quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Desmotivação Militar

Por Valmir Fonseca*
06/11/2011
Eventualmente, recebemos indagações de “quando os militares vão agir” ou referências de “como era bom no tempo dos militares”. 
Lamentamos. Gosto não se discute. 
Os militares que conviveram com a quebra da lei e da ordem, antes da Contra- Revolução de 31 de março, e a subversão e o terrorismo deflagrados nos anos seguintes, torcem o nariz para a hipótese de qualquer retorno.
Se eles concluíram que a Nação não mereceu tanto desgaste, não sabemos. É provável. A cruz decorrente daquela chama de idealismo, que deplorava um regime totalitário que batia à nossa porta, foi, e é pesada, até para o mais radical democrata nacionalista, militar ou não. Contudo, hoje assomam na cabeça dos militares não somente as questões ideológicas, mas outras, triviais, visto que na trilha do Gramsci e pela manipulação da democracia, até os regimes mais totalitários travestidos e acobertados pelas distorções e facilidades inerentes à democracia,aboletaram-se no poder, mormente na America Latina. 
Adentramos no “regime democrático”, foram-se os governos militares. E lá se foram os generais presidentes, pobres como assumiram seus cargos, não deixaram como lembrança, um filho, um sobrinho, um parente sequer para encher o nosso saco no reino da politicagem. Eles, simplesmente, cumpriram a sua missão. 
A verdade, é que nem nos governos militares foram os soldados beneficiados com opulentos salários e vistosas mordomias. Os gastos com os equipamentos parcimoniosos, estavam sempre de olho na capacidade da Nação. Segundo o saudável princípio de que o Poder Militar deveria ser compatível com a estatura do País. 
De lá pra cá, os militares, cegos, surdos e mudos continuaram a sua lida de sempre. Abnegação, dedicação e exemplo foram e continuam como as tônicas da formação militar. Disciplina e Hierarquia eis os pilares de uma Instituição Permanente e nacionalista. Mas o silêncio decorrente da férrea, mas não boçal disciplina, e da rígida hierarquia tem o seu pesado preço. 
Hoje, o revanchismo atemoriza os jovens que poderiam orientar-se para a carreira militar. Como vibrar ou motivar-se para o ingresso ou prosseguimento numa carreira estribada em obsoletos equipamentos, de silentes sacrifícios, sem horas extras, sem horários? E o salário? Ah, o ridículo salário. 
Na Academia Militar e noutras escolas, de todos os níveis, sem surpresa, jovens, ao invés da dedicação escolar básica para a sua formação militar, preparam-se para os concursos (civis). Mesmo os mais devotados à carreira, balançam entre viver na penúria, abraçados aos seus ideais ou gozar de um remunerado emprego sem maiores responsabilidades onde não lhes serão cobrados, o exemplo e a dedicação. É quase impossível, vestir uma farda e bradar, “seja tudo o que Deus quiser”. 
Muitos questionam se a sociedade atual merece tanto desapego. Os superiores podem pelo exemplo e pelo convencimento enrolar na bandeira aos seus subordinados com palavras prenhes de nacionalismo como o “sublime amor à pátria”. Contudo, primeiramente, seu auditório precisa escutar e, mesmo assim, não significa que se encantará com o discurso patriótico e, além disso, seus pupilos poderão fazer ouvidos de mercador e suas necessidades básicas falarão mais alto. 
A degradação salarial é um bom caminho para o esvaziamento de uma brilhante profissão. Mas assim caminha o revanchismo. Sucateando equipamentos e desprestigiando os recursos humanos. Quando uma nação perde o seu poder militar, sua capacidade dissuasiva de, pelo menos, desencorajar pretensões, ela perde um de seus PODERES. Não há como barganhar, não há como inibir. 
Diante das gritantes discrepâncias, no trato, no respeito e nos salários, a tentativa de esvaziamento da carreira militar “vai de vento em popa”. 
Em todos os níveis hierárquicos, sem exceção, o padrão do militar e, por conseguinte da instituição, rolam ladeira abaixo e, sem que o desgoverno esboce o mínimo respeito, ele mergulha um dos pilares da Nação num poço de iniqüidade. 
Por isso, quando indagam sobre o retorno, a resposta é uma só, “só se for para exigir mais respeito e salários adequados, itens primordiais para a valorização dos recursos humanos”. Quanto ao resto, é dar de ombros e dizer, “é lamentável, mas é disso que o povo gosta”; que se lambuze.
*Valmir Fonseca Azevedo Pereira, General de Brigada Reformado,
 é Presidente do Ternuma.*

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