sábado, 6 de novembro de 2010

O Estado sou eu

Carta publicada no diário La Nación em 05/11/10
Circunstancias particulares de minha vida me levaram a compreender e valorizar a importância da imprensa na limitação do poder do estado. Onde as câmaras estão ligadas ou um jornalista se faz presente, a onipotencia do estado se minimiza e o exercício dos direitos de cidadania fica garantido. Como contrapartida, quando os meios de comunicação olham distraidamente para outro lado, funcionários inescrupulosos vêem a oportunidade de assumir a frase de Luís XIV “O Estado sou eu”.
Em 01/10 o Lic. Alfredo Forti, Secretario de Estado do Ministério de Defesa da Argentina, transmitiu a dois oficiais do Exército Argentino a ordem terminante de retirar uns cartazes colocados na frente do Edifício Libertador, cujo conteúdo molestava à Dra Nilda Garré, acrescendo que deviam utilizar a força física se fosse necessário. Os cartazes formavam parte de uma manifestação pacífica encabeçada por esposas e filhos de militares detidos por haver combatido o terrorismo nos anos 70.
Um dos oficiais explica ao funcionário de defesa que os militares não tem poder de policia para dar cumprimento ao solicitado, ao que aquele responde que igualmente se cumpra a ordem. Ao mesmo tempo, por telefone, o General César Santos Milani, assume a ordem ilegal do funcionário público, pondo em marcha o procedimento repressivo.
Um Oficial Chefe, cinco suboficiais e três soldados voluntários são empenhados na ruptura da manifestação pacífica, que termina com mulheres golpeadas e o roubo deliberado do suporte dos cartazes usado no protesto. Enquanto os responsáveis por essa repressão ilegal permanecem impunes, este oficial da reserva, que participava da reclamação, foi sancionado com 20 dias de prisão em represália por ter denunciado a violação às Leis de Defesa e de Segurança Interior. Com os meios silenciados ¿Se poderá fazer Justiça?
Pedro Rafael Mercado
DNI: 18046597
pedrorafaelmercado@yahoo.com.ar
Fonte:  tradução livre de AFYAPPA
COMENTO:   para saber mais sobre a agressão contra os familiares dos vários militares argentinos presos (dos quais mais de uma centena pereceu no cárcere) sem condenação judicial, por terem combatido o terrorismo nos anos 70 do século passado, leia o artigo em AFyAPPA. Repito aqui que a Argentina de hoje tem tudo para ser o Brasil de amanhã. Passadas as eleições, um bando de procuradores desocupados de São Paulo surge no noticiário com uma nova ação judicial contra militares reformados por "mortes ou desaparecimento forçado de pelo menos seis pessoas, além de tortura contra outras 19 pessoas. ... A ação pede que os réus sejam condenados a pagar indenização à sociedade, tenham as aposentadorias cassadas e ajudem a cobrir os gastos da União com indenizações para as vítimas."  Para mover uma ação visando agilizar os processos do mensalão, dos assassinatos dos dois prefeitos petistas paulistas, ou dos milhões apreendidos em São Paulo durante a campanha eleitoral de 2006, esses 'procuradores' não devem ter tempo disponível.

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