sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Novos Valores



quinta-feira, 29 de setembro de 2011

La Solución es, muchas veces, muy Simplona

por Janer Cristaldo
Ainda há pouco eu comentava uma notícia alarmante: metade das crianças brasileiras que concluíram o 3.º ano (antiga 2.ª série) do ensino fundamental em escolas públicas e privadas não aprendeu os conteúdos esperados para esse nível de ensino. Cerca de 44% dos alunos não têm os conhecimentos necessários em leitura; 46,6%, em escrita; e 57%, em matemática.
Isso significa que, aos 8 anos, elas não entendem para que serve a pontuação ou o humor expresso em um texto; não sabem ler horas e minutos em um relógio digital ou calcular operações envolvendo intervalos de tempo; não identificam um polígono nem reconhecem centímetros como medida de comprimento.
Na ocasião, republiquei crônica de 1977, na qual eu manifestava meu espanto ante uma funcionária dos correios, que precisou usar uma calculadora para subtrair 20 de 31. Minha crônica tem 34 anos de idade. Ou seja, há mais de três décadas um funcionário público não conseguia fazer uma subtração banal sem recorrer a uma máquina eletrônica. De lá para cá, o ensino só tem se degradado.Mas ainda acabaremos sentindo saudades do analfabetismo contemporâneo. Em maio passado, provocou celeuma o livro Por uma Vida Melhor, adotado pelo Ministério da Educação, que considera ser válido o uso da língua popular, ainda que com seus erros gramaticais. Dizer "Nós pega o peixe" ou "os menino pega o peixe", seria aceitável. Para quem não tem escola, sem dúvida é aceitável. Mas a escola existe para ensinar os alunos a falar corretamente. Se não ensina, não tem porque existir. Um livro, adotado pelo MEC, não pode abrir tal exceção.
O pior ainda está por vir. Leio na Folha que o Estado de São Paulo reduzirá a carga horária das aulas de português e matemática para aumentar o espaço de outras matérias. No ensino médio matutino, por exemplo, o aluno que está na rede hoje deverá ter assistido a 560 aulas de português quando se formar. Pela proposta, se ele escolher ênfase em linguagem, serão 440 aulas (20% menos). No currículo com ênfase em matemática, seriam 400 aulas e 360 em humanas.
Por outro lado, todos os estudantes terão carga maior de física, química, filosofia e sociologia, que hoje chegam a ter apenas uma aula semanal.
Ora, se com 560 aulas de português os alunos saem da escola apenas balbuciando o vernáculo, imagine o leitor como sairão com 120 horas a menos. Português e matemática são as matérias fundamentais de qualquer escola. Se você não conseguir expressar-se corretamente ou entender um texto, ou dominar pelo menos a tabuada, você não vai longe na vida. A menos que opte pela política. Aí poderá ser até mesmo presidente.
Quanto a física ou química, quem de nós lembra das leis da termodinâmica ou de alguma formula química? Eu não lembro mais. Só gente do ramo, médicos, físicos ou engenheiros retêm tais conhecimentos. Eu, que desde jovem tinha uma propensão às humanidades, nunca entendi porque tinha de aprender leis da física ou da química. A única lei da qual lembro hoje é a da gravidade. O que estudei de história ou geografia até hoje me acompanha. De física e química, devo confessar que pouco ou nada me serviu.
Quanto á filosofia, isto é coisa que não existe. O que existe é a história da filosofia, que começa lá nos antigos gregos, evolui no tempo e se tornou hoje esta disciplina confusa, cujo sentido é procurar o sentido da filosofia. Filosofia, assim sem mais nem menos, só existe para os marxistas. Para estes, a única filosofia permissível é o marxismo e todos os demais rumos do pensamento não têm sentido algum. Não por acaso, os cursos todos de filosofia são dominados pelas viúvas do Kremlin.
Como também os de sociologia. Sociologia, desde sempre, foi um laboratório de marxismo. A decisão dos burocratas paulistas, no fundo, está privilegiando a masturbação intelectual, em detrimento do ensino que é fundamental para a vida. Com a alteração – leio na Folha - o governo tira carga de matérias em que os alunos têm problemas. Prova da secretaria aponta que 38% estão abaixo do esperado em português e 58% em matemática. La solución de un problema muchas veces es muy simplona, dizia um de meus professores em Madri. Se os alunos estão abaixo do nível esperado em português e matemática, é simples: reduz-se o número de horas/aula. Para que complicar, quando se pode facilitar?
Melhor mesmo, só eliminando essas disciplinas chatas do currículo. Afinal, ninguém precisa delas para ser presidente da República.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Os Corregedores da História

por Percival Puggina
O Congresso Nacional se encaminha para aprovar a criação da Comissão da Verdade. Saído do forno da Câmara na última quarta-feira, o projeto segue, agora, para o Senado Federal, de onde rumará para sanção presidencial. Pelo projeto, caberá à presidente Dilma a tarefa de indicar todos os sete membros da Comissão. Como é que é? Todos? Sim, todos. Foi-lhe vedado, apenas, nomear quem exerça "cargo no Executivo e em partido, quem não tenha condições de atuar com imparcialidade e quem esteja no exercício de cargo em comissão ou função de confiança". Esta foi a contribuição do DEM para o projeto. Imagino que o deputado ACM Neto, depois de vê-la aprovada, deve ter ido dormir tranquilo, convencido de que a exigência proposta por ele confere à comissão a dignidade, a isenção e a inteireza do melhor mármore de Carrara. Pois sim! 
Barbadinha a tarefa de Dona Dilma. O que mais existe em relação aos episódios a serem apurados é imparcialidade. Vai sobrar gente imparcial na lista dos querendões. Uma vez nomeados pelas mãos todo-poderosas da presidente para uma tarefa árdua e contínua de dois anos, os sete "corregedores" da história, certamente muito bem remunerados, mas sem peias nem gratidões, farão o trabalho com alma, luvas, retortas e cadinhos de cientistas em seu laboratório. Aliás, quem conhece alguma coisa sobre como a história acontece e sobre a história que se conta há de saber que atribuir a detecção da verdade a um grupo de sete pessoas é expressão de indizível petulância. Como resultado do trabalho da Comissão, presume-se, haverá verdades decididas por sete a zero e verdades decididas por quatro a três. Em quaisquer escores, contudo, o que emergir será verdade evangélica, obra de redatores ungidos e sagrados, sobre cuja posição nada se poderá arguir sem contrariar o que já está decidido na lei que os nomeou. Qualquer versão diversa será, oficialmente, uma mentira cabeluda. 
Ouvi vários pronunciamentos durante a discussão da matéria na Câmara dos Deputados. Quase todos a favor. Ou marcados por aquela moderação benevolente e contida de quem sabe que já ganhou e não quer marola, ou espumando os ódios habituais e ancestrais. Durante aquela sessão plenária foi posta em marcha, ante e mediante um singular tribunal da história, a canonização de guerrilheiros que, integrando organizações assumidamente comunistas, teriam pegado em armas para lutar até a morte pela democracia. E que, para isso, foram treinados em Cuba, Pequim e Moscou. O único argumento posto contra quem se atreveu a expor tamanha obviedade foi riso e vaia... Riso e vaia de puro amor à verdade! É o mesmo amor à verdade que inspira tantos e tantos professores - de história e de qualquer outra coisa - em sala de aula, a moldar a história brasileira e universal ao seu gosto, como se fosse um lego. Encaixam às peças à gosto e jogam fora as que não agradam. E só por escrever isto e jamais ter negociado meu senso crítico pelo sorriso benevolente de quem quer que seja, eu já me torno um autor politicamente incorreto, como politicamente incorreta estará qualquer perspectiva não canônica dos fatos de 1964 e adjacências. 
Reconto o episódio a seguir para quem não o leu num artigo que escrevi em março. Uma senhora foi a Cuba. Senhora de esquerda, do tipo que usa brinco com estrela. Foi cheia de entusiasmo para conhecer a imagem viva do seus afetos ideológicos. O refúgio do companheiro Zé Dirceu. O paraíso caribenho de Lula. A terra do socialismo real. Quando retornou, a família caiu-lhe em cima com suas curiosidades. Longos silêncios, muxoxos e frases desconexas eclodiram, depois de alguns dias, neste desabafo restrito ao circuito mais íntimo: "Tá, aquilo é uma droga. Mas eu não posso ficar dizendo, tá?". Tá, madame. Yo la entiendo. A verdade sobre Cuba fica entre quatro paredes. Agora, vamos cuidar da verdade sobre o Brasil, é isso? Se uma simples militante age assim, o que farão os corregedores da história escolhidos a dedo e lupa por Dona Dilma, aspirante a santa padroeira dos guerrilheiros nacionais?

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Nós Soldados, Bois de Piranha!


