quinta-feira, 10 de junho de 2010

LAPA FA-03 - O Fuzil Bullpup Brasileiro

.
Eu não conhecia esse fuzil, soube dele ontem e resolvi pesquisar. Não achei nada produtivo em português e então traduzi da Wikipédia. Peguei umas imagens do fórum ZonaMilitar.ar também. Incrível como a industria bélica brasileira foi boa na época do regime militar, e agora não temos nada de interessante nem de destaque. Lá vai.
------------------------

O fuzil FA-03 foi um bullpup criado por Nelmo Suzano na sua empresa LAPA (Laboratório de Pesquisa de Armamento Automático, no RJ). FA-03 significa Fuzil de Assalto modelo 03 e leva o nome da empresa, LAPA FA-03.
O desenvolvimento e a produção do fuzil foram entre 1978 e 1983, e tiveram outros dois modelos (um de submetralhadora 9mm e outro de .22) com o intuito de ter armas domésticas e militares para venda e exportação. O FA-03 foi o único modelo bullpup feito pela LAPA.
Basicamente, o FA-03 não tinha nada de especial no seu mecanismo, era somente um fuzil de assalto com seleção de fogo baseado no sistema padrão operado por pistão com trava de ferrolho rotativo.
A característica mais interessante no FA-03 era a falta da posição safe para fogo. Nele, haviam três posições: semi-automático, automático e ação dupla.
O fuzil podia ser portado com segurança mesmo carregado, mas com o ferrolho em posição baixa. Pela idéia do criador, funcionava muito bem como a posição safe, pois para conseguir atirar nessa posição iria precisar de uma puxada bem forte e demorada no gatilho, o que não iria acontecer por acidente ou fadiga do mecanismo.
Isso também assegurava a impossibilidade de disparos acidentais quando o "martelo" se solta por algum problema técnico que a arma poderia ter.
É interessante notar que o primeiro disparo na posição de ação dupla é algo raramente usado em fuzis automáticos para fins militares. O maior experimento de um gatilho de dupla ação numa arma com fogo seletivo foi com a submetralhadora italiana M4.
Este sistema é criticado por especialistas e atiradores por induzir o soldado a ter muita auto-confiança, mantendo o dedo no gatilho mesmo quando não está apontando a arma para algum alvo. Enquanto alguns militares consideram isto como uma boa coisa, como prontidão para atirar, especialmente em operações militares. A prática de ficar com o dedo no gatilho não é estimulada, pois uma das regras fundamentais para a segurança de armas de fogo é "sempre manter o dedo fora do gatilho até estar pronto para atirar".
O fuzil LAPA FA-03 tinha um chassi feito de plástico que protegia o mecanismo da arma contra agentes externos (água, areia, poeira...) e diminuia consideravelmente o peso total da arma.
Originalmente o fuzil recebeu um sistema de alimentação por um carregador plástico, mas recebeu algumas mudanças para ser alimentado pelos carregadores STANAG para facilitar a exportação para países que usavam outros tipos de carregadores (quase sempre, o carregador do M-16).
Chamar o LAPA FA-03 de um fuzil "5.56x45mm OTAN" seria um erro, pois na época a munição padrão atual FN SS109 de 62 gramas ainda não havia sido lançada. Como o passo do cano era de apenas 1:12 (1 turno em 305 mm), o LAPA FA-03 poderia usar apenas a munição 5.56mm na variação M193 (55 gramas), que foi usada pelos EUA na Guerra do Vietnã.
Infelizmente isso também foi a causa do seu fim, porque o Exército e a polícia brasileira estavam acostumados a anos e anos com armas com um peso elevado como clones do FN FAL e Madsen M-50, feitas aqui mesmo no país.
Os membros das forças armadas que testaram o FA-03 e outras armas da LAPA nos anos 80 descartaram todas elas com a justificativa de que elas se pareciam com brinquedo (por conta do plástico e o design) e pelo baixo peso (todas as armas da LAPA eram feitas com o sistema de proteção em plástico, que apesar de diminuir o peso da arma, não afetava o controle dela em fogo automático).
Quando o FA-03 foi projetado, também era uma novidade pelo seu design bullpup. As únicas armas da época que tinham esse design, eram o FAMAS (França) e o Steyr AUG (Áustria). Mas quando o FA-03 chegou a ser oferecido, todo o mercado do mundo já havia sido tomado pela AUG, que até hoje permanece como a arma bullpup com mais sucesso já criada.
Como a produção era nula, para fins locais ou de exportação, a LAPA faliu rapidamente em 1983, com menos de 500 unidades do FA-03 produzidas no total, a maioria até hoje é guardada por forças policiais para uso especial.


