confirmaram a substância como o material mais forte já medido pelo homem.
De acordo com o pesquisador James Hone, o grafeno é 200 vezes mais forte que o aço estrutural. Para furar uma folha simples de grafeno seria necessário equilibrar um elefante sobre um lápis. Só assim já dá para se ter uma ideia da enorme capacidade deste potente material.
O uso do grafeno
Apesar da tela sensível ao toque já estar sendo testada por pesquisadores, ainda é muito cedo para se alvoroçar e esperar algum produto com a substância lançado para o consumidor. Um dos principais motivos pode ser a vontade dos fabricantes, que talvez não vejam muito sentido em criar equipamentos com materiais extremamente resistentes e praticamente indestrutíveis.
De qualquer forma, a imaginação sempre é o limite e os entusiastas da tecnologia já colocaram as mangas de fora e encontraram inúmeras possibilidades para o grafeno. No vídeo abaixo você vê uma garota com sua “folha inteligente” de grafeno que funciona como tablet, notebook, telefone celular, relógio e por aí vai.
 
Outras aplicações para a substância são apontadas (além de telas sensíveis ao toque), como sensores moleculares, células solares e demais dispositivos de cristal líquido.
Fonte:  Tecmundo
COMENTO:  o assunto é muito interessante. Voltaremos a ele!  Se o material pode ser tão resistente como foi afirmado, uma de suas aplicações pode ser a confecção de vestimentas de proteção anti-balas.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Pede Asilo ao Brasil, Ilich!!

Infografía AFP
Por Néstor Rojas (dpa)
Caracas, 16 dic (dpa) O venezuelano Ilich Ramírez Sánchez, vulgo “Carlos o Chacal”, autor confesso de mais de uma centena de ataques terroristas com entre 1.500 e 2.000 mortos, voltou a ser condenado à pena perpétua por uma corte da justiça francesa.
O terrorista de 62 anos foi considerado culpado, desta vez, de perpetrar quatro ataques com bombas em 1982 e 1983 na França, contra trens, estações ferroviárias e uma editora. A nova sentença estabelece que deverá cumprir a pena pelo menos por 18 anos.
Os ataques pelos quais foi condenado provocaram a morte de 11 pessoas e deixaram feridas mais de 100, encargos que ele, obviamente, negou.
“Carlos” já havia sido condenado à pena de morte na França em 1997 pelo assassinato de dois agentes franceses e um informante libanês.
A Promotoria de Paris apresentou Ramírez como um homem violento, obsecado com a morte e sem o menor arrependimento ou compaixão pelas vítimas dos ataques que lhe imputam.
O novo julgamento o colocou nas manchetes depois de anos de silencio e durante o juízo em Paris não renegou suas ações, gabou-se de sua experiência com explosivos e reclamou mais ajuda legal do governo do presidente venezuelano Hugo Chávez, que o elogiou como um lutador pela causa dos povos.
Carlos, que se declara um militante comunista convertido ao Islam e que ao mesmo tempo congratula-se com os ideais do herói venezuelano Simon Bolívar, iniciou sua trajetória violenta na resistência a favor do povo palestino, quando no principio da década dos setenta se uniu à Frente para Libertação da Palestina (FPLP) dirigido por George Habache, época em que adotou o nome de guerra “Carlos”.
Nascido em Caracas em outubro de 1949, é o mais velho de três filhos de um advogado comunista. Desde jovem foi um militante do Partido Comunista de Venezuela, estudou no México, Kingston, Londres e Moscou, onde cursou física e química na universidade Patrice Lumumba.
Em 1975 dirigiu um frustrado ataque com mísseis ao aeroporto parisiense de Orly e em setembro desse mesmo ano daria seu golpe de maior efeito com o sequestro de onze ministros da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) em Viena, que terminou com três mortos.
Anos depois, “Carlos” abandonou a FPLP e começou a colaborar com a Facção do Exército Vermelho da Alemanha, à qual pertencia sua companheira sentimental, Magdalena Kopp.
Entre 1987 e 1991 viveu na Síria e depois se instalou em Kartum, onde foi detido em 14 de agosto de 1994 por agentes da Inteligência francesa e levado à França, algo que Carlos denunciou como sequestro.
Em uma recente entrevista ao diário venezuelano “El Nacional”, ‘O Chacal’ assegurou ter cometido mais de uma centena de ataques que deixaram entre 1.500 e 2.000 mortos.
Ainda que não tenha precisão, afirmou que “houve muito poucas” vitimas civis:  “Calculo que não chegam a 10 por cento. Entre 1.500 e 2.000 mortos, não foram mais de 200 as vítimas civis”.
Afirmou que sob sua coordenação se executaram mais de 100 ataques e assegurou que o terrorismo existirá “enquanto os imperialistas tenham a primazia mundial”.
“Eu sou inimigo dos terroristas como Estados Unidos e Israel”, asseverou.
Em 1999 foi publicada uma carta enviada por Chavez, que apenas acabava de assumir o poder, onde este assinala que “tudo tem seu tempo: de amontoar as pedras, ou de lançá-las … de dar calor à revolução ou de ignorá-la; de avançar dialeticamente unindo o que deva unir-se entre as classes em pugna ou propiciando o enfrentamento entre as mesmas”.
Fonte: tradução livre de Noticias24
COMENTO:   e aí Tarso Fernando?  Não vai oferecer asilo político a mais esse "cumpanhêru" perseguido injustamente pelas "zelite"?  Com um currículo desses, quem sabe um dos CC criados recentemente para serem sustentados pelos gaudérios otários?