Esta comissão dita da verdade não tem outro propósito senão justiçar os militares, levando-os às barras dos tribunais e condená-los como se foram frios assassinos, torturadores e estupradores, como se divulgam aos quatro ventos na tentativa de desmoralizar as Forças Armadas. 
Volta-se contra os militares que nos anos 64/74 cumpriram ordens superiores e foram à luta, combatendo de frente os que, movidos por sentimentos mesquinhos, traiam a pátria, deixando um rastro de sangue e morte em seu caminho. 
Sequestros de embaixadores, assassinatos a sangue frio de companheiros de farda, agentes do estado e civis, roubos de bancos e cofre de residência particular, invasões de unidades militares e da polícia militar para roubar armas e munições, terrorismos explícitos com explosão de bomba no aeroporto de Recife e lançamento de carro bomba na entrada de um quartel do Exército, em todos os casos provocando mortes, feridos e vítimas com seqüelas. Estas foram algumas ações das quais hoje os criminosos - ex terroristas e guerrilheiros - vangloriam-se, dizendo que ‘os fins justificam os meios’! Seus crimes estão fora das investigações dessa infâmia que vai ser a Comissão Nacional da Verdade. O justiçamento que está ocorrendo na Argentina, Chile e Uruguai será repetido no Brasil. Querem ver dezenas de militares serem humilhados e condenados à prisão perpétua.
Este massacre irá acontecer nos próximos dias, com o aval das autoridades militares.
A comissão foi imaginada em sua origem pela então ministra Chefe da Casa Civil da Presidência da República, Dilma Rousseff, hoje fervorosa incentivadora pela aprovação em regime de ‘urgência, urgentíssima’ no Congresso Nacional, e o ex ministro chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vannuchi. Depois entregue à secretária Erenice Guerra para dar um formato de decreto de lei para encaminhamento ao Legislativo. Na minuta do projeto de lei encaminhada, preliminarmente, ao presidente da república, à época o senhor Luiz Inácio Lula da Silva, consta entre outros signatários do documento, o ex ministro da Defesa, Nelson Jobim. Este estelionatário já conspira contra as FFAA a muito tempo.
Estão aí os principais formatadores do instrumento de vingança, que é parte integrante do famigerado Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3) / Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, que visa dar uma nova redação à Constituição Federal de 1988, ferindo de morte todos os seguimentos da sociedade.
Os inimigos dos militares encontram-se dentro da caserna: Os comandantes militares! Esses monstros se omitem, lavando as mãos, enquanto atiram os companheiros no rio para servirem de ‘boi de piranha’, livrando o resto da tropa da perseguição política que irá acontecer irremediavelmente nos próximos dias. Covardemente, devem dizer: “Eu não fiz parte da revolução!”
Covardes. Monstros assassinos. Vocês não só traem os companheiros ao serem omissos, e cumprirem covardemente as ordens do ministro da Defesa. Vocês conspiram contra as FFAA e a nação. São uns traidores. Piores do que o capitão Carlos Lamarca. Este pelo menos teve a dignidade de abandonar as fileiras do Exército, antes de abraçar os seus ideais. Vocês se acobertam do cargo que exercem para conspirar contra os colegas de farda! Vocês são umas criaturas ignóbeis, pobres de espírito, torpes e miseráveis. Não passam de umas ratazanas pestilentas, imundas, que vivem fuçando nas valas e esgotos. Vocês envergonham a classe militar!
E cadê os presidentes dos Clubes Militares? Cederam ao chamamento do ex ministro da Defesa, Nelson Jobim, e dos comandantes militares? Também lavaram as mãos?
Pergunto se a Casa da República transformou-se na casa da Maria Joana, para não dizer a casa das quengas, logradouro de putas e vadias que zanzam por aí à cata de uns centavos. Venderam-se também por trinta dinheiros? Os dois últimos presidentes do Clube Militar, militares honrados, devem estar morrendo de vergonha com a omissão do ilustre atual presidente! O Clube Militar está apagando o seu passado de glórias, quando sempre esteve à frente, liderando campanhas gloriosas em defesa das causas nacionais, fortalecendo com sua atitude o papel preponderante das FFAA brasileiras.
O Clube Militar funcionava como uma alavanca, levando mais alto o grito de “Liberdade ou morte!” Nunca fugiu à luta! Atuou sempre como o pavilhão onde se erguia altaneira a Bandeira Nacional!
A missa do dia 24 de agosto, quando se pretendia homenagear as vítimas militares e civis, mortas pelo terrorismo dos anos 64/74, não funcionou. Foi um ato religioso chinfrim, onde faltaram militares da ativa, - proibidos pelo ministro Celso Amorim de comparecer ao evento, - e onde foi negado o direito do capelão militar de oficiar a missa. Os participes da missa, amedrontados - se àquela manifestação se pode chamar de missa, quando nem homilia se fez escutar - ficaram encurralados dentro de uma nave, com a porta da entrada fechada, guardada por seguranças. Acredito que muitos ex bravos soldados, agora no crepúsculo da vida, devem ter passado mal, sendo socorridos por um serviço de pronto socorro provisório, habilmente instalado no interior da igreja. Serão esses cadeirantes que serão levados às barras dos tribunais e condenados à prisão perpétua. As condenações serão duplas, pois as enfermeiras terão de acompanhar os seus pacientes!
Pobres soldados brasileiros que estão morrendo como cães vadios!
José Geraldo Pimentel
Cap Ref EB
Rio de Janeiro, 23 de setembro de 2011.
Recebido por correio eletrônico

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Comissão da Verdade e Prolegômenos

por Jarbas Passarinho
Os guerrilheiros vencidos na luta armada do Araguaia jamais aceitaram a Lei da Anistia, votada por um Congresso pluripartidário em 1979 e aprovada por maioria, numa sessão fortemente tumultuada pela esquerda radical. 
Desde então, seus componentes têm feito da revogação da Lei de Anistia uma obsessão que dura 32 anos. O precedente se deve à Emenda Constitucional nº 11, de outubro de 1978, que restabeleceu as liberdades democráticas fundamentais. Em eleições gerais sucessivas, não tendo vencido, os radicais associaram-se ao PT, o estandarte que os recebeu como minoria útil nas eleições presidenciais, quando reiteradas vezes só têm eleito cinco ou seis deputados, sua cota de aceitação popular.
Vitorioso, Lula deu à ala mais resistente, o PCdoB, por oito anos, a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Primeiro recorreram ao parlamento, na tentativa de anular a lei. Não obtendo apoio dos pares, recorreram ao Supremo Tribunal Federal, obcecados por obter a revogação da discutida lei cujo objetivo, para o governo João Figueiredo, não pressupunha perdoar os vencidos na luta armada do Araguaia mas conciliar a família brasileira. O Supremo negou provimento à ação esdrúxula. Manteve a vigência da lei.
Indo além no cadinho que manipula o ódio, misturado certamente com calúnias, a Organização dos Estados Americanos (OEA) perfilhou o absurdo. Não lhe bastando submeter o Brasil ao vexame de explicar-se por crimes resultantes de ofensa aos direitos humanos ao violar a Convenção de Genebra, insinuam apelar para o Tribunal Penal Internacional de Haia (TPH), que processa responsáveis por barbaridade na guerra da Bósnia contra a população civil muçulmana, inclusive estupros de mulheres muçulmanas "para purificação genética". Entre eles o ex-presidente sérvio Slobodan Milosevic, morto por ataque cardíaco; o general Perisic, comandante do Exército iugoslavo, subordinado a Milosevic, condenado a 27 anos de prisão; e outro general herói da guerra da Bósnia e mais dois coronéis, todos responsáveis por massacres de civis.
A comparação com torturas chega a ser torpe. Por esses abusos, as ações dos exércitos alemão (Gestapo), francês (paraquedistas na luta de descolonização da Argélia) e americano, no Iraque, seriam consideradas crimes hediondos. 
No Brasil, os queixosos esquecem que praticaram crimes piores, como atentados terroristas e assassinatos seletivos, crimes contra a humanidade, o que a OEA não viu ao conceder apoio solidário aos reclamantes. A última tentativa na mais recente reunião com o então ministro da Defesa, Nelson Jobim, parecia dar uma solução de comum acordo, reconhecendo equivalentes os dois tipos de crimes, que a Constituição assim escreve como incapazes de ser anistiados. 
A ministra do PCdoB, presente à reunião, segundo a mídia, concordou que a Comissão da Verdade averiguasse também os abusos dos guerrilheiros, selecionando o atentado terrorista no Aeroporto do Recife e os assassinatos seletivos de vítimas civis e militares até por engano de pessoa.
José Genoíno, ex-deputado federal pelo PT, hoje assessor do ministro da Defesa, é encarregado de coordenar o texto do projeto, que dormia na Câmara havia dois anos. Não prosseguia segundo o processo legislativo, respeitando a pública declaração da presidente da República, à mídia, do desinteresse da maioria pela votação de matéria traumática. 
A presidente Dilma, por motivo que só a ela cabe julgar, mudou recentemente de posição e o projeto transformou-se em urgente. Pela primeira vez, a tramitação do projeto conta com o beneplácito dos três comandantes da Forças singulares, que aprovaram o esforço do seu assessor, no sentido de dar urgência à composição da comissão prevista de sete notáveis para o estudo preliminar do texto do projeto que "investigará torturas na ditadura militar".
A mais recente reunião de que fez parte o ex-ministro Nelson Jobim, presente e concordante a ministra Maria do Rosário, incluía a investigação dos atos terroristas na luta, citando nominalmente o atentado no Aeroporto dos Guararapes, no Recife, e assassínios seletivos. 
A escolha do assessor com tanta autoridade é oportunidade rara de julgar a tortura, que teria sofrido, e conhecer o bárbaro assassinato de um adolescente, para servir de escarmento, pelo seu próprio grupo de guerrilheiros. A pequena tropa de combate aos guerrilheiros comandada pelo capitão Lício Maciel (livro Guerrilha do Araguaia, páginas 40 e seguintes) prendeu José Genoíno, de codinome Geraldo, que foi retirado da frente de combate sem sofrer qualquer violência. O capitão Lício, gravemente ferido, num encontro com o grupo militar da guerrilha, em que houve mortes, foi também evacuado. 
Recuada a tropa, após o ferimento do comandante, os guerrilheiros camaradas de Genoíno foram informados de que João Pereira, adolescente de 17 anos, filho de um pequeno fazendeiro, fora o guia dos poucos militares até localizá-los na mata. Na frente dos pais, fatiaram o corpo do rapaz em partes e concluíram por facadas no coração. Deixaram claro que era uma represália para servir de escarmento a quem auxiliasse a tropa que os perseguiam.
Fonte:  Correio Braziliense
transcrito em Reservaer
COMENTO:  o fato que encerra o texto tem sido sistematicamente escamoteado pela "grande imprensa" ao tratar sobre os crimes cometidos durante a "ditamole". Haverá alguém com coragem para apurar e divulgar os detalhes do ocorrido com o adolescente João Pereira, divulgando os nomes dos seus assassinos? E a família do jovem que teve sua vida ceifada covardemente pelo "tribunal revolucionário" que o condenou? Estará entre os que foram indenizados com as verbas públicas distribuídas à mancheia entre a "cumpanherada"? E a responsabilidade das ditas lideranças que recrutaram as dezenas de jovens urbanos e os abandonaram na selva paraense para enfrentar as Forças Armadas, terão sua responsabilidade anunciada? Ou será a equipe governamental recém criada denominada mais corretamente de Comissão da Meia Verdade, ou Comissão da Calúnia com já escreveu alguém? 

