domingo, 31 de julho de 2011

Queimadores de Contêineres

por Lenilton Morato
Mal chegaram e os equipamentos para a coleta de lixo automatizada de Porto Alegre já encontraram a cordial recepção do povo mais "politizado" do país. Cerca de uma dezena foram incendiados por vândalos, por motivos ainda nebulosos. Para alguns, foi motivo político, para outros a culpa é a falta de segurança. Para mim, a culpa é uma só: falta de educação. Ou pior, excesso de educação doutrinatória (aquela que idolatra Che Guevara, Lamarca, Mao, Lênin e diz que todo capitalista é um maldito); garanto que tem gente que queimou os contêineres de lixo por achar que era coisa do imperialismo norte-americano ou da rede globo. Fizeram assim com o relógio dos 500 anos do Brasil que foi dado para Porto Alegre também. Um bando de criminosos.
Vejo algumas pessoas se surpreenderem com estes fatos. Eu não me surpreendo. Não escreverei aqui que estava até esperando estes atos, pois assim evito ser acusado de ser profeta do acontecido. Mas era inevitável que isto iria acontecer. Dentro em breve estarão chamando os equipamentos queimados de obra de artes, como faz uma tal Márcia Tiburi a respeito das pichações. Atos como esses são incentivados quer por estímulos partidários ou por interesses empresariais. Mas tudo se resume à falta de educação.
Sabe quem são essas pessoas que queimam contêineres leitor? São pessoas como aquele estudante que pichou uma escola em Viamão e ao ser corrigido pela professora causou a expulsão desta! Percebem a inversão da escala de valores? Percebem que tipo de cidadãos estão sendo formados em nossas escolas? Militantes. Formamos militantes e não uma juventude responsável e consciente. Não formamos cidadãos.
Quanto à família... Bom, esta também já não pode fazer muita coisa, pois qualquer corretivo que os pais apliquem nos seus filhos estes logo vão ao conselho tutelar denunciar os maus tratos. O patrio poder agora pertence ao Estado. E se um pai ou uma mãe se desvirtuar do preconizado pela cartilha... Guilhotina. Assim, a escola rouba o papel da família e a estrutura da sociedade é rompida. Tudo isso, claro, em nome do bem comum e de "um mundo melhor".
Fonte:  Lenilton Morato
COMENTO:  o autor esqueceu de comentar que esses idiotas que desrespeitam professores, ou que incentivam seus filhos a agirem dessa forma, somados aos imbecis vândalos e aos militantes do "mundo melhor" dominado por usuários de marijuana (e outras drogas a que o uso desta conduz) possuem título de eleitor e na hora de usá-lo, definem-se por pessoas de sua mesma laia. Este é o grande "investimento social" a que está submetido o país.
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Faculdades Ensinam até Tabuada para Aluno Poder Acompanhar a Graduação

por Isis Brum do 
Jornal da Tarde
Várias faculdades particulares paulistas estão dando cursinhos de nivelamento no primeiro ano para que os ingressantes revejam conteúdos de Língua Portuguesa e Matemática do ensino fundamental e médio. Os alunos chegam ao ensino superior sem saber nem mesmo a tabuada, por exemplo, ou resolver divisões simples e equações com fração. Em Português, precisam reaprender ortografia, concordância e pontuação. De maneira geral, não conseguem ler um texto complexo, próprio do curso, e responder a questões.
Os cursos de reforço ocorrem, geralmente, uma hora antes do período normal de aulas, no caso do noturno, ou uma hora após o expediente escolar, para quem estuda pela manhã. Nesses módulos há estudantes oriundos do sistema particular de ensino, mas a maior parte dos estudantes, dizem os professores, é formada por gente vinda da rede pública. Um deles é Evânio Viana Nobre, de 42 anos, que cursa o último ano de Licenciatura em Matemática na Universidade de Guarulhos (UnG), na Grande São Paulo. Ele diz que, na primeira vez em que tentou cursar o ensino superior, abandonou a faculdade. "Tive de contratar um professor particular", lembra. Na UnG, participou do Mathema, o cursinho extra de matemática.
"Os alunos chegam sem noção alguma da serventia do conteúdo para a vida dele. Falta significado", diz Ana Maria Pires, professora do Mathema. Mayara Elza Lessa, coordenadora de Inserção Acadêmica da UnG, acredita que as dificuldades em leitura e produção de texto são graves. "Por isso, criamos o laboratório de produção textual." "O ensino público está muito ruim", critica Magali de Paula, professora do projeto Aprimorar do Centro Universitário Sant'Anna (UniSant'anna). "Os alunos chegam à instituição semianalfabetos", completa. Por lá, o cursinho extra também inclui reforço em espanhol e inglês.
As instituições particulares já perceberam que precisam resolver as deficiências da educação básica de seus ingressantes se quiserem mantê-los nas aulas. "Esse é o nosso público. E ele também tem direito de cursar a faculdade", afirma Rodrigo Capelato, diretor executivo do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo. "O diploma da educação superior tem implicações sociais. Felizmente, algumas universidades estão olhando para isso e oferecendo os cursinhos", avalia Ocimar Alavarce, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP).
Nas faculdades do Grupo Anhanguera, as oficinas ocorrem especialmente no primeiro ano e ajudam o aluno até a pesquisar na internet. "É, sim, um desafio, mas cabe a nós ajudar esses alunos a realizar o seu projeto de vida", diz Ana Maria Souza, vice-presidente acadêmica da Anhanguera Educacional. Na UniRadial, instituição do Grupo Estácio, o cursinho de reforço é oferecido a distância, durante a formação regular.
A Universidade Anhembi Morumbi também adota a técnica e os módulos são criados de acordo com a necessidade das turmas, segundo a pró-reitora acadêmica da instituição, Josiane Tonelotto. "Aqui, combinamos competências e habilidades (defasadas) com a aquisição de novos conhecimentos", conta Sílvia Ângela Teixeira Penteado, pró-reitora da Universidade Santa Cecília (Unisanta), na Baixada Santista.
Os números mais recentes do Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) ajudam a entender as dificuldades do aluno que chega à universidade: quase 60% dos alunos do ensino médio estão abaixo do nível básico em matemática e 38% deles não absorveram conteúdos mínimos em português.
Fonte:  OAB - Londrina
COMENTO:  é dessa forma que os governos, nos três níveis, inflam seus relatórios de resultados em educação. A incompetência está transformando a população brasileira em uma grande massa de semialfabetizados com "dipromas" de curso superior. Em breve teremos um país administrado por lideranças totalmente inúteis: engenheiros incapazes de elaborar cálculos estruturais fundamentais para suas "obras"; médicos sem a mínima noção de biologia; historiadores cujo conhecimento se resume a textos ideologicamente formatados de acordo com os interesses revanchistas dos atuais "formadores", que por sua vez foram formados sob a égide da utopia marxista.
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sábado, 30 de julho de 2011

Gaspari aos Crentes: Fantasias Teleféricas do Planalto

por Josias de Souza
Sabe qual é a diferença entre as galinhas e os governos? Simples: as galinhas botam ovos antes de cacarejar.
Se você integra o grupo de contribuintes que crê piamente em tudo, cuidado. Depois, não adianta piar.
Vai abaixo o texto que abre a coluna do repórter Elio Gaspari, na Folha.  Atravessando-o, você talvez duvide de São Tomé. Hoje, nem o que é mostrado justifica a crença:
"Aqui vai um teste para medir a qualidade do ceticismo das pessoas. Nos últimos dias, a patuleia recebeu dois anúncios.
Num, soube que, desde segunda-feira, o teleférico do Morro do Alemão passou a funcionar das 7h às 12h.
Noutro, aprendeu que os contratos de obras do programa Minha Casa, Minha Vida, na sua segunda fase, serão retomados nas próximas semanas e permitirão a entrega de 300 mil chaves até dezembro. Quem não desconfiou de nada vive num perigoso estágio de credulidade.
O teleférico do Alemão, com 3,5 km, custou R$ 210 milhões e beneficiará 30 mil pessoas. É uma joia do PAC e foi inaugurado pela doutora Dilma no último dia 7, acompanhada pelo governador Sérgio Cabral e pelo prefeito Eduardo Paes.
Houve inauguração, mas não havia serviço. Depois da festa, ele passou a funcionar das 9h às 11h e das 14h às 16h. Desde segunda-feira, nem isso, só das 7h às 12h.
Do jeito que está, não atende a quem trabalha.
A presidente da República, o governador do Rio de Janeiro e seu prefeito participaram de uma cerimônia de fancaria sabendo que, em novembro, poderiam inaugurar o serviço que fingiram entregar à população.
No segundo caso, o governo anunciou que o Minha Casa, Minha Vida, na sua segunda fase, voltará a contratar obras. Voltará, por quê? Porque neste ano as contratações pararam.
O programa foi outra joia da campanha eleitoral de Dilma, a "mãe do PAC". Até o final de 2010, havia a promessa de construção de 1 milhão de imóveis.
Entregaram 350 mil. Durante a campanha, a doutora prometeu entregar 2 milhões de casas até 2014.
Passaram-se seis meses e há na Caixa Econômica projetos para a construção de 200 mil residências. O governo anuncia que entregará 300 mil casas até dezembro. A ver.
Tanto os horários do teleférico como o suspiro do Minha Casa, Minha Vida podem ser explicados. Um está em fase de teste. O outro ajustou-se a novos valores e métodos.
A encrenca não está aí, mas na marquetagem da fantasia. A mágica ofende primeiro quem acredita no governo. Quanto mais o sujeito crê, mais é feito de bobo.
Numa segunda etapa, dá-se o pior: o governo acredita não só que a choldra é tola, mas se convence das próprias mentiras. Basta perguntar aos 24 ministros da doutora quantos acham que há um serviço de teleférico no Alemão."

