sexta-feira, 11 de novembro de 2011

534 Km de Vergonha

por João Marcos Adede y Castro
A vergonhosa história da mãe gestante que viajou 534 quilômetros entre Santa Vitória do Palmar e Novo Hamburgo em uma ambulância minúscula, mal equipada e sem a presença de um médico e nem mesmo um auxiliar de enfermagem e que está em estado grave depois de ganhar gêmeos é um fiasco memorável das autoridades de saúde.
O caso teve repercussão nacional, jogando nosso Estado, de quem tanto nos orgulhamos, na vala comum das péssimas administrações de saúde.
Todos os dias lemos notícias de corrupção envolvendo dinheiro público, tendo inclusive o Advogado Geral da União afirmado que de cada R$ 100,00 desviado dos cofres públicos apenas R$ 2,34 conseguem ser recuperados, depois de longos processos.
Ele não disse que esta fortuna recuperada foi gasta milhares de vezes no sistema extrajudicial e judicial, com o pagamento de fiscais, advogados, juízes, servidores e, talvez, algum corrupto para que o sistema de combate à corrupção funcionasse.
Assim, é mais provável que a cada R$ 100,00 desviados gastemos outros R$ 100,00 tentando recuperar os primeiros, geralmente sem sucesso.
Mesmo que demorado, nem é tão difícil conseguir a condenação de servidores corruptos, mas ficamos com a sentença na mão, como um troféu inútil, pois no geral o corrupto escondeu o dinheiro que desviou, colocou seus bens em nome de “laranjas” e os únicos bens que possui são impenhoráveis, como o salário e a casa da família (muitas vezes construída com o dinheiro roubado).
Quem persegue corrupto não passa de um sonhador, um Dom Quixote ridículo, motivo de gozação, pois eles, como criminosos, são muito organizados e nós um bando de amadores.
Sempre digo que se as sentenças de condenação de corruptos fossem redigidas em papel macio como neve e perfumado talvez pudéssemos dar a elas uma função mais nobre do que simples símbolo do fracasso do sistema repressor e punitivo.
Não há um sistema eficiente de controle prévio e, em geral não há nenhum sistema de controle do uso de recursos públicos, limitando-se o Estado a fazer de conta que fiscaliza e pune.
Enquanto isto, as mães grávidas têm de esperar dias por um carro velho que as leve até a maternidade, onde vão morrer, por falta de medicamentos, médicos e UTIS-Neonatais.
Quem se importa?
A semana que vem já teremos esquecido isto e o baile da corrupção continuará, até que nossa sociedade caia de podre.
Deus queira que eu esteja errado.

Um comentário:

Anônimo disse...

Pois é. E esqueceremos mesmo. Vejam, já esquecemos até da roubalheira do ministro do esporte.!!!!!!!!!!!!!!!!!!!