STF - O Sustentáculo da Impunidade dos Gângsters da Corrupção

por Geraldo Almendra
A declaração de um magistrado do STF sobre o fato de que somente durante 2012 terá condições de ler o processo do Mensalão e que é grande a chance que todos os crimes prescrevam até 2013 nos tiram qualquer esperança de que por via “democrática” o país possa destituir o poder público controlado pelo PT, que absolutamente não é servir à sociedade, mas sim ser o bunker de um Covil de Bandidos protegidos por uma Justiça em estágio final de degeneração moral.
Essa postura do STF avaliza a corruptocracia que impera no país e confirma que vivemos, na verdade, sob a tutela de um regime fascista civil ditatorial sob o comando do Poder Executivo em um fiasco de República.
A questão é gravíssima, pois prender os envolvidos no Mensalão significaria a derrubada automática do poder instituído tendo em vista que os tentáculos das gangs da corrupção já contaminaram e controlam todos os podres poderes da “República”.
A escolha do STF para permitir a sobrevivência do petismo é garantir a impunidade de corruptos com todas as evidências e provas necessárias para coloca-los na prisão, com a consequente desmoralização total da justiça no país, que somente é aplicada para quem não tem a carteirinha do PT ou não for seu cúmplice, seja público ou privado.
Ou a sociedade se organiza e destitui pela forma que for necessária o poder instituído por sucessivos estelionatos eleitorais, colocando nas barras de um Tribunal de Exceção, para começar, todos os envolvidos no Mensalão, ou simplesmente declara pela omissão que já reconhece e aceita ser controlada por um Covil de Bandidos seguindo as regras de um Regime Fascista de Poder.
Que todos entendam: nesse contexto, com as posições tomadas pelos Tribunais Superiores na garantia da impunidade, formaliza-se a Fraude da Abertura Democrática e já estamos vivendo uma ditadura civil fascista que não precisa de armas para impor-se, tendo em vista o total aparelhamento do Estado, e pelo fato de já contar com a covardia de uma sociedade levada ao fundo do poço da mediocridade apátrida e transformada, com a cumplicidade de milhares de canalhas esclarecidos, em um Paraíso de Patifes.
O STF acaba de bater o martelo. Parem de reclamar! O Poder Judiciário pode e deve ser visto como um capacho e um lacaio das gangs da corrupção que tomaram conta do poder público.
Nessas circunstâncias, e diante da covardia da sociedade que se consolida no tácito aceite de tamanha barbaridade jurídica, quem puder saia do país para viver e trabalhar em outro, com oportunidades para quem é honesto e tem dignidade, ou, na falta de alternativa, espere o momento da policia petista invadir nossa casa e nos levar presos para pagarmos a conta de nossa luta por uma verdadeira democracia, que acaba de ser enterrada com uma salva de tiros das Forças Armadas, que já estão apoiando o novo regime político em que vivemos, sem qualquer tipo de contestação, pelo contrário, com relevantes evidências de que a degeneração moral já foi plantada em alguns de seus comandos.
De qualquer forma sempre haverá a opção que a turma da Dilma fez porque tiveram coragem de arriscar a vida pelos seus ideais não importam se honestos ou desonestos: a luta armada. Basta esperar sentado para não cansar! Os únicos guerrilheiros “machos” que temos são os que brigam nas ruas, nos bailes, nos conflitos de trânsito, nos bares, nas boates e nos campos de futebol, muitas vezes matando estupidamente gente inocente enquanto esses canalhas da política e seus cúmplices nos fazem de imbecis e palhaços do Circo do Retirante Pinóquio todos os dias.
Fonte:  O Cão que Fuma

sábado, 17 de dezembro de 2011

Operação Rodin - A Patifaria Eleitoreira do Capitão-do-Mato Petista se Desfaz

1. Réus e advogados reclamam das condições desumanas da carceragem da Polícia Federal em Porto Alegre
Os treze réus da Operação Rodin que foram presos no dia 7 de dezembro de 2007, denunciam as condições desumanas e precárias da carceragem da Polícia Federal em Porto Alegre. As reclamações formais foram registradas perante a Juiza Simone Barbisan Fortes, da Justiça Federal de Santa Maria, nesta terça-feira (13/12) a tarde.
Quem já passou pelos calabouços do antigo prédio da Fin-Hab, na Avenida Ipiranga, também reclama.
Até mesmo os antigos cofres da financeira são usadas como cárceres, o que também acontece com a sala de tiro.
OAB, CNBB, MJDH e Comissão de Direitos Humanos da Assembléia possuem um prato cheio para checagem das instalações e oitiva dos queixosos. Pelo menos um dos advogados dos réus de Santa Maria quer protocolar queixa na Corte Interamericana de Direitos Humanos, Porto Rico, incluindo as denúncias de maus tratos e desrespeito aos direitos civis dos réus.
 ******
2. Procuradores levam dois filmes em juízo para provar que não houve tortura na Operação Rodin
As repetidas denúncias de que nove dos treze réus presos no dia 7 de novembro de 2007 no âmbito da Operação Rodin sofreram torturas psicológicas, humilhações públicas, tratamento desumano e intimidações, fez com que os procuradores do MPF levassem inéditos filmes de interrogatórios feitos pela Policia Federal para a audiência final do processo criminal em exame na Justiça Federal de Santa Maria.
Isto ocorreu na audiência desta quarta-feira (14/12), quando foi ouvido o último dos 32 acusados.
Os advogados de defesa requereram junto à Juíza Simone Barbisan a imediata apresentação dos filmes dos interrogatórios dos demais onze presos, mas como estas cenas não foram auditadas e resultaram selecionadas, também serão requisitados os filmes gravados pela Polícia Federal no interior das instalações da avenida Ipiranga, Porto Alegre.
Os filmes apresentados reproduzem interrogatórios dos professores Silvestre Selhorst e Dario Trevisan. Trevisan acusou a Polícia Federal de tê-lo algemado, constrangê-lo algemado diante de fotógrafos e encapuzá-lo.
31 dos 32 réus denunciaram que a Operação Rodin foi uma farsa. As duzentas testemunhas negaram todas as acusações feitas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal.
As denúncias não estão sendo investigadas, mas os advogados querem que PF, MPF, OAB, MJDH e Assembleia, manifestem-se imediatamente.
Na época dos fatos, o Superintendente da PF no RS era o delegado Ildo Gasparetto, que trabalhava sob a chefia direta do Ministro da Justiça, Tarso Genro.
CLIQUE AQUI para examinar as denúncias feitas pelo professor Silvestre Selhorst para a Juíza Simone Barbisan, terça-feira, que narra as torturas piscológicas que sofreu e denuncia as humilhações públicas (aposição de algemas antes da exibição aos fotógrafos e cinegrafistas, retirada de cadarços e cinta para obrigar o preso a se equilibrar de modo mambembe) e intimidações (ameaça de recolhimento com presos comuns no presídio central). Como são 402 páginas, procure no índice o que lhe interessa. Os professores universitários presos eram todos homens de mais de 60 anos, com folha corrida irrepreensível, réus primários e com enorme reputação pública em todo o RS. 
COMENTO: e aí dona Maria do Rosário? As acusações de tortura são feitas contra a Polícia Federal. A Secretaria Nacional de Direitos dus Manu não vai se pronunciar a respeito???