sábado, 24 de setembro de 2011

Faxineira Varre Lixo para Baixo do Tapete

por Janer Cristaldo
Leitores me cobram. Por que não falo de corrupção? Bom, em verdade gosto de escrever sobre o que a imprensa não escreve. Corrupção, neste Brasil, virou usos e costumes. Sem falar que não passa dia sem que os jornais revelem uma grossa falcatrua. Seria para mim redundante comentar o assunto.
Dona Dilma está adquirindo a fama de faxineira. Faxineira coisa nenhuma. Quem está fazendo a faxina é a imprensa. Nenhum dos quatro ministros demitidos nos últimos oito meses foi demitido por iniciativa da presidente. Dona Dilma só os demitiu quando não foi mais possível segurá-los. Nem mesmo a oposição denuncia a corrupção do governo. O PSDB vive em beijos e abraços com o PT. A única oposição neste país é feita pelos jornais.
Oposição inócua. Quatro ministros foram demitidos por corrupção. Antonio Palloci, que já havia sido demitido por Lula em 2006 do cargo de ministro da Fazenda – sempre por pressão da imprensa – voltou ao governo de Dilma e teve de pedir demissão da chefia da Casa Civil, em virtude de denúncias de enriquecimento ilícito. Alfredo Nascimento, dos Transportes, teve de cair fora após suspeitas de superfaturamento em obras de rodovias; Wagner Rossi, da Agricultura, também, por ter usado um jatinho de uma empresa privada que tinha contratos com o ministério. Pedro Novais, do Turismo, teve de renunciar às suas mordomias por ter pago com verbas públicas, durante sete anos, o salário de uma governanta. Antes disso, já havia sido denunciado por pagar com dinheiro do contribuinte despesas de um motel.
Alguém foi preso ou de alguma forma punido? Alguém devolveu o dinheiro roubado? Nenhum. Palocci e demais defenestrados devem continuar fazendo lobby por aí. Novais voltou a ocupar sua cadeira de deputado. As denúncias da imprensa podem até retirar ministros de seus pedestais. Mas acabam caindo no vazio. Corruptos como José Dirceu, flagrados em óbvias corrupções, continuam recebendo altos coturnos do governo em quarto de hotel. Dos quarenta mensaleiros, denunciados pelo Ministério Público por formação de quadrilha, nenhum até hoje foi punido. E os crimes de pelo menos 22 prescreveram no mês passado.
Corrupção no Legislativo e Executivo são graves chagas em país que se pretenda decente. Mas nada pior que a corrupção no Judiciário. Pois este poder é o que determina, legalmente, o que é lícito ou ilícito na nação. A tal de Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça acaba de absolver, em um caso de flagrante corrupção, o clã do corrupto-mor de Pindorama, o senador José Sarney, que – não por acaso – é presidente do Senado. Quando um corrupto notório preside a mais alta instância legislativa do País, nada mais se pode esperar de seus pares ou ímpares.
Leio no Estadão que o julgamento no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que anulou as provas da Operação Boi Barrica, tramitou em alta velocidade, driblando a complexidade do caso, sem um pedido de vista e aproveitando a ausência de dois ministros titulares da 6.ª turma. O percurso e o desfecho do julgamento provocam hoje desconforto e desconfiança entre ministros do STJ.
O relator do processo contra a Operação Boi Barrica, ministro Sebastião Reis Júnior, demorou apenas seis dias para estudar o processo e elaborar um voto de 54 páginas em que julgou serem ilegais as provas obtidas com a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico dos investigados. E de maneira inusual, dizem ministros do STJ, o processo foi julgado em apenas uma sessão, sem que houvesse nenhuma dúvida ou discordância entre os três ministros que participaram da sessão.
O velho e eficaz recurso aos arabescos colaterais. Não importa se as provas de um crime são procedentes ou não. O que importa é a forma como foram obtidas. Não se julga mais o mérito de uma questão. Mas os procedimentos de investigação. Corrupto perde tempo se constituir como advogado um criminalista. Estará melhor servido com um processualista. Não interessa mais se alguém cometeu ou não um crime. O que interessa é como foi denunciado.
O PT inaugurou o governo mais corrupto do qual se tem notícia no Brasil. Dona Dilma, enquanto ministra da Casa Civil, foi ciente e conivente com toda esta corrupção. Posa agora de faxineira. Mas só tem varrido o lixo para baixo do tapete.
Fosse o caso de minha faxineira, eu a demitiria incontinenti. Mas brasileiro é generoso. Corruptos notórios – vide Sarney - denunciados pela imprensa se reelegem ad aeternum. José Dirceu quer voltar à política. Se voltar, é claro que será reeleito. O problema do Brasil não são os corruptos. Corrupto segue sua vocação natural - como um rio segue sua corrente - a de ser corrupto.
O problema é este povinho que os elege e reelege.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O Expurgo da Caserna

Durante o período no qual o Brasil foi governado por Presidentes militares muitos erros e acertos foram cometidos. Três erros, entretanto, foram decisivos para a derrota estratégica que sofreram não só os cidadãos fardados, mas toda a força conservadora no país. 
O primeiro deles foi a negativa do Marechal Castelo Branco em utilizar-se de uma estrutura similar ao DIP, da era Vargas, de maneira que pudesse combater a propaganda subversiva. O presidente não queria ter sua imagem atrelada à censura de Getúlio. O resultado foi a progressiva infiltração de idéias revolucionárias dentro da produção jornalística, cultural e artística.
O segundo erro foi o afastamento de Carlos Lacerda da cena política do país. Conservador de atuação política destacada, seu afastamento praticamente preparou o terreno para a tomada do poder pela esquerda, que os próprios militares haviam combatido (com massivo apoio popular), anos depois. O governo preocupou-se no combate à guerrilha e à subversão, mas esqueceu-se do front cultural e político. O resultado foi uma fragorosa derrota estratégica. Militarmente, comunistas, socialistas e a esquerda em geral foram derrotados. Politicamente, venceram. Assim, tal como os EUA no Vietnã, todas as batalhas foram vencidas, mas a guerra foi perdida.
O terceiro erro foi a estratégia do silêncio. Ao optarem pelo ostracismo, os militares facilitaram sobremaneira o trabalho de reescritura da história por parte dos então derrotados. Isto possibilitou às forças de esquerda a conquista do apoio popular e a substituição progressiva de valores tradicionais (chamados burgueses) por seu novo código de ética e moral (chamado de valores do povo), mesmo que esta nova escala de valores fosse inteiramente contrária ao que a população efetivamente pensava. 
A soma destes três erros decretou a derrota do movimento de 31 de Março de 1964. Na verdade, a data marca apenas a troca de estratégia por parte da esquerda de tomar o poder. Da utilização da força para a conquista cultural e moral do país. Esta nova postura não foi percebida por nossos chefes militares a tempo, inclusive modificando algumas políticas externas do país, como a sua aproximação com a antiga URSS e o apoio ao movimento socialista em Angola. Os vermelhos chegaram de roldão ao poder, aparelharam o Estado e compraram mentes e corações com tolas idéias de igualdade ou com o vil metal.
A Comissão da Verdade, cujo representante dos militares será José Genoíno, é de fundamental importância para a comprovação de inúmeras declarações feitas por diversos integrantes do governo-Estado petista de que o Exército de hoje é diferente do Exército de ontem. O silêncio catacúmbico que reverbera nos quartéis a este respeito não deixa maiores dúvidas.

