sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Este ano será igual àquele que passou

por Marcos Pontes
Colocar em ordem cronológica requeriria um exercício de pesquisa a que não estou disposto a me entregar, prefiro contar com brain storm da memória, para isso não é preciso pensar muito para quem tentava manter-se minimamente informado sobre a política nacional nos últimos 8 anos. Me refiro, obviamente, aos inúmeros escândalos surgidos, seja por desonestidade, seja por pura e clara incompetência, no decorrer do governo que se findou, pelo menos pró forma, em 31 de dezembro de 2010.
O primeiro escândalo, sabido e decorado, foi o mensalão, espalhado no ventilador pelo boquirroto bandido que saiu do episódio com aura de bom mocinho, Roberto Jefferson, sujeito já maculado em sua moral ao encabeçar a tropa de choque que defendeu Collor até o penúltimo segundo durante o processo de impeachment do outro boquirroto.
Depois de emagrecer duzentos quilos, ficando com a cara de seu irmão mais magro, o populacho esqueceu-se de quem ele era. A propósito, ligando o mensalão do Jefferson com as denúncias contra Collor, deflagradas pelo irmão que não teve acesso ao bolo, Pedro, em ambos Jefferson teve participação ativa. Passiva e venal. Em ambos saiu arranhado, mas de pé, como os bandidos que saem ilesos ao toparem a delação premiada.
Voltando aos escândalos.
O mensalão, ao ser levantado seu tapete, mostrou a podridão nos Correios. Poxa!, justamente os Correios, a empresa pública que mais contava com a confiança popular havia décadas? Pois é, a administração corrupta da República Sindicalista começou destruindo uma entidade forte.
No rastro dos desmandos desvendados, mas não julgados - aí é querer muito -, vieram os sanguessugas, roubando grana da saúde pública, pouco se importando com os usuários do sistema que não contam com hospitais decentes, esperam por meses por exames que podem salvar suas vidas, ou morrem nas filas de espera; os negócios escusos do tal, desculpem o palavrão, Lulinha, que fez fortuna mediando negociatas com a Telemar. A competência a toda prova o fez sair do emprego de limpador de bosta de elefantes a multimilionário e latifundiário, em episódios explícitos de tráfico de influência; na Ciência e Tecnologia, depois da promessa do então presidente de destinar 4% do PIB para essa área, o que se viu foi a transferência de suas verbas para outras áreas, pior, nem sempre aplicadas com transparência. À Ciência e Tecnologia sobraram menos de 1%; a dinheirama destinada, sem licitação ou processo legal, para os tais “movimentos sociais”, inclusive com parecer do inútil Tribuna de Contas da União e redundando num balcão de negócios chamado Comissão Parlamentar de Inquérito das Organizações Não Governamentais, popularmente conhecido como CPI das ONGs. Um dos principais beneficiados é o MST, organização dedicada ao terrorismo rural que nem tem matrícula legal, portanto, sem CGC, o que o impediria de receber verbas oficiais. E daí? Leis, para petistas, foram feitas para serem ignoradas; a dinheirama que Duda Mendonça confessou ter transferido para a Suíça por vias sub-reptícias e recebidos pela primeira campanha do PT e sem recibos. Mesmo diante da confissão, ele continua impune, seu candidato continuou governando, o partido não foi admoestado e nós, contribuintes, tivemos que chorar de raiva caladinhos sob nossos cobertores; o assassinato do prefeito incômodo ao seu partido e seus então companheiros. Caso jamais explicado, mesmo com tantas denúncias claras e não apuradas pelas polícias ou pela justiça; as muitas amizades com ditadores que o presidente abraçou a conselho de seu Richilieu de baixa moralidade, Celso Amorim. Mugabe, Khadafi, Chávez, Morales, Ahmadinejad... São tantos os mandatários de viés ditatorial, alguns, como os latinoamericanos, travestidos de democratas por conta de suas eleições manipuladas, que caíram na boca do povo informado e nas graças do presidente desinformado, que ficamos mal vistos, embora com disfarce, por parte de nossos antigos parceiros do Hemisfério Norte. Não bastasse isso, no apagar das luzes de seu governo, o terrorista Battisti recebeu o aval para continuar em nossas terras, terras de bandidos; no rastro do Amorim, havia o revanchista maoísta gramsciano Tarso Genro, que o povo gaúcho premiou com a governadoria, negando a crença nacional que os gaúchos são bons em política.
Muitos outros escândalos poderiam ser enumerados, mas nada de novo seria dito. Por que, então, resolvi falar desses? Porque percebi que NENHUMA área sob a tutela do Estado saiu incólume da corrupção, dos escândalos e da função de cabide de empregos para os sindicalistas e petistas desempregados. Até a educação pública, que de tão ruim e sucateada parecia não ter como ser mais maculada, caiu no descrédito total com o roubo de provas do ENEM em 2009 e os erros dos gabaritos de 2010, mesmo tendo, o MEC, um ano inteiro para preparar-se para as provas. No finalzinho do mandato, as falhas do ENADE, que nem deram manchetes, tão calejados estamos com a burrice petista.
Pois 2011 parece que vai seguir no mesmo ritmo. Os estudantes não conseguem se inscrever no SiSU e revela-se um esquema de roubos de mais de 500 milhões de reais na Funasa. Para nosso desgosto, no ano previsto para o julgamento do mensalão, tudo indica que ninguém será punido, fazendo desse ano igualzinho aos anos que passaram.
©Marcos Pontes

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