Quem Financia o Ateísmo da ATEA?

por Janer Cristaldo
Há dois ou três dias, eu manifestava meu espanto ante o submarino nazista que foi descoberto nas costas de Santa Catarina. Curiosamente, nunca vi submarinos comunistas, sociais-democratas ou capitalistas. Ontem, nova surpresa. Segundo a Zero Hora, ônibus ateus começarão a circular em Porto Alegre no próximo domingo. O jornalismo é surpreendente. Temos agora um ônibus que não acredita em Deus. Mais um pouco e teremos ônibus tementes a Deus.
A partir deste domingo, a chamada campanha dos ônibus ateus terá início na Capital. Ônibus exibirão mensagens expondo o ponto de vista de ateus e agnósticos sobre temas como fé e moralidade. A ação é uma iniciativa da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos.
O mote da campanha é o slogan "Diga não ao preconceito contra ateus", que aparece em quatro peças diferentes acompanhando imagens e frases polêmicas. Uma delas afirma "A fé não dá respostas. Ela só impede perguntas". Em outra aparecem Adolf Hitler e Charles Chaplin ilustrando o texto "religião não define caráter".
O texto diz que Chaplin não acreditava em Deus. Pode ser. Mas acreditava em Stalin, o que é um pouco mais constrangedor. Em O Grande Ditador, Chaplin satiriza Hitler. Mas em toda sua obra poupou Stalin, que começou a matar muito antes de Hitler e continuou matando depois de Hitler. Quanto a dizer que Hitler acreditava em Deus é aposta perigosa. Até parece que ateus são anjos de bondade. Enumerar grandes assassinos que eram ateus não é difícil. Vão de Átila – não por acaso chamado o Flagelo de Deus – e Tamerlão a Lênin, Stalin, Mao, Pol Pot e Fidel Castro. Se religião não define caráter, ateísmo muito menos.
Nascemos todos ateus. Nenhuma criança crê em Deus, pela simples razão de que não tem noção alguma do que seja Deus. A idéia de Deus é decorrente do Estado, da Igreja, da escola. No entanto, nunca vi ninguém manifestar preconceitos contra o ateísmo infantil. Muito menos contra o ateísmo adulto. Nasci ateu, em um ambiente pagão, e fui católico por uns quatro ou cinco anos, em virtude de uma catequista e de um colégio de padres oblatos que me enfiaram o cristianismo a machado cabeça adentro. Mas logo me recuperei. Sou ateu há mais de meio século e nunca me senti por isso discriminado. Os neo-ateus, pelo jeito, querem posar de coitadinhos.
A Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos – ATEA, para os íntimos – é uma espécie de sindicato de ateus, conduzida por um tal de Daniel Sottomaior, que pretende atrair a atenção da sociedade e tirar os ateus da invisibilidade.
Somos cerca de 2% dos brasileiros, ou 4 milhões de ateus. Mas muitos têm medo de se expor devido ao preconceito de amigos, chefes e familiares. Isso tem que acabar.
Confesso que nunca vi ateu com medo de se expor, muito menos restrições de amigos, chefes ou familiares. Convivo mais com pessoas que não crêem em deus ou deuses, mas também convivo com crentes. Isto nunca impediu nosso bom relacionamento. Só o que faltava eu exigir que uma pessoa pense como eu penso para com ela relacionar-me.
Há uma noção de que ateus são maus. Acontece um crime bárbaro, logo falam que o sujeito não crê em Deus. A campanha quer mudar essa imagem — diz Daniel Sottomaior, presidente da ATEA.
Ora, isso é desonestidade intelectual, típica de sofistas que jogam argumentos inexistentes ao ar, para melhor rebatê-los. Nunca vi, em minha vida de jornalista, acusarem criminosos de ateus. Em verdade, um apresentador de televisão, truculento e analfabeto, o tal de José Luiz Datena, andou afirmando ano passado que crime é coisa de pessoas que não acreditam em Deus. “Porque o sujeito que é ateu, na minha modesta opinião, não tem limites, é por isso que a gente vê esses crimes aí”. E continuou em seu discurso sem nexo: “É por isso que o mundo está essa porcaria. Guerra, peste, fome e tudo mais, entendeu? São os caras do mal. Se bem que tem ateu que não é do mal, mas, é ..., o sujeito que não respeita os limites de Deus, é porque não sei, não respeita limite nenhum”.
Mas Datena é um bronco, que jamais leu aquele livro em que o bom Jeová ordena massacres de povos inteiros. Sua opinião não pode ser levada em consideração. Segundo a Zero Hora, a campanha traz ainda a foto de um avião atingindo o World Trade Center com os dizeres "Se Deus existe, tudo é permitido" - em referência à famosa citação em contrário do romance Irmãos Karamazov, de Dostoievski. Sottomaior pode pretender jogar com esta frase. Só que - como comentei ontem e tenho comentado toda vez que esta bobagem é proferida - Dostoievski nunca afirmou que se Deus não existe tudo é permitido. Sottomaior revela a mesma ignorância de todos aqueles que citam Dostoievski sem jamais tê-lo lido.
Os tais de ônibus ateus não passam de macaquices de provocações que foram feitas nos Estados Unidos e Europa. Ano passado, eu afirmava que esse conflito entre ateus e crentes era coisa de ianques, que até hoje se dividem entre criacionistas e evolucionistas. Aqui no Brasil, o dito maior país católico do mundo, os três últimos presidentes foram ateus. Brasileiro não se preocupa com isso. 
Por outro lado, me soa insólita uma associação de ateus. É como se fosse uma associação de solipsistas. Ou de solitários, como quisermos. Ateu é o homem que nega a fé em deus ou deuses. Que crentes se associem para preservar sua fé, até que entendo. Nós, ateus, não temos fé nenhuma a preservar. Nossa descrença dispensa apoio de quem quer que seja. Isso de associação de ateus me soa à religião.
Mais insólita ainda me soa uma associação brasileira de ateus, como se ateu tivesse pátria. Me lembra uma piada da Irlanda. Um cidadão foi interpelado em uma barreira. Alegou: “mas eu sou ateu, nada tenho a ver com as brigas de vocês”. Tudo bem - respondeu o guarda -. Mas você é ateu católico ou ateu protestante? Ora, nós somos universais. Não existe ateu brasileiro ou ateu francês ou ateu espanhol. Existem ateus, simplesmente.
Por ter manifestado meu ateísmo, não poucas vezes fui convidado a participar de grupos de ateus. Para começar, sou avesso a qualquer grupo. Não pertenço a nenhum. A idéia de grupo me horroriza. Continuando, se sou ateu, não sou militante. Que as gentes creiam no que bem entenderem. Desde que não pretendam me proibir o direito a críticas, tanto faz como tanto fez. Se uma fé faz bem a alguém, não serei eu quem pretenderá extirpá-la.
Desconfio de todo ateu militante. É alguém que não está contente com seu próprio deus. Mas está doidinho para encontrar um outro na esquina. Ou para arrecadar gordos financiamentos para suas campanhas em prol do ateísmo. Pois duvido que alguém financie do próprio bolso cartazes pregando seja lá o que for.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Sargento Max Wolff Filho: O Centenário de um Herói de Verdade

