terça-feira, 14 de junho de 2011

Vergonha (III)

por Peter Wilm Rosenfeld 
São de entristecer de vergonha esses primeiros meses de governo da Presidente Rousseff!
A Casa Civil, considerada a mais importante pasta do Ministério, pareceu-se mais como uma Casa da Mãe Joana, seja lá o que isso for (depende do pensamento de cada um...).
O Sr. Antonio Palocci vem tendo problemas com a Lei desde seus tempos de Prefeito de Ribeirão Preto.
Lá suas mazelas foram na área da coleta de lixo, que nunca foram muito bem explicadas, o que não é de surpreender no PT.
Como Ministro da Fazenda no primeiro mandato do Presidente da Silva, prevaricou freqüentando uma casa que pertencia, diz-se, ao pessoal da República de Ribeirão Preto.
Flagrado nessa atividade não muito nobre, negou categoricamente que freqüentava a tal da casa, sendo desmentido por um simples caseiro, de nome humilde (Francenildo Santos Costa).
A mando do Ministério da Fazenda (adivinhem quem era o Ministro...), conforme informado pela Caixa Econômica Federal ao Poder Judiciário, [o caseiro] teve seu sigilo bancário quebrado; também perdeu o emprego que nunca mais recuperou, vivendo atualmente de “bicos”.
O Sr. Palocci acabou perdendo o emprego de Ministro, mas nada de mais grave lhe aconteceu apesar do crime de ter mentido (vejam bem, o Ministro da Fazenda mentiu para prejudicar um humilde caseiro!).
Reapareceu com força total na campanha eleitoral da Sra. Rousseff, na qual deve ter ganho muito dinheiro porque, de repente, ficou milionário (e bota milionário nisso...).
Graças a seus bons serviços como tesoureiro da campanha, foi nomeado para chefiar o mais importante Ministério da Presidente Rousseff.
Quando seu súbito e forte enriquecimento foi revelado depois de um belo trabalho investigativo da imprensa, voltou a mentir em grande escala. Inventou uma empresa de consultoria que lhe teria proporcionado a dinheirama.
A sobrevida do contumaz mentiroso prejudicou fortemente o Governo. Só quem não viu isso foi a Senhora Presidente. Resultado: até hoje o Governo não disse ao que veio. As propaladas virtudes da Sra. Rousseff como gestora, “gerentona”, até agora não foram demonstradas.
Mas não é só. Em um de meus últimos artigos comentei que o Ministro da Educação (?) do Governo do Sr. da Silva jamais deveria ter sido mantido, depois de tudo o que aconteceu com o ENEM. Não só foi mantido como, igualmente, foi prestigiado pela Sra. Presidente. E aí veio a beleza do “nóis pesca os peixe” e similares, obra pela qual sua autora recebeu R$ 700.000,00.
Além dos diretamente interessados no assunto, a única pessoa que conheço que defende o livro é um de meus netos, que insiste comigo que leia o livro para ver que não é o que se está dizendo.
Pretendo fazê-lo em breve. Sem embargo, por mais que o livro insista que não é “errado” falar... digamos, gramaticalmente errado, não posso acreditar nisso.
As maiores autoridades em lingüística do Brasil têm essa opinião, e a tem defendido em toda a sorte de publicações. O argumento mais simples e direto é o do ditado que “o pepino se entorta (ou endireita, conforme o caso), quando jovem”.
Ademais, devo comentar lastimando que apesar de ainda se ensinar o português correto nas escolas o povo fala, em seu dia-a-dia, um português terrivelmente errado. O exemplo mais notório disso é a concordância verbal. O carioca diz “você não vai pegar o teu chapéu?” O gaúcho replica com “tu não foi ao cinema ontem?”.
Mas o Ministério da Educação, não satisfeito com essa sua façanha, agora se meteu em outra: distribuiu milhares de livros de aritmética, em que o resultado de uma soma ou de uma subtração pode ser qualquer coisa, jamais o correto. Estou certo de que todos leram nos jornais sobre esse fato. E o que aconteceu com o Ministro? Nada, apenas está se tornando cada vez mais pomposo e arrogante porque sabe que mora no coração da Senhora Presidente... É ou não é uma VERGONHA?
Devo mencionar também minha tristeza assistindo ao comportamento de nossos parlamentares. Estou certo de que o PT conseguiu formar essa maioria esmagadora nas duas casas do parlamento porque boa parte de nossos deputados e senadores se encaixa perfeitamente na designação “vendilhões do templo”. O que os move, principalmente os que pertencem a partidos que eram de oposição, são interesses materiais. A ideologia abraçada por eles é a do “quem paga mais”, “de que lado posso auferir mais vantagens materiais”.
A moral e a dignidade foram para o brejo, sem que qualquer um deles se envergonhe disso.
Finalmente, não posso deixar de comentar uma “descoberta” feita pelo Sr. João Ubaldo Ribeiro, escritor membro da Academia Brasileira de Letras, que escreve crônicas publicadas todos os domingos no jornal O Globo, do Rio de Janeiro: o Brasil inventou o sistema bi-presidencial, por coincidência um casal: o Sr. da Silva é o Presidente e a Sra. Rousseff é a Presidenta. O Presidente faz política e a Presidenta administra. Perfeito, pois não? Na recente crise, em que o Sr. da Silva teve que ir a Brasília para resolvê-la, configurou-se exatamente o descrito por João Ubaldo Ribeiro...
VERGONHA!
Peter Wilm Rosenfeld
Porto Alegre (RS), 08 de junho de 2011

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