Os agentes do Estado que atuaram contra sequestradores, terroristas, estupradores, assassinos e assaltantes serão caçados, punidos, e presos. E os militares de hoje permanecerão em silêncio... Premonição?  Mãe Dinah? Búzios? Não. Basta olharmos ao nosso redor para vermos o que aconteceu aos nossos hermanos uruguaios e argentinos. Oficiais e praças presos, acusados de atentado aos direitos humanos por terem lutado contra os criminosos que queriam mergulhar seus países na ditadura proletária. A carta dos militares argentinos presos (presos políticos) nos dá uma amostra do que está por vir. Nela, verificamos que a estratégia esquerdista é a mesma: de que o Exército Argentino de hoje é diferente do de ontem, afirmativa que os autores repudiam sob o argumento de que lá (tal como cá) o Exército é um só. Mas lá o "Exército de hoje" também se calou.
Sob a manta evasiva da disciplina, nada pode ser dito nem falado (sob pena de se quebrar um dos pilares do Exército). Sob este "respaldo" é que se guiam para calarem-se diante de uma situação que pode colocar na cadeia pessoas como o coronel Brilhante Ustra e ao mesmo tempo dar vencimento de general à família de Carlos Lamarca, sujeito que julgou e matou um tenente da Força Pública de São Paulo a coronhadas dentre outros crimes.
A Comissão da Verdade não é nada mais que um tribunal revolucionário aos moldes da VAR Palmares, MR-8, Vanguarda Popular Revolucionária e outros movimentos e organizações terroristas que julgavam e sentenciavam qualquer cidadão à revelia de qualquer instituto legal ou moral. Seu surgimento possui um único propósito: queimar os arquivos ainda vivos daqueles anos e garantir aos vitoriosos terroristas de ontem cada vez mais indenizações, à custa do bolso e do dinheiro do desmemoriado e explorado povo brasileiro.
Enquanto este verdadeiro ataque ao cerne do Exército é realizado, a preocupação maior dos militares é com os seus vencimentos, com os aumentos que não chegam jamais. É claro que esta é uma preocupação de extrema importância, mas muito mais urgente é o desmonte histórico que está se desenhando em nosso Exército e, por extensão às Forças Armadas. Por dinheiro, vende-se a própria alma, entrega-se ao carrasco amigos e companheiros de outrora.
O Exército de hoje é o mesmo de ontem e será o mesmo Exército de amanhã. Infelizmente, não é o que a conjuntura atual nos mostra. Desenha-se um verdadeiro expurgo da caserna.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Luciano de Samosata e as Vigarices dos Cristãos

por Janer Cristaldo
Luciano de Samosata é um refinado escritor grego do século II, viajor e cosmopolita, que foi influenciado por Celso, inimigo declarado dos cristãos. Celso, nobre romano, autor de Discurso Verídico, que foi queimado pela Igreja e do qual só temos notícia pela contestação de Orígenes em Contra Celso, em sua época já acusava os cristãos de rebeldes contra a ordem estabelecida. Se se negavam a participar na vida pública e civil, isto equivalia a estabelecer um Estado dentro do Estado, com normas e costumes próprios, mas distintos dos do Império. Se se contentassem em anunciar um deus novo, isto pouco importava aos romanos. Mais deuses, menos deuses, tanto faz como tanto fez. Ocorre que se empenhavam em denegrir os deuses do país que os acolhia.
Raras pessoas conhecem Luciano em nossos dias. Nasceu em Samosata, na Comagena, país entre a Cilícia e o vale do Eufrates, talvez em 125. Exerceu a profissão de advogado, aos 25 anos, na Antioquia. Viajou pela Ásia Menor, Grécia, Macedônia, Itália, Gália. Cansado de uma vida agitada, fixou-se em Atenas durante 20 anos. Em um prefácio de Aníbal Fernandes à edição portuguesa de O Parasita, leio:
"A sua actividade literária mais intensa é desta época em que voluntariamente se marginalizou e de quase tudo troçou, congregando à sua roda os espíritos livres da cidade. Já velho, Luciano sentiu novo apelo de viagens. Há indícios de que se arrastou entre cidades, vivendo à custa da leitura pública dos seus escritos e de quem comprava o brilhantismo de seu convívio (O Parasita lança luz sobre esta forma de vida e o que constitui, numa moral às avessas, a sua defesa). Nos últimos anos, a perda do vigor físico necessário à vida errante forçou-o a uma situação estável que o governador romano no Egito lhe ofereceu como seu assistente. Sem grandes provas, se diz que nesse cargo esteve até a morte, em 192”.
Deixou marcas em obras posteriores, de autores como Thomas Morus, em sua Utopia, Rabelais, no IV Livro, no Micromegas de Voltaire, nas obras mais célebres de Cyrano de Bergerac e inclusive em Swift, particularmente em sua Modesta proposta para evitar que os filhos dos pobres da Irlanda sejam um fardo para os pais, ou para o país, tonando-se úteis à comunidade
O Parasita é considerado o melhor exemplo de sátira à la Swift antes de Swift. Sobre Luciano, escreveu Renan: “Na segunda metade do século II não vemos senão um homem que, superior a toda superstição, tem o direito de rir das loucuras humanas e delas sentir piedade. Este homem, o espírito mais sólido e interessante do seu tempo, é Luciano. Ele nos aparece como um sábio perdido num mundo de loucos. Não odeia coisa nenhuma: ri de tudo, exceto da virtude séria”.
Pois não é que entre meus leitores encontro um leitor de Luciano? Nem tudo está perdido. Me escreve Emerson Schmidt, a propósito de crônica recente que escrevi sobre as vigarices inerentes ao cristianismo:
Caro Janer, tudo bem?
Essa denúncia do MP me lembrou que no cristianismo certas coisas pouco mudam. Um escritor do segundo século d.c. chamado Luciano de Samosata e que gostava de denunciar impostores e embusteiros já contava em A Morte do Peregrino como vigaristas enriqueciam rapidamente entre os cristãos daquela época. A coisa começa quando Proteu - que é o peregrino - entra para a religião cristã por oportunismo. Interessante é a descrição que se faz dos cristãos:
"11. Ce fut vers cette époque qu'il se fit instruire dans l'admirable religion des Chrétiens, en s'affiliant en Palestine avec quelques-uns de leurs prêtres et de leurs scribes. Que vous dirai-je? Cet homme leur fit bientôt voir qu'ils n'étaient que des enfants; tour à tour prophète, thiasarque, chef d'assemblée, il fut tout à lui seul, interprétant leurs livres, les expliquant, en composant de son propre fonds. Aussi nombre de gens le regardèrent-ils comme un dieu, un législateur, un pontife, égal à celui qui est honoré en Palestine, où il fut mis en croix pour avoir introduit ce nouveau culte parmi les hommes."
O comportamento não parece aquele da grei do Valdomiro? A história continua e logo a seguir Proteu acaba sendo preso por vigarice. A reação dos cristãos não deixa de ser menos previsível pelo que se vê hoje:
"12. Protée ayant donc été arrêté par ce motif, fut jeté en prison. Mais cette persécution lui procura pour le reste de sa vie une grande autorité, et lui valut le bruit d'opérer des miracles et d'aimer la gloire, opinion qui flattait sa vanité. Du moment qu'il fut dans les fers, les Chrétiens, se regardant comme frappés en lui, mirent tout en oeuvre pour l'enlever; mais ne pouvant y parvenir, ils lui rendirent au moins toutes sortes d'offices avec un zèle et un empressement infatigables. Dès le matin, on voyait rangés autour de la prison une foule de vieilles femmes, de veuves et d'orphelins. Les principaux chefs de la secte passaient la nuit auprès de lui, après avoir corrompu les geôliers: ils se faisaient apporter toutes sortes de mets, lisaient leurs livres saints; et le vertueux Pérégrinus, il se nommait encore ainsi, était appelé par eux le nouveau Socrate."(*)
Essa última parte evidentemente já seria mais difícil, pois esperar que boa parte da platéia evangélica saiba quem foi Sócrates é pedir demais. Se soubessem, não seriam tão cristãos assim. De qualquer forma, se perguntados sobre Sócrates, no máximo responderão que se trata do jogador de futebol...
Finalmente vem a parte que interessa e onde se critica a crença desmesurada nas fábulas por parte dos cristãos:
"13. Ce n'est pas tout; plusieurs villes d'Asie lui envoyèrent des députés au nom des Chrétiens, pour lui servir d'appuis, d'avocats et de consolateurs. On ne saurait croire leur empressement en de pareilles occurrences: pour tout dire, en un mot, rien ne leur coûte. Aussi Pérégrinus, sous le prétexte de sa prison, vit-il arriver de bonnes sommes d'argent et se fit-il un gros revenu. Ces malheureux se figurent qu'ils sont immortels et qu'ils vivront éternellement. En conséquence, ils méprisent les supplices et se livrent volontairement à la mort. Leur premier législateur leur a encore persuadé qu'ils sont tous frères. Dès qu'ils ont une fois changé de culte, ils renoncent aux dieux des Grecs, et adorent le sophiste crucifié dont ils suivent les lois. Ils méprisent également tous les biens et les mettent en commun, sur la foi complète qu'ils ont en ses paroles. En sorte que s'il vient à se présenter parmi eux un imposteur, un fourbe adroit, il n'a pas de peine à S'ENRICHER FORT VITE, en riant sous cape de leur simplicité."
Como se vê, vigaristas nunca tiveram a menor dificuldade em "enriquecer rapidamente" entre os cristãos e muito menos de se divertir com a ingenuidade deles depois.
Até mais.
Emerson Schmidt.
(*) Os trechos citados vêm da tradução francesa de L'antiquité grecque et latine - Du moyen âge
Grato, Emerson! Procure ler Luciano, leitor. Os melhores autores não são os contemporâneos. A boa literatura muitas vezes está lá atrás, a milênios de distância de nossos dias. Não é de hoje que se denuncia as vigarices decorrentes do cristianismo.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Verdadeiro Barril de Pólvora