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Nascido em Rio Negro - PR, em 29 de julho de 1911, era filho de Max Wolff, descendente de alemães e de D. Etelvina, natural de Lapa-PR. Até os 4 (quatro) anos viveu as tensões da Guerra do Contestado. Aos 5 (cinco) anos, durante a Primeira Guerra Mundial, frequentou a escola em Rio Negro (PR). Aos 11 (onze) anos já era o principal auxiliar de seu pai na torrefação e moagem de café. Aos 16 (dezesseis) anos passou a trabalhar como escriturário de uma companhia que explorava a navegação no Rio Iguaçu. Nas horas de folga, juntava-se aos carregadores para ensacar erva-mate, carregar e descarregar vapores.
Serviu ao Exército pela primeira vez, se alistando no então 15º BC, em Curitiba, hoje 20º BIB, onde participou da Revolução de 1930. Transferido para o Rio de Janeiro, combateu a Revolução de 1932 no Vale do Paraíba. Foi professor de Educação Física e Defesa Pessoal. Ingressou na Polícia Militar do Rio, então Distrito Federal, sendo Cmt da Polícia de Vigilância.
Na época da 2ª Grande Guerra Mundial, apresentou-se voluntariamente, tendo sido designado para a 1ª Cia, do 1° Btl do já tradicional 11° Regimento de Infantaria, em São João Del Rei. Contava ele com 33 (trinta e três) anos de idade.
Ingressou na FEB como 3° Sargento, desde cedo tornou- se muito popular e querido, dada as suas atitudes desassombradas e a maneira carinhosa e paternalista com que tratava seus subordinados (apelidado de carinhoso) com o passar do tempo, passou a ser admirado não só pelos seus camaradas, mas pelos superiores tanto da FEB como do V Exército de Campanha americano, pelas suas inegáveis qualidades.
Todas as vezes que se apresentava para missões dificeis a serem cumpridas, lá estava o Sgt Wolff se declarando voluntário, principalmente participando de patrulhas. Fazia parte da Companhia de Comando e, portanto, sem estar ligado diretamente às atividades de combate, participou de todas as ações de seu Batalhão no ataque de 12 de dezembro a Monte Castelo, levando, de forma incessante, munição para a frente de batalha e retornando com feridos e, na falta deste, com mortos. 
Indicado por sua coragem invulgar e pelo excepcional senso de responsabilidade, passou a ser presença obrigatória de todas as ações de patrulha de todas as companhias, como condição indispensável ao êxito das incursões. Um desses exemplos está contido no episódio em que o General Zenóbio da Costa, ao saber do desaparecimento do seu Ajudante-de-Ordens, Cap João Tarciso Bueno, que fora colocado à disposição do escalão de ataque, pelo General, por absoluta falta de recompletamento de oficiais, ordenara ao Cmt do Btl que formasse uma patrulha para resgatar o corpo do seu auxiliar. O Cmt adiantou ao emissário que a missão seria muito difícil, mas que tentaria. Para tanto, sabedor que só um Wolff poderia cumpri-la, o chamou, deu a ordem e ouviu do Sgt Wolff, com a serenidade, a firmeza e a lealdade que só os homens excepcionalmente dotados podem ter: ''Coronel, por favor, diga ao General que, desde o escurecer, este padioleiro e eu estamos indo e voltando às posições inimigas para trazer os nossos companheiros feridos. Faremos isto até que a luz do dia nos impeça de fazer. Se, numa dessas viagens, encontrarmos o corpo do Capitão Bueno, nós o traremos também". Não logrou o Sgt Wolff trazer o corpo do Cap Bueno que, apenas ferido, havia sido resgatado por um soldado, mas ainda lhe foi possível, naquela madrugada, salvar muitas outras vidas.
Tais qualidades o elevaram ao comando de um pelotão de choque, integrado por homens de elevados atributos de combatente, especializado para as missões de patrulha, que marcharia sobre o acidente capital "Ponto cotado 747", ação fundamental nos planos concebidos para a conquista de Montese. Foi-lhe lembrado sobre a poupança da munição para usá-la no momento devido, pois, certamente, os nazistas iriam se opor à nossa vontade. Foi-lhe aconselhado que se precavesse, pois a missão seria à luz do dia. 
Partiu às 12 h de Monteporte, passou pelo ponto cotado 732 e foi a Maiorani, de onde saiu às 13:10h para abordar o ponto cotado 747. Tomou, o Sgt Wolff, todas as precauções, conseguindo aproximar-se muito do casario, tentando envolvê-lo pelo Norte. Estavam a 20 metros e o Sgt Wolff, provavelmente, tendo se convencido de que o inimigo recuava, estando longe, abandonou o caminho previsto para, desassombradamente, à frente de seus homens, com duas fitas de munição trançadas sobre seus ombros, alcançar o terço superior da elevação. O inimigo deixou que chegasse bem perto, até quando não podiam mais errar. Eram 13:15 h do dia 12 abril de 1945. O inimigo abriu uma rajada, atingindo e ferindo o comandante no peito que, ao cair, recebeu nova rajada de arma automática, tendo caído mortalmente também o soldado que estava ao seu lado. Após esta cena, sucedeu-se a ação quase suicida de seus liderados para resgatar o corpo do comandante. A rajada da metralha inimiga rasgava um alarido de sangue. A patrulha procurava neutralizar a arma que calara o herói. Dois homens puxaram o corpo pelas penas. Um deles ficou abatido nessa tentativa. O outro, esquálido e ousado, trouxe Wolff à primeira cratera que se lhe ofereceu. Ali, mortos e vivos se confundiam. A patrulha, exausta, iniciava o penoso regresso às nossas linhas, pedindo que a artilharia cegasse o inimigo com os fogos fumígenos e de neutralização. Os soldados do Onze queriam, a qualquer custo, buscar o companheiro na cratera para onde tinha sido trazido, lembrando a ação que ele mesmo praticara tantas vezes. Queriam trazer o paciente artesão das tramas e armadilhas da vida e da morte das patrulhas. Foi impossível resgatá-lo no mesmo dia face a eficácia dos fogos inimigos, inclusive de Artilharia. O dia seguinte era a largada da grande ofensiva da primavera. O Sgt Wolff lá ficara para que estivéssemos presentes na hora da decisão.

Montese foi conquistada. Seu nome será sempre presente porque as grandes ações resistem ao tempo e são eternas. Foi promovido "post-mortem" ao posto de 2º Tenente (Decreto Presidencial, de 28 Jun 45). 
Deixou na orfandade sua filha Hilda, seu elevo e maior afeição de sua vida de soldado. Da Itália, escreveu a sua irmã Isabel, relatando seu orgulho em pertencer ao Exército Brasileiro e que, se a morte o visitasse, morreria com satisfação. 
Foi homenageado com a distinção de ser agraciado com quatro medalhas: de Campanha; sangue do Brasil; Bronze Star (americana) e Cruz de Combate de 1ª Classe.
Eis a síntese do heroísmo de um homem simples e valoroso. 
Seus restos mortais encontram-se no Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, no jazido 32, quadra G.
- Acima, a carta recebida pela Mãe do Sgt Max Wolf, comunicando-a de seu falecimento em combate.
Fonte:  EsSA
citado no Blog do Montedo
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Educação é a saída. E daí?

por Marcos Pontes
Educação, esta é a saída e todos sabem disso desde tempos imemoriais. Sempre se soube que quem detém o conhecimento tem o poder, talvez e provavelmente por isso ela jamais foi prioritária, a não ser nos discursos de campanha.
Para doenças crônicas, remédios amargos. No governo FHC criou-se o PDV, Programa de Demissão Voluntária, que visava desinchar a máquina, a começar pelo Banco do Brasil e estendido a outras estatais e empresas de economia mista. Retiravam-se da ativa funcionários descontentes, ineptos, cansados pela repetição da rotina (desculpem, mas a redundância aqui se aplica). Através de prêmios pecuniários, afastavam-se quem não mais produzia e a informática ajudava a cobrir a diminuição dos quadros. Bom, funcionou até o governo assumir a presidência e os cargos foram preenchidos “emergencialmente” por “companheiros” despreparados, mas aí é outra novela de quinhentos capítulos.
Programa semelhante ao PDV seria minha proposta para a educação pública. Estados, municípios e União poderiam oferecer prêmios, como um ano de salário e mais todos os direitos trabalhistas para quem desejasse se afastar das salas de aula. Aqueles desestimulados que persistissem, por insegurança ou pela facilidade de ganhar sem trabalhar, que fossem afastados das salas de aula e colocados em serviços burocráticos, cantina, secretaria, biblioteca, zeladoria, o que fosse, mas longe da educação formada das crianças e adolescentes.
O segundo passo seria ir às portas das universidades contratar, com salários maiores e melhores condições de trabalho, jovens cheios de gás, dispostos a trabalhar de verdade e sem a terrível estabilidade. Ao fim de cada ano os professores seriam avaliados e aqueles que não cumprissem metas seriam enviados a recapacitação, teriam uma segunda chance. Na terceira reprovação, seriam definitivamente afastados.
Seria um programa caro, demorado e controverso? Sim, seria, e talvez nem tivesse o resultado que eu e os pais e cidadãos preocupados com a má formação dos nossos jovens desejamos que fosse alcançado, mas seria uma chacoalhada na mesmice, na inoperância e na falsificação de índices oficiais.
Japão e Coréia são exemplos citados à exaustão no que se trata de investimento em educação e lá também não foi fácil e nem barato, mas o resultado todo o mundo conhece, os dois países tornaram-se referencial em educação e potências econômicas que tremem de vez em quando, mas não quebram.
Os jovens professores seriam a garantia de melhoria na qualidade? Talvez não. Há poucos dias tive uma discussão com um professor de história (ah, sempre os vermelhinhos...) que alegava que não se pode aprender história através de vídeos. Um outro nega a Bíblia não apenas como guia religioso, algo que respeito, é um direito dele, mas também como documento histórico. Um sujeito que não reconhece todas as referências a costumes, personagens, geografia, organização política e tudo o mais a que a Bíblia se refere jamais daria aula a um filho meu. E, como disse antes, nem são senhores velhos e desestimulados, mas dois jovens com menos de trinta anos. Num programa como o que proponho corriam o risco de serem jubilados, mas não invalidam a idéia da proposta. A jubilação de professores levaria, ou deveria levar, à reestruturação também do ensino de terceiro grau e formação de professores. A partir do ensino fundamental a reforma qualitativa poderia chegar à pós-graduação.
Chega de casuísmos populistas, como a proposta inconstitucional de Cristóvam Buarque de obrigar homens públicos a matricularem seus filhos em escolas públicas. Não conheço a família do Buarque, mas fica a pergunta: se ele tem filhos, esses filhos estudaram em escolas públicas? Hummm...
Chega de cotas, de ENEM ideológico, de ENADE desrespeitado e todos os artifícios e artimanhas que a esquerda vem experimentando sobre nossos jovens sem resultados palpáveis. Chega de currículos politicamente corretos e escolas sucateadas. Chega de professores faltosos, diretores coniventes e fiscalização capenga. Chega de educação politizada em favor de prefeitos, governadores, deputados e presidentes. Procure nos jornais ou na memória nomes de homens e mulheres eu tornaram-se boas referências em suas áreas, seja política, científica ou empresarial, faça uma pesquisa e veja em que tipo de escola estudaram. Aposto dez contra um que a maioria vem de escolas conteudistas e tradicionais, sem essas invenções experimentais construtivistas, Nova Escola e sabe-se lá quantas outras mais. A vida não vive de modas e o sucesso está diretamente relacionado ao conhecimento e não à habilidade em tocar tambor, trançar drads nos cabelos, tatuagens, peladas em campo do bairro, endeusamento de personalidades duvidosas e politicismo correto.
©Marcos Pontes

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Tsunami de Denúncias de Corrupção Encorpam Indignação Popular no Brasil

por Políbio Braga
Rolam pela Internet convocatórias para dois protestos públicos contra a corrupção brasileira, um deles, um panelaço ou buzinaço, previsto para o dia 1º de agosto, 11h, e o outro para o dia 7 de setembro, neste caso um evento no qual todos terão que desfilar pelas ruas com nariz de palhaço.
É uma convocatória inicial para algo que poderá vir a acabar na Praça Tahrir, no caso a Praça dos Tres Poderes, em Brasília, ou em cada Praça da Matriz do Brasil.
Há vida por trás das manifestações de indignação que movimentam a Internet. Embora as ONGs, entidades estudantis e sindicais mais ativas tenham sido cabresteadas pelo dinheiro farto do governo, a sociedade civil encontra formas de se manifestar.
Neste final de semana, o editor apontou pelo menos meia dúzia de lambanças que em outros tempos produziriam a queda do governo, mesmo encaradas isoladamente.
Há um mar de lama que precisa ser contido antes das eleições do ano que vem.
Aí vão dois exemplos das denúncias do final de semana:
- O irmão do líder do governo se atrapalhou com R$ 8 milhões de dinheiro do povo - Trata-se de Oscar Jucá Neto, nomeado diretor Financeiro da Conab (em 2009, ele já tinha caído, no meio de lambanças na Infraero). Ele mandou pagar R$ 8 milhões de dívidas da emrpesa Renascença, cujo controle mudou dias antes, passando para dois laranjas, um pedreiro e um vendedor. O ministro Rossi tentou demiti-lo, o líder Jucá impediu, mas o caso caiu na rede de Dilma Roussseff. 
CLIQUE AQUI  para ler a reportagem completa de Veja.
- O governador do PT avisa que denúncia era mentirosa - O mentiroso, no caso, era Daniel Tavares, que avisava ser possuidor de videos de maracutaias de Agnelo Queiroz. O próprio Agnelo avisou que tudo era mentira, dias depois, e que Daniel confirmaria isto, como confirmou. Acontece que dias antes, no dia 31 de maio, o governador do PT nomeou Daniel para o governo. 
CLIQUE AQUI  para ler a reportagem, também de Veja desta semana.
COMENTO:  e a "grande imprensa" quieta como guri cagado. Nada que possa afetar o fluxo de verbas públicas que a sustenta em função da completa incompetência de sobreviver com autonomia. E dê-lhe novelas e futebol para alegrar a patuléia.

