segunda-feira, 25 de julho de 2011

Nada de Caras Pintadas...

por Lenilton Morato
Mensalão, quebra de sigilo fiscal de um simples caseiro, assassinato ainda não esclarecido de Celso Daniel, ligações comprometedoras com as FARC, financiamento governamental ao MST, proteção ao assassino Cesare Battisti, saúde caótica, segurança inexistente (são 50 mil homicídios por ano e ninguém parece se incomodar com isso), educação pífia, filhos de Lula que enriqueceram literalmente "do nada", aviões da FAB utilizados por familiares do "cumpanhêro"... A lista é interminável. Uma pergunta não quer calar: onde estão os "caras pintadas?"
Em 1992, universitários (esses imbecis metidos a intelectuais) saíram às ruas exigindo o fim do governo Collor pois este estava sob suspeitas de irregularidades e desvios de verbas durante sua campanha. Palavras de ordens foram ditas, uma verdadeira mobilização foi levada a cabo e, finalmente, Collor foi impedido e teve seus direitos políticos cassados por oito anos. Que maravilha de democracia estávamos começando a viver! O povo realmente tinha o poder! Conseguiram tirar um Presidente da República! Quanta evolução!
Passados quase 20 anos, e o que aconteceu com Collor? Foi eleito Senador da República e absolvido (!) das acusações que o levaram à renúncia e posterior impedimento. A gloriosa democracia tupiniquim puniu com todos os rigores da lei um... Suspeito! Sim, Collor foi impedido de continuar no governo por mera especulação, pois não fora julgado e nem condenado. E o Congresso Nacional endossou o "apelo popular" e, na contra mão do senso comum, puniu um réu à revelia. 
Não que Collor tenha sido um bom Presidente. A questão não é essa. O fato é que o governo do PT tem se envolvido sistematicamente em questões muito mais graves daquelas que levaram ao impedimento de Collor. Numa comparação metafórica (bem ao gosto do apedeuta barbudo) o Presidente impedido, se comparado à Lula, seria um ladrão de galinhas. No governo passado houve a compra do Congresso Nacional (que não vale lá muita coisa mesmo) o assassinato de um prefeito do PT, com suspeitas de ter sido planejado pelo partidão, e ninguém, ninguém saiu às ruas para protestar ou exigir a saída de Lula. Agora, a companheira já está emaranhada em crises no Ministério dos Transportes, na troca corriqueira de ministérios, e se aprofundam cada vez mais as evidências de que as FARCs e o PT estão cada vez mais unidos (afinal, as FARCs não parabenizariam a presidente Dilma à toa, não é mesmo?).
Parece que os jornalistas, universitários e intelectuais sofrem de uma espécie de amnésia ideológica: tudo aquilo de errado que é feito pela esquerda é imediatamente esquecido. Nada de revoltas, nada de indignação. Continuamos com taxas de homicídios das mais elevadas do mundo, mas isto não incomoda a ninguém, desde que a taxa de juros baixe e o bolsa-família esteja em dia. Continuamos com produção científica e cultural nula, mas enquanto houverem as cotas para as universidades, estará tudo OK. Continuamos aumentando mais e mais a máquina pública, criando mais e mais cargos e ministérios, mas enquanto os impostos puderem ser aumentados sob a desculpa de que é o "porco burguês" que os pagas, tudo bem. Estamos pacificados e estamos passivos. A memória é curta e nenhum escândalo parece sensibilizar os estudantes como outrora outros de proporção muito menores fizeram. 
E onde estão os caras-pintadas? Ora, eles continuam onde sempre estiveram: sob as asas do PT. Ou como integrantes da estrutura do partido (em todas as suas atividades inclusive as de doutrinação ideológica) ou como novos idiotas úteis a serviço dele. 
Enquanto DCEs, MST, sindicatos, conselhos de classes e a mídia forem controlados pelo partido, nada de cara-pintadas, nada de revoltas, nada de rebeliões, a não ser aquelas necessárias para se manter as aparências. 
Não há força que possa, hoje, mobilizar um movimento contrário a este no país, mesmo que a maioria acredite que as coisas feitas pelos governos PT sejam muito piores do que aquelas que levaram Collor ao impedimento. Quando um partido e uma ideologia dominam todos os espectros do poder, da informação e da formação educacional e cultural, as opções são poucas. O problema não é o (ou a) presidente não saber de nada. O problema é que os estudantes, jornalistas e intelectuais também não sabem de nada, ou por ignorância ou por doutrinação ideológica.

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