Em serviço: supostamente até hoje, em pequenos números
Uso: supostamente por unidades especiais da polícia
Criador: Nelmo Suzano
Criação: 1970~1980
Fabricante: LAPA - Laboratório de Pesquisa de Armamentos Automáticos SC/Ltda
Produção: entre 1978 e 1982
Quantidade: menos do que 500
Peso: 3,5 kg
Comprimento: 738mm (29,07" polegadas)
Comprimento do cano: 490mm (19,3" polegadas)
Munição: 5.56x45mm (55 gramas, M193) diferente do padrão OTAN
Ação: recarga por ação de gás em ferrolho rotativo
Taxa de fogo: 650 disparos/minuto
Velocidade do projétil: 975m/s
Raio efetivo: 550m
Alimentação: carregador de 20 ou 30 cartuchos (STANAG 4179) ou carregador plástico próprio de 30 cartuchos
Miras: frontal fixa, traseira ajustável

Mais imagens:



Imagens do FA-03 supostamente modernizado, retiradas do fórum ZonaMilitar.ar:












Alguém conhecia?
Acho que não foi apenas o Osório que perdemos.
Hoje em dia a tendência é de que as armas sejam feitas de polímero de plástico, o que o FA-03 já trazia desde TRINTA anos trás e os caras que testaram não gostaram
E a maior ironia é que o TAR-21 é muito parecido com ele, e o Brasil mostrou interesse em padronizar com ele... sendo que tinhamos um bullpup anos atrás, e que provavelmente seria muito superior ao TAR-21, se tivessem investido em melhorar. Foda... Deveriam dar um jeito de criar um desses e largar o MD-97 e os projetos baseados no FAL.
Dá até tesão de olhar pra esse fuzil... e enquanto isso o pessoal usando FAL e querendo padronizar com MD-97... Não dá pra entender como deixaram um projeto desse morrer.
Fonte: Fórum HardMob
COMENTO: Bullpup é uma configuração de fuzis, onde o gatilho se encontra à frente do carregador de munição, sendo que este é encaixado na coronha. Essa configuração permite manter o mesmo comprimento de cano, importante para a precisão do disparo, e mantém o fuzil em um tamanho mais compacto para uso em ambientes sem muito espaço. http://pt.wikipedia.org/wiki/Bullpup
Os bostas "politicamente corretos" que "detonaram" essa idéia de um Fuzil de Assalto genuinamente brasileiro, certamente são os mesmos que negaram apoio à falecida ENGESA e quase extinguiram com a EMBRAER e a IMBEL.

3 comentários:

Carlos "Cipher" Renato disse...

Esse rifle era muito interessante e muito bom, acho que ele era até superior ao AUG austriaco (se bem que a austria nem parece um pais mais), o problema essa vez foram dos nossos proprios soldados que diziam que o LAPA parecia um brinquedo, graças a uma mentalidade como essa que nós perdemos o Osório, o Tamoyo, o Charrua, o Ogum, e agora vamos perder nosso aviao, é isso mesmo, vamos perder o nosso KC-390, esse projeto ta parecendo mais um projeto internacional, the Portugues, Argentino, Colombiano, Tcheco e Equatoriano querendo entrar nesse projeto, isso nem seria tão ruim, eu pessoalmente gostaria que nos brasileiros fizessemos um projeto com dois ou tres paises pra projetar um caça ou um tanque por exemplo, mais esse projeto do jeito que esta indo vai virar uma nova Itaipu, o Brasil faz tudo e os outros paises ficam ganhando lucro em cima.

Anônimo disse...

A Lapa foi capaz de projetar um fuzil tão bacana há trinta anos atrás, mas preferimos ficar com os estrangeiros. Acho que faltou acreditar que há brasileiros criativos e capazes. Se os russos tivessem o mesmo pensamento o que teria sido feito do AK 47?

Anônimo disse...

Esse é um fenômeno parecido com o Gurgel.. os próprios brasileiros consideram "arrogância demais" outro brasileiro desenvolver um produto "de estrangeiro". Como será que a Embraer conseguiu frutificar? Porque o governo brasileiro criou e continuou contratando seus serviços! Criada em 1969 e privatizada apenas em 1994: um caso de sucesso. No caso da Lapa era apenas preciso um contrato. Faltou considerar o grande valor estratégico de ter mais uma empresa de tecnologia de sucesso, nacional.