Carta Aberta ao expresidente Lula

por Mozart Hamilton Bueno
Brasília, 12 de julho de 2011.
Excelentíssimo Senhor ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Com todas as vênias que Vossa Excelência se fez merecedor por ter atingido a primeira Magistratura do país, exerço meu direito de cidadão, não implicando este exercício em afronta, mas crítica de quem já não mais acredita nos rumos deste país, mercê dos desmandos que de há muito vêm ocorrendo. 
Assim, inicialmente entendo oportuno esclarecer a Vossa Excelência que:
1. Nunca participei de qualquer movimento ou partido político; 
2. Nunca fui guerrilheiro;
3. Nunca participei de assalto a banco, nem de seqüestros;
4. Nunca participei de qualquer ação terrorista assim como nunca ceifei vidas por razões ideológicas ou qualquer outra; 
5. Nunca estive exilado em Cuba, na Rússia ou em qualquer outro país, em razão do que nunca recebi dinheiro alienígena nem aprendi a nefasta arte das guerrilhas urbana e rural;
6. Nunca recebi dinheiro desonesto, seja no bolso, na cueca, na meia, na mala preta ou mesmo em conta corrente, assim como nunca fiz remessa de qualquer numerário para o exterior;
7. Também nunca participei de “mensalão” “mensalinho”; ou qualquer outra modalidade de corrupção;
8. Nunca fui funcionário fantasma assim como nunca usufruí das benesses do nepotismo, direta ou indiretamente;
9. Infelizmente, nunca fui craque em qualquer esporte, razão pela qual nunca percebi salários milionários;
10. Não sou beneficiário de programas do governo denominados bolsa estudo, bolsa alimentação, bolsa transporte, bolsa bujão de gás, bolsa sem-terra, bolsa sem-teto, como também nunca me beneficiei do sistema de cotas para negros, índios, afro-descentes, quilombolas e outros tantos que andam por aí;
11. Também não integro qualquer ONG nem o MST.
Apenas e modestamente, dediquei ao todo, quarenta e quatro anos ao serviço público do meu estado natal, Minas Gerais e ao Estado de Rondônia, em razão do que percebo hoje aposentadoria que me garante sustento. 
Então, não falo por mim, mas por milhões de brasileiros deserdados, esquecidos e maltratados pelo Estado. 
Ao meu Estado de origem, Minas Gerais, e à Pátria, nada devo, exceto os quatro primeiros anos de estudo (antigo grupo escolar), pois os demais – ginasial, colegial, dois cursos superiores e vários de aperfeiçoamentos –  foram conquistados a duras penas e às minhas próprias expensas.
Hoje se tem notícia de que Vossa Excelência enviou ao Congresso Nacional projeto de lei que premia os ex-campeões de futebol, (tidos como heróis), com determinada quantia e ainda estende esse benefício aos seus descendentes.
Muito justo...
Pena que, após, serão agraciados com o nosso dinheiro, os campeões de todas as outras modalidades de esportes, os artistas, cineastas e muitos outros campeões, pretéritos e vindouros, ainda que sob imposição de mais sacrifício à população mediante a elevação dos impostos já escorchantes e a volta de outros para satisfazer a insaciável fome do erário.
Os jogadores de futebol, Senhor ex- Presidente, não são heróis brasileiros.
Heróis de fato foram os vultos que fundaram a nacionalidade, como Joaquim José da Silva Xavier, por antonomásia “Tiradentes; os Inconfidentes Mineiros, os Bandeirantes, o Patriarca José Bonifácio de Andrada e Silva, os Imperadores Pedro I e Pedro II, Luiz Alves de Lima e Silva (Duque de Caxias), Tamandaré, Osório, Deodoro e Floriano, Benjamin Constant, Ana Néri, os que lutaram na Guerra do Paraguai, os pracinhas da Força Expedicionária Brasileira que tudo deram de si na II Guerra Mundial e ainda, os que, sem heroísmo bélico, honraram e engrandeceram a Pátria, como Rio Branco, Santos Dumont, Vital Brazil, Carlos Gomes, Villa Lobos, Rui Barbosa, Carlos Chagas e muitíssimos outros nas áreas da ciência, da tecnologia, das letras, da música, do direito e da política.
Estes sim alicerçaram as bases e os rumos do Brasil.
Heróis da nacionalidade, Senhor ex-presidente, embora no anonimato, são os professores de todos os níveis, que alavancam o progresso deste país; heróis são os militares das Forças Armadas, sempre prontos ao serviço da Pátria; heróis são os policiais militares que enfrentam diuturnamente os bandidos e ainda as famigeradas comissões de direitos humanos, assim como heróis são os bombeiros militares, verdadeiros anjos da guarda da população.
Heróis são os médicos, para-médicos e funcionários da saúde que labutam sem recursos, sem equipamentos e sem medicamentos nos prontos socorros improvisados e nos sujos e peçonhentos hospitais públicos, sem a contrapartida de um salário justo e digno.
Heróis, enfim, são os milhões de brasileiros anônimos, pacatos, cumpridores dos deveres e pontuais pagadores de impostos absurdos, que não recebem do governo a constitucional contra partida do estudo, da alimentação, da moradia, da saúde, da segurança e do transporte.
Vossa Excelência, retirante nordestino de origem pobre, talvez não saiba, pela aversão aos bancos escolares e aos livros – como reiteradamente proclamado em suas falas - que há professores neste país que percebem menos de um salário mínimo; que há escolas de taipa, de lona e sem carteiras e alunos sem qualquer material escolar, desnutridos e completamente desassistidos.
Vossa Excelência talvez não saiba que há professoras do primeiro grau que caminham léguas para lecionar e percebem metade do salário mínimo sem qualquer outro tipo de ajuda, enquanto outras navegam corajosamente pelos rios e igarapés da Amazônia para o sacerdotal sacrifício de alfabetizar crianças ribeirinhas.
Vossa Excelência talvez não tenha conhecimento de que o sistema bancário brasileiro cobra, com a conivência e sob a proteção do Estado, mais de 450% de juros ao ano e retribui nas aplicações dos seus correntistas 12% em igual período.
Vossa Excelência talvez não tenha conhecimento do estado precário das rodovias federais e estaduais, dos desvios de verbas e da corrupção que se agiganta nos três níveis da administração pública, muito embora tivesse o dever de tudo saber enquanto Presidente da República. E mais, de determinar apurações e punir exemplarmente os ratos que infestam a administração pública.
Vossa Excelência teve conhecimento de que os gastos do seu governo com os cartões corporativos superaram o orçamento de muitos órgãos da administração?
Vossa Excelência teve conhecimento das infindáveis “marucutaias” havidas em seu governo, sem que nada se fizesse para estancá-las?
Certamente que não, como negado reiteradamente durante todos os oito anos de governo. Cidadão do mundo, viajante contumaz, turista reconhecido, passou mais tempo no interior do “aero lula” e em terras estrangeiras do que aqui no nosso Brasil.
Empenhou-se para que aqui se realize a Copa do Mundo, obrigando a Federação, os Estados e Municípios a gastos astronômicos em detrimento das mais urgentes e comezinhas necessidades do povo.
Alheio à realidade nacional e movido pelo populismo, Vossa Excelência idealizou, materializou e enviou ao Congresso Nacional projeto de lei que assegura pensão aos ex-campeões mundiais de futebol.
Muito bem...
Mas, e aos ex-campões da educação, hoje aposentados com salário de fome e maltratados pelo desdém da União, dos Estados, Municípios e INSS?
E aos ex-campeões da medicina que dedicaram suas vidas à salvação de outras vidas? 
E aos ex-campeões da ciência, que dedicaram noites e noites indormidas para a melhoria da saúde pública e prevenção às doenças?
E aos ex-campeões da segurança pública, que enfrentaram diuturnamente a guerra ao crime?
E aos milhares de crianças e adolescentes moradores de rua e já escravos das drogas, que estatísticas já apontam em número de um milhão?
E aos atuais milhões de campeões anônimos que labutam diuturnamente para a melhoria das finanças, do progresso e da riqueza nacional?
Desses, Vossa Excelência não se lembrou, como não se lembrou dos atletas cubanos que lhe pediram asilo político. Entretanto dispensou especial atenção aos invasores de terras, às ONGs suspeitas, aos “cesares battistis” e aos falsos estadistas desta banda das Américas.
Por todos os títulos a iniciativa de Vossa Excelência é lamentável, antipática e discriminatória.
Como cidadão inconformado com tantos desmandos e tanta corrupção, alio-me ao pensamento de um dos maiores craques do nosso futebol, Tostão, cujo civismo o levou a repudiar essa demagógica iniciativa, porque cortesia feita com o chapéu alheio, ou seja, com o dinheiro do povo.
Só me resta esperar que Deus ilumine nossa presidente para que ela erradique de vez a corrupção neste país e que o Congresso Nacional, saindo da letargia e da genuflexão ante o Poder Executivo, ponha-se de pé e rejeite tão absurda proposta.
Atenciosamente,