por Márcio Accioly
As chamadas “autoridades” não percebem, mas existe sentimento de ódio e insatisfação a se acumular a olhos vistos em todas as camadas de nossa população, saturadas com a roubalheira e discursos de bom-moço que uns e outros jogam na mídia como se ainda fosse possível enganar a tudo e a todos durante todo o tempo.
Quando ainda era presidente da República, Dom Luiz Inácio (PT-SP), do alto de sua capacidade ilusionista, declarou em visita a Pernambuco (ele inaugurava Unidade de Pronto Atendimento – UPA -, na Cidade de Paulista), que “a Saúde no Brasil está à beira da perfeição”.
Como vivemos num país anestesiado pela televisão, transformado em bordel por incansáveis novelas diárias, sua então excelência afirmou também que a UPA estava tão bem equipada que dava “até vontade de adoecer somente pra ficar internado ali”. Pois bem: não é que ele teve um catiripapo e teve de ser hospitalizado às pressas?
Mas não escolheu a UPA, não senhor! Foi removido para o melhor hospital do estado, o Português, ficando com equipe médica das mais qualificadas e equipamentos modernos à inteira disposição. Vencida a crise inicial, foi imediatamente transferido para o Sírio-Libanês de São Paulo, onde concluiu tratamento médico indispensável.
Dinheiro público existe. O governo federal todos os meses anuncia com estardalhaço que a arrecadação cresceu. O problema não é de falta de dinheiro, mas de excesso de roubo! O mundo, desde que é mundo, é comandado por vivaldinos a massacrarem seus semelhantes, no acúmulo indiscriminado à custa de muita miséria.
Mas tem de haver prática afinada para que o cenário não desabe. Não fique assim como acontece agora com a Renascer: a principal líder daquela Igreja, “bispa” Sônia, que passou um tempo presa nos EUA (juntamente com o marido) e depois foi banida daquele país, é uma das organizadoras da “Marcha Para Jesus”.
Mas o que vai ficando claro é que “milagres” alcançados por fiéis que depositam parcos recursos nas arcas da Igreja não acontecem dentro da casa da própria “bispa”. A revista IstoÉ mostrou esta semana que a Renascer está quase fechando, que o filho de sua líder está morrendo de câncer e o que ela mais precisa é de um milagre. Pura ironia!
A CPMF foi criada no governo FHC (1995-2003), por insistência do médico Adib Jatene, justamente para resolver o problema da saúde. O dinheiro arrecadado financiou festa, corrupção, bandalheira, só não serviu à atividade final para a qual foi criado, a de recuperar a Saúde.
A CPMF servia para brecar fraude e sonegação e, justamente por isso, foi distorcida em seu significado. Muita gente queria vê-la morta e sepultada, mas não por conta dos desvios que ocorriam. É que ela servia para impedir sonegação em casos de lavagem de dinheiro. Morreu e foi substituída, em parte, pelo IOF.
A extinção da CPMF não reduziu, de maneira alguma, a arrecadação de impostos. A tributação subiu todos os meses, desde então, com a vantagem de não se ter controle realizado na cobrança, na “boca do caixa”, que a impedia de ser fraudada pelos situados no topo da pirâmide.
O IOF continua aí, vivinho da Silva, mas já se fala abertamente em novo imposto, porque a maioria da população não tem noção do que acontece e quem dita a pauta e a discussão dos fatos diários, num país em que só se presta atenção à pornografia e ao futebol, são as emissoras televisivas. Vivemos numa cultura oral.
Mesmo de nada sabendo, a população desconfia de tudo porque a roubalheira é visível. E o acúmulo de insatisfação irá levar a organização social de ralo abaixo, quando a economia não conseguir mais prover o feijão básico diário na mesa do povo.
Márcio Accioly é Jornalista.
Fonte:  Alerta Total

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Tédio Boy Marino

por Glauco Fonseca
Sai Novais. “Novais tarde?”. Entra um sujeito chamado Gastão. Sai um ligado a Sarney, entra outro ligado a Sarney. E Gastão será encarregado de economizar, decerto. Dizem que é a Presidente que nomeia e destitui ministros. Balela. Quem nomeia, manda e desmanda, ainda é Lula e o PMDB. O resto é bobagem. 
A Polícia Federal fez seu trabalho, deu uma limpada boa no ministério do turismo, mas não chegou com sua vassoura até quem suja e mantém sujo o Brasil. É como a faxineira aqui de casa, que finge que limpa. Eu, fazer o que, finjo que pago bem. Estou louco para dar um pé na minha faxineira.
O rombo no ministério dos transportes chega a 700 milhões de reais. Isto não é um rombo. É um buraco negro que nem Stephen Hawking seria capaz de entender, quanto menos enunciar. As causas do buraco são óbvias. Fechar o buraco é impossível. É coisa de país rico, onde dinheiro abunda e as mazelas são todas enfiadas em nossa paciência eterna.
José Dirceu faz lobby em hotel a metros do Palácio do Planalto. Isto é crime de tráfico de influência escancarado. O presidente da Petrobrás visita o amigo Dirceu e não dá a mínima pelota para a mídia. O que aconteceu depois da matéria da Veja? Nada, é claro. E nada vai acontecer. Aliás, aconteceu sim. Dirceu foi desagravado pelo partido, por Lula e Dilma. Não há crime sem cúmplices e não há impunes sem ratos gerindo sistemas republicanos. Este é o retrato. Chorar de raiva é válido.
O ódio, diferentemente do amor, é preciso.
Aqui nos pagos, Tarso governa depois de prometer sabendo que não iria cumprir. Bem feito para o Rio Grande. Não vale dizer que não sabia que Tarso não iria cumprir as promessas de dar aumento a professores e brigadianos. Todo mundo sabia que não ia dar pra cumprir. E votaram assim mesmo, agora “guentem”. Tarso é também o governador chique, mestre da retórica, mas não da ação. Até agora, nada e mais nada. Quer dizer, tem o DAER, a Operação Cartola, o Natal Luz e outras ações de “faxina”, sempre bem vindas. No DAER, o chefe da comissão de investigação, que nada encontrou, virou presidente. Este até agora o resultado: alguém conseguiu uma bela promoção.
Coisa mais chata está ficando esse negócio de ser contra a corrupção. Eu sou contra a corrupção, mas já estou ficando quase a favor. O lado de lá é bem mais divertido, a bebida é melhor, as mulheres mais bonitas, a paisagem é linda. Aqui, contas pra pagar, rotina impoluta, mas filha da mãe. Corrupção, que antes era crime, agora já é tema com gente contra e a favor. Jisuis! Tomara que eu deixe de ser maragato e decente. E Colorado.
Enquanto isto não acontece, vou vendo o noticiário e acho que está certo pegar no pé de vereador passeador. Isto tem que acabar no Brasil. Já pensou se todos os vereadores do país decidem ir a Foz do Iguaçu passear? Quebra o país! E eu preciso justificar minha existência justa de qualquer jeito. Um repórter famoso me xingou de “insignificante”. Ele está certo. Depois disto, também vou tratar de arrumar um vereadorzinho pra bater e chamar de meu.
Nossas façanhas, que é bom, ó... 
Fonte:  Blog do Prévidi 
COMENTO:  aliás, não comento, transcrevo texto do Políbio Braga a respeito do "vereadorzinho" que a RBS resolveu pegar no pé. O Políbio jura que o cara é inocente, que não recebeu as tais diárias, que foi declarado inocente pela justiça e coisa e tal. E eu me pergunto: por que, então, ele não processa a RBS e faz um bom pé de meia às custas da "injustiça"? Leia a opinião do Políbio:
A RBS já mudou a sua história sobre o humilde vereador Adenir Webber, representante popular na pequena cidade gaúcha de Dom Pedro de Alcântara, porque diz a rede de comunicação que ele não mais usou e nem tungou os cofres públicos com viagens, ambas inexistentes, mas foi flagrado em outras investigações e denúncias no "âmbito do caso conhecido como Farra das Diárias". É a história da fábula do Lobo e do Cordeiro. Quem lê La Fontaine, sabe do que se trata. Acontece que a RBS conseguiu apoio internacional contra os efeitos de uma decisão judicial que lhe impôs censura, baseada na condenação a uma sequência de inverídicas reportagens, notícias, entrevistas e opiniões que revelam uma perseguição implacável contra o vereador Adenir Webber, violando os seus direitos civis. E quem se levanta contra esse assassinato de reputação ? "Tento ser ouvido e ninguém quer me ouvir", avisou o vereador do DEM. O que está havendo com o nosso Estado ? Desde quando um homem inocente e fraco pode ser linchado sistematicamente por um grupo de comunicação arrogante e forte?
. Nesta sexta-feira, o vereador Adenir Webber escreveu uma longa carta ao editor, queixando-se das humilhações impostas a ele e à família, como também narrando a destruição da sua carreira política, tudo baseado em fatos mentirosos que foram vendidos e que apesar de desmascarados, prosseguem sendo veiculados pela RBS.

. O método usado pela RBS TV na "reportagem investigativa" intitulada "Farra das Diárias", repetiu o mesmo roteiro empregado também nas "reportagens investigativas" das Operações Legislatur, Cartola, Solidária e Pardais do Daer: sempre vai na frente o araponga Marcos Caduri, auxiliar da reportagem, que faz a abordagem anônima sobre suas vítimas, e só então entram repórter e cinegrafista para "surpreender" o infrator que deve ser levado às profundezas do inferno eletrônico.