As Prateleiras da História

por Percival Puggina 
12/12/2011
Está em discussão na Câmara de Vereadores de Porto Alegre um projeto de lei que pretende mudar o nome da Avenida Castelo Branco para Avenida da Legalidade. A vereadora do PSOL que teve a iniciativa do projeto alega que Castelo Branco foi o primeiro presidente do regime militar, um ditador segundo ela, e que a homenagem, portanto, não se justifica.
A primeira contestação salta aos olhos de qualquer analfabeto. Como ficam, perante esse critério, tantas ruas, praças e avenidas com o nome de Getúlio Vargas (para não mencionar Floriano Peixoto, Julio de Castilhos, Borges de Medeiros e tantos outros)? Getúlio implantou uma ditadura duríssima entre 1937 e 1945. A vereadora contrapôs aos que lhe apresentavam esse argumento, que Getúlio, antes de ser ditador, havia sido eleito...
Impressionante desconhecimento de história! Getúlio Vargas disputou a eleição presidencial de 1930 contra o paulista Julio Prestes e perdeu por uma diferença de 300 mil votos, numa eleição com 1,8 milhão de votantes. As alegações de fraudes surgiram de parte a parte e parecem bem prováveis diante do fato de que nosso conterrâneo fez 100% dos votos do Rio Grande do Sul! Aliás, João Neves da Fontoura, logo após o pleito, afirmou, em um dos muitos prenúncios da revolução que se seguiria: "Com esses homens e essas leis essa foi a última eleição presidencial no Brasil". Portanto, Getúlio assumiu a presidência em 1930 conduzido por um levante armado que depôs o presidente Washington Luís e impediu a posse do recentemente eleito Júlio Prestes. Foi como chefe de um Governo Provisório que exerceu o poder até 1934, revogadas por decreto as garantias da Constituição de 1891. Em 1934, ante as insistentes pressões legalistas que já haviam eclodido em São Paulo em 1932, convocou uma Constituinte. Foi essa Constituinte que, por via indireta, o elegeu para um novo mandato com início em 1934 (Castelo, aliás, também foi eleito pelo Congresso). Quando se aproximava o fim desse segundo período, Vargas instaurou o Estado Novo, tornando-se ditador até ser deposto em 1945. Portanto, ele só chegou ao poder pelo voto popular na eleição presidencial de 1950.
Não surpreende a incoerência da vereadora nem seu desconhecimento da recente história republicana. Para determinadas ideologias, a história funciona como um armário de utilidades, uma despensa onde se apanha o que for necessário para cozinhar segundo as receitas do momento. Reprovar a ditadura de Vargas não serve porque o são-borjense foi mitificado no imaginário nacional. O afastamento entre a deposição de Getúlio e a posse de Castelo foi de apenas vinte anos. E nós estamos a meio século dos fatos de 1964! Contudo, embora as circunstâncias nacionais e internacionais de cada época estejam devidamente disponíveis nas prateleiras da história, não há, para a esquerda hegemônica conveniência política em ir buscá-las. Por quê? Porque existem correntes políticas que precisam do conflito, do antagonismo. Quanto maior aquele e mais exarcebado este, melhor.
Não se trata de andar na direção de qualquer êxito político porque o sucesso da política é a superação do conflito. Aliás, a política não existe para promover confrontos, mas para superá-los. E incontáveis vezes, na história dos povos, ela dá solução a traumas e disputas que o Direito não consegue resolver. Foi o caso das tantas anistias ocorridas ao longo da nossa história. Foi o caso, inclusive, desta última, constitucionalizada, que as mesmas correntes ideológicas de hoje querem revogar por muitos modos. Entre eles, pela substituição de nomes de logradouros públicos. Em quaisquer de suas expressões, andam além da margem de qualquer êxito político, no bom sentido dessa palavra. São, isto sim, sintomas de uma nostalgia enfermiça em relação àquele terrível ambiente político, geopolítico e ideológico que instauraram, em escala mundial, durante o século passado.
Percival Puggina (66) é arquiteto, empresário, escritor,
titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora
e de dezenas de jornais e sites no país

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Por Aqui Não Passarão Incólumes!