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Anticomunismo nas escolas militares: provocação e resposta

1. A PROVOCAÇÃO
O anticomunismo nas Escolas Militares
Urariano Mota
Imagino os jovens dos Colégios Militares, rapazes e mocinhas ardorosos obrigados a decorar algo como uma História vazia e violentadora, a que chamam História do Brasil – Império e República, de uma Coleção Marechal Trompowsky, da Biblioteca do Exército.
O nome, a origem, o marechal, por si, já não garantiriam um bom resultado. Estariam mais para pólvora que para a História. Mas não sejamos preconceituosos, ilustremos com o que os estudantes são obrigados a aprender, como aqui, por exemplo:
Nos governos militares, em particular na gestão do presidente Médici, houve a censura dos meios de comunicação e o combate e eliminação das guerrilhas, urbana e rural, porque a preservação da ordem pública era condição necessária ao progresso do país.
Uma breve pesquisa aponta que esses livros servem a um ensino orientado pela Diretoria de Ensino Preparatório e Assistencial (DEPA), criado em… 1973, sim, naquele inesquecível ano da ditadura Médici. Ou naquele tempo do gestor democrático, segundo a orientação dada aos futuros militares. E não se pense que tal ensino está à margem da lei, não. Ele se apoia em um certo Art. 4º do R-69. Percebem? A caserna legisla. Mas não é assim, sem nada, pois a DEPA organiza a proposta pedagógica “de orientar o processo educacional e o ensino-aprendizagem na formação de cidadãos intelectualmente preparados e cônscios do seu papel na sociedade segundo os valores e as tradições do Exército Brasileiro” (Grifo do seu documento). Que valores seriam esses, além das ideias anticomunistas do tempo da ditadura?
Penso agora nesses jovens dos colégios militares mantidos com os olhos vendados, pois deles se oculta a violência e o terror sofridos por outros jovens, tão brasileiros, generosos e heroicos quanto eles hoje:
Eremias se tornou um cadáver aos 18 anos: perfurado de balas, o rosto irreconhecível porque uma só ferida, os cabelos, tão úmidos, tão grossos por coágulos de sangue, davam a impressão de flutuar no chão seco. Nada havia naquele cadáver que lembrasse o jovem que eu conhecera. O menino que eu vira em 1968 não anunciava aquele fim. Eremias não era aqueles olhos apertados, a boca aberta à procura de ar, a lembrar um afogamento. Um estranho peixe, com os cabelos a flutuar no seco.
Eremias morreu como um herói, permitam-nos dizer. O aparelho onde estava caíra. Fora entregue por um outro jovem preso, que não suportara as torturas. Cercado por forças do Exército, Eremias sozinho resistiu. Resistiu à bala, sem nenhuma esperança
”.
Ou aqui, neste depoimento da advogada Mércia Albuquerque, que assim viu e viveu no tempo da gestão do presidente Médici:
Soledad estava com os olhos muito abertos com expressão muito grande de terror, a boca estava entreaberta e o que mais me impressionou foi o sangue coagulado em grande quantidade que estava, eu tenho a impressão que ela foi morta e ficou algum tempo deitada e a trouxeram, e o sangue quando coagulou ficou preso nas pernas porque era uma quantidade grande e o feto estava lá nos pés dela, não posso saber como foi parar ali ou se foi ali mesmo no necrotério que ele caiu, que ele nasceu, naquele horror.”
E também aqui, nesta personagem oculta aos estudantes:
Maria Auxiliadora Lara Barcellos atirou-se nos trilhos de um trem na estação de metrô Charlottenburg, em Berlim… tinha sido presa sete anos antes, em 1969, no Brasil. Nunca mais conseguiu se recuperar plenamente das profundas marcas psíquicas deixadas pelas sevícias e violências de todo tipo a que foi submetida. Durante o exílio, registrou num texto… ‘Foram intermináveis dias de Sodoma. Me pisaram, cuspiram, me despedaçaram em mil cacos. Me violentaram nos cantos mais íntimos. Foi um tempo sem sorrisos. Um tempo de esgares, de gritos sufocados, de grito no escuro…’”
Essa história trágica, mas ainda assim fecundante, o papel destruidor de vidas pela Ordem da ditadura militar não pode nem deve ser ocultado. Há um clamor cidadão contra. Os colégios militares não podem mais continuar independentes do Brasil, como se fossem ilhas inexpugnáveis à civilização.
Nos discursos mais comuns dos oficiais militares que pretendem eternizar uma Escola imune à democracia e à história dos homens, argumenta-se: a) os jovens brasileiros que não se formaram no Colégio Militar não pensam nem se instruem; b) a história vivida e produzida por intelectuais e doutores das universidades brasileiras não serve para o ensino militar. Não seria mais simples que proclamassem, como o general fascista na Espanha, “morte à inteligência”?
Em todos os livros das Escolas Militares há um expurgo do genocídio de índios pelos bandeirantes, há uma nova Guerra do Paraguai que teria integrado todos os brasileiros (enquanto destruía o povo paraguaio), que unia até os escravos nacionais, mortos nas frentes com a promessa de liberdade; e, principalmente, o desaparecimento de vidas e execuções dos “apenas” 144 mortos da ditadura, que almejavam uma felicidade de bandidos.
E assim se formam novos oficiais, como se fossem a encarnação do Fantasma das histórias em quadrinhos. De geração a geração com o mesmo caráter, com o mesmo papel, a cavalgar em um cavalo branco pelo vazio histórico. De 1964 a 2011, apesar de a Guerra Fria ter acabado, apesar de um índio ter subido à presidência da Bolívia, apesar de um operário ter se tornado o presidente do Brasil mais popular em todo o mundo, tudo continua como antes no quartel de Abrantes. Igual aos tempos de Castelo Branco, Médici e Lyndon Johnson.
***
Urariano Mota é natural de Água Fria, subúrbio da zona norte do Recife. Escritor e jornalista, publicou contos em Movimento, Opinião, Escrita, Ficção e outros periódicos de oposição à ditadura. Atualmente, é colunista do Direto da Redação e colaborador do Observatório da Imprensa. As revistas Carta Capital, Fórum e Continente também já veicularam seus textos. Autor de Soledad no Recife (Boitempo, 2009) sobre a passagem da militante paraguaia Soledad Barret pelo Recife, em 1973, e Os corações futuristas (Recife, Bagaço, 1997).

