sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Eu sou Você amanhã!!

por Marcos Pontes
Pelego era um termo muito usado pela esquerda, antes de ascender ao trono, para referir-se aos trabalhadores e/ou empresários que concordavam com as medidas governamentais e o sistema corrente.
Idealismo era a virtude que as esquerdas se vangloriavam de ter por “lutarem pelos trabalhadores, pelas classes menos favorecidas, contra os governos e os empresários, usuários da mais valia em detrimento dos direitos das classes proletárias”. Aqui cabe uma pequena observação: a esquerda sempre refere-se a classes, grupos, comunidades... Jamais refere-se ao indivíduo, como se fôssemos todos apenas grãos a serem moídos para gerar uma paçoca homogênea. A velha tática leninista de integrar todos às medidas de um poder central, maneira de gerar um sentimento de inclusão naqueles que sempre viveram na periferia da história.
Quem é o pelego hoje? Onde foi parar o idealismo da esquerda de ontem?
Se a história é contada pelos vencedores, essa corja que hoje comanda o país e vence qualquer eleição, apaga o passado, photoshopa suas antigas e amarelecidas foto nos altos dos palanques e esbravejando contra aqueles em que se transformariam no futuro. Lembra daquela propaganda de vodka em que o cara, na maior ressaca, fala para si próprio “eu sou você amanhã”? A nova esquerda que pichava pelegos e rasgou seus ideais é a ressaca de vodka. Aqueles que cometiam pecados esconjurados pela esquerda foram substituídos pelos seus críticos que repetem os mesmos comportamentos.
O coletivo ficou no discurso, todos os líderes fizeram fortuna com pecados capitalistas e as tais classes oprimidas transformaram-se em classes de suporte. A consubstanciação do dito popular, o suprassumo do egoísmo, o tal “farinha pouca, meu pirão primeiro” é o idealismo da nova esquerda.
Onde difere a construção de milionários estádios e bilionário trem bala em detrimento da geração de emprego e renda, não de ocupação temporária, da esquerda no poder do “Brasil Grande” dos generais que ela condenava?
De onde difere o discurso de Collor, condenado pelos seguidores cegos, surdos e mudos de Lula, que avisava a população que se Lula fosse eleito confiscaria a poupança, e, depois de vencer o PT, o próprio Collor fez o confisco, do discurso de campanha da Dilma que alertava para o cancelamento de concursos públicos caso Serra fosse eleito e agora, depois de eleita, uma de suas primeiras medidas foi cancelar os concursos?
Que diferença há entre os odiados pelegos do passado das centrais sindicais e sindicatos que hoje apóiam o governo federal na sua decisão férrea de reajustar o salário mínimo no menor índice entre todos os apresentados? Nem os sindicatos patronais fizeram proposta de reajuste mais baixo do que o defendido pelo governo, PT, PMDB e asseclas. Quem é o pelego, agora?
Quem é o reacionário, a direita que comanda o capital gerando empregos, criando empresas, construindo uma infraestrutura aos trancos e barrancos ou a esquerda que tenta, a todo custo, impor ao país um regime nascido em 1917 e falecido quando o mundo abriu os olhos em 1988 ao perceber que tal regime não levou ao progresso nenhum país onde ele se instalou?
Quem são os ditadores, a direita que comandou o país por 21 anos e o devolveu aos civis em eleições ou a nova esquerda que tem um projeto de poder, não de governo, de 50 anos e usa o erário para comprar consciências, políticos e miseráveis para dar uma aparência democrática à sua ditadura redesenhada?
Ao criar o discurso de que o mundo não está mais polarizado entre direita e esquerda, gramscianamente a esquerda decretou, unilateralmente, a morte da direita, já que a esquerda tomou conta do mundo, escamoteando sua ideologia sem moral, ética ou idealismo social. Um discurso perigoso que se vê repetido em todos os cantos como se fosse uma verdade absoluta. Ela, a nova e perigosa esquerda, dá as cartas em todos os setores e nos afoga em discursos bem ensaiados, fantasiados de “coisa do bem”.

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