 por P Chagas 
11/12/2011
Caros amigos
Recebi, há pouco, um livro patrocinado pelo Ministério da Justiça, sob o título “A Anistia na Era da Responsabilização: O Brasil em Perspectiva Internacional e Comparada”.
Trata-se, de acordo com a apresentação do Sr Ministro da Justiça, Sr José Eduardo Martins Cardozo, da divulgação dos 16 textos que compuseram o Seminário Internacional que empresta nome ao livro, realizado, em outubro de 2010, em parceria da Universidade de Oxford com o Ministério da Justiça brasileiro.
O compêndio, de 571 páginas, reúne opiniões de acadêmicos e agentes públicos de diferentes partes do mundo para “discutir questões-chave” sobre o tema título, sob o enfoque da chamada justiça de transição, conceito novo e oportuno que visa, aparentemente de forma seletiva, administrar a transição de regimes autoritários para a democracia plena, tendo como pilares: 
(1) a reforma das instituições de segurança para a democracia, 
(2) a reparação às vítimas de atos de exceção, 
(3) o esclarecimento histórico e as políticas de memória e, 
(4) a normalização das funções de justiça e do Estado de Direito.
Grifei, propositadamente, a expressão “seletiva”, haja vista serem citadas, desde a apresentação, as atividades de cooperação com diversos países americanos, africanos e europeus, aí excluída a melhor e mais atualizada e próxima fonte de exemplos de desrespeito aos direitos humanos e de vítimas de atos de exceção, Cuba!
Por que a discriminação? Talvez porque Cuba não esteja enquadrada no conceito de transição, ou ainda, mais provável, porque, na visão dos autores, já o tenha ultrapassado, quando, intramuros da Fortaleza de La Cabaña, o humanista Ernesto Che Guevara, encarregou-se de “processá-la”, estando, hoje, a ilha sendo vista como modelo a ser conquistado, embora não tenha sido, sequer, citada na coletânea!
Diz o Sr Ministro, na apresentação da bela, muito bem apresentada e, por certo, muito cara obra pública, que o objetivo da conferência seria o de apresentar, “a um só tempo”, os vários processos exitosos do Estado brasileiro na reparação às vítimas, ou seja, seu enriquecimento ilícito à custa do erário; na promoção da memória histórica, por intermédio da difusão unilateral de verdades distorcidas e facciosas; e na reforma dos aparelhos de segurança, o que nos proporciona hoje um dos maiores índices de criminalidade e insegurança do mundo, obrigando, inclusive, ao emprego essencial das Forças Armadas, apresentadas no livro como os principais algozes dos humanos e de seus direitos!
Ressalta também que seria igualmente objetivo do seminário colocar em intercâmbio diferentes intelectuais e agentes públicos, derrubando as fronteiras lingüísticas e geográficas impostas ao conhecimento, esquecendo, por outro lado, propositadamente, com certeza, de dar voz ao contraditório, essência da busca e do encontro com a verdade, com o ideal e, principalmente, com a “democratização efetiva”, apontada como principal objetivo da justiça de transição!
Que pobreza de honestidade e de resultados, sem considerar seus custos, terá tido o dito intercâmbio quando todos os palestrantes, cada um a seu modo, forma e enfoque, disseram as mesmas coisas e colocaram-se contra o princípio cristão, sempre oportuno e conciliador, do esquecimento e da fraternidade!
Se não pode haver o esquecimento para os eventuais excessos da repressão, jamais poderá haver para a ignomínia dos atos de terrorismo!
Trata-se, infelizmente, de mais um passo em direção à revanche, à cizânia, à desarmonia e à luta de classes. Trata-se de mais uma pedra colocada no muro da vergonha tupiniquim, separando, fracionando e enfraquecendo a unidade e a idiossincrasia cultural, histórica e ideológica do pacífico, democrático e conciliador povo brasileiro, impondo-lhe, de forma sub-reptícia e infame, os grilhões do pensamento único, objetivo concebido e obstinadamente perseguido pelo famigerado Fórum de São Paulo!
Se Mallet fosse vivo, poderíamos afirmar, sem medo de errar, que: “Por aqui não passarão”! Nada nos impede, no entanto, de reagir e de lutar, com as armas da verdade e da justiça, para que, se passarem, que não seja incólumes! 
PChagas

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Os Interesses dos Defensores do Desarmamento