2. A RESPOSTA
O IMBECIL, O “DOENTE” E O ESPERTO
Márcio Del Cístia
"Um calo profissional, originado da necessidade de explicitar conceitos tão claramente que conseguissem adentrar as cucas mais amuralhadas em defesas, faz-me buscar precisão clínica na escolha de palavras. Assim, nada de tecnicalidades preciosistas, nem eufemismos nebulizantes: apenas termos comuns construindo pontes onde a comunicação possa fluir com a limpidez - e, se necessário, com a dureza - de um cristal."
De um psicoterapeuta
São as três condições humanas que, isoladamente ou somadas, explicam-nos a adesão ao esquerdismo sociopata. O primeiro adjetivo sumariza um espectro de denotações, desde o jovem, muito jovem, que, ainda inocente, bondoso e sensível à crueldade do mundo, aceita a rósea propaganda esquerdista sobre justiça social, igualdade e fraternidade entre os homens. Sua pureza de intenções, inexperiência e ignorância sobre os fatos tornam-no vítima ideal e fácil das falácias publicitárias das conhecidas insídias comunistóides. Tanto é assim que as escolas, desde as primárias, vêm se fazendo crescentemente campos prioritários de adestramento ideológico por agentes de influência travestidos de professores.
(Igualmente crescentes são as manifestações de repúdio por parte de pais e alunos, inteligentes e suficientemente corajosos para se insurgirem contra o “establishment” [vide Miguel Nagib, www.escolasempartido.org]. Estas eu as conheço por ouvi-las no consultório. Jovens secundaristas e universitários, invariavelmente donos de inteligência superior, estigmatizados, constrangidos e perseguidos por fazer questionamentos cuja lógica férrea encosta à parede seus corruptores).
São aqueles os primeiros objetos da frase de Carlos Lacerda, sublinhando o contraponto entre ingenuidade, idealista e crédula, e a maturidade crítica: Quem não é comunista aos 18 anos, é um imbecil; quem é comunista aos 30 anos, é um imbecil.
Segue-se o imbecil por escolha. Este que, por comodismo, engole sem mastigação analítica os arrazoados sofísticos da ideologia canhota: é o comunista dos 30. Dos 40, 50... Também, como os primeiros, é vítima do treinamento estupidificador que, entre nós, passa por ‘sistema de ensino’; vítima também da planejada e sistemática desinformação gramsciana, generalizada pelos diversos graus escolares; nas mídias; veiculada por políticos, scholars e exemplares do beautiful people, sempre dispostos – uns e outros - a baixarem as calcinhas se o cachê for convidativo.
Há várias subespécies nesta categoria.
Dentre outras: o imbecil intelectual que mente com bem articulado discurso e vibrante orgulho revolucionário, é entusiástico repetidor de sofismas, altamente criativo na invenção de factóides, fértil na remodelação da História segundo suas conveniências; o imbecil filosofante que discorre – e o faz a sério!!! – sobre luta de classes, polilogismo, intelectualismo-não-engajado, ‘a construção do novo homem socialista’ e similares pérolas da genialidade vermelha; o imbecil verde-oliva ou nacionalisteiro, para quem o comunismo morreu, o KGB é só um clube e acredita que o que se tem aí é o ‘socialismo caboclo’, brasileiro genuíno e patriota - para este, o único grande inimigo são os ianques; o imbecil gregário, née 'festivo', tipo maria-vai-com-as-outras para quem o importante é ser in, é fazer parte; o imbecil fashion, crente que o esquerdismo é o plus da intelectualidade elegante; o imbecil de batina, jurando sobre a cruz que Jesus de Nazaré foi um socialista martirizado pelos capitalistas do Templo; o imbecil interesseiro que adere a qualquer coisa, repete qualquer coisa, divulga qualquer coisa, assina qualquer coisa, desde que ‘leve o dele’...
Invariavelmente pertencem a um grande grupo de indivíduos que por razões várias – incluindo bloqueios psico-emocionais severos – jamais alcançaram maturidade intelectiva ou emocionalmente responsável. Funcionam a partir de slogans e conceitos vazios em atraente embalagem emocional.
Não se questionam a si ou aos mentores que generosamente lhes ditam o que pensar. Deglutem as bestialidades óbvias dos agentes de influência - ou flatulência - com a facilidade deliciada com que se despeja uma ostra – zip! E em não havendo dúvidas, não há porque buscar certezas: nenhuma análise, nada de pesquisas, nada de leituras desafiadoras, nenhuma curiosidade em relação a outras óticas e, sobretudo, nenhum questionamento sobre suas motivações. É o imbecil esférico: perfeito sob qualquer ângulo de exame. Também conhecido como imbecil-penedo, privilegiado por uma estupidez maciça, robusta, confiante, auto-suficiente, literalmente inabalável. Alta freqüência nos sindicatos, nos órgãos da mídia ‘engajada’ e universidades...
Junto aos primeiros, formam as ‘massas de manobras’, gado facilmente manipulável e, com a devida pressão nos botões corretos, extremamente destrutivo. De preferência a outrem, mas inclusive a si mesmos quando utilizados como ‘bucha de canhão’. É deste curral que saem os ‘mártires da revolução socialista’, pobres coitados oferecidos como alvos à cuidadosamente provocada reação dos ‘lacaios da burguesia capitalista’.
( Perfil idêntico têm os “antas de Alah” que amorosa e alegremente se explodem para despedaçar os ‘inimigos do Deus do Amor’. Tal os messetistas, estes também são seres de amorosidade ímpar! )
Fazem-se sempre ferramentas do ativismo da segunda categoria: os “doentes”. Assim mesmo, entre aspas posto que sua patologia anímica não é oficialmente reconhecida como tal. Ao contrário, são exemplares que se mesclam lindamente à humanidade ‘normal’. Normalidade muito estatística, note-se.
O conhecimento sobre este tipo proveio do consultório psicoterapêutico e foi aberto por trabalho analítico sobre a questão: porque este indivíduo põe tanto empenho em agarrar-se a tal crença, mesmo com tantas e tão concretas provas de sua falsidade? Mesmo com tanta evidência de sua destrutividade? Mesmo sabendo que ela o corrompe e aos demais, o infelicita a si e aos demais?
A resposta foi um típico ovo-de-colombo: tão óbvia que não enxergamos. O venenoso ovo vermelho é a inveja, tão tóxica quanto cuidadosamente ignorada. E aí entra a ideologia como um tapa-olho conceitual, racionalizante, uma lente pré-fabricada, intencionalmente distorcida para justificar-se a manutenção do ódio destrutivo, corolário inevitável da inveja.
Hoje, já são tantas e tão claras as evidências da intrínseca, repetida e inevitável destrutividade das ideologias sinistrosas, aí incluída a falência do modelo socialista nos países europeus e a derrocada do mito sueco ( tão cuidadosamente cevado pelos 'intelectuais orgânicos' ) que sua ignorância pelos esquerdopatas não pode ser crível. Posso dar-lhe, a você que me lê, a garantia de que a real natureza maléfica dos vieses canhotos é conhecida por seus portadores. Ninguém, hoje, é tão estupidamente cego que não perceba – ainda que em pré-consciência – o horror resultante da aplicação prática desta sinistrose. Ou o nível de corrupção de alma que enseja.
Aliás, permita-me acentuar um dado oriundo do setting analítico: a sólida adesão destes espécimes à ideologia se mantém não apesar de sua comprovadíssima destrutividade, mas - atenta! - precisamente por causa dela. A expectativa de poder destruir - a riqueza, a inteligência, a cultura, a beleza, a elegância, o bem-estar, a felicidade "da zelite" - é o alimento principal da inveja azeda e crônica.
Entretanto, a cavalgadura não pode afastar o tapa-olho sob pena de ter que encarar a própria podridão: uma pústula de inveja supurando ódio venenoso, da qual se alimenta e que lhe dá – pobre diabo! – um arremedo de sentido existencial. As lentes inversoras completam o quadro: “Sou um idealista revolucionário em nobre luta por justiça social num mundo melhor”. Se, por acaso, de algum obscuro recanto do espírito qualquer resíduo de sanidade ética o ameaçar, lançará mão do santo-onipotente band-aid dos canhotos – os fins justificam... Tudo! A mentira sistemática, destruição da ordem, corrupção, roubo, assassinato, genocídio... Absolutamente tudo. Incluindo - em especial! - a auto-cegueira.
Um dos sustos seguidamente experimentados por pessoas que tentam debater racionalmente com tais espécimes de bípedes canhotos, é sua espantosa impermeabilidade às provas factuais, concretas. Não importa o quão comprovado seja um fato, a clareza, racionalidade ou fidedignidade de sua natureza e origem: entra-lhes por uma das longas e peludas orelhas e escafede-se de imediato pela outra, peluda e longa - sem deixar traços!
Penso que o leigo, mesmo muito inteligente, não tem a experiência necessária para avaliar o grau de perversão cognitiva causado pelo medo à realidade pessoal insuportável. Wilhelm Steckel, um dos discípulos de quem Freud dizia ser "fortemente intuitivo, mas fraco de raciocínio", assumia ao pé-da-letra uma máxima do mestre - "A verdade liberta" - e pespegava na cara do cliente a verdade reprimida. Conseguiu uma quantidade de suicidas em sua agenda de realizações.
É freqüente que um psicoterapeuta identifique nas primeiras sessões a natureza do núcleo neurótico reprimido, mas nada raro que se demande anos de trabalho cuidadoso até que o cliente tenha condições de aceitá-lo conscientemente, sem riscos de implodir em psicose. Ou suicídio.
Assim, é baldado tentar despertar o esquerdótico por abordagem racional, mesmo delicadamente formulada.
Ele a receberá como agressão insuportável, revidando com ataques pessoais: 'burguês reacionário', 'porco capitalista'... enquanto não tiver poder. Quando o consegue, ele não o xinga apenas - ele o mata.
Um dado concreto do conhecimento em psicologia é ser o assassínio a face externa do suicídio. A mesma pulsão destrutiva que muda de objeto. Lembra do Chê?
E, finalmente, temos o último tipo. É aquele que, podendo ter partido de um dos perfis anteriores, alcançou clara consciência de ser o marxismo e suas variantes apenas um monte de lixo intelectual arrumadinho sobre uma pilha de pseudos – pseudo-filosófico, pseudo-econômico, pseudo-sociológico, pseudo-justiceiro, pseudo-humanitário, pseudo-... Não sabe, nem se interessa em saber que esta visão-de-mundo foi cuidadosa e astutamente composta como uma armadilha intelecto-emocional para enganchar-se precisamente no que o humano inferior tem de pior em vícios de caráter: inveja, rancor, astúcia, hipocrisia, anseio compulsivo pelo poder...potencializados pela militância numa infinita espiral descendente de corrupção de alma.
Mas sabe que é uma excelente armadilha pega-otários, os quais, devidamente manipulados compõem degraus ascendentes em direção à gratificação de seu vício máximo: poder. Ou o ‘pudê’, conforme um exemplar planaltino não adjetivável por pessoas sensíveis.
Em geral esta espécie tem alto escore de Q.I. - o que não significa I.E., Inteligência Efetiva, só existente em concomitância com elevados níveis éticos. Um tal tipo é voltado para o externo, motivado pelo ‘lá fora’ onde ocorrem os jogos de influência, as lides por poder. Seus esforços por conhecimento não buscam a Verdade, ainda menos o equilíbrio criador da sabedoria, mas municiar-se para a eficácia em influenciar e manipular. O auto-conhecimento é superficial. Mercê de boa articulação discursiva, notável habilidade sofística e inegável talento manipulatório, sobreviveu aos mortíferos pegas-pra-capar das disputas grupais, políticas, partidárias, tornando-se um sobrevivente, um vencedor na corrida darwiniana. Fato que alicerça sua vibrante auto-estima, justifica e alimenta sua fome de poder e lhe permite presentear-se com o adjetivo máximo de sua espécie – “sou esperto, sou um homem de poder”.
Sua astúcia, fortemente intuitiva, já lhe deixou evidente que não se pode perder apostando na estupidez humana e a estupidez - ignorante e presunçosa - é uma de nossas mais óbvias características, enquanto povo.
Esta criatura não sabe – não pode saber – que algum dia, em algum lugar, por alguma maneira construída pela essência da Verdade, fatalmente ser-lhe-á feita uma oferta de percepção realista que não poderá recusar:
Enquanto resultante de suas escolhas você é o produto de si mesmo: um ser que se constrói, atualiza e se revela não em posses, cargos, fama... mas em seus atos livremente escolhidos. Por isso é responsável, por isso terá que responder.
Teve a oportunidade e os meios para trabalhar pelo bem do povo em que nasceu. Poderia ter ajudado a construir uma nação próspera, livre e dinâmica, com valores sadios capazes de - gradualmente como é preciso - elevar as interações humanas a níveis de excelência; um Jardim do Homem onde, natural e pacificamente como é preciso, começassem a florescer ações induzidas pelo respeito, pela confiança, pela fraterna generosidade dos felizes.
Mas, você escolheu semear a discórdia através da mentira e da calúnia. Perseguiu inocentes, espalhou o medo e a insegurança ao deturpar as leis e incentivar o crime; corrompendo valores essenciais, criou confusão angustiante para facilitar-se a manipulação.
Onde facilmente cresceria cooperação e amizade, atiçou inveja, desconfiança e ódio entre as pessoas adubando o caos em que cevar seu vício. Onde poderia haver abundância, instilou fome e miséria para servir seus interesses. Plantou a estupidez e mesquinha crueldade onde poderia medrar compreensão, tolerância e compaixão generosas. Deturpou fatos em benefício próprio, mentiu, enganou, corrompeu, roubou, assassinou, vampirizando o suor e o sangue de seu povo. Traiu a confiante esperança dos ingênuos, estes pobrezinhos a quem deveria proteger e alimentar com a Verdade.
Ao longo do caminho, fiel a seu princípio de “quanto pior, melhor”, semeou e fez crescerem ignorância, medo, desalento, confusão, dor, desesperança, ódio, destruição, e infinito – e absurdamente desnecessário! - sofrimento humano.
Poderia ter somado forças construtoras de prosperidade e paz entre as pessoas; poderia – facilmente - ter multiplicado para a bonança e a alegria.
Você escolheu enganar, dividir, corromper, confundir, enfraquecer, degradar.
Você, que poderia ter sido um anjo semeador de Luz, preferiu ser uma pústula supurada infectando os Homens com horror e escuridão.
Em suma, traiu os dons da Vida e fez da sua um exercício de destruição.
Não, você não é esperto.
Você se fez menos que um zero; fez-se um traço negativo - apenas um pobre e imbecil canalha.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Guerra Civil Espanhola 75 Anos Depois

