segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Os militares e o aumento

 
        Basta !
pelo Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira
15/09/2011
A cambada não perde por esperar, e ganhará um substancial aumento de desmoralização.
O desgoverno, preocupado com as denúncias de um bando de desocupados, que inundam a internet com seus torpedos sobre o gritante desnível salarial dos militares federais, onde ressaltam a sua disparidade em relação aos demais setores, inclusive com a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros do DF, está decidido a dar um basta naquele tipo de abuso.
A “inteligência” do desgoverno, em rigorosas e secretas diligências, chegou à brilhante conclusão que revanchistas têm insuflado o bando de parasitas que estão na reserva e, até reformados, para servirem de porta-voz dos militares.
E eles enchem o saco.
Concluíram os agentes que se trata de elementos desclassificados da oposição, militares da reserva ou reformados, quiçá abonados com polpudos recursos, que esbanjam o seu precioso tempo, jogando farpas contra o poder central.
Na falta do que fazer, lamuriam–se dos equipamentos obsoletos, dos salários vis, do recrutamento anual que diminuiu vergonhosamente, do emprego como puliça, da falta de recursos, do meio-expediente por falta de boia, por falta de combustível, dos armamentos, da falta de munição para o adestramento, enfim uns inúteis que parecem não saber que o País tem uma dívida impagável com os seus representantes, que merecem maiores salários e melhores condições de vida.
Os relatores das investigações chegaram àquela conclusão pelo óbvio, se os da ativa não reclamam, nem suspiram por qualquer aumento, as insatisfações denunciadas pela reserva e caterva só podem ser coisas de subversivos, de terroristas da internet, desfardados que se comprazem, por vingança, em destratar os poderes constituídos.
Nada melhor, aventaram os entendidos, do que criar um instrumento de pressão, como por exemplo, uma Comissão, para empurrá–los contra o paredão, e jogar um pouco de juízo naquelas tresloucadas (ou encaniçadas) cabecinhas
Desse modo, para emudecer os insatisfeitos, nada melhor do que votar a ferramenta de pressão, no mais curto prazo. Em marcha batida ou em acelerado o Congresso deverá sacramentar o cala boca institucional.
É a criação da Comissão da Verdade, doa a quem doer; desde que nos outros, é claro.

Assim, com esta decisão presidencial, julgam os analistas, que iniciados os trabalhos da Comissão, um sepulcral silêncio calará a milicada e, ao final dos trabalhos, ela chegará ao seu veredito final. Que poderá ser: “para evitar dissabores futuros é melhor extinguir esta sub-raça, ainda mais que já temos a nossa Força Nacional de Segurança”.
Versados em direitos humanos, um dos mais rigorosos atributos exigidos nos futuros membros da Comissão, a tal de hierarquia deverá ser expurgada por contrapor-se violentamente contra os direitos humanos.
A disciplina
seguirá o mesmo caminho fúnebre, pois é inadmissível que um ser humano, na atualidade, dono de sua vontade, tenha que obedecer a alguém, isto fere, no mínimo, o livre arbítrio, e o direito do indivíduo de fazer o que quiser, e quando quiser.
Portanto, hierarquia e disciplina são amarras, algemas que inibem o ser humano, que tolhem a sua liberdade, a sua criação, o seu viver.
Logo, ao término da obra, a conclusão será que é melhor fechar tudo e jogar fora a chave. Pois, mesmo a hipótese de serem elaborados novos currículos, e refazer a cabeça das novas gerações militares deverá ser repudiada. Como disse um velho e empedernido comuna, “milico tem a idéia tão torta que só morrendo, preferencialmente, à mingua”.
A verdade é que a Comissão durante o seu exercício de dois anos, além de tirar o sossego de uns e outros, facilmente servirá de atração para desviar a atenção para as esbórnias que pululam. Mas esta é outra história.

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