por Marcos Coimbra
A tristemente famosa ONG Viva Rio comemorou dezoito anos de vida na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), no dia 07 do corrente, com a conferência "Viva Rio 18 anos: um bom momento para pensar". Na abertura do evento, o diretor da ONG, Rubem César Fernandes, teria ficado emocionado com a exibição de um vídeo resumindo a atuação do movimento nos últimos anos.
A primeira mesa da conferência contou com a participação de pessoas que são consideradas fundadoras do Viva Rio, como o presidente da Firjan, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, o vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho, e o presidente do grupo Lance, Walter Mattos Júnior, além do líder comunitário da Rocinha Carlos Costa.
A segunda mesa, intitulada "Drogas, por uma política mais eficaz e humana", mediada pelo jornalista Merval Pereira, com a participação, dentre outros, do secretário de estado de Meio Ambiente, Carlos Minc, do ex-presidente da República, FHC e do ex-ministro da Justiça Tarso Genro. A terceira mesa foi intitulada: "Drogas: as injustiças da lei”, com a participação do Sr. Pedro Abramovay (aquele que foi defenestrado do ministério da Justiça, por ter ido contra orientação da presidente). De tarde, houve ainda outra mesa sobre missões internacionais de paz e o Haiti.
Esta ONG, tão celebrada, possui um braço, a Organização Social Viva Comunidade, possuidora de um contrato superior a R$ 395 milhões com a prefeitura do Rio. Em audiência pública na Câmara dos Vereadores não souberam informar aos edis o nome de um único integrante do conselho administrativo da OS. Cada conselheiro ganha R$ 12 mil por mês. Após muito esforço, foi informado que o presidente é um “tal de Alfredo”.
É oportuno realçar que um feroz desarmamentista, o qual entregou em 2004 o prêmio Segurança Humana ao diretor Denis Mizne, do Instituto Sou da Paz, em um evento na cidade do Rio, promovido pela UNESCO e pela organização não-governamental Viva Rio, concedido a personalidades que se sobressaíram na Campanha do Desarmamento foi preso por vender armas para traficantes.
O ex-assessor da vereadora tucana Andrea Gouvêa Vieira, esposa do advogado Jorge Hilário Gouvêa, irmão do presidente da Firjan, foi detido depois de ser flagrado em vídeo numa aparente negociação de um fuzil da família AK-47, pelo qual recebera o respectivo pagamento. Para a polícia, o vídeo torna inequívoco o fato, tal como noticiou a imprensa em geral. Não é a primeira vez que o ex-líder comunitário da Rocinha é preso. Em 2005 também o foi, sob a acusação de associação ao tráfico, ocasião em que, sem estranheza nossa, recebeu apoio do presidente da ONG Viva Rio, inclusive em defesa marcada por tom contundente, verdadeiramente feroz.
A grande patrocinadora do movimento de desarmamento da população civil brasileira é justamente a ONG Viva Rio, fundada em novembro de 1993, em conseqüência do seminário internacional: Cidadania participativa, responsabilidade social e cultura num Brasil democrático, realizado no Rio de Janeiro, nos dias 04 e 05, com o patrocínio e a participação de representantes das Fundações Rockefeller, Brascan, Kellog,Vitae e Roberto Marinho.
Ela é filiada à IANSA-International Action Network of Small Arms (Rede de Ação Internacional de Armas Pequenas), um conjunto de 186 ONGs, fundada em maio/99, criada com o objetivo de atuar como uma central de coordenação da campanha internacional de desarmamento, para permitir a implantação de um governo mundial, que atuaria com a utilização de uma força de paz das Nações Unidas, sob o comando dos "donos do mundo".
Dentre os participantes da Viva Rio, destacaram-se o banqueiro David Rockefeller, o então chanceler FHC, fundador do Viva Rio que sempre atuou em estreita coordenação com ONGs internacionais como a Human Rights Watch e o Conselho Mundial das Igrejas (CMI). É de se notar que a Human Rights tem entre os seus patrocinadores o megaespeculador George Soros, cujas Fundações promovem a campanha de desarmamento e legalização do uso de entorpecentes. O CMI também patrocina a campanha internacional de desarmamento civil.
A campanha de desarmamento civil no Brasil não é proveniente de uma iniciativa própria, mas sim do resultado de um esforço internacional realizado por uma rede de instituições ligadas ao "establishment" oligárquico, em especial o seu componente anglo-americano-canadense, objetivando implantar uma estrutura de governo mundial, acima dos Estados Nacionais, que os "donos do mundo" pretendem ver inviabilizados no contexto da "globalização".
O desarmamento da população se segue a uma série de medidas visando o desmantelamento das Forças Armadas e a reestruturação das forças policiais civis e militares, elementos cruciais do plano de dominação externo. Em dezembro de 1995, durante um seminário internacional promovido no Rio de Janeiro pelo Ministério da Justiça, o movimento Viva Rio e a Police Foundation dos EUA, o então secretário-geral do Ministério da Justiça, Sr. José Gregori, anunciou que o Viva Rio seria encarregado da elaboração de um projeto para orientar a nova Política de Segurança Pública do governo federal, uma doutrina de segurança cidadã, para ocupar o vazio que existe desde a doutrina de Segurança Nacional do governo.
Tudo isto é apenas “coincidência”!
Fonte:  Alerta Total

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Militares do Exército são Desacatados por PMs em Greve em Rondônia. E o Salário, ÓÓÓÓÓ´....

Autorizados pela presidência da República, soldados do Exército iniciaram nesta sexta-feira o patrulhamento das ruas das grandes cidades de Rondônia. 
Vídeo postado pelo site Rondoniaovivo mostra o medo e apreensão de militares com a aproximação de um contingente nas proximidades do 5º BPM. 
O Exército não iria realizar nenhuma ação de retomada, mas apenas o serviço normal de patrulha ostensiva. Mulheres pedem calma aos PMs.
Comentário:
Aos 59s, um dos grevistas(?) diz: "esse fuzil tu enfia no teu c..., c...!" Na sequência, outro ameaça o militar que parece ser o comandante da tropa: "Cês tão todo dia na rua, tá bom? Cês tão todo dia na rua!"
 Fonte do Artigo:  Blog do Montedo
COMENTO:  a falta de reação por parte dos militares federais demonstram, por um lado, a disciplina e o bom senso, e por outro, o enorme desrespeito por parte de policiais - servidores pagos com dinheiro público - para com integrantes de uma Instituição Federal. Nos bons tempos, seria solicitado reforço e os "revoltados" encaminhados "a pau" para um quartel onde ficariam à disposição de um encarregado de IPM. Mas nos tempos democráticos de hoje, ofender milico em serviço já não deve mais ser crime.  

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

SÃO CARLOS MARIGHELLA

por Janer Cristaldo
duas semanas, comentando o instituto criado por Cristina Kirchner para reescrever a história da Argentina, eu afirmava que tal idéia nada tem de novo para quem vive no Brasil. Mas se antes as revisões históricas eram feitas em séculos, hoje os ocupantes do poder estão acelerando o ritmo e as fazem em décadas. Vide este país nosso. Não se passaram cinqüenta anos, e as esquerdas brasileiras reescreveram a história do Brasil. Os militares que, em 64, salvaram o país de tornar-se uma republiqueta soviética, são vistos hoje como bandidos. E bandidos são vistos como heróis.
Desde há muito vem se reescrevendo a história do Brasil. Começou com Ruy Barbosa, destruindo documentos relativos à escravidão. De lá para cá, a história vem sendo revista ano a ano. Lampião, um bandoleiro vulgar, foi promovido a herói. Zumbi, dono de escravos, foi promovido a defensor dos escravos.
Porto Alegre não tem memorial algum dedicado a gaúchos que, bem ou mal, tiveram sua importância, como Getúlio Vargas, Erico Verissimo ou Mário Quintana. Existe a casa Mário Quintana, é verdade, cabide de empregos instalado no hotel em que vivia, pobremente, o Quintana. O poeta morreu na miséria. (Mas seu nome serviu como pretexto a gordos salários a um monte de vagabundos).
Em agosto passado a prefeitura da capital gaúcha liberou o início de construção do prédio em homenagem a Luís Carlos Prestes, assassino a mando de Moscou e certamente o mais obscurantista líder que o Rio Grande do Sul produziu. Transcrevo nota publicada na imprensa:
Desenhado e doado por Oscar Niemeyer em 2008, o projeto do Memorial Luís Carlos Prestes receberá nesta quinta-feira, 25, às 17h, a assinatura final do arquiteto. Com o ato, a prefeitura estará autorizada a liberar o início de construção do prédio que eterniza a memória desse ícone da história porto-alegrense e brasileira. O prefeito José Fortunati, o presidente da Federação Gaúcha de Futebol (FGF), Francisco Noveletto, o arquiteto responsável pela execução da obra, Hermes Teixeira da Rosa, representantes da Corrente Prestista e familiares de Prestes participam do encontro com o arquiteto no Rio de Janeiro.
A construção do Memorial Luís Carlos Prestes será feita pela FGF como contrapartida pela cessão de uso do terreno para a nova a sede da entidade, que servirá como base administrativa e de operações voltadas à Copa do Mundo de 2014. A área, de 10 mil m², está localizada na Av. Edvaldo Pereira Paiva esquina com a Av. Ipiranga e abrigará os dois prédios.
Para o prefeito Fortunati o memorial representa dois marcos fundamentais para a cidade. "A iniciativa ergue espaço de um resgate histórico necessário e será o primeiro projeto de Niemeyer a ser executado na Capital". A obra deve iniciar até o final do ano e ficará pronta em prazo de 18 meses.