por Janer Cristaldo
No dia 18 de julho de 1936, o general espanhol Emilio Mola y Vidal enviou telegramas às unidades militares dizendo: "El pasado dia 15, a las 4 de la mañana, Elena dió a luz un hermoso niño”. Esta senha, decodificada, significava que o levante que deu início à Guerra Civil Espanhola começaria em Marrocos, naquele 18 de julho, dia de San Camilo de Lelis, celestial patrono dos hospitais, às cinco horas da manhã. Hoje, exatamente 75 depois, a memória de Francisco Paulino Hermenegildo Teódulo Franco y Bahamonde Salgado Pardo – generalísimo Francisco Franco, para os íntimos – continua dividindo os espanhóis.
Desde ontem (17/7), El País vem dedicando vários ensaios relembrando a data. Franco, um dos deflagradores do levante – que tomaria as rédeas do país pelos próximos 39 anos – é visto como vilão. Desde alguns anos, há um movimento de “desfranquização” da Espanha, no sentido retirar todos os nomes de rua ou monumentos em sua memória, como também os nomes de seus generais. Quanto aos comunistas que, sob o comando de Stalin, queriam tomar o poder na Espanha, são vistos como os promotores de “una revolución movida en las primeras semanas por el propósito de liquidar físicamente al enemigo de clase, comprendiendo en esta denominación al ejército, la iglesia, los terratenientes, los propietarios, las derechas o el fascismo; una revolución que soñaba edificar un mundo nuevo sobre las humeantes cenizas del antiguo”.
Por mundo nuevo, entenda-se o regime comunista russo, que fez apenas 20 milhões de cadáveres. Franco matou? Matou. Não há guerra sem mortes. Mas matou para defender a Espanha, vítima de uma brutal invasão soviética. Em 1937, a União Soviética já havia colocado na Espanha pilotos de guerra, técnicos militares, marinheiros, intérpretes e policiais. A primeira presença estrangeira em terras de Espanha foi a soviética, com o envio de material bélico e pessoal militar altamente qualificado, em troca de três quartas partes (7.800 caixas, de 65 quilos cada uma) das reservas de ouro disponíveis pelo Banco de España. Pagos adiantadamente. 
Em 1936, Juan Negrín, ministro da Fazenda do governo Largo Caballero – conhecido também como o Lênin espanhol -, raspou os cofres do país em troca de aviões, carros de combates, canhões, morteiros e metralhadoras russas. Ao celebrar com um banquete no Kremlin a chegada das 7.800 caixas de ouro, Stalin, evocando um ditado russo, comemorou: "Os espanhóis não voltarão a ver seu ouro, da mesma forma que ninguém pode ver as orelhas".
Em 1937, a URSS já tinha na Espanha mais de cem aviões de combate. Os mais utilizados foram os I-15 (biplanos), conhecidos com Chatos, e os I-16 (monoplanos), conhecidos como Moscas. No ano seguinte continuaram chegando à zona republicana mais aviões soviéticos, entre estes vários bombardeiros, cada vez mais aperfeiçoados, alguns ultrapassando a velocidade de 300 milhas, como os Katiuska.
Isto El País não conta. Mas entrevista Santiago Carrillo, hoje nonagenário, responsável pelo massacre de Paracuellos del Jarama, episódio que as esquerdas não gostam de lembrar. A matança é plenamente confirmada por historiadores e foi bem mais feia que o suposto bombardeio de Guernica. Entre 7 de novembro e 4 de dezembro de 1936, militares que haviam participado do levante franquista ou que não haviam se incorporado aos comunistas, falangistas, religiosos, militantes de direita, cidadãos comuns e outras pessoas que haviam sido detidas por serem consideradas partidárias da sublevação, foram retiradas das prisões, atadas pelos punhos e conduzidas em ônibus e caminhões e conduzidas às margens do Jarama, onde foram sumariamente fuziladas. Há quem fale em cinco mil cadáveres. Outros em oito mil. À frente do PC espanhol estava Santiago Carrillo.
Interrogado sobre a matança de Paracuellos, Carrillo responde: “Yo me enteré después porque me lo contaron diplomáticos extranjeros que estaban en Madrid. Miaja y yo habíamos decidido trasladar a Valencia a los militares presos en la cárcel Modelo porque las tropas franquistas estaban a 200 metros de la prisión y, o sacábamos a los presos de allí o los hubieran liberado y perdíamos Madrid. En el traslado, fuera de mi jurisdicción, atacaron al convoy. Nadie sabe exactamente quiénes fueron y los milicianos antifascistas que les custodiaban no hicieron lo que tenían que hacer: jugarse la vida y defenderles. Pero ni Miaja ni yo ordenamos nada semejante”.
Preposto de Moscou e um dos líderes máximos do movimento comunista espanhol, o santo homem nada sabia do massacre. Foi saber por diplomatas estrangeiros. Como se ninguém soubesse na Espanha o que havia ocorrido em Paracuellos.
Desculpem-me os humanistas de plantão, mas sou defensor incondicional de Franco. Franco salvou a Espanha das ambições continentais de Stalin. Salvando a Espanha, salvou a Europa. Dominasse Stalin a Espanha, Portugal cairia no dia seguinte. Dominada a península, teria controle do mar do Norte, Atlântico e Mediterrâneo. França e Itália ficariam estranguladas. E todo o sul da Europa estaria dominado por Moscou.
El País está denegrindo, em suas páginas, o homem que construiu a Espanha de hoje, rica, livre e democrática. Não fosse Franco, a Espanha teria sido uma proto-Cuba castrista. E teria dado mais sobrevida ao regime que acabou se esboroando há duas décadas.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Nada de Caras Pintadas...

por Lenilton Morato
Mensalão, quebra de sigilo fiscal de um simples caseiro, assassinato ainda não esclarecido de Celso Daniel, ligações comprometedoras com as FARC, financiamento governamental ao MST, proteção ao assassino Cesare Battisti, saúde caótica, segurança inexistente (são 50 mil homicídios por ano e ninguém parece se incomodar com isso), educação pífia, filhos de Lula que enriqueceram literalmente "do nada", aviões da FAB utilizados por familiares do "cumpanhêro"... A lista é interminável. Uma pergunta não quer calar: onde estão os "caras pintadas?"
Em 1992, universitários (esses imbecis metidos a intelectuais) saíram às ruas exigindo o fim do governo Collor pois este estava sob suspeitas de irregularidades e desvios de verbas durante sua campanha. Palavras de ordens foram ditas, uma verdadeira mobilização foi levada a cabo e, finalmente, Collor foi impedido e teve seus direitos políticos cassados por oito anos. Que maravilha de democracia estávamos começando a viver! O povo realmente tinha o poder! Conseguiram tirar um Presidente da República! Quanta evolução!
Passados quase 20 anos, e o que aconteceu com Collor? Foi eleito Senador da República e absolvido (!) das acusações que o levaram à renúncia e posterior impedimento. A gloriosa democracia tupiniquim puniu com todos os rigores da lei um... Suspeito! Sim, Collor foi impedido de continuar no governo por mera especulação, pois não fora julgado e nem condenado. E o Congresso Nacional endossou o "apelo popular" e, na contra mão do senso comum, puniu um réu à revelia. 
Não que Collor tenha sido um bom Presidente. A questão não é essa. O fato é que o governo do PT tem se envolvido sistematicamente em questões muito mais graves daquelas que levaram ao impedimento de Collor. Numa comparação metafórica (bem ao gosto do apedeuta barbudo) o Presidente impedido, se comparado à Lula, seria um ladrão de galinhas. No governo passado houve a compra do Congresso Nacional (que não vale lá muita coisa mesmo) o assassinato de um prefeito do PT, com suspeitas de ter sido planejado pelo partidão, e ninguém, ninguém saiu às ruas para protestar ou exigir a saída de Lula. Agora, a companheira já está emaranhada em crises no Ministério dos Transportes, na troca corriqueira de ministérios, e se aprofundam cada vez mais as evidências de que as FARCs e o PT estão cada vez mais unidos (afinal, as FARCs não parabenizariam a presidente Dilma à toa, não é mesmo?).
Parece que os jornalistas, universitários e intelectuais sofrem de uma espécie de amnésia ideológica: tudo aquilo de errado que é feito pela esquerda é imediatamente esquecido. Nada de revoltas, nada de indignação. Continuamos com taxas de homicídios das mais elevadas do mundo, mas isto não incomoda a ninguém, desde que a taxa de juros baixe e o bolsa-família esteja em dia. Continuamos com produção científica e cultural nula, mas enquanto houverem as cotas para as universidades, estará tudo OK. Continuamos aumentando mais e mais a máquina pública, criando mais e mais cargos e ministérios, mas enquanto os impostos puderem ser aumentados sob a desculpa de que é o "porco burguês" que os pagas, tudo bem. Estamos pacificados e estamos passivos. A memória é curta e nenhum escândalo parece sensibilizar os estudantes como outrora outros de proporção muito menores fizeram. 
E onde estão os caras-pintadas? Ora, eles continuam onde sempre estiveram: sob as asas do PT. Ou como integrantes da estrutura do partido (em todas as suas atividades inclusive as de doutrinação ideológica) ou como novos idiotas úteis a serviço dele. 
Enquanto DCEs, MST, sindicatos, conselhos de classes e a mídia forem controlados pelo partido, nada de cara-pintadas, nada de revoltas, nada de rebeliões, a não ser aquelas necessárias para se manter as aparências. 
Não há força que possa, hoje, mobilizar um movimento contrário a este no país, mesmo que a maioria acredite que as coisas feitas pelos governos PT sejam muito piores do que aquelas que levaram Collor ao impedimento. Quando um partido e uma ideologia dominam todos os espectros do poder, da informação e da formação educacional e cultural, as opções são poucas. O problema não é o (ou a) presidente não saber de nada. O problema é que os estudantes, jornalistas e intelectuais também não sabem de nada, ou por ignorância ou por doutrinação ideológica.