CLIQUE AQUI
para ler a carta, conhecer a história de vida de Adenir Webber, saber a verdade sobre a "Farra das Diárias" e entender o sofrimento deste injustiçado humilde vereador do RS.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Os militares e o aumento

 
        Basta !
pelo Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira
15/09/2011
A cambada não perde por esperar, e ganhará um substancial aumento de desmoralização.
O desgoverno, preocupado com as denúncias de um bando de desocupados, que inundam a internet com seus torpedos sobre o gritante desnível salarial dos militares federais, onde ressaltam a sua disparidade em relação aos demais setores, inclusive com a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros do DF, está decidido a dar um basta naquele tipo de abuso.
A “inteligência” do desgoverno, em rigorosas e secretas diligências, chegou à brilhante conclusão que revanchistas têm insuflado o bando de parasitas que estão na reserva e, até reformados, para servirem de porta-voz dos militares.
E eles enchem o saco.
Concluíram os agentes que se trata de elementos desclassificados da oposição, militares da reserva ou reformados, quiçá abonados com polpudos recursos, que esbanjam o seu precioso tempo, jogando farpas contra o poder central.
Na falta do que fazer, lamuriam–se dos equipamentos obsoletos, dos salários vis, do recrutamento anual que diminuiu vergonhosamente, do emprego como puliça, da falta de recursos, do meio-expediente por falta de boia, por falta de combustível, dos armamentos, da falta de munição para o adestramento, enfim uns inúteis que parecem não saber que o País tem uma dívida impagável com os seus representantes, que merecem maiores salários e melhores condições de vida.
Os relatores das investigações chegaram àquela conclusão pelo óbvio, se os da ativa não reclamam, nem suspiram por qualquer aumento, as insatisfações denunciadas pela reserva e caterva só podem ser coisas de subversivos, de terroristas da internet, desfardados que se comprazem, por vingança, em destratar os poderes constituídos.
Nada melhor, aventaram os entendidos, do que criar um instrumento de pressão, como por exemplo, uma Comissão, para empurrá–los contra o paredão, e jogar um pouco de juízo naquelas tresloucadas (ou encaniçadas) cabecinhas
Desse modo, para emudecer os insatisfeitos, nada melhor do que votar a ferramenta de pressão, no mais curto prazo. Em marcha batida ou em acelerado o Congresso deverá sacramentar o cala boca institucional.
É a criação da Comissão da Verdade, doa a quem doer; desde que nos outros, é claro.

Assim, com esta decisão presidencial, julgam os analistas, que iniciados os trabalhos da Comissão, um sepulcral silêncio calará a milicada e, ao final dos trabalhos, ela chegará ao seu veredito final. Que poderá ser: “para evitar dissabores futuros é melhor extinguir esta sub-raça, ainda mais que já temos a nossa Força Nacional de Segurança”.
Versados em direitos humanos, um dos mais rigorosos atributos exigidos nos futuros membros da Comissão, a tal de hierarquia deverá ser expurgada por contrapor-se violentamente contra os direitos humanos.
A disciplina
seguirá o mesmo caminho fúnebre, pois é inadmissível que um ser humano, na atualidade, dono de sua vontade, tenha que obedecer a alguém, isto fere, no mínimo, o livre arbítrio, e o direito do indivíduo de fazer o que quiser, e quando quiser.
Portanto, hierarquia e disciplina são amarras, algemas que inibem o ser humano, que tolhem a sua liberdade, a sua criação, o seu viver.
Logo, ao término da obra, a conclusão será que é melhor fechar tudo e jogar fora a chave. Pois, mesmo a hipótese de serem elaborados novos currículos, e refazer a cabeça das novas gerações militares deverá ser repudiada. Como disse um velho e empedernido comuna, “milico tem a idéia tão torta que só morrendo, preferencialmente, à mingua”.
A verdade é que a Comissão durante o seu exercício de dois anos, além de tirar o sossego de uns e outros, facilmente servirá de atração para desviar a atenção para as esbórnias que pululam. Mas esta é outra história.

domingo, 18 de setembro de 2011

A raiva da femme fatale

por Ricardo Menéndez Salmón
Dentro do riquíssimo, variado e longevo imaginário do Ocidente, a mulher tem merecido desde cedo, já nos textos seminais da cultura, uma consideração pejorativa. Não parece necessário insistir nos textos sagrados, com Eva à cabeça dos princípios negativos que regem o mundo, que a mulher com sua atitude destrói a ordem edênica e lança seu companheiro - e com ele a todos nós outros - ao mundo de esforço e dor que ainda hoje padecemos.
Galeria de fotos: Laura Acuña
O Pecado Original é uma derriba que traz o signo da feminilidade entre seus escombros. A fruta proibida apresenta uma mordidela de mulher em sua carne apetitosa porém putrefata. A ideología masculina que faz da imagem da mulher um elemento de desordem surge cedo, e o faz sempre em seus aspectos exemplares. É sabido que educar no medo é uma escola que gera amplos créditos.
Claro que os textos profanos não resultam menos explícitos. Basta pensar em algumas das protagonistas que  estruturam a identidade do povo grego - nosso ancestral mais assinalado em muitos aspectos -, para degustar o fel da discórdia. É uma mulher, Helena, que com sua beleza desencadeia as guerras cantadas por Homero.
Os rapsódicos passaram discretamente sobre a ardente vontade de Paris, o ladrão de formosura, ou sobre as culpas do marido ciumento, o corno Menelau, para carregar as tintas do agravo sobre a princesa raptada, cuja peripécia entre dois mundos, o aqueu e o troiano, precipita matanças inumeráveis, desgraças sem  nome e todo tipo de cataclismas. A beleza se orienta desde seus alvores como fatalidade.
E o que dizer de Circe, a maga e bruxa, em cujas redes um dos caudilhos de Ilíada - o astuto e moderno Ulisses -, cai no regresso à sua moderada Ítaca. Circe é a envenenadora caprichosa que, por amor a um homem, converte em cervos os heróis gregos e os lança a um destino de bestas. A feitiçaria também desde cedo é restrita à imagem das mulheres. O contato da fêmea com os arcanos obscuros resulta quase uma petição de principio. A presciência é uma faculdade eminentemente feminina. Não há bolas mágicas em mãos varonis.(*)
O que acrescentar que não já tenha sido dito sobre as Sereias, essas arrebatadoras forças que com seu canto enlouquecem os homens, transformam sua razão em delírio e varrem qualquer esperança de prudência? Corpos ambiguos, que pertencem ao mar e à terra, na posse de poderes inescrutáveis, e por outro lado objetos de perdição mediante o simples expediente de empregar sua voz. Não convém prestar ouvido aos cantos de mulheres: os trinados fúnebres, as palinódias de amor, as mais inocentes melodías podem levar em seu interior uma mensagem de desastre.
Pensemos por último, para não abandonar o mundo clássico, no teatro de Sófocles, Eurípides e Esquilo, esse recipiente do qual os gregos se serviram para educar, disciplinar e comover, e onde Medéia fecha com nota insuperável esta combinação de presenças violentas, confabuladas para domesticar, transformar e, em definitivo, destruir os homens. Nenhuma heroína da Antiguidade  supera a sacerdotisa de Hécate em malignidade. Ela é a mulher capaz de cometer, por despeito, o crime por antonomásia: matar a seus próprios filhos.
Mulheres que desobedecem aos deuses, mulheres cuja beleza trastorna aos homens, mulheres capazes de mudar a humanidade em animalidade, mulheres que só com o abrir a boca perturbam os sentidos, mulheres canibais do sangue de seu sangue. Em um termo: mulheres fatais.
Mudam os tempos e as artes, porém não mudam os aprendizados. Estas anciãzinhas perversas foram fecundas em descendência. Tenho ante meus olhos, enquanto redijo estas linhas, duas pinturas do final do século dezenove e começos do século vinte. As escolho por que são muto distintas em forma, em talento e no ponto de vista que adotam, porém por que ambas seguem contando a velha historia da mulher perversa.
Na primeira, datada em 1898 e titulada La tentación de San Antonio, un pintor menor, Lovis Corinth, retrata o probo asceta rodeado por um montão de formosas criaturas. Veladas ou desnudas, ruivas ou morenas, delgadas ou generosas em carnes, todas tentam acercar-se ao homem que se arranca os cabelos com uma mensagem em seus labios: toca-me e arderás nos prazeres do inferno. A mediocridade da pintura não diminui potencia à mensagem que traslada: estas mênades ameaçam devorar bem mais que os genitais do bom Antonio.
A segunda pintura é muito bela. Datada em 1905 e realizada por Albert von Keller, Baronesa B. mostra uma mulher acomodada em compañía do que parece ser sua filha. A solidão que rodeia a mulher, e o fato de que está acompanhada por uma menina, não nos devem enganar. Esta baronesa parece infinitamente mais perigosa que a caterva de mulheres que rodeiam o santo.
Uma noite nesse leito, junto às peles que o rodeiam, as sedas insinuantes e a boca lasciva da modelo, faz empalidecer as desventuras do jovem Harker com as servas do conde Vlad na Transilvania.
Em silencio, com o simples gesto melancólico de seus labios entreabertos, a baronesa nos promete toda a desdita que encerra um corpo belo. Que pose com sua filha só acrescenta a estatura do dano. Ao fim e ao cabo, dentro de uns anos essa menina nos prometerá uma torrente parecida de desgraças.
Mais de vinte e cinco séculos mediam entre as fontes escritas do delirio feminino e estas representações pictóricas de uma mesma enfermidade. Galileu, as viagens transoceânicas, a Revolução Francesa, o magisterio de Kant ou os ensinamentos de Darwin não lograram que nos desprendamos do manto de superstição: mutatis mutandis, as mulheres seguem sendo perigosas.
Deixo atrás a literatura e a pintura. Volto a mirada para a arte jovem do século passado, o cinema. Minha  humilde filmoteca me sacode. Barbara Stanwyck em Perdição, Gloria Grahame em Os subornados, Rita Hayworth em Gilda, Ava Gardner em Pandora ou Linda Fiorentino em A Última Sedução sussurram o que há tempo sabemos: a mulher é uma fruta lasciva e corrupta, por cuja posse os homens matam, roubam, mentem, enlouquecem e traem  bandeiras, credos e principios.
Porém já sabemos que a arte é extensa e a vida é curta. Com a mulher fatal ocorre o mesmo que com a baleia branca de Melville. Todos falam dela, porém muito poucos a tem visto. Minha  educação sentimental e intelectual está repleta de mulheres sombrías, destruidoras, devoradoras; minha experiencia pessoal me conduz a supor que essas mulheres só existem na imaginação culposa e culpável dos homens.
Projeções de um inconsciente torturado, ou simplesmente manifestações de um desejo não cumprido, nunca saciado, as mulheres que bebem absinto, se drogam com ópio e copulam a dentadas sob a lua cheia dos Cárpatos resultam suspeitosamente poucas como para ter sido frequentadas por tantos homens. Só houve uma Salomé; só uma Judith; só uma Mata Hari. O resto, o lugar comum, nos fala de mulheres correntes, mais ou menos formosas, mais ou menos inteligentes, mais ou menos cativas de seus medos.
Assim aproveitemos a política-ficção e nos revolvamos no prejuízo. No ano 2400, quando o mundo seja chinês e as mulheres tenham tomado o poder, abundarão novelas, pinturas e películas povoadas por um novo tipo de ser. As heroínas que então regressem da guerra cairão em mãos de bruxos com capacidade de convertê-las em servas eletrônicas; as artistas representarão sobre leitos virtuais a homens lascivos posando junto a suas mascotes biônicas; as películas do século vinte e cinco, que veremos dentro de nossos cérebros, e não sobre telas de plasma, mostrarão machos armados com raios lazer e dotados de pênis de fibra ótica e vanadio, que tentarão convencer às vítimas da vez de que uma noite entre seus braços lhes promete um mundo de delito, concupiscência e fatalidade.
Pena não estar lá para aproveitar. Certamente, me encantaría representar o papel de homme fatal.
Fonte:  tradução livre da Revista Don Juan