Obviamente, deve ter dedo do capitão-de-mato Tarso Genro nesta homenagem ao celerado. Tarso sempre manifestou seu fascínio por Prestes e o tem como um de seus ídolos. Também é normal que Niemeyer, o fóssil comunossauro, seja o autor do projeto. O Muro caiu há mais de duas décadas em Berlim. No Brasil, continua em pé. Resgate histórico necessário é o nome novo dado pelo prefeito para mentira histórica colossal.
Culminou ontem a santificação de mais um bandoleiro da história pátria, Carlos Marighella. No dia em que faria 100 anos, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça reconheceu que ele foi perseguido pelo Estado desde os anos 30, na ditadura de Getúlio Vargas.
Perseguido? Ora, em 35 Marighella participou da Intentona Comunista, tentativa de golpe de estado liderada pelo celerado gaúcho e financiada por Stalin. Pretenderia por acaso que lhe erguessem um monumento? Nos anos 60, o baiano foi o líder da ALN (Ação Libertadora Nacional), uma das organizações terroristas que mais matou pessoas no Brasil (entre estas, algumas que nada tinham a ver com o peixe) e que foi responsável pelo seqüestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick, em 1969, para trocá-lo pela libertação de 15 presos políticos. Marighella, que pregava a luta armada e que escreveu inclusive um manual de guerrilha, não pode queixar-se de ter sido passado pelas armas.
Numa reportagem evidentemente simpática ao terrorista, escreve Marcelo Ridenti na edição de hoje da Folha de São Paulo:
Morte violenta ajudou a forjar o mito do guerrilheiro heroico
Carlos Marighella talvez tenha sido o líder comunista brasileiro mais destacado, depois de Luiz Carlos Prestes. Militante do Partido Comunista desde os anos 30, teve longa trajetória até fundar a ALN (Ação Libertadora Nacional) e ser morto numa emboscada em São Paulo, em 1969, como resultado da escalada repressiva após o seqüestro do embaixador americano Charles Elbrick.
Escalada repressiva? O jornalista queria o quê? Que buscassem Marighella para condecorá-lo com a Ordem de Rio Branco? O Estado reagiu ao seqüestro e o santo homem das esquerdas levou a pior. Continua o repórter:
Foi paladino da opção democrática no pós-guerra e do esquerdismo do Manifesto de Agosto de 1950. Criticou o segundo governo Vargas e aproximou-se dos trabalhistas depois de seu suicídio.
Pode ser paladino da opção democrática quem tentou tomar o poder por ordens de Moscou? Quem teve como líder o frio assassino de Elza Fernandes?
Conhecido pela firmeza e pela emotividade, conta-se que teria chorado com a revelação oficial dos crimes de Stálin em 1956.
Não foi o único a chorar. Tive notícias de não poucos comunistas que choraram com as denúncias de Kruschov. Se os crimes de Stálin permanecessem ocultos, o Paizinho dos Povos continuaria merecendo a reverência de multidões no mundo todo. E os coitadinhos dos meigos e ternos e sensíveis comunistas não teriam razões para chorar.
Mais um pouco, e o celerado terá seu memorial. Provavelmente será matéria de vestibular. Se é que já não é. Basta dois milagres e poderá ser canonizado. Abaixo (clicando AQUI), segue artigo que escrevi ainda este ano.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Conclusões Politicamente Incorretas Extraídas da Morte de Kadafi

