sábado, 27 de fevereiro de 2010

O Futuro Que Nos Prometem

por Arlindo Montenegro
Ontem, 5ª Feira, 25 de Fevereiro, enquanto o ex metalúrgico e ainda Presidente do Brasil, abraçava carinhosamente os irmãos Castro, na fortaleza em que vive o mais velho, personalista e sanguinário ditador sobre a face da terra, realizava-se o funeral de Orlando Zapata Tamayo, que fazia greve de fome há 85 dias.
Orlando estava preso desde 2003 e como outros, condenado por reunir 10 mil assinaturas, na forma da Constituição Cubana, para encaminhar um pedido de mudanças legislativas, em nome do Grupo Varela, também integrado por jovens do Movimento Cristão pela Liberdade. A lei mudou. Sumiu o dispositivo que permitia aquela iniciativa popular.
Orlando foi reconhecido "Preso de consciência" pela Anistia Internacional, no episódio que ficou conhecido como Primavera Negra. Um dos dirigentes de grupos dissidentes que pediu uma audiência com o visitante do Brasil, declarou que depois da visita aos Castro, "Lula deveria visitar os metalúrgicos dissidentes, presos e condenados a 20, 30 ou mais anos de reclusão".
O articulista do "El Diario Exterior", Manoel Morales do Val, lembra que Orlando era um "trabalhador manual, negro e pobre" (indicando o racismo dos irmãos ditadores) "na prisão sofreu inumeráveis sevícias incluindo surra de pauladas por ser negro". E finaliza: "Fulgêncio Batista, filho de independistas cubanos, nunca matou tantos dissidentes como os Castro" ao contrário, anistiou os irmãos depois do assalto ao Quartel Moncada.
A pequena cidade de Banes, foi cercada pelas Forças de Segurança do Estado, que identificavam todos os que acorriam ao enterro de Orlando. Munidos de uma lista identificavam outros dissidentes. Contaram-se no mínimo 30 prisões no ato. Nada disso interessa ao visitante. Da última vez que degustou o rum e os puros cubanos, ele inaugurou as obras do porto de Mariel, um grande investimento brasileiro na ilha.
Ali foram gastos 450 milhões de dólares, na modernização do porto com um terminal de containeres, rodovia e vias de acesso. As exportações para a ilha, 330 milhões de dólares em 2009 e mais o inicio dos trabalhos da Petrobrás em prospecção nas águas cubanas do Golfo do México é de grande ajuda. Os cubanos auxiliam a acabar com o analfabetismo dos pescadores brasileiros, com um programa audiovisual e assessores especializados.
Uma ilha com 10 milhões de habitantes, com um exército de 500 mil homens, espalhou o terrorismo guerrilheiro na África e nas Américas. Um ditador prepotente, aristocrático e personalista, domina e reduz os nacionais à pobreza, formando uma fortuna particular com o tráfico de drogas, exploração de mina de diamantes na África, dois bancos na Inglaterra e mais de 200 empresas espalhada pelo mundo, enquanto o povo cubano passa fome e é privado das liberdades fundamentais.
Tudo isto está narrado em fitas de vídeo, livros como aquele do comunista francês René Dumont (Cuba, est'il socialiste?) que depois de trabalhar como consultor pecuário convidado na ilha por dois anos, desistiu e declarou em seu livro que "Cuba era um grande latifúndio gerenciado por um só feitor, Fidel Castro".
Agora, com um lapso de 5 anos, nos chega a notícia do livro de um cubano, sobrinho de Osvaldo Dorticós Torrado, que desempenhou o pífio papel de Presidente de Cuba entre 1959 e 1973. Afastado da vida política por Fidel Castro, Dorticós suicidou-se em Junho de 1983. Juan Vivés, (*) sobrinho de Dorticós, exilado na França, lançou em 2005 suas memórias pessoais na condição de ex agente dos serviços secretos cubanos. O livro secunda e acrescenta a outros depoimentos de pessoas que se afastaram do círculo íntimo dos Castro: um ex guarda pessoal, um "laranja" que cuidava da rede internacional de empresas, ex comandantes, e a própria irmã dos Castro, Juanita.
Ernesto Neto, brindou os leitores do grupo "cafehistória", com um resumo do livro "El Magnifico: 20 Ans au Service Secret de Castro". Juan Vivés, conta que atuou no serviço secreto de Cuba até 1979, quando exilou-se na França. Descreve a difícil convivência com Guevara e o prazer sádico que o "herói" tinha por fuzilamentos e assassinatos: "só na Fortaleza La Cabaña ele comandou mais de 600 sessões."
Passa pela invasão da Bahia dos Porcos, assassinato de Camilo Cienfuegos, assassinato de Salvador Allende a mando de Fidel Castro, guerrilhas na África, operação no Saara Espanhol, tudo emoldurado pelos "casos que denotam o aspecto mau caráter de Fidel - colérico e com suas alegorias fantasiosas e megalomaníacas (...) todos que ameaçaram seu prestígio como Líder Máximo da Revolução, foram misteriosamente "silenciados", sejam por inexplicáveis acidentes como o de Camilo Cienfuegos, sejam por falsas promessas de ajuda como o próprio Che, quando se encontrava na Bolívia".
Uma novidade é que em Cuba foram interrogados soldados americanos presos no Vietnã. Juan Vivés recebeu dois textos em inglês, para tradução, duvidando da alegada falta de capacidade dos vietnamitas e "posteriormente o seu próprio tio (o Presidente) lhe teria dito que havia prisioneiros americanos em território cubano. O que ele nunca soube foi o que fizeram com estes infelizes soldados. Provavelmente foram mortos".
"O ex-espião ainda conta como a mídia internacional, artistas e escritores do mundo inteiro apoiaram (e apóiam!!) o cruel regime castrista, disseminando mentiras a respeito do país e da revolução". O envolvimento de Castro financiando a Frente Polisário no Saara Espanhol, bem como a criação e financiamento do ETA Espanhol, a partir da Venezuela.
Durante a operação militar em Angola, foram envolvidos 300 mil jovens cubanos durante 15 anos. Então "as tropas cubanas trocavam diamante e marfim, pela heroína por intermédio da máfia de Hong Kong. Daí a droga era enviada a Havana em transportes militares cubanos e posteriormente era transportada para o Panamá, onde agentes cubanos da DGI negociavam com traficantes internacionais."
Quando a operação foi denunciada pelos Serviços Secretos americanos, o responsável, General Arnaldo Ochoa e outros a serviço de Castro, foram fuzilados. O comércio continuou sob a direção de Raul Castro em relação com Daniel Ortega, atual presidente da Nicarágua e Pablo Escobar.
É este o amigo do presidente Lula. É este o modelo de "democracia" que querem impor ao Brasil. Vamos deixar?
Referências:
- El Diario Exterior, Madri, 24 de Janeiro 2009;
- (*) Ernesto Neto, no Cavaleiro do Templo, texto reproduzido do Cafe Historia
El Veraz, documentários sobre Cuba, ver aba "política", entrevista com Manuel de Beunza e a sequência "El Escolta".
Fonte: ViVerdeNovo

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