Comissão da Verdade?

 "Se o governo estivesse tão preocupado com as violações dos Direitos Humanos do passado, poderia dar o exemplo, e começar a apurar o sequestro, tortura e execução dos prefeitos Celso Daniel (Santo André) e Toninho do PT (Campinas).
Por Jair Bolsonaro - Capitão de Exército Brasileiro e Deputado Federal
Mais de cinco mil exemplares deste documento foram distribuídos, ontem, no Congresso Nacional. Todos os deputados o receberam.
Matéria pesquisada e editada pelo site   www.averdadesufocada.com
 
Comentários ao PL 7376
Art 2º - A Comissão da Verdade ... será integrada por sete membros designados pelo presidente da república.
Obs - Qual a isenção desta Comissão? A atual Presidente, agente ativa no processo, indicará todos seus integrantes. Isto é democrático? Que verdade poderemos esperar desta Comissão? Qual seria, por exemplo, o relatório de uma CPI, com todos indicados pelo PT, para apurar o enriquecimento do Palocci.
Art 3º - II - Promover o esclarecimento dos casos de tortura, mortes, desaparecimentos forçados e ocultação de cadaveres... 
Obs - E sobre o atos praticados pela esquerda, como sequestros, justiçamentos, carro-bomba, roubos a bancos, bomba no Aeroporto de Guararapes, dinheiro recebido de Cuba para financiar a luta armada (Fidel merece uma estátua do tamanho do Cristo por sua luta em prol da democracia no Brasl), etc. Tudo será esquecido?
Art 4º - III - Convocar para entrevistas... pessoas que possam guardar...relação com os fatos...
Obs - Começou o circo! Vão convocar velhos generais, coronéis e sargentos para que sejam submetidos à execração pública - os quais, a partir da mera citação de seus nomes, já estarão submetidos aos ataques articulados pela máquina de propaganda petista.
Art 4º - IV - Determinar a realização de ... diligências para a coleta de documentos e dados.
Obs - Será o "pé na porta" nas residências dos velhos militares. A Comissão terá mais poderes que as atuais CPIs.
Art 4º - VII - Promover... a reconstrução da história... bem como colaborar para que seja prestada assistência às vítimas de tais violações.
Obs - Estão criando a "bolsa-ditadura 2". Com depoimentos comprados, a exemplo do Araguaia. Não faltarão centenas de vendilhões para assinar qualquer depoimento previamente redigido. A atual bolsa-ditadura já consumiu R$ 4 bilhões da Nação!
Art 4º - paragrafo 2º - Os dados, documentos e informações... fornecidos à Comissão não poderão ser divulgados... a terceiros, cabendo a seus membros resguardar seu sigilo.
Obs - Configura-se em verdadeira censura prévia, submetida apenas a critérios da Comissão. Assim, qualquer documento,etc., que venha a comprometer um petista graúdo (delações, traições, treinamento de guerrilheiro em Cuba, execuções sumárias, justiçamentos, recebimento de dinheiro de países comunistas, etc) serão mantidos em sigilo. Ao povo será negada a verdade!
Art 4 - parágrafo 3º - É dever dos militares colaborar com a Comissão da Verdade.
Obs - E quem não quiser colaborar, qual a pena? Na prática, revoga-se a Lei da Anistia. Vão começar prendendo o Cel Brilhante Ustra.
Art 11 - A Comissão... ao final... deve apresentar relatório... contendo os fatos examinados, as conclusões e recomendações.
Obs - Certamente, do relatório constarão todos os fatos "heróicos" de José Dirceu, Genuíno, Franklin Martins, Tarso Genro, Dilma, Stédile, Greenhalgh, alguns aloprados, etc, que serão recomendados ao MEC, do ministro Haddad (o mesmo do "kit gay" e livros errados), para que faça constar do currículo escolar do 1º grau, sob o título: " A Novíssima História Brasileira - os HERÓIS DE ONTEM, HOJE E SEMPRE."
Apelo aos Parlamentares isentos que não lancem os militares das Forças Armadas ao covil das hienas. 
Falo em nome de mais de 90% dos Oficiais Generais e de quase 100% dos demais Oficiais e Praças de ontem e de hoje.
 JAIR BOLSONARO - Cap EB - Deputado Federal