por Francisco César Pinheiro Rodrigues

Muamar Kadafi era, sem dúvida, um déspota desagradável — há tiranos "maneiros’... — , vingativo, nem um pouco esclarecido. Quando menino, nas aulas de História Geral, eu achava engraçada a expressão "déspota esclarecido". Cheio de caprichos, Kadafi dava imenso trabalho ao cerimonial e serviços de segurança dos países do Primeiro Mundo que visitava como convidado oficial. Exigia dormir em tendas, ao ar livre, mesmo em Roma, Nova Iorque e Paris. Não tinha o menor receio de afrontar os representantes das maiores potências nem os CEOs das riquíssimas companhias petrolíferas ocidentais, embora plenamente consciente de que dinheiro é poder. E o poder consegue praticamente tudo quando dispõe, sozinho, do privilégio de moldar, à vontade, a manipulável opinião pública. Kadafi atreveu-se — conta-se —, a rasgar a Carta das Nações Unidas em plena Assembléia Geral da ONU. Descontada a teatralidade, tinha uma certa razão, porque essa Carta não foi concebida para impor estilos de governo. Foi feita para obrigar, igualmente, todas as nações, fortes e fracas, a respeitar as demais, não interferindo nos seus assuntos internos.
Pelo que informa a mídia, Kadafi guardava no Exterior bilhões de dólares, em contas do Banco Central líbio e outras instituições governamentais. Como suas decisões não podiam ser contestadas por ninguém, o dinheiro depositado poderia — em tese — ser sacado pelo próprio Kadafi, para uso pessoal ou de sua família. Por outro lado, estando tais contas em nome de órgãos governamentais, isso foi benéfico para a Líbia, que ficou com reservas em dinheiro depositado no Exterior. Estivesse o dinheiro depositado em bancos na própria Líbia, essa riqueza já teria sido saqueada na confusão de meses de lutas internas.
Por mera intuição de psicólogo amador, arrisco "diagnosticar" — futuros biógrafos mostrarão se estou certo ou errado — que Kadafi fazia algum uso de anfetaminas, droga que, quando consumida sem restrições acentua a mania de perseguição, passada a euforia inicial. No seu caso, aliás, a paranóia era altamente recomendável porque o mantinha em constante alerta contra um enxame de inimigos que queriam seu lugar. Tendo tomado o poder ilegitimamente, em 1969, com 27 anos, sabia que só podia confiar na força e na intimidação porque foi com esses componentes da luta política — em países com pouca alfabetização — que se tornou o "homem forte" da Líbia. Conseguiu esse status em setembro de 1969, mediante um golpe de estado. Liderando um grupo de oficiais, tomou o poder quando o rei, Idris — o primeiro e único rei líbio — estava ausente do país. Idris, um monarca religioso e de saúde frágil, após sua deposição foi acolhido pelo Egito, ali vivendo — tudo indica confortavelmente —, até falecer em 1983. Nesse "golpe" de 1969 não houve derramamento de sangue.
Não obstante seus inúmeros defeitos — mesmo o demônio não consegue a perfeição em sua maldade — , Kadafi beneficiou o povo líbio quando, logo após se tornar o "dono" do país, exigiu uma maior participação estatal nos lucros do petróleo, extraído pelas poderosas empresas ocidentais. Caso contrário, elas não teriam mais permissão de continuar operando. Sabia que as petrolíferas acabariam cedendo, como realmente ocorreu. Seria suicídio econômico se elas abandonassem o lucrativo investimento. E sua ousadia foi sendo imitada por outros países da região, ricos em petróleo e gás, o que explica — em boa parte —, porque Kadafi era tão odiado pelos países mais ricos do ocidente.
Com a maior união dos países árabes, no item petróleo, o barril foi subindo de preço, para indignação daqueles países ocidentais acostumados, até então, a conceder à Líbia e outros países árabes apenas as migalhas do lucrativo negócio. Esses aumentos pareciam, ao Ocidente, uma autêntica "extorsão", tirando proveito de uma forma de energia até então impossível de substituir. Um dia Kadafi pagaria por esse estímulo à "chantagem".
E pagou, no dia 20 de outubro de 2011, ainda que, com muita habilidade política, usando-se mãos alheias: os revoltados com a longa ditadura. Seria necessário, para salvar as aparências, que os rebeldes líbios — não a OTAN —, fizessem o "serviço sujo". Atente-se que os pilotos da OTAN, sabendo ou presumindo que Kadafi estava na caravana de automóveis que fugia da cidade, não bombardeou ou metralhou largamente os veículos — como vinha fazendo antes —, porque com isso poderiam matar o ditador. A ordem, provavelmente, para os pilotos — ou para os controladores dos vôos não tripulados — seria mais ou menos essa: —"Apenas impeçam a fuga dele! Não o matem! Detido o comboio, será alcançado pelos rebeldes que certamente o matarão, algo muito mais prático que um julgamento público. Sabe-se lá o que ele diria em sua defesa, no tribunal? Se os aviões da OTAN o matarem diretamente estaremos violando a Convenção de Genebra. Isso seria um ato de guerra. E nesta é crime matar o inimigo que se rendeu. Juridicamente não estamos "em guerra". Estamos apenas favorecendo um dos lados, protegendo a população líbia". E assim aconteceu. Os revoltosos pegaram Kadafi e o lincharam e mataram. Soaria muito mal, política e juridicamente, que potências estrangeiras, integrantes da Otan, matassem um chefe de estado no próprio país dele. Essa manobra tem uma metáfora bem popular: "Puxar a sardinha com a mão do gato".
Abordando o assunto sob o ângulo de Direito Internacional é preciso frisar que a Carta das Nações Unidas não autoriza o uso do assassinato de chefes de estado a mando de outros Estados, seja em nome próprio ou através de organizações militares, como a OTAN. E o que aconteceu na Líbia foi exatamente a utilização do que é proibido: força aérea estrangeira metralhando e bombardeando as forças armadas de um país cercado e não acusado de agressão. Kadafi não atacara nem os EUA, nem o Reino Unido, nem a França. Um artigo de um especialista, Roberto Godoy, no jornal "O Estado de S. Paulo", revela-nos que a Otan dava cobertura ao avanço dos revoltosos, "garantidos pelo bombardeio aéreo, intenso e diário, dos 180 aviões da coalizão internacional".
