quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A Herança Maldita do Golbery

Por Mauricio Grillo Jr 
Todas às vezes, nos últimos nove anos, que um novo governo assume, transfere-se para o que sai, a responsabilidade pela má gestão econômica. Foi assim com Lula logo em seus primeiros meses em 2002. Diante da realidade encontrada e dos problemas que os lulistas teriam que enfrentar, imprimiu-se a lógica menos trabalhosa. Culpou-se o governo anterior pelas mazelas. Na ocasião a frase que mais se lia e se ouvia era de que o Lula havia herdado de FHC uma herança maldita. 
A questão é que entre o fim do governo de um e o começo do governo do outro houve uma fase de transição em que ambos os lados dividiram a responsabilidade pelos números econômicos e pela agenda política dos contratos a serem cumpridos. Portanto, não poderia haver surpresa alguma para a equipe do Lula quanto ao futuro que iriam viver dali em diante. Sabiam de tudo e assinaram em baixo. Não denunciaram as mazelas e são por isso, co-responsáveis por elas. A tal herança maldita não era uma desconhecida.
Já com a Dilma foi diferente. Porque fazer equipe de transição de um governo que sucedia a si mesmo? Bastou uma troca de gentilezas para se cumprir o ritual “democrático” de troca de governo. Não podemos esquecer que Dilma era integrante do governo Lula e também sabia o que teria que enfrentar pela frente já que conhecia intimamente os bastidores do governo que acabava de deixar o planalto. 
Passados os seis primeiros meses, tudo indica que a realidade econômica e política têm mantido o seu ciclo de ilusões. Se em 2002 a esperança deveria vencer o medo, nove anos depois o medo parece ter derrotado definitivamente a esperança. Com a inflação descontrolada e a corrupção desenfreada, a síndrome de poder que assolava o governo Lula parece não querer recuar impedindo que Dilma imprima sua própria marca. Essa parece ser uma situação que tem incomodado o atual governo. As demissões em série de aliados de primeira hora do Lula, provocadas pelos escândalos no Ministério dos Transportes, pareceu querer acenar com a independência necessária para que se consiga governar sem a interferência descarada imposta por um apadrinhamento sem freios, mesmo que seja para governar com o comprometimento de manter a política econômica dos governos FHC e Lula. A questão, portanto, não é o receio de um rompimento com o modelo econômico e político. A questão é de controle do poder.
Se for essa a questão então podemos esperar mais para frente um acirramento na luta política interna no governo. Os dois grupos que governam começam a se desentender quanto o rumo a ser seguido. Não será surpresa se o grupo lulista ganhar força ao longo do embate já que conta com o apoio de figuras tradicionais da política brasileira com forte influência nos bastidores. Quanto ao grupo da Dilma, o horizonte não parece iluminar claramente o futuro. 
De José Dirceu a Collor passando por Sarney e Temer parece que essa contenda já está decidida. Como aliados de Lula mais do que de Dilma, essa tropa de choque comandada por um chefe disposto a expor até as fragilidades do governo ao julgamento público sem receio de maiores conseqüências, como já o fez outras vezes, para garantir o controle do poder, deixa claro que o Brasil não é mais nosso. Somos hoje, meros expectadores de uma nova elite política que assumiu o poder em 2002, mas que na verdade foi criada pelas tramas de um mago que comandou a ditadura dos anos 60 e 70.
Como bem dizia Brizola, o PT é filho do Golbery.
Mauricio Grillo Jr. é Professor de História 
da rede particular em Nova Friburgo.
Fonte:  Alerta Total

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