domingo, 10 de julho de 2011

Em algum momento a corda irá se romper

por Márcio Accioly
Profundamente iludido é quem acreditar que um país como o Brasil, loteado por classe de “dirigentes” como a que temos, e esse tipo de população manipulada nas 24 horas do dia pela televisão, futebol, novela e pornografia (além de inominável violência que se multiplica), irá dar a volta por cima.
As leis são afrouxadas para beneficiar criminosos, em especial os de menor idade que matam e mutilam nas ruas sem correrem risco de punição. Com relação aos que frequentam os cofres públicos (ah! os que frequentam os cofres públicos), esses entendem que estão salvando a si e aos seus. Mas ninguém escapará de tal enrascada.

O noticiário político é de estarrecer e as maiores infâmias ganham ar de “normalidade”. O que se afirma agora, com todas as letras, é que o PMDB está pressionando (e o governo já aceitou), para que se aprove sigilo “nas licitações de todos os aeroportos”.

O que se fala a respeito do trem-bala, cujo orçamento alcançou a casa dos 35 bilhões de reais (no projeto inicial custaria 19 bilhões), mas que já se tem como certo irá ultrapassar 50 bilhões de reais, é inacreditável! A impressão claríssima é a de perda de controle. Não há mais como segurar.

O então presidente Dom Luiz Inácio (PT-SP), passou os oito anos de seu mandato falando na herança maldita deixada por FHC (cujo corrupto governo parece agora conto de fadas), tirando de foco o esquema que repassava à sucessora, um dos mais apodrecidos que esse sistema de administração conseguiu nutrir.

A coisa chegou a tal ponto de deterioração que a presidente da República não consegue mais sequer demitir um diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes – Dnit -, no caso, Luiz Antônio Pagot. Ele disse não aceitar “ser afastado”.

Pior, o senador Blairo Maggi (PR), ex-governador do Mato Grosso, e protetor de Pagot, faz pressão direta pela permanência do afilhado no cargo. Maggi disse esperar que Pagot reocupe o posto “quando retornar das férias”. Essa arrumação de governo foi toda ela estruturada por Dom Luiz Inácio.

Não se tem dinheiro para as estradas, para o sistema de saúde, porque os desvios dos recursos financeiros públicos acontecem à luz do dia e existe sentimento de impotência e de conformidade. Prova disso é a proposta de sigilo nas licitações, defendida até pelo presidente do TCU, ele próprio acusado de vários desmandos.

O matemático gaúcho Gilberto Flach, na edição do jornal Zero Hora (RS), da última segunda-feira (4), estabeleceu comparações entre a construção da ponte chinesa de 42 km, recentemente construída sobre a baía de Jiaodhou, e o projeto da nova ponte do Rio Guaíba, em Porto Alegre. Os números são devastadores!
A ponte do Guaíba terá dois quilômetros e 900 metros de extensão e deverá custar um bilhão e cento e sessenta milhões de reais (sem os aditivos). A ponte da China (42 km) custou dois bilhões e 400 milhões de reais.
Cada km de ponte na China custou 57 milhões de reais. Cada km de ponte no Guaíba irá custar 400 milhões de reais. Na China foram necessários 35 dias para que cada km da ponte ficasse pronto. Aqui, serão necessários 503 dias para o mesmo km de construção.
O que se tem como certo é que o Brasil mete medo em quem observa e acompanha com atenção o desenrolar dos acontecimentos na administração pública. É como se estivéssemos cercado de assaltantes, bandidos da pior qualidade, intimidando a população, mas exigindo respeito. Não se tem como esperar desfecho positivo.
Márcio Accioly é Jornalista.
 Fonte:  Alerta Total

Nenhum comentário: