segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Nossos medinhos e Gramsci

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por Marcos Pontes
Em que se diferenciam as ditaduras vermelhas idealizadas pelo russo Lênin e o italiano Gramsci? Se bem que a idealizada por Lênin também foi implantada, enquanto que a de Gramsci nasceu em seus anos de cadeia. O brutamontes Mussolini deu a ele lápis, caneta, comida e todo o tempo do mundo para maquinar suas idéias. Entre tantas, talvez essa seja a maior burrice de Mussolini uma vez que a obra do Gramsci perdura ao passo que os malfeitos de Il Duce já se perdem no fog da história.
A principal diferença entre os dois modelos é o tipo de medo. Lênin impôs o medo palpável, o medo real das armas, da brutalidade dos agentes do estado, da KGB, do MVD, do Exército Vermelho, do seqüestro, da Sibéria; já Gramsci, bem mais sutil e paciente, investiu no medo de assombração, aquele medinho escondido sem se saber exatamente do quê. O medo do desconhecido, das maquinações maquiavélicas, do preconceito no verdadeiro sentido, de coisa pré concebida e que, por isso mesmo, deveria ser evitada, desmontada e negada.
Ao ver o movimento gay, por exemplo, negar o modelo de família predominante como sendo uma coisa ultrapassada, percebe-se nas entrelinhas a revolução gramsciana, gritando em surdina que tudo o que já existia deve ser negado. Dos bancos das universidades, principalmente as de ciências humanas, às cartilhas da pré-escola a revolução gramsciana mostra suas garras encobertas por veludo. Temos que reaprender a ler para percebermos no subtexto o pretexto da revolução embutido.
Sabendo que quem faz a cabeça do povaréu brasileiro são as novelas e o Jornal Nacional, aí a mente revolucionária investiu seus esforços sob o manto do politicamente correto, criando tabus modernos. Se antes da revolução feminista era tabu mulher “séria” sair de casa de calça comprida ou cantar o cara que lhe agradasse, depois da queima de sutiãs passou a ser feio discriminar as que tomassem a iniciativa, o mesmo acontece hoje em relação à erotização infantil, o homossexualismo, o aquecimento global, o consumo de carne vermelha, o consumo de supérfluos e por aí a fora.
Depois que criaram Xuxa, menina alguma quis mais ser Marie Curie. Pensar dói, mais fácil balançar a bundinha do que tentar interpretar um livro cheio de letras e palavras impossíveis; depois que inventaram Bruno Cateaubriand, nenhum menino sonhou em ser Garrincha. Pra quê suar, trabalhar pesado pra ganhar uns caraminguás e morrer de cirrose hepática se pode viver à champagne, morar na Zona Sul e aparecer cheio de glamour em qualquer programinha de celebridade?
Inverter os valores e criar medinhos contra o que está estabelecido é a tática gramsciana e na ponta de lança desse exército estão os gays que escrevem novelas e os jornalistas que fazem os jornais nacionais, não apenas o Jornal Nacional, por meio de releases enviados pelos todos poderosos assessores de imprensa. Jornalistas não precisam mais pensar, transformaram-se em copiadores que publicam o que as empresas, políticos, editoras e agências de notícias enviam. Não há sequer a necessidade de checar informações, já que suas fontes são as próprias personagens da notícia.
Não é à toa que Franklin Martins, um gramsciano profissional, foi alçado à condição de Göebbels particular de Lula nesses quase oito anos. Como poucos esse jornalista sabe manipular os medos coletivos. Por anos ele foi um dos editores dos jornais da Globo, conhece como pouquíssimos o inconsciente coletivo e sabe usar dos nossos medinhos em favor da causa revolucionária petista como nem o Maquiavel redivivo, Zé Dirceu, saberia fazê-lo. Dirceu é um executivo do mal, enquanto que Martins é um intelectual, portanto muito mais perigoso.
A propósito, se levantarmos todos os assessores de imprensa e dirigentes da área de comunicação social dos repetidos governos, desde Figueiredo, perceberemos que quase todos saíram dos quadros da Globo. Alexandre Garcia (Figueiredo), Antônio Brito (Tancredo/Sarney), Tereza Cruvinel (TV Brasil), Hélio Costa (Lula/Ministério das Comunicações), Franklin Martins e sabe-se lá quantos outros mais. Não entro no quartel dos que condenam a Globo, o Papa e a Coca-Cola por todos os males do país, isso também é hipocrisia coletiva, mas a Globo nos deve muito por ter formado esses mentores da revolução vermelha silenciosa que se instala aos pouquinhos e sem doer.
©Marcos Pontes

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