domingo, 24 de julho de 2011

Trovoada sem Chuva

por José Roberto Guzzo
Uma das principais dificuldades do governo Dilma Rousseff, pelo que foi possível perceber nestes primeiros seis meses, é que a presidente da República vive brava. Diante de todo e qualquer problema que aparece, o noticiário diz sempre a mesma coisa: Dilma ficou brava, ou muito brava. Está irritada. Ou está impaciente. Ou não gostou. Ou passou uma descompostura geral à sua volta. Ou deixou de castigo os doutores fulano, beltrano e sicrano, e por aí se vai. E quanto ao problema real que causou esse mau humor todo ─ ficou bem resolvido? Não vai acontecer de novo? Alguma coisa melhorou? Nada disso; fica tudo igual e, às vezes, pior. A presidente acha que está, com os seus pitos, corrigindo os erros cometidos e mostrando que tem braço firme para governar. Na prática, o que está fazendo é outra coisa. Está confundindo cara feia com autoridade; é o governo através da bronca. Talvez seja bom para a máquina de propaganda do Palácio do Planalto, que pode vender a imagem de uma presidente capaz de botar na linha qualquer peixe graúdo que lhe apareça pela frente, que age rápido e não tolera serviço mal feito. Mas na prática, até agora, a qualidade de seu governo não melhorou nada com isso, pois Dilma não muda, e talvez nem possa mudar aquilo que realmente está criando os problemas. É trovoada que vai embora e não traz um pingo de chuva.
O que está criando os problemas é o avanço cada vez mais rápido da privatização do estado brasileiro ─ ou, em linguagem mais direta, a utilização da máquina do governo em benefício de interesses privados e a transferência de renda pública para bolsos particulares. É história que está aí há muito tempo, mas que atravessa, na atual administração, fronteiras nunca atingidas antes neste país. Os exemplos são constantes, custam caro e acontecem praticamente à vista de todos. Basta olhar, para começo de conversa, as empreiteiras de obras públicas ─ jamais mandaram tanto no governo como agora. Decidem preços, falsificam licitações, alteram contratos, ignoram prazos e dão ordens nos ministérios. O empresário Abílio Diniz se comportava até outro dia como presidente do BNDES, que se dispunha a lhe oferecer mais de 4 bilhões de reais para a realização de um negócio de seu interesse pessoal no Grupo Pão de Açúcar; o projeto acabou em naufrágio, mas deixou claro como empresários amigos do governo se sentem à vontade diante do patrimônio público. O notório deputado Valdemar Costa Neto, dono de um dos mais extensos prontuários da política brasileira, despachava até outro dia dentro do Ministério dos Transportes, foco do último escândalo classe “A” da administração federal. Amigos, aliados e parceiros do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não tem cargo oficial nenhum e teoricamente é um cidadão particular, circulam nos ministérios, empresas estatais e outros órgãos públicos como se estivessem em casa. Jatinhos de magnatas que têm negócios pendentes com o governo são hoje o meio de transporte regular de Lula e da companheirada.
Enquanto as coisas forem assim, e elas são cada vez mais assim, não adianta nada a presidente ficar brava. A braveza de Dilma pode assustar os subordinados mais inseguros, mas não causa a menor impressão em profissionais calejados como o deputado Costa Neto ─ podem até trocar de sala, mas não mudam de atividade. O desfecho da mais recente calamidade fornecida pelo Ministério dos Transportes, onde reportagens de VEJA flagraram práticas grosseiras de corrupção, é um excelente exemplo disso. O ministro Alfredo Nascimento, depois de receber a “confiança” de Dilma, acabou sendo colocado na rua junto com os burocratões mais vistosos do seu entorno. Mas para o seu lugar foi nomeado o número 2 do ministério, que está lá há anos; a menos que não comparecesse ao local de trabalho, viveu esse tempo todo no meio da ventania.
Qual é a mudança, então? O PR, grupo que foi presenteado com o Ministério dos Transportes pelo presidente Lula, não vai largar o osso; a “base aliada” e as gangues partidárias que mandam em Brasília não vão mudar de conduta. Alteração, mesmo, só continua acontecendo com o PT, em consequência de sua caminhada ao lado de gigantes da política brasileira como o PR e bandos semelhantes. O partido-farol das massas populares, em algum momento dessa viagem que já dura mais de oito anos, acabou trocando de lado. Na pose e no palavrório, ainda se apresenta como a vanguarda das forças do bem. Na vida real, fica cada vez mais parecido com o deputado Costa Neto.

O Misterioso Advogado do Diário da Noite e o Vigarista que se Hospedou no DNIT

por Augusto Nunes
Ninguém na redação do Diário da Noite sabia quem era aquele homem de terno e gravata que chegou no começo da tarde, caminhou sem pressa até a mesa desocupada, pendurou o paletó na cadeira, sentou-se com a naturalidade de quem está em casa, fez algumas ligações telefônicas, recebeu cinco ou seis visitantes e conversou com cada um cerca de meia hora, sempre em voz baixa. Deve ter padrinho forte, imaginaram os que o viram partir na hora do crepúsculo.
Voltou na tarde seguinte e reprisou o ritual da véspera. E assim foi por cinco dias, quando alguém enfim lhe perguntou quem era e o que fazia na redação. Era advogado e tinha escritório montado ali perto da sede dos Diários Associados, esclareceu o desconhecido. Naquele início dos anos 70, um amigo que trabalhava na empresa vivia dizendo que aquilo se transformara numa terra sem lei. Ninguém sabia quem mandava, cada um fazia o que queria. Ao passar diante do prédio, bateu-lhe a ideia de acampar na redação do Diário da Noite. Como não encontrou nenhum impedimento, improvisou na mesa uma filial da banca de advocacia. Aquilo era mesmo uma terra sem lei.
Neste começo de inverno, o Brasil foi apresentado a uma história mais espantosa e mais desmoralizante que a do advogado do Diário da Noite, que os jornalistas costumam evocar em defesa da tese de que não há limites para o absurdo quando alguma redação escapa ao controle dos incumbidos de conduzi-la. Na versão reciclada, a empresa em estado terminal é o governo federal, o jornal à deriva é o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, vulgo DNIT, e o advogado desconhecido é um vigarista com nome, sobrenome e apelido.
Frederico Augusto de Oliveira Dias, o Fred, ocupa desde 2008 uma sala do DNIT e o cargo de “assessor do diretor-geral”. Há quase três anos, acumulando as funções de representante do deputado Valdemar Costa Filho ─ chefão do PR e do bando que age no Ministério dos Transportes ─, Fred despacha com prefeitos, parlamentares e autoridades de outros ministérios, preside reuniões destinadas a estabelecer prioridades, apressa a liberação de verbas multimilionárias. É o que continuaria fazendo se não fosse localizado por VEJA no meio da turma que enriquece nas catacumbas do Ministério dos Transportes.
Nesta sexta-feira, a presidente Dilma Rousseff ordenou ao novo ministro, Paulo Passos, que demitisse o negociante de verbas. Impossível, informou nesta quinta-feira o Correio Braziliense: como o advogado do Diário da Noite, Fred nunca foi nomeado oficialmente para qualquer cargo, não figura na folha de pagamento, não aparece no quadro de funcionários. Chegou lá em 2008 porque Valdemar Costa Neto determinou-lhe que cuidasse dos seus interesses no DNIT. Instalou-se numa sala e entrou em ação. Como não encontrou nenhum impedimento, foi ficando.
Paulo Passos não sabe quem paga o salário do notório vigarista. Também garante que mal conhece Fred, que o acompanhou numa viagem à Bahia quando era ministro interino. O inverossímil Luiz Antônio Pagot faz de conta que não sabe direito quem é ou o que faz o assessor com quem conversava diariamente. “Não vou dizer que é um pobre coitado, mas não é funcionário de carreira, não tem poder de decisão nenhuma”, desdenhou. “Se pudesse comparar, diria que é um estafeta, um boy”. “Boy”, por sinal, é o apelido de Valdemar Costa Neto, que infiltrou numa sala perto do cofre o amigo e cabo eleitoral.
Em troca do apoio incondicional ao governo, Lula presenteou gatunos de estimação alojados no PR com o controle do Ministério dos Transportes e um salvo-conduto que permite roubar impunemente. O advogado do Diário da Noite ficou alguns dias na redação porque o jornal estava morrendo de anemia financeira. O quadrilheiro do DNIT ficou alguns anos por lá porque sobra dinheiro e falta cadeia.