Se isso não representa desrespeito à livre determinação dos povos, nítido ato de guerra, não dá mais para saber o que é guerra. A agressão não precisa, para ser caracterizada como tal, realizar-se com tropas marchando no chão. Se assim fosse, nações fortes poderiam jogar algumas bombas nucleares para arrasar qualquer país sem serem acusadas de ato de agressão. Um único avião poderia fazer "o serviço". Muito mais devastador do que milhares de soldados no solo. E na Líbia eram muitas dezenas de aviões atacando as forças governamentais. É muita inocência, ou malícia interpretativa, dizer que é indispensável a presença de soldados no solo para caracterizar uso da força, sob o prisma do Direito Internacional. O uso da força aérea é decisivo para vencer guerras, nos tempos atuais. Houve, sim, no caso líbio, uma poderosa e letal interferência de outros países, integrantes da OTAN, para derrubar um governo. Isso sem falar na presença, em terra, de dezenas de assessores estrangeiros, orientando os revoltosos sobre como articular os ataques contra o tirano, isso sem mencionar o fornecimento de armas.
Sobre tiranias, também o Direito Internacional não chegou ao ponto de permitir que países possam invadir outros para remover governantes que consideram, com ou sem razão, tiranos. Se os povos são soberanos, como diz a doutrina, podem apoiar um ditador, que lhes pareçam benéficos, talvez até mais justos que algumas democracias de papel. É certo que a democracia, em tese, é melhor que a ditadura, mas isso não autoriza as nações ou coligações a invadir países para remover governantes não democráticos.
Alguém dirá que a OTAN interferiu com ataques aéreos apenas por motivo nobre, defendendo direitos humanos, pois o ditador estava matando revoltosos, seus próprios cidadãos — que, convenhamos, estavam também dispostos a espancar ou matar o tirano.
Se o argumento da "nobreza" vale, na teoria, figuremos a seguinte hipótese: suponhamos que um milhão de americanos, reunidos em frente à Casa Branca, em Washington, protestasse contra a política econômica de Barack Obama. Exaltados, os manifestantes ameaçam invadir os jardins da Casa Branca. A polícia intervém com gás lacrimogêneo e balas de borracha. Dois manifestantes morrem e a turba, mais enfurecida, tenta ingressar na sede do governo federal. Aí a polícia passa a atirar com balas de verdade. Aí teríamos o "massacre". Se o conflito se generalizasse, em várias cidades — pergunta-se —, teria a China, por exemplo, o direito "humanitário" de dar apoio aéreo à "população massacrada" bombardeando a Casa Branca e o Pentágono? Não seria, essa hipotética atitude chinesa, uma distorção na "proteção dos direitos humanos"? Sanções econômicas e diplomáticas são aceitáveis, sob o prisma internacional dos direitos humanos, mas intensos bombardeios significam clara interferência bélica nos assuntos internos de outros países, ainda proibida — pelo menos em teoria. Assim, tinha certa razão Kadafi quando, dizem, rasgou, na ONU, a Carta das Nações.
Um detalhe sobre o qual a opinião pública internacional deve permanecer atenta, futuramente— para conhecer as reais motivações do apoio bélico aéreo contra Kadafi — será saber se o novo governo líbio ficará ou não devendo dinheiro aos países que controlavam a OTAN. Receio que o fator petróleo está no topo do conjunto de motivos para a invasão aérea e o linchamento, "por procuração", do tirano.
Pergunta importante: o futuro governo líbio terá, por caso, que pagar financeiramente as armas recebidas dos americanos, franceses e ingleses? As despesas da OTAN com aviões, bombas, munições e assessoria militar em terra, deverão ser reembolsadas? Se isso ocorrer — seria muito cinismo... — estará comprovada a segunda intenção — petróleo! — da cobertura aérea e apoio tático aos revoltosos. Isso porque estando as finanças líbias muito desorganizadas, após meses de anarquia, o país só poderá, talvez, pagar tais empréstimos com concessões para extração do petróleo. Além do petróleo, com que outra riqueza o novo governo líbio pagaria essa dívida. Com areia? Ainda não se sabe se os alegados depósitos líbios no Exterior seriam suficientes para indenizar os gastos feitos pelos principais países que integram a NATO.
Empresas chinesas e de outros países — não integrantes da NATO — também extraiam o petróleo líbio. Voltarão elas a operar no país, quando a Líbia estiver sob novo governo, ou somente EUA, França e Reino Unido é que tomarão conta do petróleo líbio? Esse detalhe é importante para se verificar se a queda de Kadafi foi motivada apenas pela defesa dos direitos humanos ou se por trás dessa bela expressão havia alguma oleosa ambição política?
O assassinato, direto ou por procuração, ainda impregna a política internacional, prática que imaginava-se fora de moda. Por outro lado, o assassinato de Kadafi é um alerta de que as tiranias já não podem se defender com a eficácia de antigamente.
O exercício do poder é agradável. E, se absoluto — foi o caso de Kadafi —, agradabilíssímo. O que explica porque todos os governantes — inclusive presidentes de democracias ocidentais — queiram permanecer no cargo até a morte. E mesmo além dela, através de um filho sucessor, prova de que o "gene" da "monarquia" ainda impregna o código genético da natureza humana.
Todo governante gostaria de ser o fundador de uma dinastia infinita. "Jamais por amor ao poder, claro. Adoro meu povo quando me aplaude!". Difícil um presidente que não queira voltar ao poder. O próprio Barack Obama também faz questão de continuar, enquanto a legislação assim permitir, o que explica sua súbita mudança de mentalidade no avaliar situações internacionais. Em questão de semanas passou de "pomba" a "falcão". Se os eleitores querem mais "firmeza", sejamos "duríssimos", "do contrário perco a eleição". Putin saiu quando ficou impossível continuar, mas pretende logo voltar. E assim por diante, em todo o planeta. E os tiranos nem podem dar ao luxo de deixar o poder, porque é imenso o risco do assassinato. Por tal razão, e outras, é que a democracia — mesmo quando corrupta —, é superior às ditaduras. Nestas, quem entra não quer nem pode sair, sem risco de vida. Nas democracias, ninguém quer sair, mas pelo menos pode.
Para os líbios, no longo prazo, foi bom o afastamento de Kadafi, mas antes de melhorar vai piorar, por meses ou anos. Pessoas de sensibilidade normal não gostaram nem um pouco da brutalidade como ocorreu a queda do tirano. Melhor seria se seu afastamento ocorresse de modo mais civilizado. Em um tribunal, ele poderia nos revelar coisas bem interessantes, para susto de alguns chefes de estado.
As considerações deste artigo têm também a finalidade de sugerir que os leitores em geral estão bem cientes das manobrinhas astutas da política internacional, que se imagina mais inteligente do que realmente é.
Francisco César Pinheiro Rodrigues é desembargador aposentado do TJESP e escritor. 
Fonte:  Mundo RI