quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Para que serve o EB?

Por Jorge Serrão
A pergunta foi feita em inglês. What is Brazil's army for? Foi o título de um tacanho e mal intencionado editorial da revista The Economist – uma das porta-vozes da Oligarquia Financeira Transnacional. O editorial da prestigiada publicação britânica, no último dia 9 de setembro, questiona a necessidade de o Brasil manter tropas na Amazônia.
O argumento do editorial é: o Brasil não precisa de grandes efetivos militares em sua região Norte porque não há conflitos por lá há mais de 107 anos. O último foi a disputa Brasil-Bolívia pelo Acre. Na opinião dos britânicos, o Brasil devia concentrar suas tropas em missões internacionais importantes, como as do Haiti e do Congo, sob o Comando das Nações Unidas.
O editorial cita um seminário ocorrido na manhã do último dia 9, no International Institute for Strategic Studies, em Londres, onde o modelo militar brasileiro foi questionado. Participou do evento o General de Divisão Gérson Menandro Garcia de Freitas, que já foi comandante da Academia Militar das Agulhas Negras e atualmente assessora o Comandante do Exército.
A turma da Economist tirou um sarro com a fala do General no evento, quando ele afirmou que "um dos propósitos estratégicos das Forças Armadas, para os próximos anos, era defender o País (guard the country) durante dois eventos esportivos: a Copa do Mundo de Futebol (em 2014) e as Olimpíadas do Rio de Janeiro (em 2016)". Quem duvidar, leia o artigo completo da revistinha no link: http://www.economist.com/blogs/americasview/2010/09/brazils_military
Os britânicos foram nada britânicos no comentário: “(Proteger) De quem? É claro que o Exército não é uma força de polícia, então o general não quis dizer que seria uma guarda contra o terrorismo ou para fazer a substituição da Polícia Militar do Rio contra o domínio das três principais facções do tráfico”.
O editorial da Economist prossegue na avacalhação: “Será que o Exército achou que os americanos vão retirar do Afeganistão, esgueirar-se no Brasil, enquanto a nação está sintonizada na final da Copa do Mundo, para anexar a Amazônia? Ou é possível que Hugo Chávez, amigo e aliado do Brasil, invada Roraima, na hora em que o vôlei de praia feminino estiver em quadra?”.
O claro foco dos britânicos é a Amazônia, região que lhes interessa transformar “patrimônio da humanidade”. Por isso, as ONGs alienígenas apóiam a sobrerania dos povos indígenas, em suas “nações” cuidadosamente demarcadas em nascentes de rios e onde o subsolo é repleto de riquezas minerais ou de biodiversidade. O recente ataque ao Exército, que ainda defende a soberania da Amazônia apesar do insuficiente efetivo, ocorre depois de mais um encontro internacional para tramar contra a soberania brasileira sobre a Amazônia.
Nos dias 29 e 30 de abril deste ano, o Príncipe Charles abriu sua residência oficial, a Clearence House, em Londres, para juntar autoridades e parlamentares de estados da região amazônica com representantes de instituições financeiras e das indefectíveis ONGs. Estiveram presentes Ana Júlia Carepa, do Pará; Waldez Góes, do Amapá; e José de Anchieta Júnior, de Roraima. O Acre e o Amazonas foram representados pelos senadores Tião Viana (PT) e Arthur Virgílio (PSDB).
Confraternizaram-se com eles a nata da Oligarquia Globalitária: executivos de grandes empresas como Rio Tinto, Shell, Deutsche Bank, Goldmann Sachs, Morgan Stanley e MacDonald's que se misturaram com dirigentes do WWF, Greenpeace, Friends of the Earth (Amigos da Terra) e até mesmo de líderes indígenas como Almir Suruí, da COIAB. O empresário brasileiro Jorge Pinheiro Machado foi o organizador do encontro.
O objetivo de Charles é promover uma espécie de financeirização das florestas nativas via remuneração dos ‘serviços ambientais’ que elas prestam à humanidade. A comunidade britânica estaria disposta a desembolsar cerca de 10 bilhões de libras esterlinas (mais de R$ 50 bilhões) para remunerar os serviços ambientais prestados pelas florestas. Os recursos seriam injetados na melhoria da qualidade de vida dos povos da floresta, para que os índios se transformem em “guardiões das florestas”.
Em resumo, o editorial britânico é mais uma brutal guerra psicológica contra nossas Forças Armadas, notadamente o Exército. Ou os nossos militares tomam ciência e se convencem de que existe uma Oligarquia Financeira Transnacional com agentes trabalhando para acabar com nossa soberania e para destruir nossas instituições, ou, em pouco tempo, acabarão transformados em meros funcionários públicos fardados, cada vez mais mal armados e mal amados.
A guerra assimétrica contra o EB não para. Quatro militares do Exército foram denunciados pelo Ministério Público Federal no Amazonas. São acusados de praticar atos de abuso de autoridade e tortura (Lei nº 9.455/97), causando sofrimento físico e mental a índios das comunidades de São Joaquim e Uariramba, em São Gabriel da Cachoeira, a 850 quilômetros a noroeste de Manaus.
O processo aguarda julgamento na 2ª Vara Federal. A pena prevista para a prática da tortura para obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira pessoa é de reclusão de dois a oito anos, aumentada de um sexto a um terço quando o crime é cometido por agente público. Se os índios que acusam os militares têm envolvimento com tráfico de drogas? Ah, isto não interessa... Os índios podem tudo! O importante é sacanear os militares...
Por tudo isso, a fotografia (acima) da futura Comandante-em-chefe das Forças Armadas (sem o charuto montado por internautas maldosos), envergando um uniforme do Comando Militar da Amazônia, é um sinal de que o futuro próximo pode ser nada agradável aos militares que ainda acreditam na defesa da soberania nacional.
Claro, para os militares “melancias” (verde-oliva por fora, mas vermelhos no oportunismo dos cargos que vão ocupar no próximo governo), tudo tanto faz, como tanto fez. Eles querem mais é receber a próxima estrela, a do PT, e ficar numa boa com os poderosos de plantão. São eles que, a boca pequena, andam dizendo que é preciso prestar atenção no que a “extrema direita anda fazendo”.
Para os traidores do Brasil, que venha a Comand´anta Rousseff, a terrorista anistiada, que fará a alegria e tristeza de muito soldado, armado, amado, ou não.
Jorge Serrão é Jornalista, Especialista em Política,
Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.

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