terça-feira, 9 de novembro de 2010

Ainda sobre o bombardeio colombiano no Equador

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão independente da OEA, acaba de admitir uma demanda interposta pelo Equador contra a Colômbia pelo bombardeio ao acampamento das FARC em Angostura, onde morreu, além do segundo em mando das FARC, Raúl Reyes, o cidadão equatoriano Franklin Aisalla Molina, vulgo Lucho.
A essência da demanda é que Aisalla foi executado a sangue frio por tropas extrangeiras, neste caso as Forças Armadas colombianas, e foram ofendidos seus direitos à vida e a integridade pessoal, e a Colômbia tem que responder por isso. O mundo ao avesso.
Aisalla não só morreu em uma ação militar de legítima defesa conduzida por Colômbia, mas também foi demonstrada sua estreita relação com as FARC e sua participação direta em ações claramente de caráter terrorista. As provas forenses, realizadas por organismos internacionais, comprovaram que o equatoriano sofreu múltiplas feridas mortais, produto do bombardeio ao acampamento de Raúl Reyes, pois se encontrava nele, não de forma casual, senão permanente e ativa, como mais um membro do grupo terrorista das FARC.
A aceitação da demanda não implica que a Colômbia vá ser condenada, pois a tese do próprio Governo e de reconhecidos especialistas em direito internacional, é que a Comissão Interamericana não tem competência para estudar o caso do bombardeio em Angostura. Nós compartilhamos tal tese. É fácil para a Colômbia demonstrar que cumpriu os princípios do Direito Internacional Humanitário e resoluções das Nações Unidas em relação com o uso da legítima defesa em fatos contra o terrorismo.
Colômbia mostrou suficientes provas para desmontar qualquer pretensão contra o país, porém não se pode  menosprezar, o que parece ocorrer neste caso, a diplomacia paralela que seguem exercendo alguns organismos internacionais e ONG de direitos humanos contra os interesses supremos colombianos.
Que a CIDH, pela primeira vez em 50 anos de existência, aceite uma demanda de um Estado contra outro, não pode ser visto como um fato isolado da arremetida que se vem apresentando nos Estados Unidos e Europa contra o ex Presidente Álvaro Uribe, que segue tendo razão quando afirma que Colômbia não pode manter uma diplomacia "meliflua e babosa".
Infelizmente, no caso do bombardeio de Reyes "matamos o tigre e lhe perdemos o couro", por que estava bem oferecer desculpas pela operação militar em solo equatoriano, porém nos faltou clareza e eficácia para capitalizar em nosso favor a copiosa informação que estava contida nos computadores do abatido "chanceler das FARC".
Oxalá não aconteça o mesmo com os (computadores) de Jojoy, por simples conveniência pessoal, e pondo em risco nossa soberania e dignidade.
Que o Governo e a Chancelaría, sem sossego, aproveitem esta instância internacional para demonstrar que temos sido vítimas, não verdugos, do contubérnio de alguns governos vizinhos com grupos ligados ao terrorismo. Só assim poderemos corrigir o rumo dste mundo que parece ao avesso.
Fonte:  tradução livre de El Colombiano

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