sábado, 17 de setembro de 2011

Carta dos Presos Políticos Militares Argentinos

Diferentes Penitenciárias Federais
Estimados Senhores e camaradas:
Dirigimo-nos aos Senhores pela primeira vez, dizendo-lhes que conformamos um grupo ao redor de 400 Oficiais do Exército Argentino, presos em diferentes Penitenciárias Federais de todo o país há já vários anos (em alguns casos mais de 6 anos), processados e alguns condenados pelas ações da Força na Guerra contra a subversão.
Pertencemos, a grande maioria, à faixa de promoções CMN que vão da 93 à 106, quer dizer, que no ano de 1976 nos encontrávamos desde Subt(s) no 1º ano a Cap(s) no 2º ou 3º ano, isto é, todos Of(s) Subalt(s).
Saibam que entre nós há homens de destacada trajetória posterior em nosso Exército e outros já aposentados, no meio civil, homens condecorados pelo Exército por suas ações na guerra contra a subversão, Veteranos e condecorados das Malvinas, Chefes de Unidades, Adidos Militares, etc., todos hoje nos encontramos processados e/ou condenados basicamente pelos “supostos delitos” de associação ilícita, detenções ilegais agravadas pelo tempo de sua duração e tormento ou tortura. Como podia um Sub-Tenente integrar uma associação ilícita com seu Comandante de Brigada e com seu Chefe de Unidade? Como podia um Tenente ordenar uma detenção ilegal e agravá-la no tempo? Tampouco tem resposta, e assim seguiríamos perguntado e respondendo o mesmo. Juridicamente, tema do qual falaremos, isto não tem nenhuma lógica, e no dizer popular, não tem pés nem cabeça.
Aqui existiu uma guerra e existiram ordens (nem legais nem ilegais), foram ordens. Nunca nos 4 anos de CMN nem nas “Escolas de Regimento” nos ensinaram a analisar as ordens, senão a cumpri-las. Não existe nem nunca existiu no Exército a “teoria Balza”. Nunca nos ensinaram a diferenciar as ordens.
Entre os que nos encontramos nesta situação, há camaradas doentes, alguns com cânceres terminais, doentes psiquiátricos, outros com AVC e seria longa a gama das doenças, isto somado aos já mais de cem (100) camaradas mortos na prisão (o CELS computa 193), alguns diante de nós.
A isto se soma a dor e a enfermidade de nossas famílias, essa “grande família militar” da qual tanto nos falaram e falamos. A dor não é só a de nos ver presos e tratados como delinqüentes comuns, senão a de ver-nos submetidos ao escárnio e à piada pública em diferentes MCS, nos traslados algemados ou nesses arremedos de julgamentos que são mais um circo romano que outra coisa. Que dizer de nossos filhos já homens e mulheres, alguns Oficiais ou Chefes do EA? Saibam também que nossas mulheres e filhos estão doentes, muitos em tratamento, por esta situação. Devem saber também que há Sub-Oficiais presos conosco, uma verdadeira afronta da qual nos devemos envergonhar. TODOS eram nessa época Cabos, Cabos 1ºs ou Sargentos, também conformavam as “associações ilícitas”? Um verdadeiro disparate. A grande pergunta é: até quando continuará esta vingança contra o Exército (não duvidem jamais que esse é o alvo!)? Por favor, nenhum queira acreditar ou pensar que é Justiça.
E também, por favor, não se deixem levar pelos que falam “deste novo Exército”. O Exército Argentino foi e é um só, desde 29 de maio de 1810 até nossos dias. A nenhum de nós se nos ocorreu renegar o Exército Libertador, do da Guerra com o Brasil, do da conquista do Deserto, do da guerra da Tripla Aliança, do de Richieri, do de Perón ou do da Guerra contra a Subversão e a reconquista das Malvinas. Com as virtudes e defeitos de seus condutores, são o mesmo Exército de HOJE.
Não se confundam! Não defendemos nem defenderemos o governo militar de 1976/83, mas sim, nos sentimos orgulhosos de haver sido parte da História do nosso grande Exército, derrotando a subversão, logro reconhecido na ocasião por toda a nossa sociedade (hoje desmemoriada) e por todo o mundo.
Somos homens maduros, alguns doentes, mas não estamos derrotados, lutamos como podemos por nossa liberdade e por “nosso Exército”, o de hoje e o de sempre. “Na história dos povos há lugares onde o patriotismo e a valentia se dão em uma dimensão maior, como se a terra fosse mais fértil em produzir qualidade humana” (Comandante Huber Matos).
Com toda humildade, tomamos para nós estas palavras de um dos Comandantes da Revolução Cubana, que pagou 20 anos de cárcere por sua discordância com Fidel Castro. Pedimos-lhe, como camaradas mais antigos, na maioria dos casos, que pensem não só em nós, senão em nosso Exército: aonde vamos, para onde nos levam, é este o caminho? Por favor, pensemos nisso. Não nos guiemos pelos “supostos MCS” e naquele “a opinião pública”. Para não falar no ar, encarregamos e pagamos, com a colaboração de muitos amigos, uma pesquisa de opinião (de uma das melhores empresas de pesquisa do mercado e sobre o universo mais amplo possível) que apontou resultados realmente surpreendentes que queremos compartilhar com vocês, para nos responder a todas essas perguntas, das quais damos alguns exemplos:
- O Exército, em matéria de imagem de instituições encontra-se no 3º lugar, depois da Igreja Católica e do jornalismo, ficando muito acima do Governo, dos grêmios, dos partidos políticos, etc.
- Outro dos temas é o do SMO (Serviço Militar Obrigatório), tão caro à sociedade, onde vemos que 60% dos pesquisados opina que deve voltar, duplicando a percentagem dos que se opõem.
- Em relação a nossos julgamentos pela Guerra contra a Subversão, quase 70% se manifesta contra os mesmos, ficando reduzido só a 16% os que estão de acordo.
- Além da polêmica que o tema provoca, 60% estima que seria positivo que as FFAA intervenham para combater o narco-tráfico, contra apenas 21% que se manifesta contrária.
- Surpreendentemente, ante a pergunta se o Governo desarmou e colocou as FFAA em segundo plano, e se não estão equipadas nem em capacidade de defender a República, 68% manifestou-se de acordo com esta opinião.
Estimados camaradas, entendemos que este será o primeiro contato de um diálogo e intercâmbio de idéias que de forma respeitosa pretendemos e esperamos ter com vocês. Solicitamos aos que queiram nos responder de qualquer forma (anônima ou não), o façam chegar à nossa direção eletrônica.
Despedimo-nos de vocês com o forte abraço de soldados que corresponde.
Presos do Exército em Penitenciárias Federais
Nota da tradutora:
Este artigo destina-se, sobretudo aos militares brasileiros, para que se lembrem do seu passado e dos seus camaradas que hoje estão sendo julgados e amanhã poderão passar pelo mesmo que os militares argentinos estão passando hoje. E para melhor ilustrar o texto acima, sugiro que assistam à esta brilhante, corajosa e emocionante alocução do Senhor Coronel Horacio Losito, por ocasião de seu julgamento. Quanta firmeza! Quanta hombridade! Estes heróis da pátria, a maioria na faixa etária entre os 70 e 80 anos de idade, estão sendo julgados com condenações que vão dos 30 anos até prisão perpétua. Enquanto os terroristas assassinos estão todos no poder.
Palavras finais do Coronel “VGM” Horacio Losito
Tradução: Graça Salgueiro

Golpe de Mestre: Depois de Aprovar a Comissão da Verdade, o Governo Pretende Revogar a Lei de Anistia.

por Carlos Newton
Com assinatura de apoio de todos os ex-ministros da pasta, a ministra da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Maria do Rosário, divulgou uma carta-aberta aos deputados em que declara que o país está correndo contra o tempo para que a memória das vítimas da ditadura militar não seja esquecida.
No manifesto, Maria do Rosário e os ex-ministros apoiam o projeto de lei que cria a Comissão da Verdade e defendem que o direito à memória e à verdade é uma “conquista” que não pode ser negada.O Congresso Nacional tem em suas mãos a oportunidade de aprovar esse projeto seguindo os passos já trilhados para a consolidação do regime democrático em nosso país”, diz trecho da carta.
Nosso desafio, hoje, é uma corrida contra o tempo: as memórias ainda vivas não podem ser esquecidas e, somente conhecendo as práticas de violação desse passado recente, evitaremos violações no futuro”, assinalam os ministros.
Além de Maria do Rosário, assinam a carta os ex-ministros Paulo Vannuchi, José Gregori, Gilberto Vergne Sabóia, Paulo Sérgio Pinheiro, Nilmário Miranda e Mário Mamede. O ministro da Defesa, Celso Amorim, também participou da reunião, mas saiu do encontro sem falar com a imprensa.
O Projeto de Lei 7.376 foi enviado pelo Executivo, em maio, à Câmara dos Deputados e, depois de ter passado pelas comissões de Direitos Humanos e Minorias e a de Relações Exteriores e Defesa Nacional, já houve três pedidos para a inclusão da proposta, na ordem do dia, para análise do plenário. O projeto cria a Comissão da Verdade no âmbito da Casa Civil da Presidência da República.
Como se sabe, a proposta é polêmica por vários motivos. De início, não conta com apoio integral das Forças Armadas, porque só pretende investigar crimes dos militares, deixando de lado os cometidos pelos militantes da luta armada. Além disso, os militares já destruíram todos os documentos que os poderiam incriminar. Por isso, a Comissão da Verdade não terá em que se basear na investigação, a não ser pelos depoimentos de militantes. Mas quem liga para isso?
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GOVERNO USA ESTRATÉGIA ARDILOSA
A estratégia do governo é aprovar primeiro a Comissão da Verdade, para num segundo lance mudar a Lei de Anistia para punir quem torturou, matou e desapareceu com opositores do regime militar. O militares ainda desconhecem essa intenção do governo e estão aceitando a Comissão da Verdade porque ela não terá efeitos punitivos, porque o Supremo já reconheceu a constitucionalidade da Lei da Anistia. Quando souberem que o governo depois pretende mudar a Lei da Anistia, será tarde demais.
Já existe o projeto, que é de autoria da deputada Luiza Erundina (PSB-SP). A proposta já esteve três vezes para ser votada na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, mas foi retirado de pauta. Na manhã de ontem, o PSOL tentou incluí-la na pauta, mas foi derrotado pela base do governo. O PT liderou a mobilização para evitar a votação.
Foi na semana passada que o líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP), e o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), que faz parte da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, reuniram-se com o ministro da Defesa, Celso Amorim, e decidiram pela estratégia de “congelar” o projeto de Erundina até que seja instalada a Comissão da Verdade.
A proposta da deputada está destinada a gerar problemas, quer seja aprovada ou rejeitada. Se passar, criará reações de setores militares, já incomodados com a Comissão da Verdade. Se não passar, o governo terá de se explicar junto à militância dos direitos humanos e parentes dos desaparecidos e perseguidos políticos.
Os militares, é claro, resistem a qualquer revisão da Lei da Anistia. A assessoria parlamentar do Comando do Exército já elaborou uma nota técnica contra o projeto de Erundina e a distribuiu aos deputados da comissão. “O projeto quer fazer não a interpretação autêntica, mas restritiva quanto ao alcance dos efeitos da anistia, ferindo de morte o verdadeiro espírito da lei. O projeto vai produzir efeitos retroativos, atingindo fatos passados. Implica em desequilíbrio e desarmonia”, diz a nota técnica do Comando do Exército.
Os militares argumentam que o Supremo Tribunal Federal já decidiu, em abril de 2010, que a lei de 1979 vale para todos, inclusive para crimes cometidos por agentes públicos, militares e civis. Independentemente da mobilização dos militares, alguns parlamentares de esquerda são contra a revisão da Lei da Anistia. Alfredo Sirkis (PV-RJ), por exemplo, um ex-guerrilheiro e que atuou na luta armada, é a favor da Comissão da Verdade, mas não da mudança da Lei da Anistia para punir agentes do Estado que atuaram na ditadura.
Tenho absoluta autoridade para falar desse assunto e não admito ser patrulhado pela esquerda. Esses fatos ocorreram há 40 anos. Reabrir essa questão nesse momento será julgamento daqueles que eram personagens secundários. É reabrir um confronto que não interessa”- diz Alfredo Sirkis, que integra a Comissão de Defesa Nacional e votará contra o projeto de Erundina.